Notas iniciais
N/A: Hello, people!Primeiramente, perdão pela demora... Mas vocês sabem como é conciliar família, escola e fanfictions! Aos poucos, as coisas vão melhorando ;)Mas finalmente trouxe um capítulo novinho e mega fresquinho pra vocês... Cap este que as Team Edward vão adorar *mexe as sobrancelhas*kaopksposkpoakspoaskpAh, e pra quem já quiser ir colocando para carregar, as músicas do cap são as seguintes:Rihanna - California King Bed >> http://www.youtube.com/watch?v=jHS4ounb6eQChristina Aguilera - Beautiful >> http://www.youtube.com/watch?v=R_mkyQbdFngIron & Wine - Flightless Bird, American Mouth >> http://www.youtube.com/watch?v=d1BgYTZ4MxcLembrando que as músicas são importantíssimas para o capítulo, inclusive essa última ^^E antes de lerem, gostaria de dar boas vindas aos novos leitores e agradecer pelos antigos continuarem me aguentando!hsauhasuhasuhsauahsuashuVocês são muito importantes nessa jornada...Inclusive à essas fofíssimas que recomendaram a fic *olhinhos brilhando*:>> kly>> itsKaren>> jd_robb2Agora sim... Aproveitem mais um cap de Respiro Me!

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– Damon! – Minha voz proferiu em um farfalhar alto, mas parecia ser ignorada de maneira clássica pelo som forte e abafado da tempestade.

Quem era aquela Rose, afinal? Como Damon nunca havia me falado dela antes? Eu me sentia traída... Era como se todos os meus órgãos estivessem estritamente apertados, agonizando-me aos poucos.

Apressei meus passos, tentando alcançá-lo, no entanto, o solo encharcado afundava meus pés – Era como se eu estivesse andando em círculos.

Eu tiveque ir atrás de meu marido, ignorando a torrencial chuva primaveril daquela noite escura. Deixei todos, sem olhar por sobre os ombros, abrindo a porta da sala e correndo pelo jardim.

– Damon, espere! – Gritei outra vez, e tive a sensação de vê-lo andar mais rápido, enquanto sentia minha roupa colar ao corpo e ficar pesada de repente, dificultando meus passos. – Não aja como uma criança. Precisamos conversar.

Ele virou de uma vez; seus grandes olhos de safira fulminantes. E eu parei. Pude notar seu peito e subir e descer em um ritmo ainda mais descompassado que o meu, torneando seus músculos perfeitos por conta dos grossos pingos de chuva que caíam em sua camiseta branca, mesmo com aquela jaqueta de couro por cima.

– Eu agindo como uma criança? – Sua voz estava rouca e... Diabos! Ele tinha que ser tão sensual? Não podia ser a porrade um canalha qualquer? – Pelo que me parece, Bella, querida, a criança aqui é você, que passou todo o final da semana dividida sobre a quem dar a devida atenção: Eu ou seu querido Edward.

Eu arfei. O ar ficou preso em minha garganta e pensei que pudesse engasgar. Damon não era um canalha – nunca foi –, porque euera a porra de uma mulher que não merecia merda alguma. Mas não pude controlar... Eu tentava... Deus sabe como tentava tirar Edward de minha cabeça, contudo, tornava-se uma tarefa cada vez mais árdua... Impossível. Eleestava cravado no meu coração.

Senti meus olhos marejarem, embora eu não pudesse distinguir se eram minhas lágrimas ou os pingos de chuva. Engoli em seco, lançando meu último olhar ao Damon, virando-me e andando de volta para a casa.

Mordi meus lábios com força e estaquei o maldito choro preso em minha garganta, tentando respirar fundo. Meus pés mal conseguiram dar dois passos e, logo, senti as quentes e grandes mãos de meu esposo prenderem meu pulso.

– Eu te amo. – sussurrou carinhosamente, como um estilhaçar de uma porcelana rara. – Perdão.

Para ouvir: Rihanna – California King Bed

http://www.youtube.com/watch?v=jHS4ounb6eQ

Meu olhar se voltou a ele, e encontrei seus olhos temerosos e seu cenho franzido. Seu hálito entorpecente bateu em meu rosto, formando uma pequena neblina ao sair de seus lábios.

