Restless Hearts

10 Temos que conversar - Parte 2


Notas iniciais
Aloha, guys! Como sempre, leiam as NOTAS FINAIS, please. ASSUNTO IMPORTANTE.

— Está tremendo. — A olhava, tentando entender o que estava acontecendo. Ela parecia fraca. — Quando foi a última vez que comeu?

— Café da manhã. — ela fez uma pausa e seu tom se tornou ainda mais baixo ao completar — Antes da academia.

— Você está a dois dias sem comer? — A raiva transparecia em minha voz. — Deveria ter te dado uns tapas.

— Menos, Oliver.

— Menos? — Me sentei na beirada da cama, apoiando uma das mãos ao lado de seu corpo. — Parece criança, Felicity, não sabe se cuidar! Vou pedir alguma coisa para você comer.

— Tudo bem. — ela levou uma mão à minha coxa e me olhou com a expressão cansada. — E depois temos que conversar.

[...]

[POV Oliver Queen]

Temos que conversar”. Essas palavras somadas à expressão de Felicity fez com que minha raiva se dissolvesse. Ficara com raiva por sua negligência consigo mesma, mas agora esse sentimento tinha cedido espaço à preocupação.

Preocupação com ela, pelo fato de não estar se sentindo bem, mas também porque ela poderia estar querendo conversar sobre o caso, sobre seu suposto envolvimento. Mas não deixei que meus pensamentos e essa preocupação me desviassem do primeiro passo. Antes de qualquer coisa, ela iria comer.

[...]

Uma vez que Felicity se alimentara, me sentei ao lado dela na cama, esticando minhas pernas e apoiando minhas costas na cabeceira. Ela se aproximou de mim, sentando-se sobre suas pernas, de forma que podia olhar para mim.

— Então... – começou, de maneira hesitante. – Realmente precisamos conversar.

— Estou ouvindo. – Observava atentamente a expressão corporal da loira e tudo nela, absolutamente tudo nela, gritava medo. Mas do que ela estaria com tanto medo?

— Antes de começar, posso te pedir uma coisa? – Fixou o olhar no meu e esperou por minha resposta, quando assenti, ela respirou fundo e prosseguiu – Me deixe falar, sem me perguntar nada...

— Felicity, o que... ? – Tentei a interromper, mas dessa vez, ela seguiu firme em seu discurso.

— Sem perguntas, me deixe apenas falar. Vai ser difícil para mim, de qualquer jeito, se me pressionar, talvez não consiga falar nada do que tenho a dizer.

— Ok. Sem perguntas. Sem interrupções.

A loira se ajeitou novamente, virando um pouco mais o corpo em minha direção. Apoiou uma das mãos em minha perna, de forma que os dedos tocavam o elástico do cós da minha cueca, onde ela focou o olhar e começou a brincar com o tecido, distraída, enquanto começava a falar.

— Tem um motivo para que o Dig não me queira em campo e principalmente nesse caso. – Fez uma pausa, fechando os olhos por um instante e respirando fundo. Levei uma mão a sua coxa, acariciando levemente com as pontas dos dedos, esperando que isso a encorajasse a falar. E por sorte, a fez. Ela voltou a abrir os olhos e continuou. – É pelo mesmo motivo que o cara da Hell Night me conhecia como Megan, tenho certeza. – Mais uma pausa, enquanto ela finalmente desviava o olhar se seus dedos e passava a olhar em meus olhos – Oliver, o que vou te falar agora, são poucas as pessoas que sabem. Para dizer a verdade, Dig não sabe toda a estória. As únicas pessoas para quem eu contei tudo foram Sara e Beth, e ainda assim, as fiz prometer que nunca diriam nada a ninguém. Preciso que me prometa o mesmo, ok?

