Respiração, foco nos sentidos!
4 Capítulo 4 - Amigos
Assim que Katsuki sai da porta, ele percebe. Estava em um beco, o mesmo em que sua quase morte aconteceu. Na cabeça dele, faria mais sentido sair ali, provavelmente estaria vazio agora, e era perto o suficiente de casa para não demorar mais do que alguns poucos minutos para chegar andando.
Porra... eu consegui mesmo!
—Você achava o quê? Que ia sair em Nárnia?
Estávamos em um castelo infinito, merda!
Ainda tenho a leve ilusão de que posso estar alucinando toda essa merda...
—Coitadinho, tá ficando louco?
—Posso consertar isso! Basta pegar a katana e-
Kizu, vai se fuder.
—...Grosso.
Sem demora, ele sai do beco, e começa a andar em direção a sua casa. Katsuki se sente um pouco perdido. Na perspectiva dele, faz mais de um mês que ele esteve nesse lugar, mais de um mês sem ver sua mãe ou seus... amigos. Bakugou consegue se orientar aos poucos, ainda dava para recordar de todos os caminhos daquela rua, só, lhe faltava costume.
Mas, ele rapidamente percebeu algo. Barulho. Ele estava conseguindo ignorar a maioria, e hoje em dia conseguia aguentar quase oito horas seguidas sem o aparelho auditivo, mas... porra. Como as pessoas podiam gerar tantos sons diferentes? Por alguns segundos ele expandiu sua audição para ouvir o que as pessoas de um 'prédio' próximo estavam fazendo, apenas por pura curiosidade adolescente.
Ele se arrependeu disso pelo resto da vida.
Huh! Que merda é essa?!
Quem faz isso com...?
—Sabe de nada inocente...
Não diga um a sobre isso!
—...
—A
Eu mandei ficar quieta sua merdinha!
Katsuki foi fazendo isso até ver sua residência, é um bom jeito de passar o tempo. Às vezes ele ouvia algumas desgraças, mas, depois de ficar mais de um mês no castelo infinito, ele conseguiu se acostumar a ignorar tudo aquilo que for estranho demais. Tinha centenas de adolescentes de cada canto do mundo no castelo, então, dá pra se imaginar o que acontecia... aprender a ignorar isso era questão de sobrevivência ali, e não escolha.
Ao chegar em frente a sua casa, ele para rente a porta. Ativando sua audição aprimorada apenas para ter certeza de algo. Katsuki pensou ter ouvido vozes.
"Pirralhos! Querem um pouco de água?"
"Sim, por favor."
"N-não precisa!"
"Tô morrendo de sede!"
...
—...
Porra.
Bakugou reconhecia aquelas vozes.
Aqueles idiotas...? Eles realmente vieram na minha casa?!
—Realmente... existe idiota pra tudo mesmo.
Katsuki suspirou, tinha que lidar com isso. Pelo visto, ele realmente tinha amigos, por mais que não entendesse como isso aconteceu. Como sempre, Katsuki faria isso no estilo Bakugou de ser, ou seja, abrindo a porta e lidando com todos ali dentro.
Ignorando seus pensamentos sobre isso, ele abre a porta e entra em casa, e vê o que suspeitava. Kirishima, cabelo de merda. Mina, olhos de guaxinim. Kaminari, pikachu. Jirou, cabeça de fone, mas Katsuki a chamava só de 'fones' na maioria das vezes. E Sero, vulgo, fita adesiva. Todos estavam reunidos no sofá e ao redor. Sua mãe estava ali também, ela tinha acabado de trazer água para todos pelo que Katsuki pode perceber.
"Kats! Onde você estava? Sua mãe disse que você chegaria logo, mas estamos esperando aqui faz uma hora já!" Kirishima foi o primeiro a falar, se levantando e indo para frente dele.
"Foi feio deixar a gente esperando Blasty! A gente veio aqui dar apoio moral, poxa..." Disse Mina, também se levantando do braço do sofá e andando até ele.
"Você tem celular, podia pelo menos ter mandado mensagem!" Kaminari disse, ainda sentado no sofá e com o cabelo visivelmente desarrumado.
"Ele pode estar sem o celular, idiota!" Jirou dá um tapa de 'leve' na cabeça de Kaminari.
"Gente, podemos por favor não brigar? Estamos na casa dele, não na U.A..." Sero diz enquanto tenta apaziguar Kaminari e Jirou.
Mitsuki fica parada, olhando para Katsuki com um olhar de "onde você estava?". Mas não diz nada, apenas dá um aceno de leve, para deixar claro que ela reconheceu a chegada dele em casa.
Já Katsuki...
...
—Eles gostam de falar, né?
Sim, muito mais do que eu gostaria.
—Podemos expulsar eles?
...
—Isso é um sim?
...
—Um não?
...
—Fala algo!
Katsuki estava... atônito. Ele realmente não esperava tudo isso, as mensagens já eram difíceis de sua mente entender o motivo, isso então? Beira o impossível. Eles vieram para sua casa, todos. Estavam preocupados, querendo ajudar, dar... apoio moral. Porra... eu não mereço isso.
