Restless Hearts
20 Não podia ser bom
Notas iniciais
[POV Felicity Smoak]
Engraçado como poucos segundos, poucas palavras, podem mudar completamente a forma com que nos sentimos.
Oliver e eu estávamos tão bem. O acordei com a tortura mais gostosa que pude pensar, nos amamos, conversamos, rimos... E então seu celular tocou.
— Queen. – Ele atendeu sem olhar para o aparelho. Seus olhos acompanhavam os meus movimentos enquanto ajeitava o vestido em meu corpo. Até mesmo o vestido de hoje escolhi pensando em Oliver. Era um vestido azul, de alças largas. Justo até a cintura e soltinho, rodado, até o meio das coxas. Ele dizia ser seu preferido. Eu vestia esse quando o vi pela primeira vez. Mas aquela ligação, em segundos, fez com que Oliver mudasse a expressão que trazia no rosto. Parou de sorrir. Chegou a ficar pálido. Alarmado. Já não olhava para mim. – O que aconteceu? – Imediatamente fiquei preocupada. Tentei em vão imaginar o que estava acontecendo. – Junte todos na mansão, Cliff. Estou a caminho.
Cliff. Daniel Cliff. Esse era o nome do chefe de segurança da equipe de Oliver.
Meu coração bateu dolorido em meu peito.
— Oliver? – O chamei enquanto me aproximava. Ele encerrara a chamada. Levei uma das mãos ao seu peitoral e só então ele voltou a me olhar. – O que foi?
— Thea. Ela sumiu. – Ele suspirou, levando uma das mãos ao meu rosto. – Vamos. Temos que ir até a mansão. – Beijou suavemente meus lábios. – Ligue para Palmer no caminho.
E foi o que fizemos. Peguei minha bolsa, colocando dentro dela, minha carteira e meu celular. Oliver pegou sua carteira, celular e as chaves, e saímos as pressas. Já no carro, disquei o número de Ray Palmer.
— Loirinha! Bom dia!— Ele atendeu, alegre como sempre!
— Oi, Ray. – Eu mesma teria me assustado com meu tom de voz, que transparecia toda a minha preocupação. – Você por um acaso não tem notícias de Thea, não é?
— Thea?— Seu tom mudara. Se tornara mais sério. – Não. Por que? Aconteceu alguma coisa?
— Espero que não. Você pode segurar as pontas hoje?
— Claro. Fica tranquila. Mas qualquer coisa, me liga, ok?
— Obrigada, Ray. – Assim que encerrei a chamada, olhei para Oliver, que dirigia sem o menor cuidado. – Ligo para meu pai? Diggle? – O vi assentir, meneando a cabeça apenas. Voltei a olhar para meu celular e liguei primeiro para meu pai.
— Oi, filhota!— Quase sorri ao ouvi-lo.
— Pai... – Tive que engolir em seco. Minha garganta ameaçava a se fechar. Tinha vontade de gritar, tinha vontade de chorar. Mas tinha de manter a postura para encontrar Thea. Não sabia o que tinha acontecido, mas estava tão preocupada...
— O que houve?
— Pode nos encontrar na Mansão Queen? – Fiz uma pausa. – Temos um problema.
— Vou ligar para Diggle e vamos para lá.— Respondeu simplesmente.
O restante do caminho foi silencioso.
Assim que chegamos, Oliver foi diretamente até sua mãe, que chorava sentada no sofá. Observei em silêncio enquanto ele a acalmava e a levava para seu quarto.
Nesses poucos minutos, meu pai e Diggle chegaram.
— Felicity. – Diggle anunciou a presença deles. Me levantei do sofá que estava e corri até meu pai, o abraçando. Quando o soltei, fiz o mesmo com Diggle.
— Senhores... – Oliver voltara a sala. – Alguém pode me explicar o que aconteceu?
Olhei em volta e vi Daniel Cliff e sua equipe de segurança ficarem inquietos.
— Ainda não entendemos muito bem, Oliver. – Era Cliff quem falava. – Ontem a noite, ela estava aqui. Nos disse que hoje de manhã sairíamos um pouco mais cedo, disse para estarmos prontos. Mas hoje, ela não estava mais.
— Quem era o responsável da noite? – Diggle se juntou a Oliver no interrogatório.
— Era eu, senhor. – Um rapaz, mais ou menos da altura de Oliver, quem respondeu. – Como eu disse ao senhor Cliff, não houve nada de estranho. Eu estava em rondas dentro da casa de uma em uma hora. E no restante do tempo, estava com outros dois seguranças, monitorando a propriedade através de câmeras. Não vimos nada.
— Essa manhã, estávamos prontos no horário que a senhorita Queen pediu. Estranhamos que ela estava atrasada e pedimos que a senhora Queen fosse verificar para nós. Ela voltou dizendo que Thea não estava em seu quarto. Procuramos por toda a propriedade. Tentamos ligar em seu celular. E nada. – Cliff tinha vez.
— Minha mãe estava com o celular de Thea nas mãos. – Oliver comentou. Mais para ele mesmo do que para os demais. – Bom, precisamos encontrar minha irmã. – Ele agora olhou de Diggle para meu pai.