A forma com que ela estava agindo, essa linguagem corporal que me dizia que ela estava com medo, e agora esse pedido, me deixavam cada vez mais apreensivo, cada vez mais preocupado. Mas já que eu tinha tomado o passo que eu estava evitando, já que eu havia investido em Felicity , não que eu teria como fugir, mas não poderia voltar atrás, pelo menos eu precisava saber com o que eu estava lidando. Não só por mim, mas para saber lidar com ela, para poder protege-la. Então apenas assenti, voltei a acariciar sua coxa com os dedos e disse, firme:

— Prometo.

— Ok. – Respirou fundo antes de voltar a me explicar – Há um tempo atrás, logo que comecei a trabalhar na LVPD no departamento de T.I., apareceu um caso grande e o detetive responsável era o irmão da Beth. – Abri a boca para questionar, mas ela maneou a cabeça em negativa – Na época, ele seguiu uma pista e, bom, não sei te dizer exatamente o que aconteceu, mas ele me procurou na delegacia com um notebook, pedindo para que eu o ajudasse a levantar algumas informações através do aparelho. No começo, não sabia nada sobre o caso, então não sabia o que procurar. Mas o Logan passou por cima do capitão e conversou muito comigo sobre o caso, então eu sabia que não seria fácil nem que seria coisa boa. Encurtando tudo, eu acabei me envolvendo demais com o caso, sem querer, sem nem ao menos saber o que estava fazendo, e muita coisa saiu do controle, muita coisa aconteceu, muita gente se machucou, inclusive eu. Logan me cobriu com a LVPD, em grande parte, mas como o caso não foi fechado, eu não fui de muita ajuda. Na verdade, foi o contrário. Eles não fecharam o caso, por minha culpa. – Ela havia desviado o olhar novamente enquanto falava. Após uma longa pausa, ela continuou, enquanto eu permanecia em silêncio, prestando atenção em tudo que ela falava – Na delegacia, todos me chamavam de Smoak, muitos nem ao menos sabiam meu primeiro nome. Nas ruas, quando preciso para levantar algumas informações, eu era conhecida como Megan. Só na nossa cidade, as pessoas me conhecem pelo nome.

Esperei por um tempo, mas ela não disse mais nada.

— Por isso que você acha que tem algo a ver com o que aconteceu com a Beth. — Deduzi.

— Sim. – Ela não erguera mais o olhar, evitava me olhar. Mas pude ver seus olhos se encherem de lágrimas e sua voz ficar mais baixa. – Nós fomos atrás de um suspeito, um possível mandante no caso da Beth, mas ele sabia quem eu era, ele me chamou de Megan, não acho que isso seja coincidência.

Esperei por mais alguns instantes, tentando cumprir minha promessa de não a questionar, de não a pressionar. Pude ver seu corpo começar a tremer discretamente enquanto lágrimas escorriam por seu rosto.

— Hey.. – Levei uma das mãos ao seu rosto e a outra em sua mão sobre minha perna. – Vem cá. – A puxei com cuidado, e sem pensar duas vezes, ela se deixou guiar até que estivesse acomodada em meu colo, com o rosto escondido na curvatura do meu pescoço. Eu a abracei apertado, a mantendo ali – Tudo bem, vai ficar tudo bem. Estou aqui com você.

[...]

Após chorar por um tempo, Felicity adormeceu. Acomodei a loira na cama e a cobri com o lençol. Deixaria que descansasse antes que voltássemos a Starling City. Eu sabia que havia mais nessa história, ela não havia me contado tudo, mas ainda assim, algumas coisas começaram a se encaixar.

Seja o que for que tenha acontecido, Felicity saíra machucada. Esse era o motivo pelo qual John não a queria em campo, e também o porquê de ela ter ficado tão assustada quando foi reconhecida. Pensara ter algum envolvimento com a morte de Beth porque o cara da boate a chamara de Megan.

Nada disso me incomodava tanto quanto o fato de que Felicity poderia estar em perigo.

