Respiro Me
14 Notte
Notas iniciais
HUAHAUHAUHAUAHUAHUA
E, bom, antes do capítulo, eu gostaria de ter uma conversa muito séria com vocês. Alguns reviews do cap anterior foram horríveis devo dizer, junto de MP's de alguns leitores. Insultos foram feitos e atitudes imaturas também.
Okay, eu entendo que as atitudes do Edward e da Bella estão sendo enfieis, mas aqui na fic nada é em vão e vocês devem entender isso. Desde o início eu avisei que apenas seria explícito com quem a Bella ficaria, no final da fanfic, então não me venham dizendo que ela está mais inclinada a um personagem do que outro, porque, se não repararam, a capa da fanfic leva Edward e Bella. Mas isso NÃO significa que o final será assim, apenas que a fanfic seria pautada no relacionamento de ambos e em como eles levariam isso adiante: se abririam mão de tudo ou seguiriam em frente.
Então, por favor, parem de xingar a Bella! Ela é minha personagem e os sentimentos em conflitos na história requerem maturidade e seriedade, então, se não são maduros para captarem isso, não são maduros para lerem a fic.
Sei que muitos não deviam ler essa nota... E não entendam mal, eu NÃO estou falando de críticas, estou falando de insultos, porque xingaram a Bella de "puta", "vadia" e não sei mais o quê... Críticas e opiniões são MAIS QUE BEM VINDAS e vocês sempre souberam disso (afinal eu adoro! kkkkk), agora argumentos infundados e xingamentos, é do lado de fora da fic!
Bom, é isso... Desculpa quem não merecia ouvir isso, mas realmente fiquei chateada com leitores que não sabem compreender o teor da história.
Ah, e obrigadíssima à lauracullen pela recomendação! Realmente me fez levantar e querer escrever esse cap com tudo!
Aproveitem e, só mais uma coisa, quando eu pedir para ouvirem a música "Never Think", podem colocar ela pra rodar de novo e de novo durante as cenas seguintes... kkkkkk'
O subconsciente de vocês vão dizer onde parar ;D
Boa leitura ^^
Notte
– Essa maldita festa da cidade tinha que estar acontecendo no mesmo final de semana da Conferência, claro que tinha! – Eu resmungava raivosa, desde o momento em que arrastava minha mala do hall do hotel até chegar ao elevador vazio e luxuoso. E, claro, com um Edward confuso ao meu lado.
– Bella, também não é motivo pra tanto alarde! – Ele se pronunciou após pressionar o botão do andar em que ficaríamos, enquanto tentava, mais uma vez, pegar minha mala.
– Edward, estou bem assim, obrigada! – Fui irônica. – E não é motivo pra tanto alarde? – Perguntei, olhando-o cética.
– Bella, por Deus! É só uma noite em um quarto de hotel qualquer... E você sabe muito bem que eu não durmo, então, a cama é toda sua. Sem estresse... – Murmurou, dando-se por vencido.
– “Sem estresse”, o Sr. Autocontrole diz... – Revirei os olhos, rosnando.
Rapidamente a porta do elevador se abriu, revelando um corredor imenso e calmo, em contraste com a loucura que estava a recepção. O luxo ali era palpável, e eu não via a necessidade de quadros de Picasso nas paredes e o tapete e os objetos ali terem aquele tom dourado que lembrava a realeza. Somente bufei, arrastando a minha mala, com Edward em meu encalço.
– Lacey, sua lerda, você não vai me pegar! – Um garoto, que devia estar com seus 8 anos, gritou, correndo por entre o corredor. Logo, uma menina, que deveria ser um pouco mais velha, apareceu, seguindo o menino naquela brincadeira mais antiga que meus bisavós.
O menino de cabelos escuros passou por mim, fazendo-me desviar rapidamente para que ele não trombasse em mim, mas aquele gesto fez com que uma sucessão de desastres prosseguisse. Um funcionário do hotel apareceu de repente por um corredor que havia do lado esquerdo e a garota que corria esbarrou nele, que estava praticamente na minha frente, alheio a tudo.