"Como vocês descobriram onde eu moro?" Foi a primeira coisa que Katsuki disse. Ele nunca disse onde morava, então como eles sabiam?
Kirishima foi o primeiro a falar, botando a mão na cabeça e coçando levemente. "Foi o Midobro! A gente perguntou, e ele nos deu o endereço."
Como aquele merdinha sabe onde eu moro?! Eu me mudei faz um ano daquela antiga casa!
—O garoto brócolis é esforçado em!
Você não faz ideia.
—Eu tomaria cuidado viu... pra esse garoto virar um yandere maluco é dois pulos!
Não viaja.
"Aquele bostinha..." Katsuki murmurou. "O que vocês estão fazendo aqui?"
"Ué, não é óbvio?!" Disse Mina, jogando os braços pra cima como se estivesse vindo abraçá-lo. "Viemos dar apoio moral!" Katsuki apenas botou o dedo na testa de Mina, impedindo ela de dar esse abraço, Mina apenas faz um biquinho com isso. "Chato!"
"Ignore ela." Kirishima dá um tapinha no ombro de Mina. "Apenas viemos ver como você está."
"A gente mandou uma mensagem no grupo falando que vinha, você não viu?" Kaminari disse mostrando as mensagens no próprio celular.
...Merda!
Katsuki não tocou no celular até agora. E, isso foi um erro da parte dele. Rapidamente, ele tirou o celular do bolso, que, de algum jeito, continuava com bateria.
— — — — — — — — — — — — — — — —
Você tem 99+ novas notificações
Bakusquad — 99+ notificações novas
Deku de merda — 12 notificações novas
Bruxa - 3 notificações novas
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...
...
—...
COMO?!!
—Eles são malucos, precisamos fugir daqui.
Katsuki não era capaz de acreditar no que estava vendo. No mundo real, não tinha passado nem sequer um dia direito. Como um grupo poderia mandar mais de cem mensagens em tão pouco tempo? Era pra eles estarem ocupados arrumando os dormitórios ou algo assim, pelo que ele sabia.
"Seus... seus IDIOTAS!" Ele grita enquanto mostra a tela do próprio celular pra eles. "Como vocês mandaram tanta mensagem em tão pouco tempo?!"
Vendo a quantidade, Kirishima, Mina e Kaminari começaram a coçar o cabelo levemente, como se estivessem aceitando levar a culpa por isso. Jirou e Sero estavam de braços cruzados, apenas se divertindo vendo seus amigos.
"Eu avisei que ele nem iria tocar no grupo se visse a quantidade de mensagens..." Disse Sero, com a consciência limpa, sabendo que dessas mais de cem mensagens, menos de cinco devem ser suas.
Jirou estava prestes a concordar, mas ela percebeu algo muito mais importante, que ninguém ali tinha notado ainda. "Ei, que espada é essa na sua cintura?" Ela aponta para a katana na bainha, no cinto de Katsuki. Logo, todos os olhos da sala se fixam na arma, incluindo os de Mitsuki.
"Isso é uma... katana?" Mina pergunta, e ao mesmo tempo começa a se aproximar, como se quisesse tocá-la.
Katsuki assente. "Tsk! Não é óbvio?" Ele retira metade da katana de dentro da bainha, o suficiente para eles verem que é real, e a lâmina verde. "Eu preciso de uma arma agora que estou sem poderes, não é? E escolhi a katana."
Todos ficam em silêncio por um tempo, como se estivessem escolhendo bem as próximas palavras.
"Mas... por quê a katana?" Kaminari perguntou o que todos estavam pensando.
"Como assim? Porque sim ué!" Katsuki sente que isso foi um insulto, mas tenta não dar ouvidos a si mesmo.
"É que tipo... Kats. Você não é exatamente a pessoa mais... paciente do mundo." Kirishima tenta falar isso da melhor forma possível. Sem muito sucesso.
Paciente?
Eu sou a merda do rei da paciência porra!
—Tô percebendo...
Eu to meditando todo dia por pelo menos duas horas!
—Pelo menos tá fazendo efeito... o antigo Katsuki já teria mandado todos embora.
Não! Não teria!
—Teria sim.
"O que isso tem haver comigo usando uma Katana?!" Agora sim Katsuki se sentiu ofendido.
"Não estamos falando que tem, é só... você tem só duas semanas para treinar!" Mina diz enquanto mexe as mãos freneticamente na frente do corpo, como se tentasse gesticular. "Não seria melhor você usar uma arma mais... explosiva? Menos focada em um só ponto?"
"Exatamente!" Kaminari aponta para Mina, concordando com ela.
Jirou ainda está olhando fixamente para a katana, como se não conseguisse desviar os olhos. "Eles têm razão. A katana vai contra todo o estilo de combate que você vem treinando desde sempre."
Sero estava tentando ser o intermediador ali, mas nesse caso, ele não tinha muito como discordar da maioria. "Foi mal cara... acho que eles estão certos, uma katana não combina com você."
