Restless Hearts
13 Maldito!
Notas iniciais
Senti o celular vibrar em meu bolso e o peguei. Sorri, imediatamente quando vi o nome da loira na tela. Atendi.
— Sentindo minha falta? – a ouvi rir do outro lado da linha.
— Na verdade, s... – ela parou no meio da frase.
— Felicity? – tentei chamar sua atenção.
— Ora, ora. Quanto tempo, Megan. – Arregalei os olhos ao ouvir uma voz masculina.
— Chuck.... O que ...? – Sua voz ficou mais distante, ela havia tirado o celular da orelha. – O que tá fazendo aqui?
Olhava desesperado para o pequeno visor acima dos botões do elevador. Precisava chegar até ela. Rápido.
[...]
[POV Oliver Queen]
Quando o elevador finalmente chega ao andar certo, disparo para fora assim que as portas se abrem. Vi a porta do apartamento de Felicity aberta e corro até lá. Podia ouvir as vozes lá dentro, mesmo antes de chegar, mas só passo a prestar atenção quando a vejo. Felicity. Minha Felicity. Deixo minha mala cair perto da porta.
— Oliver. – Ela chama meu nome e se apressa em vir em minha direção. Abro meus braços, preparado para recebe-la e ela se joga em meu abraço. A envolvo em meus braços e a aperto, querendo mantê-la perto de mim. Por um momento, até me esqueço do motivo de eu ter corrido até ali. Mas então...
— Quem é a bola da vez? – Ouço a voz masculina. Solto Felicity devagar e encaro o homem. Bem mais baixo que eu, com os olhos puxados, traços orientais e um péssimo gosto na hora de se vestir.
— Oliver. – Felicity volta a me chamar, colocando sua mão delicada sobre a minha que, só então fui notar, estava fechada em punho. – Deixa comigo. – Disse ela em tom moderado. Então se colocou a minha frente e seu tom mudou completamente, para um tom quase frio, quando falou com aquele cara – E você Chuck, melhor ficar na sua, porque a bola da vez poderia facilmente quebrar você em dois. Agora, dá o fora daqui antes que eu perca a paciência.
— Hey, eu vim em paz. – Disse Chuck, erguendo as mãos. – Sério, Megan. Não devia estar perdendo seu tempo discutindo comigo. Escuta de uma vez o que eu tenho a dizer.
— Ok. Fala. Rápido. – Desviei o olhar de Chuck, e observei Felicity cruzar os braços abaixo dos seios. Voltei a olhar para o imbecil em seguida. Eu observava, bem atento. Felicity pedira para deixar com ela, mas se ele não prendesse minha atenção nos próximos 30 segundos, eu perderia a paciência e faria o que minha loira prometera a ele que eu faria: o quebraria em dois.
— Ok. Não é óbvio? Estamos sendo caçados, Megan.
— O q-que? – De repente, o corpo de Felicity se chocou contra o meu, e tive a impressão de que ela cairia, então a envolvi mais uma vez em meus braços.
— Explica. Antes que eu te arrebente. – Exigi, lançando a Chuck um olhar furioso.
— Simples assim. Estamos sendo caçados e é só uma questão de tempo até que ele a encontre. – Ele fez uma breve pausa e continuou – Eu te achei fácil demais, ele não deve estar muito atrás.
Minha vontade era arrebentar a cara desse imbecil e tirar respostas melhores dele. Mas não poderia. Felicity simplesmente perdera as forças. A senti vacilar ainda mais e duvidava que ela pudesse ficar em pé sozinha, então passei a abraça-la mais apertado, sustentando seu peso em meus braços.
— Quem? Quero o nome. – Exigi mais uma vez.
— O pen drive e a Megan são tudo que você precisa, grandalhão. Eu já vou indo. – Chuck não tirava os olhos de Felicity. Começou a caminhar em nossa direção, já que estávamos perto da porta, e eu a senti tremer em meus braços. Ele só parou de olhar para ela quando enfim saiu.
Ao sair, Chuck bateu a porta e o barulho fez com que Felicity praticamente pulasse de susto. Ela se virou e jogou os braços ao redor do meu pescoço. A abracei apertado, a sentindo tremer.
— Hey, tá tudo bem, eu tô aqui com você. – Eu dizia, baixinho, tentando tranquiliza-la.