– Bella! – Ouvi a voz alarmada de Edward, mas a bandeja de água que o garçom carregava veio exatamente em minha direção, pegando-me de surpresa e derrubando todo o conteúdo em parte do meu rosto, na saia branca de cintura alta e na camisa de botões que trajava.
Cerrei os olhos ao passo em que trancava a mandíbula e respirava fundo. Olhei a frente e a menina, caída no chão ao lado do funcionário, encarava-me com um misto de diversão e culpa, enquanto o mesmo, tremia, esperando minha reação.
– Era só o que me faltava... – Sussurrei pra mim mesma.
– Vocês estão loucos? – Edward ralhou com as crianças, embora estava ajudando a garota a se levantar e eu, apenas quieta. Fechei os olhos, inspirando, voltando a abri-los mais tranquilamente.
– Perdão, Senhora... Vocês sabem como são essas crianças e... – O homem magro e baixinho que trabalhava ali começou, mas apenas meneei a cabeça.
– Não, está tudo bem... – Sorri levemente. – Pelo menos foi água e não outra coisa!
– Perdoe-me mesmo assim...
Acenei, vendo os dois pestinhas apenas correrem de volta de onde vieram, gritando um “Desculpe!” em uníssono.
– Você está bem? – Edward perguntou, olhando-me preocupadamente.
– Sim... Apenas preciso me secar... – Murmurei, apenas vendo-o pegar minha mala, que acabou ficando jogada num canto qualquer, guiando-me até o quarto.
Assim que ele deslizou o cartão por entre a fechadura personalizada, evitei a expressão de espanto, deslumbrando-me com o tamanho do cômodo.
– Pelo menos o quarto é enorme! – Falei ao entrar, ouvindo um riso baixo vindo de Edward.
Os mesmos tons de branco e dourado que haviam no corredor, percorriam as paredes do ambiente e os tapetes, exceto pela roupa de cama e as enormes cortinas cor de creme, que cobriam parcialmente as portas duplas fechadas que davam para sacada, onde os pingos de chuva ainda deslizavam com furor.
Suspirando, abri a porta à esquerda que dava acesso a um imenso banheiro, à procura de algo para me secar. No entanto, não havia nem uma mísera toalha de rosto ali, o que me fez bufar novamente, retornando nervosa ao quarto.
– O que houve? – Edward inquiriu ao colocar sua mala num canto qualquer.
– Não tem nenhuma toalha no banheiro! – Cocei a cabeça nervosa, evitando seu olhar. – Vou até a recepção pedir algumas.
Entretanto, a música “Beside You”, de Van Morrison, começou a soar de dentro da minha bolsa e logo percebi que era Damon me ligando. Andei até a cama, abrindo a bolsa e pegando meu celular, vendo sua foto iluminar o visor, bem como meu sorriso ao lembrar que ouviria sua voz.
– Amor... – Sorri amplamente ao atender, sentando-me em um alcochoado aos pés da cama, apenas ouvindo os passos de Edward se distanciarem para fora do quarto e, logo, a porta ser fechada.
Franzi o cenho somente.
– Bella, amor, chegou bem? – Ele perguntou suavemente e eu pude sentir seu sorriso aconchegante do outro lado da linha.
– Cheguei sim, exceto pelo céu que parece estar desabando! – Soei divertida, fazendo-o rir.
– Está chovendo tanto assim?
– Nem me fale... – Bufei. – Sem contar que umas crianças atentadas estavam correndo pelo corredor e o garçom acabou esbarrando em mim com uma bandeja de água, me molhando toda!
– Você não sugou o sangue do pobre coitado, sugou? – Riu divertido, fazendo-me sorrir travessamente. Ele nunca perde a chance de um comentário irônico...
– Ainda não, mas quem sabe eu não invada o quarto dele no meio da noite? – Murmurei sombria, apenas ouvindo sua risada gostosa. – Mas, me diz, como estão as crianças? Você as alimentou? Elas já estão dormindo?
