Notas iniciais
N/A: E aí, gente... Todo mundo de boa na lagoa? *abafa a gíria tosca* HAHAHAHAHA Bom, eu queria agradecer muitíssimo a cada um que comentou no último cap... Vocês fizeram a diferença! Valeu mesmo! E um agradecimento especial à shannayia e Amy_Marie_Lee por terem recomendado a fic. MUITO OBRIGADA, MENINAS! Agora, curtam mais um cap! 41 usuários acompanham esta história e foram notificados por e-mail: ooooooooooooooo, LoaEstivallet, naaty, Agatha21, yasmine_ml, taylaine, Tataii, naro26, lele35, LEEHFIC, hallini, catiaeu, lexii2, Lyra1018, Mary_CullenS2, Raaymms, bebela, NessCullenBlack, renandrade, carh1, tkc, Thais-Masen, jessicastewart, Carol_Cullen, shannayia, Ana Paula Souza, Bia_Felix, Bellsmarti, tkc, Agatha21, carh1, Jhu, sakura09, Mila Pink, lele35, livinhacsa, lila cullen, estrela18, Becca_Black, N_yes, maahcullen

\"\"

Era como se o meu coração morto voltasse a bater descontroladamente. Os pelos de minha pele fria e dura como mármore se eriçaram ao ver tão expressivos olhos outra vez. Minha mente estava em órbita, eu estava em um mundo paralelo... E uma linha tênue entre os dois mundos me mantinha acordado.

Para ouvir: Lifehouse – Everything

http://www.youtube.com/watch?v=fjDojEOiMcE

Era ela, Isabella Swan. A minhaBella estava bem na minha frente naquele instante.

Olhei para um ponto fixo na enfeitada mesa, perdendo-me em meus devaneios. O momento em que meu passado e meu presente se reuniam era enlouquecedor. Minha respiração se tornou ofegante e minha primeira reação foi olhar para a minha esquerda, ao lado de Carlisle, onde minha irmã preferida estava.

Alice sabia o que eu procurava em sua mente, mas seu olhar confuso e indagador me deram a entender que ela nada vira. Como seria possível Bella estar aqui? Minha irmã vidente não havia previsto essa cena. E eu não sabia por que estava tão apavorado.

A quem eu queria enganar, afinal? Eu nem precisei fitar o Jasper para perceber o amor devastador que preenchia cada fibra do meu ser por estar a apenas alguns passos daquela antiga menina... Que se tornara uma mulher ainda mais sedutora do que era há quinze anos...

Ela estava tão linda... Muito mais do que sempre foi.

Eu costumava me prender em seu olhar único, afundando-me no profundo mar de luxúria e paixão que dali exalava... E eu podia sentir que agora não era diferente.

– Gente, essa é Bella Salvatore – Minha esposa disse amigavelmente. – A nova médica do hospital da cidade.

Assim, eu a olhei nos olhos pela segunda vez naquela noite, e eu tive vontade de morrer por tê-lo feito. O remorso me atingiu como um tapa na cara, e eu quase gemi pela dor interna. Era como se alguém estivesse com meu coração em mãos, esmagando-o e debulhando-o com ódio e desprezo.

A paixão desenfreada que eu alimentava por Bella era avassaladora e, como uma fera indomada, era impossível de ser contida. O desespero me bateu, assim como a vontade de tocá-la e ver que ali, olhando-me com uma intensidade irrefutável, o verdadeiro amor da minha existência estava.

Pude ouvir a risada de Emmett, contida, porém, e a confusão de todos ali presentes. Entretanto, a expressão de incredulidade e entendimento tomou o rosto delicado de minha esposa em segundos.

Droga! Ela sabia que havia cometido uma grande gafe. Eu podia sentir o farfalhar veloz de seu coração e o sangue correr com uma velocidade impulsiva por suas veias. Charlize sabia da minha história com Bella – pelo menos o superficial que havia me permitido lhe contar. Ela tinha consciência do quão importante aquela morena arruivada era em minha vida. E ela sabia também que eu ainda a amava, mesmo com meu teatro bem sucedido de anos.