Katsuki cruzou o olhar com sua mãe, a única que não tinha dito nada até agora, e ela apenas deu de ombros, como se quisesse ver como ele lidaria com isso. Já o mesmo estava... instável. Ele apertava os punhos até os dedos ficarem brancos, e todo seu corpo pedia para gritar com eles e expulsar todos. Mas... sua mente, nova, renovada, clamava por outra coisa. Um mês de meditação no castelo infinito trouxe isso a Katsuki. A capacidade de, finalmente, pensar antes de agir. Não funcionava sempre, havia algumas dezenas de coisas que ainda o tiravam do sério. Seus amigos querendo o ajudar não são uma dessas coisas.
Esses... merdinhas. Estão duvidando de mim?
—Posso entender eles, você realmente não combina com uma katana...
Até você, Kizu?!
—Admita, seu estilo de combate mudou bastante.
Sim, mas qual o problema disso?!
—Você está virando um bom espadachim, eu sei disso. Eles não.
—Prove para eles, ué.
Provar... eu posso fazer isso.
"Mãe, tem uma maçã aí?" Katsuki perguntou.
"Sim." Mitsuki foi até a geladeira, e pegou uma, jogando-a para seu filho.
Katsuki a pegou rapidamente com a mão direita, e passou os olhos por todos ali. Kirishima e Mina trocavam olhares, e ele podia ouvir Mina sussurrando um "O que ele vai fazer?" para seu melhor amigo. Kaminari estava olhando para ele com a cabeça levemente inclinada, coçando a cabeça com uma das mãos. Jirou e Sero pareciam ter entendido o que ele planejava, mas, continuavam em silêncio. Mitsuki estava com os braços cruzados, as sobrancelhas levemente levantadas.
Todos os olhos estavam fixos em Katsuki agora. Ótimo. " Observem bem isso, seus idiotas!" Em seguida, ele joga a fruta um pouco acima dele, quase parando no teto. Desembainhou a katana, ficou em posição, e... esperou o momento certo.
Ele não iria usar a respiração em concentração total para algo tão simples, mas... ainda podia usar de suas novas vantagens para ajudá-lo. Quando a maçã começou a cair, ele focou sua audição em um ponto fixo no ar, no ponto em que planejava cortar a fruta. E no microssegundo em que a maçã chegou no ponto certo, Katsuki não esperou mais, e cortou-a no meio em metades perfeitas.
Bambus são muito mais duros que maçãs, então a dificuldade foi mínima. O mais importante foi que todos ali puderam ver a precisão que Katsuki teve.
Os olhos de todos os presentes se arregalaram ao ver isso, ninguém ousava dar um "pio" sequer. Até mesmo Mitsuki estava sem conseguir falar algo. Vendo isso, Katsuki não pode evitar um sorriso arrogante que surgiu sem que pudesse perceber. Ver aqueles olhos arregalados trouxe uma sensação nova para ele.
Ha! Agora quero ver eles falarem o que não combina com quem!
—Fudeu, agora ficou todo arrogante...
Como se você fosse diferente!
—...
"E então, vocês vão continuar achando que essa belezinha não combina comigo?" Katsuki diz enquanto guarda a katana na bainha novamente, em seu cinto.
"Como você fez isso?!" Kaminari foi o primeiro a perguntar, gritando enquanto pegava um dos pedaços da maçã, que caiu no chão com o corte.
"O corte é... perfeito." Jirou fala, tocando no pedaço que Kaminari tinha pego.
"Você é secretamente filho de um espadachim por acaso?!" Mina pega o outro dos pedaços que caiu no chão, notando o quão reto foi o corte.
"Onde você aprendeu a fazer isso?" Sero que fez a pergunta dessa vez. E, todos focaram nisso.
"Verdade! Isso foi perfeito demais, a quanto tempo você anda praticando?" O melhor amigo de Katsuki que perguntou dessa vez, se aproximando para ver a katana mais de perto agora.
Então, Katsuki percebeu que cometeu um erro. Todos começaram a fazer perguntas demais. "Em que lugar você aprendeu?" "Quem te ensinou?" "Quanto tempo faz?" "Por quê não disse pra gente antes?". O pior? Ele não conseguia pensar em como responder isso. Não podia falar a verdade, afinal, ele prometeu para Aurora que manteria a boca fechada. Tem mais de um motivo para o corpo dos caçadores de demônios se manterem escondidos do mundo, e, não seria ele a pessoa a revelar isso para um outro bando de adolescentes como ele.
Mitsuki percebeu isso, e, surpreendentemente, ela responde por Katsuki. "Faz alguns meses." Os olhos de todos se voltam para a mãe dele, incluindo o do próprio. Ela vai andando até seu filho, segurando seus ombros pelas costas. "Eu que botei ele em aulas de katana. Me falaram que isso podia ajudá-lo a lidar com a raiva, e, ele topou, não é moleque?" Mitsuki diz, e Katsuki não precisa olhar para saber que ela está dando um toque de "Vai na minha."
"É, e-exatamente!" Katsuki fala um pouco rápido demais. A mão de Mitsuki aperta um pouco no seu ombro, discretamente. Ele respira brevemente, tentando tomar alguma quantidade de ar antes de falar. "Foi uma merda, no começo, mas agora isso se mostrou útil pelo visto..." Katsuki realmente espera que eles tenham acreditado nessa mentira deslavada. Improvisar não é o seu forte, então isso não foi algo fácil de se fazer.
