Resutoran, Koran To Ai

9 Preciso dizer que...


Notas iniciais
Queria agradecer a DalilaC, por me aturar, ajudar nas ideias e agora tá até matutando uma fic nova comigo. Também a Jessy Yoko, porque mesmo ser acompanhar a história sempre dá uma mão, pé, braço... quando eu peço ajuda. E a Lica, que betou a fic e deu sugestões para mim.

Sayuri acordou cedo no dia seguinte, estava ansiosa para o almoço, já que sempre ela que tinha de cozinhar em casa, era empolgante quando a refeição era preparada por outra pessoa, sendo que a garota considerava Shuuhei um amigo especial, pelo qual tinha muito carinho. Estava sendo um pouco difícil reprimir o sentimento que surgia dentro dela, sussurrando dentro de si que era paixão.

Mesmo colocando na cabeça que eles seriam apenas amigos, que declarar-se estava completamente fora de cogitação, ainda guardava, mesmo que inconscientemente uma expectativa, talvez um dia Shuuhei olhasse para ela.

Como havia levantado realmente cedo, pensou em limpar a casa, mas fizera isso na folga anterior, e Tsumi disse que ia ajuda-la na próxima semana, então desistiu. Veio à ideia de preparar uma sobremesa, adorava fazer doces. Animada, colocou uma roupa velha qualquer e desceu até a cozinha, ia ver o que tinha nos armários, talvez precisasse ir antes ao mercado.

Abrindo os armários, viu que não tinha muita coisa, não teria escolha, ia ao mercado ou ao menos na loja de conveniência que ficava perto de sua casa.

Sayuri fez um rápido café da manhã para Tsumi, que devia acordar em breve, sabia que sua irmã adorava aquela torrada quentinha com manteiga, com café com leite. Também cortou algumas frutas para acompanhar. Depois saiu apressada para o mercado, senão se apressasse ia acabar atrasada para o almoço.

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Shuuhei já tinha o hábito de acordar cedo, como morava sozinho fazia seus deveres domésticos e levava seu cachorro, Kazeshini para passear, um pastor jovem, tinha pelagem dourada e brilhante. Como a casa era pequena o companheiro ficava do lado de dentro, dormia ao pé da cama. Quando namorava Yui, que detestava cachorro e qualquer outro animal, ela não o visitava, sempre Shuuhei que tinha que ir até ela, mesmo porque seus encontros sempre foram em restaurantes, shoppings e qualquer outro lugar em que ele teria de gastar dinheiro.

Estranhamente, antes pensou que ficaria o resto de sua vida ao lado de Yui, naquele instante sentia-se livre ao pensar nela. Antes se amargurava ao pensar em como fora enganado e que tudo o que viveu com ela fora apenas uma mentira. Superou surpreendentemente fácil, a única coisa da qual se lamentava era por ter feito Sayuri sofrer, mas naquele momento nada importava, almoçaria com ela.

_ Kazeshini, será que eu posso gostar da Ikehara? — o moreno estava sentado no chão da sala, enquanto fazia carinho em seu cachorro, que estava sentado ao lado.

Pela primeira vez sentia-se inseguro com medo de ser rejeitado, afinal ela faria tudo o que fez por qualquer pessoa, Rukia já havia falado de seu jeito, tinha um senso de justiça muito forte, leal e companheira. Sayuri não fez isso porque gostava dele, isso o fez lembrar-se do dia em que discutiram pela primeira vez, onde a Yui disse que Sayuri gostava dele e por isso havia ameaçado sua ex-namorada. Ele riu, sem graça. Após ficar divagando por alguns minutos, levantou e saiu para o mercado, comprar as coisas que precisaria para fazer o almoço.

No caminho tinham dois mercados, optou pelo que ficava um pouco mais distante, também era um pouco mais caro, mas valia a pena pela qualidade dos produtos, e pensava que era uma ocasião especial. Nem que precisasse gastar o salário todo, ia fazer a melhor comida de sua vida.

Foi com a roupa que estava vestindo naquele momento, pegou sua carteira e celular e saiu. Andava rapidamente queria fazer as coisas o mais rápido possível, não ia atrasar, combinaram onze e meia, e já era quase oito horas.