– Desculpe interromper... – Uma voz masculina e cuidadosa proferiu, e eu notei que vinha dele... Do esposo de Bella. – A grossa e dourada aliança era facilmente perceptível no dedo anelar de ambos. – Hmm... Amor, o Stefan me telefonou, e ele acabou se perdendo no caminho para cá – murmurou, roubando a atenção do olhar de Bella para o seu. – Vou encontrar ele e Elena e volto em poucos minutos.

– Ok – Foi o que somente saiu dos perfeitos e avermelhados lábios dela. Sua voz estava quebrada, como se estivesse com falta de ar, e aquela simples palavra doesse para ser exalada.

Eles se beijaram, e tentei evitar a raiva incontestável que me infligiu. Desviei o olhar durante aqueles dois segundos angustiantes em que os lábios, que tanto já foram meus, eram selados com carinho e ternura pela boca de outro.

E com uma fúria ainda mais penetrante, percebi em sua mente o amor e paixão que ele tinha por Bella era algo descomunal. Seus pensamentos eram ternos e cuidadosos, como se ela fosse alguma relíquia frágil e de riqueza incontestável.

Enquanto isso, a mente de Bella continuava muda para mim, tal como a de Charlize.

Aquele homem logo saiu, com um olhar singelo e amistoso para mim e minha família. Sabia ele quem éramos nós? Sabia ele quem eu era? Algo me dizia que não. Ainda.

– É você mesmo, Bella? – Emmett soou alegre e descontraído, incontrolavelmente curioso.

– Olá! – ela apenas pronunciou, sorrindo de canto enquanto acenava, corando levemente, embora a dor ainda estivesse presente em seu encantador e escuro olhar. Minha perdição...

– Maravilha! – A voz de Charlize se fez presente, raivosa e irônica, ao passo em que se sentava com ardor ao meu lado, bufando.

Ela foi ignorada classicamente por todos, mas seus motivos eram plausíveis. Eu a compreendia. Eu entendia seu sentimento de raiva e angústia. Eu estava passando por isso naquele momento, sabendo que Bella tinha outro.

Mas não era aquilo o que eu queria? Não foi com aquele objetivo que tive que abandoná-la? Meu desejo era que ela encontrasse alguém que a merecesse... Então, por que eu estava com aquela dor tatuada em meu peito? Aquilo era o amor? Aquilo era o ciúme? Ou seria inveja por outra pessoa possuir o que tanto almejei... e continuo almejando?

Jasper estava confuso ali. Tanto quanto eu. Tanto quanto todos. Os sentimentos eram sensíveis e nostálgicos. E aquilo era palpável – quase literalmente. Era como se uma densa nuvem transparente de emoções estivesse nos envolvendo. E eu sabia como aquilo se chamava: saudades.

– Bella, querida! – Carlisle falou, mal contendo seu entusiasmo em vez a mulher que um dia já considerou como filha.

Ele se levantou, rodeando a mesa com rapidez e envolvendo Bella em um abraço acolhedor, repleto de nostalgia. Ela retribuiu o gesto afável, fechando os olhos com força, como uma frágil criança que fora arrancada dos pais por alguma tragédia, e agora os reencontrava.

E apenas aquela comparação fez a minha vontade de morrer ali mesmo se tornar crescente. Eu nunca me odiara tanto.

– Carlisle – ela o saudou, ainda sem desmanchar o abraço. A mente de meu pai estava recheada de felicidade.

O gesto foi interrompido por Esme, que sorria aliviada e lindamente, para o marido e filha, abraçando os dois ao mesmo tempo. E a culpa me corroeu mais profundamente.

O que eu fiz? Eu desmembrei uma família... Desmanchei uma família completa e feliz... E agora ela se remontava... Nostálgica e dolorida.

