Retirando-se da competição

5 Capítulo 3 - A vingança da garota bonitinha


Notas iniciais
Leitoras lindas do meu coração! Pois é, eu - Emy - não morri, mas como a Lou disse, estive bem perto disso: semana de provas. É, esse capítulo demorou, eu sei, mas resolvi recompensar vocês: podem perceber que ele foi bem maior que o nosso "padrão"! Parece que tive um surto de inspiração logo depois de um terrível bloqueio, e para as amigas escritoras, deixo a dica: chá de maçã com canela pode ser milagroso. Anyway, espero que curtam, não esqueçam de comentar, etc, indicar para os amigos austenmaníacos e que curtem histórias de universo alternativo. Fantasminhas, estou de olho em vocês! O que custa deixar um comentário, poxa? ): saiba que isso faz as autoras muito felizes! Beijão no coração.

Darcy era a combinação de todas as coisas que eu detestava em um ser humano. Além daquelas nada amigáveis características, ele também fazia parte do grupo de riquinhos pelo qual eu tinha um certo preconceito. Não era por essas razões, no entanto, que comecei a entortar meu nariz todas as vezes que o via pelas redondezas, com seu topete com dois quilos de gel de cabelo, andando como se quisesse flutuar e com aquele olhar que, na minha humilde opinião, estava na linha tênue entre o sexy e a cara de constipação.

Não foi nem mesmo por causa da discussão na aula de Literatura – foi bem antes disso. Ainda assim, aquele dia da aula havia sido glorioso, porque eu pude perceber que não estava lidando apenas com um esnobe que julgava garotas por sua aparência, mas com alguém que estava acostumado a ser o melhor em tudo.

Para o azar dele, eu também.

Assim que expressei minha opinião sobre as poesias – eu realmente não era a maior fã delas, por mais que o fato de eu estar sempre com um livro em mãos expressasse o contrário. Belo estereótipo, não? – e, devo dizer, impressionei o professor, suponho que William Darcy não conseguiu suportar o fato de não ser ele o centro das atenções, nem mesmo dentro da sala de aula.

Bem, pelo menos foi isso o que pareceu, mesmo depois de Charlotte tentar me convencer do contrário. “Você não pode julgá-lo por ter uma opinião diferente, Lizzie”, ela sussurrou, entre risos, depois de soltar uma gargalhada após a minha nada sutil indireta que fez Darcy calar a boca. Mas se era só questão de opinião, por que ele falava com tanta arrogância e desprezo na voz? Por que ele me olhava daquele jeito?

Sr. Majid deu continuidade à sua aula e eu permaneci quieta, de cabeça abaixada e com um sorriso presunçoso no rosto. Uma mão alcançou o meu joelho e eu ergui o rosto, assustada.

– Você arrasou – William Collins, meu colega da frente, me mandou uma piscadinha antes de se virar para frente outra vez. Eu ri.

Gostava de Collins. Como eu, ele era bolsista, mas estava em Meryton desde o primeiro ano do colegial, enquanto eu era caloura... digo, uma veterana caloura, você entendeu. Nos conhecemos no primeiro dia de aula, quando eu e Lottie estávamos vagando pelos corredores da escola, completamente perdidas. Ela foi gentil com ele, mas eu soube desde o princípio que não se interessara – ela nem mesmo deu uma chance. Não olhou para o rosto simpático por trás das grossas lentes dos óculos que ele usava.

Começamos a nos chamar apenas pelos sobrenomes assim que nos apresentamos, porque, segundo ele, pelo menos metade da população masculina e feminina do internato se chamavam William e Elizabeth – o que não era mentira. Ele só não me chamava de Bennet quando usava o apelido que ninguém mais conhecia: Eliza.

– FALA SÉRIO, JUIZ LADRÃO! – o grito de Charlotte me despertou de meus devaneios e balancei a cabeça, atordoada, me situando. Certo, estávamos no campo, no jogo contra Badminton Institute, estava ridiculamente frio e eu ainda não tinha nenhuma pipoca.

– Hã, estamos perdendo? – eu perguntei, cutucando-a na barriga para que olhasse para mim.

– Estamos ganhando, mas COM CERTEZA NÃO GRAÇAS A ESSE JUIZ – ela berrou em direção ao canto, fazendo gestos obscenos com as mãos.

Revirei os olhos.

– Francamente, Lucas, controle-se – suspirei, fazendo um esforço enorme para me concentrar no jogo que havia parado por alguma razão. A paixonite de Charlotte tentava controlar o amigo que parecia estar prestes a soltar fogo pelas ventas. Que idiota, pensei. Não me surpreenderia se Darcy bancasse a diva ali mesmo.

