Resutoran, Koran To Ai
10 Festa?!
Notas iniciais
Ichigo estava deitado na cama, porém não conseguia dormir, se revirava de um lado ao outro e o rosto doce de Rukia não o abandonava nem por um instante. Os olhos abertos, fixado na janela que estava mal fechada. O vento gelado que vinha da rua não abalava o rapaz que estava apenas de bermuda. A verdade era que sentia calor, tanto que estava suando.
Mesmo tentando mentalmente ter desistido da morena, seu coração não parecia ter aceitado a decisão. A cada segundo se sentia mais triste, seu peito apertava ao lembrar-se de cada sorriso e palavra pronunciados pela voz doce dela.
Desistiu de dormir, levantou vagarosamente e foi para a cozinha, ia beber um copo da água, e assistir um pouco de televisão, em poucas horas teria de se arrumar para ir trabalhar, provavelmente ia estar exausto, como nos outros dias, que não conseguia dormir pelo mesmo motivo. Estava ficando maluco com aquela rotina de trabalhar quase morrendo e passar a noite em claro. Não sabia mais o que fazer para tirar aquela mulher de sua cabeça, pensou em até pedir ajuda de Sayuri.
Mas não queria perturbar ninguém com seus problemas, achava que além de incomodar os amigos, estaria dando sinais de fraqueza. Se sentir vulnerável era algo que não admitia. Tinha que conquistar seu objetivo, esquecer a bela morena, que por sinal era sua chefe e parceira de trabalho, a todo custo. E sozinho.
Ficou deitado no sofá da sala, fingindo que prestava atenção no filme que passava. Algo ruim e com uma história confusa, mas no final agradeceu por isso. Devido ao fato de não ser nada de interessante o sono se apossou dele, trazendo um pouco de descanso aos olhos cansados.
Acordou todo dolorido, algumas horas depois, com seu pai barulhento correndo pela casa, enquanto suas irmãs mais novas Karin e Yuzu já tinham saído para o colégio.
_ GOOD MORNING, ICHIGO!!!! — o pai como sempre estava cheio de energia, e veio pulando em cima do Morango. — Sei que sua amada ocupa sua mente todas as noites, te impedindo dormir, mas se você não se apressar, vai se atrasar, e o Senhor Carrasco Kuchiki vai te comer vivo!
Isshin dizia tudo em um tom divertido e fingindo uma falsa advertência para o filho, apesar de saber que Ichigo estava passando por um momento difícil por causa de Rukia. Mas sabia que o filho se sairia bem, conhecia a força que Ichigo tinha e cedo ou tarde o veria feliz, e acreditava até mesmo que fosse ao lado de sua amada.
Ouviu as palavras do pai e levou alguns segundo pra atinar. Quando se tocou com o horário, levantou correndo para se arrumar, tropeçando em tudo o que via pela frente. Seu pai começou a rir ao ver o filho correndo feito um maluco pela casa, tentando colocar uma calça ao mesmo tempo em que esfregava a canela, no local onde bateu com tudo na cadeira da mesa.
____________
Rukia já estava em seu escritório trabalhando, deu graças a Deus que seu irmão estava de volta, foi apenas um dia, mas um dia bem complicado, onde teve que lidar com tudo sozinha, uma folga não planejada.
Por volta de dez horas da manhã recebeu um telefonema de seu irmão que estava em reunião com clientes até aquele momento.
_ Cancele tudo o que você tiver para sexta a noite, você irá a uma festa da Yoruichi e do Kisuke, chame alguém para te acompanhar e comunique o Shuuhei, ele também deve ir a festa. — sem dizer mais nada desligou o telefone na cara da irmã.
A morena demorou alguns segundos para entender o que aconteceu, Byakuya sempre fora daquele jeito, direto ao ponto e nem dizia “até logo”, mas o que ela estranhou foi o fato dele dizer para ela ir acompanhada, geralmente iam apenas os dois juntos, um acompanhando o outro, já que nenhum deles tinha um par. Ficou se perguntando quem seu irmão iria levar, a morena desconhecia o envolvimento do irmão com Tsumi.
