Notas iniciais
N/A: UFA! Finalmente! *coro de aleluia*
Eu sei, eu sei, eu demorei horrores pra postar, mas vocês sabem que ensino médio é foda e último semestre é pior ainda... E ano que vem é terceiro ano, então só tende a piorar! HAUHAUAHUAHUAHUAHA
Anyway, alguém aí vivo após BD? Pqp, que filme bom! Sério, achei muito perfeito *_________*
E eu queria agradecer imensamente à minhas lindas Aniinha e Letícia por terem me ajudado com o cap... Sério, se não fosse pelas duas eu estaria empacada até agora! HAHAHAHAHAHA
E eu ainda tive que aguentar essas duas, me zoando por ter escolhido justamente a Charlize Theron pro papel da esposa do Edward, e agora ela está fazendo o filme SWATH com a Kristen! Mas, gente, eu fico de queixo caído com isso até hoje, porque quando eu escolhi essa mulher pra ser esposa dele, eu nem sabia desse filme ainda! HAUHAUHAUAHUAHUAHUA
Voltando, eu vou dedicá-lo à minha baby diva Aline Bomfim que me cobrou muuuito (e eu quase bati nela, mas isso não precisa ser comentado u.u) e como ela arrasou no vestibular esse final de semana *seca a lagriminha* esse cap é um mega presente pra ela! Parabéns, minha bitch!
E preparem-se *risada maléfica*, mas antes, deixem carregando:
-> http://www.youtube.com/watch?v=oz3ieeRptUg
-> http://www.youtube.com/watch?v=5GTbM5-ku-M
Ah, e muito obrigada à Fer Louise, à Leeh, Júúh Almeida e Amanda Ishi pela recomendação! Thanks, girls *olhinhos brilhando*
E boa leitura u.u

Promesse

Certa vez me disseram que tínhamos que agarrar a felicidade quando ela aparecia em nossas vidas, e tinha que ser rápido, antes que ela se decepcionasse com a demora e seguisse outro caminho. Eu não sei se aquela minha atitude era a certa – se era a atitude predestinada a mim –, mas enquanto via Bella dançando por entre aquelas pessoas felizes, festejando uma simples ocasião como o aniversário de Roma, foi impossível não desejá-la, com todas as forças, para mim.

E foi por esse motivo que a beijei, sem pensar, sem temer. Apenas amando-a com meus lábios. E ao olhar em seus olhos, tão profundos quanto o mais traiçoeiro dos oceanos, tive a sensação de que ali, do nosso lado, a felicidade nos empurrava um ao outro. E, quando dei por mim, havia feito a mais indecente, a mais insana e impensada proposta que havia sequer imaginado, embora fosse a mais verdadeira.

– Vamos fugir, Bella. – murmurei simplesmente, sentindo seu espanto com minhas palavras – Vamos fugir e esquecer de tudo.


Para ouvir: Barcelona – Please Don’t Go

http://www.youtube.com/watch?v=oz3ieeRptUg


Seu olhar, então, me fitou com toda sua intensidade e eu pude sentir a pontada de dúvida que a assolou. Contudo, havia algo ali. Meu peito não inflou da maneira correta ao ouvir tais palavras saírem dos meus lábios... Era como se aquilo fosse incerto – mas certo de alguma forma. Senti minha respiração se acelerar... Eu estava insano! Mas, Céus, eu queria fugir com Bella! Mas não queria fugir de tudo que havia construído ao longo de todos aqueles anos...

– Edward... – ela sussurrou, umedecendo os lábios e olhando fundo nos meus olhos – Edward, eu... Eu...

– Eu sei... – Minha voz pronunciou em um sussurro igualmente, ao passo que eu fechava os olhos e sentia minha mão deslizando por seu rosto tão suave.

– Você tem ideia do que está dizendo? – Suas palavras não eram raivosas... Sua voz não passava de um delicado sussurro, enquanto seus dedos se entrelaçavam aos fios da minha nuca.

– Não... – Admiti, sem conseguir olhar em suas orbes tão castanhas que sempre me faziam naufragar.

– Edward... – Ela suspirou, deslizando suas mãos para o meu rosto. – Nós não podemos...

– Bella...

