Notas iniciais
Bom, até agora só registrei um leitor, mas tudo bem. Vou continuar postando.
;)

Sheva analisava o hall. Olhava atentamente ao seu redor, cada porta que parecia suspeita. Mantinha sua arma em punhos, sempre atenta.

Pisava cautelosamente pelo chão. Além dos estilhaços de vidro, objetos e alguns corpos estavam pelo chão. Ela conferira, e não corria riscos de ser surpreendida novamente por alguma mutação do T-Vírus. Não ali.

Andou até o balcão de atendimento, onde algumas gavetas com documentos estavam entreabertas. Ela procurou por algum nome conhecido. Nenhum. Procurou pelo nome do doutor, Badal Pavan. A única coisa que ela havia achado sobre ele era uma ficha pessoal. Continha apenas alguns dados.

A mulher ajeitou uma mecha de cabelo que havia escapado da trança para trás da orelha e continuou a andar. Deu a volta no balcão, indo em direção ao canto esquerdo do hall, próximo ao elevador, onde uma escada de emergência poderia a conduzir para o subsolo, onde teria sido indicado que o homem estaria.

Sheva apontou sua arma para a porta. Pela fresta, não se via muito. A única iluminação era a do próprio Sol, que entrava pelohall, onde as portas de vidro estavam quebradas.

Se armando de uma pequena lanterna que ela trazia consigo, Sheva apontou, tanto a arma como a lanterna, para a porta. Ela se aproximou cada vez mais, vagarosamente.

Estendendo a perna, a mulher empurrou a porta. Um baixo rangido foi ouvido inicialmente, mas logo após a porta ser aberta por completa, era visível que nada próximo a havia visto ou ouvido.

Como toda porta de emergência, assim que Sheva retirou calmamente a perna da porta, ela começou a se fechar. A mulher empurrou de volta e foi para frente, encostando o corpo contra a porta, mantendo-a aberta enquanto mirava a fraca luz artificial da lanterna para o lance de escadas em frente, que levava aos andares inferiores, e à direita, onde se podia ir para os andares superiores.

Nada de incomum havia ali.

Para manter a porta aberta, Sheva conseguiu puxar, com o pé, um extintor que estava no chão próximo a ela. Colocou o objeto de pé, parecia ainda não ter sido utilizado. Seria o suficiente para segura a porta aberta, o que ajudaria um pouco, trazendo a luz do Sol para dentro.

Sheva andou até o começo do lance de escadas. Lenta e sorrateiramente, ela começou a descer. Estava atenta, mantinha a arma apontada para qualquer perigo que poderia vir a aparecer em sua frente. A lanterna continuava acesa. Após descer o primeiro lance, Sheva olhou virou abruptamente para a direita. Nenhuma surpresa. Olhou para trás novamente, para se certificar. Nada. A porta ainda continuava aberta. Começou a descer o segundo lance. A escuridão à sua frente parecia morrer à medida que ela avançava e a fraca luz da lanterna aparecia.

No final do segundo lance de escadas, Sheva parou abruptamente. Levara um grande susto.

De repente, as luzes da escadaria de emergência — e pelo que ela podia ver, da porta em sua frente — se acenderam. Sheva não havia notado, mas por pouco não pisou num corpo no chão. O sangue parecia estar fresco.

Raciocinando rapidamente, Sheva desligou a lanterna, guardando-a novamente junto com a arma após que a mesma foi separada do silenciador. Retirou, doscoldres direito e esquerdo da cintura umaMac-10.

Empunhando uma arma em cada mão, a mulher se aproximou da porta, que se encontrava em sua diagonal direita.

"Tem alguém aqui, e está vivo. Droga, vão sequestrar o médico. Quem está querendo fazer isso? Não posso deixar que aconteça." — Pensou a mulher.

Colocando o menos possível a cabeça para fora da porta que estava entreaberta — o mais provável é que estava quebrada e que o dispositivo que a mantinha fechada não estava funcionando -, Sheva olhou o mais discretamente possível. As luzes da primeira sala, e provavelmente das demais, estavam acesas. Alguém havia encontrado o gerador elétrico do prédio, e pelo visto, estava funcionando.

Ela tinha que correr. Quem quer que fosse, o mais óbvio é que estaria atrás do médico.

Segundo informações, Badal Pavan estaria escondido ali, no corredor a direita, terceira porta, no laboratório.

Na verdade, ele estaria numa sala secreta, dentro desse laboratório.

Sheva se agachou, entrou lentamente, esperando ver alguém. Ninguém.

Ela se levantou rapidamente, olhou a sua volta. Mantinha os braços estendidos, pronta para atirar.

Adiante, barulhos foram ouvidos.

Primeiro, algo caindo no chão, vidros se partindo. Depois, tiros. Novamente, mais objetos caiam e se quebravam no chão, e a seguir, mais tiros.

Sheva rapidamente se pôs a correr, ela ia em direção ao corredor direito, de onde todo o barulho vinha. Na terceira porta.

Assim que virou o corredor, parou. Ela deu um pulo novamente para trás da parede, se escondendo.

Os poucos segundos em que teve para ver, foram suficientes. Uma mulher de cabelos curtos e escuros empunhava uma única arma, uma nove milímetros, talvez.

Ela estava de perfil, e apontava a arma para dentro da sala, onde continuava atirando. Porém, o que Sheva notou principalmente foi o traje em que a mulher estava. Ela vestia um longo vestido, era um vinho desbotado. Havia um corte, na parte direita visível, onde mostrava claramente a perna da mulher até um pouco abaixo da cintura. Podia-se ver também um coldre.

A mulher provavelmente não teria notado Sheva, que no momento, pensava o que diabos uma mulher estaria fazendo ali vestida daquele jeito e do que, pelos barulhos, ela estaria fugindo.

