Resident Evil - The First Fear
5 Capítulos 8 e 9
Capítulo 8
A casa dos fundos.
Logo que cruzou a porta de ferro, Wesker viu o cão morto sobre o concreto do pátio. Tudo estava correndo como planejara. Os S.T.A.R.S. haviam liberado o acesso aos fundos da casa como havia arquitetado, agora não seria difícil chegar ao laboratório.
Mas havia um problema: aquele maldito sobrevivente. Como havia conseguido permanecer vivo? Talvez houvesse administrado uma vacina em seu organismo... De qualquer maneira, Wesker teria que eliminá-lo antes de terminar tudo aquilo. Não seria tão difícil...
Jill e Barry deviam estar a caminho da casa dos fundos. Burton havia dito que levaria Valentine até lá, dando tempo a Wesker para que abrisse caminho até o laboratório. O pai de família estava se saindo um ótimo traidor. Bem que Wesker poderia usá-lo novamente para seus interesses no futuro...
Com tais pensamentos, o capitão do S.T.A.R.S. cruzou o portão que levava até o tanque de água e, vendo que estava vazio, sorriu ao perceber que Barry havia seguido suas instruções perfeitamente para abrir caminho.
Fechando a porta, Barry, junto a Jill, viu que estava num corredor de madeira com várias portas. Aquilo era uma outra casa, aparentemente menor que a mansão, mas que também precisava ser explorada.
Burton girou a maçaneta da porta mais próxima dos dois, que ficava à direita do corredor. Ele entrou primeiro, seguido por Jill.
Logo que pisaram no cômodo, ambos ouviram o engatilhar de uma arma. Olhando para perto de um baú junto a uma parede, os dois membros do Alpha Team tiveram uma bela surpresa: quem lhes apontava uma pistola era Enrico Marini, líder do Bravo Team.
– Enrico! – sorriu Jill, com a voz cheia de esperança. – Você está bem!
– Jill, Barry! – exclamou Enrico, deixando de apontar a arma. – Então vocês vieram nos resgatar!
– Era o mínimo que podíamos fazer – disse Barry, um tanto sem jeito. – Infelizmente, nós encontramos alguns companheiros mortos...
– Eu entendo... – murmurou Marini enquanto coçava os bigodes, cabeça baixa. – Mas é muito bom ver vocês!
Enrico era um experiente membro do S.T.A.R.S., filho de imigrantes mexicanos ilegais. Ele havia crescido nos violentos subúrbios de Los Angeles, e decidiu ser policial quando seu pai foi morto por traficantes. Havia chefiado a unidade S.T.A.R.S. em Raccoon City por quatro anos até a nomeação de Wesker, e por isso ele tinha para com o novo capitão certo rancor, fato que era facilmente percebido pelos demais integrantes.
– Todos vocês vieram? – perguntou Enrico.
– Sim, estão todos espalhados pela mansão – respondeu Barry. – Creio que a única sobrevivente do Bravo Team seja Rebecca Chambers! Chris está cuidando dela!
– Que ironia... Justo a novata!
Marini abriu o baú e de dentro dele tirou uma espingarda calibre 12. Ele disse, engatilhando-a:
– Creio que estou a um passo de descobrir a verdade sobre este lugar, mas ainda preciso procurar algumas provas nesta casa! Este local era usado como um dormitório ou coisa parecida. Estarei explorando os cômodos, espero que me ajudem!
– Pode contar conosco! – exclamou Jill.
– Ótimo! Eu guardei toda a munição que encontrei pela mansão dentro desse baú. Armem-se, enquanto isso eu vou à frente!
– OK!
Enrico saiu da sala, enquanto Barry e Jill averiguavam o que podiam usar do que estava no baú. Burton apanhou doze balas para sua Magnum, e Valentine dois pentes para a Beretta.
– Vamos! – disse Jill.
Os dois voltaram ao corredor, e Barry caminhou na direção de uma porta logo em frente, à esquerda da passagem, dizendo:
– Vou dar uma olhada aqui! Explore as outras salas em busca de pistas!
– OK!
Burton girou a maçaneta e entrou, enquanto Jill observava a inscrição “001” sobre a porta, pensando em como Barry estava aparentando desânimo. Ele não era assim. Seria algum problema familiar? Uma briga com a esposa, talvez, ou apenas stress por causa de todas aquelas mortes. Com a Beretta em mãos e mil pensamentos na cabeça, Valentine entrou por uma porta vermelha dupla.
