Restless Hearts
6 Ele sabia quem eu era
Notas iniciais
[POV Oliver Queen]
A pulseira vermelha me dera acesso ao camarote como eu imaginara. Assim que entrei tentei me aproximar o máximo que podia do grupo que vira antes. Aquele cara era suspeito e poderia ser o que faltava para solucionar o caso. Ao me aproximar pude ouvir a forma como tratavam uma das mulheres da casa. Decidi mudar minha estratégia. Felicity iria tentar afastar o suspeito do grupo e seria mais fácil aborda-lo assim. Esperava que ela conseguisse não só afastá-lo como o fizesse começar a falar. Enquanto isso, tentaria uma outra abordagem. Me afastei um pouco e caminhei até o bar dali, pegando outra dose de wisky. A seguir me afastei, olhando em volta distraidamente, até que me encostei à parede na entrada de um corredor. Aquele corredor deveria dar acesso aos quartos. Era de se imaginar que as mulheres da casa não fossem apenas strippers.
Apenas alguns instantes após me encostar ali, vi a entrada de Felicity ser liberada para o camarote. Sua entrada foi fácil. Mulheres e suas vantagens. A observei se aproximar do grupo e afastar o tecido do sobretudo. Não pude ver o que vestia, mas com certeza ganhara a atenção do suspeito, que se apressou a guia-la para um dos quartos. Ao passar por mim, o olhar da loira cruzou o meu por um instante e eu assenti discretamente. Olhei de canto, disfarçadamente para qual quarto o suspeito a levara. Voltei a bebericar meu wisky e fixei o olhar na mulher que vira a pouco próxima ao grupo. Ela notou que eu a encarava e se aproximou.
— Posso ajudar, gostosão? – Sorri de canto com a expressão e a olhei de cima a baixo. Era uma mulher alta, com curvas generosas, cabelos negros e olhos cor de mel. Vestia um vestido vermelho colado ao corpo, muito curto e sandálias da mesma cor. Subi os olhos por seu corpo e meu sorriso se tornou malicioso. Ela entendera o recado. Sua mão tocou a minha e a puxou para seu ombro, enquanto me guiava para o quarto ao lado do qual Felicity se encontrava. Tinha que ser rápido para que a loira não se arriscasse mais que o necessário.
Assim que entrei no quarto, tranquei a porta e virei o restante da dose de wisky, deixando o copo sobre o móvel encostado na parede. Caminhei a passos largos até a mulher e a virei de frente para mim, a puxei contra meu corpo, apertando as mãos em sua cintura. Ela ofegou com a brusquidão e espalmou as mãos em meu peito.
— Qual é o seu nome? – perguntei em tom moderado. Ela olhava para minha boca enquanto eu falava para então olhar em meus olhos.
— Sally.
— Sally. – Repeti, inclinando a cabeça e olhando para seu pescoço e em seguida correndo os olhos por seu busto. – Nós vamos fazer uma brincadeira.
— Q-que brincadeira?
— Você vai fazer o que eu mandar. – Sorri malicioso. Comecei a empurrá-la para trás e ao me aproximar da cama a ergo em meus braços e a jogo ali com brusquidão. Antes que ela pudesse se acomodar, cubro seu corpo com o meu, a prendendo entre o colchão e meu corpo, com as mãos acima de sua cabeça. Mantenho uma das mãos apertada em seus pulsos, a mantendo naquela posição, enquanto levo a mão livre à lateral de seu quadril. Ela me olhava com desejo, com a boca entreaberta. – Você entendeu o jogo, Sally?
— S-sim. – Subia minha mão lentamente pela lateral de seu corpo.
— Sim o que?
— Sim, senhor.
— Ótimo. – Assim que minha mão tocou a lateral de seu seio, ela tenta arquear o corpo em minha direção, mas ao mesmo tempo que aperto seu seio, a empurro contra o colchão. Ela abre a boca e inclina a cabeça. Levo os lábios ao seu pescoço e os roço ali em direção à sua orelha. Quando falo, meu tom é rouco – Agora, vai me falar o que ouviu para ser tratada daquele jeito.
Assim que me ouviu, pude sentir seu corpo ficar tenso e ela tentar se debater. Coloquei minha perna do meio das dela e ergui um pouco, pressionando meu joelho em sua intimidade enquanto minhas mãos apertavam com força seus pulsos e seu seio.
— Me deixa ir. – Ela pediu, com a voz chorosa.
— Me obedeça e pode ir. – Apertei com força seu seio antes de levar a mão ao seu pescoço, apertando com pouca força. – Comece a falar.
[...]