– Você me ama? – perguntei sem conseguir disfarçar o tom contrariado. Meneei a cabeça, mordendo meu lábio inferior. – Diga-me quem Rose foi em sua vida.

Damon suspirou, afastando-se novamente. Os músculos de seu dorso estavam tensos, e eu pude reparar no instante em que ele virou de costas para mim.

– Ela foi minha primeira namorada... – murmurou; sua voz perdida, como se estivesse recordando-se daquele tempo. – Éramos muito jovens e eu a conheci quando a vi pegando algumas uvas, escondida naquele vinhedo. – Riu sem vontade, a nostalgia quase palpável. – Eu a amei desde o primeiro momento...

Senti meu cenho franzir sem qualquer permissão, e minha garganta se fechou, como se eu tivesse engolido um cubo de gelo. Eu não tive outra reação a não ser olhar ao redor, enquanto sentia minha roupa ficar pesada conforme a chuva a molhava.

– Namoramos durante um tempo... – Continuou, ainda sem se mover, sem me encarar. – Mas, então, a família dela se mudou para a Inglaterra...

– Vocês não se viram desde então? – perguntei, desconhecendo o som abafado provocado pelos trovões que insistiam em cortar o céu.

– Não... – suspirou, parecendo cansado, dolorido. – Mas logo Katherine apareceu, mudando tudo... E eu vi uma chance de recomeçar... E quando consegui esquecer a Rose, ela voltou... – O sofrimento se tornou latente em cada palavra e, por mais que meu lado bom pedisse para eu apenas beijá-lo e tirar sua dor, o lado ruim gritava de curiosidade. – E eu a dispensei, sem qualquer remorso... Naquele momento, é claro, porque, quando ela retornou à Londres, senti ódio de mim mesmo por ter sido tão mesquinho...

– Damon... – Consegui pronunciar com carinho, entretanto, ele prosseguiu.

– Então, desisti de tudo aqui e fui atrás dela... E quando cheguei à casa de sua família, soube que ela fora prometida à outro homem... Niklaus alguma coisa. – Riu sem vontade outra vez, divertindo-se com sua dor, girando seu corpo e fitando meus olhos. – Depois regressei à Itália, e me entreguei aos gracejosde Katherine... – Revirou os olhos, bufando, enquanto suas orbes azuis olhavam para todos os lados. – O resto você sabe.

– Mas... Nosso casamento fora há poucos anos e você conheceu Rose em... 1864?! – Murmurei confusa, colocando as ideias em ordem como um quebra-cabeça. – Como ela continuava viva... E com a mesma aparência?

– Niklaus... Klaus – falou com desgosto – Era um vampiro Original, você sabe, a primeira raça de nossa espécie. Não me surpreende que a Rose também houvesse se tornado uma vampira após se casar com ele...

Olhei em seu rosto e sua expressão era tão... Não havia palavras para decifrar aquele rosto de anjo escondido por uma carranca e um olhar triste. Eu não sabia o que fazer... Como agir.

– Damon, eu sinto muito... – sussurrei, andando em sua direção, por fim. Ele me surpreendeu, porém, afastando-se alguns passos, encarando-me. – Eu não esperava que fosse ficar desse jeito...

– E como acha que eu estou? – perguntou nervoso, o cinismo presente em sua face.

– Acho que está machucado. – pronunciei num sussurro, tentando ler sua alma.

– Não. – riu sem vontade, olhando-me com furor – Eu não me machuco, Bella.

– Não. Você não admite que se machuca. – Aproximei-me casualmente, estremecendo-me pela densidade da chuva que caia sobre meu corpo. – Você fica com raiva e esconde, fazendo algo estúpido.

– Agora eu estou machucado. – murmurou com ironia.

– Damon... – sussurrei, tentando penetrar aquela personalidade tão forte e resistente.

– Eu sei... – disse somente, não demonstrando qualquer reação. Ele desligara seus sentimentos, pensei. Como sempre fazia quando estava chateado... Ou nervoso.