Chris e Rebecca entraram num corredor de paredes de cor clara, com pequenos móveis à direita, junto à parede, e janelas à esquerda. O atirador foi à frente, pedindo para que Rebecca esperasse com um gesto.
A jovem integrante do Bravo Team viu algo que lhe fez tremer: algumas das janelas estavam quebradas. Chris parecia não ter percebido isso, e seguia caminhando pelo corredor, espingarda em mãos.
– Chris!
Redfield virou-se rapidamente, pensando que Rebecca estivesse em perigo, e voltou alguns passos na direção da jovem. Nisso, algo saltou atrás de Chris, e só não abocanhou seu pescoço pelo motivo do policial ter se deslocado.
– Quê? – espantou-se o policial.
Era um daqueles cães mutantes. O membro do Alpha Team apontou a espingarda, enquanto a fera iniciava novo ataque, saltando. Chris atingiu-a ainda no ar, o disparo da arma partindo o cachorro em dois. O carpete do corredor se encheu de sangue, enquanto Chambers corria na direção do rapaz.
– Chris, você está bem? – perguntou Rebecca.
– Sim, eu acho... – murmurou Chris, assustado. – Obrigado, Rebecca...
Mas eles ainda não estavam seguros. Ambos ouviram um rosnado e, olhando para a outra extremidade do corredor, viram outro cão sem pele, na frente de uma outra porta.
Chris chegou a mirar, mas antes mesmo de atacar o cão caiu morto sobre o carpete, atingido na cabeça por um disparo de Rebecca.
– Obrigado, de novo! – riu Redfield, um tanto sem graça.
A jovem sorriu como resposta, mas logo ficou séria ao olhar para um dos móveis do corredor.
– Ah, Chris!
O policial também olhou. Num dos móveis, atrás de um vidro, havia ossos humanos, que provavelmente haviam sido colocados ali para afugentar os invasores da mansão.
– Que horrível... – suspirou Rebecca, quase chorando.
– Não fique com medo, Rebecca! Venha, vamos em frente!
E seguiram pela outra porta.
A sala era escura. Jill caminhava lentamente, a madeira rangendo conforme suas botas tocavam o chão. Ela viu um balcão onde parecia ser um bar, e perto dele havia uma mesinha sobre a qual era possível ver uma espécie de chave metálica. A jovem caminhou até o artefato.
Era mesmo uma chave, mas um tanto estranha, parecia ser de um laboratório ou coisa parecida. Ela a guardou consigo, e virando-se para trás, Jill viu algo que realmente a assustou.
– Ah!
Ali, na frente dela, havia uma aranha toda peluda, de tamanho gigantesco, maior que um urso. Ela seguiu na direção da policial, que escapou rapidamente rolando para a direita. As patas do monstruoso aracnídeo destruíram a mesinha, enquanto Jill via mais uma aranha, igual àquela, surgir de onde havia uma mesa de bilhar.
Mais que depressa, a integrante do S.T.A.R.S. voltou para o corredor, ofegante, fechando fortemente a porta.
– Ai, meu Deus!
Ela simplesmente não conseguia acreditar nas coisas que via naquele lugar. Primeiro a cobra gigante na mansão, e agora isso!
Nesse instante, a porta do quarto “001” se abriu. Jill apontou a Beretta temendo que fosse algum monstro, mas era Barry.
– Barry! – suspirou a policial, aliviada, enquanto abaixava a arma.
– Jill! Encontrou alguma pista?
– Não, mas definitivamente há algo errado com este lugar!
– Eu que o diga! Veja o que encontrei!
Barry tinha um papel em mãos, que estendeu para Jill. Ela, ao apanhá-lo, viu que se tratava de um relatório, e o leu atentamente:
Relatório sobre a Planta 42.
Faz cinco dias desde o acidente no laboratório e a planta no Ponto 42 não pára de crescer, numa velocidade inacreditável. Contaminada pelo T-Virus, ela atingiu proporções gigantescas, e agora é impossível dizer que planta ela era originalmente.
A raiz da planta está localizada na sala de reuniões do subsolo. Quando soube que estava infectado, um cientista enlouqueceu e quebrou o tanque de água onde estávamos cultivando os Neptune, inundando todo o subsolo. Algum elemento químico usado no desenvolvimento dos Neptune estava misturado à água e provavelmente ocasionou o crescimento acelerado da planta ao entrar em contato com sua raiz.