Logo veio outra preocupação, quem ela deveria convidar para acompanhá-la? Pelo que havia entendido a festa ia ser na noite seguinte.
A primeira pessoa que pensou foi em Ichigo, como sempre o ruivo não saia de sua mente. Se ele soubesse o quanto ela pensava nele, o quão correspondido seus sentimentos eram. Mas ao mesmo tempo não sabia se ele aceitaria o convite. Ela sempre foi uma pessoa muito segura, mas isso mudava facilmente quando se tratava do rapaz, principalmente naquele momento que estavam distanciados. Não sabia o que fazer, primeiramente decidiu avisar Shuuhei, levantou e desceu até a cozinha do restaurante.
_ O Kuchiki o que?!
Shuuhei perguntou surpreso, teve até a impressão que sua voz aumentou um tom. Aquilo não fez sentido para o moreno, não havia uma razão que pudesse passar por sua mente e explicar o motivo dele ter que comparecer a festa que os patrões iriam. Era uma festa de negócios, cheia de pessoas de um nível alto... O que ele teria a ver com aquilo?
_ Você entendeu. E sabe que desobedecer meu irmão não é um bom negócio, então te vejo amanhã! Ah, não se esqueça de convidar a Sayuri.
A jovem gerente disse sorrindo, afinal, ficou feliz em saber que os dois finalmente se acertaram.
Assim que saiu da cozinha encontrou Ichigo saindo do vestuário, seu coração bateu forte ao vê-lo como sempre, porém sem coragem para convida-lo acabou apenas por cumprimenta-lo e voltou para o escritório.
Na realidade não tinha dificuldade, o “não” ela já tinha. Ela apenas apostaria em receber um sim, mas como sempre o medo se apossou dela. Não estava preparada, não ainda. Entrou no escritório decidindo que na hora do almoço tomaria coragem e fazer o convite. Voltou a sentar e mergulhar no trabalho.
______________
Hisagi aproveitou que o restaurante estava com o movimento baixo por causa do horário e foi ver Sayuri no salão, ela estava limpando as mesas.
_ Oi!
O cozinheiro abraçou a namorada por trás e sussurrou o cumprimento no ouvido dela, fazendo-a se sobressaltar com o inesperado.
_ Não me assusta!
Ela sussurrou, repreendendo-o divertidamente, depois deu um beijo no rosto do namorado.
O moreno a soltou, contrariado. Seu desejo era de ficar agarrado à morena, namorando, mas ele não podia esquecer que estavam no trabalho e o restaurante estava aberto, e mesmo poucos, haviam clientes no recinto.
_ Bom... O negócio é o seguinte. A Kuchiki me avisou a pouco que temos compromisso amanhã a noite. Então você e eu só trabalharemos amanhã até às duas horas.
_ Compromisso? E o que seria? — Sayuri estranhou.
_ Segundo ela teremos de ir a uma festa dos clientes do chefe. Foi só o que ela me disse.
Sayuri olhou para o namorado com uma expressão de confusão, em resposta ele levantou as mãos ao alto, como quem se diz: Eu não sei de nada. Ela então começou a pensar a razão de tal convite, mas nada veio à mente. Suspirou e sentenciou.
_ Bom, se temos que ir… Vamos!
Shuuhei deu um beijo rápido nos lábios de Sayuri e viu a moça corar com a atitude ousada do namorado, que virou e voltou para a cozinha, sorrindo feliz. Se tinha uma decisão que ele julgava ter feito certo na vida, era a de pedir a morena em namoro.
______________________
Byakuya voltava para o restaurante, quando decidiu desviar o caminho e fazer uma visita para Tsumi no trabalho dela, queria convida-la pessoalmente. Ou melhor, ia intima-la pessoalmente.
Assim que entrou se dirigiu até a recepcionista que não parou de encara-lo nem por um segundo, não era sempre que um homem bonito como ele aparecia. Apesar da secretária já ser uma senhora de quase quarenta anos, não podia evitar de babar no desconhecido.
