Resutoran, Koran To Ai
8 Corações
Notas iniciais
Tsumi olhava o cardápio, parecendo nem se importar de estar ali na presença de Byakuya. Mesmo que por dentro estivesse se remoendo de curiosidade, não queria perguntar. Afinal ele que a chamou. Por que precisava estar ali? Não poderia ser algo mais rápido? A morena não entendia o que o empresário queria com aquele jantar.
– Tsumi, eu… — Byakuya começou a falar, mas, no meio do caminho, a coragem foi embora junto com a fala.
Como era difícil se desculpar, todos que o conheciam sabiam como ele era orgulhoso. Poucas vezes na vida se desculpara com alguém, mesmo no trabalho, se houve uma vez que precisou pedir desculpas foi muito. Primeiro porque ele não era do tipo que cometesse erros, segundo, porque fazia sempre mais do que o esperado.
A morena o encarou, finalmente ele parecia que ia dizer o que queria, o motivo de estarem ali. Ela o encarou, de repente veio um nervosismo, não sabia explicar o motivo, mas sentia o corpo tremer, as pernas amoleceram. O que estava acontecendo com ela?
Quando Tsumi achou que ele fosse falar, Byakuya se levantou e sem dizer uma palavra foi ao banheiro.
O jovem empresário não entendera a própria atitude. Por que agia daquela maneira? Era só falar uma única palavra, e mesmo que a morena não o desculpasse ao menos teria feito a parte dele. Quando entrou no banheiro notou que estava vazio, sem uma alma ali, o que era ótimo, assim poderia relaxar um pouco, jogar uma água no rosto e voltar para enfrentar seu pior defeito: o orgulho.
Demorou um pouco mais que cinco minutos, teria que se desculpar duas vezes, primeiro por ter saído da mesa repentinamente e segundo pelo primeiro encontro que tiveram. Respirou fundo e saiu do banheiro.
Para sua surpresa, a mesa estava vazia. Tsumi não estava mais lá. Por um segundo imaginou se ela teria ido ao toalete, depois pensou novamente, ele a largou sozinha ali por uns cinco minutos, era bem mais provável que tivesse ficado brava e ido embora. Se fosse com ele, teria tomado essa mesma decisão. As coisas não poderiam acabar daquela maneira, reuniu muita coragem para terminar daquele jeito, sem refletir saiu do restaurante a pé e foi procurar por Tsumi.
A morena andava rapidamente pelas ruas, não sabia onde poderia pegar um ônibus ou um táxi, já que era a primeira vez que ia para aqueles lados, sabia que havia se perdido. Ia procurar alguém para pedir informação. Na hora ficou tão preocupada em conseguir voltar para casa que não pensou em Byakuya. Assim que avistou um táxi fez um sinal para que ele parasse, mas antes que conseguisse entrar no veículo ela sentiu alguém pegar em seu braço e puxar com um pouco de força. Tsumi virou surpresa, ainda mais quando viu o empresário, ele respirava ofegante, com certeza viera correndo.
– Precisamos conversar — disse ele, quase sem fôlego.
– Você não disse o que queria até agora, acha que vou ficar esperando até quando? — exaltou-se.
Ela já estava aflita desde aquela ligação, e ao invés de falar ele simplesmente saiu andando sem dizer uma palavra, aquilo era o cúmulo, concluiu a jovem. Passados alguns instantes, pensou que se arrependeria da decisão, mas mandou o táxi embora. Ia escutar o que ele tinha a dizer, era sua ultima gota de paciência.
Byakuya a encarou, mais uma vez a morena tinha razão, já devia ter falado o que queria há muito tempo, nem precisaria de um jantar para aquilo. No fundo ele desejava agradar a mulher à sua frente, mas não sabia mais o que devia fazer. Sentia que estava sendo um verdadeiro imbecil. Só de pensar em dizer a palavra “desculpa” era difícil, sair da boca dele era quase impossível. Precisaria agir rápido, antes que acabasse piorando a situação. Manteve a expressão dura, respirou fundo e fixou seu olhar no dela. Era a última chance que teria.
Tsumi se perdeu naquele olhar, as pernas amoleceram. O que era aquela sensação? Não era a primeira vez que sentia aquilo quando estava perto dele. Sentiu o rosto esquentar e o coração a acelerar, batia tão rápido que doía. Sem aguentar encará-lo mais, virou o rosto para o outro lado.
