Resident Evil - Begins
2 I - Valentine
Notas iniciais

Capitulo I — Valentine
Jill estava com o rosto sério, analisando novamente na sua cabeça o plano do assalto que faria naquela tarde ensolarada. Dick Valentine, seu pai, estava apostando alto nesse roubo que planejara junto com sua filha, no seu esconderijo, há meses. Tudo teria que se desenrolar perfeitamente, qualquer mínimo erro seria imperdoável. Dick não costumava ser violento, mas era bem briguento, e iria vigiar cada movimento da moça, caso houvesse erros, ele não iria se cansar de repreende-la, para o resto da vida.
Ela parou um segundo de repassar o plano passo-por-passo, para procurar um motivo para fazer aquilo. "Será mesmo que quero passar o resto da vida roubando?" pensou. Logo depois, pensou o "por que" de seu pai participar disso, a única coisa que sabia sobre, era que seu pai havia tido propostas para roubar ainda jovem, no começo era ele e mais alguns amigos. Mas ele foi o único a se safar. E ao invés de mudar de vida ao ver seus amigos com finais trágicos, decidiu continuar, pois, ele se sentia um Deus do roubo. Seguindo sua linha de raciocínio, no qual ele sempre escapa, podia ser verdade. Dick era talentoso no que fazia, e Jill seguia majestosamente os seus passos. Mas ela não sabia se podia ser igual seu pai, uma criminosa. Certo que seu pai não era perigoso, ela sabia que ele carregava uma arma consigo, mas nunca tinha visto ele atirar em uma mosca sequer, muito menos em humanos.
Sobre sua mãe... Bom, ela era uma stripper até Dick fugir com ela para a Carolina do Norte. Ele a amou, e a recíproca era verdadeira, disso ela tinha certeza. Os olhos dele brilhavam quando falava de sua mãe. O nome dela era Margerie Valentine, e morreu quando Jill tinha somente dois anos, deste então era ela e seu pai contra o mundo. Como ele mesmo falava. Ela não lembrava mais que um dia teve uma mãe, muito menos como ela era. "Você tem o corpo de stripper dela, mas o meu rosto de criminosa" respondia Dick, sempre quando Jill perguntava sobre Margerie. Essa resposta nunca satisfazia. Se ela havia uma certeza de algo, era que ela nunca iria ser nenhuma das duas coisas. Ironicamente, ela estava indo roubar um banco.
Só que havia muito mais questões sem respostas.
Sua vida era uma incógnita sem fim, não havia como piorar. Até então.
Era o começo dos anos 90, a jovem estava prestes a completar 18 anos e isso a preocupava. Pelo simples motivo de ela passar a vida inteira se prometendo que iria largar tudo na maioridade. Ela já havia dito repetitivas vezes que não queria roubar, mas ela era mais do que útil. Ainda cedo, ela foi treinada para se defender caso alguém quisesse usa-la para atingir seu pai. E na adolescência, foi treinada com uma profissionalidade tamanha para arrombar os mais difíceis cofres. E ela fez a lição de casa direitinho.
O banco não era muito grande, e ficava afastado do centro. Parecia realmente perfeito... Isso se não houvesse emboscadas.
***
Tudo passou muito rápido. Jill estava na parte de trás da pickup e reparou no movimento suspeito, ela tentou alertar, seu pai advertendo-o em formas de palavras por uma janelinha que dá acesso aos dois lugares do veiculo. Nem deu para contar quantas viaturas tinha na frente do banco, de alguma forma eles sabiam do assalto, era uma armadilha, mas Dick sempre soube se sair dessas situações, ele passou a vida fugindo de coisas como essa.
– Fuja, Jill. — disse Dick melancólico.
– Mas, papai... — começou Jill.
– Eu ficarei bem, corra! — continuou interrompendo sua filha bruscamente.
E foi a última vez que a garota viu seu pai. Ela correu o mais rápido que pode, sem que ninguém notasse, enquanto Dick... Bom, ele teve um jeito amargo de descobrir que não é um Deus. Foi preso com uma ficha criminal enorme, o juiz seria bondoso se decretasse uma prisão com menos de 50 anos, mas esse não era o caso, ele cometia crimes e cospia na cara das autoridades americana a mais de vinte anos, isso era inadmissível.
Dick foi preso, e Jill não estava lá. Era muito para a cabeça dela, ela foi forçada a ter independência ainda jovem e prematuramente, por mais que ela pensasse na possibilidade de sair da casa do pai, ela ainda não tinha certeza. Provavelmente, isso a marcaria para sempre. Sua vida não foi fácil, e agora só iria ser pior.
***
Carolina do Norte, 12 de fevereiro de 1992:
Dick Valentine é preso por tentativa de roubo.
