Rest in Peace

6 Dormindo com o inimigo


Notas iniciais
Posso contar com a opinião de vocês no final do capítulo? AHUSHAUSUHA abraços pra quem está lendo (não estou divulgando, então fico feliz com o resultado mínimo que está tendo aqui)

– Espero que não cometa os mesmos erros. – disse a voz de um jeito ríspido.

– Já disse chefe: eu não sei o que fez a infecção se alastrar. Eu não liberei nenhum Teleopodino para a cidade, eu juro! – disse Pablo choramingando.

– Ok, dane-se. Você atrapalhou meu plano e muito, agora para de choramingar a merda já foi feita. Tive que fechar as estradas por causa disso, sabia que eles vão suspeitar... Enfim, apenas faça certo Pablo.

– Pode deixar.

*** *** *** *** *** ***

Emily quase não chorou pelo seu amigo, mas no fundo, tinha ficado realmente triste. Dentro daquela sala, ouviam-se os gritos daquele homem que mais parecia uma forma de comunicação com os outros, pois, à medida que gritava mais deles iam chegando. Aos poucos iam cercando o prédio e entrando pelas janelas quebradas.

– Precisamos achar um lugar para se proteger! – sugeriu July.

– Caramba! Olha aquilo, precisamos sair daqui já! – disse Mike.

O “aquilo” na verdade era um grupo de canibais que vinham por uma enorme janela quebrada, corriam em direção do trio que ficava feito bobo, sem reação. Presa fácil para aqueles esfomeados. Decidiram correr dali. Correram, mas não adiantou mais na frente outro grupo de canibais se aproximava.

Porcaria! – gritou July.

– Eu não quero ter o mesmo fim de Joe! – gritou Emily assustada.

– Calma, você não vai, vamos todos ficar bem... – disse Mike acalmando-as.

Um pouco mais à frente, tinha uma sala cuja sua porta estava escancarada. Eles estavam quase que cercando o grupo quando Mike tem a brilhante e obvia ideia de se esconder naquela sala mais à frente. Sem dúvidas eles caminham depressa para a sala que em uma plaquinha colada à porta estava escrito “sala de monitoramento”. Trancaram a sala depressa e se afastaram da porta. As criaturas começavam a arranhar a porta.

– Estamos seguros aqui, pelo menos por enquanto. – disse Mike.

– Será que eles não vão arrombar a porta? – perguntou Emily sempre assustada.

– Não... Acho que não. – pausa. – Não são tantos, devem ser uns vinte pra falar a verdade.

– Ok, agora me conta tudo o que aconteceu... O que está acontecendo?! – perguntou Emily.

– Conte-me você primeiro: quem era aquele homem? – rebateu Mike.

Emily revira o olho e puxa uma cadeira de rodinhas e se senta. July pôs se a sentar-se à mesa mesmo enquanto Mike ficava em pé, encarando-a. Ela espera um minuto parecendo procurar palavras para contar quem era o tal homem e decide contar:

– Aquele cafajeste mentiroso? É o Pablo. Ele se diz o representante do diretor do laboratório que na verdade é o Miguel. Eu não acreditei muito nisso... O Pablo tinha dado uma entrevista um pouco mais cedo na praça e como eu não acreditei em nada eu vim aqui junto com Joe para gravar a verdade... Foi a maior burrice que eu já fiz na vida. – disse Emily cabisbaixa. – E enquanto a você, agora me responda, o que está acontecendo?

– Aquelas pessoas correndo, aquele homem que mordeu seu amigo e o seu amigo... Eles não são mais humanos. Eu não sei direito isso, mas eu sei que eles são perigosos... E que tudo isso começou aqui, no laboratório MOON! – respondeu Mike.

– Então foi assim que Joe se transformou... Por causa de uma mordida? – sussurrou Emily para si mesma.

– Não é uma mordida comum, é uma mordida especial... Eles são infectados por um vírus e esse vírus o mata e depois revive como a pessoa já está morta, não adianta perfurar seu coração ou metralhar o seu corpo porque ela não vai morrer de novo. – disse July.

– A menos que você dê uma forte pancada em sua cabeça ou destrua seu cérebro, pois é lá onde o vírus se instala, sendo assim, tudo estará resolvido. – completou Mike.

Eles ficaram alguns minutos conversando sobre a vida deles, aproveitando que estavam sem fazer nada naquela sala. Emily contou que gostava de praticar esportes radicais e amava sua profissão de repórter. Mike, que tentou evitar ao máximo sua mulher no meio da conversa, falou que quando menino fugiu de casa com sua mãe e cresceu nas fazendas de seu avô que depois foi herdada por ele. E assim prosseguiu a conversa, até que o agricultor começou a fuçar por toda a sala, e Emily, curiosa, perguntou o que ele tanto queria.