Ficou pensando no que devia cozinhar, não perguntou o que ela gostaria de comer, e se ele fizesse justo algo que ela não gostasse? Talvez devesse ligar para ela e pedir uma sugestão, afinal era pra Sayuri aquele almoço. Enquanto andava dentro do supermercado, pegou seu celular e antes que achasse o número dela ele a viu, entrando no corredor à sua frente. Saiu andando rapidamente atrás dela, enquanto guardava o aparelho no bolso.

A jovem estava no corredor das frutas, queria comprar morangos para fazer um bolo, como não tinha muito tempo para preparar a sobremesa teria de ser algo mais simples, mesmo assim queria que ficasse uma sobremesa gostosa, ficou compenetrada nos seus pensamentos que nem ouvia o cozinheiro à chamando, só notando a presença dele quando já estava ao seu lado.

_ Ah! — exclamou a morena, surpresa ao vê-lo.

_ Oi. — disse bem humorado, estava feliz por encontra-la ali.

_ Bom dia. — Sayuri corou um pouco e o coração disparou.

A garota havia decidido que deveriam ser amigos, não ia pensar nele de outra forma, estava realmente tentando cumprir com sua decisão, mas não conseguia controlar seu coração, nunca se importou por ter um corpo comum e não ser a mais bela garota do pedaço, mas naquele momento sentiu inveja de sua irmã, que tinha o físico tão atrativo quanto o da Matsumoto, além de ser inteligente e bonita, com o acréscimo de seu irmão, alto e bonito. Sentiu-se, injustiçada. O moreno notou o olhar melancólico da amiga, o que o preocupou.

_ Aconteceu alguma coisa? Você parece triste.

_ Ah… — não soube responder. — Estou bem… Deve ser tpm… nesses dias fico um pouco sensível, mas não liga não!

­_ Tem certeza? Você quer deixar o almoço para outro dia?

­_ Não! Estou bem mesmo! Eu vou ficar triste se você cancelar! — exclamou a morena, por mais que doesse ficar junto de Shuuhei sabendo que jamais teria uma chance, ainda queria estar a seu lado. — Até vim comprar umas coisas pra fazer uma sobremesa... Gosta de bolo de morango? — tentava a todo custo disfarçar aquele incomodo que sentia, tanto para si, quanto para o moreno.

_ Gosto sim, mas não precisa se incomodar… não precisa se preocupar comigo. — disse sem jeito. — A propósito, ia te ligar… queria saber se tem algo que queira comer em especial, não sei bem o que você gosta ou não de comer.

_ Hum… não, pode fazer o que quiser! E não se preocupe, eu como até pedra. — disse em um tom descontraído.

No final fizeram a compra juntos, conversaram sobre outras coisas. Quando se despediram, Shuuhei estranhou, porque ela não se despediu como de costume, apenas acenou com a mão e foi embora.

Sayuri estava um pouco estranha, seria mesmo por causa da tpm? Duvidava, porque nunca a viu mais esquisita.

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Ela andava apressada com as sacolas em mãos, por que seu coração não entendia que eram amigos? Começou a chorar enquanto voltava para casa, temia não conseguir agir naturalmente com ele, se seu sentimento fosse descoberto talvez à amizade se abalasse, tinha medo.

Secou as lágrimas com a mão livre, não tinha tempo de chorar, precisava voltar pra casa logo e preparar o bolo, o que Shuuhei diria se a visse chorando? Não podia mostrar esse lado frágil. Tratou de forçar um sorriso e continuou seu caminho para casa.

Assim que chegou colocou as coisas que precisava na mesa, precisava lavar os morangos e separar os ingredientes. Queria fazer um bolo realmente delicioso, na esperança dele apreciar.

Foi o único momento em que se concentrou, fazia tudo com cuidado e carinho, naquele momento não tinha preocupações. Podia-se dizer que enquanto cozinhava sua mente abstraía as outras coisas.

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Shuuhei precisou passar em outro lugar antes de voltar, demorou quase uma hora pra chegar. Quando finalmente estava perto de casa, teve uma surpresa. Yui estava esperando por ele em frente à sua casa, como sempre vestia roupas provocantes, a maquiagem simples, apenas um delineador preto e um batom vermelho.

