CAPÍTULO 3 CÓDIGO: VERÔNICA

Leon me abraçou forte. Lágrimas brotavam de meus olhos e tocavam meu rosto. Um aperto no coração. Vontade de morrer, de ir junto com a última pessoa que restara de minha família.

_ Ah... Vê pelo lado positivo... Eu sei que é difícil numa hora dessas, mas pelo menos ele não precisa viver nesse mundo de canibais loucos.

_ É... Vendo por esse lado! fiz um esforço pra sorrir, mas sem sucesso.

_ Hey, quero ver esse sorriso! pousou as mãos em meus ombros e me olhou nos olhos Eu sei que você consegue, vamos lá! Você é muito boa nisso...

_ Se eu fizer isso você vai parar de encher meu saco?! arqueei as sobrancelhas.

_ Prometo! fez o sinal da cruz com os dedos.

_ Hum... soltei um riso Essa eu quero ver!

_ Ahá! Gostei. Essa é a Verônica que eu conheço!

_ Circulando, garanhão! Temos muito o que fazer.

_ Bem-vinda de volta, Srta. Lewis! dei um leve soco no braço de Leon e segui em frente. Ele sabia como me fazer sentir melhor, mesmo num momento como esse Vamos pegar o filho da mãe que fez essa cagada! falei sem olhar pra trás.

_ Estou logo atrás de você!

Andamos por mais uns minutos.

_ Quase lá...

_ Onde estamos indo?

_ À sala do canastrão... Wesker!

– Hum... E você acha mesmo que ele ainda está por aqui?

_ Pra sorte dele é bom não estar... Eu sei que isso tudo tem o dedo dele. Tenho certeza! Desde que esse homem assumiu a direção da empresa, começou a desandar. Ordens estranhas vindas dele e tudo mais... Meu pai me contava tudo o que acontecia aqui. Cheguei até a conhecer a figura. O que ele tem de bonito tem de metido e nojento, Deus que me livre! Leon me olhou como se dissesse Achou ele bonito, né?! Sei... Ei, não me olha assim, não! Eu admito que ele é bem apessoado, mas é um purgante em compensação! Desencantei na hora!

_ Ah, claro! deu um risinho.

_ Ai, para de ser tão idiota, Leon! dei um tapa no braço dele.

_ Aaau! exclamou. Passou a mão rapidamente no braço Parece que você se esquece que tem a mão pesada!

_ Não exagera, minha mão nem é tão pesada assim...

_ É sim!

– Que seja... Não precisa ficar com ciúmes, tá?! Você sabe que é o homem da minha vida, Leon Scott Kennedy! brinquei.

_ É, tô vendo o homem da sua vida... entrou na brincadeira. Fez cara de zangado. O olhei e soltei uma risada.

_ Tá... É aqui! paramos em frente a uma porta de aço escovado.

_ Alguma idéia de como vamos entrar?

_ Primeiro tentamos ser educados... Sem cometer crimes... Leon esbugalhou os olhos.

_ Que tipo de crime estamos falando?

_ Ai, cala a boca, Leon! Vai dar tudo certo...

Ao lado da porta havia um interfone. Apertei no botão e me identifiquei, porém ninguém respondeu.

_ Tudo bem, agora do jeito que eu gosto...

_ O que você vai fazer? perguntou assustado.

_ Olhe e aprenda! pisquei. Da minha pequena mochila presa à cintura, que mais parecia uma pochete, tirei um C4.

_ Tá de brincadeira, né?!

_ Não mesmo! Se não fizermos isso, nunca vamos conseguir entrar no covil!

_ Então, você vai mesmo explodir o lugar?

_ Não o lugar, só a porta! Dã!

_ Foi modo de falar...

_ Eu seeei! armei o explosivo o grudando em locais estratégicos É melhor se afastar! tomamos distância e nos protegemos. Botei as mãos na cabeça. BOOM!

_ Deu certo! Leon abriu os olhos.

_ Não é a toa que tive nota máxima no esquadrão de bombas da academia!

_ Ah é, agora eu me lembro... Mas você não acha que vão perceber?

_ Claro que vão, mas com certeza esse é o menor dos problemas que eles tem...

_ Realmente. Com esse vírus circulando tudo parece insignificante perto.

_ Só espero que não tenha atingido a cidade... Já pensou?

_ Bom, eu não duvido disso. Sabe lá quantas pessoas estavam aqui no momento que aconteceu. Pelo o que vimos até agora, todos estavam infectados...

_ Inclusive meu pai... Muitas pessoas trabalham aqui. Se alguém escapou, não foi muito. Além do mais, o acesso à saída está livre, os zumbis podem muito bem terem saído e ido em direção a cidade. Pelo menos eles levariam um bom tempo daqui das montanhas até a cidade.

