Resolutions
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Capítulo 5
Quatro dias atrás...
— Quântico! Quem diria! — Natalie Campbell, uma estudante da academia do FBI, comentou quando encontrou a amiga Christine Beauford saindo de uma das salas.
— Pois é, não é?! — Ela passou a bolsa pelo ombro e caminhou ao lado da amiga.
— Sentirei falta de ter você dando aulas aqui. — Ela comentou. — Dizem que em Quântico tem um cara que é novo também. Mas ele já é agente.
— Oh, sim. Spencer Reid, eu acho. Ele é o mais novo a entrar no FBI sabia? — Christine riu. — Preciso ir, Natalie. Até mais!
Christine Beauford era a segunda agente mais jovem a integrar o FBI. Já era, de fato, uma agente, mas tinha pouca experiência de campo e queria ingressar na Unidade de Analise Comportamental. Era uma estudiosa nata, não apenas pelo Q.I., mas por realmente apreciar os livros.
— Está aí! — Seu chefe exclamou ao vê-la. — Como foi o último dia?
— Excelente! Estou um pouco ansiosa, claramente. Também tem um pouco de chateação, por ter que deixar um local que conheço e ir á um totalmente novo, mas acredito que vá dar tudo certo. — Respondeu cética.
— Ótimo! Separei estes documentos que precisam ser entregues á um agente em Los Angeles. De lá, você vai para Quântico com o Agente Ford, que estará a sua espera. — Ele entregou duas pastas para ela. — Aqui estão os documentos e aqui os seus que serão necessários.
Christine foi para o apartamento, tomou um banho, separou uma roupa confortável para a viagem, outras três mudas de roupa para uma mala de mão e pegou os últimos pertences. Tudo o que restava estava resumida a uma pequena bagagem, uma bolsa e uma pasta, todo o resto já tinha sido enviado para o leste do país. Ela colocou a calça de alfaiataria azul marinho, uma blusa branca com um rendado discreto que tinha uma pequena gravatinha na gola, sapatos de saltos medianos e quadrados. Para o longo e cacheado cabelo, um coque bagunçado.
Não era sua primeira viagem, já conhecia os procedimentos para embarque em aviões, entretanto, sentia-se como uma criança que iria viajar pela primeira vez com a escola. O aeroporto estava cheio naquela tarde, porém conseguiu embarcar sem qualquer problema.
— Agente Ford. Prazer, Christine Beauford. — Apertou a mão do agente com firmeza.
— Muito prazer. Estamos com um pouco de pressa. Podemos ir?
— Claro! Meu superior pediu que lhe entregasse estes documentos. — Ela tirou uma pasta melhor de dentro da maleta.
— Muito obrigado.
O agente Ford apresentou algumas pessoas á nova agente, quando estes chegaram à sede do FBI em Los Angeles. Christine era carismática e deu-se bem com todos do escritório. Ficariam ali por algumas horas, até que o Ford finalizasse o turno e repassasse algumas informações aos outros encarregados do caso. Durante todo o tempo, ela acompanhou-o. Ford fazia parte da divisão de crimes do colarinho branco, que envolviam — em sua maioria — atividades ilícitas de empresas, milionários que lavavam dinheiro, documentações falsificadas e etc. Durante o dia, ela ajudou-o com uma triagem de documentos até que pudessem partir.
Um carro com um motorista estava à espera dos dois agentes em frente ao edifício, era um sedan preto, com placa do FBI e um motorista de terno. Os dois passageiros cumprimentaram-no e entraram no carro. Christine estava atenta as paisagens de Los Angeles, em como os prédios concentravam-se no centro da cidade e em como era tudo plano. Pensou naquela noite quente e em como ali era ensolarado demais, claro demais, iluminado demais. Estava atenta ao modo como as árvores passavam rapidamente pelos seus olhos, até que percebeu que estavam rápidas demais. Foi um borrão e tudo ficou escuro.
Uma claridade infernal invadiu seus olhos, fechou-os novamente porque ardiam e seus braços, meu Deus, ela pensou na dor que sentia. Tentou se mover e não conseguiu. Os pés também estavam atados e estava deitada em algo duro, balançava, por isso concluiu ser a carroceria de uma picape robusta, já que o som era grave. O céu estava claro e limpo, o sol quase a pino pois tudo o que podia fazer era continuar com eles fechados. Ela perguntou-se para onde estava sendo levada. Perguntou-se onde estava o agente Ford, mas quando tentava se lembrar de algo além da velocidade do carro, sua cabeça doía.
Outro apagão.
Quando acordou novamente, ainda estava na carroceria da picape, mas o sol já estava se pondo. Seu corpo estava dormente, seus pés, braços e mãos formigavam devidos á posição.
