Respiro Me
10 Immagini - Parte I
Notas iniciais
Por que existem pessoas que dizem que a vida é fácil? Quem foi o dito cujo que inventou essa maldita expressão? Ele, obviamente, não deve ter vivido muito... Ou sou eu que vivi demais.
Bella era um livro semi-aberto – Tão fácil de ser lida, às vezes... Mas outras em que eu nem me lembrava quem ela é. No instante em que vi seus sedosos lábios sussurrarem meu nome, enquanto dormia, a sensação que tomou conta de todo o meu corpo foi única. E quando lhe entreguei seu anel – o qual ela, certamente, havia esquecido na mesa do grande e luxuoso refeitório do hospital – eu senti como se não fosse mais eu mesmo. Era como se eu vivesse em um universo paralelo. Era como se eu estivesse tão morto a ponto de nem sentir meus dedos, mas tão vivo a ponto de nem conseguir respirar.
Lembro-me do exato dia em que minha querida irmã teve a brilhante ideia de uma festa tripla, e tal lembrança fez com que outra viesse à tona: a visão que Alice teve durante a festa que reencontrei Bella. A pequena vampira recusou-se a dizer, argumentando que não era nada de mais – E sua mente bloqueada não me ajudava muito.
Tive que me contentar, assim, com uma frustração e mau humor que tomou conta de mim. Reação não muito diferente da que Charlize teve, ao descobrir a ideia da cunhada e sócia, mas que, logo, foi mudada – Ela sabia que os sentimentos de nossa filha era muito mais importante que qualquer outra coisa.
– Papai, volta pra aquela música! – Minha querida falou, quando eu mudava as estações de rádio. Estávamos no Volvo, rumo à Montalcino, onde se localizava a casa de campo dos Salvatore.
Para ouvir: U2 – Vertigo
http://www.youtube.com/watch?v=bVfhq1pe7nA
– Yupi! Essa música é boa! – Wendy exclamou, extasiada, remexendo-se desengonçada, no banco de trás, ao ritmo da música.
Eu e minha esposa nos entreolhamos, apenas para depois cairmos na gargalhada. Charlize tamborilava os dedos junto ao som da guitarra, enquanto o vento que vinha do lado de fora movimentava seus cabelos, há quase 200 quilômetros por hora.
A paisagem incrivelmente verde das planícies italianas dominava a vista daquela ensolarada manhã, e tudo ganhava um toque especial, apesar das 120 milhas que ainda tínhamos pela frente. Logo, uma pequena garotinha de cabelos cor de bronze fez uma gostosa risada sair de meus lábios outra vez, vendo-a cantarolar um “Hello, hello” todo desafinado e fora do ritmo, conforme o rock que embalava nossa viagem.
Os carros dos meus pais e irmãos vinham logo atrás de nós, exceto por Emmett e Rose, que já haviam acelerado e estavam há alguns quilômetros adiantados. E poucas horas mais tarde, estávamos atravessando o enorme portão de grades com dizeres dourados, ao passo em que estacionávamos no colorido jardim da mansão da família Salvatore.
O canto dos mais diversos pássaros soou alto, no exato instante em que o motor dos carros foi desligado. Colocando meu Wayfarer, pude contemplar a longa casa rústica, porém delicada de dois andares. Senti a luz solar bater em minha pele e disparar pequenos brilhos em todas as direções, enquanto abria a porta do carro para minhas duas mulheres, que sorriam, apreciando a propriedade.
– Sejam bem vindos! – A voz entusiasmada de Stefan proferiu, e pude vê-lo descer os pequenos degraus de madeira da varanda e vir até eu e minha família – que acabara de atravessar os portões –, com Elena logo atrás dele.
– Muito obrigada – Minha bela loira disse com um de seus belos sorrisos, abraçando a jovem vampira amorenada.
Antes que pudéssemos nos cumprimentar apropriadamente, o ronco de um Audi soou, e pude notar que se tratava de Damon, que riu irônico e revirou os olhos ao nos ver – Seus pensamentos irritadiços.
As crianças saíram do carro em disparada, cumprimentando a tia Alice e minha pequena Wendy, mas franzi o cenho ao notar que Bella não estava com eles. E antes que eu pudesse fazer algo a respeito, pude ouvir a voz de Emmett.