– Olhe pra mim, Edward! – Murmurou, fazendo-me fitar seus olhos marejados. – Olhe nos meus olhos e diga que você tem coragem de deixar tudo pra trás... Olhe nos meus olhos e diga que você tem coragem de deixar sua filha... sua família...

Eu apenas meneei a cabeça, sentindo-a pesada de repente. Bella somente assentiu para si mesma, como se soubesse que sempre esteve certa e, nesse instante, uma lágrima deslizou pela delicada maçã de seu rosto.

– Me perdoe, Bella. – sussurrei apenas, e ela sabia que aquela simples frase continha muito mais significados do que parecia. Perdão. Perdão por ter partido, por ter desistido tão cedo de nós dois, perdão por não ter coragem de largar tudo somente por ela. Perdão por não poder voltar no tempo e mudar tudo.

E Bella me olhou, e eu soube que ela enxergou todas aquelas palavras não ditas através do meu olhar. Ela sabia. Eu sabia. Nosso amor era grande demais para simplesmente ter um fim, mas as correntes que nos ligavam às vidas que construímos eram tão fortes quanto.

– Eu te perdoo, Edward – Ela suspirou enquanto outra lágrima caía de seus olhos tão brilhantes e tristes.

E eu não aguentei nenhum segundo a mais. Quando percebi, a envolvia em meus braços do modo que sempre desejei. E ela me abraçou forte, escondendo seu rosto em meu pescoço ao passo em que eu deslizava minhas mãos por seus cabelos e a apertava contra mim. Seu cheiro de morangos e frésias me entorpeceu. Eu a amava tanto que meu peito doía.

– Vamos esquecer isso, ok? – Ouvi sua voz em um baixo murmúrio, sentindo-a se distanciar minimamente para me fitar – um sorriso tímido e frágil preenchendo seus lábios tão rosados.

– Temos que voltar pra Milão... – Acrescentei, respirando fundo e colocando um sorriso no meu rosto, o qual, eu tenho certeza, não alcançou meus olhos.

Bella assentiu, olhando para os lados e rindo suavemente ao notar que o sol já havia se posto e só restávamos nós dois ali, exceto por alguns poucos casais que ainda festejavam, alheios a nossa pequena bolha.

– Vamos voltar ao hotel, Sr. Loucuras! – Brincou ao dizer, entrelaçando nossos dedos e fazendo-me rir. – Temos um jatinho, que irá nos levar de volta pra casa, nos esperando.

Ela pareceu não notar o instante em que soltava sua mão da minha enquanto voltávamos a caminhar tranquilamente. Finalmente o ar entre nós parecia mais leve. Embora a dor no meu peito ainda persistisse.

Nós pouco conversamos a partir de então, embora continuássemos nos dando bem – quase como antes, talvez. Bella dormiu todos os 30 minutos de trajeto até Milão, aonde chegamos antes das nove da noite. Rapidamente nos despedimos – apenas com um abraço e um simples “Boa noite e até amanhã” – para, em seguida, pegarmos táxis diferentes e seguirmos caminhos opostos.

Mal deu tempo de eu abrir a porta da sala, assim que cheguei em casa, e uma Wendy toda animada correu e se jogou em meus braços.

– Papai!

– Hey, candy-Wendy! – Coloquei a mala para um canto qualquer, pegando minha pequena no colo e jogando-a no ar, ouvindo sua risada de sinos se misturar a minha. – Sentiu minha falta?

– Hmm... – Ela fingiu pensar, e eu estreitei meus olhos, deitando-a no sofá e fazendo cócegas em sua barriga, o que a fez gritar e se contorcer como uma minhoquinha.

– Então é assim, senhorita? Você tem que pensar se sentiu saudades do seu pai lindo e sexy? – Perguntei, não conseguindo prender o riso ao fazer uma falsa expressão de surpresa.

– Ah, papai, para! – Ela gritou em meio as suas gargalhadas que me faziam tão bem.

– Só se você disser que sentiu minha falta! – Fiz uma chantagem básica, arrancando uma gostosa risadinha de seus lábios.

– Eu senti, papai... Morri de saudades! – Admitiu, fazendo-me dar um delicioso beijo em sua bochecha gordinha e corada. – Um montão assim! – Abriu os braços, me mostrando o tamanho do sentimento.

Foi irresistível não rir da peripécia da minha pequenina, e somente senti seus bracinhos quentes enlaçarem meu pescoço para, então, eu ganhar um suave beijo na ponta do nariz.