Dick Valentine, um dos mais procurados criminoso no estado da Carolina foi milagrosamente capturado nesta madrugada por tentativa de roubo e mais uma longa lista de crimes.
***
Para Jill, seu mundo havia desmoronado. Seu pai na cadeia e, todos seus bens apreendidos. Seu futuro era incerto e no momento a melhor opção era morrer, ela até pensou em cogitar isso, mas ela foi sensata e voltou seu pensamento em seu pai. Seria ruim estar na cadeia e receber a notícia de que sua filha estava morta.
Ela teria de visita-lo no momento mais oportuno.
Disso havia certeza. Eles eram muitos ligados, e levavam a sério a relação pai e filha, por mais que ele tenha sido algumas vezes ausentes e problemático, ela o amava.
***
Os fatos aconteceram a um pouco menos de uma semana. Já era de manhã quando Jill começara a se trocar para a visita. Ela colocou a roupa mais discreta que achou, prendeu o cabelo... Resumindo, fez tudo o que tinha que fazer. Ela é assim, organizada e centrada, até mesmo para o roubo.
Novamente, ela se focalizou em pensar o que seria da sua vida, durante caminhava nas ruas — que agora pareciam sem cor e sem vida para a jovem — ao destino cruel que Dick enfrentava. Talvez aquilo seja bom para ele, tomar juízo e virar alguém melhor. Mas seria um processo muito pesado para sua filha, as consequências iriam todas para suas costas.
Foi então que ela parou na porta do presídio e suspirou fundo. Também fechou seus olhos por alguns segundos para assimilar bem a situação e não desabar na frente do velho. Passou pela entrada, pelos guardas nervosa, e foi até a sala de visitas com sua autorização. Foi então que localizou seu pai, sentado numa mesa cabisbaixo. Jill Valentine sentiu o gosto amargo da angústia se estabelecer no seu peito e, se aproximou segurando o choro.
– Papai. — disse num tom pouco alto e trêmulo.
– Princesa, perdoa o papai por te fazer passar por isso. — disse Dick realmente arrependido, eles puxaram um lugar e sentaram — Como vai?
– Nada bem, deste tudo que aconteceu. Você longe, os bens apreendidos... Eu tenho poucos dias para sair da casa que vivi minha vida inteira, e não tenho para onde ir. — respondeu Jill, olhando para as mãos.
– Jill, eu tinha quase certeza que nunca seria capturado, mas não é por isso que não tinha um plano B. Preste bem atenção, OK? — Jill acenou — Excelente, assim que você sair daqui, vai ter um parceiro meu te esperando, ele é de confiança, Seu nome é Peter, ele te levará para um propriedade que esta no nome da sua mãe, mas como ela está morta, você é a herdeira direta. Lá tem tudo que você necessitar, até mesmo dinheiro. E tudo que você precisar, Peter vai te orientar ou entrar em contato comigo, e irei ver o que posso fazer. Entendeu?
– Sim. O Peter é um dos nossos? Sabe, criminoso.
– Primeiramente, eu sou um criminosos, não você. E respondendo: não, ele é um amigo de infância, ia dar-lhe como afilhada, mas acabamos nos afastando. Ele é melhor do que eu — esclareceu
– Não diga isso, papai — disse a moça angustiada.
– Jill, minha princesa. Eu não sou exemplo para ninguém, e por isso quero que coloque uma coisa na cabeça: "Um Valentine na cadeia, já é o suficiente!". Por isso vá fazer algo melhor pelo o mundo. Pelo o seu velho, querida. — encerrou Dick com uma lição de moral. A cadeia tinha o mudado mesmo. Nunca na vida Jill tinha visto seu pai lhe dando lição de moral, e nem chamado a si próprio de velho. — E tem outra coisa. Não quero que esteja aqui para ver meu veredito. Isso é uma ordem.
Ela até pensou em falar algo, mas as palavras "Isso é uma ordem" ecoaram na sua cabeça. Ele a pegou num ponto fraco, ela nunca desrespeita uma ordem, principalmente do seu pai.
O tempo de visita havia acabado. E foi como se o tempo ao lado do pai acabara para sempre, ela não tinha certeza se podia se desgrudar do pai. Jill Valentine, tinha uma grande ligação com ele, era sua única figura de família. Ela levantou e deu um abraço forte em Dick, e tentou novamente não chorar quando estava quase virando as costas e indo. Quando fez isso, ela não olhou para trás.
Maio, 1992...
Jill Valentine estava prestes a completar a maioridade quando decidiu entrar para o exército, faltava apenas um dia para seu aniversário. E ela daria a notícia de sua decisão a seu pai exatamente nesta data, vai ser na cadeia — com um pedaço de bolo — que contará tudo a Dick, e espera seu apoio.