– Eu estou buscando algum celular, ou telefone. Preciso falar com meu irmão... Preciso saber se ele ainda está vivo. – respondeu Mike.

– Porque não falou antes, aqui, meu celular. Pode ligar pra ele. – disse Emily entregando à Mike seu celular.

O fazendeiro discou os números e esperou até que atendessem. Esperou... Esperou... Caixa postal. Tentou novamente... Um toque... Dois toques... Enfim atendem. Uma voz feminina aparece do outro lado da linha, Mike fica mais calmo sabendo que estava tudo bem.

– Alô? – perguntou a mulher.

– Alô, Helena? – disse Mike.

– Oi, sou eu sim, Mike? – perguntou Helena.

– Sim... Sim... Helena, meu irmão está? – perguntou Mike.

– Não, ele foi agora mesmo para uma pescaria com o pai e seus amigos! Ele está bem contente, disse que irá amanhã aí à fazenda. Eu estou doido para ver vocês, estou com saudades da July do...

– Escuta Helena. – interrompeu Mike. – Você precisa se esconder em casa bem escondida. Fique lá e não saia pra rua entendeu? Não saia de casa!

– O que está acontecendo? – perguntou Helena assustada.

Antes que Mike pudesse responder, ouvi alguns barulhos do lado de fora da sala. Alguns tiros e umas vozes gritando rigidamente. Ele deixa acidentalmente o celular cair e desmontar no chão fazendo com que Helena, do outro lado da linha, ficasse assustada e confusa.

As vozes iam se aproximando e mais tiros iam sendo disparados. Os passos ecoavam no corredor. Emily e July estavam assustadas. Mike olhava pelo buraco da fechadura, mas só via uma sombra que aproximava aos poucos.

– Sabemos que vocês estão aí! Apareçam. – gritou um homem cujo sua voz tinha um tom grosso.

– Não viemos fazer mal algum a vocês! – gritou outro homem.

– Verifique nas salas Leonardo, eu e Martin vamos procurar por ali. – disse o homem da voz grossa.

O suposto Leonardo começou a procurar nas salas até que bateu na porta da sala de monitoramento. Em um movimento de susto e reflexo, Emily se estremece e acaba derrubando alguns objetos sob a mesa.

– Oi? Olá? Tem alguém aí? Eu estou aqui para ajudar vocês, sou da polícia. – disse a voz masculina.

– Vamos gente, ele é nossa ajuda. – sussurrou Mike.

– Não sei não... – desconfiou July.

– Duvido muito que ele seja policial de verdade. – disse Emily. – Vai ver foi o Pablo que enviou eles para nos matar.

– Vim salvá-los. – disse ele novamente. – Sou da polícia. Estou ao favor de vocês. Eu estou aqui para ajuda-los. Temos um carro e podemos tirar vocês daqui. Confie em nós, sei que vocês estão aí.

Então Mike pede para July se afastar da porta. Ele coloca a espingarda em uma mão, estica a outra para girar a maçaneta. Abre a porta rapidamente e posiciona a espingarda mirada no corpo de Leonardo:

PARE! NO CHÃO! – gritou Mike.

– Calma! Calma! Nós viemos ajuda-lo. Um homem pediu para que prendessem vocês, pois estavam invadindo a propriedade. – explicou Leonardo. – Eu sou Leonardo... Leonardo Johnson.

– Ah! É claro, veio nos prender e está a favor de nós? – disse Mike sempre em um tom ríspido.

– Não é muito bem assim... Vimos que o lugar tinha algo além de vocês e resolvemos investigar. – disse um homem de voz grossa parado no final do corredor.

Então veio mais um homem. Um homem tinha aparência de velho, cabelos grisalhos, ombros largos, pele clara, tinha uma cicatriz próxima o olho — era o homem da “voz grossa”. Já o outro, era um magrelo. Todos eles vestiam o uniforme da polícia militar. Não podia eles fazer-lhe mal algum.

– Oh! Vejam onde estão os ratinhos. – disse Martin rindo.

– Ele está falando a verdade, viemos apenas para ajudar. – disse o homem da “voz grossa”

Mike fica parado com a espingarda mirada em Leonardo por alguns instantes até que depois de um bom tempo decide abaixa-la.

– Foram mordidos? – perguntou Martin.

– Não. – disse Mike.

– Mas são apenas três... Não eram quatro? – perguntou Leonardo.

Todos olharam para o chão. Surgiu um silêncio. As batidas ficaram mais fortes, mais suspiros. Os passos pareciam mais agitados. Logo, os policiais entenderam o que tinha acontecido sem eles dizer meia palavra.