– O papai também sentiu muita saudade do meu bebê sapeca! – Sorri, encostando nossos narizes em um beijinho de esquimó. Wendy riu deliciosamente.

– E da mamãe, não sentiu? – A voz de Charlize soou risonha, e eu rapidamente desviei meu olhar em sua direção. E ela estava linda trajando um delicado vestido florido e os pés descalços, descendo as escadas calmamente.

– Claro que senti... – respondi com um sorriso, não conseguindo distinguir se aquela frase era mesmo sincera.

Seu sorriso de volta aumentou, enquanto uma agitada Wendy ria e descia do meu colo para, assim, sentar no sofá enquanto ligava a televisão em algum canal de desenhos animados.

Aproximei da minha esposa, enlaçando meus braços em sua cintura e abraçando-a com força. Logo, senti um beijo ser depositado levemente em meu pescoço, fazendo-me arrepiar. Olhei em seus olhos de um verde cristalino – suas mãos envolvendo meu pescoço – enquanto eu selava nossos lábios em um beijo calmo e saudoso.

– Por que demorou tanto pra vir me receber, Sra. Cullen? – sussurrei contra sua boca macia e avermelhada.

– Eu estava no banho. – respondeu com um sorriso, dando-me um selinho delicioso em seguida – Mas me diga... Como foi a Conferência?

– Como todas as outras... Médicos chatos que se acham Deus! – revirei os olhos, o que fez Charlize rir e deslizar suas mãos por meus ombros, em uma breve massagem.

– Não duvido disso... – Ela sorriu ao ouvir o que eu dizia sempre que retornava de alguma Conferência Médica, beijando meu peito ao retirar o meu blazer. – Mas vá tomar um banho; eu vou preparar algo pra Wendy e eu comermos.

– Tudo bem, amor – murmurei suavemente, pegando o blazer de suas mãos enquanto beijava sua testa e, em seguida, pegava a mala que eu havia deixado próxima à porta ao chegar.

Subi as escadas em uma velocidade humana e sorri ao ouvir as risadas das minhas garotas na sala de estar. E, então, eu senti como se estivesse no lugar ao qual pertencia, tentando ignorar aquela sensação estranha no peito de que faltava algo. Claro que faltava. Mas desde que Bella retornara a minha vida, aquele sentimento era quase impossível de ser ignorado.

Suspirei, meneando a cabeça. Eu deveria parar de pensar nela. Era o certo, não era?


[...]


– Sala 5, emergência! – A voz de uma médica soou em meus ouvidos, fazendo-me olhar para trás, onde surgiam uma das doutoras do hospital, junto de sua equipe médica, com um paciente em um das macas. – Saiam da frente, emergência!

Continuei andando no canto do corredor, vendo algumas pessoas que circulavam por ali desviarem, até que eles desapareceram após adentrarem a sala de cirurgia. O caso parecia sério, a mente da melhor cirurgiã estava à mil, pensando em como resolveria o problema daquele paciente.

Antes de adentrar minha sala, porém, ouvi Lorenzo me chamar.

– Edward, mio ragazzo! – Falou sorridente, aproximando-se. – Fiquei sabendo que você e nossa Dra. Salvatore causaram uma ótima impressão na Conferência de ontem!

– Que ótimo, Lorenzo – sorri de volta, sentindo sua mão em meu ombro, em um gesto paternal.

– Eu sabia que vocês eram os melhores para representar o hospital, e não me enganei!

– Claro que não... Bella é muito competente.

– Sem sombra de dúvidas! – concordou esfuziante – Vocês têm uma sintonia que eu nunca vi em todos esses anos de profissão, meu caro... Deviam trabalhar juntos mais vezes!

– Hmm... Claro... – murmurei, sentindo que ele não sabia o peso que suas ingênuas palavras tinham. – Mas eu...

– Dr. Cullen – Desviei o olhar para minha esquerda, onde se encontrava Giulia. – Desculpem-me incomodar, mas está no seu horário de consultas, Dr. Cullen... A primeira é com Pietro Fontana. – Esclareceu, dando uma rápida checada na prancheta que tinha em mãos.

– Sim... – Olhei rapidamente para o grisalho diretor do hospital. – Nos encontramos depois, Lorenzo.