_ Estava esperando você. — começou a dizer pausadamente, ainda sem encara-lo. — Sabe, andei pensando nas coisas que fiz pra você… e vim pedir desculpas.

_ Não é a mim que você devia pedir desculpas, e eu já disse que não quero mais ver você. Vasa daqui. — Shuuhei deu as costas pra ela, colocando distância entre eles.

_ Você não daria mais uma chance pra mim? — pediu chorosa, a verdade que nesse meio tempo não arranjou ninguém melhor que ele para poder extorquir, mesmo Grimmjow não comprava um sorvete para a loira.

_ Não! — respondeu seco.

_ Você gosta dela, não é? Se apaixonou por aquela vadia!? Eu sou muito mais bonita que ela! – Yui acompanhava cada passo que eles davam, notou que os dois andavam muito juntos, voltando pra casa, já almoçaram juntos algumas vezes, e até se encontravam para irem trabalhar.

_ Sayuri é infinitamente melhor do que você, não ouse falar dela dessa maneira, ou eu arranco sua língua!

Foi então que resolveu encara-la com olhos frios, e após ameaçar com a maior calma que conseguiu, tornando as palavras ainda mais assustadoras, voltou a dar as costas para Yui e entrou, batendo a porta na cara dela.

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Yui observou a porta se fechar com olhos arregalados, mordeu os lábios, fechou o punho, sentindo-se derrotada e um pouco assustada. Seu rosto ficou vermelho de ira. Perdeu seu “namorado-provedor” por causa daquela menina. Sayuri tinha pagar, não aguentaria esperar mais, aquela garota teria o que merecia.

Foi andando apressada até a casa da moça, e antes de tocar a campainha sentiu uma mão segurar seu pulso e a puxar para trás.

_ Não tem nada de útil pra fazer da sua vida, não?

Sayuri ouviu um barulho na porta da frente de sua casa e foi ver o que se passava, abriu e encontrou o amigo parado ali, sozinho.

_ E ai?! Como vai? — Grimmjow agia como se nada tivesse acontecido.

_ O que aconteceu? Com quem falava? — Sayuri não havia reconhecido a voz de Yui porque foi abafada por causa da batedeira e liquidificador. Apenas ouviu uns gritos e quando abriu à porta já não tinha mais ninguém além de Grimmjow.

_ Ah, nada não, mas você me deve um almoço, qualquer dia desses vou lá no restaurante. Falou aí... — sem dizer mais nada, saiu correndo, estava mais de uma hora atrasado para seu compromisso.

Apesar da surpresa, de ter visto Grimmjow em sua porta, pois sabia que alguma coisa tinha acontecido nada disse, apenas viu seu amigo correndo em direção ao ponto de ônibus, depois perguntaria, mas naquele momento resolveu por se apressar, afinal, iria encontrar Shuuhei.

Foi apressadamente tomar um banho, estava suja de farinha. Depois foi revirar no seu guarda-roupa por algo descente que pudesse vestir. Tirou praticamente todas suas roupas do armário, mesmo que tivesse feito à decisão de não se declarar e manter apenas a amizade, ainda queria ficar bonita para ele, não admitiria, mas tinha uma pequena chama de esperança no coração.

Depois de finalmente achar uma roupa que a deixasse satisfeita, vestiu-se, sentiu um alívio, pois temeu que o vestido não entrasse, afinal já tinha ele há alguns anos, ganhou de Matsumoto em seu aniversário de dezoito anos, mas acabou guardando no armário e não usou uma única vez.

Sempre ganhava roupas da ruiva em seu aniversário, sempre delicadas e femininas, já para Tsumi eram roupas bastante provocantes, mas nunca se importou com isso. De repente sua mente se inundou de pensamentos que a atacavam, questionando-a do motivo de ter se apaixonado, tudo era tão simples antes.