Decidi olhar para outra coisa, e o olhar de Wickham cruzou com o meu. Ele abriu um sorriso. Senti até as partes do meu corpo que eu não lembrava da existência se arrepiarem.

– Esse não é o tipo de lugar que eu esperaria te ver, Eliza – uma voz se pronunciou do meu lado. Surpresa, coloquei a mão sobre o peito e respirei fundo.

– Por Deus, Collins, não seja tão sorrateiro! – ofeguei e ele deu uma risada, me oferecendo uma caixinha cheia de nachos. Meu estômago se contorceu com a fome. Graças a Deus pela existência desse garoto.

– Ah, eu não perderia por nada a chance de ver as princesas despenteando o cabelo e sujando as unhas.

Eu ri com a boca cheia. Collins, em geral, compartilhava o meu sentimento.

– Há – uma risada desdenhosa veio do banco de baixo e, mesmo com o rosto sujo de guacamole, encarei Caroline Bingley. Ela inclinava o queixo e empinava o nariz com desgosto. – Parece que encontrou alguém para ser patético junto com você, Collins. Que lindo! Finalmente fazendo amigos, já não era sem tempo. – ela me observou por alguns segundos, como se eu não fosse um objeto digno de sua atenção, e voltou a olhar para o campo e gritar com adoração o nome de Darcy.

– Ignore-a. Ela é má com todo mundo. – Collins murmurou, e eu sabia que ele estava certo. Ela era má com todo mundo, mas nunca havia sido comigo. E por que eu deveria me importar? Eu não era esse tipo de pessoa. Ignorar a opinião alheia e seguir em frente era o meu forte.

Mas eu tinha que admitir: com as bochechas coradas de constrangimento e em silêncio absoluto, percebi que havia uma pequena parte de mim que desejava a aceitação das pessoas de Meryton, pessoas como Caroline.

O jogo continuou e parecia bastante emocionante – pelo menos foi o que deduzi, já que os pontos estavam acirrados, os gritos das duas torcidas eram ensurdecedores e a atmosfera estava cheia de euforia e nervosismo. Charlotte constantemente dava pulinhos e eu pude vê-la roendo as unhas, um hábito que ela dizia ser horrível, mas que não conseguia parar nem para ver um episódio de Lost. Collins frequentemente saía para comprar mais lanches para nós, que era a única coisa que nos mantinha concentrados.

Dois minutos para o fim e o placar estava empatado. Odiava ser pessimista (ou nesse caso, realista), mas tudo indicava que Badminton iria vencer. Os garotos corriam, caíam, a bola voavam, crosses se chocavam. O tempo passava... e o estrondoso apito soou, mas não antes que o garoto estrela, como eu secretamente o apelidei, marcasse o gol que nos deu a vitória.

Isso mesmo. Chuck Bingley.

– Nossa, que jogo emocionante! – exclamei falsamente, me colocando de pé. Sabia que Charlotte estava ocupada demais no meio de um surto para notar minha saída, assim como todos os outros além de Collins.

Nós começamos a caminhar em direção aos prédios, conversando, quando algo – não, alguém – fez com que eu parasse e olhasse para trás.

– Lizzie!

Santo Deus.

– Olá – eu sorri e sussurrei discretamente para Collins – Você pode ir sem mim.

Ele bufou, parecendo não muito contente, mas pelo menos deixou espaço para George.

– Pensei que não fosse conseguir te encontrar a tempo.

– Bem – encolhi os ombros – Aqui estou eu.

Os olhos azuis dele brilhavam, e uma gota escorreu de seus cabelos molhados de suor e eu a segui com os olhos até que ela morresse em seus lábios carnudos entreabertos. Engoli em seco.

Maldita gota.

– O que achou do jogo? – perguntou.

– Hã, foi bem... intenso. – é, essa foi a melhor palavra que consegui usar. Wickham soltou uma risada rouca e me perguntei se ele não estava me achando bastante estúpida, porque eu, pessoalmente, estava.

– Escuta, eu gostaria de saber se você não quer sair amanhã à noite... comer algo pelo campus ou algo do tipo. – ele ergueu as sobrancelhas diante do meu silêncio absoluto. – Topa?

– Ah, mas com certeza – eu disse, tão rápido e baixo que me surpreendi por ele ter conseguido escutar.

– É um encontro, então. – e sem dizer mais, foi embora.

Encontro?

...

Acredito que, em meus dezesseis anos, eu nunca havia pensado dessa forma, mas agora eu gostaria muito de ter prestado mais atenção nas dicas de beleza que Jane me dava quando morava conosco, antes de ir para a universidade. Era ela quem sempre combinava suas roupas, escolhia os melhores sapatos e usava bastante maquiagem. Já eu... diga-se de passagem que escova de cabelo e gloss labial era o máximo de luxo que eu me permitia.

