Restless Hearts
21 Esperando pelo pior
Notas iniciais
Me apressei a entrar no carro e dar partida, acelerei e saí da mansão, em direção ao endereço que recebi.
Era um endereço em um bairro afastado. Um prédio abandonado.
A mensagem dizia que eu deveria subir ao último andar.
Aquilo não podia ser bom.
[...]
Felicity Smoak
Eu sei que deveria estar com muito medo. E eu estava. Mas não por mim, por Thea.
Uma vez que ela estivesse em segurança, eu poderia me permitir a ficar com medo por mim. Mas não antes disso.
Pelo mesmo motivo pelo o qual eu não poderia chorar pela morte de Beth antes de prender seu assassino: eu me desfaria em pedaços.
Não podia, nesse momento, sentir medo por mim. Porque se eu o fizesse, não conseguiria pensar com clareza e eu precisava na minha mente funcionando a todo vapor para tirar Thea daqui. Não poderia esperar por ajuda. Não poderia esperar por Oliver.
Oliver. Fechei os olhos por um segundo e senti meu coração martelar em meu peito.
Abri os olhos e respirei fundo antes de entrar no prédio abandonado à minha frente.
Estava escuro, cheirava a poeira e lixo. Segui andando devagar, tomando cuidado ao olhar por onde andava, até encontrar as escadas. Subi em ritmo moderado, com uma de minhas mãos no corrimão e olhando para cima a todo instante. Topo, preciso chegar ao topo. Último andar. Thea estava lá. Com ele.
Por mais que me esforçasse, não conseguia ligar a voz conhecida à um rosto. Até que, por fim, cheguei ao último andar e o vi, sob a pouca luz que entrava no ambiente pelas janelas.
Parei de andar, fixando meus olhos no homem que sorriu, maliciosamente ao me ver.
[Flashback on]
Ele apertou minha bunda com ainda mais força e se levantou comigo em seu colo. Ao fazer isso, deixou sua intimidade roçar a minha e eu pude perceber o quanto estava excitado com meu joguinho. Mas não estava dando muitos frutos para mim até o momento. Ele precisava começar a falar ou estaria perdida.
— A ponto de Starling City ser a minha cidade. – Forçou meu quadril para baixo, fazendo nossas intimidades de chocarem mais uma vez. Se aproximou da cama e me jogou ali, deitando-se por cima de mim em seguida. – E você, Megan, já foi mais inteligente até onde eu sei.
Arregalei os olhos ao ouvi-lo me chamar de Megan. Seu sorriso agora era malicioso. Apoiei meus pés no colchão a fim de forçá-los ali e ter impulso para tirá-lo de cima de mim. Mas assim que tentei me movimentar, ele encaixou uma perna entre as minhas e me golpeou com o joelho em meu ponto sensível. Meu grito foi abafado por sua mão em minha boca, mas em instantes sua mão apertava meu pescoço com certa força.
— Eu não tenho mais certeza se vou entregá-la a ele. – Seu rosto estava muito próximo ao meu, seus lábios roçavam minha pele sobre a bochecha, em seguida por meu queixo e por fim por meu pescoço. – Acho que vou fazê-la minha.
[FlashBack Off]
Hell Night Club. Foi lá que eu ouvira sua voz. Ele sabia quem eu era. Pisquei os olhos rapidamente, tentando fazer minha mente funcionar, tentando encontrar algo em minha memória que me dissesse quem era ele. Então me lembrei da pequena infração federal cometida por mim a pedido do FBI em frente a meu pai: David Bass. KM. Arregalei os olhos.
— Já conseguiu me identificar, Megan? – Sua voz e seu sorriso eram maliciosos. Meu nome saía de sua boca em tom ácido. – Sabe por que estou aqui? – Não conseguia falar. Estava em choque. E ele parecia estar se divertindo com isso. – Ele a quer.
— Nate. – Minha voz saiu em tom tão baixo que mal passava de um sussurro. Ouvi David rir baixo enquanto se aproximava de mim. – Você vai me entregar para ele.