Indecisa, se perguntou se deveria ou não continuar se arrumando. Primeiro porque nunca se maquiou, imaginou que ia virar um projeto de palhaço; Mal sabia fazer uma trança. Resolveu que ia tirar aquele vestido e ficaria com seu fiel jeans. Melhor estar simples do que ridícula, pensou.

Antes de tirar a roupa ouviu a campainha tocar. Achou estranho, afinal, ela não esperava receber nenhuma visita, desceu as escadas correndo e deu de cara com a amiga de Tsumi: Rangiku.

_ Ainda bem que cheguei a tempo! — Sem pedir licença a ruiva entrou, arrastando Sayuri pelo braço e subiu em direção ao quarto da morena.

_ O que faz aqui?! — perguntou surpresa.

_ Tsumi me disse que você ia ter seu primeiro encontro hoje, como sei que você nunca saiu com ninguém vim te ajudar a se arrumar e te dar umas dicas! — Rangiku falava alegremente, como se aquilo fosse um grande evento. — Sei que você não sabe nem passar um batom, te conheço, menina!

_ Não é um encontro, só vou almoçar com um amigo. – explicou ao passo que a recém-chegada se apressava em despi-la.

_ Do jeito que a Tsumi disse, é um encontro sim! Agora... Vamos me ajude! — Rangiku teve dificuldades em tirar o vestido que ficou preso.

_ Ai... Mas eu preciso ir, vou me atrasar... — protestou a garota.

_ Se atrasar um pouco não faz mal, cria expectativa no rapaz que vai estar te esperando! — finalmente conseguiu se livrar da roupa. — Agora, coloque este! Vai usar vestido velho para um encontro?!

_ Não é velho... Nunca foi usado...

Falou chateada, olhando o vestido jogado sobre a cama. Era verdade que queria ficar bonita, mas tinha medo do que Rangiku ia fazer. No fim, mesmo estando ainda receosa com tudo aquilo, decidiu por confiar na ruiva, ruim não ficaria, a não ser que fosse ela se produzindo sozinha.

Rangiku havia trazido em uma sacola um vestido novinho, um vestido creme de alcinha, com uma fita preta na cintura, que finalizava em um laço lateral. Ia até a metade da coxa em seu comprimento. O tecido era leve, composto por uma parte transparente e um tecido amarelo esvoaçante.

Também trouxe uma sandália de tiras, na tonalidade branca, possuía um pequeno salto, deixando mais feminino o visual da morena. Prendeu os longos cabelos de Sayuri em um rabo de cavalo alto, deixando apenas as laterais soltas, formando cachos soltos nesses fios e na ponta do rabo, usou uma fita acetinada para prender o cabelo, dando um toque sofisticado ao look.

A maquiagem foi simples, um delineador preto com uma sombra nude, destacando os olhos violetas de Sayuri, um blush cor pêssego para corar e por fim um gloss rosa claro.

_ Ai que fofa! — A ruiva ficou com os olhos brilhando, estava orgulhosa de seu trabalho. — Tenho certeza que ele não vai resistir aos seus encantos!

_ Como se eu tivesse algum. — a morena sorriu, sem graça.

_ Como assim? – A ruiva franziu o cenho ao escutar a confissão doida da moça. — Você é muito linda e meiga. Cada mulher tem seu charme, você só tem que saber usar. Se eu fosse como você, aproveitaria!

_ Só se for pra passar roupa.

Rangiku entendeu que a jovem estava complexada, todas as mulheres tem alguma coisa para por defeito em si.

_ Sabe, quando eu era mais nova, me chamavam de vaca leiteira… e outras coisas nada gentis… mas, sabe... A gente aprende a viver com isso, e me acho linda hoje! Você Sayuri, é linda sim! Você tem um corpo bem desenhado, qualquer roupa te cai bem... Sempre quis me vestir assim, mas eu ia ficar ridícula nessa roupa! — a ruiva, tentava animar à morena, sendo o mais sincera possivel. — Além do mais o Hisagi merece alguém gentil e bonita como você.

_ Você conhece o Shuuhei? – surpreendeu-se.