Deste de sua primeira visita, Jill nunca faltara a um encontro ao seu pai, ela queria que sua "estádia" fosse menos solidária, do que realmente era. Deste então, quem ficava sozinha era ela, de vez em quando, Peter aparecia com sua esposa e filha (três anos mais nova). E no final, estava indo para encontrar seu pai, sempre que podia, para fugir da própria solidão. Mas pela primeira vez em algum tempo escolheu tomar uma decisão, não por si mesma, mas com a idéia inicial de Dick, ela escolhera a Força Delta. Lá ela se especiaria em outras habilidades e usaria as de conhecimento para ajudar o povo do seu país.
Porém, entre todas estas coisas, uma coisa afligia a moça: como seu pai absorviria esta informação? Principalmente, porque ela não poderia o ver sempre. Ele sofreria muito, e assim ela também sofreria. Ele era o único homem que realmente se importava, não que nunca teve homens em sua vida, afinal, Jill era estonteantemente linda, (de rosto rosto principalmente). Mas nenhum deles ficaram marcados para valer na sua vida, sem grandes amores, mas cercada de fortes emoções. E achava que sua vida continuaria assim para até o fim.
Pensara nisso em toda a viagem. Peter se prontificou a leva-la até a cadeia em seu carro no dia seguinte. Ambos sentaram no banco da frente mas não houve muita conversa, só a velha e monótonas perguntas feitas por educação. Seu "padrinho" era muito gentil, mas gostava de ficar na dele.
Quando se esta ocupada pensando, não percebe-se que o caminho é longo. No seu colo tinha um pedaço de bolo, que ela rezou estar bom, e que também desejou comer e comemorar com seu pai o mais agradavelmente. Seria uma missão difícil, mas teria que se acostumar com aquilo. Afinal, ela entraria para o exercito. Quando Jill chegava, todo mundo já a cumprimentava, ela era filha de uma ladrão respeitado. E também uma filha dedicada ao pai que ia visita-lo sempre. Sempre vestia-se discretamente, o ambiente nunca iria pedir algo extravagante.
– Papai! — disse Jill, sozinha, o velho amigo de seu pai decidiu esperar no carro. — Trouxe bolo para comer contigo, como de costume.
– Oh, minha princesa agora é uma princesa de maior. — esclamou Dick em voz alta. Agora parecia menos feliz, menos seguro, menos... Imortal. — Estou tão feliz em ve-la!
– Eu também papai. Eu sinto sua falta cada vez mais. — disse quase choramingando.
Dick olhou profundamente em seus olhos azuis, que tem a mesma doçura que tinha da sua esposa Margerie. Engoliu seco e disse: — Jill, vamos comer logo o bolo antes que a hora da visita acabe. OK? — Ela acenou. Num gesto rápido abriu o pote que continha o bolo, ambos comeram ali mesmo no pote, compartilhando e rindo, como se nada tivesse mudado. — Estava ótimo, querida. Foi você mesma que fez?
– Foi, e essa não é a única surpresa do dia. — parou e analisou a reação de Dick, para depois continuar. — Pai, eu andei pensando no que você falou e,... Vou entrar para a Força Delta.
Houve um silencio incômodo do local. Mas por alguns segundos.
– Filha, até meses passado se você me falasse isso eu ia gritar falando "Você tá maluca? Uma Valentine do lado da lei? Só deve ser piada!". Mas hoje vejo que estar do lado da lei é melhor que viver sem sua liberdade. Você tem meu apoio. — seu tom tinha uma surpreendente emoção.
– Ai, pai. Muito obrigada! — agradeceu já levantando da cadeira para abraça-lo.
***
Dezembro,1997
Jill iria sair do exército. Ela e sua outra equipe, seu tempo ali era temporário, e já havia passado. Haveria uma comemoração, e com ajudinhas de algumas autoridades — que conquistara durante a estádia nova — Dick conseguiu um passe livre para assistir sua filha ganhar uma medalha de mérito, claro que estaria algemado a um policial e cercado de mais meia duzia deles. Mas ele já não era o mesmo homem.
Depois disso também, Jill mudaria de Estado e iria parar no Departamento dos S.T.A.R.S., em Raccoon City. Não era, obviamente, do outro lado do país, mas Dick havia feito um certo drama contra isso. Mas tudo estava certo.
Em 1998 (que seria dentro de alguns dias) Jill mudará para lá, ainda em janeiro, e se apresentará para "Um tal de Capitão Wesker" e iria esperar sua autorização para entrar no time. E claro que isso aconteceria, todos nós sabemos disso, não só por ela ser habilidosa, mas por estar escrito todo o seu destino...
Fale com o autor