Notas iniciais
Olá, olá! Voltei com mais um capítulo! Espero que gostem! xoxo LilaS

Capítulo 6

“O comportamento é o espelho no qual todos mostram sua verdadeira imagem.” Johann Wolfgang von Goethe

“Mostre o vídeo, Garcia!” Spencer Reid repetiu para a analista, que encarava-o, através da tela, estupefata.

“Reid, não acha que já viu o suficiente? Já viveu o suficiente disso tudo, não?” Jennifer Jareau sentou-se ao lado dele pôs uma mão sobre a sua.

“É uma gravação de três dias. Sabe-se lá o que ele fez com ela. Precisamos ver como ela está.” Ele respondeu quase em desespero. “Ele levou três dias para que eu finalmente confessasse.”

Ninguém comentou sobre a declaração que ele havia dado, pois sabiam que ele tinha razão e, agora, precisavam verificar pelo que a jovem agente estava passando. Garcia, a contragosto, deu o play.

Três dias atrás...

“Quem é você?” Christine Beauford balbuciou, sentindo fortes dores de cabeça e no corpo.

“Raphael.” A voz grave sibilou, porém havia um toque imponência que ele parecia simplesmente ignorar, como se fosse naturalmente assim. Ela também sentiu um cheiro estranho no ar, era enjoativo, pesado, causava-lhe náuseas. “O outro podia ver dentro da mente das pessoas.”

“Quê outro?” Ela ficou confusa.

“Entretanto estamos aqui novamente, para executar a vontade de Deus.” Raphael disse de maneira solene, quase cerimonial. Depois mostrou a ela um revólver e então uma bala.
Ela sabia o que significava aquilo, “Uma roleta russa”, pensou.

O sangue que escorria de sua têmpora esquerda estava seco, o local estava inchado e latejava. A adrenalina caiu na corrente sanguínea rapidamente e logo ela podia sentir seus próprios batimentos cardíacos; eram tão fortes e altos que, imaginava ela, podiam ser escutados a distancia. Podia sentir o tremor na ponta de seus dedos.

Ele disparou. Nada.

Atualmente...

“Garcia ainda não encontrou nada sobre o filho de Helen Douglas. Aparentemente ele desapareceu.” Alex Blake desligou e virou-se para todos. “Alterar o relatório é uma bela artimanha, assim ele fica com os arquivos originais e não temos idéia do seu paradeiro.”

David Rossi era aquele que tinha a opinião mais imparcial sobre o caso, pois não estivera envolvido com os incidentes dos anos anteriores e não conhecera Tobias pessoalmente. O agente estava quieto, em pé em frente ao quadro, observando os locais onde Tobias fizera suas vítimas e, paralelamente, observava uma lista de lugares que Helend Douglas frequentara quando viva.

“E se estivermos olhando de maneira errada?” David comentou casualmente.

“Continue.” Pediu Hotchnner, ao aproximar-se do quadro.

“Veja bem.” Ele apontou para a lista de cidades visitadas por Helen Douglas. “Tobias atuou nos subúrbios de Atlanta. Ele não iria procurar um lugar em comum entre as vítimas de Tobias e as novas, ele procuraria uma conexão especial. Um detalhe que pode parecer ínfimo, mas para ele é especial.”

“Anjos executam a ordem de Deus.” Murmurou Reid, que até então se manteve quieto desde que vira a primeira parte do vídeo e, agora, pensava em todos os detalhes que podia se lembrar sobre os anjos. “Anjos são enviados por Deus para cuidar de alguém.”

De repente, Jennifer Jareau levantou-se e parou em frente ao quadro. Havia algo em sua expressão que tinha significado e todos perceberam isso.

“Existem algumas histórias que contamos para crianças.” Ela dizia baixo. “Eu contei ao Henry alguns anos atrás, e pensei que talvez pudesse ser a conexão tão especial.”

“O que é?” Blake perguntou.

“Um dia, Deus estava organizando as coisas lá em cima e, naquele dia, pediu para que os anjos mais novos formassem uma fila.” JJ usava um tom de voz suave, como se estivesse contando a história de dormir para o próprio filho. “Um dos arcanjos perguntou por que ele estava fazendo aquilo, então Deus encarou o jovem anjo a sua frente e todos os outros da fila. Depois, se virou para seu servo e disse-lhe: ‘precisamos que eles vivam e aprendam, para um dia se tornarem belos arcanjos e anjos da guarda.’ O arcanjo concordou e ajudou com a fila, logo Deus começou a chamar os anjos mais novos, até que um deles perguntou: ‘para onde o Senhor está me enviando?’. Deus respondeu: ‘Para um lar onde você terá uma chance de ver a vida de perto.’. O anjinho perguntou de novo: ‘Mas eu tenho medo, como vou viver lá? Vou estar sozinho?’, por fim, Deus respondeu: ‘Você vai ser enviado para uma família muito especial.”

