Residencial Casablanca – Apto 46
4 Capítulo 4
O dia no hospital foi anormalmente tranquilo, e Carolina não estava exausta ao ir para casa. Então, já que Rodrigo passaria a noite com ela, ela resolveu dar um trato no visual e pedir uma pizza para o jantar.
Depois de se maquiar e colocar um vestido bem levinho e florido, ela abriu uma garrafa de vinho, se serviu de uma taça e se sentou na sala para ver um pouco de tv enquanto o namorado não chegava.
Colocou em uma reprise de Friends e estava distraída vendo Phoebe tentar seduzir Chandler para pegar ele no pulo e ele admitir que namorava Monica, quando pelo canto dos olhos, ela viu uma sombra correr para seu quarto.
Ela levanta assustada e vai devagar em direção ao quarto, lentamente estende a mão apara acender a luz e dá um tapa na tomada e a luz forte ilumina o quarto e ela não vê nada. Tudo está no lugar, tudo tranquilo.
E ela ouve a porta abrir e suspira aliviada que Rodrigo chegou.
— Ei, Carol, cheguei! – Rodrigo chama da porta.
— Oi, demorou um pouco, muito trabalho na emergência agora a noite? – ela se aproxima para abraçar Rodrigo.
— Sim, um acidente com um motoqueiro, o cara estava todo quebrado, foi difícil, mas conseguimos salvá-lo. – diz Rodrigo se aproximando para beijá-la.
Um estrondo soa no corredor e eles pulam de susto.
— Que porra foi essa? – Rodrigo diz indo em direção a porta para abrir e olhar o corredor.
Ele abre a porta e um frio intenso invade o apartamento.
— Tem ar-condicionado no corredor? – pergunta Rodrigo – Que frio é esse? – ele treme e olha para os lados e corredor está vazio.
Ele encosta a mão no batente e a porta fecha com violência.
Rodrigo pula e por um centímetro, sua mão não fica presa pela porta.
— Que diabo foi isso? – ele chocado olha para porta.
Pálida, Carolina se aproxima do namorado e o abraça apertado e conta o que anda acontecendo no apartamento nos últimos dias.
— Você procurou a história na internet a história do apartamento?
Carolina nega com a cabeça.
— Eu fiquei com medo, – ela confessa — eu estava esperando você estar aqui para pesquisar.
Rodrigo a aperta e a leva para o sofá. Ele pega o celular e coloca na pesquisa: Residencial Casablanca – Apto 46
E aparecem várias manchetes à partir de 1975, falando sobre o prédio e o apartamento 46.
Suicídios, assassinatos, pessoas enlouquecendo, moradores que saíram dali e nem foram buscar seus pertences.
E em cada caso, os relatos eram os mesmos:
Primeiro a visita de uma velha senhora.
Móveis mudando de lugar.
Manchas em forma de corvo.
Frio intenso.
Mancha de corvo montado em um crânio.
Risos, batidas, gritos, alucinações, e por fim, a visão de um homem de capa preta com um corvo no ombro.
Carolina sobe no colo de Rodrigo e diz para ele.
— Rodrigo, algumas dessas coisas já aconteceram, – ela diz apavorada — Eu achei que estava ficando doida. Mas, é real!
Rodrigo a abraça e diz.
— Calma, amor – ele tenta raciocinar — Vai ver você viu essa matéria quando era mais nova e não lembra.
Carolina olha para ele e pergunta.
— E aquele frio que você acabou de sentir no corredor? – ela levanta a sobrancelha — Você leu em algum artigo também? Porque você também sentiu.
Rodrigo ri e a aperta.
— Vai ver foi só uma frente fria, não vamos enlouquecer, ok? – ele beija sua testa — Vamos jantar, ver um filme e cama. Amanhã, isso tudo vai parecer uma bobagem, tenho certeza.
Mas, intimamente Rodrigo também estava assustado e decidiu que passaria uns dias ali com Carolina.
Eles jantam, assistem uma comédia e vão para cama.
Eles transam e dormem profundamente.
Carolina acorda assustada sentindo alguém observá-la. Ela sacode Rodrigo para acordar o namorado e vê aos pés da cama, dois olhos vermelhos a olhando fixamente.
Ela grita:
— Rodrigo!!
Ele pula assustado e olha para Carolina em pânico.
— O que foi? – ele olha em volta — Está machucada?
Ela aponta para os pés da cama. Rodrigo olha e vê por um segundo os olhos vermelhos antes deles desaparecerem.
— Que porra era aquela? – ele corre e acende a luz.
E na parede, a macha do corvo está lá, enorme dessa vez e os olhos do corvo são vermelhos e no fundo, atrás da caveira em que ele está empoleirado, está a imagem de um homem com um longo sobretudo.
Fale com o autor