– Claro, Edward! Vá fazer seu trabalho, meu jovem.

Somente assenti com um sorriso rápido, ouvindo a recepcionista de longos cabelos loiros me fornecer as coordenadas de afazeres do dia, ainda absorvendo as palavras do meu chefe. Sintonia. Com certeza eu não era o único insano que ainda acreditava naquilo.

– Olha quem chegou! – Falei em um timbre de brincadeiras ao entrar no quarto de Pietro, sem bater na porta já que estava aberta.

– Tio Edward! – ele sorriu, embora minha visão foi completamente direcionada à linda mulher sentada em sua cama, examinando-o. Bella apenas retribuiu meu olhar – um misto de sensação fervilhando por eles.

Mas que droga estava acontecendo com os meus sentidos de vampiro hoje? Eu estava tão mergulhado em pensamentos que nem o seu cheiro, ou sua doce voz, eu havia notado. Que ótimo.

– Edward. – Ela cumprimentou, enquanto eu a respondia com um singelo sorriso, retribuído maravilhosamente pra mim.

– Como estamos hoje, campeão? – perguntei, sentando-me em sua cama enquanto afagava sua cabeça, onde suaves fios alourados já despontavam, começando a crescer novamente. – Olá, Isabela. – Saudei sua mãe, que apenas sorriu.

– Eu tô tããão bem, tio Edward! – O jovem Pietro sorriu, fazendo os três adultos ali presentes rirem de seu semblante tão animado e, finalmente, saudável.

– Ele está mesmo ótimo... – Bella pareceu, fazendo-me olhá-la apenas para ter o prazer de vislumbrar aquele sorriso inocente tão perfeito preencher seus lábios. – Os novos exames apresentaram uma melhora significativa de Pietro... Se continuar assim, ele se verá livre desse hospital logo, logo!

– Eu não disse que você era tão forte quando o incrível Hulk? – Falei pro pequenino, que gargalhou amavelmente ao passo que eu apertava a ponta de seu nariz, numa brincadeira sutil. – Eu sabia que você ia sair dessa!

– Sou fote mesmo, mas se não fosse por vocês dois, eu nunca telia melholado! – O garoto disse com um leve sorriso, mas era visível a sinceridade em sua voz.

– Disso eu já não tenho certeza! – ri, olhando para Bella que assentiu.

– Nós só demos um empurrãozinho, gatinho... O resto foi por sua conta! – Ela acrescentou, acariciando as pequenas mãos de Pietro.

No entanto, surpreendendo-nos, o jovenzinho pegou a mão de Bella e, então, a minha, mantendo-as juntas entre seus frágeis dedos. Sua mãe apenas nos olhava calmamente, sorrindo com orgulho para o filho.

– Plometam pa mim que vocês semple vão ficá juntos – ele murmurou, seus olhos castanhos fitando os meus e de Bella alternadamente – Pa salvalem clianças como eu.

– Olha, campeão, não podemos prometer isso, afinal, nem todas as promessas são cumpridas... Mas sempre estaremos lutando para fazer o bem a alguém, tudo bem? – Falei tranquilamente, fitando Bella logo depois.

– Ele está certo, fofinho... Sempre faremos o bem, estando juntos ou não... – ela murmurou com um sorriso amável no rosto, aproximando-se do pequeno e dando um delicado beijo em sua testa.

– Você foi um anjo por tê acleditado em mim, tia Bella – Pietro corou ao dizer, arrancando um riso baixo da mesma.

– Eu sei bem como é, pequeno... Eu já estive no seu lugar... – Murmurei, sorrindo torto ao sentir Bella olhando sugestivamente para mim. E eu sabia que ela captou o teor das minhas palavras assim que a encarei de volta, me afogando no oceano de seus olhos. Ela acreditou em mim no passado, acreditou no meu autocontrole, acreditou na minha alma.

– No que você acreditava que o Dr. Cullen não, Bella? – A mãe de Pietro perguntou suavemente, a curiosidade brilhando em seus olhos azuis, enfim vivos pela melhoria de seu garoto.

Pude ver a morena ao meu lado enrubescer, sem sequer desvencilhar nossos olhares enquanto respondia.

