Notas iniciais
Bom pessoal, começando um segundo capítulo.
Espero que tenham gostado do primeiro e que comecem a acompanhar.
Obrigado desde já.
;)

Sheva conduziu a moto durante aproximadamente meia hora. Ela não esperava que tivesse desembarcado do helicóptero num ponto tão distante da cidade. Mas assim fora melhor.

A mulher estava a uma velocidade alta, se concentrava somente na estrada. Agora já eram sete da manhã, e o Sol esquentava sua pele. A brisa causada pela velocidade era relaxante. Ela não se preocupou quando alguns fios de cabelo entraram na frente de seu rosto.

Uma voz saiu do cinto que envolvia a coxa direita de Sheva. Pelo barulho do motor da moto, ela só ouviu na terceira chamada.

– Sheva? Você está aí? Pode me ouvir?

Assim que notou, ela desacelerou a moto, até parar, cinquenta metros à frente. Desceu do banco rapidamente, puxou o rádio comunicador da perna e respondeu ao chamado.

– Pode falar. Estou escutando.

– Sheva, aqui é Michael. A situação não está fácil, ainda não conseguimos aterrissar. Íamos pousar da base de Nova Deli, mas Hillary nos deu a informação de que a base foi desativada há pouco tempo. A área foi evacuada. Os poucos que se encontravam lá se encaminharam para a base em Barnaul, na Rússia.

– E o que vocês farão agora?

– Acabamos de passar por Deli, estamos a caminho de Barnaul. É a área mais próxima ativa. Tentaremos chegar lá fazendo apenas uma ou duas paradas. A China deve ser um bom lugar para reabastecer. Por enquanto, o combustível ainda está cheio. Como você está indo? Já chegou ao centro da cidade? Eu acho que te deixei muito longe, desculpe. Quis dar tempo o suficiente para você se preparar, para não ser pega de surpresa.

– Tempo para me preparar Michael? Você me conhece, eu não preciso me preparar. — Descontraiu Sheva. — Obrigado por se preocupar comigo. Mas foi melhor mesmo, ficar longe da cidade. Estou dirigindo a pouco mais de meia hora, já devo estar próxima. Não se preocupe.

– Tudo bem, tome cuidado. Entro em contato em breve. Câmbio, desligo.

Sheva desligou. Guardou novamente o rádio comunicador no cinto que entornava sua perna e observou o caminho à sua frente. A preocupação agora aparecia sorrateiramente, como nuvens em frente ao sol em um dia quente.

Sheva e Michael eram parceiros de longa data. Fora ele quem trouxera ela até ali. Ele quem havia pilotado o helicóptero.

A mulher respirou fundo, ela não podia se preocupar com outras coisas no momento. Tinha que manter o pensamento firme em sua missão. No sucesso e na conclusão da missão.

Após decidir que era hora de continuar, Sheva subiu na moto.

Seu destino estava próximo.

Quando Sheva avistou os prédios e entrou pela avenida principal, ela diminuiu com cautela. Era difícil passar pela rua com uma velocidade alta, pois os carros atrapalhavam a passagem. A calçada não era uma opção viável, e o único jeito era cruzar os carros e tentar passar.

O lugar estava silencioso, os prédios refletiam a sombra causada pelo Sol, dando ao lugar um tom sombrio.

Sheva não parou. Olhava para os lados e para trás o tempo todo. Chegou a retirar uma Desert Eagle de um de seus cintos utilitários, segurando-a junto ao guidão da moto.

Segundo fora indicado por seu superior, Sheva deveria encontrar o doutor Badal Pavan, um cientista indiano renomado, que poderia servir de grande ajuda para a contenção do T-Vírus. O homem estaria num laboratório subsolo de um edifício clínico.

O prédio não era difícil de ser notado. Era branco, talvez um dos maiores que havia por ali, e Sheva o identificou assim que o viu.

Sheva parou bruscamente quando notou algo estranho. Ela estava a poucos metros do edifício, talvez vinte, e transitando em frente ao grande prédio, ao menos cinco zumbis se arrastavam sem destino. Pareciam rondar a entrada do local.