— Ainda não... — Se aproximou e parou a poucos centímetros de mim. Senti sua mão tocar meu queixo e erguer meu rosto, me forçando a olhar para ele. – Vamos nos divertir primeiro.
Afastou sua mão de meu rosto e a levou ao meu braço, onde me segurou com muito mais força que o necessário e me puxou pelo ambiente mal iluminado. Me forcei a olhar em volta.
Era um ambiente aberto, sem paredes a não ser pelas 4 laterais do prédio. No meio do espaço, havia uma mesa de madeira e uma cadeira. Na cadeira, pude ver Thea, amarrada com os braços para trás. Thea. Temia por ela.
— Agora, você vai ser boazinha ou serei obrigado a me divertir com a pirralha ali. – David cuspiu as palavras antes de me empurrar contra a mesa. Bati na mesma e caí ao chão, meu grito fora sufocado pela falta de ar causado pelo impacto do meu corpo com a mesa.
Olhei para Thea ao ouvi-la chorar. Em sua boca, havia uma fita, posicionada ali para funcionar como uma mordaça.
— Podemos começar? – Voltei a olhar para David ao ouvir sua voz. Senti meu corpo estremecer quando ele riu.
[...]
David prendera minhas mãos com uma abraçadeira, uma cinta plástica (“Enforca-gato”), a frente do meu corpo e me arrastara para um canto escuro naquela “sala”. Passou mais ou menos 30 minutos me questionando sobre o que eu sabia sobre a KM, sobre o quanto a polícia ou o FBI sabiam sobre o grupo e o quão perto eles estavam do paradeiro dos membros.
Passei os mesmos mais ou menos 30 minutos enrolando ele com respostas vagas e incoerentes.
Finalmente, ele se cansou.
— Acha que isso é uma brincadeira? – Falava baixo, mas com o mesmo tom ácido. Por algum motivo, esse tom baixo despertou meu medo. – Então nós vamos para a parte divertida.
Me puxou pelo cabelo, me levantando do chão e me arrastando para perto de Thea novamente. Até esse momento, ele não tinha sido agressivo exceto pelo empurrão que me dera quando eu cheguei. Agora, seu corpo, sua voz, seu olhar, tudo naquele homem gritava agressividade. Quando eu estava perto o suficiente da mesa, suas mãos se apertaram em minha cintura e levantaram meu corpo, me colocando sentada sobre a mesa. Em seguida, sua mão se fechou em meu pescoço. Ele me empurrou para trás de forma rude e senti minhas costas se chocarem contra a madeira.
Por um momento, a dor que senti me fez perder o foco. Tanto que eu demorei alguns segundos para entender o som que ouvi. Parecia um estalo, seguido de um grito abafado e choro. Thea. Olhei para o lado e vi que havia golpeado o rosto dela.
— Não! – Minha voz, falhava. – Faz o que quiser comigo, mas deixa ela paz. – Queria poder dizer que minha voz saíra firme, mas não foi o que aconteceu. Minha voz falhava, o medo ameaçava a tomar conta de mim. Me sentei enquanto falava, desajeitada. – Eu falo. Eu falo o que você quiser. – Desci da mesa, encostando meu quadril na madeira para tentar manter o equilíbrio. Nesse momento, eu odiava o fato de estar de salto alto e um vestido. Daria tudo para estar em minhas botas e em roupas mais conservadoras. Porque antes de falar, David olhou para meu corpo todo, de cima a baixo e para meus olhos novamente.
— Ah, eu vou fazer o que quero com você. Mas sua amiguinha ali, vai estar bem aqui, assistindo tudo. – Mais uma vez, seu tom era marcado pela malícia.
Ele se aproximou de mim e em um movimento rápido me afastou da mesa, girou meu corpo e me empurrou novamente contra a mesa. Senti sua mão em minhas costas, me empurrando contra a madeira. Meus braços ficaram presos entre meu corpo e a mesa, sua mão em minhas costas me mantinham naquela posição: meu tronco e meu rosto contra a mesa, meus pés no chão e minha bunda para cima. Arregalei os olhos ao entender o que ele faria.