Decidido que falaria a todo custo naquele instante, sem pensar, delicadamente com uma das mãos, ele tocou o rosto de Tsumi e suavemente o trouxe para mais perto, forçando-a a encará-lo.
– Me desculpe… — disse hesitante, porém sinceramente. — Eu errei, não devia ter falado aquelas coisas pra você… — depois que começou a dizer não fora tão difícil terminar, mesmo assim estava nervoso, mesmo que pensasse que a resposta de Tsumi não importaria, ainda assim queria ser perdoado por ela. Ainda era difícil admitir certas coisas.
Ouvir aquelas palavras da boca daquele empresário cheio de “não me toque” era no mínimo estranho. Já tinha ouvido Byakuya se desculpar com ela, na festa de casamento de Gin e Matsumoto, mas era uma situação diferente, tinha jogado verdades na cara dele que não poderia fugir. Nunca passou pela cabeça da morena que o motivo daquele jantar era para ele pedir desculpas, podia imaginar um milhão de coisas, menos aquilo. Estava tão surpresa que não tinha palavras. Abriu a boca, mas não saía som, nem sequer ar, não sabia se devia perdoar ou não. Sentira sinceridade nas palavras dele, porém ela era orgulhosa. O coração queria perdoar, mas a mente ainda resistia. O corpo estava estático, como se tivesse tomado um choque.
Byakuya esperava por uma resposta impaciente. Quanto mais teria de esperar? Enquanto a fitava, veio-lhe a mente o primeiro encontro que tiveram. Se ele não tivesse agido daquela maneira, como estaria a situação deles? Poderiam ter virado amigos? Pouco provável, ele nunca fora de fazer amigos. A única pessoa que considerava próxima era sua irmã mais nova, Rukia, tinha um carinho muito grande por ela, já que o apoiava sempre, desde quando eram pobres até os dias atuais, muito diferente do resto da família, que só começou a se aproximar depois que viram a empresa dele prosperando. Pensando pelo o lado emotivo, Tsumi foi a única mulher, que não sua irmã, que o enfrentava. Desde o começo a morena deixou claro que o dinheiro pouco importava. Byakuya não erado tipo ingênuo sabia quando uma mulher se insinuava para ele, foram incontáveis vezes, em restaurantes, reuniões, ou na rua, sempre tinha uma mulher olhando para ele, e sempre eram ignoradas.
Perdido em pensamentos, ele começou a imaginar como seria estar ao lado de Tsumi, não era a primeira vez que se pegava pensando nela dessa maneira, pareceu algo tão confortável e acolhedor, ter alguém que pudesse confiar e se apoiar integralmente, ela parecia ser esse tipo de mulher, poderia ser orgulhosa e durona, mas sentia que era companheira. Compenetrado nesses pensamentos, sem perceber começou a se aproximar mais do rosto da morena, aos poucos fechava os olhos, apenas se deixando levar pelos sentimentos.
Tsumi viu Byakuya se aproximar, o coração que já palpitava freneticamente, naquele momento parecia que sairia rasgando do peito, o cérebro pareceu entrar em pane, não conseguia reagir e nem pensar, como se quisesse aceitar o beijo que estava por vir. Ao mesmo tempo em que os lábios se tocaram, ela fechou os olhos e isso fez o tempo parar. Não ouvia mais o barulho da rua, nem os pensamentos, tudo estava em branco.
Um beijo suave e lento, como se fosse uma sensação nova, eles não precisavam ter pressa, o tempo era deles.
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Na cozinha do restaurante de Byakuya as coisas começavam a se acalmar, havia poucos clientes, afinal eram quase onze horas da noite, faltava pouco para o estabelecimento fechar. Todos estavam exaustos, Rukia era a mais cansada, então Sayuri disse que fecharia o restaurante no lugar dela e a fez voltar para casa mais cedo. Fora o dia mais movimentado da história daquele restaurante.
Sayuri ajudava o pessoal a limpar o chão e as mesas, enquanto Shuuhei e o pessoal da cozinha cuidavam da louça e do lixo. Como Sayuri teria de fechar o restaurante, ia ser a ultima a ir embora. Faltava fechar o caixa ainda, coisa que Rukia fazia.
