Respiro Me

11 Immagini - Parte II


Notas iniciais
N/A: Gente, cadê os meus leitores? Sério, assim é complicado continuar a história =/ Gostaria de agradecer a todos que deixaram review... Foi muito importante! E já já irei respondê-los ;) Espero que curtam o cap!

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– Bom dia! – Alice sorriu ao saudar, descendo a escada aos pulos.

– Bom dia pra quem teve uma boa noite... – resmunguei ironicamente no meu canto, fitando uma pequena mancha de tinta à óleo na rústica janela ao meu lado, que me fazia lembrar de quando ainda era humano e tinha uma vida simples...

Percebi os pensamentos de Jasper preocupados, enquanto ele me olhava. Fingi não prestar atenção e, logo, ele e minha irmã rumaram à cozinha.

Era evidente que eu não tivera uma boa noite. Eu não consegui ir além de alguns beijos com a minha esposa. Algo me impediu... E o que mais me frustrava era não saber a origem daquilo, mas acho que, no fundo, eu sempre soube... Apenas nunca quis admitir a mim mesmo.

Sobressaltei de leve com escandalosos e barulhentos passos que se faziam presentes nos diversos degraus da escadaria. Meus olhos se desviaram para o outro lado da sala, onde minha pequenina Wendy apostava uma corrida com os filhos... de Bella.

– Ah, eu quero estrear meu patins! – Alyssa dizia, toda sorrisos, descendo as escadas com o instrumento nas delicadas mãos.

– Eu também! – O irmão concordou.

– E eu! – A mini-Cullen finalizou, fazendo-me sorrir bobo ao ver o quão linda ela ficava a cada dia.

– Mas primeiro café da manhã! – Charlize alertou, rebocando as crianças para a cozinha, de onde um repugnante aroma de torradas vinha. – Você também, Dr. Cullen – Acrescentou, no momento em que ficamos somente nós dois no amplo cômodo. – Venha! – Puxou minha mão, com um sorriso, contagiando-me com seu humor doce.

Beijei sua testa, ao passo em que entrelaçava nossos dedos e nos dirigíamos até os demais, que conversavam de forma animada e descontraída na enorme mesa posta.

– Pronto, mãe... Terminei! – Um riso escapou dos meus lábios, enquanto eu via os pequenos apenas darem uma rápida mordida no bolo de chocolate.

– Deixe eles se divertirem – sussurrei no ouvido de Charlize, que revirou os olhos e cedeu aos encantos de nossa filha.

– Ok, ok! Mas cuidado, por favor.

Rapidamente, os três puseram seus patins – Presentes de meus pais. – e foram para o jardim. Antes disso, porém, pude vislumbrar Bella e Damon desceram as escadas de mãos dadas e sorridentes, dando um rápido beijo nos filhos e virem à cozinha.

Respirei fundo, o que foi, certamente, uma atitude tola de me acalmar, já que o enlouquecedor perfume de morango e frésias me atingiu sem precedentes. Eles tomaram café, conversando harmoniosamente, e me vi sendo sociável outra vez.

[...]

O céu estava magnificamente límpido naquele fim de manhã, o que indicava, contraditoriamente, que uma tempestade chegaria mais tarde. Percorrendo meus olhos pelo imenso jardim, pude ver através da enorme janela que dava para a cozinha, Bella preparando o almoço, ouvindo apenas minha filha e os gêmeos rindo alto, enquanto andavam de patins – Estávamos apenas nós ali, e os outros dispersos em algum canto.

– Wendy, cuidado! – Alyssa disse alto e, quando segui a direção de sua voz, vi que minha menina estava indo de encontro ao chão.

Corri até ela, mas tive só consegui pegá-la assim que ela caiu. Amaldiçoei-me por estar tão distraído a ponto de não poder proteger minha filha, que com olhos marejados, analisava o machucado em seu joelho.

– Shh... Está tudo bem, filhota – Tentei acalmar seu choro, envolvendo-a carinhosamente em meus braços e levando-a para casa, a fim de limpar seu ferimento.

– Mas tá doendo, papai... – Choramingou, fungando em seguida.

Meu coração se apertou e apenas selei meus lábios em sua testa com delicadeza, entrando com tudo na cozinha e sentando-a na grande pia de mármore.