Já perdera tempo demais com essa garota, precisava ir até Felicity. Pressionei os dedos no pescoço de Sally e a vi perder os sentidos. Saí apressadamente da cama e me afastei dela. Destranquei a porta e tirei a chave dali, fechei a porta e a tranquei, levando a chave comigo. Me dirigi até a porta ao lado, torcendo para que Felicity estivesse se saindo bem.
[POV Felicity Smoak]
— Tranque-a. – Mandou. Girei a chave uma vez para frente e em seguida uma vez para trás, fingindo que trancava a porta. Girei o corpo e o vi sentado em uma cadeira ao lado de uma enorme cama. Eram quartos usados para serviços extras das strippers. Quem quisesse vender seu corpo, teria o espaço cedido. – Tire o casaco e se aproxime.
Obedeci, tirando o sobretudo e o jogando para o lado e me aproximando dele em seguida. Parei somente quando estava à sua frente. Ele ergueu uma mão e a colocou na lateral de minha coxa, deslizando a mão por ali até estar sobre a lateral de meu quadril.
“Oliver, cadê você?”, pensava, começando a sentir o medo me dominar.
[...]
Já que Oliver não apareceu ao meu resgate de imediato, como eu esperava que acontecesse para interrogarmos o suspeito juntos, decidi passar por cima de meu medo e improvisar.
Forcei um sorriso de lado ao sentir o moreno subir a mão por minha coxa até apertar os dedos na lateral de meu quadril.
— Você não é da casa. – Ele comentou enquanto levava a outra mão à minha coxa e me puxava para seu colo. Deixei que me puxasse e acomodei-me de frente para ele, com uma perna de cada lado, minhas coxas encostadas nas suas.
— Não, não sou. – Espalmei uma mão em seu abdômen enquanto subia a outra por seu peito.
— Então por que veio até mim? – Ele apertava as mãos em minha coxa.
— Não posso ter me sentido atraída? Você me pareceu ser um homem poderoso. – Minha mão tocava agora seu ombro, em direção à lateral de seu pescoço.
— Gosta de homens poderosos? – Suas mãos subiram por minha coxa, passando por meu quadril até que seus dedos cravaram-se em minha bunda.
— Adoro. Você é poderoso mesmo? Ou estou perdendo meu tempo? – provoquei enquanto roçava minhas unhas em seu pescoço.
— Muito.
— Até que ponto? — Ele apertou minha bunda com ainda mais força e se levantou comigo em seu colo. Ao fazer isso, deixou sua intimidade roçar a minha e eu pude perceber o quanto estava excitado com meu joguinho. Mas não estava dando muitos frutos para mim até o momento. Ele precisava começar a falar ou estaria perdida.
— A ponto de Starling City ser a minha cidade. – Forçou meu quadril para baixo, fazendo nossas intimidades de chocarem mais uma vez. Se aproximou da cama e me jogou ali, deitando por cima de mim em seguida. – E você, Megan, já foi mais inteligente até onde eu sei.
Arregalei os olhos ao ouvi-lo me chamar de Megan. Seu sorriso agora era malicioso. Apoiei meus pés no colchão a fim de força-los ali e ter impulso para tirá-lo de cima de mim. Mas assim que tentei me movimentar, ele encaixou uma perna entre as minhas e me golpeou com o joelho em meu ponto sensível. Meu grito foi abafado por sua mão em minha boca, mas em instantes sua mão apertava meu pescoço com certa força.
— Eu não tenho mais certeza se vou entrega-la a ele. – Seu rosto estava muito próximo ao meu, seus lábios roçavam minha pele sobre a bochecha, em seguida por meu queixo e por fim por meu pescoço. – Acho que vou fazê-la minha. – Meus olhos se arregalaram ainda mais quando seus dentes beliscaram a pele de meu pescoço. Levei ambas às mãos aos seus ombros, cravando as unhas ali enquanto tentava empurrá-lo. A resposta a isso foi uma mordida mais forte seguida de uma risada abafada com os lábios pressionados em meu pescoço. Senti lágrimas grossas se acumularem em meus olhos. Abri um pouco mais as pernas e apoiei os pés no colchão, estendendo um dos braços para o lado com a palma da mão também apoiada na cama e então forcei meu quadril para cima e em seguida para o lado, o forçando a sair de cima de mim. Assim que o fiz, engatinhei com pressa para fora da cama e corri em direção a porta, mas não cheguei a alcança-la. Sua mão envolveu meu braço e me puxou para ele, fazendo meu corpo se chocar contra o seu.
— Acha que pode escapar de mim? Você vai ser minha! – Ele falou alto, cerrando os dentes em seguida.