– Não precisa me esperar hoje, vou sair um pouco mais tarde. Preciso fechar a conta lá em cima — a jovem disse para Shuuhei que a esperava sentado.
– Já está tarde, vou te levar para casa. Não esquenta comigo.
Sayuri tentou retrucar, mas ele pareceu que não iria ouvir. Depois que o mal entendido foi resolvido, eles ficaram mais próximos, e ela pôde ver como ele era gentil. Ela não entendia porque existiam pessoas como Yui. Será que ela não sentia um pingo de remorso pelas coisas que aprontou? Segundo Grimmjow, não. E ainda por cima, queria vingança. “Um absurdo.” — pensou a garota.
Shuuhei era uma pessoa muito legal, e até percebeu que começou a sentir alguma coisa diferente por ele. Mas não ficou alimentando esses sentimentos, não queria criar expectativa, sabia que ela não era o tipo de mulher que o moreno gostava. Deduzira isso pelas namoradas que ele já tivera: muito bonitas, altas e sensuais. Ela, por sua vez, parecia mais uma garota que nem saíra do colegial, sem um corpo como o da Matsumoto. Como Grimmjow já havia dito, ela não parecia uma mulher. A jovem botou na cabeça que seriam amigos, pelo menos isso poderiam ser. Ele se importava com Sayuri, aquilo era o suficiente.
Quando fecharam o restaurante, Shuuhei notou que ela estava um pouco quieta, parecia pensativa, aquilo o deixou um pouco inquieto.
– Algum problema? — perguntou preocupado.
– Ah! Não, não! Só estou cansada! — respondeu a morena, acordando de seus pensamentos. — Então, vai ser amanhã? — ela resolveu puxar assunto.
– Acho que sim. Vamos aproveitar que é nossa folga… Mas você tem certeza que quer isso? Você merece uma coisa melhor. Eu te devo muito, pra pagar com um almoço... — Shuuhei ainda se sentia culpado, não seria fácil passar uma borracha no que acontecera.
– Não é qualquer pessoa que vai ganhar o que eu vou ganhar. Estou muito satisfeita com isso… E eu nem ia pedir nada, mas não posso perder essa chance! — Sayuri sorriu, realmente estava animada para o dia seguinte.
Andaram um pouco mais de dois minutos e chegaram até a casa da morena.
– Bom, até amanhã! — ela se despediu com um abraço e um beijo no rosto do rapaz.
Sempre que ela o abraçava, ele se sentia bem. Era diferente da sensação de abraçar sua ex-namorada, ou um amigo, era reconfortante, quase como o de uma mãe, mas também era diferente. E quando ela deu uma leve puxada na camisa dele para conseguir dar o beijo no rosto, ficou um pouco corado, ainda não entendia o que sentia. Estava se apaixonando?
Shuuhei foi direto para casa, teria que acordar cedo no dia seguinte, tinha muita coisa a fazer pela manhã antes de se encontrar com Sayuri. Aliás, ela que o encontraria. Ele ainda não entendia o porquê da garota ter pedido aquilo para ele, algo tão simples na visão dele: almoçarem juntos. A única coisa que ela exigiu foi que o moreno cozinhasse. Era um pedido simples e esquisito. Sabia que cozinhava bem, afinal trabalhava em um restaurante como mestre de cozinha, mas não entendia porque ela fazia tanta questão de comer sua comida. Poderia ter pedido para ele levá-la em um restaurante, ou algumas jóias e roupas, ou até fazer dele um saco de pancadas. Qual a graça de comer a comida dele? Até porque ela já havia comido várias vezes no restaurante. Mas se era o pedido dela, então iria fazer.
Assim que chegou em casa, Shuuhei tomou um banho gelado e depois capotou na cama.
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Ichigo acompanhou Rukia até em casa, a morena mal se aguentava em pé de sono, precisava dormir, ou desmaiaria. Aquele dia exigiu muito da jovem gerente, nunca imaginou que seu irmão fosse tirar um dia de folga de uma hora para outra, muito menos quando o restaurante dependia tanto dele. Aquele estava sendo um mês para fechar vários negócios, além de contratar mais funcionários. Estava feliz porque conseguiu se virar muito bem, no final, tudo deu certo e era o que importava.
