Ressaca do amor
1 Capítulo I - A promessa
Notas iniciais
Espero que gostem muuuuito tanto quanto eu curti escreve-lo...o
Boa leitura e sejam bem vindos!xD
Aquilo era terrivelmente errado. Quer dizer, era um novo ano, uma época de recomeço, essa fora a promessa do meu pai, então porque parecia estar dando errado já logo de começo?
A promessa que estou falando foi o que levou a mudança de cidade em primeiro lugar. Eu viveria com a vovó a partir daquele ano, em um lugar totalmente monótono e pequeno, mas perfeito para o que eu ansiava: ficar bem longe daquele mundo conturbado que era a vida do meu pai e enfim encontrar alguma paz como uma adolescente comum de dezesseis anos.
E quando papai finalmente me contou sobre sua decisão de vivermos separados *também disse algo sobre mantermos sempre contato, mas já não estava prestando muita atenção* eu e minha amiga decidimos que era um bom motivo para se comemorar. Sendo uma cidade em constante época de turistas, e ainda sendo comecinho de ano, estava rolando milhares de festas por ali e seria incrivelmente fácil entrar em qualquer uma sendo quem eu era, e pela primeira vez eu queria muito me aproveitar desse fato.
Era o ultimo dia daquela vida, e então eu estava disposta a fazer o máximo para que ninguém na minha nova cidade descobrisse sobre minha árvore genealógica.
Meu pai nunca se preocupou muito com essa forma rebelde de adolescente, até porque eu já tinha tido a minha cota de feitos, e invadir superfestas pra se divertir era fichinha perto deles, então quem sabe ele até aprovasse a ideia. E mamãe......ela era doida pra que eu arranjasse um namorado e realmente vivesse minha adolescência. Vivia dizendo que ficar no quarto o tempo inteiro e ter uma única amiga não era muito saudável.
Então não foi muita surpresa quando contamos a ideia e ela decidiu nos ajudar com as roupas. Mamãe, ao contrário de mim, adorava o ritmo da vida do papai. Eles se completavam de um jeito estranho demais para que uma pessoa sem total experiência como eu entendesse, mas eram lindos juntos. Ela que tivera a ideia de eu ir morar com a vovó, vendo o quão infeliz eu era ali. Nós nem tínhamos tempo um para o outro e eu vivia sozinha, e papai não podia deixar o emprego, e mamãe não podia deixa-lo...dai veio a ideia de ficar com a vovó.
Não que eu não goste dos meus pais, pelo contrário, eu os amava, mas odiava como vivíamos. Minha parte do trato era ser uma “criança saudável e muito feliz com milhares de amigos e um namorado”, nas sábias palavras de minha mãe, e eu estava disposta a cumprir. Pelo menos a parte dos amigos eu me esforçaria.
E bom, o plano era perfeito de começo. Clarisse, a minha amiga, ela era originalmente da cidade da minha avó e tinha vindo pro meu colégio no ultimo semestre do ano e toda sua vida tinha ficado naquele lugarzinho pequeno de onde seus pais a tinham arrastado para viver ali.
Eu até poderia sentir pena, se não tivesse sido graças a eles que nos conhecemos.
Ela tinha tudo que minha mãe queria pra mim, amigos e um namorado. Todos eles tentaram de alguma forma fazer com que ela continuasse na cidade enquanto somente seus pais viessem para cá, milhões de promessas ela me contou, mas ninguém era tão persuasivo quanto a minha mãe. Então agora, ela voltaria comigo e ambas viveríamos com a vovó.
Mas não se engane, eu e Clarisse não temos nada em comum, só o fato de sermos totalmente deslocadas de qualquer outro grupo. Mesmo sendo quem eu era, dei motivos suficientes para que todos se afastassem de mim. Não que eu quisesse qualquer um daqueles mimados como amigos....é claro. Clarisse foi um anjo caído do céu pra mim, e em toda nossa divergência nós nos tornamos próximas, e então grandes amigas.
Por isso conhecendo ela como eu conhecia, sabia que ela odiaria toda e qualquer roupa que minha mãe sugerisse o que fez com que demorasse quase duas horas para ficarmos prontas. Clarisse era alguém que chamava muita atenção e eu gostava de me ocultar de todas as formas possíveis, o que nos tornava uma dupla bem engraçada de se observar.