Eu não poderia, entretanto, me arrepender dos meus atos passados... Sem eles eu não teria Charlize, sem eles eu não teria minha pequena e delicada Wendy... Mas elas valiam tanto quanto a Bella...

Afinal, fora certo o rumo que tomei há quinze anos?

Enquanto eu me martirizava, notei Charlize fitar meus irmãos cumprimentando Bella. Seu olhar era angustiado e sofrido, e me doía vê-la daquele jeito.

Toquei a mão de minha esposa, apertando-a com força e demonstrando que eu sempre estaria com ela. Ela não tinha o mesmo efeito que Bella tinha sobre mim, porém, eu devia-lhe respeito e era meu dever proteger a mulher que sempre me protegeu e me deu forças para chegar aonde cheguei.

Quanta contradição... Minha vida era um paradoxo.

Distante de mim estava a mulher que sempre amei e amarei – a dona do meu coração. E perto de mim estava a mulher que sempre devotei e devotarei – a dona do meu viver. Mas, de certa forma, fora o amor à Bella quem me manteve forte durante todos esses anos... E Charlize foi o meu auxílio.

Eu poderia ter vivido sem a bela loira ao meu lado, mas ela tornou minha vida mais feliz. Realizada.

E seu sorriso foi verdadeiro e agradecido quando sentiu meu toque, retribuindo o forte aperto em minha mão ao sussurrar um “Eu te amo”.

– Também te amo – sorri levemente, perdendo-me em seus verdes olhos. E aquilo era verdade... Eu a amava, embora tratasse de um sentimento limitado.

– É muito bom revê-la, Bella! – Alice disse, sorridente e saltitante, após abraçá-la.

– Igualmente, baixinha – riu, parecendo realmente feliz ao acariciar os ainda espetados cabelos de minha irmã.

Logo, todos os meus irmãos já haviam a cumprimentado, sentando em seguida – ficando ao seu lado somente Alice, mais contente do que nunca. Meus olhos, teimosamente ignorando minhas ordens mentais de não encará-la outra vez, se encontraram aos dela, e eu me senti submisso. Totalmente à sua mercê.

Nada de barreiras de concreto, nada de altos muros de aço e muito menos campos minados criados em minha mente. Todas as minhas forças baixaram e me deixei ser levado pela paixão existente em seu olhar. Sem resistência alguma.

– Edward – sussurrou, como uma saudação tranquila e contida. Sua pulsação, porém, denunciou suas emoções e, naquele instante, seria inútil ler seus pensamentos, se pudesse, pois seu nervosismo, dor e carência era um reflexo dos meus sentimentos.

– Olá, Bella – sorri torto, enterrando qualquer resquício de fraqueza dentro de mim.

Ela estava ali, em pé a minha frente, há somente uma mesa de distância. E eu ali, patético, sentado ao lado de minha esposa e família.

Ousei-me levantar. Eu correria os riscos de tentar uma aproximação. Eu iria abraçá-la. Entretanto, assim que acabei de contornar a grande e enfeitada mesa do salão, vi a cintura de Bella ser enlaçada por uma mão em que uma aliança brilhava no dedo anelar; senti-me um verdadeiro idiota.

– Voltei – O esposo dela disse, beijando seu pescoço com adoração. Senti inveja dele naquele momento.

– Hmm... Querido – ela murmurou, tipicamente nervosa. – Esta é a família Cullen. E, Cullens, este é meu marido, Damon Salvatore.

Ele parou por um segundo. Seu olhar preso no de Bella, anunciando sua indagação. Ele parecia frustrado, sem deixar de transpassar uma expressão amigável, de qualquer forma.

Seus pensamentos, porém, viajaram para lembranças sofridas, onde uma Bella chorosa e quebradiça lhe contava sobre seu passado. E, como num passe de mágica, ele se enfureceu, mas possuía um controle invejável sobre si mesmo.

