Resutoran, Koran To Ai
4 Casamento e uma armadilha!
Notas iniciais
Capítulo 4
Os preparativos do casamento de Gin e Rangiku pareciam que estava indo muito bem, até Tsumi descobrir onde ia ser o buffet do casamento.
- Eu vou ter que tratar de negócios com esse indivíduo?! – saber disso era a mesma sensação de sentir um caminhão passando por cima dela. Por que tinha que ser justo ele? Esse era o restaurante do amigo de Gin, o famoso restaurante de Kuchiki Byakuya.
Seria alguma maldição do destino?
- Algum problema, Ikehara-san? – Keiko, sua chefe, estava vendo-a resmungando sozinha.
- Não, nenhum! Vou até minha sala preparar as coisas para tratar com o Kuchiki-san – forçou um sorriso.
Por que tinha que lidar com ele? Bom, mas era o casamento de sua melhor amiga, não ia se deixar levar pelo ódio (?). Tsumi assentou em sua mesa, apoiou os cotovelos ali e passou a mão nos cabelos, tinha que se concentrar, aquele deveria ser o melhor casamento que iria organizar em sua vida.
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Byakuya tinha ficado surpreso com o pedido de Gin, para a festa do casamento ser no restaurante dele, o lugar era enorme, podia fazer uma bela festa ali, achava um pouco estranho o pedido, mas não custava atender o pedido do amigo.
- Rukia, hoje virá a responsável pela organização do casamento, quando chegar peça para entrar na minha sala.
Estava um dia tranqüilo, parecia que nada poderia estragar seu dia, aparentemente estava de bom humor. Eis que Ikehara Tsumi aparece no restaurante, já era quase seis horas da tarde quando chegou.
Ela pôde presenciar a casa cheia, todos trabalhando com afinco, e imaginar que esse restaurante era daquele homem! Respirou fundo e entrou, foi falar diretamente com Sayuri.
- E ai? – cumprimentou a irmã. – Onde fica a sala do “mala sem alça”? – Tsumi ainda não digeriu que teria que trabalhar com Byakuya.
- Tá falando do Kuchiki-san? — perguntou confusa, não sabia o que a irmã ia fazer ali.
- É... esse cara mesmo.
Sayuri notou que a irmã não estava ali porque queria.
- Eu te levo até lá – guiou a irmã até a sala do chefe, depois que subiram as escadas deram de cara com a porta. – É aqui. Bom, depois me fale o que veio resolver com ele, fiquei curiosa! Agora voltarei ao trabalho!
Antes de Sayuri terminar de descer as escadas, a porta se abriu. Era Byakuya.
- O que faz aqui? – o moreno não pareceu entender a presença dela ali, mas mostrou-se incomodado com a figura a sua frente.
- Infelizmente temos assuntos profissionais a tratar, depois nos falamos, Sayuri – sem pedir licença entrou na sala.
Byakuya mostrava-se incomodado e confuso. Assuntos profissionais? Fechou a porta, por um momento pareceu que as coisas clarearam, seria ela a responsável pela organização do casamento do Gin?
- Não me diga que você é quem vai...
- Sim, vou organizar a festa do casamento e, sim, vamos ter que nos aturar – Tsumi o cortou, assim como ele, não gostou nada da idéia de trabalharem juntos.
- Entendo – por falta de palavras, foi só o que conseguiu responder. – Bom, vamos direto aos negócios.
- Os assuntos principais do buffet me parece que já foram acertados entre o senhor e a Ikezawa-san – Tsumi puxou de sua bolsa uma pasta, lá tinha as informações que precisava. E ela começou a falar sobre o que veio falar: negócios.
A vontade de ambos era sair dali, mas claro que não o fariam. Ficaram duas horas falando somente disso.
- Bom, por enquanto é só. Entrarei em contado em breve – estendeu a mão. – Vamos fazer um bom trabalho – não que fosse a vontade dela, mas trabalho é uma coisa e vida pessoal é outra.
- Sim, até mais – Byakuya estendeu a mão também, ele entendia perfeitamente a situação de negócios e o incomodo pessoal.