– Bella, você fala como se eu não fosse capaz de cuidar dos meus próprios filhos! – A voz falsamente ultrajada soou, fazendo-me revirar os olhos docemente.
– Olha o drama, Sr. Salvatore! – Sorri, retirando meu sapato de salto e caminhando até uma das janelas que continha uma bela vista para a chuvosa Roma.
– Elas estão alimentadas e quentinhas na cama delas, apenas esperando o papai mimá-las com uma historinha de ninar!
– Boa sorte! – Desejei, rindo. – E mande um beijo para os dois!
– Pode deixar, amor... Boa noite. – Falou carinhosamente. – Eu te amo.
– Também te amo. – Sussurrei antes de desligar, sentindo o peso das minhas palavras.
Eu o amava tanto, mas... Aquela frase sempre me trazia lembranças de um outro alguém. E eu odiava tanto aquilo.
Escorei minha cabeça na janela, por onde a chuva caminhava despreocupadamente, tão alheia ao mundo... Aquela noite trazia outras memórias à tona, fazendo com que imagens de certa noite chuvosa de verão na Califórnia invadissem minha mente.
Já devia se passar das sete da noite e eu estava no terraço de um dos campus da Berkeley University, onde havia um pequeno jardim onde eu adorava me refugiar. As aulas haviam acabado mais cedo naquele dia e, ao invés de voltar para o apartamento no qual eu dividia com Elena, optei por ficar ali mesmo e estudar para as provas finais do quarto semestre.
Eu ainda podia ser considerada uma vampira jovem, já que só haviam se passado dois anos após minha transformação, mas meu autocontrole era tão perfeito quanto o dos irmãos Salvatore e de minha amiga – que havia se tornado uma de nossa espécie pouco antes de iniciar a faculdade.
E eu estava confusa naquele instante, tentando decorar todas aquelas nomenclaturas radiológicas. É claro que não seria uma tarefa muito difícil para uma vampira que consegue pensar em dezenas de coisas ao mesmo tempo, mas ter que dividir minha atenção entre um livro de Radiologia e certo vampiro de olhos azuis era extremamente árduo.
Damon e eu éramos grandes amigos, mas acabei por ceder nossos sentimentos há alguns meses e estávamos namorando. Mas eu não podia negar que meu coração ainda não era plenamente seu... E eu não podia afirmar que algum dia pudesse ser.
– Tenho certeza que está pensando em mim e no quanto eu sou lindo e sexy... – Sua voz fez com que eu sobressaltasse, mas logo pude vê-lo terminando de subir as escadas que davam acesso ao terraço. Sorri, revirando os olhos enquanto ele se aproximava e se sentava ao meu lado.
– Você é muito convencido... – Falei com um sorriso, erguendo o livro que antes tentava ler. – Eu estava estudando!
– Aham... – Murmurou somente, tomando-o e colocando na pequena mesinha de madeira que havia logo à frente, se aproximando de mim como um verdadeiro caçador em busca da presa.
Para ouvir: Amy Kuney – Hope a Little Harder
http://www.youtube.com/watch?v=wtlGOmR5MaI
E, então, seus lábios encostaram com suavidade nos meus, fazendo-me suspirar de contentamento. Seus beijos eram sempre quentes e, quando não continham aquela pitada de malícia, eram repletos de desejo.
– Você é minha perdição, Swan... – Sussurrou contra a minha boca, fazendo-me morder os lábios enquanto sentia os seus deslizarem por minha mandíbula.
– E você não perde uma chance, Salvatore... – Provoquei, arrepiando-me ao sentir um beijo molhado em meu pescoço.
– Eu te amo, Bella... Minha Bella... – Voltou seus lábios aos meus, mas eu não consegui corresponder seu gesto.
“Minha Bella”... Aquele era o modo que ele me chamava... E ter aquelas mesmas palavras sendo pronunciadas pela voz afável de Damon, foi como se parte do ferimento em meu peito voltasse a se abrir.