_ Eu fui namorada dele… já faz muitos anos… — Rangiku sorriu nostálgica com a lembrança. — Ele sempre foi gentil comigo... Carinhoso… mas eu não gostava dele como homem... Me confundi, o confundi e o fiz sofrer. Depois conheci o Gin… Arrependo-me tanto de ter iludido ele, mas no final ele me agradeceu pela sinceridade e por não tê-lo traído. – concluiu sua história melancolicamente.

_ Sabe… eu não posso pensar nele dessa forma, eu não sou o tipo dele…

_ Tipo? Deixa disso, o amor não escolhe tipo!

Rangiku ficou dando sermão na morena que nem percebeu o tempo passar. Apenas quando viu que passou quase duas horas.

_ Escuta… Você não está ficando muito atrasada? Corre!

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O relógio marcava meio dia e meio, Shuuhei estava deitado na cama, parecia desanimado ao mesmo tempo ansioso. Sua cabeça dizia que ela não viria mais, mas queria acreditar que tinha só se atrasado.

_ Acho que levei um “bolo”, meu amigo… — dizia ao seu amigo canino.

Passou alguns minutos e acabou adormecendo.

Sayuri que saiu correndo de casa, pensando em como se explicaria, ele provavelmente já devia ter desistido de espera-la. Mas ia encontrá-lo, precisa pedir desculpas pelo menos.

Como moravam perto, chegou logo. Olhou para a campainha e tocou receosa. Estava envergonhada pelo atraso. Kazeshini começou a latir em direção à porta. Obrigando Shuuhei acordar e pular da cama, esperançoso. Correu para abrir a porta e sorriu, soltando um discreto suspiro de alivio ao vê-la.

_ Desculpe a demora… é que… — Sayuri não sabia o que dizer, poderia falar que demorou duas horas se arrumando? Ou que a amiga doida de sua irmã foi ajudá-la a ser arrumar? Não parecia que contar a verdade era uma boa ideia, e mentir não era do seu feitio.

_ Que linda… — as palavras saíram sozinhas dos lábios do rapaz, que ficou boquiaberto ao vê-la tão graciosa em sua frente. Era a primeira vez que a via tão produzida, o que o fez se perguntar se era para ele. Seus olhos brilhavam e ao mesmo tempo ficou encabulado.

Não importava mais se ela estava atrasada, aquela sensação de desânimo desapareceu, sem pedir explicações deu passagem para ela entrar.

Timidamente Sayuri seguiu seu caminho e entrou. Era uma casa pequena, mas para quem morava sozinho era perfeito, tudo parecia brilhando de tão limpo, e logo seu olhar pousou sobre Kazeshini, que estava sentado na porta da sala. Sem pensar duas vezes, a morena foi até cachorro, pois sempre amou os animais, desejava adotar um no próximo ano. Só precisava se organizar com os horários e falar com sua irmã.

_ Ai que fofinho!! — e sem pedir permissão já brincava com o Kazeshini que muito brincalhão.

Shuuhei observou a ação de Sayuri, até tinha esquecido de avisar sobre o cachorro, ficou aliviado em ver que ela gostava, já que Yui detestava até mesmo um peixe no aquário.

_ Eu vou preparar alguma coisa, se importa de esperar? — o moreno já estava indo até à cozinha, mas viu a mesa pronta com comida a preenchendo por inteira, os pratos e talheres bem organizados e hesitou por um segundo.

_ Mas já está tudo pronto! Falta alguma coisa? — exclamou a morena, que por tras olhava para a mesa, sentindo-se culpada pelo atraso e ao mesmo tempo estranhando pela frase anterior dele. — Se tiver frio é só esquentar… desculpa que eu me atrasei tanto…

_ Não. É só que não está mais quente… e

_ Está ótimo, não inventa moda! — Sayuri o interrompeu, fingindo um tom autoritário e brincalhão ao mesmo tempo.

A verdade era que Shuuhei não gostava de jogar comida fora, mas Yui era tão fresca que se a comida não estivesse como ela queria, mandava refazer, quantas vezes fossem necessárias. Parou para pensar, estava comparando Sayuri e Yui demais, as duas eram completamente opostas, não fazia sentido. Estava apenas querendo agradar a morena, mas estava se baseando na pessoa errada.