– Deixe me apresentar. – disse o homem da “voz grossa”, tentando mudar o assunto. – Sou Pedro Oliveira, e aquele dali é Martin Machado. Acho que já conhecem o Leonardo, certo? Bem precisamos ir. Muitas coisas mudaram nesse tempinho em que vocês tiveram aqui.

– Coisas de que tipo? – perguntou Emily.

– Do tipo... Muito ruim. – disse Pedro. – Temos registros agora em quase todas as cidades do país, do mundo. Muitas pessoas estão morrendo por eles. Precisamos ir quanto antes. Esses monstros vão nos achar aqui cedo ou tarde... – a porta em que as criaturas batiam até então estava sendo arrombada.

Pedro parou imediatamente de falar. Todos olharam sem reação para a porta. Ela fez um “creck” como se estivesse sendo desbloqueada. No final do corredor, passos e mais passos, suspiros e mais suspiros... Canibais!

– Acho que já nos acharam. – disse Mike.

– Porcaria... Vamos, precisamos chegar ao carro! – disse Martin.

– Venham me siga. – disse Leonardo.

Leonardo seguiu na frente e depois os três e atrás os dois policiais. Esses canibais pareciam ser mais rápidos que os que atacaram a família de Mike. Em pouco tempo já estavam na cola dos policiais que decidiram usar suas armas para disparar contra os mesmos. A viatura dos policiais estava a um quilômetro de distância. Entrou depressa Leonardo e Emily nos bancos da frente e os Clarks no banco traseiro. Martin e Pedro tinham ficado um pouco para trás já que tiveram que usar suas armas o que acabou atrasando-os. Continuaram a correr até que em um descuido Pedro escorrega em uma poça de sangue e bate o queixo no chão desmaiando imediatamente. Martin ficou sem saber o que fazer, começou a puxa-lo, mas os canibais se aproximavam, era arriscado.

– MARTIN VENHA! – gritou Leonardo no carro.

– Não posso deixar o Pedro aqui, isso não se faz! – gritou Martin continuando a puxar Pedro.

– Anda você não vai conseguir! – gritou Emily.

Alguns canibais pararam e começaram a abrir o policial Pedro que estava jogado no chão inconsciente. Eles comiam seu fígado, retiravam seu intestino, arrancavam seus membros... o policial naquela hora tinha virado ensopado. Martin não teve muita escolha, tinha que correr. Todos já estavam no carro, fecharam a porta por segurança e esperaram, ansiosos, pela chegada de Martin. E no último segundo quando já ia abrir a porta, um canibal avança em cima dele fazendo cair no chão, mas antes que ele mordesse-o, Emily abriu a porta da frente golpeando a criatura. Jogou-se no colo de Emily antes que tivesse o mesmo fim que Pedro.

Leonardo pisou no acelerador e seguiu por um caminho que, segundo ele, levaria a um grande portão. Era um grande portão cinza de ferro, tinha uns 7 metros de altura e 15 de comprimento. Mike saiu do carro para empurrar o portão. Ao olhar para trás, viu que vários zumbis estavam chegando, não dava tempo de fechar o portão. Os monstros seguiram o carro, mas não conseguiam sequer tocar pois eram bem mais rápidos. Depois da confusão Martin passou para trás, onde tinha mais espaço, até porque não seria muito confortável e nem agradável ficar no colo de uma mulher que nem conhece.

18:00 – 23/09/2016 – Weekstreet – Estrada 214

Leonardo havia contado tudo que tinha acontecido; várias cidades estavam sofrendo esse tipo de ataque, cientistas de todo o mundo davam palpites; pragas, doenças, fungos, ou até mesmo uma doença que estava evoluindo. Weekstreet tinha centenas e milhares de casos desse gênero, a cidade estava em quarentena. Ele tinha comentado também sobre uma casa que poderia servir-lhe de abrigo.

– Vamos para aquela casa? – perguntou Emily ainda assustada.

– Sim. – disse Leonardo.

– Você está bem... Martin? – perguntou Mike.

– Estou. – ele respondeu estancando o sangue que escorria da mão com a blusa.

– Você foi mordido? – perguntou Mike novamente.

– Não. Isso foi apenas um corte. – ele disse.

July pegou de forma carinhosa a mão dele e tirou a blusa da mão onde estava sangrando.

– O corte foi profundo. – disse July. – Parece que cortou uma veia. Acho que tenho gaze na mochila, vou fazer um curativo.

Ela abriu a mochila pegou gazes, um rolinho de esparadrapo, álcool e um pano. Pegou o pano para estancar o sangue, deixou pressionado até que estancasse. Depois, despejou o álcool para desinfetar e em seguida fez um curativo comum.

– Você leva jeito, menina. – ele elogiou-a.