[...]
Se eu já não estava de bom humor antes, agora eu estava pior. Mas estava contendo toda minha raiva, porque não queria descontar em Felicity. Muito pelo contrário. Ela realmente despertava em mim um instinto protetor. E vê-la com medo, tremendo, era meu pior pesadelo. A mantive em meu abraço até sentir que ela já não tremia mais, então a guiei até o sofá, onde nos sentamos.
— Oliver, eu... – Ela começou. Eu não queria pressioná-la, mas estava morrendo por algumas respostas, se ela não falasse por livre e espontânea vontade, eu iria pressioná-la, sem sombra de dúvidas. – Acho que não vai dar pra adiar. Vou ter que me esforçar e te contar pelo menos algumas coisas.
— Como, por exemplo, quem era aquele cara? – Ela assentiu, olhando para baixo. – Tudo bem. Toma seu tempo. Mas sim, acho que precisamos conversar sobre o que houve com você.
— Charles Banes. O nome dele é Charles Banes. Nas ruas ele é conhecido como Chuck. – Ela olhou para o lado por um instante, mais especificamente para o notebook em cima da mesa de centro. Mas logo voltou sua atenção para mim. – Ele era meu contato em Las Vegas, pra quando eu precisava de algumas informações sobre o que estava acontecendo na cidade. Foi através dele, que eu acabei conhecendo o grupo com o que eu trabalhei para ajudar o irmão da Beth em um caso. E eles eram...perigosos. Tão perigosos, que uma vez que eu entrei, não pude sair e as coisas fugiram de controle. Chuck foi um dos primeiros a tentar ferrar comigo.
— Como? – Eu sabia que não podia metralhar ela com perguntas, que eu tinha que deixá-la falar, mas estava ficando difícil me conter.
— Eu era uma ameaça pra ele. Ele trabalha com computadores e não poderia arriscar que uma mulher tirasse os clientes dele. E foi exatamente o que eu fiz. Várias vezes. Cada novo cliente que eu trazia pra mim, era um cara que eu ajudava a prender. Mas as coisas fugiram de controle quando o próprio Chuck veio atrás de mim, pedindo ajuda para salvar o chefe dele, porque a polícia tinha conseguido um notebook, e ele não conseguia encontrar. Esse notebook estava comigo.
— Entendo. E quando ele soube disso, ele tentou te ferrar.
— Não exatamente... Ele demorou para descobrir. Porque eu fingi recuperar o notebook e consegui me infiltrar no grupo que estava sendo investigado e...
Felicity parou de falar quando meu celular começou a vibrar em meu bolso. Peguei o aparelho e só não recusei a chamada porque vi o nome de Diggle na tela.
— John... – falei ao atender.
— Oliver, preciso que venha até aqui.
— Estou ocupad...
— Urgente, Oliver. Você vai querer ver isso. Vou te mandar o endereço. – Disse, simplesmente e desligou. Em seguida, recebi uma mensagem de texto, contendo o tal endereço.
— Tudo bem? – Olhei para Felicity ao ouvir.
— Uhum. Diggle precisa de mim. Você vai ficar bem sozinha?
— Vou. Não se preocupa. Vou descansar um pouco.
— Continuamos depois?
— Uhum.
Aproximei meu rosto do dela e colei nossos lábios.
— Venho passar a noite aqui com você. – Informei a ela antes de iniciar um beijo lento. Precisava daquilo. Tinha de sair de perto dela, mas precisava daquilo antes de ir. Levei uma das mãos a lateral de seu pescoço e deslizei a mesma por ali até chegar a sua nuca, alcançando seus cabelos, apertei os dedos ali afim de não deixa-la se afastar. Passava minha língua sobre a dela, intensificando o beijo, cada vez mais. Mantive o ritmo do beijo até que a senti ofegar em meus lábios. Fui parando devagar, terminando com um beijinho rápido em seus lábios.
Era assim que queria me lembrar dela. Perto de mim. Sorrindo. Mas por algum motivo, não conseguia tirar aquela foto da cabeça.
[...]
Cena de crime. Diggle me chamou para uma cena de crime.