_ Você cozinhou bastante, desculpa por ter atrasado… eu só… — novamente Sayuri tentava se desculpar, mas as palavras não saíam. Sentia-se com peso de consciência, principalmente porque não precisava ter se atrasado. — Eu queria… Me arrumar pra vir aqui... Não queria vir como uma desleixada… só que eu não estou acostumada a fazer isso... e…

_ Valeu a pena esperar… — Shuuhei notou o nervosismo de Sayuri, e cortou rapidamente as explicações, até mesmo porque estava feliz por ela ter se arrumado para ele. — Você está muito bonita! — Então ele deu um sorriso gentil, era diferente de seu sorriso usual, era algo muito mais acolhedor, até mesmo sugestivo.

O coração da jovem disparou com o que ele dissera, por um minuto sentiu uma coragem invadir seu peito, perguntou-se se ele a aceitaria, logo em seguida, raciocinou melhor, ele só falou aquilo para não deixa-la desanimada, afinal ele era gentil. Sabia disso.

_ Bom… então, vamos comer?

Tentou afugentar aqueles pensamentos. Fez um prato bem generoso com um pouco de tudo: arroz, salada de batata, carne assada. Afinal tudo estava tão apetitoso. O prato dela ficou quase transbordando de tão cheio, Sayuri amava comer. Shuuhei ia servi-la, mas ela não esperou, afinal, aquilo também era uma forma de se ocupar e parar de se sentir tão sem graça perto dele.

A morena viu o rapaz fazer o prato, que também ficou cheio, ambos comiam bem. Sayuri começou pela salada, adorava batatas, experimentou cada item, e como já esperava, tudo estava simplesmente delicioso.

_ Sortuda vai ser quem casar com você! — Brincou, mesmo que no fundo doesse em imaginar ele com outra pessoa. Precisava ser ela mesma.

_ Não tenho muita sorte, como você pôde notar. — ele devolveu a brincadeira. — Mas quem sabe, minha sorte mude daqui pra frente? — Shuuhei fixou o olhar nos olhos violetas à sua frente, talvez ele tivesse alguma chance. Tentou buscar algum sinal que lhe desse esperança.

_ Tenho certeza que sim. – Inconscientemente ela deu, mas logo desviou o olhar, causando novamente uma indecisão nele. — Sabe se tem algum filme legal para assistir?

_ Se não me engano semana que vem vai estrear um filme legal, quer ir? Podemos marcar de assistir. — ele queria se aproximar mais dela, era agradável estar com ela, conversar sobre qualquer coisa. E o fato de ela ter se arrumado só para ir vê-lo o deixou animado, afinal, ele entendeu o recado anterior.

_ Claro! Eu quero sim.

Durante o almoço ficaram conversando, Sayuri estava conseguindo falar, não naturalmente como gostaria, mas ao menos não estava travada ou gaguejando.

_ Quer comer o bolo agora? — perguntou a garota levantando para levar os pratos até a cozinhar.

_ Deixa que eu levo… vou limpar a mesa e trago o bolo! — apesar do pedido, Sayuri não deu ouvidos e o ajudou a tirar as coisas da mesa.

Ela trouxe o bolo em uma caixa própria a fim de evitar que o doce virasse patê, tirou da geladeira e levou até a mesa, tirou a tampa, e ficou aliviada ao ver o bolo inteiro.

Shuuhei ficou impressionado com a aparência, mesmo sendo um bolo simples de morango, a decoração era muito bonita e detalhada, parecia que ela havia comprado.

_ Você que fez? Parece bolo de confeitaria! — disse surpreso, ele ignorava tal talento da moça. — Rukia disse que você fazia doces muito gostosos, e pelo que vi são bonitos também… você podia entrar pra equipe de confeitaria do restaurante. — Shuuhei elogiava de maneira sincera, e se o gosto tivesse como a aparência, com certeza ela poderia se tornar a nova confeiteira do restaurante.

_ Ah… talvez um dia… — Sayuri sorriu, nunca ligou muito para os elogios. Sempre que eram exagerados ficava extremamente envergonhada, mas ouvi-lo dizendo aquelas palavras à fez se sentir diferente. Até sentiu vontade de trabalhar profissionalmente no ramo. — Mas você precisa comer primeiro, aparência e gosto são coisas diferentes…

_ Serei o juiz então. Se eu aprovar vou falar com a Kuchiki amanhã! — Sayuri riu do comentário.