Por que ela está nos ajudando?! Ela nem sabe onde eu estava!
—E quem se importa? Só vai na dela, isso é uma desculpa que os idiotas ali vão acreditar, então vai junto!
Eu estou tentando!
—Tenta mais.
"Eu fazia toda semana." Katsuki vira o rosto para Kirishima. "Cabelo de merda, você lembra né? Às vezes, quando terminamos de treinar, eu falava que tinha outra coisa pra fazer e passava uma hora e meia fora da U.A?"
"Eu me lembro disso..." Kirishima bota a mão no queixo, como se tentasse lembrar. "Então... era isso que você fazia quando saía?"
Katsuki assente com a cabeça. "Eu nunca falei porque nunca achei necessário. Agora, todos sabem, estão felizes agora?!" A entonação saiu mais grossa do que o planejado, mas, todos devem ter entendido o recado. Eles sabem que Katsuki odeia falar sobre a vida pessoal.
"Foi mal cara, é só... wow. Ninguém aqui esperava isso!" Disse Kirishima.
"Sim!" Mina fala em meio a mordidas, ela não iria desperdiçar aquele pedaço de maçã. "Você podia ter nos dito antes! A gente podia fazer que nem aquele jogo lá. Eu e o Kiri jogamos um monte de frutas no alto, e você corta! Tipo um ninja de verdade!"
"Tem certeza que isso é saudável? Nós não sabemos o que o Bakugou anda cortando com essa katana..." Kaminari fala enquanto deixa seu pedaço na mão de Jirou.
"Quem não arrisca não petisca!" Mina dá mais uma mordida. "Hmm!" Satisfeita, ela murmura, antes de pegar o outro pedaço da mão de Jirou. "Tá docinha, você devia ter experimentado Pikachu!" O dito cujo escolhe apenas levanta as mãos em rendição, murmurando um "É todo seu!"
Então, antes que isso se alongue mais, Mitsuki bate as mãos bem alto, chamando a atenção de todos para si. "Agora, Katsuki precisa descansar, ele tem muito treinamento pra fazer nessas duas semanas. E, seus pais devem estar preocupados com vocês." Ela abre a porta enquanto fala, como se estivesse 'convidando' eles a irem embora.
"Mas ainda são oito hor-" Antes que Kaminari terminasse de falar, Jirou deu um beliscão na sua orelha.
"Obrigada por nos receber, senhora Bakugou!" Jirou diz enquanto se curva levemente, ignorando Kaminari ao lado dela a chamando de "Maluca".
Jirou e Kaminari foram os primeiros a sair, com Sero acompanhando eles. "Até mais cara! Boa sorte com a katana!" Ele diz enquanto acompanha os outros dois do grupo.
"Se precisar de ajuda no treinamento, é só pedir que estarei lá, Kats!" Kirishima levanta a mão para um aperto.
Katsuki não costuma gostar de toques, mas, Kirishima e Mina tinham um 'passe especial' com ele para isso. Ele realmente os considera amigos, os melhores, mesmo que negue isso sempre que possível. Mas, suas ações falam mais que palavras, e eles dois entendem isso, por isso continuam com ele, mesmo com as coisas que Katsuki fala.
"Tsk! Pode deixar, cabelo de merda! Eu ainda te venço mesmo sem individualidade, posso garantir!" Ele aperta a mão de Kirishima, intensamente como sempre.
"Vamos ver!" Assim que Kirishima sai do aperto, Mina toma a dianteira.
"E vê se não esquece da gente em!" Ela abre os braços para Katsuki, e se aproxima dele olhando com aqueles olhos de "por favor?".
Katsuki até pensou em impedir isso, só que estava começando a ficar cansativo negar essas coisas. E, embora não fosse admitir, ele realmente quer um abraço agora, faz muito tempo na perspectiva dele que está sem um. Principalmente depois... daquele com sua mãe.
—Oh, tá com saudade de abraços? Que fo-
Não! Eu não tô!
—Tá sim! Aceita que dói menos.
É impossível te entender, sabia? Nunca sei se você quer me ajudar ou piorar minha situação.
—Hehheheh, essa é a graça!
Sádica de merda.
"Humph... Ta! Vem logo." Ele abre os braços o suficiente para que ela possa o abraçar, e assim a faz.
"Sim!" Mina o abraça em seguida. Katsuki ainda fica meio paralisado com isso, os olhos ligeiramente saltados, com o corpo quase preso no chão. Ele consegue dar uns tapinhas nas costas dela, antes de se desvincular do abraço.
"Pronto, chega! Isso já foi muita proximidade física para um só dia." Disse Katsuki, empurrando Ashido levemente para trás no processo.
"Hehe, tá bom!" Mina fala enquanto caminha para a porta, com Kirishima atrás dela. "Até mais Blasty!" Ela acena para ele, antes de sair pela porta, com Kiri acompanhando.