– Edward, o que houve com ela? – Bella perguntou preocupada, aproximando-se.

– Ela caiu no jardim – Expliquei, retirando seus patins. – Eu estava meio aéreo e acabei não prestando atenção e...

– Shh... Está tudo bem – Colocou a mão no meu ombro, olhando-me com ternura.

– Wendy! – Matt chegou correndo, ofegante. – Desculpe, eu me desequilibrei e tive que soltar da sua mão, senão nós dois íamos cair, mas acabou sendo pior e... Desculpe...

A risada cintilante de minha menina soou como sinos em meio a suas singelas lágrimas.

– Não foi culpa sua, Matt... – sorriu, olhando-o através de seus aconchegantes olhos de jade.

– Ninguém aqui é culpado! – Bella murmurou calidamente. – Precisa de algo, Edward?

– Pode pegar um pano molhado pra mim? Preciso limpar isso aqui...

– Claro!

– Não precisa! – O pequeno murmurou, e pude ver Alyssa também entrar no cômodo.

Nem precisei questionar, pois estaquei ao ver suas intenções por meio de seus pensamentos... E encarei embevecido o que ele fez a seguir. Matthew concentrou seus grandes e expressivos olhos cor de chocolate no joelho ferido de Wendy, colocando a mão sobre este – sem realmente tocá-lo, no entanto – e, como num passe de mágica, não havia mais nada ali além de uma pele completamente saudável, como se minha menina nunca tivesse se machucado.

Ele sorriu satisfeito, vendo o olhar abobalhado e agradecido, não só da garotinha de cabelos bronze, como de mim igualmente.

– Matt tem o dom da cura... – Bella sussurrou, sorrindo levemente, orgulhosa do filho.

– Obrigado... – Sussurrei maravilhado para ele, bagunçando seus cabelos lisos e escuros.

– Valeu mesmo! – Wendy agradeceu, com um belo sorriso preenchendo seus lábios avermelhados, corando em seguida.

Para ouvir: Matt Nathanson – All We Are

http://www.youtube.com/watch?v=tXvMJ2UF4RM

Depois disso, os pequenos voltaram a brincar como se nada tivesse interrompido o divertimento deles, e vi Bella colocar a mesa. Olhei para fora e percebi que Lyss estava sentada perto de uma roseira, acariciando suas pétalas delicadamente, porém com uma expressão triste, ao passo em que minha filha e Matt brincavam do outro lado do lago.

– Vem brincar com a gente, Lyssa! – O irmão a chamou, mas ela apenas meneou a cabeça em negação, com a mesma carinha.

Percebi que a linda morena estava ao meu lado, olhando para o mesmo ponto que eu, e sua voz soou abatida, de repente.

– Alyssa ainda não apresentou nenhum dom... – murmurou, fitando-me. – Ela ficapra baixo por isso, algumas vezes...

– Mas ela é uma garota incrível... E a falta de um talento não quer dizer nada...

– Ela é apenas uma criança, Edward – Seu olhar vagou para a filha outra vez, que agora levantava com um pequeno sorriso estampado em sua face de anjo e corria até os outros dois pequenos. – É um pouco difícil pra ela acertar... Mas algo me diz que o talento dela ainda irá aflorar! – sorriu e me vi retribuindo seu gesto.

– E irá! – murmurei convicto, sentindo seu quente hálito bater agradavelmente em meu rosto, como um vapor invisível.

Seus olhos baixos ergueram-se, encontrando os meus com atitude, porém, hesitação. O paradoxo presente naquele momento deixava tudo com um toque instigante. Éramos tão opostos... Mas eu me sentia tão completo somente ao olhá-la... Era algo indescritível e inenarrável... A forma como meu morto coração reencontrava a vida com seu doce olhar; o modo como meus lábios ficavam secos somente ao encarar os dela; a maneira única que meu corpo vibrava e gritava mudamente pelo calor que exalava de suas curvas...

Fechei meus olhos, sentindo a textura sedosa de seu nariz contra o meu... E minhas mãos, sem qualquer permissão, tocaram seu pequeno rosto e pude me deleitar de seu delicioso suspiro feminino. Olhei-a uma última vez, e seus olhos fechados e a teimosa linha entre suas sobrancelhas me fez engolir em seco, respirar fundo e me afastar bruscamente.