– Ué... Cadê a baixinha ex-humana?
Revirei os olhos com o doce apelido.
– A mamãe recebeu uma emergência do hospital... – Alyssa murmurou, brincando com os cabelos de Esme, no colo da mesma.
– Daqui a pouco ela chega aí – Damon falou dessa vez, bagunçando os cabelos de Elena, recebendo um belo soco no ombro.
Rapidamente, guardamos nossas malas e fomos apresentados oficialmente à enorme casa, recebendo nossos aposentos – Os filhos de Bella e minha menina ficariam no mesmo quarto, já que conseguiram persuadir Charlize e Elena. E logo depois descemos para o jardim novamente, ao passo em que Stefan nos mostrava parte do lugar.
– Amor, isso não é lindo? – Minha híbrida perguntou, andando sorridente até um lago que havia atrás da casa.
– Realmente – Falei embevecido, vendo as águas ganharem um tom cristalino, iluminado pela forte luz solar. Os lírios e frésias que rodeavam o ambiente deixavam tudo com um toque extremamente único e especial, assim como um vinhedo ao fundo.
– Ah, aqui é mesmo perfeito... – Elena sussurrou, aproximando-se.
– Eu e Damon passamos nossa infância e parte da adolescência aqui... Sempre escondíamos no vinhedo quando nossa mãe dizia que era hora do banho!
Rimos, e só então notei que minha família também estava ali.
– Valeu por compartilhar meus podres de infância perto dos meus filhos, Stef! – Damon revirou os olhos, com Matt em suas costas, rindo. – Agora eles terão pra onde correr quando a Bella...
Eu não ouvi mais nada a partir daí, apenas o motor forte e vibrante de uma Ducati 1098s que surgiu junto de um perfume avassalador de morangos... E o portão aberto deu passagem para ela, lindamente vestida em uma calça justa e jaqueta de couro.
Engoli em seco, afrouxando meu aperto na cintura de Charlize – que nem havia notado estar próxima a mim –, como se aquele aroma me chamasse... Era como uma hipnose... Era como se ela fosse uma encantadora de cobras e eu o animal à sua total mercê.
Pude vê-la estacionar perto da varanda e minha mandíbula se trancou, ao passo em que minhas mãos se fechavam em punho – Ela tirou o capacete lentamente, deixando seus longos e ondulados cabelos chocolate deslizarem por suas costas. Bella desceu da moto e, então, seus olhos se encontraram aos meus. Neste instante, a luz do sol bateu em todos nós e minha pele brilhou mais uma vez.
Ela respirou fundo, mordendo os lábios e desviando os olhos rapidamente, assim como eu. Com minha visão periférica, porém, pude vislumbrar a cena dela retirando a jaqueta de couro marrom escura e andar até nós, sensualmente.
Minha família e os outros ainda conversavam animadamente, como se nada daquilo tivesse ocorrido. Ou tivesse sido normal a seus olhos. Meneei a cabeça, e pude vê-la colocar seu Ray-Ban, e, então, cumprimentar-nos.
– E aí, gente... Jóia? – Ela perguntou casualmente, beijando Damon.
Um instinto estranho se apossou de mim, e me contentei em interromper aquele momento entre ambos. Bufei, vendo o quão infantil eu estava sendo. Quanto tempo mais aquele estranho sentimento tomaria conta do meu ser... do meu corpo... do meu coração? Voltei à realidade ao escutar sua doce voz outra vez.
– Vou me trocar e já volto, ok? – inquiriu, beijando o nariz de Alyssa.
– Por quê? Você está parecendo a Megan Fox, toda sexy em Transformers 2! – Emmett justificou, recebendo um olhar desafiador da linda morena, que logo rolou os olhos e riu, entrando na casa.
Enquanto sentia seu cheiro partir aos poucos, Elena nos chamou para irmos para a beira da piscina. Uma conversa agradável logo foi iniciada e me vi rindo de uma pequena discussão entre Wendy e Alice, sobre que personagem de Peter Pan era mais legal – É óbvio que fiquei do lado de minha pequenina, que levava o mesmo nome de uma das protagonistas.