_ É, mas você sabe se tem alguém que mora por aqui?

_ Na verdade tem... Não tinha pensado nisso. Mas, do mesmo jeito, são poucas pessoas que vivem nessa área. O que me preocupa é a cidade, lá sim vivem muitas pessoas.

_ Verdade... Bom, vamos revirar o lugar?

_ Só se for agora! espanei o pó da roupa.

Vasculhamos o lugar por alguns minutos e não encontramos nada. O computador! pensei. Fui em direção da mesa e sentei na cadeira.

_ Como você acha que vai entrar nesse compu... Leon se interrompeu.

_ Inacreditável! O idiota deixou ligado!

_ Parece que ele esqueceu isso aqui também... Leon segurava um disquete Código Verônica?! Leon franziu as sobrancelhas.

_ O que? perguntei confusa Me dá isso aqui! tirei o disquete das mãos dele. No espaço identificador estava escrito Código: Verônica Mas que diabos é isso?

_ To tão por fora quanto você!

_ Verônica? Quer dizer... Verônica eu?

_ Bom, esse não é um nome muito comum... Eu só conheço uma...

_ Hum... E você acha que tem alguma coisa ai?

_ Não custa nada tentar!

_ Okay! inseri o disquete no computador Ah que ótimo! Pede uma senha pra ter acesso ao arquivo! suspirei.

_ Verônica!

_ O que foi?

_ Não... Verônica, a senha. Tenta isso ele falou animado.

_ Ai, Leon! Que ridículo... Quem colocaria o mesmo no-me? Sério, eu me surpreendo cada vez mais... Abriu!

_ Não disse! ele se gabou.

_ Ah, cala a boca! Acho que não tem muita coisa...

_ Deixa eu ver. Chega pra lá! me levantei para que Leon sentasse. Enquanto ele fuçava o arquivo, devaneios me ocorreram, fazendo com que eu me desligasse por alguns minutos.

** FLASHBACK ON **

_ Filha, você precisa conhecê-lo, é um homem muito inteligente, competente... Assim como você!

_ Pai, guarde seus elogios pra ele! E eu nem sou tudo isso ai não... dei um risinho.

_ É sim, filha! Você é tudo de bom e eu te amo muito! me deu um beijo na cabeça e afagou meus cabelos.

_ Tá, pai. Eu sei! dei um sorriso sem graça Também lhe amo muito.

_ Ah, ele trabalhou na S.T.A.R.S. como capitão, onde seu irmão entrou meu coração entristeceu. Toda vez que falavam de meu irmão, meu humor mudava. Me sentia culpada pela morte dele, ele era tudo pra mim... Meu porto seguro. Meu pai, vendo que eu ficara abalada, me abraçou tentando me confortar Não foi sua culpa, filha!

_ Tá tudo bem pai! Vamos logo conhecer esse cara?! Eu tenho que voltar ainda hoje à noite para Washington.

_ Sim senhora, primeira dama!

_ Rá rá rá!

** FLASHBACK OFF **

_ Hey! Verônica!

_ Ai! Leon me deu um beliscão Que é isso rapaz?!

_ Desculpa, mas você tava que nem uma boneca de cera parada ai, sem nenhuma expressão, com o olhar no vazio...

_ Foi mal...

_ Tudo bem, mas olha aqui o que eu achei... Isso diz respeito a uma experiência feita há muitos anos atrás. Verônica Anette Ashford Lewis, ela estava envolvida.

_ Pera ai... Esse é o nome da minha avó! Pelo menos era. Ela já faleceu faz muito tempo.

_ E tem mais... Essa experiência foi feita a partir do sangue dela, e disso, foi desenvolvido um tipo de composto chamado T-Vírus. Parece que foi injetado em algumas pessoas...

_ T-Vírus?! O mesmo nome dado pelo meu pai ao vírus que ele e o Dr. Birkin criaram... Isso não me parece coincidência! Será que meu pai sabia desse tal Código Verônica?

_ Vai saber...

_ Mais alguma coisa?

_ Hum... Ah, parece que nasceram gêmeos de uma outra experiência, mas que neles foi injetado o sangue da sua avó, ou alguma coisa assim... Não ta dando pra entender muito bem.

_ Isso chega a ser bizarro, sério!

_ Nem me fale... Bom, acho que o Governo dos Estados Unidos vai gostar de ver o conteúdo desse disquete.

_ Com certeza!

_ Evidência apreendida! colocou no bolso de trás da calça.

_ Mesmo com esse disquete, não conseguimos nenhuma prova contra o Wesker... E eu sei que ele é o principal culpado de tudo isso que ta acontecendo!

_ Vamos ter que investigar mais então...

_ É o que parece.

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