Não era a primeira vez que isso acontecia e provavelmente não seria a última também. Como seu consultor, eu o acompanhava várias vezes em cenas de crime, geralmente em casos em que ele achava que precisaria de um cérebro a mais para entender o que aconteceu. Mas na ligação, ele dissera que eu ia querer ver aquilo.
Passei pelas fitas amarelas sem cerimônia. Era conhecido por todos na SCPD, então eles nem se davam mais ao trabalho de verificar se eu tinha autorização para estar ali, simplesmente me deixavam passar e respondiam minhas perguntas sem pensar duas vezes. Eu já tinha colaborado em muitos casos.
Esperava que fosse um caso grande. Estava puto e queria bater em alguém. Quem sabe pegar um bandido não me acalmaria os ânimos. Tentava manter isso em mente para não pensar que Diggle interrompeu minha conversa com Felicity. Ela ia me contar, pelo menos em parte, mas fomos interrompidos. Não dava para negar que isso me deixava ainda mais puto. Mas ok. Vamos a cena de crime.
O endereço que Diggle me dera era de um estacionamento coberto, situado em uma avenida movimentada. Assim que entrei no mesmo, ouvi alguns policiais conversando e pelo que pude entender, haviam descoberto a cena horas atrás. Como de costume, eles processaram a cena, analisando todos os componentes e então me chamaram, antes de remover a vítima e manda-la para autópsia.
— John. – O chamei enquanto me aproximava. Ainda não podia ver a vítima, que parecia estar atrás de um dos pilares.
— Queen. – John se virou e deu alguns passos em minha direção, estendendo sua mão, que eu prontamente apertei, cumprimentando-o. – Se prepara, porque esse vai ser complicado.
— O que tem pra mim? – perguntei, deixando que ele liderasse o caminho até onde a vítima se encontrava.
— Um velho conhecido. – Ele anunciou no instante em que chegamos ao local.
Paralisei. Fiquei olhando para a cena por um bom tempo em silêncio. Absorvendo a informação.
Atrás do pilar, estava nossa vítima.
Havia uma estrutura de ferro, onde nossa vítima estava apoiada. Vestida com um vestido branco, cheio de babados. Posicionada como se estivesse fazendo uma reverencia. Um lenço branco amarrado em uma de suas mãos. Extremamente pálida, mas com um pouco de maquiagem em seus olhos e em sua boca. Parecia uma boneca de porcelana.
The Dollmaker. O Artesão de Bonecas.
Ele estava de volta.
— Oliver. – A voz de John me chamou a atenção. Olhei para ele, que me oferecia uma pasta de arquivos. Peguei a pasta e a abri, mas não prestava muita atenção no que lia. John parecia perceber isso, já que foi falando enquanto eu deveria estar lendo – O nome da vítima é Joanna Black. 28 anos, loira, olhos azuis. Olhando para ela, não te lembra alguém que conhecemos? – Ergui o olhar, voltando a olhar para a vítima. Felicity. Em seguida, olhei para John. – Tem mais, Oliver.
Observei John se aproximar da vítima e só então reparei que ao lado dela, havia uma pequena mesa, com um aparelho gravador de voz em cima, junto com um pequeno bilhete que dizia “Me escute”. John, usando luvas, pegou o aparelho e apertou um dos botões. A voz do Artesão de Bonecas prendeu toda minha atenção.
“Que pele tão bonita ela tem. Todos amam uma linda boneca.— Uma pausa, que ele preencheu com uma risada abafada, para então, com uma frase fazer meu coração disparar: — E nenhuma boneca é tão linda quanto ela... Megan Smoak. “
Com o coração disparado, minha mente começou a trabalhar a todo vapor. Olhava para cada detalhe da vítima, da mesa, do aparelho que ele usara para gravar sua voz. Olhei mais uma vez para a pasta de arquivos, e li atentamente todas as informações escritas ali.
Quando voltei a olhar para John, ele me encarava atento.
— Temos que protege-la. E temos que pegar esse cara. De novo.
— Maldito! – Disse, voltando a olhar para o aparelho que Diggle voltara a colocar na mesa. – Ele não vai nem ao menos chegar perto de Felicity.
— A polícia vai disponibilizar alguns recursos para manter ela segura, mas, Oliver, sua família tem a melhor equipe de segurança da cidade.
— Vou mexer alguns pauzinhos.
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