– Que ele era a pessoa mais digna que eu já havia conhecido. – Bella murmurou apenas, com um sorriso encantador brincando em seus lábios. E eu a encarava sem palavras, sorrindo como um garoto que descobre seu primeiro amor. Ela era tão perfeita... Tive que me repreender para não deslizar meus dedos por seu rosto tão quente e macio...

– Desculpe, mas... Vocês são casados? – A voz da mãe do pequeno fez aquela magia se romper de repente, fazendo eu e Bella olhá-la no mesmo instante, completamente surpresos.

– O quê? – A vampira ao meu lado questionou, estática, sua voz se elevando um oitavo, sua respiração acelerada. – Casados?

Eu ri, muito nervoso pra expor qualquer outra reação talvez.

– Não. – respondi, sorrindo de lado e percebendo que havíamos ido longe demais. De novo.

– Estranho... – A jovem mãe franziu o cenho. – É que sinto tanto amor entre vocês... É até cruel isso não ser vivido.

O quarto do Pietro começou a ficar um tanto quanto pequeno naquele instante, o ambiente com um clima diferente. Uma mistura de nostalgia, verdade e constrangimento. Meus sentimentos todos ali... Jogados para qualquer um que quisesse ver, de repente.

E, então, senti passos aproximando-se do quarto, bem como um perfume suave de frutas vermelhas...

– Bella? – Beatrice apareceu na porta, ganhando nossa atenção. – Opa, interrompi algo?

– Não! – A morena de cabelos arruivados exclamou, levantando-se aliviada; eu apenas desviei meu olhar para Pietro, que continha um sorriso divertido nos lábios. – Precisa de mim?

– Sim, na verdade...

– Eu já vou! – Ela interrompeu a frase da amiga, virando-se rapidamente para nós com um sorriso... estranho. – Até mais!

Pietro acenou para ela e a loira Isabela apenas murmurou um “tchau”... Eu estava confuso demais para, até mesmo, encontrar alguma palavra em meio ao caos dos meus neurônios. E quando as encontrei, ela já havia se retirado.

– Você a ama, não é mesmo? – A voz de Isabela fez com que eu a olhasse e eu pensei no que responder... Mas de nada valeria mentir àquela altura do campeonato.

– Como nunca amei alguém em toda a minha vida. – murmurei, mas logo tratei de sorrir, olhando para mãe e filho a minha frente e levantando-me – Bom, também está na minha hora! Nos vemos amanhã novamente.

No entanto, assim que estava pronto para atravessar a porta e dar o primeiro passo rumo ao destino incerto, pude ouvir a suave voz feminina outra vez.

– A felicidade só bate uma vez em nossa porta, Dr. Cullen. Então, não a deixe ir embora sem, nem ao menos, ver como ela é.

– Você está certa... – sorri tristemente, ainda de costas, olhando para o chão – Mas de nada adianta se essa felicidade é ilusória.

E enquanto meus pés se moviam pelo corredor do hospital, eu me dei conta de que eu não sabia mais o que era meu, o que deveria ser, ou o que já fora um dia. Tudo vinha conspirando contra minha felicidade... Ela havia chegado até mim, mas do que adiantaria se eu não podia desfrutá-la? O que fazer quando ela é proibida? Aquilo era um castigo, um teste, ou o quê?

Eu só tinha vontade de jogar tudo para o alto e ver no que poderia resultar. Mas eu não poderia me dar esse luxo... Não com tantas coisas em risco.

Não cruzei com Bella durante todo o dia, embora sentisse seu inebriante aroma em cada ambiente ao qual ia. Entretanto, decidi voltar pra casa antes de o sol se pôr, com o objetivo de tentar colocar minha mente nos eixos... E não cometer alguma loucura.

Charlize desenhava algum modelo de vestido quando cheguei em casa, adentrando a sala com um suspiro pesado, percebendo que Wendy ainda deveria estar na escola. Ela logo veio até mim enquanto eu me jogava no enorme sofá branco, provavelmente notando algo de errado. Intuitiva como sempre.

– O que aconteceu, amor? – inquiriu, a preocupação perceptível em seu tom de voz. Eu fechei meus olhos, cansado, aconchegando meu rosto em seu peito ao passo que envolvia minhas mãos em sua cintura e sentia as suas deslizarem em meus cabelos.