Assim que Tsumi fechou a porta, sentiu as pernas tremerem, ficou duas horas conversando com ele e, nessas duas horas, sentira uma vontade enorme de esmurrá-lo, nunca pensou que odiaria alguém tanto na vida, mas também era tomada por uma sensação estranha, que não era raiva, mas um incômodo.
Agora precisava ligar com freqüência para Byakuya, sempre tinham coisas para resolver, e se não era ela, era ele. Eles se falavam quase todos os dias, tudo que podiam, resolviam por telefone, quanto menos precisassem se encontrar melhor.
O casamento se aproximava a cada dia, Tsumi não se importava em relação a igreja, a filmagem, já que fazer tudo isso não precisava dele.
Rangiku e Tsumi apesar de serem as melhores amigas, as exigências dela estavam deixando Tsumi doida, mal sabiam como poderiam ser tão amigas, já que eram tão diferentes.
- Ah eu quero que os garçons vistam roupas assim! E as garçonetes assim! – a ruiva apontava o dedo para revista que tinha modelos de roupas.
- Bom, você está pedindo isso em cima da hora, não sei se dá tempo de pedir isso, e como você não falou nada disso antes...
- Ah... mas eu quero!! É tão bonitinho!! – Rangiku soltou aquele olhar de “cachorro pedindo comida”.
- Ah... não me olhe assim...eu vou ver o que posso fazer por você, está bem? – Tsumi no final das contas era boazinha demais com ela. – Mas não acha essas roupas um pouco exageradas?
A roupa de garçom estava mais parecendo mais um smoking, com detalhes em branco e vermelho. E a roupa de garçonete era um pouco decotada demais, além dos laços vermelho na manga, com uma saia branca com os mesmos detalhes da manga. Além dos sapatos chamativos que pareciam altamente desconfortáveis, ainda mais a sandália que tinha um salto enorme.
- Ah, mas as roupas são tão lindas! E é meu casamento!
- Certo, vou ver o que posso fazer por você. Conversarei com o Kuchiki amanhã.
- Obrigada! Sabia que podia contar com você! Por isso te adoro! – Rangiku abraçou Tsumi forte, por um momento sentiu como se o pulmão fosse sair pela garganta.
Passearam um pouco no shopping e Rangiku parou na frente de uma vitrine com roupas de gala.
- Uau, que lindo! Esse vai ser seu traje de madrinha! – apontou para um vestido vinho, realmente um belo vestido, Tsumi só achava o decote das costas um pouco exagerado, ia até a cintura.
- Mas eu já comprei o vestido! – Tsumi estava prevendo que ia acabar comprando aquele vestido de tanto que a ruiva falava, e não deu outra. – Agora, vamos embora! Antes que você invente mais alguma coisa!
- Okay! Okay! Mas você ai usar esse vestido, né?! No casamento da Momo-chan, eu comprei um vestido tão lindo para você usar e no dia você foi com outro!
Não foi surpresa quando a morena não respondeu.
- É para usar! Vai ficar maravilhosa! Todos os homens cairão aos seus pés!
- Não exagera. Eu não quero homens caindo aos meus pés.
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No dia seguinte, estava Tsumi na sala do Byakuya, para falar das roupas. Byakuya só ficou olhando para os modelos, soltou um leve riso.
- Dá pra fazer isso se ela quiser, mas acho um exagero – comentou, em questão de opinião, Tsumi concordava. – Se é isso que ela quer, pode mandar fazer os uniformes.
E todo dia a Matsumoto ligava falando que queria mudar o formato do bolo, escolher as lembrancinhas, mudar a roupa dos garçons de novo. É... cuidar do casamento dela não era nada fácil.
E... finalmente chegou o dia do casamento. E foi uma surpresa, nenhum dos dois brigaram.
- Eu realmente tenho que usar isso? – Tsumi ficou se olhando no espelho com aquele vestido. – O vestido é lindo, mas é muito decotado nas costas.