E, dessa forma, vislumbrei meu vampiro se metamorfosear em um negro e belo pássaro – um corvo –, e, batendo as asas com ardor, pude vê-lo voar rumo ao norte. Praguejei, mesmo sabendo que ele voltaria em algumas horas, embora eu tivesse pensado em me transformar no animal que me fora destinado e ir atrás dele. Mas Damon precisava ficar só... Espero eu, sem fazer qualquer besteira.

Os pingos de chuva pareciam querer adentrar em minha pele, ao passo em que se tornava cada vez mais forte. A noite estava escura, ligeiramente fria, então, decidi voltar para a casa.

Ao abrir a porta, notei a sala vazia, e a lareira crepitando ao fundo. Mas o que não pude ignorar fora o suave som que entoava todo o ambiente, vindo das notas sutis do piano, que era dedilhado por certo alguém de cabelos acobreados.

A melodia de uma canção qualquer soava com harmonia, deixando meu corpo finalmente calmo. Fechei os olhos, enquanto respirava fundo e deixava ser absorvida pela música. E, então, subi as escadas em um átimo, agradecendo intimamente por Edward não parecer ter me notado.

Depois de um rápido banho quente, minha mente não parava de se focar em Damon, sempre relembrando sua feição triste, mas sempre sarcástica – como uma máscara. Sentei no acolchoado da janela, olhando os pingos da forte tempestade bater por ele e escorrer delicadamente até alcançar o telhado de baixo.

Meneei a cabeça e, agitada demais para conseguir dormir, segui para o primeiro andar – não me preocupando com o fato de estar apenas com um short justo, uma confortável e longa blusa de lã e longas meias de cor preta –, de onde as suaves notas do piano ainda podiam ser ouvidas. Sem nem conseguir fitar o instrumento, segui para o sofá principal da enorme sala, sentando-me com pesar. Do outro lado do cômodo, Jasper e Alice conversavam aos sussurros singelos, abraçados em uma grande poltrona próxima às portas de vidro.

Um suspiro triste e involuntário saiu por entre meus lábios, e, com um olhar vazio, abracei meus joelhos, dando a desculpa mental de ser por conta do frio e não falta de ter alguém ao meu lado. Eu estava sendo injusta, como sempre...

Deixei meus pensamentos mergulharem através da suave melodia que vinha do piano logo mais atrás do sofá, fechando os olhos com força para evitar as lágrimas. E o pior era que eu não sabia de qual parte da minha memória elas vinham: meu passado com Edward ou meu presente com Damon. E eu me odiava por isso.

– Sem sono? – A cálida voz de veludo soou, e apenas olhei para trás, certificando-me para quem aquelas palavras foram ditas.

Franzi o cenho, não conseguindo, porém, evitar o pequeno sorriso formado por meus lábios. Minha linda menininha estava ao lado de Edward, no piano, com seus longos e escuros cabelos bagunçados, bem como seu pijama colorido. Pude vê-la assentir em resposta a ele, esfregando as mãozinhas nos cintilantes olhos cor de safira.

Para ouvir: Christina Aguilera – Beautiful

http://www.youtube.com/watch?v=R_mkyQbdFng

– Vem cá... – murmurou ele, sentando-se mais na beirada do banco do instrumento, enquanto Alyssa escorregava para seu lado.

E, então, uma delicada melodia preencheu o ambiente outra vez, com toda sua maestria e poder de aconchego. Sorri, deitando a cabeça no braço do sofá e olhando-os, perfeitamente deslumbrada.

Minha filha, no entanto, moveu seus pequenos dedinhos para as teclas frágeis, dedilhando-as em perfeita sintonia à música que Edward tocava. A união das notas deixava a canção ainda mais bela, o que fez o vampiro de cabelos acobreados sorrir, encantado.

– Sabe tocar? – perguntou à Alyssa, olhando-a com carinho.

– Sim... – sussurrou, com um sorriso tão meigo quanto seus sutis olhos – A vovó Renée me ensinou um pouco...

Edward sorriu lindamente, voltando seu olhar às teclas, embora sua voz ainda estivesse presa à garotinha ao seu lado.

– Você tem talento...

– Mas não o talento que eu queria... – ouvi-la sussurrar cabisbaixa, errando minimamente a nota que se seguiu.