Quando Kuchiki ia perguntar pela Tsumi, a porta do elevador se abriu e a morena saiu dele, afinal já era horário de almoço.
A morena parou no lugar por alguns segundos, devido à surpresa. Nunca imaginou que o encontraria ali, ele não havia avisado nada sobre a visita. Ficou em duvida de como deveria agir, deveria falar com ele ou ignora-lo? A situação era embaraçosa. Ninguém sabia que ela estava saindo com alguém, não que importasse para os demais a sua vida, mas não gostava de estar na boca dos demais. Ponderou em simplesmente em ignorar, mas ia ser falta de educação, ainda mais depois de ver o sorriso de canto nos lábios do moreno, que estava com um brilho no olhar a observando. Mas também não poderia dizer “Oi meu amor, veio me ver?” Era ridículo, não fazia o seu estilo. Como já estava de saída, resolveu convidá-lo.
_ Boa tarde, Kuchiki. Quer almoçar? — Tsumi não esperou pela resposta e sentenciou. — Vamos com seu carro, e eu dirijo. — em um ato rápido pegou a chave da mão de Byakuya.
_ Você sabe dirigir?
Foi à única coisa que o moreno conseguiu perguntar, sua surpresa foi tamanha, que o deixou sem reação. Aquela mulher tinha o dom e deixa-lo sem palavras. Sem perceber, já havia aceitado o convite e começou a segui-la.
_ A ultima vez que eu dirigi eu atropelei uma senhora sem querer… Mas era só porque eu estava bêbada.
_ O que?!
Era a primeira vez que ela viu Byakuya esboçar preocupação. Os olhos dele se abriram completamente e ela se segurou para não começar a rir.
_ Brincadeira. – a morena queria quebrar aquela tensão que ela sentiu. — Fique sabendo que eu dirijo muito bem. E sempre fui eu que cuidei pessoalmente do seu carro, conheço muito bem cada peça.
Byakuya se calou, passou a mão pelo cabelo, se acalmando do susto. Realmente, não tinha atinado para o detalhe, Tsumi era mecânica, e segundo o dono era uma das melhores de todas. Dirigir devia ser um quesito indispensável para a função dela. E ela realmente não mentiu, o surpreendeu ao se mostrar uma excelente motorista e fazer uma baliza difícil, com tamanha maestria.
A morena devolveu a chaves para Byakuya, depois entraram em uma lanchonete, onde ela comia todos os dias, adorava a comida e não se importava se ele gostava de comer em lugares simples como aquele. Afinal se ele queria namora-la, era algo com o qual o rapaz teria de se acostumar.
Porém para sua surpresa, Byakuya parecia bem familiarizado e a vontade no recinto. A verdade era que ele sempre comia em lugares mais simples quando estava sozinho, restaurantes mais elegantes era apenas para almoços de negócios ou para momentos especiais como, o que ele passou em companhia de Tsumi.
Fizeram os pedidos e enquanto esperavam Byakuya resolveu ir direto ao assunto.
_ Amanhã às oito horas você tem uma festa para ir comigo.
_ Ah… Eu tenho? — Tsumi já estava se acostumando com o jeito autoritário do moreno, e mesmo que negasse, até gostava. Eles eram mais parecidos do que gostariam. — Tudo bem.
O almoço correu bem, discutiram um pouco sobre trabalho, ele compartilhou com ela seus assuntos e vice-versa. Também discutiram sobre o dia seguinte e ao terminarem, Byakuya a levou de volta ao trabalho, para a surpresa dele antes de sair do carro, Tsumi deu um delicado beijo em seus lábios, algo rápido, mas cheio de significado. Abriu a porta do carro e antes de sair, informou-o:
_ Ah, hoje às sete horas você passa aqui para me buscar. Tenho que comprar um vestido.