Assim que a porta é fechada, Katsuki e Mitsuki ficam em um silêncio no mínimo desconfortável. Katsuki não sabia o que estava se passando pela mente de sua mãe, mas de uma coisa tinha certeza. Ela não sabe onde ele treinou, e nem o verdadeiro motivo para estar usando uma katana e não uma outra arma.
—Climinha confortável em...
Tsk...
"Por que disse aquilo, velha bruxa?" Katsuki pergunta enquanto se vira para fixar o olhar em sua mãe, que estava indo para o quarto agora, como se fosse ignorar completamente o que aconteceu. "Você sabe que aquele lance de aulas de katana é mentira."
Mitsuki parou de andar quando ouviu isso, e também passou o olhar para seu filho. "Moleque, você sempre foi muito independente quanto a essas coisas de treinamento e luta. Então eu não preciso saber como, quando ou o porque você escolheu justamente... isso." Ela gesticula para a katana em sua cintura. "Apenas, preciso saber. É ilegal, vilanesco ou algo assim?"
Katsuki rapidamente negou com a cabeça.
"Então pronto, isso é tudo que eu preciso ter em mente." Ela continuou sua caminhada até seu quarto, e quando estava a centímetros de entrar no corredor, ela parou, virando a cabeça levemente para olhar nos olhos de Katsuki. "Mas, um conselho, moleque." Sua voz mudou, ficando mais grave e decisiva, como se estivesse prestes a falar algo importante.
"Aqueles... outros moleques que vieram aqui." Ela disse se referindo à visita dos outros adolescentes. "Eles realmente se importam com você, ficaram aqui uma hora falando sobre... algumas coisas que vocês já fizeram juntos." Com isso, a cabeça de Katsuki se levanta um pouco.
Eles... falaram de mim?
—Isso é realmente tão surpreendente assim? Isso tem lógica, eu acho.
...
Alguém como você não entenderia.
—...
—Eu em. Você é estranho.
"Encontrar pessoas assim, amigos assim, é difícil. Valorize isso, não os ignore. Quando você cresce, essas merdas ficam quase impossíveis de encontrar." Mitsuki volta a caminhar após dizer isso, deixando Katsuki ali parado, pensativo.
A velha bruxa... estava falando de si mesma?
—É óbvio porra!
—Essa mulher fica trabalhando o dia todo, e não parece fazer mais nada além disso. Duvido muito que ela tenha qualquer coisa parecido com amigos, amigas, amigues e absolutamente qualquer coisa além do trabalho na verdade.
...
Katsuki não é burro, ele sabe que sua mãe é uma pessoa muito sozinha. Mesmo entre eles, que são mãe e filho, eles não se veem tanto quanto o esperado. Mas, será que ela é realmente tão sozinha a esse ponto? Ela não fala com Inko faz muito tempo, elas cortaram muito contato depois da mudança. Então... o que sobra?
Porra... ela tem que ficar o dia todo trabalhando pra sustentar essa casa, e alguém como eu...
—Mais um motivo pra você continuar na U.A.
Hein?! Por quê?
—Eles começaram um novo sistema de dormitórios, não é?
—Se você for pra eles, o gasto da casa e com você diminuiria. Então, ela poderia parar de trabalhar tanto.
Ele tinha esquecido disso. Os dormitórios. Mina e Kirishima encheram o saco dele sobre isso quando se mudaram. Pelo que ele viu de fotos, tem cozinha, banheiros, uma lavanderia, e outras coisas comuns de uma casa. Isso já ajudaria muito com a finanças, sua mãe precisaria fazer muito menos gastos com ele fora de casa.
Com isso, Katsuki se viu com a determinação renovada, ele tinha mais um motivo para continuar na U.A. E ele se comprometeria com isso.
Assim que Katsuki começou a ir para a cozinha, ele ouviu sua mãe gritando do quarto. "Tem comida no forno! Guardei um pouco pra você, se quiser, pode esquentar! Só não queime nada, moleque!"
"Eu nunca queimei comida nessa casa!" Katsuki gritou de volta para ela. Todos sabiam que na cozinha, ele é um rei, principalmente com comidas picantes. Pimenta é o seu lance.
"Diga isso para a panela toda preta que você acidentalmente explodiu!"
"Ei! Isso foi um acidente, não vale!"
"Haha! Claro que não, claro que não..." Mitsuki respondeu, enquanto fechava novamente a porta do quarto.
Katsuki apenas ficou com a cara lavada ouvindo isso. Faz mais de três anos que isso aconteceu, e até hoje sua mãe não o deixa esquecer.
Huh... idiota. Foi um acidente!
—Acidente... sei.
Ele apenas ignora o que Kizu disse, e decide focar na comida. Andando até o forno e abrindo-o. Tinha uma pequena marmita com uma boa quantidade de comida, o que é ótimo, ele tinha que comer bastante para sustentar esse treino dele. Assim, ele bota tudo em um prato, colocando no microondas. Quatro minutos deve ser o suficiente.
Assim que ele termina de por o tempo certinho. Katsuki pega o celular, ele precisava no mínimo tirar todas aquelas notificações do seu celular. Ele toca no ícone de sua mãe, querendo ver o que ela tinha perguntado.
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Bruxa: Ei, moleque!
