Restless Hearts
11 Envelope
Notas iniciais
Segui Donna até os fundos, onde Quentin, Laurel, Sara e Diggle tomavam café. Cumprimentei todos e não pude deixar de notar os olhares de Quentin e Diggle.
— Querida, continuem, temos que falar com Oliver por um momento. – Quentin disse a Donna antes de dar um beijo em seu rosto e se levantar, acompanhado por Diggle. Os dois se afastaram da mesa e eu os acompanhei até mais próximo da piscina, onde poderíamos conversar sem que as mulheres nos ouvissem. – Oliver, temos que conversar. Muito sério.
[...]
[POV Oliver Queen]
Sabia exatamente do que eles queriam conversar: Felicity. Automaticamente me lembrei da minha conversa com Tommy, na Verdant.
[FLASHBACK ON]
— Sério, cara, eu to te dizendo, você está se apaixonando por ela. – disse meu melhor amigo, antes de tomar um gole de sua bebida.
— Talvez. – Movi levemente a mão, balançando o copo e observando minha bebida girar dentro dele. — Tudo muito novo pra mim, e não sei ao certo o que fazer.
— Ah você sabe e sabe bem. – Olhei para ele e o vi sorrir – Lembra daquela noite em que ficamos na casa da Beth? Pois é.... – Assenti, sorrindo. Sabia exatamente do que ele estava falando. A última noite em que nós três passamos juntos, conversando sobre tudo e sobre nada, e Beth, como sempre, tratou de me dar uma bela lição de moral, falando sobre como relacionamentos deveriam ser, sobre como ela achava que eu tinha potencial para ser um grande homem, um homem melhor.
[FLASHBACK OFF]
— Oliver, eu estou muito preocupado com Felicity. – Disse Quentin, desviando o olhar para a mesa em seguida, para então voltar a olhar para mim. – Não estou confortável com ela trabalhando no caso de Beth. Ela é uma pessoa doce, mas também muito fechada quando quer, e não a vi chorar por sua melhor amiga nem sequer uma vez.
— Eu entendo. Se quiser, posso conversar com ela, tentar fazer com que desabafe. – No fundo, eu também estava preocupado com isso. Felicity não podia simplesmente guardar o luto.
— Eu agradeço por isso. – Quentin estendeu sua mão e eu fiz o mesmo, apertando a dele. Ainda segurando minha mão, olhou bem em meus olhos e disse: — Vejo que está se aproximando da minha menina, e se machucá-la, eu te mato. – Sorriu ameaçadoramente, antes de soltar a minha mão e olhar para Diggle, se afastou e voltou à mesa.
Quentin Lance via Felicity como sua própria filha e era natural se preocupar, mas a forma com que falou me fez questionar se ele sabia o que tinha acontecido com ela. Felicity disse que nem ao menos Diggle sabia tudo. Beth e Sara eram as únicas pessoas em que ela confiou. Eu apenas estava começando a conhecer sua história. Felicity não me contara muita coisa e não sei se teria paciência de esperar ela contar o resto. Talvez eu possa descobrir algo antes. E assim me preparar para o que está por vir.
— Oliver, eu tenho mais algumas informações sobre o caso. – Meu pensamento foi interrompido por John, abri a boca para responder, mas ele foi mais rápido: — Amanhã vou te entregar um arquivo, mas tenho uma condição.
— Aposto que sei qual é.
— Você é esperto. Eu não a quero em campo.
— Entendo...
— Não. – Ele me interrompeu, de novo. – Não entende. Mas vai entender. Eu vou te mostrar o quanto ela se machucou e então tenho certeza de que, mesmo você, não vai deixar que ela se arrisque de novo.
[...]
Minha mente trabalhava a todo vapor. Conhecendo Felicity Smoak há tão pouco tempo e ainda assim que me apegara a ela como nunca. Mas é claro que não seria fácil. Ela tem um passado que não conheço, um medo que não entendo, e, bom, sendo sincero, praticamente não a conheço. Ainda assim, sinto como se a conhecesse há muito tempo. Confuso. Pela primeira vez em muito tempo, estou confuso e sem saber o que fazer a respeito. Sem conseguir pensar em outra solução, só posso seguir o que Beth e Tommy me disseram: me deixar levar pelo sentimento.