– Perdão... – sussurrei, não conseguindo encará-la.

Olhei-a de forma rápida, apenas para vê-la menear a cabeça em uma ligeira concordância. Bella pigarreou constrangidamente, ao passo em que eu – ainda sem uma reação produtiva – escorava no balcão da cozinha, completamente inerte.

– Eu... – Pigarreou outra vez, eliminando a leve rouquidão em sua voz. – Eu vou dizer aos outros que o almoço está pronto.

E ela saiu em uma velocidade vampírica que quase me deixou confuso. Entretanto, pude ouvi-la sussurrar para si mesma um “O que eu estava pensando?”.

A refeição correu de forma agradável, enquanto eu e Bella tentávamos, a todo custo, não nos olhar nos olhos. Eu não sei o porquê... Apenas sentia que se meus olhos encontrassem a profundidade dos seus, eu me perderia para sempre... Como sempre.

– Pode deixar que eu faço isso – Minha esposa tomou os pratos das mãos de Esme e os copos das mãos de Bella, carinhosa e bem-humorada.

– Charlize, não precisa...

– Eu a ajudo – Interrompi minha mãe, pegando os talheres e colocando-os na pia.

Depois de um pouco insistir, ambas concordaram e eu e a linda loira ao meu lado iniciamos uma tarefa nada convencional: lavar a louça.

– Essa é uma cena que eu nunca esperava ver – Minha querida estilista e esposa riu, ensaboando algumas vasilhas. – Edward Cullen lavando pratos!

– Na verdade, estou enxaguando, não lavando – Brinquei, dando-lhe um leve empurrão.

Ela somente revirou os olhos, rindo divertida. Acompanhei-a e, numa atitude perversa e infantil, peguei a mangueirinha que segurava e apontei para ela, molhando todo o seu rosto, cabelo e colo. Subi meu olhar de sua blusinha de malha, agora transparente e terrivelmente ensopada, para sua face, que continha um misto de bravura e incredulidade.

Sorri travesso, me desculpando silenciosamente. Ela mordeu os lábios, com um sorriso traquina no rosto jovial, mas, então, no instante em que a senti suas mãos tomando a mangueira das minhas, fui mais rápido e peguei-a no colo, colocando-a em meu ombro direito e imobilizando-a.

– Você não deveria mexer com um vampiro – murmurei, ainda com um sorriso nos lábios e, enquanto ela gritava por socorro de forma risonha, andei rapidamente, atravessando a sala vazia e subindo as escadas.

– O que você está fazendo, vampiro? – Brincou ao perguntar, assim que me viu entrar em nossa suíte.

– Vingança, oras!

– Mas eu não fiz nada! Eu que deveria me vingar! – riu, tentando sair de meu aperto.

– Quem se importa? – Ri, mas antes que pudesse levá-la ao banheiro e ensopá-la no chuveiro, senti um olhar em minhas costas.

Virei meu corpo e me deparei justamente com Bella, que estava parada no batente da porta do quarto, seu olhar caído.

– Desculpe... E-Eu não queria interromper.

E dito isso, somente saiu de forma rápida outra vez, deixando-me com um olhar embasbacado para o vazio.

Sem que eu tenha percebido, Charlize conseguiu sair do meu aperto, deslizando por meu ombro e parando a minha frente. Ela sorriu levemente, e retribui de forma amistosa – mesmo se tratando de um sorriso que não chegou aos meus olhos.

– Vou tomar um banho – Ouvi-la dizer, mas, na verdade, prestei atenção somente na voz de Bella vinda do andar de baixo e murmurando: “É... Agora eu vou lavar a louça.”. – Não quer vir também?

– Hmm... – Olhei em seu rosto delicado, que continha um lindo sorriso, mas neguei com a cabeça, sorrindo de leve e beijando a ponta de seu nariz.

– Okay – Sussurrou apenas, encarando-me mais tempo que o comum e, assim, deu um rápido e suave beijo nos meu pescoço e entrou no banheiro.

Sentei-me na beirada da cama, apoiando meus cotovelos nas pernas e afundando os dedos em meu cabelo. Por que os sentimentos de Bella me importavam tanto? Mas a quem eu queria enganar? Eu a amo! Deus sabe como a amo... No entanto, eu também amava minha esposa – E sabia que era um sentimento que não chegava nem aos pés do que eu sentia por ela... Aquela vampira embriagante.