— Vou fazer algumas ligações. – Disse meu pai, se afastando em seguida, já retirando o celular do bolso.
— Acho que seria prudente, se aumentarmos a segurança das demais mulheres. – Diggle disse, olhando diretamente para Cliff, que assentiu e retirou o celular do bolso, também pronto para fazer algumas ligações. Diggle se virou para Oliver. – Melhor dar uma olhada no quarto da sua irmã. Até mesmo nos corredores, nas portas de acesso da casa... Seja lá o que aconteceu, deve ter alguma pista por aqui.
— Tem razão. – Oliver passou as mãos pelo rosto antes de respirar fundo e suspirar. – Vamos olhar por aí.
Eu havia ouvido tudo em silêncio, obrigando meu cérebro a registrar todas as informações daquela conversa. Tinha de “ligar” meu lado consultora. Precisava ajudar a encontrar Thea. Algo dentro de mim gritava que não seria nada fácil. Mas aparentemente eu estava errada.
O som do meu celular tocando chamou minha atenção. Abri minha bolsa e retirei o aparelho dali.
Número restrito.
— Felicity, você vem? – Ouvi a voz de Oliver. Olhei em sua direção.
— Vai na frente. Só vou atender essa ligação. – Forcei um sorriso, sem certeza de que Oliver iria engolir o mesmo. Mas ele apenas assentiu e saiu com Diggle. Atendi a chamada – Alô?
— Felicity Smoak.— Conhecia aquela voz, mas não conseguia me lembrar de onde, quem era o dono dela. Falou meu nome de forma arrastada. Imediatamente pensei que eu era a culpada do desaparecimento da minha cunhada. – Que delicia ouvir sua voz de novo. – Não conseguia pensar direito, o medo ameaçava a me dominar. – Acredito que você queira vir até mim.
— E por que eu faria isso? – Respondi de forma automática, instintiva. Mas me arrependi ao ouvir a resposta.
— Se não, serei obrigado a me divertir com Thea Queen.— Ele riu. Uma risada forte. Amarga. Que fez com que um arrepio percorresse meu corpo. Ouvi um som estranho, quase um estralo, para então ouvir Thea gritar.
— Não a machuque! – Tive de reunir toda minha força de vontade para não gritar. – O que quer?
— Que seja boazinha e venha até aqui. Sozinha. — Fez uma pausa. – Se avisar ao seu namoradinho ou qualquer um, eu a mato. Ela vai morrer por sua causa.
— Pra onde vou?
— Boa garota. Vou te mandar o endereço.
Eu sabia que o certo era avisar Oliver, meu pai, Diggle.... Mas não o fiz. Obedeci ao que me foi dito ao telefone.
Eu tinha certeza de que não era Nate. Eu ligaria a voz a pessoa. Eu conhecia aquela voz, mas por mais que eu me esforçasse, não conseguia lembrar de quem era.
Eu já tinha em meus ombros o sentimento de culpa pela morte de uma amiga.
Beth. Eu me culpava pela morte de Beth.
Não queria que por minha culpa outra amiga morresse. Não deixaria que isso acontecesse com Thea.
Eu iria até ela. Faria com que fosse solta. E depois lidaria com o que quer que acontecesse depois.
— Senhorita Smoak? – Olhei em direção aquela voz. Cliff. – Está tudo bem?
— Sim, Daniel. – Me levantei do sofá. – Estava apenas pensando. Tentando encontrar uma forma de ajudar. – Balancei a cabeça levemente. – Acho que não estamos enxergando alguma coisa. Pode dar mais uma olhada nos fundos da propriedade? – Sugeri, já elaborando em minha mente, meu caminho para fora da mansão. O vi assentir e forcei um sorriso. Senti o celular vibrar em minhas mãos e o ouvi apitar, anunciando que uma mensagem chegara. Li o endereço e o memorizei. Em seguida, encerrei todos os aplicativos que estavam abertos e desliguei meu celular, o colocando sobre a mesa de centro.
Mais cedo ou mais tarde, Oliver encontraria a ligação e a mensagem.
Ele iria até Thea. Até mim.
Sobre a mesa, estava as chaves do carro de Oliver. A peguei. Não era apenas uma forma de chegar até o endereço. Era mais uma forma de Oliver me encontrar. Através do GPS do seu carro.
Saí da mansão. Fui andando, como quem não queria nada, até o carro de Oliver.
O destranquei e abri a porta. Ia entrar, quando....
— Senhorita Smoak? – Ouvi a voz do rapaz que passara o período da noite encarregado da casa. – Vai a algum lugar? Devo acompanha-la?
— Não. Não será necessário. – Forcei meu cérebro a inventar uma desculpa. – Só vou circular a propriedade, ver se deixamos escapar algo. Em poucos minutos estarei de volta.
Ele engoliu minha desculpa, por incrível que pareça.
Me apressei a entrar no carro e dar partida, acelerei e saí da mansão, em direção ao endereço que recebi.
Era um endereço em um bairro afastado. Um prédio abandonado.
A mensagem dizia que eu deveria subir ao último andar.
Aquilo não podia ser bom.
Fale com o autor