Bruxa: Seus amigos estão aqui, vem logo antes que eles comecem a pedir comida também!
Bruxa: Essa mensagem foi apagada
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Katsuki acredita não precisar responder isso, então, apenas marca como lido e continua lendo as outras mensagens. Ele também passa o olho pelas mensagens do grupo, mas decide ignorar assim que vê o tamanho. O que só deixa sobrando... uma.
Deku de merda... Como ele ainda tem meu número?!
Eu bloqueei o último, tenha a mais absoluta certeza disso!
—Esse garoto é um yandere disfarçado, eu to avisando...
Cala a boca Kizu! Não é pra tanto.
Ele é só um idiota... um idiota muito empenhado. E sem noção nenhuma de autopreservação pelo visto.
—Se você diz...
Decidindo matar logo sua curiosidade, ele abre a conversa com Deku.
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Deku de merda: Kacchan?
Deku de merda: Eu ouvi o que ouve, eu sinto muito...
Deku de merda: Se eu tivesse sido mais rápido, você não teria sido capturado pra início de conversa. Por favor, me perdoe!
Deku de merda: Posso ajudar com alguma coisa? Eu... posso te ajudar agora que você tá sem poderes...
Deku de merda: Treinar juntos talvez?
Horas depois.
Deku de merda: Por favor, não me odeie Kacchan, mas... eu disse para a Mina e o Kirishima aonde você mora!
Deku de merda: Eles queriam te ajudar!
Deku de merda: Não expulse eles, por favor.
Deku de merda: Eles estavam super preocupados! Ficaram o dia todo aqui nos dormitórios andando pra todo o lado!
Deku de merda: Você vai adorar aqui inclusive! Tem uma cozinha super equipada, você vai gostar!
Deku de merda: O seu quarto deve ser pelo quarto andar! Eu acho... Aizawa disse que você vai poder vim para cá assim que passar no seu teste!
Deku de merda: Nós vamos treinar para o exame de licença provisória nessas semanas!
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...
Porra.
—Porra.
Katsuki se via incapaz de entender esse garoto, ele tinha certeza disso agora. As doze mensagens tinham um grande espaço de tempo entre elas. E, Katsuki tinha uma boa porcentagem de certeza que ele diria tudo aquilo gaguejando se estivessem 'conversando' pessoalmente.
O microondas termina de esquentar a comida com um 'plim!' enquanto Katsuki estava lendo as mensagens. Ele estava muito absorto na conversa, então não percebeu.
Algumas mensagens chamaram sua atenção. Não foi de total inutilidade isso pelo visto. Ele agora pode ter a certeza de que os dormitórios tem realmente uma boa cozinha, e bem equipado pelo que o cabeça de brócolis disse. Além de que se passar no teste, ele pode ir para os dormitórios. Ótimo.
Contudo, de todas as mensagens, a última foi a que chamou mais a sua atenção. Exame de licença provisória?
O antigo Katsuki ficaria furioso ao ler isso, mas agora... não. Sim, uma parte dele queria gritar ao ver isso, mas a outra lhe lembrava que não iria fazer diferença. Nenhuma. O teste dele será daqui a duas semanas, já o do exame de licença provisória pode possivelmente ser feito até antes, então ele não poderia participar de qualquer jeito. Só lhe restava... focar em outras coisas.
—Você não sente... raiva?
Por que eu deveria?
—Eles estão passando na sua frente! E você está aqui... atrasado.
—Ficando pra trás.
Não, não estou.
Até mesmo Kizu ficou surpresa com a fala de Katsuki. Aquilo não tinha lógica para ela, nenhuma.
—Como não? Eles estão treinando para fazer um exame para conseguir uma licença provisória!
—Eles vão poder agir como heróis se passaram! Mesmo que provisoriamente.
Humph! Grandes merdas!
Eu estou treinando para ser um caçador, diferente deles, não vou precisar de um exame para matar vilões!
—Você quis dizer onis, não vilões...
Que se dane a nomenclatura! Você entendeu bem o que eu quis dizer.
Katsuki começa a ter alguns flashes de quando quase morreu pra um oni, da sensação. De pensar que ia morrer sendo o que é, que ia deixar sua mãe desolada com a notícia... pior, nunca achariam o corpo, então ela ia ficar sempre com a falsa esperança de que ele estaria vivo. Isso é... além. Além do que os vilões fazem. Isso é pior.
Por reflexo, ele acaba segurando o cabo da katana com um pouco mais de força. Ele não é mais fraco assim... não mais.
Eu vou livrar as pessoas de um mal muito maior do que vilões!
—Mesmo que isso seja verdade... você nunca será reconhecido por isso.
Sim, isso é verdade. Caçadores lutam escondidos da sociedade, o que os deixa sem fama, sem fotos, sem... visibilidade. Ele até pode um dia ser reconhecido como um herói por salvar pessoas de vilões, participar da U.A e tudo isso. Mas, jamais saberão dos onis que ele matará.
Sim, isso é verdade, mas...
Ele aperta um pouco mais o cabo da katana.
Ainda estarei protegendo minha mãe, e outras pessoas como ela fazendo isso. Então é isso que eu farei.