Suspirei, levantando-me e retirando a camisa de gola pólo que usava, pelo fato de estar molhada. Vasculhei minha mala, procurando algo para me vestir, mas uma frase vinda do andar de baixo chamou minha atenção.

– Sabia que chorar por ciúmes não é pecado? – Jasper sussurrou, e, pela sua mente, pude ver que ele acabara de entrar na cozinha, onde Bella lavava a louça de forma desajeitada e nervosa.

Ele andou calmamente até estar ao lado dela, segurando suas mãos envoltas de bolhas de sabão. Ela parou o que fazia, olhando-o com olhos marejados. Seu olhar complacente fez com que Bella se jogasse em seu peito, abraçando-o com força e... chorando.

Os sentimentos que emanavam dela... Pude sentir todos por meio do dom de meu irmão, e eram tão confusos a ponto de deixar qualquer outro que os sentisse, tonto. Ele a abraçou de volta, apertando-a de uma forma carinhosa e fraternal. Ele sentia a dor de Bella, e senti-los também fez com a minha própria triplicasse.

– Eu estou tão confusa... – Sua voz pronunciou em um farfalhar quebradiço... Como meu coração se encontrava naquele momento.

Sentei no chão ao lado de minha mala, escorando na parede e fechando os olhos com força. Minhas mãos se fecharam em punhos, enquanto um grito agoniado ficava preso na minha garganta. Cerrei minha mandíbula, levantando-me com fúria e vestindo rapidamente uma camisa de flanela qualquer.

Desci as escadas com ferocidade, mas me deparei com quem menos estava preparado. Lá estava ela, subindo os degraus de forma frágil e cuidadosa, delicada, lenta... Quando reparei, eu andava no mesmo ritmo calmo e preciso que ela, contemplando o corpo de mulher que o tempo lhe proporcionou.

Ela parou repentinamente e só então percebi que havia parado igualmente. Estávamos um de frente para o outro, com apenas alguns degraus de distância, encarando-nos de forma surpresa e incompleta. Desci um lance de escada, ficando, desta vez, um abaixo que o dela. Girei meu corpo em sua direção, fitando os expressivos e intensos olhos castanhos, percebendo que estávamos da mesma altura, conforme a diferença de degraus.

Aproximei-me delicadamente de seu corpo, deixando todas as minhas barreiras caírem ao meu redor, e somente selei meus lábios em sua testa da forma mais graciosa que consegui – Em um mudo pedido de perdão. Bella fechou os olhos, bem como eu, e, então, continuei meu caminho, rumo ao primeiro andar, sem olhar para trás.

Ao chegar à sala, percebi que todos estavam entrando na casa – após visitarem o vinhedo que havia perto do lago – animados, enquanto um Jasper recomposto, embora preocupado, saía da cozinha.

– Ah, mas eu fiquei sabendo que ao norte tem mais caças herbívoras! – Alice resmungou.

Ela e os outros estavam planejando caçar dali alguns minutos, como pude perceber, e discutiam sobre a rota a tomar.

– Mas é onde tem os ursos mais fodas! – Emmett rebateu, fazendo-me rir.

Logo, eles chegaram à decisão de que nos dividiríamos em dois grupos – Um para o sul e outro para o norte. Charlize desceu no mesmo instante em que Damon entrava, brincando com os filhos.

– E então? Decidiram? – perguntou, e, então, peguei minha menina no colo, ao passo em que os ouvia explicando o trajeto a ele.

– Vou chamar Bella – Ele falou, seguindo até o andar de cima, mas acabou por se deparar com ela no topo da escadaria.

– Eu não vou, amor... – Bella disse, enquanto eu ouvia, ou fingia ouvir, Wendy dizer o quanto as uvas verdes italianas eram mais gostosas que qualquer outra – Os outros pareciam suficientemente entretidos em suas conversas.

– Por quê? – perguntou preocupado, e vi, através de seus pensamentos, ele tocar seu rosto com leveza. – Você está estranha...

– Só estou preocupada com Pietro, um paciente meu, Damon – sorriu, beijando-lhe rapidamente os lábios. – Esme pode ir; eu fico com as crianças. – Explicou.