– O fato de você não ter um dom não quer dizer que não seja especial, Lyss... – Edward murmurou, seguindo-a naquela canção tão bela quanto as asas de uma borboleta. – Você é uma garota tão incrível... E não precisa de dons pra ser titulada como perfeita... Você, por si só, já irradia isso.

Os grandes olhos azuis o encararam de repente, os dedinhos alheios à música. Mesmo de longe, pude vislumbrar Alyssa sussurrar um tímido “Você acha?” e Edward responder com um sincero sorriso e um olhar questionador. Ela simplesmente sorriu com toda sua magnificência, e as covinhas em suas bochechas rosadas aqueceram meu coração para, logo, ela rodear o novo amigo com seus bracinhos. Edward retribuiu o abraço, apertando-a fortemente contra seu peito.

– Obrigada. – sussurrou, e um bocejo intrometido partiu de seus avermelhados lábios, em um perfeito formato de “o”.

Levantei-me com cuidado, andando calmamente até os dois.

– Hora de ir dormir, mocinha... – murmurei delicadamente, sem conseguir esconder o sorriso materno, aconchegando Alyssa em meus braços com carinho e suavidade. Ela fechou os olhinhos, cansada, enquanto deitava a cabecinha em meu ombro direito.

Olhei, então, para Edward, que fitava a cena com um encanto contido por trás das orbes douradas. Umedeci os lábios, tentando encontrar as palavras certas... Mas apenas uma única parecia completar todos os meus sentimentos naquele instante.

– Obrigada.

Ele meneou a cabeça levemente, talvez tão suave quanto a minha voz soou. O sorriso em seus doces lábios espelhou o meu e eu pude sentir aquilo. E, assim, dei as costas com um olhar agradecido, subindo as escadas com destreza, apertando o corpinho quente de minha menina. Não sem antes, é claro, ouvir o delicado suspiro de uma saudosa Alice, do outro lado da sala.

Adentrei o afetuoso cômodo, que era o quarto em que Matthew e Wendy dormiam. Meus passos foram vagarosos até a cama no centro do ambiente, onde a linda garotinha de cabelos bronzeados ressonava tranquilamente, ajeitando Alyssa ao seu lado, com carinho. Cobri meu menino com a coberta a seus pés, que se encolhia em seus sonhos, deitado na bi-cama.

Entretanto, um farfalhar seguido de suaves batidas na janela do cômodo escuro chamou minha atenção, e vi que se tratava de um corvo ali, molhando-se do lado de fora. Puxei o vidro para cima com facilidade, sendo invadida pelo vento frio e o barulho insistente que vinha da chuva, deixando o elegante pássaro entrar.

Antes que eu pudesse fechar a janela e olhar para trás, Damon já havia se metamorfoseado de volta, encarando-me com um misto contraditório de pesar e revolta, seu corpo ensopado.

Abri a boca para falar qualquer coisa, mas fui interrompida por seus passos apressados até a porta e, em seguida, sua voz suave e irônica vinda do corredor.

– Não fiz nada de estúpido dessa vez.

Suspirei, perguntando-me quando aquilo teria um fim.

A segunda-feira veio com certo clima de amenidade, embora eu acreditasse que se devia somente pelo fato de o dia ter amanhecido com um convidativo sol.

Edward e eu nos evitávamos... Talvez tanto quanto Damon evitava a mim. Mas eu não me deixei abalar, demonstrando sorrisos aos meus filhos e convidados, que logo partiram de volta à Milão. Eu voltei em minha moto – com um insistente Matt em minha garupa –, enquanto minha filha e marido prosseguiram em seu Audi. Stefan e Elena preferiram continuar na casa de campo até o próximo final de semana, alegando estarem precisando de uma nova lua de mel.

Damon e eu continuávamos ligeiramente brigados... Ele passava mais horas trabalhando, e nos víamos somente na parte da noite, horário este que era dedicado plenamente às artimanhas dos filhos. E eu estava leve, de certa forma... Não precisava fingir nada.

Pouco vi Edward nos dias que se passaram... Apenas nos esbarrávamos por vezes nos corredores. E estávamos empenhados em nosso mudo contrato de distanciamento saudável.