A primeira coisa que a morena fez foi tirar os sapatos que a estavam matando, sentia os pés arderem, nunca teve que andar tanto, ainda mais de salto alto. Aquelas roupas pareciam que iam sufocar, eram justas em algumas partes do corpo, como o pescoço e abdômen. Jogou todas as roupas no chão, e foi tomar um banho. Precisava refrescar o corpo, uma sensação de ir para cama um pouco mais leve. Logo seria um novo dia e com ele novos serviços.
Já o ruivo não sabia o que fazer e como se comportar perto de Rukia. Sabia dos próprios sentimentos fazia um bom tempo, mesmo ele negando para o mundo, não conseguia esconder isso de Sayuri que era sua amiga de infância, e poderia dizer melhor amiga. O fato era que estava sendo difícil dividir espaço com Rukia. Não conseguia ser natural como era com os outros, tinha medo de ser desagradável, e ser rejeitado por ela. Por mais que tentasse encontrar suas qualidades, sentia que ela era inalcançável. Havia muitos rapazes, mais atraentes que ele, que poderiam dar a morena uma boa vida, homens bonitos e socialmente importantes. Sayuri já tinha feito a burrada de falar para ele que Rukia tinha pretendentes — o que o fez ficar ainda mais inseguro. Iria desistir, pensou muito antes de tomar aquela decisão.
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Byakuya levou Tsumi para casa, não trocaram uma palavra depois daquele beijo, como no dia do casamento de Matsumoto, mas naquele momento era um sentimento mais intenso. O empresário descobriu depois daquele beijo que sentia algo pela brava e orgulhosa Tsumi. Não que fosse realmente brava, ele que havia errado com ela, mas certamente era tão ou mais orgulhosa que ele.
Assim que chegaram, ele saiu do carro para abrir a porta para ela, embora a morena não tivesse esperado, já havia aberto a porta e já estava indo em direção de sua casa.
– Espera — sem pensar ele a chamou, fora algo instintivo, já que não pretendia dizer uma única palavra.
Ao ouvir a voz dele chamando-a, virou-se para ouvir o que o rapaz tinha a dizer. Não poderia se surpreender mais aquela noite.
– Namore comigo.
Fora o pedido dele, embora tivesse soado mais como uma ordem. A verdade era que Byakuya estava disposto a ter uma nova vida, compartilhar isso ao lado dela. Mesmo que fosse uma ideia nova.
Tsumi ficou vermelha quase que instantaneamente. Ele só podia estar de brincadeira. Não estava falando sério, não fazia sentido. Tudo bem que se beijaram duas vezes, mas ainda assim eram estranhos. Por que ele faria um pedido absurdo daquele? Aquela ideia não passara pela mente da morena. Sem saber o que responder, virou bruscamente e tentou abrir a porta da casa, mas devido ao nervosismo a chave caiu no chão, com sua bolsa e as coisas que tinham dentro.
A morena ia se abaixar para apanhar os objetos caídos. Era evidente que o que Byakuya disse mexeu com ela. Ele foi ajudar Tsumi a pegar as coisas caídas no chão. Enquanto Tsumi se levantava sentiu seu corpo desequilibrar, o salto junto com o nervosismo não fizeram uma boa combinação, mesmo que ela não fosse cair, foi amparada pelos braços do moreno.
Ele a segurava com força. Sem ao menos pensar em se controlar, encostou Tsumi na parede da casa e a beijou. Foi um beijo diferente do anterior, como se fosse a última coisa que ele faria. Sentia urgência em senti-la novamente, na verdade, ficou pensando nela e nas coisas que aconteceram o caminho todo.
Os objetos apanhados estavam novamente no chão, espalhados.
O rapaz, com uma das mãos, segurava a morena firmemente pela cintura, porém ainda com gentileza, enquanto sua outra mão percorria livremente pelas costas e nuca dela. Ela o puxava para mais perto de si, o enlaçando firme pelo pescoço. Tsumi sentia o corpo esquentar, não tinha mais o poder de controle quando ele se aproximava, sentiu-se uma fraca, onde estavam suas forças? As pernas estavam bambas, seu coração naquele momento entregue, sentia-se extasiada e completa, apagou de sua memória qualquer lembrança ruim que ainda tinha sobre ele.
**Continua**
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