Resident Evil: Revelations
5 Search And Destroy
Notas iniciais
Search And Destroy
A ameaça do vírus estava se espalhando a cada minuto que passava, a que proporções estaria agora? Teria chego à cidade de Raccoon City? Pergunto-me o que poderia estar passando pela cabeça das pessoas vendo seus parentes, amigos, vizinhos atacando uns aos outros como animais sedentos por sangue. Com certeza estariam assustadas, assim como eu fiquei quando presenciei o primeiro surto canibal de um homem, e o pior e mais traumatizante ainda, ver meu pai se transformar em um deles e ter que por fim na situação com minhas próprias mãos.
_ Que tal darmos uma passada pela sala do Dr. Birkin?
_ Era exatamente nisso que eu tava pensando!
_ Fomos feitos um para o outro, eu disse! – Leon deu um risinho.
_ Aham, vai nessa! – dei uns tapinhas no ombro dele — Vamos checar, talvez tenha algo por lá...
Caminhávamos pelo corredor em direção à sala do Dr. William Birkin, quando escutamos um barulho.
_ Ouviu isso?! – Leon perguntou. Fiz sinal positivo com a cabeça – Parece vir de dentro daquela sala.
_ É a sala do Dr. Birkin! – corremos até a porta que estava entreaberta – Doutor?! Você está ai? — num canto qualquer da sala estava o Dr. Birkin se contorcendo e emitindo grunhidos baixos. Andei até ele – Doutor, está tudo bem?
Ele virou abruptamente e me olhou nos olhos. Sua aparência estava modificada, mas ainda dava pra reconhecê-lo.
_ V... Ve... Verôni-ca? – ele disse com dificuldade.
_ Sim, sou eu doutor! O que aconteceu?
_ Foi tu-do minha cul-pa...
_ Do que o senhor está falando?
_ Seu pai ten-tou me avisar. Perdoe-me... E-eu acre-ditei ne-le...
_ Nele quem?
_ A-al... Bert!
- Albert Wesker?! O que ele fez? Ele está por trás de tudo isso, não está? – ele balançou positivamente a cabeça – E... Existe alguma cura?
_ É Possí-vel...
_ Como?!
_ Jack-son, Doyle Jackson... Ele po-de aju-dar...
_ VERÔNICA! – Leon chamou minha atenção – É melhor sairmos daqui – ele apontou para o corpo do doutor que estava tomando uma forma grotesca – E RÁPIDO!
_ Mas o que é isso?! – olhei assustada para a figura monstruosa à minha frente.
_ SAIAM DAQUI!!! – o doutor gritou, sua voz estava diferente. Ele estava se transformando em um monstro. Fiquei paralisada diante dele.
_ VAMOS, VERÔNICA! – Leon me puxou pelo braço e saímos correndo de lá.
Nos afastamos o suficiente até sumir da vista do Dr. Birkin. Vasculhamos todo o local como podíamos, mas não encontramos nada além do disquete. Sem falar que não dava pra ficar lá por muito tempo por conta do “pequeno” incidente com o doutor. Eu ainda estava perplexa, tentando acreditar no que havia presenciado, nunca tinha visto nada parecido com aquilo. Leon e eu, com as poucas provas e informações que possuíamos, nos dirigimos à saída do prédio, e foi aí que um sentimento me tomou e estanquei.
_ Algum problema? – ele parou um pouco a minha frente, notando que eu não acompanhava mais seus passos.
_ É só que... Eu tava pensando, o que faremos agora?
_ Não sei... Já reviramos esse lugar de cima a baixo e não achamos mais nada além do que já encontramos – as palavras dele penetraram em minha mente e acabei recordando de algo que poderia nos ajudar.
_ Espera aí... É isso! – um sorriso esperançoso preencheu meu rosto — Leon, você é um gênio.
_ Hã?! Você é maluca, já te disseram isso?
- Já, pelo menos umas mil vezes! Mas, você tá errado... Nós não reviramos embaixo! – Leon me olhou confuso.