Suspirei. Aquilo estava me deixando louca.

E os quatro dias que vieram a seguir foram calmos, por assim dizer... Exceto por uma animação contagiante de diversos médicos e pacientes, por conta do tradicional baile à fantasia que acontecia todo ano, há 25 anos, no hospital – O que daria nesta sexta. Naquele dia, pela manhã, todos saíram de seus quartos e consultórios, cheios de ideias e sorrisos para os preparativos da festa.

– Bella? – A voz de Beatrice, a secretária da área de oncologia, me fez sobressaltar rapidamente.

– O quê? – perguntei, virando-me e fitando seus olhos caramelados, ainda parcialmente alheia.

– As máscaras... – Me encarou preocupada. – Eu perguntei o que acha desse modelo. – Terminou, mostrando-me uma de desenho moderno e brilhante.

– É... – Pigarreei, meneando a cabeça. – Está ótima.

– Você está bem? – Aproximou-se, colocando a mão em meu ombro carinhosamente.

– Sim, eu só... Problemas. – Resumi em uma única palavra, suspirando.

– E quando diz problemas se refere à certo médico? – perguntou com delicadeza, fitando-me sugestivamente para, então, deslizar seus olhos para o outro lado do imenso jardim, repleto por flores coloridas e das mais variadas espécies.

Segui seu olhar, deparando-me com Edward ajudando duas pacientes idosas e uma garotinha a colocarem a sedosa e enorme fita de cetim em uma árvore, rodeados por luzes e balões espalhados pela grama baixa e bem cuidada. Elas riam de algo que ele deve ter dito, divertindo-se...

– Não seja tola; você está vendo coisas. – Suspirei outra vez, pegando a máscara da mão de Beatrice e colocando-a junto com algumas outras que havíamos feito. Ela me olhou, ansiosa. – Vamos terminar logo com isso.

Eu e minha assistente e amiga ficamos a cargo das máscaras que os médicos, pacientes e responsáveis usariam no baile, enquanto diversas outras pessoas organizavam todo o resto. E foi divertido, tenho que admitir. Ver o sorriso perfeito preencher os lábios de todas aquelas pessoas era extasiante e recompensador. Uma sensação realmente verdadeira.

Após horas organizando tudo por ali, Beatrice decidiu ajudar na iluminação, e eu vi o lugar se esvaziar por um instante – Era quase quatro horas e as pessoas estavam indo para casa ou para seus quartos, arrumando-se para a festa. Respirei fundo, sentindo a brisa bater calmamente em meu rosto e o sol iluminá-lo, em sua rápida aparição.

Ao longe, havia um grande e tranquilo lago rodeado pelas planícies esverdeadas do jardim. Sorri, sentindo a luz solar aquecer minha pele, enquanto andava a passos plácidos em direção a um banco delicado, de traços vitorianos, de frente àquela água azul e suave.

Sentei-me, olhando ao redor e vendo que havia poucas pessoas no jardim do hospital – Ocupadas demais com seus afazeres para vislumbrarem uma vista tão linda quanto a que eu presenciava. O sol era tão sutil ali, quase inexistente, mas irradiava nas roseiras. Do outro lado do lago, pude ver que se localizava uma pequena floresta, talvez um bosque, e olhei maravilhada para um lindo beija-flor que parou ao meu lado, desfrutando de um delicado lírio.

Um lírio... As flores do meu casamento eram belos lírios, como aquele que a ave tão suavemente acariciava. Damon sempre dizia que minha pele o lembrava de lírios. Ri comigo mesma, lembrando-me que ele me mandou buquês e mais buquês de lírios no dia em que me pediu em namoro e eu insisti que iria pensar. Um buquê por hora, dizia em seus cartões, seria o suficiente para fazer me encantar por ele e aceitar seu pedido. E não tive dúvidas após 24 buquês entupindo o apartamento em que eu e Elena morávamos, na época da faculdade.

– Um buquê de lírios por seus pensamentos. – A veludosa voz de Edward me assustou. Olhei para trás enrubescida.

– Como? Como sabia que eu pensava em lírios? – perguntei nervosa, vendo-o se acomodar ao meu lado tranquilamente.

– Eu não sabia... – riu, olhando-me divertidamente.