- Ah, você tá linda, isso que importa! Agora, por que eu tenho que vestir esse uniforme tosco? Parece que meu peito vai sair para fora desse decote! Esse tipo de roupa fica bem na Rangiku! Não em mim! – Sayuri tinha provado o uniforme e detestou.
- Até que ficou legal... para uma garçonete... já que tá vestida vai assim... pena que aquele imbecil do Kuchiki não te deu folga para você ir ao casamento.
- Tudo bem, eu poderei dar os parabéns na hora da festa! – Sayuri não se sentia mal de não poder ir, não ligava para casamento, ficaram conversando e ambas perderam a hora, estavam se atrasando.
Tsumi resolveu chamar um táxi.
- Quer uma carona? Te deixo no restaurante! – disse Tsumi. – Só que vai demorar uns quinze minutos para chegar.
- Não precisa, eu vou correndo! – Sayuri pegou sua bolsa e saiu correndo. Como era difícil de correr com aquela sandália.
Uma moto parou em sua frente.
- Sobe aí, te dou uma carona – era Shuuhei, que, mesmo sem querer, a olhou de cima a baixo, ainda mais para o decote do uniforme.
Quando ele percebeu para onde estava olhando, desviou o rosto para o outro lado da rua e falou:
– Vamos, sobe logo!
- T-tá! – ela só aceitou por estar atrasada, ainda estava com raiva dele. Mas foi estranho, assim que laçou seus braços na cintura dele, sentiu o coração acelerar.
O cozinheiro não sabia porque parou ali para dar carona, afinal, ela falou mal da namorada dele, brigaram, e já fazia semanas que não se falavam, mas o corpo agiu primeiro que o cérebro. E sentir ela o abraçando, não sabia explicar, mas se sentia bem.
Não deu nem cinco minutos, o restaurante era perto e ele corria muito.
- Obrigada, depois eu dou um jeito de retribuir o favor – ela disse rapidamente.
- Só não incomode mais minha namorada, ok? – não disse em tom áspero, mas Sayuri percebeu que ele ainda estava incomodado com aquilo.
- Realmente, se você é um trouxa que não tá vendo que ela tá te fazendo de idiota. Isso não devia ser problema meu – apesar da gentileza da carona, ambos ainda estavam brigados.
- Olha como fala comigo! E realmente isso não é problema seu! – devolveu a raiva.
- Idiota! – por mais que ela estivesse com raiva do modo como estava sendo tratada, não ia falar mais sobre isso com ele, apenas ia tentar esfregar a verdade na cara dele. Se bem que já estava bem evidente isso, apenas Shuuhei que não enxergava.
Cada um foi para seu canto trabalhar, Sayuri viu Rukia ajeitando as mesas.
- Parece que fez as pazes com Shuuhei-san – Rukia falou assim que viu Sayuri. – Vi vocês dois chegando juntos.
- Como se fosse, acabamos brigando por conta daquela vadia – disse magoada. – Eu me pergunto o que o Grimmjow tá fazendo, ele disse que ia me ajudar, mas sumiu!
- Ele deve estar te ajudando do jeito dele – Rukia não conhecia esse rapaz muito bem, mas se disse que ia ajudar, então ia ajudar, pressupôs.
Sayuri ia responder quando viu o Morango. Ela se acabou na risada.
- Pare de rir! Já não basta a Rukia ter rido da minha cara também! – Ichigo estava com o uniforme de garçom e o cabelo penteado para trás, estava engraçado, para quem o conhecia.
- É que Ichigo... – Rukia não agüentou ver o Morango vestido daquele jeito, com aquele penteado que nada tinha a ver com ele.
- E você não se olha no espelho? Tá ridícula com esse uniforme também! – disse rindo também, como vingança.
- Pois é, eu falei a mesma coisa para minha irmã. Pena que não posso usar outra coisa – disse desanimada. – E ai, Ichigo? Como foi o passeio com a bela Rukia? – mudou totalmente de assunto, mas viu ambos corando.
- Eu tenho que falar com o Yumichika sobre as bebidas! – Rukia tratou de sair dali.