– Você está preocupada à toa, Bella... Vai ficar tudo bem!

– Não, Damon! – Sua voz se alterou alguns oitavos, mas ela logo suspirou e baixou o tom, mesmo ninguém tendo reparado, além de mim. – Nada vai ficar bem.

Algo em sua frase... Algo me intrigou, como se ela não estivesse realmente falando de Pietro.

– Tem certeza que está bem? – Ele perguntou, amavelmente, aproximando do corpo dela.

– Desculpe, amor... – Ela respirou fundo. – Você não tem culpa... Nunca teve.

Pude vê-lo assentir, um pouco transtornado. Portanto, Bella somente olhou-o de forma culpada, mas logo deu as costas, subindo o último degrau e chegando ao corredor do segundo andar.

– Quando foi mesmo que Pietro ficou de fora dessa conversa? – Ele murmurou irônico, fitando-a com irritação e, mesmo suas palavras sendo um pouco confusas, a intenção foi clara, envolvendo-me de forma implícita.

Bella o encarou por cima do ombro, o fuzilando com os olhos. Os olhares de ambos se conectaram, como se conversassem mentalmente, mas ela apenas virou a cara, ignorando por completo a atitude do marido e dirigindo-se ao quarto. Damon bufou, e desceu a longa escada de madeira, concentrando-se na caçada.

Olhei para os lados e ninguém parecia ter prestado atenção na conversa do casal. Ou terem tido ética o bastante para fingiremnão prestar.

[...]

Alice saltou no enorme puma, cravando seus dentes no pescoço do animal com habilidade e graciosidade. Sorri, notando que de frágil aquela ali não tinha nada. Desviei meus olhos de seu jantar, voltando a encarar o belo precipício onde estava sentado, apreciando a maravilhosa vista de todo o vale.

– Tem certeza que não quer caçar? – Ela perguntou minutos depois, sentando ao meu lado, observando a perfeita vista das verdes planícies que eram cortadas por alguns rios, metros e mais metros abaixo de nós.

– Tenho – murmurei, sem fitá-la. – Não estou com sede...

Como havíamos nos dividido em grupos, eu, Alice e meus pais ficamos com a parte sul, mas eles foram para mais ao leste ao sentir o cheiro de alguns felinos.

– Não está com sede ou está apenas com a cabeça em certo alguém de olhos chocolate...? – Senti seu olhar em mim, alternando entre hesitação, amor e cumplicidade.

– Nem eu sei mais o que estou sentindo, Alie... – sussurrei, olhando para minhas próprias mãos, que ela logo se pôs a envolver com as suas, fazendo-me olhar em seus olhos dourados brilhantes. – Eu não tenho mais controle de mim mesmo...

– Meu irmão... – Ela começou a dizer, entretanto, seus olhos ficaram fora de foco, enquanto sua mente viajava para outro lugar. Ela estava tendo uma visão.

Tudo nosso redor foi esquecido de repente. A mente de minha irmã vagou para um quarto escuro, onde uma criança revirava na cama – tendo pesadelos.

– Alice, o que é isso? – perguntei confuso, apertando suas mãos nas minhas.

Uma forte rajada de vento nos atingiu, fazendo nossos cabelos balançarem em todas as direções, e, então, sua voz saiu abafada pelo som uivante do ar raivoso do início da noite.

– Espere...

Assim, sua visão se tornou clara e pude ver que a criança que se debatia na cama era, simplesmente, minha pequena Wendy; os cabelos arruivados e levemente cacheados caíam sobre seus olhos de jade, cerrados com força. O quarto foi iluminado pela cortante luz de um relâmpago que atravessou o céu coberto de nuvens alaranjadas, anunciando uma tempestade noturna.

– Não, por favor... Não leve meu pai... Não!

O estridente som do trovão irrompeu a visão, e a porta foi aberta repentinamente, mostrando Bella atravessando-a com rapidez e preocupação, gritando: “Wendy!”.

Alice perdeu o foco, e sua mente voltou à realidade. Seu olhar âmbar me encarou preocupado, sendo retribuído à altura pelos meus.

– Eu vou até lá! – Eu disse apenas, correndo em minha velocidade vampiresca em seguida, sem me preocupar com qualquer outra coisa.