Quando a Planta 42 detecta movimento, ela lança seus poderosos tentáculos sobre a vítima, prendendo-a num piscar de olhos. Então o vegetal começa a sugar o sangue da vítima através desses tentáculos, sendo essa sua principal forma de alimentação. A planta desenvolveu certa inteligência e ocupou toda uma sala da casa dos fundos, impedindo que nós entremos no cômodo segurando a porta com seus tentáculos. Nós já perdemos vários membros da equipe que tentaram controlar esse experimento.
Henry Sarton.
– Todas essas criaturas são resultado de experiências que eram realizadas aqui – disse Burton. – E a Umbrella está por trás de tudo!
– Nós precisamos encontrar mais provas para desmascará-la!
– Você está certa! – disse Barry, caminhando na direção de uma porta que ficava no final de uma extensão do corredor para a esquerda de Jill. – Venha, vamos ver o que há nas outras salas!
Valentine seguiu o companheiro e os dois cruzaram a porta.
Estavam agora num novo corredor, cheio de teias de aranha. Logo encontraram uma porta à direita, e Barry averiguou que havia uma outra mais à frente.
– Jill, dê uma olhada nessa primeira porta! – disse Burton, coçando a barba. – Eu vou pela outra!
– OK!
Cada um seguiu seu caminho. Sobre a porta que Barry cruzou havia a inscrição “002”.
Chris e Rebecca estavam no corredor em forma de “U” na asa oeste do segundo andar da mansão, onde anteriormente Redfield havia passado aniquilando zumbis enquanto levava Joseph até a enfermaria. Os corpos dos mortos-vivos ainda estavam ali, cheirando mal.
Os dois integrantes do S.T.A.R.S. seguiram na direção da porta mais próxima da escada que levava ao primeiro andar, na última extensão do corredor. Chris girou a maçaneta e percebeu que estava trancada. Mas, sorrindo, usou a chave encontrada no banheiro e conseguiu liberar o caminho.
– Vamos! – disse, enquanto entrava na sala seguido por Rebecca.
O cômodo estava uma total escuridão. Rebecca estremeceu, temendo que houvesse algum monstro escondido ali dentro, mas logo seu temor dissipou-se quando ela ouviu um “click” e as luzes se acenderam. Chris havia acionado um interruptor perto da porta.
– Não fique com medo, estamos seguros! – sorriu o policial.
Chambers sentiu-se um tanto envergonhada por sua demonstração de medo, enquanto Chris caminhava até uma mesinha no centro da sala. Sobre ela havia uma folha de papel, um telegrama ou coisa parecida:
ULTRA-SECRETO
23 de julho de 1998, 16:49 – Departamento de Segurança, filial californiana.
O “Dia X” está se aproximando. Não podemos adiar mais. A mídia e o governo estão interferindo muito rápido. As seguintes ordens devem ser cumpridas em uma semana:
Atrair os membros do S.T.A.R.S. para dentro do laboratório e fazer com que lutem contra as B.O.W.’s (Armas Bio-Orgânicas), com o intuito de obter informações sobre a capacidade de luta de cada experimento.Coletar dois embriões de cada tipo de mutante, exceto o Tyrant, que não foi totalmente concluído.Destruir todo o complexo Arklay, incluindo a mansão, a casa dos fundos e o laboratório, acionando o sistema de autodestruição, de maneira que pareça um acidente.Estamos contando com sua experiência na divisão para cumprir esta missão sem dificuldades. Se fracassar, uma equipe da própria empresa será enviada, provavelmente a mesma que será encarregada de descobrir o que houve na Colméia, ainda esta semana.
Agente One, White Umbrella.
– Rebecca... – disse Chris, quase sem fôlego após ler o papel.
– Sim? – perguntou Chambers, voz doce.
– Acho que armaram pra cima da gente! – exclamou o atirador, entregando o telegrama a Rebecca.
Enquanto isso, na casa dos fundos, Barry trancava a porta do dormitório “002”, logo após entrar. Parecia que ele não queria mais ninguém ali dentro. Em seguida caminhou por um pequeno corredor, o qual possuía uma porta à esquerda, que terminava num espaço maior com uma cama e algumas estantes também à esquerda, que pareciam estar arrumadas de modo a ocultar alguma coisa. Na frente dos móveis, se encontrava a inabalável figura do capitão Albert Wesker, ajeitando os óculos escuros.
– Alguém o seguiu até esta sala? – perguntou o líder do S.T.A.R.S. em Raccoon City, aparentando impaciência.