- Eu vou na... – Ichigo olhava ao redor para arranjar alguma desculpa – na cozinha, ainda não jantei! – se enfiou na cozinha, ia jantar mesmo.
Ambos não sabiam como Sayuri tinha ciência daquilo, foi só passeio pelo shopping, mas os acontecimentos ainda precisavam de tempo para processar.
Na igreja, Tsumi ainda estava a caminho, sabia que se não chegasse a tempo Matsumoto ia ficar realmente muito brava, por sorte chegou bem na hora.
- Vamos! Seu parceiro já está te esperando! – puxou Nanao, prima de Rangiku.
- Kuchiki-san, sua parceira está aqui! Está na hora de entrarmos! – deixou Tsumi do lado do Kuchiki e foi em direção ao Shunsui, seu par.
Byakuya e Tsumi ficaram mudos, até quando o destino ia ficar aprontando? Será que Gin e Matsumoto sabiam que eles se odiavam e estavam fazendo de propósito? Não tiveram tempo para brigar, a porta da igreja se abriu, logo iam entrar.
Byakuya ofereceu o braço para Tsumi, a morena suspirou e pegou no braço, iam fingir que estava tudo bem. Eles foram o quarto casal a entrar, Byakuya sentia a unha de Tsumi encravar em seu braço, estava doendo, ele sabia que era de propósito. Ficaram trocando farpas, faltava pouco para fazerem algum escandalo.
Finalmente era a vez da noiva, Rangiku estava linda, para o gosto de Tsumi, achava que o vestido estava decotado demais, mas ainda assim estava muito bem, roupas assim combinam com ela, tinham dotes de invejar qualquer mulher, ainda tinha um corpão.
Matsumoto olhou para Byakuya e Tsumi, e riu. Provavelmente aprontou uma das suas. Já conversaram antes sobre o fato deles se odiarem, provavelmente tinha o dedo da noiva nessa história de padrinhos, organização de festa, era muita coincidencia para o gosto da Tsumi. Ia acertar as contas com a noiva depois do casamento.
A cerimônia durou cerca de quarenta minutos, o que pareceu rápido para Matsumoto, e uma eternidade para Gin, Byakuya e Tsumi.
Assim que saíram da igreja, Tsumi largou o braço do moreno, ambos sabiam que a noite estava só começando.
A festa ia ser longa, muito longa, ainda tinha a festa. Tsumi não faria a desfeita de ir embora na hora da festa. Byakuya estava pensando seriamente em ir embora, mas fazer isso no próprio restaurante...
A decoração do restaurante estava como Matsumoto plenejava, que passou por várias mudanças até ficar do jeito que queria, a noiva sempre inventava moda, queria mudar tudo a cada cinco segundos! Os petiscos estavam sendo servidos, a variedade era grande, desde os mais simples até os mais requintados.
Tudo estava indo bem, tirando que Tsumi e Byakuya a cada troca de olhares saíam faíscas. Ficaram sentados um do lado do outro, não trocavam uma palavra.
Foi servido o jantar, bem caprichado por sinal. Não podia negar que a festa estava maravilhosa, embora não se dessem bem, Byakuya e Tsumi fizeram um ótimo trabalho.
Chegou a hora mais esperada pelas mulheres, Matsumoto ia jogar o buquê, olhou em direção de sua amiga Tsumi, que estava sentada no mesmo lugar. Não estava junto com as dezenas de mulheres que estava quase se estapeando para pegar as flores. A noiva mirou em Tsumi, queria que a amiga pegasse o buquê, mas sua mira não foi perfeita, caiu no colo de Byakuya.
Ele ficou encarando as flores em seu colo.
- Ops! – riu Matsumoto, no final ia dar na mesma, achavam que os dois fariam um belo casal.
Depois de saber que Tsumi estava totalmente solteira, na verdade sempre fora a solteirona das amigas, ainda mais antigamente, seu trabalho não permitia se vestir de uma maneira feminina. Eis que veio um plano em mente, cochichou algo no ouvido de seu noivo, que pareceu ter gostado da idéia, aliás, tudo que era idéia sádica ele gostava. E até mesmo ele achava que Byakuya precisava de uma mulher em sua vida, sempre fora tão focado em subir financeiramente que se esqueceu do resto da vida.