Afastei-me levemente, sem conseguir fitar seus indagadores olhos azuis – aquilo me faria corroer por dentro –, e apenas coloquei meu livro dentro da mochila que carregava, ignorando seus chamados ao descer as escadas e correr pelo campus.
– Bella! – Pude ouvi-lo gritar e seus passos me seguirem, mas sua voz foi abafada por um forte trovão vindo com um raio que iluminou a noite, segundos antes dos pingos de chuva começarem a cair.
Eu não me importei em correr mais rápido, não me importei com a água caindo com força sobre meu corpo. A dor em meu peito anestesiava qualquer outra. E eu nem sabia distinguir se o que molhava meu rosto era somente a chuva ou as lágrimas que embaçavam minha visão.
– Bella, o que houve? – Ele perguntou, segurando meu pulso assim que conseguiu me alcançar.
Parei onde estava, encarando-o de forma intensa. Esperava que ele pudesse ler meus pensamentos através daquele olhar... Dizer as palavras seria doloroso demais.
– Quando é que você vai enterrar seu passado? – A voz era suave, embora a angústia e a mágoa fossem quase palpáveis. – Eu sei que você ainda o ama, Bella... E, por mais que eu te ame, é cada vez mais difícil viver à sombra de alguém.
E foi naquele instante – antes de enlaçar meus braços ao redor de seu pescoço e beijá-lo – que eu decidi colocar uma pedra na história que construí com Edward, custe o que custar.
– Bella, eu consegui essa toalha e o hotel logo irá abastecer o quarto... É que, com essa correria, as coisas ficaram meio loucas por aqui... – A voz de Edward me fez quase pular de susto, enquanto eu me virava para vê-lo entrando no quarto.
No entanto, seus olhos se conectaram aos meus, como magmas, e eu não duvidaria se alguém dissesse que o calor entre nossos olhares fosse tão quente quanto uma erupção vulcânica.
Ele somente se aproximou à passos suaves e hesitantes, rodeando a toalha quente e macia em meus ombros. E apenas quando seus dedos gélidos acariciaram as maçãs do meu rosto, notei que teimosas lágrimas deslizavam dos meus olhos. Eram lágrimas de raiva, de dor, de remorso, de fúria... De amor.
– O que fizeram com nós dois? – Ele sussurrou meio arfante, sem desviar seus olhos dourados e líquidos dos meus.
Meneei a cabeça, tentando achar as palavras certas que o faria sentir a mesma dor que senti durante todos aqueles anos.
– Você é o culpado. – Murmurei com a voz grave, controlando minha respiração que queria sair em arquejos.
E ele nada disse ou fez, a não ser afastar suas mãos de mim, deixando-as caírem ao lado de seu corpo. Mas pude sentir seu olhar em minhas costas enquanto passava por ele e andava até o banheiro, tentando manter o equilíbrio das minhas pernas.
Tomei um banho rápido, tentando relaxar os músculos retesados de minhas costas. Meus olhos se apertaram debaixo do chuveiro e, se eu pudesse fazer algo pedido, eu desejaria não sentir mais todas aquelas coisas... E gostaria que a água não somente lavasse minha pele, mas que levasse junto dela todos aqueles buracos alojados na minha alma.
Vesti-me ainda dentro do banheiro, colocando um short preto e uma blusa de malha de mangas compridas e um leve decote. Enquanto adentrava o quarto, pude avistar Edward sentado em uma sofá ao lado de uma imensa janela de vidro, espantando-me ao notar que ele dedilhava uma canção qualquer num violão. Desviei meu rosto assim que tive o pressentimento de que ele fosse me encarar, andando até a cama ao passo em que prendia meus cabelos em um coque mal feito.
Para ouvir: Robert Pattinson – Never Think
http://www.youtube.com/watch?v=R89K1zydhPI
A penumbra do quarto era suave e aconchegante, e apenas um abajur perto de mim e outro, perto de Edward, iluminavam o ambiente. Comecei a vasculhar minha mala, encontrando o guia da Conferência, que indicava as palestras que teria no dia seguinte. Logo aquilo se tornou irritante e, ainda ao som das cordas do violão se misturando ao barulho aconchegante da chuva, deitei-me na cama, cobrindo-me e tentando encontrar o sono. Uma atitude inútil, devo dizer, já que a tensão presente ali tornava tudo pesado demais.