– Jill e Enrico estão na casa, mas os despistei – respondeu Burton, desanimado.
– O que há, Barry? – riu Wesker, se aproximando. – Você parece preocupado!
Barry cerrou os dentes e deu um soco no estômago de Wesker, que reagiu apontando sua Desert Eagle a poucos centímetros da testa do comandado.
– Nunca mais faça isso, entendeu? – exclamou o capitão, com um tom sinistro na voz.
– Eu faria muito mais se pudesse...
– Mas você não pode!
– Você tem suas ordens, Wesker... Mas qual a razão para destruir os S.T.A.R.S.? Você não precisa fazer isso!
– Não é minha vontade, é a vontade da Umbrella!
– E quanto à minha família?
– Ela estará segura enquanto você fizer o que planejamos. Agora, encontre uma maneira de distrair Jill enquanto dou uma olhada na área inundada. E lembre-se: não tente nenhuma gracinha!
Wesker caminhou na direção das estantes, ainda apontando a arma para Barry. Empurrando uma delas, foi revelada uma abertura no chão, com uma escada que levava ao subsolo. Wesker desceu, deixando Barry sozinho, pensativo.
Após alguns instantes mergulhado naquela penosa solidão, Burton caminhou para fora do dormitório, ainda mais abatido.
Cerca de três minutos após a saída de Barry, a porta que ficava à esquerda de quem entrava no corredor se abriu. De dentro do banheiro do dormitório saiu Enrico Marini, seu corpo inteiro formigando devido ao que acabara de ouvir escondido dentro do pequeno cômodo.
– Então Wesker e Barry estão traindo os S.T.A.R.S., não? – sorriu o líder do Bravo Team, sacando sua arma. – Vamos ver se conseguirão ir longe!
Decidido, Enrico também deixou o dormitório.
Capítulo 9
A luta pela sobrevivência.
Uma sala cheia de painéis e computadores. Era um dos setores da sede da Divisão de Segurança da Umbrella Corporation, Unidade Norte-Americana, em Chicago.
Na frente dos monitores das máquinas, operadores com fones nos ouvidos recebiam uma enorme quantidade de informações a cada instante. Enquanto isso, um homem de terno circulava impacientemente pelo lugar, mordendo os lábios. De repente, ele pára e pergunta, se aproximando de um dos operadores:
– O agente Wesker voltou a estabelecer contato?
– Negativo, senhor.
– Droga!
Enquanto Albert Wesker cumpria suas ordens no norte da Califórnia, a muitos quilômetros dali, Spencer parecia uma criancinha que não consegue aguardar até o Natal para abrir os presentes. Tudo estava perdido para ele. Sua mansão era agora um covil de mortos-vivos, sua equipe tão rigorosamente escolhida havia se transformado numa horda de monstros horrendos, e se Wesker falhasse, as coisas piorariam ainda mais. A contaminação não poderia, de forma alguma, atingir a parte urbana de Raccoon City. Era preciso conter o vírus com enorme rapidez, antes que fosse tarde demais.
A Umbrella assegurara que enviaria quantas equipes fossem necessárias até que os resquícios do vírus fossem totalmente eliminados, mas os incidentes envolvendo as criaturas, registrados pelos jornais de Raccoon, ocorriam cada vez mais longe da área inicial de contágio. Um verdadeiro desastre. E para piorar tudo, seu filho desaparecera ao mesmo tempo em que a Colméia era lacrada.
Spencer procurava se acalmar, mas era praticamente impossível. Se Wesker falhasse, ele teria sua bunda pendurada numa das paredes da sede principal na Europa. Sua carreira, e talvez até sua vida, dependiam do sucesso e lealdade de Albert...
Após cruzar a porta, Jill Valentine percebeu que estava numa grande sala cheia de outras entradas. A primeira ficava ao lado da porta que cruzara, junto a um painel numérico. Do outro lado da sala havia outras duas portas: uma dupla, mais ao fundo, e outra à esquerda desta. A policial também percebeu que havia uma extensão da sala na mesma direção, e resolveu averiguar o que poderia encontrar nela.
A integrante do S.T.A.R.S. surpreendeu-se quando viu uma enorme colméia no final da passagem, sua cor amarelada causando um efeito realmente assustador. Jill sentiu-se dentro de um filme de terror “trash”, cheio de insetos mutantes nojentos. Sob a colméia, havia uma mesinha de madeira com um artefato dourado. Aproximando-se alguns passos, temerosa, Valentine percebeu que era uma chave.