Estava tão distraído por meus pensamentos, que nem ao menos me dei conta de que não perguntara a Felicity para qual endereço eu deveria ir, simplesmente foi dirigindo para meu apartamento. Quando me dei conta disso, já estava parado na garagem do subsolo. Olhei para o banco do passageiro e a vi, olhando para mim, com um sorriso discreto no canto dos lábios.
— Tenho duas perguntas para você. – Ela disse, enquanto se acomodava melhor no banco, girando um pouco o corpo para ficar de frente para mim. – Primeira, por que está tão distraído? E segunda, como sabia que eu seria sua vizinha?
— O que...? – Balancei a cabeça, tentando organizar meus pensamentos e manter o foco. – Bom, tive uma conversinha com seu pai e Dig, acho inclusive que você vai ouvir um sermãozinho meu a respeito e segundo... vizinha?
Ela soltou uma risada alta e colocou uma de suas mãos sobre minha coxa antes de dizer:
— Não estou ansiosa pelo sermão, mas sua cara de surpresa é impagável. Sim, serei sua vizinha e antes que você me dê seu lindo sermãozinho, você vai carregar umas caixas, bonitão.
[...]
Quando ela disse “vizinha”, ela não estava brincando. O apartamento da loira era exatamente ao lado do meu. Surpresa. Mesmo que eu não tivesse me envolvido com ela, seria impossível ficar longe dela. “Obrigado, Universo”, como diria Beth.
Felicity e eu passamos boa parte do dia colocando o apartamento em ordem. Sara havia ajudado ao esperar os entregadores com os móveis na sexta-feira e quase tudo estava pronto quando chegamos, só tivemos que carregar algumas caixas e malas. Enquanto eu tirava as coisas dos pacotes, Felicity as arrumava, guardando cada coisa em seu lugar. Foi a mudança mais rápida que eu já vira. No final da tarde já havíamos terminado.
— Banho. Preciso de um banho. – Anunciou a loira, se jogando no sofá.
— Banho e comida. – Eu completei, espelhando seu gesto e me jogando ao seu lado. Vi quando seu sorriso se tornou malicioso. – Boa tentativa, mas meu sermão está te esperando.
— Ok, ok. Banho, comida e sermão... – Ela bufou. – Não era isso que eu tinha em mente quando te convidei para estrear meu apartamento.
— Sei bem o que você tinha em mente. – Sorri. Aquele maldito sorriso que ela me tirava toda vez que abria a boca para fazer suas insinuações sexuais. Balancei a cabeça e estendi a mão, pegando a dela e a puxando em minha direção. Sem nenhuma hesitação, ela veio em minha direção ao mesmo tempo em que eu me ajeitava no sofá, encostando minhas costas e minha cabeça no encosto do mesmo, por sua vez, ela ergueu o corpo e se ajeitou em meu colo, colocando suas pernas uma de cada lado do meu corpo. – Se você for boazinha, quem sabe a noite não acabe exatamente como você pensou.
— Hmm, vou pensar em ser boazinha então. – Ela aproximou o rosto do meu, quase encostando nossos lábios. Levei ambas as mãos até sua cintura e as deslizei para cima, levando-as até o meio de suas costas e a puxando para mim, pressionando seus seios em meu peito antes de finalmente sentir seus lábios nos meus. O beijo começou lento, mas intenso. Minha vontade era jogá-la no sofá, prendê-la ali com meu corpo, mas eu sabia que não teria conversa nenhuma se eu fosse por esse caminho. Ela pareceu pensar o mesmo, já que terminou o beijo com um selinho delicado. – Banho, comida, sermão e, quem sabe, sexo.
[...]
Fui ao meu apartamento para tomar banho e trocar de roupa. Minha sagrada calça de moletom cinza. Foi tudo o que eu vesti. Assim que me senti limpo e confortável, peguei o telefone e liguei para o restaurante italiano que eu gostava, pedi por nhoque com molho bolonhesa e dei o endereço, mas com o número do apartamento de Felicity. Fui até minha cozinha e procurei em meu estoque pessoal por um bom vinho tinto. Só então voltei ao apartamento da loira. Assim que entrei a vi sentada no sofá, vestindo um short curto, da mesma cor que minha calça e uma blusinha de alças, branca, que marcava demais aqueles seios. FOCO! Ela sorriu ao olhar para mim, observando enquanto eu me aproximava, deixando a garrafa de vinho sobre a mesa de centro. Me sentei ao seu lado e ela imediatamente veio para meu colo. Mais uma vez, nos beijamos e eu tive que conter minha vontade de foder essa loira no sofá. A ouvi bufar quando o interfone tocou e não contive o riso.