Na tentativa de querer apartar qualquer ira iminente, Carlisle levantou-se, cumprimentando-o com seu jeito gentil e generoso de praxe.

– Sou Carlisle Cullen, muito prazer, Damon – sorriu levemente, estendo a mão em um gesto cortês.

– O prazer é meu, senhor.

– Oh, por favor, me chame apenas de Carlisle – Meu pai pediu, recebendo um breve e consentido aceno de cabeça. – E essa é minha família: minha esposa, Esme – A qual se levantou, e Damon cumprimentou-a com um singelo beijo nas costas de sua mão. – Meus filhos: Alice, Jasper, Rosalie, Emmett, Charlize e...

– Edward Cullen, prazer – saudei, causando surpresa de muitos ali, ao passo em que estendia a mão, ao lado de Carlisle.

– Igualmente – respondeu, claramente desconfortável.

A forma como ele me encarou fez com que as peças do quebra-cabeça se encaixassem. Ele sabia perfeitamente quem eu era, ou... fui. Seu olhar expressivo e determinado deu a mostrar o quão equilibrado e ciente da situação ele estava.

Provavelmente muito mais do que eu.

Então, este é o famoso Edward Cullen– pensava ele com sarcasmo, mas o que despertava minha curiosidade era que ele tinha cuidado com seus pensamentos naquele instante. Era como se ele soubesse que eu era leitor de mentes.

– Só falta uma pessoa... – O patriarca da família falou sorridente, varrendo o imenso salão com o olhar.

Olhei para Bella e pude notar sua curiosidade acerca da frase de Carlisle. Ela não sabia que eu tinha uma filha.

Todavia, percebi o quanto ela estava diferente... Mais bonita, autoconfiante... Mas havia algo mais... Sua aparência... As batidas suaves de seu coração... Seu sangue que corria tranquilamente, sem o intenso e atraente cheiro...

– Mamãe, fiz uma nova amiguinha! – Uma fina voz feminina soou delicadamente, e notei vir de uma linda garotinha de longos e lisos cabelos escuros.

Todos se viraram em direção ao som e vi Bella pegá-la no colo, com um lindo sorriso no rosto de porcelana. O olhar de ambas era idêntico, uma faceta, é claro! A única diferença era a cor – a menina possuía incríveis íris azuis. Aquela criança era filha da minha... da magnífica mulher a minha frente.

– Papai, eu também fiz uma amiga – Wendy sorriu ao dizer, seus pensamentos fluindo de alegria.

Envolvi minha princesa em meu colo, sorrindo por apenas vê-la sorrir. Seus brilhantes olhos verdes contrastavam tão unicamente com seus longos cachos acobreados...

– E elas não me deixam brincar também, papai – Um garotinho lindo, da idade das meninas, falou emburrado, pedindo colo para Damon, que prontamente o pegou.

Ele era ainda mais parecido com Bella do que sua linda filha. Os grandes olhos chocolate e os cabelos igualmente castanhos escuro indicavam que era criança daquele casal.

– Ah, Matt – Wendy exclamou, revirando os olhos. – Você é menino! – Soou como se fosse óbvio.

A garotinha no colo de Bella riu, assentindo. Só então notei o olhar embevecido e atento dela em mim e minha filha. E, de repente, nossos olhares se envolveram, e uma força maior nos impediu de desvencilharmos daquele contato.

– Chegou quem faltava – Carlisle sorriu, tomando a neta cuidadosamente em seus braços. – Bella, Damon, esse é nosso raio de sol – falou encantado, como o avô coruja que se tornara.

– Olá, docinho – A perfeita voz dela disse, enquanto ela firmava a bela garota de olhos azuis em seu braço esquerdo e tocava a mãozinha da minha menina com a mão livre. – Como você se chama?

– Wendy Marie Cullen – respondeu com sua doce voz de anjo. – E você?

– Sou Isabella Marie Swan Salvatore – riu. – Por acaso, você roubou meu segundo nome, mocinha?