Ela com certeza precisaria daquele artefato, mas e aquela colméia?
– Acalme-se, Jill... – suspirou a jovem. – São apenas abelhas, relaxe...
Sim, mas que tipo de abelhas? Após ter visto uma cobra gigante naquela propriedade, Jill não ficaria surpresa se aquela colméia abrisse uma enorme boca e a engolisse assim que chegasse perto!
A passos cautelosos, a policial se aproximou da mesinha. Após olhar mais uma vez para a monstruosa colônia de abelhas, Jill finalmente apanhou a chave, num movimento rápido.
Foi quando ela ouviu um zumbido. Seu coração disparou, enquanto se virava instintivamente para trás e começava a correr. O barulho aumentou, e Jill, olhando para trás, percebeu que enormes abelhas a perseguiam, cada uma do tamanho de um punho humano.
Desesperada, a jovem fitou rapidamente a inscrição presente na chave: “003”. Por sorte, a porta mais próxima, à esquerda de Jill, possuía a mesma numeração.
Como uma louca, Valentine enfiou a chave na fechadura e a girou, sua cabeça zumbindo como as abelhas que se aproximavam. Logo que a porta se abriu, Jill saltou para dentro do escuro corredor, fechando imediatamente a entrada ao ver-se novamente segura.
Ela caminhou alguns passos dentro do novo cômodo, seus batimentos cardíacos voltando ao normal, mas de repente, um forte som vindo da porta fez com que ela gritasse de susto.
Virando-se, a policial viu que os ferrões das abelhas haviam atravessado a madeira da porta, mas elas não conseguiram entrar. Ainda trêmula, coração novamente aos pulos, Jill passou a explorar o lugar.
O misterioso sujeito de jaleco havia se trancado dentro da sala de química. Talvez estivesse protegido dele ali, pois havia alterado o código numérico para destrancar a porta. Mas apenas talvez...
Ele sabia muito bem que Albert Wesker era um homem cruel, sem qualquer escrúpulo. E havia conseguido o cargo de capitão do S.T.A.R.S.! Ninguém em Raccoon City sabia quem Wesker realmente era, com exceção do chefe do R.P.D., Brian Irons, um verdadeiro fantoche da Umbrella. O incidente ocorrido no complexo Arklay havia condenado toda a cidade, cedo ou tarde o vírus atingiria o setor urbano de Raccoon...
O indivíduo aproximou-se da pia. Ele devia ter deixado aquela propriedade assim que Birkin foi transferido para outro laboratório, mas insistira em permanecer ali, contribuindo para o progresso do projeto “Tyrant”. Agora era tarde mais.
E ela tomou de assalto seus pensamentos...
Aquele belo rosto, aquele corpo perfeito, aqueles cabelos negros...
– Ada...
Talvez ele nunca mais a visse.
Desolado, o sujeito aproximou-se da parede ao lado da porta da sala. Tirando um giz branco de um dos bolsos do jaleco, começou a escrever sobre a madeira a fórmula da “V-JOLT”, que ele decorara para uma eventual emergência. Era uma forma de manter sua sanidade.
Na pequena sala da estátua do tigre, Chris examinava a bela jóia vermelha que arrancara da cabeça de alce empalhada, na sala onde encontrara aquele misterioso telegrama junto com Rebecca. Alguém da equipe havia traído os S.T.A.R.S., e tudo não passava de uma grande armadilha. Porém, naquele momento, Redfield estava mais preocupado em descobrir que utilidade aquela jóia teria.
Rebecca dissera algo sobre uma salinha no primeiro andar onde havia a estátua de um tigre com as cavidades dos olhos vazias, e Chris resolvera averiguar. Agora, o policial inseria a pedra rubra numa dessas cavidades, sendo que na outra já havia uma jóia azul.
Assim que Redfield concluiu a ação, o som de algo se movendo ganhou o cômodo. Era a estátua, que, girando para dentro da parede, revelou um compartimento secreto. Curioso, Chris averiguou o que havia nele.
Era um medalhão circular, dourado, com o emblema de uma águia. Provavelmente aquele artefato resolveria mais um dos inúmeros enigmas da mansão, e por isso o membro do S.T.A.R.S. guardou-o consigo.
– E agora, senhor? – perguntou Rebecca, sempre disposta a ajudar.