O que veio a seguir aconteceu tão rápido que eu quase não consegui assimilar, quase não consegui acompanhar. Em instantes, fui arrancada dos braços do moreno e estava sendo empurrada para trás, o que me fez cair sentada no chão. Olhei para ele e o vi levar um soco de Oliver e então mais um e mais um. Não conseguia mais entender o que se passava a partir dali. Em um instante, Oliver batia no moreno, no instante seguinte, me erguia do chão. Senti as lágrimas descerem por meu rosto enquanto uma tontura repentina me atingia.
[POV Oliver Queen]
Nunca reagi tão rápido antes. Em questão de segundos abri a porta, vi Felicity nos braços do suspeito enquanto ele praticamente gritava “Vai ser minha”, atravessei o quarto a passos largos e a tirei dele. Fui tão brusco ao puxa-la que ela caiu. Mas cuidaria disso depois. Passei a disferir socos no suspeito sem nem ao menos pensar no que eu fazia. Assim que o derrubei, virei-me e fui até Felicity. A puxei pelos braços, a colocando de pé, mas ela parecia estar com dificuldade em se manter assim. Passei um braço por sua cintura e a guiei para fora daquele lugar. Precisávamos sair dali e rápido. Segui segurando a loira pela cintura, a mantendo em pé e a forçando a andar. Não tivemos maiores problemas para sair do local. A levei até meu carro e a encostei na lateral, me encostando nela em seguida para que ela não caísse. Tirei meu blazer e o vesti nela. Segui encostado nela enquanto segurava seu rosto com ambas as mãos.
— Felicity? – Ela focalizou o olhar e olhou para mim, parecia assustada. – Você está bem? Ele te machucou?
— Só... – ela balançou a cabeça, em negativa. – Me tira daqui, por favor.
Me apressei em ajuda-la a entrar no carro e em seguida fiz o mesmo, dando partida rapidamente e saindo as pressas dali.
Comecei a ficar preocupado. Felicity começou a tremer e puxou os pés para cima do bando, abraçando seus joelhos.
— Hey.. – Ela não olhava para mim. Apenas se mantinha naquela posição, abraçando a si mesma e tremendo muito. – Felicity?
Merda! Passei a dirigir em uma velocidade ainda mais alta. Não podia leva-la para casa nesse estado, Quentim iria me matar. Diggle tampouco ficaria feliz em vê-la assim. Eu teria que cuidar dela.
Entrei no subsolo do prédio e estacionei o carro em minha vaga. Desci e dei a volta, abrindo a porta para Felicity.
— Hey, vem comigo. – Levei a mão em seu braço e a tirei dali com cuidado. Tranquei o carro e a levei para o elevador. Ela estava em choque. Apenas me deixava guia-la, não falava nada. Assim que chegamos ao último andar, a tirei do elevador e a guiei para meu apartamento.
A levei para o sofá e a sentei ali com cuidado. A visão era de cortar o coração: Lágrimas escorriam por seu rosto, seus olhos levemente arregalados, seu corpo tremendo.
Me sentei ao seu lado e levei uma mão ao seu ombro.
— Felicity? Fala comigo. – Ela virou o rosto para me olhar e respirou fundo. – O que aconteceu?
— Ela... – Fechou os olhos por um instante e então mais lágrimas escorreram por seu rosto ao voltar a olhar para mim – Ela pode ter morrido por minha culpa.
— Do que está falando, Felicity? – Franzia a testa ao olhar para ela. Passei a afagar suas costas.
— Ele sabia quem eu era, Oliver. – Ela mordeu o lábio inferior e meu olhar se prendeu em sua boca enquanto fazia isso. – Ele me chamou de Megan.
— Megan?
— Felicity Megan Smoak. – Ela encolheu os ombros e voltou a tremer.
— Hey. – Me aproximei um pouco mais e ela voltou a me olhar. – Nós vamos dar um jeito.
A atitude que ela tomou a seguir, me surpreendeu e me deixou de guarda baixa. Ela virou seu corpo e encostou a cabeça em meu peito, envolvendo meu pescoço com um de seus braços. Fiquei sem reação à primeiro instante.
— Não me deixa sozinha hoje. – Fechei os olhos ao ouvir sua voz chorosa. A envolvi em um abraço apertado. Eu não sabia consolar ninguém, eu não sabia como lidar com essa situação. Eu não era conhecido por ser gentil. Mas com Felicity eu não precisava pensar no que fazer. As respostas me vinham naturalmente e eu estava começando a me preocupar com isso. Eu já tinha me convencido que Felicity era problema e que eu não poderia ter nenhum contato mais intimo com ela. Iriamos trabalhar juntos no caso e então cada um pro seu lado, esse era o plano. Mas essa loirinha não facilitava as coisas.