O rapaz pegou os pratos de sobremesa enquanto Sayuri cortava o bolo, a aparência realmente estava impecável. Começou a imaginar os dois juntos: poderiam cozinhar junto o próprio jantar, assistir filmes na cama comendo pipoca, sair de mãos dadas em passeios. Queria pedir ela em namoro, mas pensou se não estaria sendo precipitado demais, afinal ela não demonstrava ter interesse nele... Ou sim? Ela tinha muitos amigos próximos a ela como Grimmjow. Lembrar-se daquele homem alimentou um sentimento novo nele, algo incomodo, o que o pôs a se questionar do motivo dela ter estado na casa do outro de noite. Também se lembrou da foto do cara que viu no quarto dela quando esteve lá. Ela poderia ter namorado, apesar de nunca tê-lo visto.

A jovem servia a sobremesa enquanto ele divagava, o que Shuuhei temia era de perder a amizade dela, de resto não tinha nada a perder.

_ Agora é a hora da verdade. — Sayuri observou, ansiosa, ele dar a primeira garfada.

_ Está realmente muito bom!

Falou sincero, até um pouco surpreso com a delicadeza dos sabores em sua boca. O bolo tinha a massa macia, era bem úmido por causa dos morangos e do creme que estava dentro, doce na medida certa, sem ser enjoativo, além de bonito. Foi aprovado.

Assim que terminou de comer, a jovem foi até a cozinha para lavar a louça, mas foi interrompida, Shuuhei não iria deixar, ela era a convidada.

_ Deixa que eu lavo! — tirou os pratos sujos das mãos dela e pôs na pia.

_ Pode deixar, eu vim aqui, você fez tanta coisa… e ainda cheguei atrasada, o mínimo é eu lavar… — sem dar ouvidos ao moreno, voltou a pegar os pratos e a bucha.

_ Eu já disse pra deixar! Você não veio até aqui para ter trabalho! — então Shuuhei segurou as mãos de Sayuri, fazendo-a soltar tudo que havia pegado.

Ela enrubesceu com o toque do rapaz, que se dando conta de sua atitude, rapidamente a soltou, ainda sem saber o que dizer apenas a observou.

_ Então… tá! — deu meia volta e foi para sala, ainda sentindo o toque dele.

Shuuhei sentiu que ela o evitou, não devia ter feito aquilo. Estava com a sensação que ela estava esquisita com ele desde cedo, temeu ter feito algo errado.

Sayuri brincou com Kazeshini, que parecia feliz, já que conseguiu uma nova amiga e quase nunca recebia visitas, e ele adorava pessoas. Quase seis horas da tarde Sayuri resolveu ir embora, após passarem uma tarde repleta de conversa, na despedida marcaram de irem ao cinema assim que tivessem um horário livre.

Ela se despediu apenas acenando com a mão de forma tímida. Preferiu evitar o contato físico com ele, mas isso não passou despercebido por ele.

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O tempo foi passando e o sentimento crescia cada vez mais e mais no peito dela. Era desesperador vê-lo apenas como amigo, enquanto seu corpo e seus sentidos gritavam por mais. O simples fato de escutar o nome dele a fazia estremecer. Seu desejo de continuar sendo apenas amiga se esvaia como água.

Sayuri tinha noção que já não conseguia mais ser natural perto dele e aquilo a incomodava, mas não conseguia se controlar, seus melhores momentos eram quando estava atendendo as mesas, distante dos olhos e da presença dele, mesmo assim, várias vezes cometeu erros que foram socorridos pelos amigos.

Vendo que não renderia no trabalho foi mandada para casa, aproveitando que o movimento do restaurante era fraco naquele dia. Shuuhei a viu subindo as escadas em direção ao vestuário, e aproveitou a oportunidade que também ia embora, a seguiu. Esclareceria aquela situação de uma vez por todas.

_ Ikehara, eu preciso conversar com você! — disse em voz alta, enquanto corria para alcançá-la.