– Nada demais... – suspirei, apertando-a ainda mais contra mim. Como eu queria que aquele cheiro de violetas e amoras silvestres fosse, na verdade, frésias e morango...

– Nada demais? Você nunca fica com essa cara por nada demais... O que houve?

– Charlize, eu tive um dia cheio e... – murmurei, respirando fundo enquanto desvencilhava de seus braços.

–É a Bella de novo, não é? – Sua voz era acusadora. E eu não consegui fazer nada além de ficar calado e cobrir meu rosto com as mãos. – Merda, Edward, quando você vai esquecer esse passado e viver um presente comigo?

– Amor, eu...

– Amor o caralho, Edward! – ela gritou, empurrando-me quando tentei tocar em suas mãos, levantando-se furiosa. – Eu venho sendo paciente, dei espaço pra você pensar com calma durante esses dias, mas já está impossível!

– O que você quer dizer com isso? – perguntei exasperando, levantando-me também e me pondo a sua frente.

– Como assim o que eu quero dizer com isso, Edward? – ela me encarou lívida, jogando as mãos para o alto – Desde que você reencontrou a Bella eu tenho te notado estranho... Eu sei que você a ama, mas pode, pelo menos, me dar o respeito?

– Charlize, por Deus, eu não tenho nada com a Bella...

– Nada sério... – Corrigiu minhas palavras, estranhamente calma, embora suas palavras soassem como um leopardo selvagem pra mim. – Você acha que eu não percebo seus olhares? Acha que eu não percebo o quanto você está apaixonado por ela?

– Eu nunca te escondi isso, então não tem por que tanto alarde!

Seu olhar ficou ainda mais irritado e, se possível, suas íris incrivelmente verdes se dilataram de repente. Até que então, só tive tempo de sentir o estalar de sua mão em meu rosto. A intensidade do tapa fez minha face arder e eu me perguntei se aquela dor era real... Mas, porra, ela era uma meio-vampira!

– Você está me traindo com sua antiga namorada e pede pra eu não fazer tanto alarde?! – Sua voz soou insana, gritando novamente.

– Eu não estou te traindo! – gritei de volta, sentindo a raiva acumulada corroer cada artéria – Eu não estou me esfregando com a Bella por aí... Se você ainda não notou, ela também tem uma família!

– Ah, então se ela não tivesse um marido e filhos, você teria uma desculpa suficiente pra transar com ela pelas minhas costas?

– Quem sabe eu não tivesse mesmo! – Blefei, minha respiração saindo em arquejos e se misturando com a de Charlize – seu rosto há centímetros do meu.

– Seu canalha! – A fúria tomou conta de cada sílaba proferida, e, então, sua mão estapeou meu rosto mais uma vez, fazendo parte do meu cabelo cair em minha testa.

– Não seja patética, Charlize... – murmurei somente, olhando fundo nos seus olhos – Você deveria me conhecer melhor.

E, sem dar qualquer brecha para outra discussão, dei as costas para ela, caminhando até a porta principal. Eu não teria psicológico o suficiente pra ficar perto dela durante as próximas horas... Ou acabaria fazendo alguma merda. No entanto, antes de fechar a porta atrás de mim, ouvi sua voz cortante me dilacerar.

– Será mesmo? Por que nem você anda se conhecendo nos últimos dias.

Eu não olhei para trás, apenas bati a porta com força enquanto caminhava de volta rumo à garagem. E assim que adentrei o Volvo, tive noção da traição de cada palavra que gritei pra minha esposa.

Era irracional discordar dela... Nem eu mesmo me conhecia desde que Bella retornou a minha vida. Tudo mudara drasticamente. Eu só não queria admitir aquilo... Eu estava errado nessa porra de história desde o começo. Sempre fazendo a coisa errada, sempre cometendo os mesmos erros, machucando as mesmas pessoas... De novo e de novo e de novo.

– Inferno! – esbravejei, batendo minha cabeça contra o volante, querendo acabar com aquela angústia que teimava em assolar o meu peito.

Liguei o meu carro sem pensar em mais nada e comecei a vagar sem qualquer destino, apenas desejando que a estrada me levasse para o lugar em que eu deveria estar. O sol começava a querer despontar seus primeiros raios do entardecer enquanto eu era engolido por aquelas ruas cada vez mais desertas... Até que uma placa qualquer, ao longo do caminho, me indicou que eu já estava há milhas de casa.