– Irmã, de uma vez por todas, a Sininho é muito chata e metida... Sem falar naquele ciúme infundado que ela tem pelo P.P. – Emmett murmurou, abraçando-a pelos ombros.
– P.P., tio Emm? – Minha ruivinha perguntou, fazendo uma careta.
– É... Esse é o apelido que eu dei para o Peter, oras! – Falou com uma expressão de “duh”, fazendo todos rirmos.
– O que é tão engraçado? – A voz de Bella soou, e assim que desviei meus olhos para encará-la, tive que me lembrar de fechar a boca.
Ela estava incrivelmente maravilhosa dentro de um vestido curto, no exato tom de azul que deixava sua pele sedosa, tornando seus seios volumosos e convidativos, pelo decote presente. A palavra perfeição não bastava para tamanha... perfeição. Ela me encarou com um sorriso lascivo e cínico, o qual devolvi discretamente. Ela desviou os olhos, corando e sentando ao lado do marido, numa espreguiçadeira.
Charlize conversava com Rosalie, Elena e Esme, enquanto Lyss, Wendy e Alice discutiam desta vez sobre o ator que interpretaria o próximo filme do Homem-Aranha. Os homens conversavam sobre a temporada de beisebol, inclusive Matthew. Ri, vendo que quando crescesse aquele pequeno seria um rapaz de um caráter imenso, pois seus pensamentos sempre eram sempre tão sutis... E algo me dizia que assim eram os de Bella – se eu pudesse ouvi-los.
– Tia Bella, quando você beijou o tio Damon pela primeira vez? – Wendy perguntou inocentemente, seus olhinhos brilhando.
Ela riu de forma doce, acariciando os cabelos de minha filha.
– Bem, foi numa roda gigante, em plena virada de ano – Disse simplesmente, evitando meu olhar.
– Ai, jura? – Alice se envolveu na conversa, cruzando suas mãos e sorrindo. – Que romântico!
– É... – Damon também se juntou ao assunto, e logo todos também. – Muito romântico – Concluiu, beijando o pescoço de Bella.
Senti inveja ao ver seus pelos se arrepiarem e saber que ele provocava nela as mesmas sensações que um dia já provoquei.
– Será que o meu primeiro beijo será assim? – A pequena suspirou, seus pensamentos longe...
– Se depender de seu pai, será só depois dos trinta! – Bella riu, encarando-me por exatos dois segundos, divertida. Sorri torto.
– Nem tanto, Bella... – Defendi-me, rindo levemente ao ver a expressão aliviada de minha menina.
– Ah, Edward... Nem começa! Eu te conheço muito bem... – Sua risada irrompeu e nossos olhares se conectaram com intensidade.
Todos ali se silenciaram, exceto as crianças que já haviam deixado o papo de lado e se divertiam. Era inevitável fingir que um passado nunca existiu. Eu e Bella nos conhecíamos tão bem... E o clima se tornou pesado e frio de repente, constrangedor.
A íris chocolate se perdeu de meus olhos, e um riso baixo e irônico saiu de meus lábios. Carlisle pigarreou e, logo, Elena tentava tornar o ambiente menos hostil.
– Que tal um mergulho? – perguntou sorridente, levantando-se e puxando Alice consigo.
– Seria ótimo; hoje o dia está muito quente... – Rosalie a acompanhou, seguindo rumo à casa com a sobrinha, para se trocarem.
Deste modo, encarei Charlize, quieta demais ao meu lado, e a culpa e remorso fez meu peito se apertar. Olhei-a com pesar e um pequeno sorriso tristonho se formou em seus rosados lábios, em um silencioso perdão. Ouvi Damon beijar Bella e pular na piscina com os filhos, ao passo em que meu pai e irmãos eram convidados a jogar tênis com Stefan.
No momento em que senti que minha esposa iria se levantar, puxei sua mão esquerda, impedindo-a. Ela me olhou confusa, sibilando um “O que há?” preocupado.
– Descul...
– Não se preocupe, Edward – sussurrou, acariciando minha mandíbula. – Eu entendo...
E dito isso, a vi sair em direção à casa, para vestir um biquíni qualquer. Suspirei, praguejando baixo.
– Sabe, Edward... – Bella murmurou, e me sobressaltei ao notar que ela ainda estava sentada na espreguiçadeira ao lado. – O remorso sempre vem depois de uma atitude estúpida.