_ Quê?! Agora você embaralhou completamente minha cabeça... Primeiro diz que eu sou um gênio, agora diz que eu tô errado e que não reviramos embaixo?! Já tomou seu remédio hoje?
_ Para de graça e pensa! Deixa eu continuar o meu raciocínio?! – Leon consentiu – Ok, meu pai uma vez me contou um segredo... Ele ouviu alguém falando sobre um tal laboratório subterrâneo que pertence à Umbrella, quase ninguém sabe sobre ele, nem meu próprio pai sabia!
_ Sabe o que eu acho?
_ O que?
_ Que seu pai se saia um belo de um fofoqueiro!
_ Isso é verdade! – gargalhamos – Mas... Foco, Leon! Foco! E mais respeito pelos mortos.
_ Foi mal... Você realmente acha que isso é verdade? Por que uma empresa como essa teria um laboratório secreto?
_ Ai, pelo amor de deus, Leon! Cabeça não serve só pra por boné ou criar piolho, usa um pouco ela.
_ Tá, isso de repente serviria pra bolar planos diabólicos... Pra fazer um complô contra as pessoas, transformando-as em canibais irracionais, para assim quem quer que seja que esteja por trás disso dominar o mundo?!
_ Bingo!
_ Você tá falando sério? Isso não faz nenhum sentido!
_ E quem disse que é pra fazer? Tem doido pra tudo! Geralmente esse tipo de idéia vem de gênios malucos do mal. Não é pra fazer sentido! Eles são loucos... E eu aposto numa pessoa.
_ Quem? O tal Wesker?
_ Isso mesmo.
_ Você não acha que tá exagerando nessa história? – dei um olhar de desaprovação para Leon – Tá, então vamos supor que seja verdade, esse laboratório poderia estar abandonado, fechado ou algo do tipo por algum motivo. E além do mais, quem garante que ele esteja funcionando para fins maléficos ou até mesmo que exista?
_ Não sei, Leon... Não sei! Mas eu tenho um mal pressentimento a respeito disso tudo. E você sabe que eu raramente me engano quando sinto que algo está cheirando mal. Ou por acaso você já esqueceu daquela vez que fomos pra Las Vegas comemorar nossa promoção e você se interessou por uma mulher no bar, eu disse que tinha algo estranho nela, mas, como sempre, você não me deu ouvidos. Ficou bêbado, levou ela pro seu quarto e adivinha só?! Realmente tinha alguma coisa errada com ela, UM PINTO NO MEIO DAS PERNAS! E ainda por cima, ela... Ele, sei lá! Roubou todo o dinheiro que você tinha na carteira, e o que aconteceu depois? Você veio choramingando que nem uma moça batendo na porta do meu quarto, pedindo arrego... E não pense que eu esqueci das suas insinuações pra cima de mim!
_ ... Desculpa mais uma vez, e quantas vezes eu pedi pra não lembrarmos mais do que aconteceu naquele fatídico fim de semana?! E eu tava bêbado, dá um desconto!
_ Aham... Hahaha! Pelo menos eu me diverti. Você deveria ter visto seu estado decadente quando bateu na minha porta! — soltei um risinho frouxo.
_ Rá rá rá! — fez pouco — Engraçadinha!
_ Ah, bons tempos... — suspirei — Quando a nossa maior preocupção era perseguir e prender bandidos.
_ Bons tempos mesmo... Que loucura tudo isso que tá acontecendo.
_ É, a gente se surpreende cada vez mais com as voltas que a vida dá.
_ Filosofando. Isso foi bonito, gostei!
_ Brigada, mas deixando o papo furado de lado... E agora?
_ Vamos procurar por esse tal laboratório secreto ou não?
_ Achei que você não ia perguntar.
_ Fazer o que?! Você sempre consegue me convencer...
_ Isso é porque você não resiste ao meu charme e porque eu estou sempre certa... E porque eu possuo um ótimo poder de persuasão!
_ Que seja! Vamos logo antes que eu mude de idéia...
_ Tá, por onde começamos?