Ouvi o choro abafado de Thea e olhei em sua direção. Ela se remexia na cadeira, tentando soltar seus braços e balançando a cabeça em negativa, como se pedisse para que ele não fizesse aquilo.
— Thea... – A chamei em voz baixa. – Thea, vai ficar tudo bem, querida. – Eu sabia que minha voz não passava confiança, mas precisava dizer uma coisa à minha cunhada: — Thea, olhe para o lado. Vai ficar tudo bem, só olhe para o lado.
Ouvi a risada de David, o que mais uma vez me fez estremecer. Thea fez o que pedi. Virou a cabeça para o lado e fechou os olhos com força, chorando abafado. Não queria ver o que estava prestes a acontecer.
— Eu disse que você ia ser minha. – Foi tudo que David disse antes de levantar meu vestido com a mão livre e forçar minha calcinha para o lado. Tentei me mexer, queria lutar contra ele. Mas ele forçou a mão em minhas costas e abriu minhas pernas forçando seus pés contra o meu. Eu não disse mais nada, apenas chorava. Em algum momento, imagino que quando eu estava distraída pedindo para que Thea não olhasse, ele deve ter abaixado as próprias calças, porque não demorou para que eu sentisse a glande de seu pênis em minha entrada. Contraí minha intimidade, como se tentasse impedir o que ele estava fazendo, mas foi um erro. Ele forçou seu pênis contra minha entrada e a dor que senti me fez gritar.
O choro de Thea agora era mais alto. Me atrevi a olhar para ela e ela continuava com os olhos fechados. Seu corpo tremia por conta do choro.
Eu mesma comecei a chorar. Sentia as lágrimas grossas escorrendo por meu rosto e a madeira da mesa arranhando toda a porção de pele que entrava em atrito com ela.
David continuava forçando seu pênis dentro de mim. Segurou ali por alguns segundos, que pareciam uma eternidade para mim. Quando ele finalmente levou o corpo para trás, tentei me mexer mais uma vez, tentando em vão impedir que ele continuasse, mas ele seguia segurando meu corpo na mesma posição. Ouvi seu gemido rouco antes que ele voltasse a se mover. Ele era bruto e não estava preocupado se estava me machucando ou não. Apenas continuava a me castigar com investidas brutas. A cada investida, eu sentia minha carne sendo forçada a se abrir. A cada investida, uma dor intensa me atingia.
Não sei em que momento eu passara a não ter reação. Mas eu já não gritava, eu já não chorava, eu já não tentava mais me mexer. Só sentia a dor de cada investida e um líquido quente escorrer por minhas pernas. Só fiquei ali, parada, sentindo meu corpo todo doer e esperando pelo pior.
Oliver Queen
Deixei que Diggle e Lance tomassem a frente. Depois de guiá-los até o quarto da minha irmã e responder suas perguntas de forma completamente automática, deixei que eles examinassem o cômodo sozinhos.
Passei os 15 minutos seguintes tentando tranquilizar minha mãe, dizendo que faríamos de tudo para encontrar minha irmã e trazê-la para casa o mais rápido possível.
Quando minha mãe se retirou, dizendo que estaria em seu quarto caso precisassem dela, me direcionei para a sala de estar. Felicity devia estar nervosa e minha intenção era garantir que ela soubesse que logo íamos encontrar sua cunhada, que tudo ficaria bem. Mas quando cheguei na sala, não a vi.
— Amor? – A chamava enquanto caminhava – Felicity?
— Senhor Queen. – Ouvi a voz de Cliff. – Está procurando pela senhorita Smoak?
— Você a viu? – Questionei, me aproximando do homem.
— Há um tempo, sim. – Ele hesitava em me dizer algo, eu podia ver isso claramente. – Senhor...
— Onde ela está? Cliff, onde está Felicity? – O vi engolir em seco ao perceber que minha postura mudara.
— Não sei, senhor.