Outro apagão.
Christine abriu os olhos novamente e tudo ao seu redor pareceu girar. As luzes continuavam lá, só que agora não atrapalhavam sua visão, pois percebeu estar sentada em uma cadeira, com os braços preços por um cinto e os pulsos atados; seus pés também estavam presos. “Ao menos estou consciente.”, pensou consigo mesma. Procurou olhar ao seu redor, precisava memorizar o máximo de detalhes e tentar determinar que tipo de lugar era aquele, mas acima de tudo quem a queria? Quem se arriscaria tanto e sequestraria dois agentes federais?
A jovem agente sequer havia feito qualquer exame físico ou teórico para a Unidade de Análise Comportamental, contudo, havia lido o suficiente para saber que se tratava de alguém organizado e perigoso.
“Finalmente.” Ouviu uma voz atrás de si. Era grave, constatou. “Agente Christine Beauford.” Grave, porém não pertencia a um idoso, nem á um jovem.
“É. Sabe meu nome e minha profissão.” Resmungou ela.
“Eu estava esperando por isso há muito tempo.” O cara comentou. “Precisava que fosse perfeito, a oportunidade perfeita, entende?”
“Perfeitamente.” Ela deu um meio sorriso. “Onde está o outro agente?”
“Oh...” Ele suspirou. “Francamente, não sei. Deve estar morto. Não me importo.” Ele desdenhou. “Vamos começar.”
Christine sentiu o impacto de um forte tapa em seu rosto, ficou atordoada e sentiu outro, e outro, e outro, até que apagou. O desconhecido apertou um botão em um controle remoto, que acionou uma câmera de vídeo.
Atualmente...
“Vamos pensar direito.” Morgan fez uma pausa. “Se estamos falando de um sobrevivente... Garcia, liste as vítimas do caso Hankel e verifique...”
“Já estou nisso!” Ela disse através da conexão via web cam. “Nenhuma das vítimas tinha filhos. Eram todos casais.”
“Não pode ser.” Blake murmurou. “Tem que haver algum sobrevivente ou alguém que tenha presenciado, direta ou indiretamente, Garcia.”
Garcia bufou. Estava brava consigo mesma, pois não conseguia encontrar alguma ligação que a ajudasse com o caso. Contudo, quando menos esperava, notou algo fora do comum.
“Helen Douglas.” A analista murmurou.
“Ela foi estuprada por cães em referência a Jezebel.” Reid comentou, lembrando-se do vídeo que havia sobre a mulher.
“Este relatório foi alterado. Aqui diz que ela e o filho foram assassinados.” Garcia informou e enviou o relatório para os tablets dos agentes.
“Nunca houve um corpo.” Hotchnner falou suavemente. “O suspeito alterou o relatório para desaparecer de nossas vistas. Ele pode muito bem ser o filho desaparecido de Helen Douglas.”
Rossi deu de ombros. “Ver a mãe ser brutalmente assassinada poderia muito bem fazer isso com ele.”
“Onde ele está Garcia?” Blake perguntou.
“Totalmente off-line. Não existe qualquer rastro, nem ao menos um registro de cartão de crédito.” Disse ela, insatisfeita. “Vou procurar mais, tchau tchau.”
Spencer estava parado em frente ao mapa, enquanto marcava os pontos onde Tobias havia feito suas vítimas e onde os agentes haviam desaparecido. Ele observou o local onde Helen Douglas morava e onde havia sido assassinada, concluiu que se o suspeito estava, de fato, procurando enaltecer Tobias e encontrar um outro sobrevivente como ele, então o faria num local significativo, mas não necessariamente nos locais originais. Uma idéia formou-se na mente dele, mas foi interrompido por uma escandalosa ligação da analista.
“É HORRÍVEL!” Ela exclamou. “Ele... Ele enviou este vídeo... Pobre Christine.” Murmurou.
“Quando ele enviou isso, Garcia?”
“Três dias atrás, sir.” Respondeu rapidamente. “Encontrei um nível alto de uploads na região do Alabama, pois procurava por conexões com Helen Douglas, quando deparei-me com um vídeo com alto número de visualizações.”
“Que site, Garcia?”
“AshileyMadison.Com, meu querido.” Respondeu à Morgan. “É um site quase que exclusivo para vídeos pornográficos sobre traições e outras bizarrices.”
“Tobias havia enviado o vídeo de Helen logo após a morte dela.” Reid lembrou-se. “Ele não está seguindo o cronograma.”
“Pelo contrário. Ele está prolongando.” JJ comentou. “Isso significa que há mais chances de encontrarmos Christine com vida.”
“Até ele a quebrar.” Spencer murmurou sombriamente. “Passe o vídeo, Garcia.”
Continua...
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