_ Hum... Quando estávamos na sala do Dr. Birkin ele te disse o nome de alguém, não foi?!
_ Sim, ele disse que essa pessoa poderia nos ajudar.
_ Jackson não sei o que...
_ Doyle! Doyle Jackson.
_ Isso. Precisamos ter uma conversa com esse cara.
_ A gente tem que ir pra cidade, lá tem umas cabines telefônicas com listas de nomes das pessoas que moram aqui, podemos pegar o endereço dele.
_ Ótimo. Uma conversa cara a cara é sempre melhor.
_ Precisamos de um carro, não vai querer ir andando daqui pra lá!
_ Vamos dar uma olhada... — haviam poucos carros no estacionamento — Opa! Temos poucas opções, mas eu já escolhi o meu — Leon andou em direção a um grande automóvel preto.
_ Uma Blazer, Leon?!
_ Qual é o problema? Esse carro é demais! Parece que pagam bem por aqui hein...
_ O problema, meu caro, é que este carrinho consome muito combustível, só isso!
_ Nós só vamos até a cidade... Não é tão longe assim.
_ E se a gente precisar usar mais de uma vez? Vou logo avisando que não vou pagar gasolina pra um carro que nem meu é, ainda mais porque eu não tenho dinheiro aqui...
_ Relaxa, eu tenho uma grana no bolso pra emergências. Sem falar que o governo pode até me ressarcir depois, você sabe.
_ Eu sei... Bom, então se é assim, bora arrombar esse carro. Nem acredito, primeiro furto de automóvel da minha vida! — falei eufórica.
_ Nunca vi ninguém tão empolgado pra cometer um crime, eu hein! — Leon tentou abrir a porta do carro enfiando um pedaço do limpador de parabrisa que tirou de outro carro no vidro, mas não estava obtendo muito sucesso.
_ Vai demorar muito aí?
_ Calma, tô quase conseguindo...
_ Do jeito que você tá quase conseguindo, quando acabar, o mundo todo vai ter virado zumbi!
_ Não amola... Com você falando aí, não consigo me concentrar!
_ Mas que desculpa esfarrapada... — resmunguei. Me distanciei e comecei a procurar por algo pesado, acabei achando uma pedra de tamanho e peso consideráveis — Sai pra lá!
_ Que?! — ele não teve nem tempo de pensar. Taquei-lhe a pedra no vidro e abri a porta por dentro.
_ Voi a la!
_ Incrível... Por que você sempre tem que explodir ou quebrar as coisas?!
_ Só faço isso quando a primeira idéia não funciona.
_ Sei... Enfim, eu dirijo.
_ Como quiser, speed racer!
_ Não fala nada, dirijo melhor que você — ambos entramos no carro.
_ Como é que é?! Sem chance... Mas nunca que você dirije melhor que eu — Leon botou o cinto de segurança e começou a forçar a entrada da ignição .
_ Pera aí! O que você tá fazendo?
_ Ligação direta. Ou tentando pelo menos...
_ Já tentou procurar pela chave, antes de mais nada? — abri o porta-luvas, nada. Procurei pelo chão, nada. Abaixei o para-sol do lado do passageiro, nada — Abaixa esse treco aí!
Leon abaixou a aba e a chave estava lá, presa por um elástico.
_ Curioso...
_ Depois sou eu que saio quebrando as coisas por ai!
_ Mas eu ainda dirijo melhor que você...
_ É mesmo?! Falando estatisticamente eu discordo... Quem foi que quase derrubou o helicóptero quando estávamos em simulação? Quem molhou a mão dos examinadores no teste prático pra tirar a carteira de motorista? Fui eu? Ah não, foi o Sr. Kennedy!
_ Tá, já chega! Vamos pra cidade ou não?! – falou emburrado.
_ Só estou lhe esperando, querido.
_ Beleza... – falou me lançando um olhar fulminante. Dei um risinho, o que fez ele ficar mais irritado ainda. Ele deu a partida no carro e saímos rumo à cidade, procurando por mais informações.
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