Sua voz seca e sarcástica me fez sentir ainda pior, e, ao olhá-la, percebi que a mesma encarava o marido e filhos brincando na piscina. E, assim, ela colocou seus óculos escuros e me encarou, com um sorriso irônico e sobrancelha arqueada.
Para ouvir: Maroon 5 – Misery
http://www.youtube.com/watch?v=cffui_Os9RE
– Mas acho que você está acostumado com isso.
Franzi o cenho, confuso. O que era aquilo? Ela queria me ver ainda pior? Uma atitude de vingança, afinal? A raiva me tomou, mas era toda direcionada a mim mesmo. Claro, eu sempre fui o estúpido da situação – Que novidade.
– Vem, amor! – Damon chamou Bella, de dentro da piscina.
Alyssa pulou em suas costas, afogando-o. A mulher ao meu lado riu, meneando a cabeça.
– Vem, mamãe! – A filha a chamou, rindo com o pai que havia emergido novamente. – A água tá tão boa...
– Não, docinho... O sol aqui está ótimo!
– Ah, não está, não – Damon falou em tom de malícia, saindo da piscina e pegando Bella no colo.
– Ah! O que você está fazendo, Da... – Ela não pôde continuar, pois havia caído na piscina junto do marido.
Ela sentou na beira, segundos depois, rindo, e foi inevitável não prestar atenção nas delicadas curvas de suas costas, delineadas pelo vestido molhado. Desviei meu olhar. Porra, eu tenho uma esposa! E eu estava sendo um idiota.
Levantei com pressa, com uma vontade perturbadora de sair daquele lugar.
[...]
– Uma trilha? Seria legal! – Ouvi Elena concordar e dar de ombros à Alice, que sugeriu que fizéssemos uma trilha para conhecer as redondezas da propriedade.
– O que você acha, Edward? – Charlize perguntou.
Desviei meus olhos do jornal e olhei para minha esposa, sorrindo amavelmente.
– Por mim está ótimo.
– Ah, e o que estamos esperando? Vamos logo! – Minha pequena e impaciente irmã falou, puxando-me do balcão da cozinha e me arrastando para fora.
– Que tal um passeio nas alturas, candy-Wendy? – Chamei minha filha por seu antigo apelido, fazendo-a rir, enquanto eu a colocava em meus ombros.
A bela loira que atendia como minha esposa riu, e olhei-a com amor. Ela era tão linda... Abaixei meu rosto em sua direção e beijei seus lábios suavemente.
– Eu te amo. – murmurei com seriedade e notei seus olhos verdes retribuir a frase.
– Eu também. Muito. – ela sussurrou, ficando na ponta dos pés e beijando-me novamente.
Antes que pudéssemos sair da casa, porém, ouvi os passos de uma emburrada Bella. Virei e vi-a trajando um short, evidenciando suas lindas pernas. Levantei meus olhos e percebi que havia sido pego no flagra. Olhei para baixo, envergonhado, e ouvi seu baixo riso, e, assim, fitei-a novamente. Nossos olhos se prenderam por um instante e senti o clima incrivelmente mais leve entre nós dois.
Um puxão em meu cabelo chamou minha atenção, entretanto.
– Vamos, papai! – Wendy choramingou, fazendo-me rir.
– A senhora quem manda.
Saímos do jardim e adentramos a densa e pequena floresta que ali havia. Stefan e Elena iam à frente, acompanhados por Carlisle e Esme. Logo, vinham Bella e Damon, que eram seguidos pelos filhos, Lize, eu e minha pequena, e meus irmãos.
Era cerca de duas da tarde e o sol da Itália nunca mudava – Sua luz era forte e radiante, mas, em contrapartida, a leve brisa deixava o tempo extremamente agradável. Para humanos, pelo menos.
– Argh! De quem foi a incrível ideia de fazer trilha? – Bella perguntou, bufando, irritada.
Rimos baixo, enquanto uma presunçosa Alice respondia.
– Foi minha, é lógico! As boas ideias sempre são minhas!
– Não sei por que gosto tanto de você, sua baixinha... Sempre me mete em furada.
– Que isso, Bella? Eu nunca fiz nada de mal a você, sua ingrata! – murmurou, repuxando os lábios em um beicinho.