Sem esperar pela resposta, ela saiu do carro e entrou no prédio. O moreno a observou desaparecer de sua vista. Aquele jeito altivo o atraia. Ela era linda e se encaixava a ele. Se fosse qualquer outra pessoa que lhe desse ordem, ele teriam mandado passear, mas se tratando de Tsumi, seu coração se regozijava. Sentia que pouco a pouco as barreiras se quebravam, unindo-os cada vez mais.
__________________________________
No horário de almoço Sayuri foi até a sala de Rukia para se informar melhor sobre aquela história de festa.
_ Não sei muito dos detalhes, meu irmão ligou para mim de manhã disse que tínhamos compromisso e desligou.
_ Bom... Rukia, não vejo problemas em acompanhar o Hisagi até a festa, mas eu estou sem roupa para isso, posso sair mais cedo para comprar?
_ Eu também não tenho, podemos ir juntas. O que acha?
_ Seria ótimo, você tem um ótimo gosto! O Ichigo também vai?
Sayuri conhecia os sentimentos que os amigos nutriam um pelo outro e por isso imaginou que Rukia iria chama-lo para ser o acompanhante dela.
_ Bem… Eu... Eu ainda não o chamei, então não sei se ele iria comigo.
_ Ai Rukia, deixa de ser tonta. Se você falar para o Ichigo ir até a Marte com você, ele vai todo feliz, saltitante e a pé, se necessário. Se você não chama-lo, vai convidar quem?
_ O Renji, talvez.
_ Não! Nem pensar! — Sayuri já tinha notado que Renji nutria sentimentos por Rukia e convida-lo seria o mesmo que dar esperanças para o rapaz. Esperanças que a moça nunca poderia retribuir, já que seu coração já possuía dono. — Chama o Mexerica, ele vai aceitar. Tenho certeza! Bom, agora eu vou voltar ao trabalho…
_ Venha na minha sala por volta das seis horas, ok?
_ Sim, senhora!
E com um sorriso dedicado à amiga, a garçonete se retirou. Rukia se pôs a pensar nas palavras cheias de certeza que a outra havia dito. Seria possível que não havia nenhuma razão para temer? Que o medo era apenas besteira de sua mente?
________________
O relógio bateu seis horas da tarde e Sayuri já estava a caminho da sala de Rukia, tinha acabado de se trocar. E por ironia do destino se encontrou com Ichigo no percurso.
_ Já vai embora vagal?
O morango estranhou e provocou. De acordo com a escala, a amiga deveria fazer fechamento naquele dia.
Pela provocação, Sayuri notou que Rukia ainda não tinha falado com o ruivo. Por um lado ela entendia perfeitamente o quão difícil era se expressar para alguém que gosta e correr o risco de ser rejeitado, mas ela sabia que aquilo não ocorreria nesse caso, então teve uma ideia. Pegou o amigo pelo braço e o puxou para a sala da gerente.
_ Rukia, eu trouxe o Mexerica junto. Você ainda não o convidou, não é mesmo?
_ Me convidou? Pra que?
Ichigo não estava entendendo nada. Mas vê-la já o fez enrubescer, ele estava fazendo de tudo para evita-la. Acreditava que seus sentimentos nunca seriam correspondidos, ainda sem graça, não percebeu que a moça também estava vermelha com a proximidade, ela tinha os mesmos medos dele e ele ignorava o fato. Mas, agora não tinha como voltar atrás. A garçonete preparou o terreno e querendo ou não a gerente teria que aceitar a oportunidade. Como pensou antes, o “não” ela já possuía, e agora tentaria o “sim”, e com um pensamento positivo, se encheu de coragem.
_ Amanhã a noite, meu irmão me chamou para ir a uma festa de um cliente… E eu preciso de um acompanhante, e gostaria que fosse você.
O Morango piscou algumas vezes, tentando processar aquela informação, Rukia, a sua Rukia o estava convidando para ir a uma festa com ela? Ele passou alguns segundos a observando, com um olhar surpreso e após notar que não era um sonho e que as moças aguardavam sua resposta, respondeu de forma rápida.