– Oh... – suspirei, desviando de seu olhar tão dourado e entorpecente, mirando o lago a minha frente. – Hm... Então... Como você está? E a Wendy... Não a vejo há uns dias...

– Estamos bem. – Pude vê-lo sorrir torto, encarando algum ponto à frente. – Ela, sapeca como sempre... Correndo e rindo... Ela é uma doçura.

– Sim, ela é... – Vi a mim mesma sorrindo, lembrando-me de seus longos e ondulados cabelos cor de bronze se movendo no ar, conforme ela corria com meus meninos.

– Você vem ao baile, à noite? – perguntou ele, de repente, e me surpreendi ao ver seus olhos me encarando tão séria e intensamente.

– Hm... Venho... Venho, sim... – Consegui pronunciar, perdendo-me em suas orbes tão claras e profundas... O ar parecia tão rarefeito ali...

Engoli em seco, inspirando o ar fortemente, ao passo em que voltava a fitar o lago, agora de um tom mais cristalino...

– Sabe do que eu estava me lembrando agora? – Sua risada foi baixa, bem como sua voz... Ele parecia estar perdido em suas memórias.

– Do quê? – inquiri curiosa e sorridente, deixando seu bom humor homogeneizar ao meu.

– Do nosso baile de formatura... – riu suavemente, ainda sem me olhar – E... Eu nunca te contei isso, mas... Você se lembra do quanto Ben e Angela se gostavam? – Olhou-me, e eu me perguntei aonde ele queria chegar...

– Claro... Ele era louco por ela, mas a timidez de ambos atrapalhava uma aproximação...

– Isso! – riu mais abertamente. – Bom... Eu sabia que ele queria muito convidá-la para o baile, mas ele tinha medo de que ela fosse recusar... Acho que, na verdade, era trauma por ver você dando fora em todos os meninos que chegavam em você... – Seus olhos fitaram-me com brincadeira, e o encarei incrédula.

– Hey, isso não tem nada a ver! – Minha voz soou divertida, enquanto eu dava um leve soco em seu ombro.

– Ah, mas como ele te via sempre com Angela, deve ter pensado que ela também o recusaria... – Tentou se defender, segurando o riso.

Apenas o olhei sugestivamente, revirando os olhos.

– Ok, ok... – Edward levantou as mãos, em sinal de rendição. – Então, bem... Eu e Emmett decidimos fazer um teatrinho para que Ben finalmente convidasse Angela.

– Tenho medo de ouvir o resto... – Brinquei, curvando-me de tanto rir.

– Ah, se é assim... – Murmurou calidamente, um ar zombeteiro transpassando em seus olhos âmbares.

– Edward, eu estava te enchendo... Agora conta logo... – Fiz beicinho, ainda rindo suavemente. – O que vocês fizeram? Apontaram uma arma pra ele? – Eu ri da hipótese.

– Quase... – ele riu, e eu revirei os olhos outra vez. – Eu estava no corredor da escola quando vi Ben entrando na sala de espanhol, então eu bolei um plano com a ajuda de Emmett...

– E qual era? – perguntei, extremamente ansiosa.

– Eu me sentei na frente do Ben durante a aula, e eu e meu irmão começamos a conversar sobre eu querer chamar Angela pra sair... – Seu sorriso foi doce, enquanto eu gargalhava, imaginando qual deveria ter sido a expressão deles. – A mente do Ben ficou possessa! Então, ele decidiu que era hora de convidá-la para o baile antes que eu o fizesse.

– Isso foi genial! – sorri, espantada. – E eu achando que Ben havia tido coragem por conta própria... – Eu ri alto novamente.

– Ele era um bom garoto e gostava da Angela... Tive que dar uma mãozinha! – Acompanhou meu riso, mas sua risada estava perto demais do meu ouvido...

Assim, meus olhos se desviaram para os seus, de repente, perto demais. Seu hálito me envolveu e nossos sorrisos cessaram. Seus lábios umedecidos e avermelhados, levemente entreabertos, me lembravam uma suculenta maçã, implorando para ser mordida. E, então, meus olhos se moveram para os seus mais uma vez... Deslumbrando-me com aquele ouro líquido que me fitava de uma maneira tão intensa a ponto de enxergar minha alma. E meus pelos se eriçaram.