Olhei para Charlize, que continha um riso, como os demais.
– Ah, não? – Ela olhou para trás, onde estava minha irmã. – E a minha festa de 18 anos?
Apenas aquela simples frase fez um ácido corroer meu corpo. De repente, o ambiente se tornou tenso e Alice baixou os olhos. A expressão de Bella se tornou uma carranca, enquanto andávamos.
– Alguém deveria colocar uma corrente na minha boca... – sussurrou para si mesma, raivosa.
– Por que, mamãe? – Alyssa perguntou, segurando na mão da mesma.
– Porque a mamãe só fala asneira!
A pequena somente deu de ombros, com o cenho um pouco franzido. Então, ela chamou Wendy, que desceu do meu colo. Ambas iam correndo à frente, ao passo em que o pequeno Matt conversava com Emmett sobre algum jogo de vídeo-game.
– Nada como a inocência de uma criança – Damon disse, abraçando a esposa pelos ombros. Ela, porém, virou e encarou a loira ao meu lado.
– Charlize, como surgiu sua grife com Alice?
E logo o clima se tornou amistoso de novo, enquanto elas conversavam amigavelmente, ao longo do caminho. Stefan ia apontando para alguns lugares por onde passávamos, contando a história de sua família, até que chegamos a uma clareira, onde continha uma bela cachoeira adiante.
O local era incrivelmente paradisíaco. As pessoas ali se dispersaram, cada uma conversando entre si, apreciando a vista. A grama verde ganhava um tom dourado pela luz do dia, assim como as flores violetas e amarelas... Era quase idêntica à clareira que eu e Bella tomamos como nossa.
A nostalgia veio com força, quase me levando ao chão. A cena do nosso primeiro beijo estava ali, rodando em minha mente. Tantos momentos que passamos num ambiente como aquele... A saudade era imensa... Um rompante sem precedentes me atingiu e uma vontade avassaladora me tomou. Uma vontade de voltar ao passado. Uma vontade impossível. Um desejo há muito esquecido... Mas que sempre retornava para me atormentar.
O sol, desta forma, bateu com ainda mais intensidade, tocando minha pele com fervor e disparando pequenas luzes de diamantes por todos os lados. Respirei fundo, apreciando o calor... O calor idêntico à pele dela. E como se nossas mentes tivessem algum tipo de conexão, abri meus olhos e encontrei aquelas orbes incrivelmente castanhas.
Bella me olhava de forma tão profunda que seus sentimentos se tornaram uma incógnita para mim. Seus olhos marejaram e a cena de nosso primeiro beijo invadiu minha mente de maneira ainda mais forte. E eu percebi, eu senti, eu vi através do seu olhar que ela pensava no mesmo. Eu tinha absoluta certeza de que seus pensamentos também vagavam por mais de quinze anos atrás...
Um rugido me fez sobressaltar e, olhando para trás, pude ver um leão da montanha há alguns metros. Corri até ele e vi que Matt estava ao meu lado. Paramos juntos, surpresos.
– Gosta de leões da montanha? – perguntei, já sabendo a resposta através de sua mente.
– Minha caça preferida! – respondeu, olhando para o animal em um misto de prazer e superioridade.
Ri, acenando que ele me seguisse. E, assim, avançamos no felino com precisão, derrubando-o em um único golpe e perfurando seu pelo com nossas afiadas presas. O sangue estava quente e maravilhosamente doce, entretanto, deixei a maior parte para o pequeno – Muito habilidoso, por sinal.
Levantei, umedecendo os lábios e passando a mão pelo meu cabelo, mas o olhar de Bella sobre meu corpo foi como um imã, e a olhei. Seu lábio inferior era mordido com força por seus dentes, e ela me fitava com tanto... desejo. Eu não soube distinguir o que era lucidez ou não naquele momento, pois ela virou o rosto e se juntou aos outros, que conversavam animadamente.
Senti um olhar ao longe, e ao acompanhar a direção, percebi que se tratava de Damon. Sua mente era cuidadosa e precavida, mas sei que ele me viu encarando a mãe de seus filhos. Olhei-o em desafio, e ele arqueou uma sobrancelha, me questionando em pensamento:
Eu sei que você prefere a minha mulher, mas cuida da sua, pode ser?