_ Sim! Eu vou! — Afirmou com ímpeto. Aquilo o havia alegrado imensamente. Tinha decidido esquece-la, estava cansado de sofrer por um amor não correspondido, mas aquele convite acendia uma chama de esperança em seu peito, algo que ele não pode ignorar. O amor que ele reprimia todas as noites se fez presente e olhar nos olhos negros da linda mulher enrubescida a sua frente, fazia seu chão sumir e dava significado para sua vida.
_ Você não pode recusar o convite da bela Rukia, não é mesmo? — Sayuri provocou o amigo, tentando amenizar a tensão que tomou conta do ambiente. — Rukia, vamos antes que o shopping feche!
A gerente apenas assentiu para a outra e pegou sua bolsa para sair. Passou pelo ruivo, trocando um olhar sem palavras, mas cheio de sentimento. Não se despediram, mas sabiam que algo havia mudado, podia ser um pequeno passo, mas era um passo pra algo novo, e esperado.
________________
Rukia e Sayuri chegaram ao shopping, e logo já estavam se divertindo, andando de braços dados, passando pelas vitrines das lojas, empolgadas em escolher algo. Já fazia um longo tempo em que não tinham a chance de passar um tempo juntas, por conta do trabalho que ocupava seus dias integralmente.
_ O que eu devo vestir? Nunca fui a uma festa desse tipo.
Sayuri foi sincera, realmente não tinha ideia de que deveria usar, inventar uma maquiagem que combinasse, acessórios que encaixassem com o modelito. Precisaria de toda ajuda possível.
_ Para ser sincera eu não gosto muito desse tipo de festa, mas é nesses eventos que bons negócios são fechados.
_ Achei que vocês viviam em reuniões assim.
Sayuri disse curiosa, o mundo dos negócios era mais complicado do que imaginava, e nessas horas agradecia o fato de não ser ela a comandar o restaurante.
_ É bem complicado lidar com clientes… Sei disso porque além de lidar com eles, também somos clientes de outras empresas, e precisamos fazer essa parte social.
_ Percebi!
Depois de um tempo de caminhada pelo local, encontraram uma vitrine repleta de vestidos adequados para ocasião e sem demora Rukia arrastou a amiga pra dentro do estabelecimento.
Sayuri se deparou com um vestido longo vermelho intenso, o decote do vestido era um pouco cavado em formato de taça, deixando boa parte do ombro e o colo a mostra, a cintura era bem justa, a parte da saia era mais solta e levemente rodada. Em duas camadas. Não conseguiu deixar de pensar na irmã, que com o corpo bem modelado que possuía, ficaria esplendida dentro do vestido. Agora nela, imaginou que no mínimo não seria adequado. Aquele era um momento importante e precisava ficar linda para Shuuhei.
_ Sayuri, este ficaria lindo em você! Vai experimentar!
Rukia já empurrou Sayuri para dentro do provador. Conhecia a amiga muito bem, sabia que ela estava pensando que nada combinaria com ela, nada cairia bem, nada era adequado.
Mesmo achando que aquele vestido não daria certo, resolveu experimentar, afinal pediu ajuda da Rukia para escolher uma roupa e sabia que a amiga não mentiria para ela.
Alguns minutos depois Sayuri saiu do vestiário, sentia-se um pouco envergonhada, nunca usou um vestido “tomara que caia”, temia estar amostra demais. A saia deixava a mostrava boa parte das pernas, um pouco mais curto que o vestido que ela usou para o almoço com o cozinheiro. O tecido era leve, rodado e esvoaçante, a cor purpura do vestido combinava com os olhos de Sayuri. Ele possuía duas camadas na parte de cima, sendo a superior de renda.
_ Perfeito, eu diria!
_ Não tá muito… chamativo?
Sayuri cobria os ombros com as mãos, instintivamente.
_ Não esta muito nada, Sayuri. Você está acostumada com jeans e camiseta, então é normal que você ache que está estranha. Mas você está muito bonita, e você sabe que sou sincera.