Para minha surpresa, mais uma primeira vez: jantamos sentados no chão, usando a mesinha de centro para apoiar os pratos e ficamos conversando sobre coisas aleatórias até que terminamos com a garrafa de vinho. Eu nunca havia estado nessa situação. Simplesmente desfrutando a companhia de uma mulher, sem segundas intenções – naquele momento, pelo menos -, jogando conversa fora.
Quando finalmente terminamos, Felicity levou a louça para a cozinha e eu me sentei no sofá para esperar por ela.
— Por mais que eu não esteja ansiosa para um sermão, também não quero adiar, então... – Ela dizia enquanto voltava para a sala e se aproximava do sofá. No momento em que ela se sentou, puxando as pernas para cima do sofá e se acomodando de frente para mim, ela disse: — Manda.
— Dessa vez sou eu quem não quer ser interrompido, ok? – Virei um pouco o corpo, para poder observá-la, apoiei minha mão sobre o encosto do sofá e só continuei a falar quando ela assentiu. – Seu pai e John estão preocupados com seu envolvimento no caso. – A vi abrir a boca e lhe lancei um olhar sério. Ela sorriu discretamente e seguiu prestando atenção em mim – Eu não vou ser hipócrita e pedir para que você se afaste, só vou pedir para você tomar cuidado. Eu ainda não entendo o porquê de você ter tanto medo e achar que está envolvida de alguma forma nisso tudo. – A vi abaixar a cabeça e olhar para as próprias mãos. – Hey... – Me aproximei dela e levei uma mão ao seu rosto, fazendo com que olhasse para mim – Não precisa ficar assim. Eu só estou dizendo que é melhor que a gente tome cuidado, só isso. Eu não vou te encher de perguntas, quando você achar que é o momento de me contar o que aconteceu, eu estarei aqui. – Fiz uma pausa, enquanto passava o polegar em seu rosto, limpando uma lágrima que escorrera ali. – Acho que não preciso dizer que isso tudo é novo para mim, então você vai ter que me ajudar, ok?
— Oliver... – a loira respirou fundo, estendeu uma das mãos e a apoiou sobre minha perna antes de falar – Eu sei que todo mundo se preocupa, achando que eu não deveria estar adiando o luto, mas eu preciso, e só vou me dar esse direito quando resolvermos esse caso. Quanto ao que aconteceu comigo... – ela falava rápido, mas nesse momento fez uma breve pausa – Eu vou te contar. Mas é difícil para mim, então eu vou pedir um pouquinho de paciência. Hora ou outra, eu vou falar. Só preciso de um tempo. Agora... – mais uma pausa. Dessa vez, eu não a vira hesitar em nada que falava, não a via desviar o olhar. Ela apenas olhava diretamente em meus olhos e falava tudo com convicção. – Quanto a nós dois... Eu sei que não nos conhecemos direito, e que tudo isso é novo, não só para você quanto para mim também, acredite. Acho que tudo que podemos fazer é deixar rolar. A única coisa que eu vou te pedir a respeito, é que sempre seja sincero comigo. É tudo que eu peço, não mente para mim.
— Vem cá. – Me endireitei no sofá e esperei que ela, mais uma vez, se acomodasse em meu colo. Dessa vez, eu não iria me conter.
[POV Felicity Smoak]
Acordei na manhã de segunda-feira com o som do meu celular tocando. Sonolenta, tateei o criado-mudo ao lado de minha cama, procurando pelo aparelho. Uma vez que o achei, o atendi sem ver quem era.
— Alô?
— Bom dia!!
— Bom dia, Thea. – A ouvi rir do outro lado da linha.
— Me desculpa te acordar, mas é que consegui remarcar nossa reunião com a Palmer Tech.
— Quando? – perguntei, me esticando na cama.
— Agora. Te espero em meia hora na minha sala, querida. Bye!
— Agora.... agora. – Soltei o celular, deixando cair de qualquer jeito no colchão. – Agora!
Ao me dar conta de que teria uma reunião em meia hora, despertei completamente, me sentando rápido demais na cama.