Mas naquele único dia eu me permiti tudo. Maquiagem, as roupas de marca que papai me comprava, os sapatos, a beleza deslumbrante herdada de ambos......tudo que Piper McLean deveria ser sempre aos olhares da mídia. Era minha despedida afinal.
Clarisse ficou surpresa de inicio, mas logo apoiou a ideia. Saímos com o carro e seguimos para o lugar de onde a música vinha mais alta, uma grande mansão no centro com uma imensidade de pessoas e bebidas. Eu disse o meu sobrenome na porta e em questão de segundos estava tudo liberado.
Nada daquilo era meu estilo, muito menos da minha amiga, então não sabíamos muito bem como de fato aproveitar. Fomos para um dos cantos da casa dançando, passando por uma multidão e me sinto orgulhosa em dizer que salvei a vida de um garoto que teve a ousadia de passar a mão na bunda de Clarisse. Ela costumava ser bem explosiva às vezes. E muito violenta. Talvez um pouco sedenta por sangue e coisas do tipo.
Eu disse de maneira educada que ela tinha namorado enquanto a mesma rosnava apertando os punhos......ele foi embora de boa. Eu era uma ótima pessoa se me permitem dizer.
Ficamos em um sofá durante umas duas horas conversando, comendo, bebendo e mantendo longe qualquer menino que fizesse menção de se aproximar. Eu estava nas alturas com a quantidade de álcool que tinha ingerido...o que era muita coisa levando em conta que nunca tinha bebido. Clarisse parecia estar mais familiarizada, mas as bochechas coradas mostravam que estava tendo efeito sobre ela também.
Procurei com o olhar qualquer outra coisa que eu pudesse fazer que fosse me impedir de beber até cair para batizar de vez aquela noite....algo que valesse mais à pena......e encontrei ele.
Alto, loiro, e olhos claros, impossíveis de saber a cor ao certo. Se quase babei? Com certeza. Qual foi, eu tava bêbada.
Fiquei encarando-o por uma quantidade de tempo indefinida que poderia parecer segundos, mas ser horas. Era muito álcool me deixando confusa, e isso só piorou quando ele pareceu perceber o olhar e me encarou de volta.
Ele sorriu um tanto tímido para ser sincera. Parecia tentar descobrir o que nem mesmo eu sabia...o por que eu continuava a encara-lo. Eu costumava desviar o olhar quando era pega no flagra, mas era impossível.
Observei com a visão meio nublada um amigo no seu lado direito o cutucar e sorrir encorajador, esperando que ele viesse até mim. Sorri, tendo a súbita certeza de que esperava o mesmo.
Ele encarou o gesto como uma deixa para sua aproximação.
— Eu vou tirar uma soneca no carro. Divirta-se! – Clarisse disse se levantando, deu uma piscadela e se retirou da casa meio desengonçada. Ouvi-a soltar um palavrão quando tentou passar por um grupo um tanto complicado ali do lado e então a perdi de vista.
Negarei a ela o fato de ter rido.
Voltei o olhar ao deus grego que caminhava em minha direção. Suspirei.
— Existe alguma chance de você me chutar daí caso eu sente? – Ele sorriu torto, claramente envergonhado. Achei deveras fofo.
— Nenhuma em absoluto. – Devolvi o sorriso.
Então o ser de beleza duvidosa....eu poderia estar colocando mérito demais devido a embriaguez.....se sentou ao meu lado e pegou um pouco da bebida que eu dividia com Clarisse.
— Sou Jason, Jason Grace. – Apresentou-se. Encarei-o meio duvidosa do que dizer.
— Piper. Piper McLean. – Sorri de volta, meio que me divertindo com seu espanto.
Era o último dia. Repeti mentalmente, qual o problema dele saber o meu nome não é mesmo?
Inocente.
Durante um grande tempo lembro-me de ter ficado ali sentada com ele, rindo e contando histórias da minha vida inteira como uma boa bêbada de primeira viagem. Ele fazia intervenções, acrescentava piadas bobas e com alguma insistência acabou aceitando ficar bêbado como eu. O que também não demorou muito.