Chris não sabia ao certo como responder. Enquanto os cidadãos de Raccoon dormiam tranqüilamente em suas casas, os S.T.A.R.S. estavam ali, livrando a cidade da ameaça daqueles terríveis monstros, e ainda tinham que se preocupar com um provável traidor.
– Vamos dar mais uma olhada no segundo andar, há algumas portas que ainda não abrimos! – disse Chris. – Depois seguiremos para os fundos da propriedade, OK?
– Sim senhor!
O helicóptero do R.P.D. sobrevoava a escura floresta em círculos, ao redor da área onde tanto o Bravo Team quanto o Alpha Team haviam desaparecido. Se arrependimento matasse, Brad Vickers já estaria morto há horas.
– É impossível encontrá-los! – exclamou o piloto, desesperado. – Eles simplesmente sumiram, assim como o Bravo Team! Já tentamos estabelecer contato, mas é inútil!
– Foi você quem os abandonou, e será você quem os encontrará! – disse o sargento Wells, aparentando calma apesar da situação.
– Cara, isso tudo é um pesadelo!
Os dois policiais puderam ver mais uma vez o helicóptero do Bravo Team caído. Wells, fitando a nuvem de fumaça, decidiu tomar uma atitude arriscada. Brad descobriu o que era ao perceber a mudança na expressão facial do sargento.
– Não, você não vai fazer isso! – exclamou Vickers, trêmulo.
– Eu, não. Nós vamos fazer!
– Não, não e não! Totalmente fora de cogitação! Eu não vou pousar!
– Vai sim!
– Pelo amor de Deus, aquelas feras estraçalharam o Dewey! Eu não quero terminar como ele!
– Brad Vickers, você vai pousar este helicóptero, por bem ou por mal!
Antes que pudesse responder, Brad viu o cano do revólver Magnum de Wells a poucos centímetros de sua testa. Vickers conhecia bem o sargento. Se não pousasse a aeronave, poderia ser mesmo morto por ele.
– Você manda, sargento! – resmungou o piloto, fazendo o helicóptero se aproximar da fatídica clareira.
A Beretta agiu, e o zumbi veio ao chão, seu corpo decomposto atingindo o chão de madeira como um saco de pedras. Jill olhou uma última vez para o morto-vivo, enquanto seu sangue escorria sobre um tapete.
Em seguida, a policial caminhou na direção de uma estante de livros. Examinando-a atentamente, Jill percebeu que havia uma fileira de livros vermelhos com apenas um exemplar faltando. No lugar dele havia uma pasta preta, que ela examinou, intrigada. Leu então em voz alta o conteúdo da primeira folha:
Instalações da Umbrella – Raccoon Forest.
Complexo Arklay (Mansão Lord Spencer):
– Experiências biológicas.
– Desenvolvimento de vírus.
– Armazenamento de experimentos em solução criogênica.
Responsável: Oswell Spencer.
Mansão Arklay:
– Saída de emergência da Colméia (trem subterrâneo).
Responsável: Maxwell Spencer.
Jill deu uma rápida olhada nas outras páginas. Eram dados técnicos sobre instalações e funcionários da Umbrella. A empresa realmente possuía vários complexos ao redor da cidade, conduzindo perigosas experiências. Uma verdadeira bomba-relógio.
Certa de que aquela seria uma boa prova contra a empresa, Valentine guardou consigo a pasta, enquanto continuava a examinar o dormitório. De repente, ela percebeu que havia um livro vermelho sobre a cama, idêntico àqueles da fileira incompleta.
A policial olhou mais uma vez para a estante e depois para o livro. Aquilo tinha alguma lógica...
Sem saber o que poderia ocorrer, Jill encaixou o livro no espaço vago na estante...
A jovem ouviu um som mecânico, que fez com que ela se virasse assustada para sua direita. Um armário estava deslizando sobre o chão do quarto, revelando uma porta secreta.
– Bem engenhoso, senhores da Umbrella! – murmurou Jill, caminhando na direção da entrada.
Com um certo temor, a policial tocou a maçaneta. Poderia encontrar algo horrível do outro lado, mas precisava investigar. Respirando fundo, Jill cruzou a porta.
A sala era ampla e escura. Os olhos de Jill fitaram primeiramente o chão de madeira, depois um tapete e...
– Meu Deus!
Atrás de Valentine, a porta se fechou. Ela estava sozinha no escuro com uma criatura abominável, digna daquela casa de infinitos horrores. Jill sentiu-se zonza, e seu sangue gelou.
Continua...
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