Quando os tiros pareciam ter parado, Sheva colocou a cabeça no corredor. A mulher corria, seguia adiante no corredor. Poucos segundos depois, outra coisa assustou Sheva, o que saiu da sala.

Era um tipo de mutação. Sheva nunca havia visto uma daquelas pessoalmente, mas na pauta de suas missões, dentre o que ela poderia encontrar, aquela que ela agora via estava incluída. Era um Licker.

"Cego, mas com a compensação da audição aumentada. Garras grandes e poderosas, e uma língua nojenta." — Sheva repassou umas poucas informações sobre a mutação mentalmente, enquanto as outras ela podia saber só de olhá-lo.

O Licker era horrível, monstruoso para não dizer menos. Depois de muitas transformações, o monstro parecia ter chegado ao seu ápice. Ele era praticamente um quadrúpede, tendo nas duas patas da frente grandes garras. Não havia pele sobre seu corpo, apenas um tecido muscular que cobria toda a região corporal. Os mesmos músculos e tendões envolviam quase toda parte do corpo, dando uma aparência de cor avermelhada e horrível de se observar.

A mutação não enxergava, não tinha olhos. Porém, como um tipo de compensação, sua audição era perceptiva aos menores barulhos. Sua boca, cheia de dentes afiados, abria sempre que queria sentir no ar o cheiro de algo, e de dentro, uma grande língua saía, brincando no ar.

Uma das partes mais estranhas da criatura era o fato de seu cérebro não ser protegido por nenhum tipo de crânio. O órgão era visível na parte superior da cabeça, dando a impressão que a cabeça toda fosse o cérebro, porém só a parte no topo da cabeça fosse visível.

Era óbvio concluir que o esqueleto fora mutado junto com o corpo, por completo, alterando e até excluindo ossos de toda parte.

O Licker então começou a seguir a mulher de vestido. Ele "andava" estranhamente, parecendo quase se arrastar.

Sheva não teve tempo de pensar muito, ou ajudava a mulher a matar a criatura, ou deixava que a criatura matasse a mulher, o que a faria ficar sem informação alguma sobre quem era ela.

Ela entrou novamente pelo corredor. A mulher de vestido havia olhado para trás para atirar no Licker, foi quando ela a viu.

Sheva mirou no Licker que estava alcançando a mulher. Deu alguns tiros. Demorou um pouco, mas a criatura notou e se virou para ver o que se passava.

Ela deu mais alguns passos, mas já parou. Com as duas mãos, ela puxou de algum lugar de trás da calça duas granadas de cor vermelha.

A criatura agora começava a se aproximar de Sheva. A mulher de vestido deveria ter entendido o plano, porque assim que viu as granadas na mão de Sheva, puxou, do lado do corte do vestido, uma granada de aspecto igual.

O vestido esvoaçava enquanto ela corria novamente, agora em direção ao Licker. Ela apontava a arma e atirava, deixou uma distância entre os dois, quando parou.

Sheva puxou o pino das granadas com a boca, e uma seguida da outra, jogou na criatura. Começou a correr de costas, enquanto atirava em direção ao cérebro do monstro.

A mulher de vestido fez o mesmo. Puxou o pino da granada e a jogou contra o monstro enquanto continuava a descarregar a arma.

O resultado, apesar de não ter sido conclusivo, foi de grande ajuda.

Uma explosão de luzes vermelhas atordoou a criatura. O fogo se espalhava pelo corpo dele, o que não o impediu de investir contra Sheva.

A mulher de vestido recarregava sua arma, e Sheva continuava a ir para trás, tentando atirar na cabeça do monstro.

Haviam acabado as balas do cartucho. Sheva jogou as armas contra a parede à sua esquerda, puxou do coldre da perna a Desert Eagle, e das costas, puxou um tipo de bastão. Era um Stun Rod.

A mulher apertou algum tipo de botão na base do bastão, que começou a emitir ondas de energia elétrica.

O Licker estava próximo a ela, e não havia muito o que fazer. Era arriscar.

A mulher do vestido também estava correndo contra o Licker, tinha voltado a atirar, o que fez a criatura dar as costas para Sheva, soltando um grunhinho de dor, e atacar dessa vez, a outra mulher.

Sheva não esperava pela brecha, mas aproveitou o máximo que pode. Continuou a correr contra o monstro. A mulher deu um salto para cima do Licker, desferindo um tiro contra a cabeça do monstro, caindo próximo ao mesmo, onde desferiu um golpe com o bastão, distribuindo carga elétrica no corpo dele.

Pulando para o lado, passou perto de um arranhão que o Licker desferiu, mas rapidamente Sheva apontou a arma novamente, esvaziando a arma com os quatro tiros que restavam na cabeça do monstro.

O Licker cambaleou para o lado, grunhinho de dor. Sheva desferiu novamente um golpe com o bastão, e a carga elétrica passou pelo corpo do monstro que não aguentou , caindo morto no chão.

Ela respirava ofegante, do bastão ainda pulsavam cargas elétricas, mal percebera que não havia tirado o dedo do acionador. Levantou com calma, quase havia esquecido da tal mulher de vestido, quando, ouvindo o barulho dos sapatos, olhou para frente.

– Sheva Alomar? — Disse a outra, tinha sua mão armada baixa, estava numa postura apoiada numa das pernas, com a mão na cintura.

– Quem é você? — Sheva havia guardado a arma, o bastão ainda estava em mãos, sem estar acionado, quando ela passou a mão pela testa, limpando o suor do rosto e jogando alguns fios que grudaram na testa para o lado.

– O doutor não está aqui.



Notas finais
Por favor, não deixem de comentar.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.