Sally, a garota da boate, ouvira a conversa daquele grupo. Não conseguira nenhum nome, ela fora cuidadosa ao não deixar escapar os nomes das pessoas daquela mesa. Por outro lado, ela também não sabia de quem estavam falando. Ele. Ela dissera que o grupo mencionava um cara, mas o chamaram apenas de ele. Ele entrara em contato, ele queria a garota. Felicity. Ele, seja lá quem fosse, queria Felicity. Mas agora teria que passar por mim para pegá-la.

Fui distraído dos meus pensamentos quando meu celular começou a tocar. Estiquei o braço, o pegando em cima do móvel ao lado da cama e vi o nome de Sara Lance na tela.

— Hey, Sara.

Ollie! Encontrou ela?

— Sim, ela está comigo. Está descan...

Ela tá bem?— Me interrompeu.

— Ótima. – deixei um tom mais malicioso atingir minha voz, sabia que Sara entenderia.

Oliver Queen!— Ouvi sua risada e a imaginei maneando a cabeça em negativa. – Tudo bem, voltem logo, em segurança, pra eu quebrar a cara dela quando ela voltar.

— Ela me contou, Sara. – cortei o humor da conversa.

Ela ... te contou?

— Por cima, mas contou.

Ótimo. Aos poucos eu tenho certeza que você vai saber da história toda. Vai ser bom pra ela se ela falar. E pra você, pra saber onde está amarrando seu bode.

— É. Bom, a gente conversa mais sobre isso depois. A gente se vê.

A grande questão era se eu saberia esperar que ela me contasse.

[...]

Felicity e eu tivemos uma boa noite de sono, um ótimo café da manhã e um ótimo sexo matinal. Para minha surpresa, ela me acordara já sem roupa, já em cima de mim... É claro que eu não poderia negar. Depois de uma manhã bem gostosa, decidimos pegar estrada. Felicity insistira em ir direto para a casa dos Lance, dizendo que já sabia o que a esperava por lá e que seria melhor encarar de uma vez. Mas, mais uma vez para minha surpresa, disse que estaria se mudando no domingo, levando suas coisas ao seu novo apartamento e me convidara para “estrear” a nova casa. Eu poderia conviver com isso, com essas insinuações e o sexo. Ah, como poderia.

Uma vez em Starling City, fui direto ao meu apartamento, tomei um longo banho quente e decidi ir até a academia. Meu sócio/melhor amigo/técnico de araque deveria estar surtando por tomar conta sozinho daquilo.

A tarde passou que nem vi. Passei o período todo na academia, resolvendo problemas, atendendo alunos e tentando evitar Tommy a todo custo.

— Você não irá conseguir fugir de mim pra sempre! – Disse Tommy enquanto me seguia pela academia – Hora ou outra teremos que falar sobre Felicity Smoak, rapazinho!

— Melhor amigo, sócio, pior técnico do mundo e agora meu coach pessoal? Quem é você? Meu pai, por acaso?

— Luke, eu sou seu pai! – disse em uma tentativa frustrada de imitar a voz de Darth Vader.

— Você é um idiota

— Não magoe meus sentimentos assim, Oliver Queen, pensei que fossemos amigos! – agora tentava fazer uma expressão de tristeza.

— Vou me arrepender disso, mas ok. Hoje à noite. Verdant. A gente conversa.

Ele era realmente um idiota. Assim que me ouviu, deu um gritinho agudo e pulou em meu colo, caindo na gargalhada logo em seguida.

[...]

Ao entrar na Verdant, me dirigi ao balcão e me sentei em frente ao mesmo. Fiquei observando minha irmã dar instruções à um funcionário, esperei que ela terminasse e então assoviei.

— Ollie! – Ah, aquele sorrisão. Uma das coisas que eu mais gostava em minha irmã, era o sorrisão aberto que ela me dava todas as vezes que me via. – Ai, a Sara me contou que encontrou a Felicity, fiquei tão aliviada.

— Oi, Speedy, eu to bem e você? Como tá? – Ergui uma sobrancelha e ri ao ver minha irmã fechar a cara. – Ta bom, ta bom. Eu a encontrei, ela tá bem, é isso que importa né?