Seu pomo de adão moveu-se fortemente, como se Edward estivesse se controlando... Sua respiração forte, ofegante... E eu não duvidava que a minha estivesse no mesmo estado, ou pior... Mas parecia ser algo insignificante o bastante para eu me certificar.

Somente fechei meus olhos ao sentir nossos narizes se enroscarem, sentindo aquela sensação fria no estômago. Expectativa. Era como eu sempre ficava durante nossos beijos... E seus lábios ali, tão próximos, milimetricamente distante dos meus...

– Dr. Cullen! – Uma voz soou ao fundo, fazendo-nos afastar bruscamente.

Engoli em seco, encarando qualquer direção que não fosse o de seus olhos.

– Dr. Cullen! – A voz gritou mais uma vez, e, olhando ao longe, pude notar que se tratava de Lorenzo, o diretor do hospital, que procurava Edward, perto das roseiras do jardim.

Agradeci aos céus por ele não ter visto o estado em que me encontrava segundos anteriores.

– Eu... Eu vou indo. – sussurrou Edward delicadamente, encontrando meus olhar por uma fração de segundos para, em seguida, andar em direção ao rechonchudo homem de cabelos grisalhos.

– Tudo bem... – Respondi apenas, totalmente absorta, praguejando um sussurro ao ver Beatrice colocando algumas luzinhas nos galhos de uma pequena árvore, olhando-me com um sorriso de quem estava certa desde o princípio.

Suspirei. Eu era uma idiota.

– Mamãe, olha! – A infantil voz de Pietro me trouxe vida, fazendo-me desviar o olhar para trás outra vez e vê-lo apontar para a borboleta que os rodeava, mostrando-a para sua mãe, que sorria calidamente.

– Ela é linda, não é? – Pude ouvi-la murmurar, enquanto eu me aproximava de ambos.

– Muito. Eu posso ficá com ela? – perguntou inocentemente, fazendo Isabela rir, acompanhada por mim.

– Bella! – Pietro olhou para o lado, sorrindo ao ter me notado.

– Oi, meu querido... Como você está? – perguntei carinhosamente, pegando seu pequeno corpinho em meu colo, beijando sua cabecinha, onde alguns cabelos alourados já se faziam presente.

– Eu tô muuuito bem! – sorriu, descendo de meus braços e deslizando seus olhinhos por entre o ar vazio. – Cadê a boboleta, mamãe? – Entristeceu-se, olhando os suaves e azuis olhos da jovem mulher.

– Ela foi pra casa, meu amor... – sorriu.

– Vê a mamãe dela? – inquiriu com o dedo na boca.

– Isso mesmo. – Ela me olhou e rimos, seguidas pelo pequeno que, então, se viu ocupado demais contando quantas flores havia no jardim.

E ficamos conversando por um tempo, fascinadas pelas novas facetas de Pietro, que crescia e se tornava saudável finalmente. E pude ver o quanto a felicidade do filho refletia no rosto de Isabela, que sorria cada vez que ele soltava uma de suas gostosas gargalhadas de criança.

Para ouvir: Iron & Wine – Flightless Bird, American Mouth

http://www.youtube.com/watch?v=d1BgYTZ4Mxc

Instantes mais tarde, uma melodia suave como o farfalhar de galhos no inverno começou a soar, vinda do pequeno palco montado numa parte do jardim. E lá estava Edward, testando o som ao lado de Lorenzo. Mordi os lábios, reconhecendo aquela canção. E, então, o vampiro de bronzeados cabelos me fitou ao longe, talvez por ter sentido meu olhar em suas costas.

– Que música linda... – A voz de Isabela chamou minha atenção, fazendo-me encará-la com um sorriso.

– Sim... Realmente. – sussurrei, olhando-a sem realmente olhar.

– Você não achou que eu ia deixá-la de fora?! – Edward murmurou atrás de mim, fazendo-me virar e fitá-lo com um sorriso afável.

– Você se lembra... – falei no mesmo tom que o seu, sentindo meu rosto esquentar ligeiramente.