De acordo com sua história ele estava ali com o primo e a irmã que tinham ordenado que ele se divertisse um pouco. Comentou algo sobre como eles ficariam orgulhosos de verem o quanto ele bebeu. Gargalhei bastante.
Quando falava de Clarisse ele franzia o cenho meio confuso, mas nada dizia.
Yeah, eu deveria ter desconfiado de algo, mas quais as chances?
Quando acordei no outro dia, eu estava em um dos quartos daquela mansão, Jason ao meu lado e apesar da grande ressaca que sentia eu lembrava-me de absolutamente tudo que tínhamos feito. Pelo menos ali dentro.
E era muita coisa.
Fiquei encarando seu rosto ainda adormecido tentando procurar qualquer resquício de arrependimento, mas eu não sentia. Tinha sido tudo tão bom, a perfeita despedida e com alguém que parecia tão bom quanto um príncipe.
Deixei um bilhete em cima da cama, ao seu lado. Vasculhei o lixo atrás da prova de nossa proteção, ter certeza não machuca ninguém, e depois de um leve selinho para não acorda-lo sai do quarto quase que correndo.
Encontrei Clarisse dopada no banco traseiro, como se tivesse sido atropelada por um caminhão noite passada e necessitasse muito de um descanso. Tirei uma foto. Eu e o namorado dela tínhamos que começar com o pé direito e sabia que adoraria aquilo.
Meus pais não estavam em casa quando eu cheguei, mas o interrogatório foi feito por vídeo no PC durante o intervalo deles. Disse que me diverti e ocultei diversos detalhes. Algo como “pegamos no sono em um dos quartos”, não mencionei com quem e nem o nome de Clarisse, então não era bem uma mentira. Contei tudo a minha amiga depois, ela riu bastante, muito mesmo, e se recusou a me contar o motivo. Quis pisar nela, mas relevei.
Muito inocente mesmo.
Então veio a mudança. Papai e mamãe foram se despedir, assim como os tios *pais da Clarisse* e o irmão mais novo dela, Frank, que até tinha trazido a namorada Hazel que conheceu na escola.
Nunca senti tanta vontade de rir com a tristeza de outra pessoa, mas minha mãe fez um verdadeiro escândalo e era impossível ficar séria. Clarisse até filmou ela me agarrando enquanto dizia o quanto sentiria falta de sua menininha e quando meu pai notou o quanto desconfortável estava sendo ele se juntou a melosa despedida. Traíra.
Mas tudo bem, era a última ação hiper vergonhosa que eles iriam protagonizar comigo durante um longo tempo. E tudo a vergonha foi imediatamente apagada depois que vi o pai da Clarisse mexendo em seus cabelos como se ela fosse uma criança e ditando regras absurdas como o uso de preservativos porque ele não estava nem perto de pronto de ser avô.
Nunca tinha visto Clarisse tão roxa de vergonha. Ela praticamente me arrastou pra dentro do portão de embarque enquanto mostrava o dedo do meio para o irmão. Outra foto belíssima pra compartilhar depois com o boy dela.
Na chegada, vovó tinha feito um banquete de boas vindas e nos informou sobre a escola. Clarisse já sabia, mas fiquei surpresa com o que ouvi. A única que existia ali na cidade era uma espécie de internato onde viveríamos a semana e poderíamos sair somente no final dela.
Experiências novas...saquei.
Mas tinha uma notícia boa, o charme da minha mãe e sua incrível habilidade de persuasão nos deixou no mesmo quarto. A regra era que os alunos começariam a viver ali a partir do primeiro ano médio, antes disso era como qualquer escola secundária. Então como era nosso primeiro ano, dividiríamos o quarto com mais uma moça. Acredito que essa parte minha mãe não pode manipular, então torcia para que fosse alguém agradável.
Com todas as minhas forças tentei chegar animada no local no dia seguinte, o que desceu para o esgoto quando encarei o portão e vi os cabelos loiros um tanto quanto familiares demais. Como naquele dia, devo ter ficado encarando tempo demais porque não só ele virou para me encarar de novo, como Clarisse gargalhou audivelmente ao meu lado.
— Fala sério...
Terrivelmente errado, como eu disse antes.
Notas finais
Estou a tanto tempo pensando sobre esse história que estou nervosa...hahaha
Até o próximo...beijos xD
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