Minha garota também riu, encurralando-me, porém, com sua resposta:

– A culpa é do papai, Sra. Isabella – murmurou divertida, apontando para mim. – Foi ele quem escolheu meu nome!

– Culpado! – sorri torto, tentando descontrair. – É um belo nome...

Disfarcei bem, pois ninguém notou realmente a homenagem. A única ali que sempre soube o porquê de o segundo nome da minha filha ser o mesmo segundo nome da mulher que eu verdadeiramente amava, era Alice. O restante de minha família sempre achou que era simplesmente por se tratar se um nome clássico e bonito, e continuavam achando, até mesmo Charlize – Mesmo não lendo sua mente, a expressão em seu rosto dizia que ela acreditava cegamente em mim.

E o remorso me atingiu em dobro – Ainda por cima, eu era um mentiroso...

– Chame-me apenas de Bella, gatinha – sorriu, acariciando levemente os cabelos de Wendy. – E, bom, esse é meu filho – olhou para meu pai e eu, e seguindo seu olhar pelos vampiros na mesa. – Apresente-se, amor – sussurrou docemente, encorajando o lindo menino nos braços de Damon.

– Sou o Matt, Matthew Salvatore – disse baixinho, enrubescendo e dando um breve aceno. – Oi.

– Olá, querido – Charlize disse, levantando-se e se postando ao meu lado, enquanto hesitava em tocar o garotinho. – Ela simplesmente não resistia à crianças. – Posso? – perguntou à Bella e o marido, corando, por querer pegar seu filho no colo.

– Claro! – respondeu em um tom cortês, com um sorriso que não chegava a seus olhos. – E essa é a minha mocinha – continuou, olhando para sua menina encantadora.

– Alyssa Esme Salvatore – apresentou a si mesma, sorrindo, com um leve rubor preenchendo as maças de seu rosto.

Minha mãe ficara encantada com a homenagem, abraçando e agradecendo Bella por várias vezes seguidas, ao passo em que o pequeno Matt e minha esposa brincavam, logo envolvendo a irmã e Wendy.

Rosalie ficou receosa com a situação. Ninguém amava crianças mais do que ela, mas sentia vergonha de brincar com os filhos de Bella, sendo que sempre ignorou a mesma. Minha irmã, então, ficara apenas observando, ao invés de engolir o orgulho.

– Olha o que temos aqui! – disse o diretor do hospital, aproximando-se com um sorriso no rosto rechonchudo e com algumas rugas, denunciando que em breve chegaria à casa dos 60 anos de idade. – Meu melhor médico e chefe da área de Oncologia, e minha, recém chegada, médica prodígio!

– Boa noite, Lorenzo – cumprimentei-o.

– Buona notte, jovem Edward – sorriu. – Vim avisar que quero vocês na mesma mesa esta noite. Precisamos manter o foco em um lugar só! – riu, tocando o ombro de Bella amistosamente. – Quero os meus melhores doutores juntos nesta comemoração! E não há como negar esse meu pedido...

– Já íamos convidá-los! – Esme disse com um sorriso satisfeito, fazendo uma delicada trança nos cabelos de Alyssa.

– Que bom! Então, vão se conhecendo, enquanto vou cumprimentar alguns conhecidos – sorriu, batendo em meu peito numa masculina saudação. – Daqui a pouco passo por aqui novamente.

E, deste modo, ele saiu, e sentamos à mesa. Rapidamente, todos pareciam entrosados e engajados em algum assunto, comigo ficando à deriva. Movimentei-me desconfortavelmente na cadeira, olhando para frente e deparando-me com um olhar quente e profundo de Bella.

Ela me analisava minuciosamente, como se fosse a primeira vez que nos víamos, mas ao perceber que eu a analisava da mesma forma, vi seu rosto adquirir o tão encantador tom rosado. E então, meu coração saltitou, e eu quase cheguei a pensar que fosse literalmente.