Minha menina estava tendo algum pesadelo e ela sempre acordava muito agitada e chorosa após eles, procurando por mim ou pela mãe. Deste modo, corri como nunca antes, atravessando com precisão as planícies de plantas rasteiras e delicadas flores, como um borrão.

O vento que agitava a noite deixava tudo ao meu redor com um ar sombrio e temeroso, e corri ainda mais velozmente. Logo, pude avistar a enorme casa ornamentada em madeira rústica e um relâmpago, seguido de um trovão imponente, irrompeu o céu naquele instante.

Entrei na aconchegante sala, deixando toda a histeria do lado de fora, fazendo com que os galhos das árvores se movessem furiosamente por conta do vento cada vez mais forte e arrasador. O silêncio penetrado naquele ambiente chegava a ser incômodo com o contraste por trás daquelas paredes, e nem os pensamentos de minha pequena eram acessíveis por mim.

– Shhh... Está tudo bem agora, querida – Ouvi o sussurro de uma voz familiar.

Inspirei fundo, sentindo o perfume de morango e frésias misturado à essência de peônias e framboesas de minha delicada filha. Segui o rastro de aromas incrivelmente atraentes e, quando vi, estava na cozinha amadeirada. Bella estava sentada em uma das cadeiras rente ao balcão, segurando Wendy delicadamente em seus braços. Franzi o cenho e me xinguei internamente, desejando ter sido mais rápido pra poder socorrer a doce menininha.

Os olhinhos profundamente verdes se ergueram, encontrando os meus. Ela fungou, descendo do colo de Bella instantaneamente e correndo para os meus. A morena ali presente se assustou, mas logo percebeu que eu havia acabado de chegar, enquanto me agachava e envolvia minha pequena nos braços, aquecendo-a. O choro foi cessando e meu olhar se recaiu sobre Bella, que pegava um copo d’água.

– Está tudo bem, meu anjo... – sussurrei, apertando-a mais fortemente. – O papai está aqui; não precisa ter medo...

– Mas foi tão real, papai... – Ela fungou, escondendo o rostinho em meu pescoço. – Foi um sonho tão ruim.

– Tome um pouco de água, Wendy... Você vai se sentir melhor – Bella murmurou ao meu lado, acariciando os longos cabelos acobreados da garotinha.

Ela, relutante, olhou agradecidamente para a vampira, bebendo o líquido. Olhei para Bella e os olhos chocolate responderam minha pergunta implícita.

– Ela não quis dizer sobre o pesadelo... – sussurrou, recolhendo o copo de vidro e o colocando na pia.

Andei até o balcão, colocando Wendy sentada e sentando-me em sua frente, porém na cadeira. Grossos pingos de chuva começaram a cair naquele mesmo momento do lado de fora, ficando mais forte em cerca de segundos. Beijei as bochechas rosadas da ruivinha, secando suas lágrimas de cristal – Ela sorriu amavelmente, suspirando.

– Quer me falar sobre seu sonho? – perguntei sutilmente, e pude notar Bella se sentar numa cadeira ao meu lado, ajeitando o pijama de Wendy.

Ela fungou, negando com a cabeça – seus olhos fitando o mármore liso do balcão em que estava.

– Então, quer me mostrar? – acrescentei.

De repente, as gorduchinhas mãos da pequena envolveram o meu rosto, assim como o de Bella, que franziu o cenho. Wendy suspirou e as imagens se passaram vívidas em minha mente.

Para ouvir: Jason Walker – Down

http://www.youtube.com/watch?v=JwhTMClm2A0

Era dia, e o sol brilhava com precisão, deixando tudo muito claro e encantador. E havia uma clareira, repleta de flores das mais diversas cores e formas, tão delicadas quanto o canto suave dos pássaros, ao fundo. E, então, minha filha apareceu, usando um simples e lindo vestido, verde como seus olhos.

Ela caminhava pela campina e, ao longe, avistou um labirinto. Curiosa como era, correu até o mesmo – sua risada de sinos preenchendo todo o ambiente com exatidão. Wendy viu, no entanto, a pulseira que lhe dei de aniversário no chão, suja, em meio à grama e terra. Ela pegou-a, confusa e, então, sentiu meu cheiro.

