Rodrigo começa a colocar as roupas e diz a Carolina.

— Arruma uma bolsa, vamos agora mesmo para minha casa.

Carolina nem hesita, já corre para se vestir também e arrumar uma mala para uns dias.

Eles saem do apartamento e o corredor está novamente frio como gelo, eles apressam e passo e uma sombra começa a persegui-los e eles não notam.

No carro, eles jogam as bolsas no banco de trás e Rodrigo sai dali o mais depressa possível.

No apartamento de Rodrigo, Carolina começa a respirar mais aliviada e pensa: Finalmente estou segura.

Rodrigo a abraça e fala.

— Vamos dormir que amanhã precisamos estar cedo no hospital, quando voltarmos para casa, pensaremos no que fazer. Eu tenho uma amiga que é espírita, vou conversar com ela sobre isso tudo e ver o que ela pode fazer por nós.

— Nós? – Carolina pergunta.

— Sim, nós. — Rodrigo a beija ternamente — Você é parte de mim agora, Carolina, tenho certeza que nosso amor será para sempre, então sim, nós. – ele sorri largamente e ela o abraça e pula no colo dele e eles vão para o quarto.

No dia seguinte, os dois vão juntos para o hospital e se separam na recepção, antes de ir para seu posto, Rodrigo fala.

— Vou ligar para minha amiga, Luana, espero que ela nos dê uma luz sobre o que fazer.

— Tudo bem, como eu provavelmente vou sair mais cedo que você, então eu vou para meu apartamento e te espero lá.

— Tem certeza que ficará bem lá sozinha? – Rodrigo pergunta preocupado.

— Sim, – afirma Carolina — Eu estou com medo, claro que estou, mas não posso abandonar minhas coisas assim só porque um fantasma abusado acha que pode mandar na minha casa.

Rodrigo e ri a beija sua testa.

— Tudo bem, eu devo sair uma hora depois de você, então não vamos ficar muito tempo separados. – Rodrigo diz — E espero que Luana possa nos encontrar lá hoje mesmo.

— Espero que ela vá sim. – Carolina diz — Bom, vou lá trabalhar, fantasma ainda posso enfrentar, ficar desempregada não.

Rodrigo ri e vai para seu lado do hospital.

Horas de trabalho depois e os pés de Carolina estão implorando por um descanso. Com uma virose louca solta pela cidade, a emergência estava lotada e ela passou o dia correndo de um lado para outro. Estava louca por um banho e colocar os pés para cima.

E claro, jogar cloro puro naquele corvo do capeta que cismava em aparecer na sua parede.

Carolina se questionava se estava ficando doida, pois só doido para voltar para casa com aquele treco aparecendo direto na parede. Mas, ela achava injusto largar tudo que ela sempre sonhou por causa de uma assombração.

Afinal, assombração não gostava de mansão? Estava em casa de pobre porquê? Injustiça demais isso!

Carolina para em frente ao prédio e respira fundo.

— Oi, Deus, sou eu, Carolina. Sei que ando meio relapsa com o Senhor, mas, dá para me dar uma mãozinha aqui? Faz esse fantasma procurar a turma dele, me deixar em paz? Eu amo meu apartamento e não quero ficar sem ele. Então Deus, uma ajuda, por favor? Amém.

Ela entra no prédio e vai subindo as escadas quase correndo e chega ofegante em seu apartamento. Entra e parece tudo tranquilo, ela vai devagar em direção ao quarto e vê quê o corvo que estava na parede, sumiu.

— Deus, o Senhor foi rápido, obrigada! – diz Carolina pulando feliz.