– Não é mesmo, amor? – perguntou Damon, que conversava distraidamente com Emmett, à Bella. Seu rubor aumentou, enquanto a mesma pedia para ele repetir a pergunta.

– Ah, Bella! Eu aqui, pensando encontrar alguma diferença em você... Mas aí sou surpreendido por você continuar o tomate de sempre! – Meu irmão predileto soltou, rindo e fazendo-a corar ainda mais, se possível.

Entretanto, a mente de Carlisle procurava alternativa... Ele pensava sobre mudança, vampirismo, porém estava me bloqueando e eu apenas pegava fragmentos de seus pensamentos. E o que me intrigou foi o fato de tudo isso envolver Bella e sua família.

– Desculpem o atraso! – Um homem, que devia ser poucos anos mais novo que Damon, disse, parcialmente ofegante. – Eu e Elena tivemos um contratempo no estacionamento.

– Ah, qual é Stef? – O marido de Bella disse, claramente divertido. – Não tem nada de mais em dar uns amassos no carro com sua esposa!

Todos nós rimos, e, nesse meio tempo, minha mãe havia levado Alyssa e Wendy ao banheiro.

– Bom... – Bella pigarreou, segurando o riso. – Este é Stefan Salvatore, irmão caçula de Damon, e essa é Elena, sua esposa e minha amiga de infância – olhou para minha família ao falar, voltando sua atenção aos amigos ao terminar, porém. – E estes são os Cullen.

Os pensamentos da garota de pele bronzeada, Elena – que não devia passar de seus vinte anos de idade. – me assolaram. Ela também sabia sobre mim e, ao contrário do marido, condenava-me com o olhar acastanhado.

Cumprimentamo-los e os convidamos para se juntarem a nós. O casal se sentou ao lado de Bella, que estava exatamente à minha frente.

– Tão jovens e já são casados? – perguntou Esme amigavelmente, sorrindo – que havia deixado as crianças brincando pelo salão e retornara à mesa.

– Bom, não somos tão novos quanto aparentamos... – Elena sorriu, como uma criança que é pega em flagrante comendo biscoitos antes do jantar.

Afinal de contas, alguém com mais de 150 anos não é muito jovem – Stefan pensou, rindo consigo mesmo com a piada interna.

E ao contrário de todos ali, eu percebi do que se tratava... Fiquei apavorado, confuso, e um vapor de raiva me atingiu.

E, como se fosse para confirmar minha teoria, a mente da amiga de Bella divagou para a tarde daquele mesmo dia, em que ela e o marido caçavam cervos na floresta próxima daqui.

Para ouvir: Kings Of Leon – True Love Way

http://www.youtube.com/watch?v=Xp2KNuntzEQ

E a confusão se uniu à minha ira, e, como um fogo que se alastra em questão de segundos, notei que eles eram diferentes.

Eles eram vampiros! Todos eles.

Minha irmã, porém, foi mais rápida e precisa do que eu, com seu poder de ver o futuro.

– Vocês são vampiros? – Alice quase gritou, absolutamente estupefata, olhando diretamente nos olhos de Bella. Da minha Bella.

De repente, o silêncio predominou em nossa mesa, e foi como se o meu mundo tivesse pausado. Eu não podia acreditar que a mulher que tanto amo era uma vampira... Eu havia a deixado para que uma vida humana e feliz a encontrasse, mas meus planos foram todos por água abaixo naquele instante.

Era como se tudo o que eu tivesse feito até ali fosse em vão, como se todos os meus esforços não tivessem alcançado seu objetivo, era como se meu coração e o de Bella tivessem sido despedaçados por nenhum motivo. E tudo o que eu mais queria era gritar.

A expressão da morena que me fitava era inquieta, enquanto meus familiares tentavam se recuperar da notícia – Carlisle era o único lúcido ali, apenas perdido em pensamentos; ele havia desconfiado daquela hipótese desde o primeiro minuto em que a vira.