– Papai... – sussurrou feliz, correndo para dentro do enorme labirinto.

Os muros esverdeados continham grandes folhas e galhos e, conforme ela adentrava, tudo ficava mais escuro. Minha filha estremeceu, pensando em voltar, mas, então, cabelos cor de bronze e a minha risada irrompeu, fazendo-a seguir o som.

– Papai... Onde você está? – ela perguntou. – Eu não quero brincar de pique-esconde aqui... Eu tenho medo.

Uma brisa fria se fez presente e tudo ficou mais escuro, de repente. O céu negro e repleto de nuvens, assim como a névoa e neblina presentes deixavam tudo com um ar macabro, como daqueles filmes de terror de quinta categoria. E, como um paradoxo, minha risada foi ouvida novamente, fazendo Wendy correr em sua direção.

E ela me encontrou. Eu estava de costas, olhando para o lado, com as mãos estendidas para alguém. Minha pequena parou no mesmo instante, absorvendo aquela visão.

– Venha! Vamos fugir daqui... Vamos esquecer de tudo – Eu disse à alguém, estendendo minha mão ainda mais, com um sorriso satisfeito no rosto.

– Vamos – Uma voz feminina concordou, mas foi difícil de reconhecer, pois a dona daquele timbre não aparecia aos olhos de Wendy.

Entretanto, uma delicada e pálida mão se ergueu, enlaçando à minha, mas em seu pulso havia uma cicatriz prateada... Com um formato de meia-lua. E, então, a mulher apareceu suavemente, andando a passos hesitantes em minha direção, sem desconectar nossos dedos, porém.

O rosto dela era impossível de ser visto, pois os cabelos cor de mogno cobriam-lhe a face, por estar de perfil. Seu corpo, no entanto, era coberto por um longo vestido branco, movendo-se com leveza, enquanto nos aproximávamos. Minhas mãos tocaram seu rosto com devoção, e as da branca mulher embrenharam-se no meu cabelo.

– Não... – Wendy sussurrou, a visão embaçada pelas lágrimas que se acumulavam em seus olhos. – Essa não é a mamãe...

Assim, ela viu a mim e a bela mulher ficarmos há milímetros de distância e, então, nossos lábios se tocaram.

– Não! – Dessa vez, ela gritou, fazendo-me desvencilhar da moça e olhar minha filha nos olhos. – O que você está fazendo?

– Sinto muito – Falei, mas o tom da minha voz não pareceu nem um pouco decepcionada ou culpada, e apenas entrelacei minha mão outra vez na da mulher, que me puxava para longe dali.

– Não! Papai, você não pode me deixar...

E Wendy correu, correu com pressa até nós dois, contudo, o caminho estreito e confuso do labirinto se tornava pior a cada passo que ela dava, perdendo-me de vista.

– Não! – Ela gritou outra vez, caindo no chão úmido e frio, completamente perdida e sozinha, sendo sufocada pelas lágrimas incessantes que escorriam por seu delicado rosto.

– Não... – Minha filha sussurrou no presente, tirando suas pequenas mãos do meu rosto e o de Bella.

As imagens de seu pesadelo se perderam e meus olhos se focaram em seu rosto abatido, ao passo em que ela me abraçava com medo.

– Está tudo bem, está tudo bem... – Repeti inúmeras vezes, beijando sua testa. – Eu jamais faria algo do tipo, minha filha... Jamais te deixaria.

– Você promete? – O sussurro quebrado soou, fazendo-me abraçá-la cada vez mais intensamente.

– Eu prometo, querida... – murmurei, mas não pude ignorar meus pensamentos, onde a cicatriz da mulher do sonho cintilava no pulso, exatamente como a que Bella ganhou após a mordida de James.

Senti seu olhar em mim, e encarei-a de volta. O mar de chocolates era confuso e atormentado, como se um maremoto estivesse a caminho.

– Wendy possui o dom de mostrar seu pensamento às pessoas com um simples toque – murmurei, olhando-a calmamente. – É como se ela pudesse fazer o oposto que eu.

Bella assentiu, absorvendo minhas palavras, e uma ruguinha apareceu entre suas sobrancelhas – O que eu não daria para saber o que se passava naquela cabecinha...

– Mais calma? – Ela perguntou à minha pequena, sorrindo carinhosamente.