Sayuri o escutou, mas fingiu que não e acelerou o passo, não se sentia pronta para conversar com ele. Se tentasse acabaria fraquejando e falando tudo o que sentia, e o medo da rejeição a assustava. Chegou apressadamente no vestiário feminino e entrou sem olhar para trás, fechou a porta e escorou nela por alguns segundos, tentando controlar sua respiração e seu coração que estavam acelerados.

Trocou-se vagarosamente, demorou quase meia hora para sair dali, queria dar tempo para ele ir embora, precisava arrancar aquele sentimento do coração ou aprender finalmente a controla-lo, caso contrário seria impossível trabalhar. Pegou suas coisas e saiu, mas para sua surpresa, Shuuhei estava encostado na parede, com as mãos no bolso a espera dela, ergueu a cabeça ao escutar a porta se abrir.

_ Por favor, não me ignore mais... Eu preciso realmente falar com você. – Falou firmemente, mas com voz ansiosa.

_ Eu... Não estou te ignorando… Só estou com pressa! — Esquivou, tentando sair o mais rápido dali. Era visível o quanto o evitava, nem sequer podia mais encara-lo nos olhos, sentia vontade de pular nos braços dele e temia não controlar seus impulsos.

_ Você está me ignorando sim, mal me cumprimenta... não te vejo mais indo embora… você tá tão estranha! Se eu te fiz alguma coisa… eu preciso saber. Eu peço que me perdoe…

Sayuri sentiu as lágrimas chegarem, fechou as mãos em volta da alça da bolsa e mordeu o lábio inferior, tentando inutilmente se controlar. Porque ele estava se desculpando? Ele não tinha motivos para isso. Ela era a única errada.

_ Você... Não fez nada. Eu só preciso ficar um pouco sozinha... – Ela pausava tentando pensar no que devia falar, mas sua língua não colaborava com sua mente. — Eu só preciso ficar longe de você um pouco... Meu coração tem que se acalmar… Eu preciso parar de te amar, e eu prometo que vou voltar ao normal!

Aquelas palavras saíram sem permissão, no final acabou se declarando contra sua própria vontade, as pernas estavam bambas, mantinha os olhos no chão, até que percebeu o que havia dito e como um estalo, se pôs a desculpar-se.

_ Esquece tudo! O que eu falei... Eu não devia ter dito isso. Por favor, esqueça ou amanhã não poderei te olhar na cara... — a voz parecia mais desesperada e ansiosa, apesar de embargada. Ela parecia até mesmo meio passada. — Eu vou lavar meu rosto... Devo estar horrí…

Antes que pudesse completar a frase, sentiu seus lábios serem tomados, o coração naquele momento tomou um ritmo novo, mas acelerado ou mais lento, não soube distinguir. As pernas fraquejaram, e graças ao fato dele a estar enlaçando com os braços em torno de sua cintura, foi que ela não caiu. O beijo era doce, suave, mas ao mesmo tempo ardente. Os lábios se tocavam com desejo. Ela o abraçou pelo pescoço, rendendo-se por completo e entregando-se sem duvidas.

Sayuri sentiu sua mente se esvaziar por completo, não sabia se era sonho ou realidade, mas sabia que desejava que o mundo inteiro parasse e que daqueles braços ela nunca saísse. A procura por ar se tornou necessária demais para ser ignorada, e com tristeza os lábios dela, sentiram a chegada do frio com a separação. Mas, uma novidade aqueceu seu coração.

Shuuhei aproximou sua boca do ouvido dela e de forma doce sussurrou algo que ela tanto desejou ouvir, mas nunca imaginou que aconteceria:

_ Não quero que pare de amar... Eu quero que você seja minha namorada!

Continua...

Notas finais
Espero que tenham gostado pessoal!!! Ficou imenso esse capítulo, desculpe por isso ;_; Agora faço uma pergunta : Qual seu casal favorito? ( dos três principais) e por quê? Perguntando porque me bateu a curiosidade de saber o que os leitores acham e também porque a fic está já passando da metade e indo para a reta final. Beijos e obrigada pela paciência :*