Nem Byakuya nem Tsumi imaginavam o que se passava na cabeça desses dois amigos, eram bons amigos, mas um pouco birutas. E aproveitaram na hora em que Byakuya levantou para ir ao banheiro pra começar o plano.
- Tsumi! Eu preciso pegar uma coisa na sala do Byakuya, será que você não pode ir comigo? – pediu Matsumoto, era um plano infalível.
Tsumi nem desconfiou que aquilo poderia ser um plano, ainda mais que esperou exatamente Byakuya se levantar.
- Poder eu posso, mas não é melhor você pedir para ele? A sala é dele.
- Gin foi conversar com Byakuya, vamos! É rapidinho! – Gin também foi colocar sua parte do plano em prática.
Entrou primeiro na sala do Byakuya e sumiu com o telefone, sabia que tinha um celular na gaveta, tratou de sumir com ele também, sabia que no final de tudo isso, provavelmente, seu amigo não falaria com ele durante um bom tempo, mas riscos são riscos. Gin deu alguma desculpa para Byakuya para levá-lo até a sala onde ele trabalhava, Tsumi estava no banheiro do escritório junto com Matsumoto, ouviu a voz de Gin da sala, era a hora.
- Tsumi, eu volto já! Um segundo! – nem esperou a amiga responder e saiu do banheiro, Tsumi estava lavando as mãos nessa hora que nem teve tempo de impedir a amiga.
- Tem alguém no banheiro? – perguntou Gin sussurrando. – Ouvi uma voz.
- Impossível, essa sala é minha só se alguém subiu até aqui. – Byakuya estava de costas no momento em que Matsumoto saiu, tudo planejado por Gin.
Gin fez questão que Byakuya fosse na frente para ver essa tal pessoa, e assim que Byakuya pisou no banheiro, ouviu a porta se fechando, pôde ouvir o barulho da chave trancando o banheiro. Só notou Tsumi segundos depois, que parecia surpresa com o que tinha acabado de acontecer.
- Quando se acertarem a gente abre a porta! – a voz que vinha da porta era da Matsumoto, sabia que ambos não seriam perdoados depois que a porta fosse aberta.
Ficaram alguns segundos de silêncio, até associarem que iam ficar presos ali, naquele banheiro até aqueles dois resolvessem abrir a porta. Sem pensar, ambos começaram a bater na porta, na esperança de quem sabe Gin e Matsumoto mudassem de idéia e abrissem a porta, pelo silêncio que estava do outro lado, sabiam que nem estavam mais na sala.
- E então, Ikehara? O que andou aprontando para eles acharem que temos algo para acertar? – Byakuya foi o primeiro a falar, aquela situação estava muito incomoda, nunca se imaginou que ficaria preso no banheiro com uma mulher, ainda mais ela.
Tsumi olhou para o moreno boquiaberta, como assim? Ele ainda tinha a coragem de jogar toda culpa em cima dela? Sem conter a raiva, deu dois passos e deu uma bela de uma pisada no pé de Byakuya, que gritou na hora de dor.
- Sua maluca! O que acha que está fazendo? – disse sentando em uma cadeira que estava ali, era um banheiro até que grande, já que, às vezes, tomava banho na empresa, pois nem voltava para casa de tanto trabalho.
- E você? Toda oportunidade que tem me humilha! Já estou cansada disso! Sempre me trata como um cachorro! Aliás, cachorro você trata melhor! Seu problema é comigo! Não sei nem como não me humilhou durante nossos péssimos encontros de trabalho!
- Você que adora se fazer de vítima! Só porque é pobre acha que eu devo me desculpar com você pelo resto da vida por um erro que cometi com você?
- Você é um canalha arrogante! Só porque é rico acha que pode sair pisando nos outros! Se toca!! Pra você tudo se resume a status social? E por estar acima de mim acha que pode sair falando qualquer coisa? Me humilhar!