E, de repente, o som que vinha do violão não era o único que embalava a noite, pois logo a voz de Edward se fez presente em uma melodia perfeita. Apenas fechei os olhos, fingindo estar em uma outra época.
I should never think
Eu nunca deveria pensar
What's in your heart
No que está no seu coração
What's in our home
O que está no nosso lar
So I won't
Então não pensarei
Mordi os lábios, inquieta, fechando os olhos com ainda mais força. No entanto, minha respiração ofegava, denunciando as batidas erráticas do meu coração.
You'll learn to hate me
Você aprenderá a me odiar
But still call me baby
Mas ainda me chama de querido
Oh, love
Oh, amor
So call me by my name
Então me chame pelo meu nome
O que ele queria dizer com aquilo? Eu já o odiava. Ele me fez odiá-lo.
And save your soul
E salve sua alma
Save your soul
Salve sua alma
Before your to far gone
Antes de você ir longe demais
Before nothing can be done
Antes que nada possa ser feito
E, então, eu me sentei na cama de repente, com uma fúria incerta tomando conta de mim. Como ele ousa? Mas ele não me olhava – Seus olhos estavam fechados, apenas seus lábios e seus dedos se movendo, formando a música.
I'll try to decide when
Eu nunca tentarei decidir quando
She'll lie in the end
Ela irá mentir no fim
I ain't got no fight in me
Eu não tenho nenhuma luta em mim
In this whole damn world
Em todo esse maldito mundo
So hold off
Então você se afasta
She should hold off
Ela não deveria se afastar
It's the one thing that I've known
É a única coisa que eu sei
Mordi os lábios mais uma vez e, quando vi, estava me levantando da cama.
Once I put my coat on
Assim que eu colocar meu casaco
I coming out in this all wrong
Eu saio errado de tudo isso
She standing outside holding me
Ela está parada lá fora me segurando
Saying: “oh, please”
Dizendo: “oh, por favor”
“I'm in love”
“Eu estou apaixonada”
“I'm in love”
“Eu estou apaixonada”
Aquelas palavras eram mesmo pra mim? Minha mente tentava distinguir tudo aquilo, mas era demais... Eu me via perdida, andando a passos curtos em sua direção – Meus olhos marejados.
Girl, save your soul
Garota, salve sua alma
Go on save your soul
Vá salvar sua alma
Before it's too far gone
Antes que seja tarde demais
And before nothing can be done
Antes que nada possa ser feito
Ele não havia me notado ainda, com seus olhos fechados, concentrado na música. O cenho franzido, a respiração entrecortada tomando lugar por entre sua voz.
'Cause without me
Porque sem mim
You got it all
Você tem tudo
So hold on
Então segure-se
Without me you got it all
Sem mim você tem tudo
So hold on...
Então segure-se...
E, então, nos últimos acordes ele finalmente me notou ali, parada diante de seu corpo, olhando-o com os olhos cheios de indagações. Meu corpo parecia tremer por dentro, meu peito doía e meu rosto falava por mim. Enquanto seus olhos dourados eram inexplicáveis... Com aquele tom que sempre me inebriava, deixando-me tonta, confusa... E todas aquelas sensações que apenas ele me fazia sentir me causou raiva. Raiva por justamente apenas ele me fazer sentir. Apenas ele.
– Por que você faz isso? Por que você teve que voltar pra minha vida e estragar tudo? Não eram suficientes os danos que já me causou uma vez? Precisa mesmo fazer tudo de novo? – Minha voz saiu em um misto de ódio e dor. – Quando eu estava com a minha vida nos eixos, você decide aparecer e estragar tudo! Está satisfeito, Edward? O meu casamento pode estar a um fio e você apenas se diverte com os meus sentimentos... Eu te odeio! – Eu gritei no final, e ele me surpreendeu, levantando-se rapidamente e me encarando lívido.