A mulher desceu da moto, e agachada, puxou da parte de trás do cinto uma espécie de cilindro de metal. Ela o encaixou em sua Desert Eagle. Sorrateiramente, ela andou, ainda agachada, até um carro próximo. Ela não queria ser vista e nem chamar atenção para si. Observou a sua volta antes de, por cima do capô do carro, mirar em um dos zumbis.

Primeiro Tiro. O silenciador abafou o som, como seu trabalho, e a bala acertou em cheio o perfil da cabeça de um dos zumbis que vagava. Um baque surdo foi ouvido quando o corpo do morto-vivo caiu inerte no chão.

Ela ajeitou a arma em suas mãos, mirando mais à direita. A próxima vítima percebera o ocorrido, se arrastando para onde o corpo do zumbi se encontrava.

Sheva acompanhou o corpo se arrastando para chegar ao outro lado.

Segundo tiro. O barulho surdo do projétil saindo em direção ao zumbi foi abafado. O zumbi se desequilibrou para o lado. Sobras de vidro se estilhaçaram pelo chão quando a bala acertou o que restara da porta do prédio. O tiro apenas raspara na cabeça do zumbi.

– Droga. — Sheva se sentou no chão de costas para o carro, por instinto, temendo que um dos zumbis tivesse acompanhado de onde viera o tiro. Levou um susto.

Sem perceber, um zumbi sem a parte inferior do corpo estivera se arrastando até ela, e agora estava a poucos metros da mulher.

O morto-vivo tinha a pele cinza, cabelos ralos na cabeça, e, enquanto vivo, devia ter seus quarenta anos. Estava ferido. Talvez tenha acontecido antes da transformação.

Com o braço esticado, o morto-vivo agarrou o tornozelo esquerdo da mulher. Já estava com a boca aberta, soltando grunhidos estranhos.

Num movimento rápido, Sheva apoiou as mãos no chão e girou o quadril para a esquerda, desferindo um chute com o pé direito no rosto do zumbi. Ela completou o giro, ficando de costas para o zumbi. Com o tornozelo preso, deu um chute para trás, acertando o queixo do zumbi que, desnorteado, foi soltando aos poucos o tornozelo da mulher.

Sheva rapidamente se afastou do zumbi, ainda agachada. O morto-vivo estava se arrastando novamente em sua direção.

Segurando a arma com as duas mãos, mirou seu tiro certeiro no centro da cabeça da aberração.

A cabeça pendeu para o lado e caiu, junto a resto do corpo, no chão.

Ofegante, Sheva não se surpreendeu quando lembrou que havia outros três zumbis e, olhando por debaixo dos carros, pode ver os pares de pernas. Os corpos mortos estavam dando a volta no carro, atrapalhados, procurando pela confusão.

Ainda observando os pés aos tropeços, Sheva foi pelo caminho contrário, também contornando o carro. Ela se levantou, com os braços estendidos, mirando os mortos-vivos.

Um. Dois. Três.

Sem hesitar, ela atirou. Não deu muita distância. Não queria cometer outro erro. Num intervalo menor que um segundo, os tiros acertaram as cabeças dos zumbis, que caíram, um por cima do outro, no asfalto da avenida.

Sheva se aproximou dos corpos, tirando o corpo que estava sobre os outros de cima, se certificando do trabalho. Ainda restavam em torno de cinco balas na arma.

Sem esperar por mais surpresas, ela virou de frente para o prédio. Caminhou numa velocidade média, sem medo. Olhava uma ou duas vezes para os lados, mas não parou para se certificar de nada. Já perdera um tempo precioso. Cada segundo era precioso num mundo onde reinava a devastação.

Quando ela passou pelo portal, deu um longo suspiro. Sob seus pés, os vidros se desfaziam em pedaços microscópicos.

Ela adentrava o hall do prédio, e seu destino era o subsolo.



Notas finais
Espero comentários.
;)