A mantive em meu abraço por um tempo e então percebi que sua respiração estava profunda. Afastei um pouco o rosto e vi que estava dormindo. Balançando a cabeça em negativa, deixando um sorriso tomar meus lábios.
A ergui em meus braços e a levei com cuidado para meu quarto. A deitei na cama e me encarreguei de tirar o blazer que havia vestido nela, em seguida as botas. Parei por um instante, a olhando de baixo a cima. Não era pra menos que o suspeito tinha ficado louco por ela. Aquele shorts não cobria metade de sua bunda e aquele espartilho ressaltava demais seus seios. Balancei a cabeça. Essa garota vai me fazer perder a cabeça qualquer hora! Tentando não prestar mais atenção que o necessário, tirei suas roupas e a vesti com uma camiseta minha. Em seguida puxei a coberta sobre ela e me afastei somente o necessário para tirar minhas roupas e vestir apenas uma calça de moletom. Voltei para cama e me sentei na beirada.
[...]
Não sei quanto tempo passou. Seguia sentado à beirada da cama, ao lado de onde Felicity dormia.
Inclinei o corpo para frente, apoiei os antebraços nas coxas e cruzei os dedos das mãos. Olhava para frente, pensando no que Felicity dissera.
O suspeito a havia chamado por seu segundo nome e a feito pensar, por algum motivo, que Beth morrera por causa dela. Isso havia derrubado sua máscara. Ficou nítido que Felicity tentava manter a postura, mas pensar que sua melhor amiga morrera por sua causa a tinha feito desmoronar. Eu não entendia o que estava acontecendo.
A garota, Sally, ouviu demais de uma conversa. E claro, como pedi com tanto jeitinho, acabou entregando que ouviu que um deles tinha feito contato com ele e que ele dissera que quer a garota. Essa garota era Felicity então? Isso estava ficando perigoso. Agora eu teria de usar a cabeça e não agir por impulso, ou a loira estaria em problemas. Também não poderia mais deixa-la se arriscar dessa forma. E apesar de tudo isso, eu não sabia o que fazer a seguir.
Senti a cama balançar quando Felicity se mexeu. Ela se sentou muito rápido, com os olhos arregalados.
— Hey, hey, está tudo bem. – Eu disse, colocando a mão sobre a sua no colchão. Ela olhou para mim e em seguida fechou os olhos, respirando fundo.
— Pesadelo. – Voltou a abrir os olhos. Olhou para baixo e franziu a testa. – Você me trocou?
— Aquela roupa não parecia confortável. – Tirei a mão da sua e me virei para frente novamente. – Não se preocupe, não fiz nada demais.
— Eu sei. – Voltei a olhar para ela ao ouvi-la.
— Sabe?
— Sei. – Ela mordeu o lábio inferior, pensativa. Então voltou a olhar para mim. – Você poderia... ?
— O que?
— Não... Deixa pra lá. – ela voltou a se deitar.
— Felicity? – Ela me olhou enquanto se encolhia embaixo da coberta. – Vou ter que perguntar? – Ela ficou calada e eu a encarei, sério. – Felicity!
— OK, ok, não precisa me olhar assim. Só ia pedir uma coisa idiota.
— Felicity, não me faça perder a paciência!
— Ia pedir para que se deite comigo. – Seu tom era baixo e assim que disse isso, puxou a coberta até a altura de seu nariz.
— Peça. – Observei sua reação. Ela tirou a coberta do rosto e olhou para mim com os lábios entreabertos.
— Deita comigo? – Ela me olhava fixamente, avaliando minha expressão. Abriu a boca para dizer mais alguma coisa, mas eu a interrompi antes que pudesse falar.
— Vá para o lado. – Mandei enquanto me levantava e erguia a coberta. Ela me obedeceu. Devo admitir que estava gostando desse jogo. Me deitei ao seu lado e ajeitei a coberta. Olhei para ela e ela me olhava atentamente.
— Posso? – Sua voz não passava de um sussurro.
— Venha. – Mantive o tom imperativo. Tentei manter a expressão séria mesmo quando vi um sorriso em seus lábios. Ela se aproximou e repousou a cabeça em meu peito, colocando uma mão ali também. Passei um braço por seus ombros e levei a mão até a sua sobre meu peito.
Uma sensação boa me atingiu, uma tranquilidade. E então toda a agitação e todos os pensamentos nos quais meu cérebro trabalhava sem parar até instantes atrás, me escaparam. Não precisei de muito mais que poucos instantes para sentir o cansaço falar mais alto e a sonolência tomar o lugar da agitação.
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