– Bella...?! – Alice insistiu, nervosa como nunca antes.

– Sim – soltou em um suspiro, olhando para suas mãos embaixo da mesa.

– Como? – perguntei estarrecido, apoiando os cotovelos na mesa. – Eu não entendo... Você parece... tão humana, mas tão diferente ao mesmo tempo.

– Nós somos vampiros de uma espécie distinta da de vocês – Seus grandes olhos me fitaram com intensidade, enquanto seus lábios moviam-se para minha resposta.

– Bella, querida... Estamos no escuro – Carlisle disse, gentil e curioso.

– Bem... Somos vampiros, porém temos características que nos diferem de vocês.

– A alimentação...? – Inquiriu meu pai, preocupado com a dieta que Bella e a família levavam.

– Nos alimentamos de sangue de animais – esclareceu, enrubescendo ao responder. – Mas também podemos nos alimentar de comida humana.

– E aquele lance de brilhar ao sol... – Emmett lançou; os olhos dourados brilhando de excitação.

– Não temos disso – riu com o entusiasmo de meu irmão. – Nossa espécie se queima com a luz do sol, entretanto, usamos este anel que contém a pedra lápis-lazúli – acrescentou, ao ver nossa preocupação à respeito. – Deste modo, ela nos protege da luz solar, fazendo com que possamos agir normalmente durante o dia.

– Isso é muito intrigante – Carlisle murmurou, agora deixando ser levado pelo encanto do conhecimento.

– Sim, mas temos que tomar cuidado com aquela coisa toda de estacas de madeira, mordidas de lobisomem e fogueiras – Damon disse, arrepiando-se com o pensamento.

– Mordidas de lobisomem? – Rosalie se fez presente, indagando curiosa. – Como os lobos de La Push?

– Não... – Bella respondeu. – Mordidas de lobisomens de verdade.

– Os quileutes não eram lobisomens propriamente ditos... – falei para minha irmã. – Eles eram transmorfos.

– Sim – A linda mulher respondeu. – Os lobos capazes de nos matar são aqueles tão famosos, que envolvem lua cheia e tudo mais.

– Stefan até já enfrentou um, certa vez – Damon disse. – Mas ele não gosta de se exibir.

Rimos da leve descontração, e senti a fúria se extinguir do meu ser. Não tinha uma razão certa para eu temer que Bella agora era uma vampira... Foi o destino que assim quis, e ela parecia feliz com o rumo de sua vida, o que fez com que eu me sentisse um pouco melhor, embora o remorso sempre estivesse lá, cutucando.

– Agora não tem por que a Bella dar piti pra querer se tornar uma de nós – Emmett riu, e todos o seguiram, exceto a mesma, que havia feito uma careta e mostrado a língua para ele.

– E vocês... A sua espécie reproduz? – Rose perguntou, imersa em pensamentos ao ver os gêmeos no pula-pula perto de onde estávamos.

– Sim, Rosalie – Bella sussurrou, pesarosa. – Eu sinto muito.

Ela deu de ombros – orgulhosa e fria como sempre. –, enquanto meu pai a inquiria outra vez.

– E seus filhos são vampiros?

– São sim, mas, assim como os híbridos – sorriu para Charlize. –, eles param de envelhecer aos 18 anos de idade, aonde ocorre o processo para eles desenvolverem veneno no organismo, após um crescimento similar ao dos humanos.

– Interessante – murmurei. – E eles já se alimentam de sangue?

– Desde o primeiro ano de vida – sorriu delicadamente; o olhar longe, como se estivesse lembrando de algo.

– Assim como eu e Wendy – Minha esposa sussurrou, olhando nossa filha puxar Alyssa do brinquedo e correr de Matthew, que as seguia.

– Exatamente! – sorri, olhando-a e sorrindo, colocando um teimoso cacho loiro, que caía em seus olhos, atrás da orelha; e pude sentir o olhar de Bella queimar sobre nós, fazendo com que eu me sentisse bem e ruim ao mesmo tempo.