— DIGGLE! – Gritei, chamando por John e voltei minha atenção a Cliff – Vai me ser útil de alguma maneira? Se não, sai daqui antes que eu demita você.
— Última vez que a vi, ela estava em seu carro, disse que ia para os fundos da propriedade, ver se encontrava alguma pista. Minutos depois, chequei com o segurança de plantão na área e ele disse que viu o seu carro saindo pelo portão sul.
[...]
Fervendo. Meu sangue estava fervendo.
Agora não só minha irmã como minha namorada precisavam ser encontradas.
Enquanto Diggle entrevistava Cliff, tentei respirar fundo, tentei me acalmar. Felicity era inteligente demais para simplesmente ter saído assim, sem rumo. Não, Felicity tinha um destino em mente quando saiu daqui. Precisava forçar a minha mente a trabalhar e entender que lugar era esse, para onde Felicity tinha ido e por quê.
O desaparecimento de minha irmã não era por acaso. Eu tinha certeza de que o sumiço de Thea tinha relação com o caso no qual trabalhávamos. E se tinha relação com o caso, tinha relação também com a segurança de Felicity.
Felicity.
Thea era uma isca. O alvo era Felicity.
Corri os olhos pela sala novamente, em busca de uma pista. Felicity deixaria um sinal para mim, com certeza. Se fosse apenas a segurança dela em jogo, talvez ela não deixasse nada para trás, porque não ia querer que nos envolvêssemos ainda mais. Mas havia Thea no meio de tudo isso, por isso eu sabia que Felicity deixaria algum sinal para trás.
Seu celular.
Me aproximei da mesa de centro e peguei o aparelho rapidamente. Desligado. Liguei o celular, desbloqueei a tela e demorei 5 segundos para decidir o que abrir primeiro.
Chamadas. Havia uma chamada de um número restrito. Pelo horário, já estávamos na mansão Queen.
Mensagens. Mesmo número restrito. Um endereço.
— Diggle. – Chamei em tom moderado – Temos um endereço.
[...]
Diggle e Lance organizaram a equipe e passavam instruções de como efetuariam o resgate.
Até então não sabíamos quantos criminosos estávamos enfrentando, mas isso pouco importava para mim.
Tudo que importava era trazer minha namorada e minha irmã para casa.
— Queen. – Ouvi o agente Nicholas Spencer me chamar. – Aqui... – Me aproximei dele e pude captar o olhar cúmplice que ele me lançava. – Normalmente, eu não iria contra as regras, mas... Esse caso é especial. Acredito que saiba como usar isso. – Disse enquanto me entregava uma 9 mm. Peguei a arma que ele me entregava e retirei o pente, verifiquei a munição e voltei a montar a arma, ativando a trava de segurança.
— Sei o bastante. – Disse firme enquanto posicionava a arma no cós de minha calça.
— Ótimo. Tenho um plano e preciso saber se está disposto.
[...]
O plano de Nicholas era simples, mas genial.
Diggle e Lance instruíram a polícia para a execução de um resgate padrão.
Formariam um perímetro em volta do prédio e uma equipe entraria pela porta da frente e outra pela lateral, se encontrariam no meio, perdendo tempo de verificar cada andar enquanto subiam para então, quando chegassem ao último andar, verificar a situação e tomar a decisão sobre como efetuar o resgate das duas reféns.
Eu não estava disposto a perder tempo. E Nicholas sabia disso.
Enquanto a polícia verificava cada andar e formava um perímetro, Nicholas estaria no prédio ao lado armado com um rifle de precisão. Jenny faria o mesmo, no prédio do outro lado. Com os dois posicionados assim, e um comunicador, eu poderia saber se existia algum obstáculo em meu caminho, enquanto eu entrava pelos fundos do prédio e subia as escadas sem cerimônia. Eu não pararia por ninguém. Nicholas e Jenny se encarregariam disso. Só precisavam garantir que o caminho estava livre para mim e eu iria até Felicity e Thea.
Tínhamos o local, tínhamos um plano, tínhamos a polícia formando um perímetro... Hora de resgatar minhas meninas.
Fale com o autor