O toque estridente do meu celular me fez sobressaltar no banco do motorista, e eu rapidamente o peguei no bolso da calça. A foto da minha pequena irmã de cabelos espevitados iluminava o visor e, depois de muito pensar se atendia ou não a ligação, apertei logo a tecla send.

– Edward Cullen, você tem ideia do quanto me deixou preocupada? – Sua voz de sinos era raivosa, e eu quase ri, imaginando sua expressão.

– Alice, eu só estou com a cabeça tão cheia ultimamente... – suspirei, diminuindo a velocidade do carro minimamente, visualizando o oceano que começava a entrar pela minha vista através do vidro do carro.

– Eu sei, mas quando tive a visão de você e Charlize brigando e, então, você saindo de casa, logo pensei que faria alguma besteira!

– Me desculpe, baixinha... É que... – hesitei, respirando fundo enquanto olhava para os lados – Você sabe, Alice... Desde que eu encontrei a Bella, eu... – Parei, não sabendo como continuar a frase.

– Eu sei, eu sei... – ela suspirou do outro lado da linha, sua voz doce outra vez – Mas você fez certo daquela vez, irmão... Você se lembra, quando deu a louca de que tinha que ver como andava a vida dela, no primeiro ano após deixá-la...

– Será mesmo, Alie? Será que eu fiz mesmo a coisa certa? Porque cada vez que olho pra Bella eu sinto como se tivesse feito tudo errado...

– Você se recorda de que ela já estava se reconstruindo na época, então era a hora de seguir em frente também...

– É, eu acho que sim...

– De qualquer forma, juízo, okay? – brincou, esvaindo aquela tensão – E volta pra casa logo... Temos uns assuntos pra resolver...

– Tudo bem, Alie – sorri, agradecendo aos céus por uma irmã tão chata e preocupada – Eu te amo.

– Eu também te amo, bobinho!

E, ao desligar o telefone, comecei a martelar o que minha irmã havia dito. E eu desejava desesperadamente que ela estivesse certa ao passo em que minha mente voltava ao passado... Há 14 anos, quando, após conhecer Charlize e voltar para casa, decidi ver como Bella estava.


Para ouvir: John Mayer – Edge of Desire

http://www.youtube.com/watch?v=5GTbM5-ku-M


Os ventos agitavam aquela noite na Flórida, onde descobri que Bella estava passando o final de semana com a mãe. Algo em mim instigava o meu peito, querendo revê-la pelo menos mais uma vez, mesmo que de longe... Ver como ela estava, se havia seguido em frente, se havia me esquecido – parte de mim desejava que sim enquanto a outra clamava por vê-la ainda precisando do meu coração.

Não foi difícil encontrar a casa de Renée que tinha a praia como jardim dos fundos. E foi quando eu a vi, linda, frágil e em toda a sua perfeição, caminhando pela areia naquele início de noite – o sol quase desaparecendo no horizonte. Sua expressão era pensativa, e eu tive que me conter em observar aquela ruguinha por entre as suas sobrancelhas de longe, escondido em uma enorme rocha há metros de distância.

Contudo, no instante em que uma solitária lágrima deslizou em seu rosto de anjo, foi como se meus pés criassem vida própria. E, quando percebi, caminhava em sua direção.

– É melhor assim... – A voz de Alice me interrompeu, segurando meu braço esquerdo com delicadeza. – Eu não consigo mais vê-la, Edward, mas ela já recomeçou... Não estrague tudo agora. Não seria justo pra ela. Não seria justo pra você.

Eu apenas olhei fundo em seus olhos dourados, assentindo e pensando em suas palavras, sempre sábias. Nem me importei em perguntar como ela me encontrara ali, ou como tivera a ousadia de me seguir, mas era Alice – não havia o que questionar.

– Vem... – Sussurrou, abraçando-me de lado enquanto me levava para longe dali.

Mas antes disso, uma sorridente Renée apareceu na varanda de sua casa, procurando pela filha.

– Bella!

– O que houve, mãe? – Ela perguntou, levantando-se e indo de encontro a sua mãe. E não pude ignorar o arrepio ao ouvir, após tanto tempo, sua voz tão encantadora.

– Telefone pra você... – Falou como quem tem segundas intenções, sua mente maliciosa. – É aquele gatinho...

