Reticências De Uma Semideusa

16 A Salvação Traz Consequências


Notas iniciais
acho que não demorei tanto pra postar esse né?
sim, eu sei que o capítulo ta curto, mas pra compensar o próximo vai ser em itálico! ou seja, vou indicar música *-*
boa leitura a todos ^^

Charlie me encarava boquiaberto. Até deixou seu cartão escorregar pelos dedos e cair no chão. Observei sua expressão e vi mais do que apenas incredulidade. Havia mágoa em seus olhos marejados. Apesar das circunstâncias, eu não poderia prosseguir com a missão deixando Charlie magoado daquele jeito. Fingindo que tudo estava bem, levantei do chão e me aproximei dele, passando meus braços por sua cintura e recostando a cabeça em seu peito.

- Ah, Charlie! Que bom que eu te encontrei! – disse ao filho de Hefesto.

Ele não retribuiu o abraço, e me afastou.

- Deixe de ser hipócrita, Stefanie – ele me disse. Seu olhar demonstrava mágoa visivelmente, e havia desprezo em sua voz – Você saiu correndo desse lugar para encontrar um cara melhor do que eu para essa missão, não é? E deixe-me adivinhar! Vocês agora estão juntos não é? São íntimos o suficiente para se pegarem no chão de um playground! Eu achei que você fosse melhor do que isso, garota.

Fiquei ofendida. Afastei-me de Charlie e gritei com meu amigo.

- Me desculpe Charlie, mas se você soubesse metade do que aconteceu comigo não me julgaria tão rispidamente – disse eu. – Além do mais, o que você fez para ajudar na missão mesmo? Ah, é. Nada!

Por um momento sua expressão mudou. Antes que ele pudesse reagir, continuei:

- Caso você não lembre, a profecia dizia claramente que uma filha de Poseidon e um filho de Hefesto deveriam prosseguir com um sátiro – disse, com sarcasmo na voz. – E quem está aqui? Um filho de Zeus! Agora podemos, por favor, parar de criancice e prosseguir? Ainda temos que achar Haley.

Ele estudou minha expressão feroz e deduziu que seria melhor acreditar em mim. Ele deu de ombros e virou-se para Peter, estendendo a mão.

- Sou Charlie, filho de Hefesto.

Peter apertou a mão de Charlie e se apresentou. Encarei os dois, procurando sinais de que iriam se atacar caso eu virasse as costas. Não vi nada, então virei-me e olhei o GPS. O ponto vermelho estava do outro lado do parque. Seguimos por corredores cheios de brinquedos tentadores, que nos convidavam a parar e gastar um tempo jogando. Mas mantive o foco. Eu não poderia me dar ao luxo de perder esse tempo. Seguíamos pelos corredores com pressa. Eu não tirava os olhos do GPS, e rezava para que Haley não saísse do brinquedo que ela estava. Peter e Charlie estavam logo atrás de mim, lado a lado, falando apenas para me alertar de quando alguém estava vindo. Finalmente fizemos a última curva, entrando no corredor que Haley estava. Felizmente, ela estava lá. Infelizmente, ela estava prestes a entrar no bungee jumping.

Saí correndo em sua direção, com os garotos em meus calcanhares.

— HALEY, NÃO FAÇA ISSO! –gritei.

Eu conhecia a sensação de hipnose causada pelo tal bungee jumping, e não era boa. Uma vez que você via o brinquedo, não tinha como escapar do transe.

— HALEY, ESPERE! NÃO PASSE O CARTÃO AÍ!

Olhei de relance para trás e gritei.

— VOCÊS BEM QUE PODIAM ME AJUDAR AQUI, NÉ?

Charlie correu mais rápido, me ultrapassando. Vendo que ele não chegaria a tempo para impedir que Haley passasse o cartão, Peter lançou uma lufada de ar que arrancou o cartão de plástico da mão dela. Ela parou, piscou e virou-se, procurando o cartão. Charlie jogou-se no piso liso, deslizando com velocidade. Apanhou o cartão que estava a um centímetro das mãos de Haley e bateu com a cabeça no brinquedo ao lado, que provocou um som oco. Alcancei Haley e passei meus braços pela dobra dos seus cotovelos, colocando minhas mãos em sua cabeça e aguentando como podia. Ela era forte e não parava de se debater. Peter ficou me olhando sem saber o que fazer.

- AJUDE CHARLIE! – disse a ele.

Em vez de fazer o que eu pedi, ele veio em minha direção. Ficou atrás de mim e passou seus braços por onde os meus estavam, colocando as mãos por cima das minhas e segurando Haley. Chegou mais perto do meu rosto e sussurrou ao meu ouvido, causando arrepios pelo meu corpo.

- Ajude Charlie. Pelo ângulo que sua cabeça acertou o brinquedo ele pode não estar respirando. E seria um tanto... constrangedor eu fazer respiração boca a boca em seu... amigo.

Assenti. Desvencilhei-me de seus braços e fui em direção a Charlie. Virei-o de barriga para cima e encostei meu ouvido no seu peito. Seu coração batia, mas seu peito não se movia.

Notas finais
mereço rewiews? é, eu sei, mas não perco as esperanças UHSDUHASDUH isso incentiva, sabia? kkk
beijinhos, até o próximo capítulo ;*