– Sim... – Sorriu, abrindo os braços e pedindo colo a ela, que a recebeu com vontade.

– Que bom!

– Mamãe? – A suave voz de Matthew proferiu, fazendo-nos olhar para trás.

Ele e a pequena Alyssa estavam de mãos dadas e carinhas de sono, adentrando a cozinha.

– Você tá chorando, Wendy? – Lyss perguntou, pegando na mão de minha menina, no instante em que pegava ela e o irmão no colo, sentando-os no balcão.

– Eu tô melhor agora... – sorriu.

– Ela só teve um pesadelo – respondi, bagunçando os cabelos do pequeno Matt.

– Sabe o que a mamãe sempre diz? – ele perguntou à Wendy.

– O quê?

– Que o melhor remédio é assistir um filme bem legal depois de um sonho ruim – Os lábios do rapazinho se repuxaram em um sorriso acolhedor, ao passo em que ele puxava as duas outras garotinhas para a sala.

– Ela vai ficar bem? – Bella perguntou, levantando-se e olhando pela janela, onde uma chuva torrencial caía.

– Vai sim. – sorri de volta, olhando-a.

Ela voltou seu olhar para mim, mas não consegui decodificar o que se passava por trás deles. De qualquer forma, no momento em que abri minha boca para perguntar o que ela estava pensando, ela foi mais rápida.

– Os outros estão chegando. – Murmurou com rapidez, retirando-se da cozinha em passos apressados.

Não pude evitar, porém, que meus olhos se fixassem em seu pulso, enquanto ela saía, constatando que a mesma cicatriz em forma de meia-lua permanecia lá.

– Ah, a Bella estava tão linda! – Ouvi Alice dizer da sala, onde ela e Jasper estavam, juntamente de Elena, Stefan, Damon e as crianças.

Bella estava sentada ao lado do marido, e parece que eles haviam voltado ao normal, após a discussão que tiveram antes da caçada. E todos ali no ambiente assistiam uma cena, onde uma Bella encantadora dançava com Damon, vestida com um longo vestido branco e um véu...

Tranquei minha mandíbula ao perceber que aquilo se tratava do vídeo de casamento de ambos e no instante em que pensei em subir e cumprimentar minha esposa – que estava no banho –, notei a mente de Damon se agitar.

– Volta uns segundos... – ele pediu, referindo-se ao vídeo.

Stefan pegou o controle e fez como o irmão pediu e ambos ficaram estáticos com a imagem que surgiu na tela. Era uma mulher, com curtos e escuros cabelos espetados para todos os lados, escondida atrás de uma coluna no imenso salão decorado por rosas. Os olhos verde azulados fitavam o casal de noivos com dor e angústia, enquanto os lábios de Damon sussurraram surpresos, movendo-se no sofá.

– Rose...

Bella o olhou confusa, bem como Elena e meus irmãos – As crianças meio adormecidas no colo de Alice e Jazz.

– Quem é essa Rose? – Bella perguntou, olhando para o vídeo, no qual Stefan colocara para rodarnovamente. – E por que nunca reparei nisso antes?

Damon somente bufou, irritado – Seus pensamentos um turbilhão. Ele se levantou com pressa e raiva, saindo e batendo a porta atrás de si. A chuva ainda caía com furor e ele pouco parecia se importar.

Bella fitou Stefan, que continha uma expressão preocupada.

– Quem é ela? – perguntou para o cunhado, nervosa.

– A antiga companheira do Damon.

Notas finais
N/A: Bem, espero que tenham gostado *sorriso sapeca* Alyssa ainda não tem dom... Rose como antiga parceira do Damon... Hmm... Pra quem não vê a série, no próximo cap coloco uma foto dela ;) E, bom... Edward e Bella cada vez mais próximos... E o sonho da Wendy?! Seria uma premonição? ^^ E eu gostaria de dizer que, putz, se os reviews não aumentarem, não tem como eu postar mais a fic! Tenho mais de 100 leitores e menos de 30 reviews... Isso é muito frustrante! Espero que comentem... E vou tentar postar o prox o quanto antes... Mas me digam o que acharam do cap *bate os cílios* Então é isso...Até breve, amores *---* Toodles honey http://raphaella-paiva.blogspot.com