– Você acha mesmo que eu esperava tudo isso, Bella? Porra, o mundo não gira em torno de você! – Ele gritou de volta, perto demais de mim. – Você acha que apenas você sofreu... Mas você tem ideia do que eu passei pra conseguir levar minha vida adiante?
– Sério que você vai vir me dizer que sofreu? – Soltei um risinho sarcástico, provavelmente insano. – Foi você que partiu feito um covarde, deixando uma maldita carta pra trás! Foi você quem estragou tudo o que tínhamos, que desfez a Bella que existia dentro de mim, que destruiu o amor que eu sentia por você!
– Era pra te proteger! – Ele ergueu as mãos, exasperado. – Seu lugar não era em um mundo cercado de perigos o tempo todo... Por Deus, Bella, você não sabe o quanto eu sofri por fazer aquilo!
– Que irônico, não acha? Você foi embora pra que eu me desligasse dos vampiros... E olha só no que resultou: hoje eu sou uma vampira! – Continuei com o humor negro. – Grande feito o seu, Edward... Quer que eu bata palmas?
– Você está fora de si, Bella... – Ele murmurou, os olhos cheios de dor.
– Não, Edward... Eu já estive fora de mim e pode ter certeza que eu sei quando passo dos limites... – Meneei a cabeça, sem conseguir desviar meu olhar do seu. – Eu fiquei louca quando vi que, como um verdadeiro covarde, você havia fugido... Eu estava a um passo de entrar em depressão e sabe Deus o que poderia ter acontecido se eu não tivesse conhecido Damon meses depois.
– E você não sabe o quanto eu me odeio por isso. – Disse apenas, olhando ao redor, como se tentasse se controlar. – Eu sabia que não conseguiria ir embora se olhasse nos seus olhos uma última vez... Eu era fraco demais... Eu tinha que te deixar pra te proteger...
– E foi uma atitude em vão...
– E você não acha que eu não me arrependo disso todos os dias? Você acha que toda vez que Charlize abre os olhos de manhã eu não desejo que fosse os seus olhos? Você não acha que... – Ele suspirou, fechando os olhos com força para, então, me encarar com todo o peso deles. – Por mais que eu me odeie... Por Deus, Bella, eu já me peguei pensando em como seria Wendy se ela fosse uma filha minha com você!
– Quem é o insano agora? – Perguntei, erguendo uma das sobrancelhas enquanto sentia minha vista embaçar pelas lágrimas que se acumulavam em meus olhos. E eu não as deixaria cair.
– Eu peço perdão a Deus todos os dias por isso... – Sua voz soou embargada naquele instante, e eu quase deixei minha máscara cair. – Eu peço perdão por ter te deixado, por ter sido covarde o bastante pra não ter tentado mais com você, por desejar que às vezes Charlize fosse você... Peço perdão por ter não poder estar presente em todos os seus aniversários que passaram... E peço forças pra conseguir aguentar mais um dia e amar minha esposa como ela deveria ser amada.
– O que você quer dizer com isso? – Sussurrei. Ele não amava a esposa?
– Como assim o que eu quero dizer, Bella? Será que você não percebe? – Ele se aproximou ainda mais de mim, e suas mãos me seguraram pelos ombros. – Eu estou apaixonado por você, Bella! Sempre fui. Eu nunca deixei de te amar durante esses malditos quinze anos!
Minha respiração saía em arquejos violentos e a dele não era muito diferente. Nossos olhos se uniram com uma precisão avassaladora e o que eu consegui ler através deles me deixou sem chão. Afinal, ele sofreu tanto quanto eu durante todo aquele tempo. Ele tentou colocar uma pedra em nossa história da mesma maneira que eu tentei. Ele tentou construir um futuro ao lado de sua família na mesma maneira que eu tentei. E eu não podia culpá-lo por tudo aquilo, porque ele sempre me desejou ao seu lado... Sempre continuou a me amar... Da mesma forma que eu. E eu não consegui conter as lágrimas. Não mais.