July sorriu de uma forma forçada.

Já estava escurecendo. O sol caia entre as montanhas executando o fenômeno comum nas tardes, o pôr-do-sol. July admirava aquilo com tamanha beleza pela janela de modo que nunca tinha visto sol se pôr antes. A estrada que seguiam estava uma desordem – carros parados totalmente destruído, cargas viradas, destroços no meio da estrada. Estava tão crítico que tiveram que parar.

– O que aconteceu? – perguntou July assustada.

– Precisamos tirar os carros da pista. – respondeu Leonardo.

– Mas está escuro, não seria perigoso? – perguntou Mike.

– Se ficarmos aqui será mais perigoso, acredite. – disse Leonardo. – Além disso, precisamos chegar naquela casa ainda hoje, não é consciente ficar perambulando pela estrada com um tantinho assim de gasolina. – ele fez um gesto significativo.

– Acho que você vai precisar de mim, certo? – perguntou Martin.

– Desde que você ache que dá para aguentar o tranco... – disse Leonardo.

– Também posso ajudar. – sugeriu Mike.

– Não acho boa ideia. Fique aqui no carro junto com as mocinhas indefesas. – disse Martin.

As duas mulheres se olharam e fecharam a cara para Martin, não gostaram da brincadeira daquele homem de aparência estúpida e mente fechada. Os policiais saíram do carro e sumiram no nevoeiro que começava a tomar conta da estrada. Depois dos homens, Mike saiu inesperadamente, mas nenhuma das duas questionou. Continuaram em um silêncio absoluto.

O fazendeiro começou a vasculhar o perímetro procurando alguma coisa que poderia lhe servir. Até que era um ótimo hobbie no meio de uma catástrofe. Mas algo tirou a atenção de Mike. Um canibal de aparentemente 9 anos perambulava entre o bosque do lado direito da estrada de mãos dadas com uma mulher maior. Isso intrigou o homem de tal maneira que pensou num fundo pensamento que ainda poderia existir uma esperança. E interrompendo aqueles pensamentos, uma mão surge pelos seus ombros o que lhe faz saltar e preparar a mão em um soco no alto, mas abaixa a mão quando vê que era apenas Leonardo.

– Calma aí amigo! Não quero apanhar hoje. – disse Leonardo colocando os braços sobre o rosto para se defender. Continuou. — Precisamos dormir na estrada essa noite.

– Não foi você mesmo que disse que seria perigoso ficar aqui? – disse Mike cruzando os braços.

– Foi mas acontece que há um caminhão virado na estrada e por mais que conseguíssemos tirar os carros, não iríamos conseguir tirar o caminhão.

– Então, onde vamos dormir? – perguntou.

– Eu achei um trailer, você, Emily e sua filha durmam lá. Eu e Leonardo dormiremos na viatura, não temos outra opção. As duas já devem estar no trailer, você tem que ir também. Acordaremos pela manhã e arranjaremos um jeito de sair daqui. Tenha uma boa noite. – disse Leonardo.

Dito feito. Os três dormiram no trailer apertado, mas sempre há um jeito. July e Emily ficaram na beliche e o homenzarrão ficou pelo chão mesmo com um travesseiro fino e sem espuma, mas o sono consumia seu corpo de tal maneira que nem percebia o desconforto.

*** *** *** *** ***

Mike foi o primeiro a acordar. Sua perna e seus pés estavam dormentes. Ouviu um barulho. Sua visão ainda estava turva e sensível a luz muito forte. Ele tentou levantar, mas não sentia suas pernas. Decidiu sentar. Um zumbi estava um pouco mais de 1 metro apreciando um par de pernas. Ele olhou através de sua barriga e deduziu que aquelas eram as suas pernas. O fazendeiro fica muito assustado e com dificuldades e muitas dores tenta se levantar apoiando no criado-mudo.

Foi até a cozinha do trailer, rastejando, e viu uma horrível cena. Seis zumbis, comiam dois corpos quase irreconhecíveis. Seus órgãos estavam jogados pelo chão. O coração ainda batia. Ele tentou chegar mais perto e viu o rosto; era July e Emily, seu rosto era comido enquanto Mike observava a cena. Deixou sair de sua boca um grito de socorro. Os zumbis então pararam de comer e começaram a levantar e olhar para Mike, com metade de suas pernas no chão.

Então Mike decide rastejar ágil feito uma cobra até a pistola de Emily, que tinha deixado no criado-mudo. Ao conseguir disparou um tiro. Mas o zumbi que comia sua deliciosa perna, surgiu por trás. Desarmou o fazendeiro e começou a arranhar seu rosto. Os outros zumbis foram chegando e devorando cada músculo e cada pedaço de seu corpo.