- Você realmente não tem noção, não é? Tudo que eu consegui foi por mérito meu! Não nasci rico! Foi tudo com meu esforço! Tudo que eu tenho é por merecimento!
- Acho que por isso mesmo você devia saber melhor do que ninguém! Que ser julgada injustamente machuca! Ou acha que eu não me machuquei naquele dia?! Para mim não foi nada! Você que começou debaixo devia saber, como esse tipo de humilhação dói! – Tsumi não agüentou e começou a chorar, não sabia se era de raiva ou se o coração estava fraquejando para ele.
Byakuya sentiu um nó na garganta, tinha se esquecido de quantas vezes foi julgado pelas pessoas, quantas vezes foi maltratado por essa sociedade em que ele agora faz parte, esqueceu quantas vezes foi ferido por pessoas como ele, esqueceu que tinha prometido para si mesmo que não ia se tornar como essas pessoas, arrogantes... Ele engoliu o orgulho, devia isso a ela agora, estava totalmente certa.
- Me desculpe... nunca parei para pensar em como você poderia estar se sentindo – deu uma pausa antes de continuar, precisava de certa coragem para admitir que estava errado. – Você é a única pessoa que desperta o que há de pior em mim.
- Não sei se devo acreditar no que você diz, afinal já ouvi isso antes... muitas vezes... – Tsumi soltou um alto suspiro, mas via ele com uma afeição envergonhada, passando a mão nos cabelos para tentar disfarçar um pouco a vergonha.
Byakuya percebeu que não tinha muitas chances de ser perdoado, Tsumi continuava a chorar, de uma maneira silenciosa.
- Eu só quero sair daqui. – encostou a cabeça na parede, era a única coisa que queria naquele momento.
- Olha, também quero sair daqui, mas só iremos conseguir quando aqueles dois resolverem fazer – se aproximou de Tsumi para secar as lágrimas que a causa era ele mesmo.
Sentir o toque de Byakuya em seu rosto a fez sentir um arrepio, era reconfortante, sentia-se quente por dentro, naquele momento a raiva tinha desaparecido. Pela primeira vez não olhava para ele com raiva no olhar, pela primeira vez estava sentindo que estavam se entendendo.
Byakuya estava ajoelhado em sua frente, apenas a encarando. De alguma forma os olhos violetas de Tsumi o estavam tragando para algum lugar, como se tivesse sido hipnotizado. Sem perceber selou os lábios daquela mulher por quem nutriu raiva por meses.
Tsumi sentiu instantaneamente um calor lhe percorrer por todo o corpo, nunca tinha sentido essa sensação, talvez por nunca ter beijado alguém antes, mesmo vinte e cinco anos nas costas nunca tinha beijado alguém, e o primeiro beijo seria com quem mais odiava no mundo.
Não conseguia organizar pensamento algum na cabeça, apenas obedecia o corpo que correspondia pelos beijos daquele homem, sentiu seu corpo ser pressionado contra a parede, se ele a pressionasse mais a cadeira ia quebrar.
Sem perceber aquele simples beijo começou a esquentar, a língua de Byakuya queria conhecer o espaço dentro da boca de Tsumi, era um espaço tão pequeno, ela tinha lábios tão macios.
Ele sentia a necessidade de aproximar ainda mais os corpos, afagava carinhosamente as costas nua dela, eram macios, sentiu tentado a querer conhecer mais do corpo daquela mulher por quem agora sentia-se dominado, e antes que pudesse pensar em mais alguma coisa ouviu a voz de Matsumoto.
- Ummm! Acho que chegamos em má hora! – disse Matsumoto com um riso malicioso. — Estávamos preocupados porque estava muito silencioso aí dentro, mas vejo que estão se dando melhor do que eu pensei!
- Vamos voltar para festa, que eles estão bem sem nós! – Gin, tirou a cabeça da porta, e junto com ele foi Matsumoto.
Agora estavam os dois sozinhos no banheiro novamente, a sanidade já tinha voltado para a mente de ambos, que não tinham coragem de trocar uma palavra, se arrumaram e voltaram para festa sem dizer uma palavra.
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