_ Está bem... Vou levar esse então. — Sayuri não sabia dizer se estava bem, então decidiu confiar no julgamento da amiga. — Agora é sua vez!
_ Eu já escolhi! Estou tão acostumada a ter de comprar esse tipo de roupa, então já sei o que fica bem. Vou ficar com esse aqui.
Rukia apontou para um vestido longo na cor azul marinho sem manga, um discreto decote que ia até o meio das costas. O tecido era levemente rodado, sendo de várias camadas, possuía fenda lateral a direita.
_ Nossa, que lindo!
Sayuri achou o vestido lindo, e chegou à conclusão que seria perfeito para a amiga.
_ Agora temos que ir procurar sapatos e uns acessórios…
Saíram da loja para procurar o que faltava. Sayuri sentia uma facada no peito toda vez que comprava alguma coisa, fazia um tempo que não comprava roupa, e nunca foi atrás de um vestido de gala, ou acessórios, os poucos que tinha foram presentes, assim como os sapatos. A sorte era que como estava ganhando o salário quase que dobrado por causa das horas extras e com Tsumi, quem pagava mais da metade das contas, Sayuri tinha um bom dinheiro guardado.
_ Sayuri?
Tsumi viu a irmã entrando na loja de sapatos com Rukia e foi atrás delas. A irmã mais nova estranhou em ver a mais velha no shopping já que ela tinha ido comprar roupas na semana anterior, e mais estranho ainda era ver ela ao lado do chefe. Sabia que algo estava rolando entre eles, mas não tinha ideia de quão avançado era.
_ Ah... Oi! Eu vim com a Rukia comprar roupas para a festa que vai ter amanhã
_ Oi Rukia, tudo bem? Faz tempo que não te vejo! Vá jantar em casa qualquer dia desses, Sayuri tem feito cada coisa gostosa!
_ Podíamos marcar alguma coisa sim… Faz tempo desde aquele ultimo jantar, tenho certeza que se meu irmão provasse a comida dela a colocaria na cozinha na hora!
_ Rukia… Menos!
Sayuri estava ficando sem graça em ser elogiada daquela maneira, ainda mais na frente do chefe.
_ Se não me engano, precisamos de um novo confeiteiro, se for realmente boa não vejo razão para não ocupar o cargo. — Byakuya lembrou-se que Rukia e Shuuhei haviam comentado como os doces dela eram bonitos e gostosos, mas como estava ocupado até o pescoço não parou para pensar sobre a possibilidade. — Amanhã conversaremos melhor sobre o assunto.
_ Bom, vamos terminar as compras… ainda não comprei meu vestido.
Tsumi detestava fazer compras, já não bastasse às roupas que teve de adquirir na semana anterior por causa do trabalho, afinal tinha que estar sempre bem vestida. E algumas vezes, teria de ir a festas e jantares, era tão mais fácil ser mecânica. Mas não se arrependia, afinal, mudou de emprego porque foi à chance de ganhar melhor, colocar em prática o que estudou na faculdade, onde cursou publicidade. Também era uma forma de não ter que ver o Kuchiki mais, o que acabou dando totalmente errado. Nunca se envergonhou de ser mecânica, era o oficio de seu pai e cresceu o ajudando.
As três começaram a escolher os sapatos, Rukia e Tsumi foram rápidas, já sabiam o que queriam, mas Sayuri parecia perdida.
_ Mana, vem aqui… Já escolhemos um para você, experimenta e veja se é confortável.
_ Não sei o que faria sem vocês! Preciso de umas aulas com vocês e com a Rangiku!
_ É... Agora que você arranjou um namorado, precisa de vestir um pouco melhor.
Tsumi foi sincera, depois que começou a trabalhar como gerente viu que se vestir bem era importante para transparecer elegância, confiança e até mesmo higiene, não poderia ir com uma roupa rasgada ou suja. Quando era mecânica não se preocupava com isso, afinal ela saía com a roupa toda manchada de graxa e óleo de motor.