—...
—Você é alguém difícil de se entender, sabia?
Tsk! É claro que sim, isso é óbv-
"Ahhhhhhhhhhhhh! Socorrooo!"
Katsuki parou abruptamente o que estava pensando. Sua nova audição aprimorada pela marca conseguiu ouvir imediatamente um grito. Veio da rua.
Ele abandonou a comida no microondas, e rapidamente saiu pela porta, tentando não fazer barulho, para não alertar sua mãe. Assim que saiu, começou a correr em direção ao grito, se esforçando o máximo possível para focar unicamente naquele grito desesperado. A katana ainda estava na bainha, mas ele estava com a mão no cabo, preparado para qualquer coisa.
Enquanto corria, Katsuki olhou ao redor, e tudo parecia vazio, completamente. Como se não houvesse pessoas morando nas casas ao redor.
Mas que merda é essa?! O aluguel das casas aqui são baratas, como tão pouca gente mora aqui?
—...
Sua audição felizmente já estava muito mais treinada que no dia em que ele começou a treinar, então ele conseguiu chegar no local do grito sem dificuldade.
Era exatamente o que ele suspeitava. Um oni.
Dessa vez, dentro de algo que parecia um armazém, a algumas centenas de metros de sua casa. O oni parecia... comum. Alguém facilmente poderia o confundir com um humano, se não fosse aquela pele anormalmente pálida, presas, e unhas afiadas além da conta. Caído na frente do demónio, tinha um garoto, pequeno, infantil. Ele tinha sangue por todo o seu corpo, e o oni estava com a boca no braço da criança.
Katsuki não esperou mais.
Ele se jogou pela janela mais próxima. O vidro estilhaçou com o impacto do corpo dele. "EI! Porque não tenta devorar alguém do seu tamanho?!" Katsuki grita, já sacando a katana com um movimento rápido.
O oni virou o rosto devagar. Um fio de sangue escorreu pela boca. Ele lambeu os lábios, se levantando. "Ora, ora... olha o que temos aqui!" O demónio diz virando-se completamente para Bakugou. "Um caçador!"
Merda... como ele sabe?!
—Olhe para seu pulso.
Assim que ele passou os olhos pelo pulso, a viu. A marca estava brilhando em branco novamente, visível mesmo sob o tecido do casaco.
Ela deve estar reagindo a mim... porra...
—Foque no inimigo, seu idiota! Não é hora de pensar nos detalhes.
Kizu estava certa, e Katsuki sabia disso. Ele se ajustou em sua pose de combate, segurando bem o cabo da katana com as duas mãos. Tá na hora.
"Não sabia que caçadores rondavam áreas como essa." Disse o demónio.
Katsuki ficou em silêncio, ainda na mesma pose.
"Se você não quiser falar... eu vou ir pra cima!" Ele se impulsionou para frente, pulando e se preparando para um golpe de cima para baixo, com um rugido, um único salto.
Katsuki ativou a concentração total no exato instante em que o oni estava a um metro de distância. A adrenalina explodiu em seu peito, o ar queimou nos pulmões.
A lâmina avançou.
Um braço voou.
O corte foi limpo, seco. O sangue espirrou, quente, como jato de vapor.
O oni gritou.
Bakugou não parou. Ele aproveitou os gritos do demónio para avançar alguns passos. Agora, ele estava na frente da criança, deixando-a atrás dele, como o planejado. "Essa criança não vai morrer hoje." Katsuki murmurou, com os olhos fixos no oni.
O oni rosnava, mas hesitante agora. O braço se regenerando lentamente, lento até demais.
Merda... eu só consigo usar a concentração total por três segundos consecutivos.
—Ou seja...
Essa luta tem que acabar rápido.
"Você não é muito experiente não é? Um profissional já ter-"
Katsuki não deu tempo para conversar, ele se lançou para frente assim que pode, no meio da fala do oni. Ele ainda não pode usar a respiração.
Quando estava a poucos metros do demónio, ele começa a preparar um ataque, mirando no pescoço.
O oni percebe.
"Não vou deixar!" Com o braço recém regenerado, ele também avança com um um soco em direção a Katsuki, o outro fica protegendo seu pescoço.
Bakugou desviou para a esquerda do oni, ficando bem na lateral dele, pescoço visível.
Agora!
Concentração total ativada. Um corte. A lâmina de Katsuki passa o pescoço do demônio em questão de dois ou três segundos.
Um pescoço cai no chão, e o oni começa a desaparecer.
Bakugou guarda a katana na bainha assim que isso acontece, e passa o olhar pelo oni. Ele ainda se lembra de quando Aurora matou aquele demónio para salvá-lo, antes dele desmaiar. Mas isso é... diferente. Isso foi obra dele. Sozinho.
Ele balança a cabeça, a criança. O menino é mais importante agora, não seus pensamentos. Katsuki anda até o garoto, e se ajoelha para ficar na mesma altura. Parece machucado, e tem sangue pelas roupas, além de algumas marcas de presas no braço. Em geral, não parece ter nenhum risco de vida.