— Isso! – Bateu palmas. – E eu a chamei para vir aqui hoje. Imaginei que ela fosse precisar depois da tarde que teve.

— Como assim? – Ótimo. Thea ganhara minha atenção.

— Pelo que soube, o mesmo de todas as vezes que ela some assim: Gritos e discussões.

— Essa garota é encrenca atrás de encrenca. – Maneei a cabeça em negativa – Desce a rodada, maninha.

— Encrenca... Parece alguém que conheço. – Disse ela, enquanto servia duas doses de tequila. Uma para mim, outra para ela. – Shot! – Anunciou e nós dois viramos nossas doses.

[...]

Esperei por Felicity, mas ela não apareceu. Pensei em ligar para ela, mas fiquei olhando para a tela do celular, ainda bloqueada.

O que está acontecendo comigo? Conheço Felicity Megan Smoak há uma semana. Uma semana! Assim que a conheci comecei a implicar com ela e gostei bastante de irritar a loirinha, mas em tão pouco tempo tudo mudou. Como pude deixar acontecer? Eu sabia que ela era encrenca, decidi me manter longe, e agora, sinto falta dela? Não é o Oliver Queen que eu conheço. É o Oliver Queen que a Beth queria que eu fosse. Um sorriso tomou conta de meus lábios e tudo aquilo desapareceu. Iria ligar para a loira. Desbloqueei meu celular, mas não deu tempo de discar o número, o nome dela apareceu em minha tela em uma chamada, atendi sem demora.

— Já com saudades?

Talvez. Quem sabe?— ouvi sua risada abafada. O barulho deve ter me entregado, porque ela perguntou – Verdant?

— Uhum. Pensei que você viria.

Thea me convidou, mas estou exausta. Amanhã nos vemos?

— Vou pensar no seu caso. – fui presenteado com mais uma risada.

Me liga?

— Claro.

[...]

Na manhã de domingo, acordei o som de uma mensagem recebida em meu celular.

Devolvi o carro alugado. Alguma chance de me ajudar com a mudança?

Sorri feito um idiota e respondi com um “Estou a caminho” antes de me levantar. Tomei um banho, me vesti sem pressa e sai em direção a casa dos Lance.

Assim que cheguei, fui recebido por Donna.

— Oliver! Oi, querido, entra! – Ela me puxava pelo braço – Você veio ajudar a bebê, não é mesmo? Ela já vai descer. Vai entrando, vai entrando!

Sempre achava engraçado o jeito animado e escandaloso de Donna, nunca podia conter um sorriso. Fiz como o instruído e fui entrando.

— Venha, venha. Estão todos lá fora, tomando café da manhã.

Segui Donna até os fundos, onde Quentim, Laurel, Sara e Diggle tomavam café. Cumprimentei todos e não pude deixar de notar os olhares de Quentim e Diggle.

— Querida, continuem, temos que falar com Oliver por um momento. – Quentim disse a Donna antes de dar um beijo em seu rosto e se levantar, acompanhado por Diggle. Os dois se afastaram da mesa e eu os acompanhei até mais próximo da piscina, onde poderíamos conversar sem que as mulheres nos ouvissem. – Oliver, temos que conversar. Muito sério.

Notas finais
hey pessoal! E aí, o que acharam? Vamos lá? ► Primeiro, me desculpem por mais um sumiço. Tem sido uma fase muito complicada para mim, mas, sem minhas histórias tristes aqui, ok? ► As três fics estão sendo atualizadas pessoal! Então vão lá dar uma olhada em The Ugly Truth e Always também!! ► Quanto aos comentários! Eu os li, e pretendo responder a todos se for possível! Se eu não conseguir, saibam pelo menos que os li! ► Mesmo esquema de sempre pessoal, quem quiser falar comigo, @_rairod, twitter e instagram! Vamos que vamos! Este capítulo é totalmente dedicado à linda da Maih Santos, leitora linda que entrou em contato comigo pelo instagram! Muito obrigada pelas palavras, meu anjo!! That's all! Luv ya squad!