Eu não era a única que passei por tudo aquilo... Eu não era a única que tentava amar a pessoa certa pra mim... Era tão certo, mas tão errado... E, então, a raiva veio com força! A raiva por nossas vidas ter tomado caminhos opostos, rumos diferentes e uma história que poderia ter sido plena. Mas, não! Ele teve que me abandonar! Teve que mudar todo o curso de nossas vidas!
– E por que você me diz isso só agora? Na verdade, por que você me diz isso? – Funguei, olhando-o através das águas dos meus olhos. – Você me deixou, você fez tudo isso! Droga, eu odeio amar você!
Eu apenas tive o vislumbre de seus olhos se arregalarem surpresos e eu, logo, tentei me afastar de seu corpo, esmurrando-o e dando socos em seu peito coberto apenas por uma camisa de botões azul, enquanto sentia as malditas lágrimas encharcarem meu rosto.
– Inferno, me solte! Eu te odeio... Eu odeio!
– Não, Bella... – Sussurrou, agarrando minhas mãos em seu peito. – Não faz isso... Eu te amo tanto...
– Não! – Meneei a cabeça violentamente, negando aquelas palavras de envenenarem a minha alma outra vez.
– Eu amo, Bella... Céus, eu sempre te amei! – E, então, seus braços envolveram o meu corpo por completo em um abraço que, embora tivesse sua temperatura gélida, foi o abraço mais quente dos últimos quinze anos.
Funguei outra vez, soluçando, enquanto escorava meu rosto em seu peito, chorando ainda mais ao senti-lo acariciar meus cabelos, como nos velhos tempos... E aquilo me doeu tanto...
Outro soluço invadiu minha garganta, e Edward me apertou mais contra si, até que senti nossos corpos se deslocarem e minhas costas atingirem o colchão macio da enorme cama. Apertei meus olhos, sentindo-o deitar ao meu lado e, logo, me puxar para seu peito outra vez, continuando a delicada carícia em meus fios castanhos. E somente quando sua voz de veludo começou a cantarolar as tão conhecidas notas da minha canção de ninar, minha respiração se tornou uniforme e minhas lágrimas pareceram secar...
E na penumbra daquele quarto, sem me importar com a chuva torrencial que caía naquela cidade, consegui dormir tranquilamente. Não sem antes sentir um suave beijo de Edward em minha testa, junto da frase que finalmente pareceu aquietar meu coração.
– Eu te amo, minha Bella.
A madrugada foi tranquila, contradizendo a noite que tive. Todas aquelas palavras pareceram deixar meu peito mais leve, exceto aquelas últimas ditas por Edward, que ainda me cutucavam por dentro.
E, quando acordei, o quarto estava vazio, exceto pelos raios do sol italiano que invadia todo o ambiente. E nem parecia que havia caído uma tempestade na noite anterior. No entanto, somente quando saí do banho – usando um delicado vestido – encontrei Edward, que entrava no quarto com um sorriso suave preenchendo os lábios perfeitos. Repreendi-me pelo pensamento. Eu deveria parar com aquilo.
– Bom dia, Bella! – Murmurou com um leve traço de hesitação, embora sua expressão fosse iluminada.
– Dia... – Respondi, sem fitá-lo muito, indo guardar a escova de dentes em minha nécessaire.
– Hmm... Eu liguei pro Lorenzo e ele fretou um jatinho pra nos levar de volta à Milão ainda essa noite.
– Claro! – Falei apenas, olhando-o rapidamente enquanto seguia para a porta do quarto. – Eu vou lá embaixo tomar um café e, então, podemos ir pra Conferência.
Ele somente assentiu, pegando o mesmo guia que eu comecei a ler na noite anterior, enquanto se sentava numa poltrona. Respirei fundo, saindo dali o quanto antes. E o restante do dia passou de forma rápida.