Além do mais era irritante ouvir as pessoas falando de sua aparência, afinal o próprio Byakuya a confundiu com uma moradora de rua. As pessoas poderiam falar que aparência era futilidade, mas todos julgam pela aparência, ela mesmo o fez com o Byakuya.
_ Bom, os sapatos já foram… Me falta o vestido.
_ Ah, Tsu! Já sei o que você vai levar, eu vi um lindo que ia ficar ótimo em você! — Sayuri disse animada.
_ Ótimo, me poupa o trabalho procurar.
Voltaram para a loja, onde haviam comprado os vestidos e logo na vitrine, Sayuri apontou o vestido longo e vermelho para a irmã. A mais velha se apaixonou, o vestido realmente era lindo, porém não tinha certeza se deveria compra-lo, o julgou um tanto chamativo demais.
Byakuya analisou o vestido, pode imaginar sua Tsumi com perfeição dentro da peça e julgou que a roupa havia sido feita para ela. Lembrou-se do vestido que a moça portou no dia do casamento do Gin e percebeu que aquele da vitrine era bem menos provocante que o outro.
_ Bom, já que a Sayuri escolheu para mim… Eu vou levar! — Tsumi entrou na loja e levou sem ao menos experimentar. — Agora só faltam os acessórios e finalmente casa.
_ Sayuri, você pode deixar que eu escolho para você, fica de presente de aniversário adiantado.
E sem deixar a irmã retrucar escolheu o conjunto que mais gostou e levou.
_ Eu vou levar este. — Rukia escolheu um pingente de ouro branco, delicado e simples, os brincos que faziam conjunto eram de perola.
_ O que acha desse? — Byakuya perguntou a Tsumi, um conjunto de gargantilhas de pequenos diamantes. E brincos do mesmo material.
_ São perfeitos.
_ Então vou levar esses. — ele se dirige a vendedora.
_ Byakuya, eu não…
_ Apenas aceite. Quero te dar de presente.
_ Mas são muito caros… Não posso aceitar.
_ Combina com seu vestido.
Byakuya não queria ter que dizer o quanto desejava vê-la usar aquele vestido. Julgava o conjunto perfeito para combinar com a vestimenta escolhida, e queria presentea-la com algo. Alguma coisa que deixasse claro que ela lhe pertencia, que ele a tinha. Dizem que presentear com um colar significa colocar uma coleira na pessoa amada. Ele não tinha exatamente essa ideia em mente, mas não negava que se regozijava em imaginar ela presa a ele.
Tsumi por seu lado realmente se sentia envergonhada, era um presente maravilhoso, combinava perfeitamente com o vestido e o sapato, mas também, extremamente caro. Seria a primeira vez que alguém a presenteava com diamantes, alias, nunca imaginou usar pedras tão preciosas quanto aquelas. Queria realmente aceitar o mimo, mas sentia que seria um abuso aceitar.
_ Tá… Mas...
Antes de completar sua frase, Rukia a puxou de canto e sussurrou em seu ouvido:
_ É o jeito de ele dizer que você é importante. Ele quer te ver usa-los durante a festa, Então aceita.
Tsumi suspirou rendida, olhou para Byakuya e assentiu, o homem com um esboço de sorriso de satisfação, se dirigiu ao caixa para quitar a compra, seguido pela morena. Rukia observou o casal, acompanhada por Sayuri. A gerente nunca havia imaginado que a acompanhante do irmão seria a irmã mais velha de sua melhor amiga. Ela se surpreendeu ao vê-los chegarem juntos, mas por um minuto, julgou se tratar de uma irônica coincidência. Agora viu o quão intima era essa coincidência.
Apesar das compras terem sido finalizadas o quarteto resolveu jantar na praça de alimentação do shopping, passaram lá mais duas horas antes de irem embora. E obviamente, Byakuya fez questão de levar Tsumi pessoalmente para casa, enquanto as amigas foram no carro de Rukia, para não atrapalharem o casal.
Continua...
Fale com o autor