Katsuki toma cuidado para não botar a mão em nenhum lugar, deixar suas impressões digitais ali traria um nível de dor de cabeça que ele só não estava pronto para lidar. Com a certeza de que o menino não corre nenhum risco de vida, ele pega o celular e digita o número da polícia.
Após alguns toques, finalmente ele foi atendido.
"Polícia, emergência, boa noite. Qual a ocorrência?"
"Denúncia anônima." Katsuki iria tentar manter o tom calmo e poucas palavras com isso. Ele não é profissional nessas coisas, mas não quer arriscar que sua identidade vaze de qualquer jeito.
"Claro, senhor ou senhora. Pode informar o que está acontecendo?"
"Tem uma criança ferida em um armazém, e parece ter ocorrido uma luta no local."
O tom da voz do atendente parece ter ganhado um novo nível de alarme, Katsuki percebe que ele fala agora com um pouco mais de urgência. "Certo, pode me dizer o local? Mandarei uma ambulância, policiais e vou fazer um alerta aos heróis nas proximidades."
Katsuki passou as informações da rua, enquanto também saia do armazém. Queria ficar perto o suficiente para garantir que a ambulância apareceria, mas não podia ficar dentro do local, então, ele se afastou algumas ruas. O bastante para que sua audição pudesse identificar quando policiais ou qualquer outra pessoa chegasse ao armazém.
Quando ele estava em uma distância considerada segura, ele encostou na parede mais próxima de braços cruzados, e finalmente conseguiu um pouco de calma, para absorver tudo o que aconteceu.
Eu... matei um oni.
—...
—Você não parece muito feliz com isso.
Não entenda mal, Katsuki está feliz por ter salvado uma criança. Mas, essa é a primeira vez que ele deliberadamente mata um outro ser, mesmo que seja um oni. E essa reação... a falta dela, está o assustando muito.
Acho que no fim eu realmente não sou um herói.
—?!
—Por que isso tão do nada?
Acabei de matar alguém, sua idiota!
—Era um oni. E, ainda por cima estava prestes a matar um menino, uma criança.
Eu sei disso!
Mas... um herói de verdade conseguiria matar alguém e não sentir... remorso?
O que irrita Bakugou é isso, ele não sentiu nada de tão... ruim, matando esse monstro. Um herói teria uma reação minimamente parecida com isso? Katsuki acha que não. Na verdade, ele tem a plena certeza de que não.
—Ele não era uma pessoa, era um oni, pra começo de conversa.
Você entendeu o que eu quis dizer!
Katsuki podia ouvir uma ambulância vindo de longe, e o som de um carro policial.
Ótimo. Eles já chegaram.
Com isso, Bakugou começou a andar novamente até em casa. Focando sua audição apenas no som dos próprios passos lentos e pesados.
Ele ficou assim por muito tempo. Propositalmente estava andando devagar, para poder pensar e absorver... tudo. Mesmo que ele já tivesse aceitado que não era e nem é um herói, falar é uma coisa. Fazer algo assim é outra completamente diferente. Ao chegar na porta de casa, ele fica rente a ela, olhando para os próprios pés.
Ei... Kizu.
Porra... Katsuki se considera a pessoa mais burra do mundo. Kizu tecnicamente é seu 'demônio' interior, a sua contraparte. A parte dele que ele esconde de tudo e todos, até de si mesmo. Eles só estão podendo conversar por conta da marca, antes disso, esse... ser, nem sequer existia para ele. Mas ali estava Bakugou, chamando por ela.
—O que é?
Katsuki fica mais um tempo em silêncio, como se estivesse planejando suas próximas palavras com cuidado.
...
Posso te fazer uma pergunta?
—Você já está fazendo.
—Mas sim, pode sim.
Ele suspira.
Considerando toda a minha vida até aqui.
Cada erro.
Cada acerto.
Cada porcaria que eu fiz.
Cada... luta perdida.
Flashes vem em sua mente quando a última frase vem à tona. O sequestro no acampamento, a 'falha' em se salvar, ser o'responsável' pela aposentadoria do All Might, mesmo que de forma indireta. A perda de seus poderes...
Eu sou...
Katsuki aperta o cabo da katana na bainha. A sua outra mão se segura na própria calça, como se tivesse tentando se apoiar em si mesmo para não cair.
Eu sou um monstro?
—...
Um, dois, três, quatro, cinco... minutos se passam. E Kizu continua em silêncio. Cada vez mais Katsuki sente o aperto em si mesmo aumentando. Seu próprio coração está pesado agora.
Kizu continua em silêncio.
—...
Katsuki respira fundo mais uma vez. O silêncio já significava uma resposta.
Ele olha ao redor, ninguém na rua, e ainda consegue ouvir o carro da polícia perto do armazém com sua audição, a da ambulância já se foi. O menino já deve estar seguro e se recuperando.
Bakugou abre a porta de casa, ele precisa dormir e comer algo. Amanhã tem mais treinamento. Pelo cálculos de Katsuki, se ele entrasse no castelo infinito às seis da manhã, e saísse às dezenove, no horário do mundo real. No castelo infinito seriam vinte e oito dias. Um mês. E a partir de amanhã faltará só treze dias.
Treze meses.
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