– Eu não esqueceria da música do nosso baile... – sorriu, estendendo-me uma de suas mãos. – Concede-me a honra desta dança?

Mordi os lábios, olhando em seus olhos com hesitação. Meu coração se apertava em meu peito, e eu não sabia o que dizer...

– Er... Bom... Se me dão licença... – Ouvi Isabela murmurar, mas parecia estar distante demais e eu mal prestei atenção.

Respirei fundo, sorrindo ao colocar minha mão sobre a de Edward – O sorriso torto em resposta me obrigou a lembrar de respirar. Assim, ele me conduziu até uma parte qualquer do jardim, e só então percebi que só restava nós dois ali.

Seus olhos me perfuravam com uma sutileza cheia de paradoxo, me deixando completamente entorpecida. Eu não sabia o que se passava ali... Somente tinha a consciência de sentir nossos corpos se movimentando sem pressa...

– Viu? Você está dançando... – Sua voz em meu ouvido, murmurando aquela mesma frase de anos atrás, me fez fechar os olhos ao sentir o saudosismo, enquanto eu aconchegava meu rosto entre seu pescoço e ombro.

– No baile. – Consegui pronunciar apenas, apertando minhas pálpebras ao fechar os olhos mais fortemente, perguntando por que eu havia dito aquelas mesma palavras... Repetindo a cena de um passado.

Senti sua mão livre se apertar em minha cintura, ao passo em que nossas mãos se entrelaçaram firmemente. Olhei ao redor novamente, e era faltava poucos minutos para o crepúsculo. As luzes do sol de fim de tarde batiam nas copas das árvores e atingiam partes da grama, dando ao ambiente um toque único... Especial.

E, então, senti uma suave mão de Edward se encostar em meu queixo, fazendo-me levantar a cabeça e fitar seus olhos de uma maneira romântica. A íris estava suave, triste... Cheia de saudade. E vi meu olhar por entre o seu, espelhando aquele momento, revivendo...

E eu não esperei mais nada. Aproximei meu rosto do seu sem qualquer traço de hesitação ou medo, sentindo a maciez de seu nariz ao tocar o meu... A suavidade de nossos cílios se entrelaçando... Sua maçã gélida contra a temperatura efervescente da minha... E o êxtase de seu hálito se misturar ao meu...

– Bella... – sussurrou, e eu estive certa do que fazer.

Apenas enrosquei minha mão esquerda nos cabelos de sua nuca, puxando-o finalmente para mim. E, então, nossos lábios se tocaram, em um beijo cálido, nostálgico, puro. E eu soube que ali era o meu lugar. Ou, pelo menos, o lugar que deveria ser.

Notas finais
N/A: Ahhhh *correndo das Team Damon*Êêêêê *cantando com as Team Edward*Primeiro... NÃO ME MATEM! A BELLA NÃO RESOLVEU NADA AINDA, MEU POVO! Lembrem-se que a fic ainda tem mais uns 12 capítulos pela frente! Então, não ficou nada resolvido se é Beward ou Bemon!Pronto, agora posso respirar outra vez...ksoakspaoksposkpE essa Rose, hein? Hmmm... Tadinho do Damon... Teve seu primeiro amor arrancado *põe o menino no colo e nina*Ah, e o que vocês acharam da cena do Edward com a Alyssa? Putz, eu achei mega fofa *__________*Sem contar nesse Edward e nessa Bella todo timidozinhos no início, depois todo risonhos e agora todo "me joga na frigideira e me chama de bife".ksoakspaoksposkpoasTá, parei o.OMas me digam... Estou muuuuuuuito ansiosa pra saber o que acharam do cap! Não paro de quicar aqui! OMG!hsauhasuhasuhasuhasuE antes que comentem e se livrem de mim, queria chamar todos pra passarem lá no meu blog mais tarde... Tá rolando uma enquete nova e, além disso, vou fazer um post lá daqui a pouco sobre o TwiContest - Pra quem não sabe, é o concurso mais disputado entre as autoras de fic!Então é isso... Espero muito os reviews de vocês...Enquanto isso, lá vou eu responder os do cap passado *sorriso colgate*Uma bitoca... E inté! *momento da roça ON*Toodles honey