Minha expressão se tornou de fúria, ao passo em que um sorriso sacana saía dos lábios daquele vampiro.
[...]
– Quem chegar por último é o ovo podre! – Bella gritou para as crianças, que correram ao entrar na casa.
Ela subiu com Wendy e Lyss, alegando que daria um banho em ambas, a fim de deixá-las ainda mais lindas.
Todos subiram em seguida. Minutos mais tarde, retornei ao andar de baixo, de onde soava alguma música dos Jonas Brothers. Avistei Lyss e Wendy dançando em cima do sofá, e sorri quando minha menina veio animada até mim.
– Olha só, papai, que linda a trança que a tia Bella fez no meu cabelo! – Ela saltitou em meu colo, sorridente.
– Oh, está linda, querida! – elogiei, beijando sua testa. – Assim como você, Alyssa... – sorri para a mesma, que retribuiu amavelmente. Encantei-me com seu sorriso por um instante – Era idêntico ao que Bella possuía.
Logo, Matt desceu com Rosalie. Ficamos assistindo televisão por um instante, até que, de repente, uma Bella toda sorrisos, ao lado de Charlize e o restante da família surgiram, com bolo em mãos, juntamente de balões e embrulhos e mais embrulhos de presentes.
As crianças ficaram eufóricas e minha loira irmã sorriu para mim, dizendo que fizemos muito bem nossa parte, como combinado. Havíamos decidido que faríamos uma comemoração surpresa para eles, algo simples. E eu e minha irmã ficamos encarregados com a parte de distrair os pequenos.
– Ah, por favor... Diz que já é hora dos presentes... – Alyssa choramingou pela milésima vez naquele fim de tarde.
Rimos, cedendo aos seus encantos. Sentamos todos na imensa sala de estar, iluminada pelos últimos raios solares que adentravam através das portas duplas que davam para a varanda. Acomodei-me no chão, ao lado de minha esposa e filha, quando foi nossa vez de entregar o presente a ela.
– Bom, não foi nada fácil encontrar o presente perfeito pra você, meu amor – Falei, colocando-a em meu colo. – Mas, então, me lembrei de algo que herdei de sua avó biológica, Elizabeth.
– Sério? E o que é? – Seus grandes e expressivos olhos verdes me deslumbraram, ao passo em que eu retirava o lindo bracelete da caixa de veludo.
– É uma pulseira de prata... – murmurei, perdido em lembranças. – E nela há um pingente em forma de coração.
Minha menina examinou com cautela, enquanto eu colocava o acessório em seu delicado braço. O coração que nele continha era um diamante lapidado em mil facetas, cintilando na luz do sol.
Eu havia passado tantas noites em claro... Pensando em dá-lo à Bella... E era o que eu daria em seu aniversário, se ela não fosse tão relutante em receber presentes. Mas meu coração também pertencia a minha filha agora.
– É lindo, papai... – sussurrou, tocando o pingente com a ponta dos dedos. – Obrigada, mamãe!
Sorrimos, e demos um delicioso abraço em nossa pequena criança, que alcançava seus sete anos de vida. Tão jovem, tão rara, tão linda... Tão nossa. O amor que eu sentia por minha filha era imortal e mortal ao mesmo tempo – Ele nunca morreria, mas eu morreria para mantê-lo.
– Tudo bem mesmo, meu anjinho? – perguntei intrigado, notando algo tomar conta de seus pensamentos. Eles eram incrivelmente difíceis de serem lidos e interpretados, creio que pelo fato de ela possuir parte do dom da mãe.
Todos ali nos olharam intrigados.
– Bem, é que... – ela corou, escondendo o rosto em meu peito.
– O que foi, meu amor? – Charlize perguntou, acariciando os cabelos dela.
– Eu queria um presente diferente desta vez...
– E o que seria? – perguntou. – Basta dizer...
– Eu... Eu queria uma irmãzinha... – sussurrou hesitante.
Eu e minha esposa nos encaramos, embevecidos e pesarosos.
– Minha pequena... – suspirei, não sabendo o que dizer ao certo.
– Wendy, eu posso ser sua irmãzinha, se você quiser – A voz doce de Alyssa preencheu o ambiente, deixando-nos encantados.