Pude ver Bella revirar os olhos para a mãe, porém, correr escada acima da varanda e abrir rapidamente a porta de casa, para atender a ligação.

– Alô! – Ela disse suavemente, e, pela imensa janela da sala, ainda podia ver o tom rosado invadir suas maçãs de uma forma adorável.

– Amor...

E ao ouvir aquelas simples palavras do outro lado da linha, foi inevitável não desmanchar o sorriso triste em meu rosto, dando lugar a uma expressão inenarrável. Alice nada disse, somente me abraçou mais forte, me levando para casa.

Meneei a cabeça, suspirando e aumentando a velocidade do carro. E foi como um estalar que, tendo aquela lembrança, eu percebi que quem a chamara de amor naquela noite, havia sido Damon – a voz era inconfundível. Praguejei alto, pensando em dar meia volta e retornar à Milão no momento seguinte. Entretanto, o irreconhecível perfume de morango invadiu meu organismo enquanto eu ouvia o suave farfalhar de um coração ao longe.

Acelerei o Volvo sem pensar em mais nada, rumo àquelas batidas erráticas e descompassadas, tendo mais certeza, a cada segundo, de que se tratava de Bella. E acertei.

Ao longe, em um penhasco que se desenrolava em uma estrada à esquerda, estava a bela morena, ainda usando o mesmo vestido branco daquela manhã. Seus cabelos se moviam com a brisa que se agitava aos poucos, ganhando aquela perfeita coloração levemente avermelhada, com os poucos raios do pôr do sol que perpassavam as nuvens escuras e raivosas, anunciando uma chuva. O mar parecia espelhar meus sentimentos – furioso, barulhento e de ondas disformes. Mas aquilo tudo eu apenas notava com a minha visão periférica... Eu só tinha olhos para Bella, de costas, sem parecer ter notado a minha presença... Embora perigosamente perto daquele penhasco.

Parei o carro rapidamente, saindo dele e sentindo o vento chicotear minha pele e bagunçar meus cabelos, mas Bella ali... Alheia, aérea, inerte.

– Bella? – Chamei seu nome em um murmúrio baixo, ciente de que ela poderia me ouvir.

Eu apenas a vislumbrei menear a cabeça em negação, abrindo os braços suavemente. Então, eu temi. Ela não estava pensando em pular dali... Estava?

– Bella, o que você está fazendo? – perguntei, aproximando-me de seu cheiro tão entorpecente, preparado para interferir qualquer loucura que ela pensava em fazer.

– Eu estou cansada, Edward... – sussurrou, ainda sem me olhar.

E ao chegar ao seu lado, avistando o oceano há metros e metros abaixo daquele penhasco, notei que seus olhos estavam fechados, o rosto erguido, seus fios castanhos se movimentando para todos os lados, conforme a ventania.

– Cansada de quê, Bella? – Minha voz se tornou desesperada e, mais do que nunca, desejei poder ler seus pensamentos.

Ela, surpreendendo-me, finalmente abriu seus olhos, fitando-me com tanta intensidade a ponto de me deixar desconcertado. Os olhos marejados, tristes, perdidos, e, no entanto, tão focados nos meus.

– Estou cansada de tentar ignorar o que eu sinto por você.


Notas finais
N/A: Ai, Jesus, coitadinha da Bella *funga* Esse povo não ajeita esses sentimentos... OMG! *olhar suspeito*
HAUHAUHAUHAUAHUAHUA
Mas e aí, o que acharam do cap? O próximo terá mais Damon, pra vocês saberem o que levou à Bella ao penhasco e uma mega surpresa pra vocês! Muahahaha!
E o que acharam desse? A resposta da Bella sobre fugir com o Edward, a briga dele com a Charlize, o flashback que ele teve de quando foi atrás da Bella e, finalmente, a confissão da nossa vampira!
Então comentem, povo! Vamos aproveitar que estou de férias e tenho tempo livre pra escrever, então vamos comentar... Senão eu só vou escrevendo e enrolo nas postagens de propósito u.u
HAUHAUAHUAHUAHAUHAUHAU
E enquanto isso, já estou indo responder meus lindos reviews do cap anterior *_____*
Até mais, lindos... Comentem e teremos cap novo ainda essa semana >.
Um beijo e até mais!
Toodles honey