– Vocês têm dons? – Jasper se pronunciou.

– Sim, todos os vampiros de nossa linhagem possuem um talento em comum – Elena respondeu. – Que é o da hipnose.

– Sério? – Esme perguntou, sorrindo incrédula.

– Sim, mas isso funciona apenas com humanos – deu de ombros, com um leve sorriso.

– Porém, uma erva chamada verbena anula nossos poderes – Stefan acrescentou, instigando nossa curiosidade sobre. – Ficamos mais fracos e lentos com essa planta perto de nós, como a kriptonita para o Superman – riu com a comparação.

– Sim... – Sua esposa prosseguiu. – Na cidade em que vivíamos, Mystic Falls, as lendas sobre criaturas míticas eram levadas muito à sério, então era comum pessoas que andavam com verbena nas bolsas ou dentro de algum pingente ou relicário – sorriu, recordando daquele tempo. – Assim, os vampiros não podiam hipnotizá-las também.

– De qualquer forma, alguns de nós possuímos dons extras – Bella continuou.

– E você... tem um? – perguntei; era impossível segurar meu deslumbramento.

– Tenho – assentiu. – Eu possuo um escudo mental, e era por isso que você não conseguia ler minha mente quando humana – informou, me deixando extremamente intrigado. – E eu consigo projetar esse escudo para o meio externo, e, então, ele se torna físico. Por isso também, Alice não consegue ter visões que me envolva, nem Jasper controlar minhas emoções.

Minha esposa também tinha esse poder, porém era apenas de caráter mental, embora ela pudesse projetar seu escudo para fora de sua mente às vezes, sempre que ficava nervosa ou preocupada demais – era algo involuntário.

– Legal! – Emmett exclamou. – É quase igual o poder da Jean Grey, do X-Men... Se bem que ainda não ganhar do Edward... Ler mentes deve ser um máximo – disse. – Mas mesmo assim, é muito maneiro!

Meu irmão e seu jeito infantil... Ele sempre seria o mesmo, o que sempre nos fazia rir por piadas bobas. E agora não era diferente.

– Espera aí! Você lê mentes? – Stefan perguntou, encabulado e parcialmente envergonhado.

– Bem... Sim – respondi, sorrindo de canto.

– Cara, você deve ter ouvido cada coisa de mim... – sussurrou.

– Não se preocupe – falei em meio a risos, assim como todos. – Estou controlando melhor meu dom.

– Eu vou ao toilet, com licença – Bella pediu, pegando sua bolsa de mão preta e seguindo em meio ao salão iluminado.

Continuamos numa agradável conversa – eu brincava com Wendy e Matt. – até que percebi que Charlize não estava mais sentada ao meu lado.

Movi minha cabeça, numa tentativa frustrada de encontrá-la, até que seus pensamentos invadiram minha cabeça. Franzi o cenho, estranhando a situação. Se sua mente estava aberta para mim, significava que ela estava nervosa, e nem sabia que eu podia ouvi-la.

Percebi as imagens em seus pensamentos, e Charlize estava, naquele momento, entrando no toilet. Ela avistou Bella, maquiando-se frente ao espelho.

Tem que ser agora! – Sua voz mental soou, enquanto ela se aproximava da morena.

– Precisamos conversar, Bella.

Notas finais
N/A: Este final foi uma vingança à Loa, com os finais angustiantes de seus capítulos *risada maléfica*HAHAHAHAHAMas e aí, gente... Vocês gostaram, né? Bom, qualquer coisa, agradeçam à Aninha (conhecida aqui por Kly), por ter me aturado essa semana e me dado ideias ótimas para RMMas voltando... COMENTEM!!! Amo reviews, e eles fazem os posts chegarem mais rápido *mode chantagem ON*HAHAHAHAUm grande beijo... Fiquem com Deus!