Para ouvir: Aly Michalka – Someone To Fall Back On
http://www.youtube.com/watch?v=Nq2lCGKwJRE
Edward e eu seguimos para alas um pouco diferentes durante a Conferência e pouco nos vimos, já que ele optou por assistir palestras exclusivamente de Oncologia enquanto eu variei entre Pediatria e Neonatologia também. Deste modo, apenas fomos nos ver quando o relógio marcava quase seis horas da tarde e estávamos saindo do local repleto de médicos.
Conversávamos distraidamente sobre o nosso dia enquanto andávamos pelas ruas de pedra de Roma, onde muitas pessoas circulavam por ali, visitando a cidade por conta de seu aniversário. Uma suave música tocava ao longe e podíamos ver que era uma espécie de desfile ou comemoração à céu aberto.
Um sorriso pleno brincou em meus lábios, enquanto adentrávamos a multidão feliz e festeira. O por do sol começava a dar seus indícios e, por sorte, algumas nuvens preenchiam o céu, fazendo com que Edward andasse por ali despreocupado, sem temer que sua pele pudesse brilhar a qualquer instante.
Olhei pra ele, sem tirar o sorriso do rosto, vendo sua expressão espelhar a minha. E, então, como uma criança que descobre a liberdade pela primeira vez, abri meus braços para o dia, girando ao redor de mim mesma com os olhos fechados. Ouvi Edward gargalhar e, logo, uma garotinha de cabelos ruivos que dançava, como muitas outras pessoas, pegar minha mão para dançar com ela.
Sorri, olhando-a e girando-a conforme a música que nos embalava. E ela rapidamente se afastou ainda se movendo com suavidade. Olhei para o vampiro ao meu lado, com uma expressão tão divertida quanto a minha.
– Às vezes eu me esqueço do quanto ainda sou cheia de vida! – Inspirei o ar limpo da cidade, fechando os olhos outra vez.
E, surpreendendo-me, senti uma das mãos de Edward tocar a minha, erguendo-a ao passo em que me fazia girar. Uma risada se fez em meus lábios novamente, vendo seu rosto tão feliz quanto o meu. No entanto, acabei perdendo o equilíbrio de meus próprios pés, quase caindo em cima dele, que me segurou firmemente pela cintura. E seus olhos, de repente, eram sérios... E se dirigiam aos meus lábios. Então, senti sua boca colar à minha com sede.
Enlacei minhas mãos em seu pescoço, afundando meus dedos em seus cabelos acobreados que tanto me faziam delirar, sentindo sua língua fria acariciar a minha quase com devoção. E, como num estalo, minha consciência fez minha cabeça doer e eu me afastei em um átimo, respirando fundo.
Seu olhar encontrou o meu por um instante, antes de eu desviá-los para baixo enquanto tocava meus lábios com minhas mãos, sentindo-me estranha. Porém, ele enlaçou ambas as nossas mãos, encaixando-as gentilmente. E em um passe de mágica, os olhos dourados pareceram insanos, e Edward me encarou com ardor.
– Vamos fugir, Bella. – Ele murmurou, e eu senti meus olhos se arregalarem enquanto eu arfava. – Vamos fugir e esquecer de tudo.
Eu apenas o encarei, vendo a atitude desesperada que suas palavras buscavam. Atitude essa que poderia talvez reorganizar o rumo que nossas vidas haviam tomado.E eu preferia não pensar, antes que fosse tarde demais para salvar minha alma.
Notas finais
Mas em que sentido a Bella quis dizer "E eu preferia não pensar, antes que fosse tarde demais para salvar minha alma."? Hm... Tem dois sentidos pra essa frase ser levada... Ou que fosse tarde pro amor dela e Edward ou tarde pra voltar atrás...
Adoro plantar a sementinha da dúvida na cabeça de vocês! HAUHAUHAUHAUAHUA
E, bom, deixem reviews... Sempre adoro saber o que estão achando! Sem contar nas ameaças das leitoras, já que 1/3 é Team Damon, 1/3 é Team Edward e o outro 1/3 ainda está na dúvida! kkkkkkkk'
Já estou indo responder os do cap anterior!
Um grande beijo e até o próximo cap =)
Toodles honey
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