— Agora o que? — Ouvi a voz de Oliver, sonolento ao meu lado. E olhei para ele.
— Ai, desculpa. Tenho uma reunião com sua irmã. Preciso correr. – Me apoiei sobre as mãos e me debrucei sobre ele, dando um beijo rápido sobre seus lábios antes de me levantar.
Corri para o banho, deixando Oliver voltar a dormir.
[...]
Ray Palmer e Thea Queen iriam me deixar louca, sem sombra de dúvidas. Havia aceitado meu novo trabalho como coordenadora de um projeto de Ciências Aplicadas, uma parceria das duas empresas. Eles me bombardearam de informações sobre as pessoas que estavam disponíveis para minha equipe e eu teria de selecionar quais eu queria contratar. Também me passaram várias informações sobre os projetos que seriam desenvolvidos com essa parceria.
Queriam que eu selecionasse a equipe até a semana seguinte para então já começarem os trabalhos. Claro, que ainda por cima, eu teria de ter sistemas prontos para armazenar os dados dos projetos e todo tipo de documento para registrar tudo que for feito. Uma semana era meu prazo. Uma semana. Ótimo! Tiro um dia e faço tudo e ainda me sobram 6 dias para trabalhar no caso de Beth. Esse novo trabalho me resultaria um bom salário e uma boa forma de tranquilizar minha família. Teria que me ater ao que sei fazer melhor para trabalhar no caso de Beth: Hackear e colher informações. Isso manteria meu pai, Dig e até mesmo Oliver mais tranquilos. Oliver. Mais cedo ou mais tarde vou ter que contar a ele o que aconteceu.
Quando a reunião foi encerrada, deixei Thea em seu escritório e acompanhei Ray Palmer para fora da empresa, nos despedimos, dizendo o quanto estávamos ansiosos em trabalhar juntos, todo aquele clichê de sempre e então peguei meu celular. Haviam duas mensagens. Uma de Oliver e a outra de Sara.
“Jantar hoje a noite? “– Oliver
“Lis, queria conversar com você. Podemos?” – Sara.
Respondi Oliver, confirmando o jantar, em seguida respondi Sara, dizendo que eu estava livre e que passasse em meu apartamento depois de sua aula.
Seria bom conversar com Sara. Eu a via como minha irmã e confidente. Ela era a única, agora que Beth se fora, que sabia todos os meus segredos. Queria conversar com ela sobre Oliver. Sobre como me sinto em relação a ele, mas principalmente, queria a opinião dela sobre contar a verdade para ele.
[...]
Uma vez em meu apartamento, tirei a fantasia de mulher de negócios e vesti um short de malha preto, um top azul escuro e uma camiseta branca por cima. Depois de conversar com Sara, pretendia acompanha-la até a academia.
Como ainda não havia abastecido minha geladeira, pedi o almoço em um restaurante ali perto. Indicação de Sara. Comidas saudáveis. “Você não pode viver a base de hambúrguer”, blá blá blá.
Não precisei esperar por muito tempo, minha irmã bateu na porta e entrou em seguida.
— Lis, cheguei! – Anunciou. Quando ela chegou eu estava na cozinha, com uma pequena garrafa de água na mão. Quando a ouvi, deixei a garrafa sobre o balcão e fui até a sala encontrá-la. – O rapaz lá da portaria, disse que deixaram isso lá pra você.
— Pra mim? – Me aproximei de Sara, dei um beijo em seu rosto e peguei de suas mãos um envelope pardo. – Estranho, não me lembro de ter passado meu endereço para ninguém a não ser a família.
— Estranho. Abre, ué. – Ela tirou a bolsa do ombro e a colocou sobre o sofá.
Virei o envelope em minhas mãos e não havia nada além do meu endereço escrito no mesmo. Dei de ombros e o abri. Dentro dele havia uma folha dobrada e um pen drive.
— O que é isso? – perguntou Sara.
— Não faço ideia. – Coloquei o envelope e o pen drive em cima da mesinha de centro e abri o papel dobrado. Arregalei os olhos ao ler o que estava escrito. Tinha consciência de que Sara falava comigo, mas não conseguia entender o que estava dizendo. Senti meus olhos arderem com as lágrimas pesadas que escorriam e de repente, tudo escureceu.
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