“Eu nunca ouvi isso antes.” Reid declarou, saindo de sua bolha.

“Sua mãe não lhe contava histórias de ninar?” Alex Blake indagou curiosa.

“Ela lia sobre Platão e Tolstói.” Ele respondeu. “Na sua história, anjos são enviados a terra e nascem como humanos?”

“Basicamente.” JJ respondeu.

“Faz todo sentido.” Rossi grifou uma linha na lista feita por Garcia e fez um circulo no mapa. “Helen Douglas nasceu em Atlanta e viveu lá. Mas fez uma viagem para o Colorado em junho de 1988.”

“O filho dela nasceu em fevereiro do ano seguinte. Isso significa que ela deve ter descoberto a gravidez por lá ou pouco tempo depois.” Morgan sibilou.

“Foi quando um anjo chegou a terra.” JJ sorriu. “Ele está indo para lá.”

Dois dias atrás...

Quando acordou novamente, Christine Beauford sentia um tremor em suas pernas. Sentia-se como se tivesse corrido uma maratona inteira e estivesse a ponto de exaustão. Suas mãos estavam postas sobre suas coxas, a palma direita estava vermelha, com vergões arroxeados e longilíneos; olhou também a sua volta, mas tudo era escuro e frio. Havia uma cama no canto do ambiente precário, estava impecável e as janelas tinham seus vidros escurecidos com um pretume mal acabado. Sentiu uma pontada e então voltou sua atenção para seu corpo, o pé direito estava descalço e o sapato de salto tinha sido jogado num canto, podia jurar que sentia o relevo dos vergões formados em sua pele. Encostar o pé no chão doía.

Dor. “Ele quer provocar dor.” Pensou num estalo ao se lembrar que sua cabeça também latejava. Instintivamente, como se seu subconsciente a guiasse para a resposta, ela virou a cabeça e viu uma câmera num tripé, monitores e CPUs. “Se há uma câmera, há um público. Ou seriam vídeos caseiros?” Perguntou-se ao se dar conta que a luz vermelha que indicava a gravação, estava desligada.

“Acordou.” Uma voz grave soou após o baque surdo da porta. “Não furtem. Não mintam. Não enganem uns aos outros.” Recitou Raphael.

“Eu não menti.” Respondeu ela com a voz embargada. “Também não roubei qualquer coisa e não enganei ninguém.”

Quem blasfemar o nome do Senhor, terá que ser executado.” Raphael disse de maneira solene enquanto pegava uma varinha longilínea. A agente constatou ser aquele o objeto que ele lhe batera. Também viu Raphael apertar um botão e ligar a câmera.

Se alguém ferir uma pessoa a ponto de matá-la, terá que ser executado.” Ela lembrou-se de um versículo bíblico. “Você está me machucando, Raphael. Por que?” Tentou dissuadi-lo quando este se aproximava, mas foi em vão.

“Devemos passar pela prova de Deus.” Sibilou ele, erguendo a varinha e lançando-a de encontro a sola do pé esquerdo de Natalie.

Atualmente...

“Eu não aguento ver isso.” JJ murmurou e levantou-se rápido, deixando o computador e Reid sozinhos.

Todos estavam em silencio, aproveitando o voo curto para descansar, exceto Spencer, que de vez enquando abria o notebook para ver como Natalie estava. Em dado momento, ele se perguntou se estava ficando sádico como Raphael.

“Sabia que ela é a segunda ou terceira agente mais nova a entrar no FBI?” Perguntou Rossi, que soltou um longo suspiro ao sentar de frente ao jovem.

“Sim. Ela tem um QI muito alto. Também pode ser considerada gênio.” Respondeu mecanicamente.

“Escuta, garoto. Não posso imaginar pelo que passou, também não quero tal coisa. Mas não pode ficar aí amuado, ela vai sobreviver, vamos encontra-la.” Tentou confortá-lo. Todos os outros, apesar de quietos, escutavam o que Rossi dizia. Morgan, principalmente, queria que aquilo fosse somente um pesadelo.

Spencer soltou um suspiro e comprimiu os lábios, gesto que fazia frequentemente quando estava nervoso. Encarou Rossi de maneira enigmática, tentando decifrar o que havia no olhar dele.

“Eu sei que ela vai sobreviver.” Declarou de repente e para a surpresa de todos. “Eu fiquei lá por três dias e não sabia quanto tempo havia se passado. Pareceu muito mais. E com ela, será exatamente assim. Ele não quer mata-la, ele quer testá-la, como Raphael fez comigo e eu falhei.”

“Esse é o problema? Se ela vai falhar ou não?”

“Não. O problema é o que vem depois, o método dele.” Spencer murmurou com um semblante triste. “Dilaudid.”