Olhei para Bella, que encarava a filha com orgulho. Nossos olhares se encontraram, e sorri verdadeiramente.
– Obrigada, Ly... – Minha pequena ruivinha agradeceu, saindo de meus braços e abraçando a amiga.
Acariciei as costas da Wendy, e ela me olhou.
– Nós não estamos pensando nisso por agora, meu anjo... Mas quem sabe daqui um tempinho?
– Você promete? – perguntou esperançosa, encarando-me com um encantador sorriso.
– Eu prometo. – murmurei, beijando seus cabelos, enquanto ela me abraçava com força.
– Palavra de escoteiro! – Minha esposa sorriu, beijando nossa pequena.
– Eu amo vocês.
A festa prosseguiu normalmente, e rimos de uma Alyssa que ficou toda elétrica e extasiante ao ganhar seu tão esperado coelho, de Bella e Damon.
– Bom, vou ter me controlar pra não jantar o animal de estimação da minha filha, mas tudo bem... – Ele dizia. E fiquei surpreso pela escassez de hostilidade no momento.
Logo, quando vimos, já se passava das nove da noite. E o clima era quente e agradável. Bella e Charlize colocaram as crianças para dormir, enquanto minhas irmãs e Elena, com a minha ajuda e dos demais, organizamos a casa em questão de segundos.
Para ouvir: Lifehouse – Whatever It Takes
http://www.youtube.com/watch?v=kSJONe_ULII
– Que tal um vinho? – Stefan perguntou e eu e meus irmãos rimos. – Ah, esqueci que vocês não bebem! – Acompanhou nosso riso.
– Ah, mesmo assim... – Alice deu de ombros, e, então, Damon acompanhou o irmão até a adega.
Passamos algumas horas apenas conversando... Falamos sobre assuntos variados e estávamos incrivelmente confortáveis e, quando o relógio anunciava ser quase uma da manhã, todos resolveram subir.
– Vamos ficar na varanda? – Perguntei à Charlize, que estava ao meu lado, no enorme tapete felpudo.
– Claro – sorriu, beijando meus lábios rapidamente e deixando sua taça de vinho de lado, levantando-se.
A brisa estava um pouquinho fria, o que me fez afrouxar o abraço com minha esposa, por conta da baixa temperatura de minha pele. Ela me olhou raivosa, sentando no sofá que ali havia e me puxando com força para si.
– Quem disse que eu não gosto do seu corpo gelado? – inquiriu, sentando no meu colo, de frente para mim.
Arqueei a sobrancelha, mordendo seu lábio inferior. Um gemido baixo saiu por suas cordas vocais, e, logo, nos beijávamos com vigor. Puxei seus cabelos, desfazendo o coque que continham, deslizando minhas mãos por suas costas...
– Damon, me desculpe, mas... Essa noite não.
Era a voz de Bella. Senti os lábios de Charlize percorrerem meu pescoço, enquanto via, pelos pensamentos de Damon, sua esposa desvencilhar de seu aperto.
– O que houve? Fiz algo de errado? – ele perguntou confuso, levantando-se da poltrona em que estavam e seguindo-a.
Bella estava na beira da janela de seu quarto, fitando o jardim, ao passo em que Damon se aproximava e a abraçava por trás.
– Não... É claro que não – murmurou, olhando-o – Só estou cansada; vou tomar um banho. – Ela sorriu rapidamente, seguindo até o banheiro da suíte.
– Não acredito que isso é por causa dele – A raivosa voz de Damon proferiu, e minha imagem perpassou por sua mente.
E, então, mais imagens tomaram conta de seus pensamentos... E, por consequência, dos meus também – Ele estava tendo uma lembrança. Bella beijava seus lábios com fervor e, então, ele se deitou por cima dela, fazendo uma trilha de beijos por seu pescoço, descendo por seu colo... E seus seios...
Uma mordida no lóbulo da minha orelha me fez retornar à realidade e pude sentir minha esposa selar nossos lábios mais uma vez. Puxei-a pela nuca, pedindo passagem com minha língua. Nosso beijo se aprofundou, e Bella foi esquecida por alguns segundos. Mas ainda havia um dia pela frente... Respirei fundo, desejando estar pronto para aquilo.
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