Encarei meu reflexo, mordendo o lábio com apreensão. Não sabia se lilás era uma boa cor para mim, mas aquele vestidinho era uma das únicas coisas decentes que eu havia trago e talvez a única peça que eu podia usar com meu casaquinho branco. Eu pediria ajuda de Charlotte, mas eu só sabia que ela havia passado por aquele quarto por causa do cheiro de seu perfume. Ademais, eu não a via desde o jogo.

– Elizabeth Amelia Bennet, não posso acreditar no que vejo! – Lottie saiu do banheiro em seus pijamas e com uma toalha enrolada nos cabelos. Ela parecia perplexa. Animada, mas perplexa.

– Ah, então você lembrou que eu existo? – tentei permanecer durona, mas aparentemente o vestido e maquiagem realmente podiam deixar alguém mais... mulherzinha. – Como eu estou?

– Maravilhosa! Qual é a ocasião especial?

Encarei meus pés e esperei não ruborizar ao dizer as palavras que ele mesmo usou:

– Um encontro.

Lottie congelou e, lentamente, seus olhos se arregalaram e seu queixo caiu.

– AI. MEU. DEUS! – ela agarrou meus ombros e começou a me sacudir. Apesar de ter ficado meio tonta, não deixei de rir – Um encontro? Com quem!

– George Wickham! – falei, esperando causar atiçar ainda mais sua animação. Parecia que eu estava errada.

– O que... Wickham? – ela franziu a testa. – Lizzie... eu não acho que você deveria, você sabe... sair com esse cara.

Dei um passo para trás, confusa.

– E por que não?

– Porque Chuck disse que ele não é uma boa pessoa...

E essa foi a gota d’água.

– Claro. Como não adivinhei? – ela claramente não entendeu o meu sarcasmo, então cruzei os braços. – Você está falando sério, Charlotte?

– Você nem o conhece!

– E você por acaso conhece o “Chuck”, ou ele não passa de um garoto bonito que pode ter a pior das intenções com você? – disparei. Ela ficou pálida. – Desde que chegamos aqui eu tenho feito tudo o que você quer. Eu vim para essa escola porque você quis. Bem, sinto lhe informar que, dessa vez, vou fazer o que eu quero. Se você não percebeu, está vivendo em um mundo que gira ao redor de Charles Bingley, e eu não tenho certeza se quero fazer parte dele.

Agarrei minha bolsa que estava jogada em cima da cama. Minha mão tremia.

– Lizzie... – ela sussurrou, com a voz chorosa.

– Não. Não agora. – falei, ríspida, e saí do quarto, batendo a porta com força atrás de mim.

É claro que me senti péssima menos de um segundo depois. Eu não falei nenhuma mentira, mas isso não era justificativa. Eu não queria magoá-la, só queria que ela entendesse.

– Bem na hora. Não achei que você fosse vir mesmo. – a voz de George veio do fim do corredor e ele se aproximou de mim. – O que aconteceu?

Só então notei que lágrimas escorriam pelo meu rosto.

– Não é nada, desculpe – funguei, enxugando o rosto com as costas da mão, apressadamente. E lá se vai a maquiagem.

– Ei! – falou outra voz, e dessa vez, da outra extremidade. Virei-me para o início do corredor e, chocada demais para dizer alguma coisa, me deparei com William Darcy vindo em nossa direção.

– O que você quer, Darcy? – George pareceu entediado.

– Muitas coisas ruins envolvendo você – Darcy ralhou, e então, olhou para mim. Seus olhos castanhos se encheram de preocupação. – Meu Deus, o que ele fez com você? – ele se aproximou ainda mais – Me conte!

– Nada! – gritei. – Não fale assim dele!

Darcy ergueu as sobrancelhas.

– Espere... você está saindo com ele?

Atrás de mim, George disfarçou uma risada com uma tosse.

– Não é da sua conta. – respondi, seca.

Eu não soube exatamente por que, mas algo na expressão de Darcy fez com que eu pensasse que ele havia ficado ofendido – magoado, até.

– Então, aparentemente, sua falta de senso se aplica a pessoas, também.

Boquiaberta e ultrajada demais para respondê-lo, deixei que Darcy se retirasse com seus passos duros sem que ele ouvisse todas as ofensas possíveis que se passaram pela minha mente naquele momento.

Eu realmente esperava que ele estivesse preparado. Era assim que iria ser, então?

Ah, Darcy. Diferente do que dizem por aí, eu odeio o jogador, mas adoro o jogo.

Notas finais
PS: Eu tive que inventar um nome do meio pra Lizzie, obviamente PSS: Pra quem tá acompanhando o nosso cast, imaginamos William Collins como Nat Wolff
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.