O dia no hospital foi anormalmente tranquilo, e Carolina não estava exausta ao ir para casa. Então, já que Rodrigo passaria a noite com ela, ela resolveu dar um trato no visual e pedir uma pizza para o jantar.

Depois de se maquiar e colocar um vestido bem levinho e florido, ela abriu uma garrafa de vinho, se serviu de uma taça e se sentou na sala para ver um pouco de tv enquanto o namorado não chegava.

Colocou em uma reprise de Friends e estava distraída vendo Phoebe tentar seduzir Chandler para pegar ele no pulo e ele admitir que namorava Monica, quando pelo canto dos olhos, ela viu uma sombra correr para seu quarto.

Ela levanta assustada e vai devagar em direção ao quarto, lentamente estende a mão apara acender a luz e dá um tapa na tomada e a luz forte ilumina o quarto e ela não vê nada. Tudo está no lugar, tudo tranquilo.

E ela ouve a porta abrir e suspira aliviada que Rodrigo chegou.

— Ei, Carol, cheguei! – Rodrigo chama da porta.

— Oi, demorou um pouco, muito trabalho na emergência agora a noite? – ela se aproxima para abraçar Rodrigo.

— Sim, um acidente com um motoqueiro, o cara estava todo quebrado, foi difícil, mas conseguimos salvá-lo. – diz Rodrigo se aproximando para beijá-la.

Um estrondo soa no corredor e eles pulam de susto.

— Que porra foi essa? – Rodrigo diz indo em direção a porta para abrir e olhar o corredor.

Ele abre a porta e um frio intenso invade o apartamento.

— Tem ar-condicionado no corredor? – pergunta Rodrigo – Que frio é esse? – ele treme e olha para os lados e corredor está vazio.

Ele encosta a mão no batente e a porta fecha com violência.

Rodrigo pula e por um centímetro, sua mão não fica presa pela porta.

— Que diabo foi isso? – ele chocado olha para porta.

Pálida, Carolina se aproxima do namorado e o abraça apertado e conta o que anda acontecendo no apartamento nos últimos dias.

— Você procurou a história na internet a história do apartamento?

Carolina nega com a cabeça.

— Eu fiquei com medo, – ela confessa — eu estava esperando você estar aqui para pesquisar.

Rodrigo a aperta e a leva para o sofá. Ele pega o celular e coloca na pesquisa: Residencial Casablanca – Apto 46

E aparecem várias manchetes à partir de 1975, falando sobre o prédio e o apartamento 46.

Suicídios, assassinatos, pessoas enlouquecendo, moradores que saíram dali e nem foram buscar seus pertences.

E em cada caso, os relatos eram os mesmos:

Primeiro a visita de uma velha senhora.

Móveis mudando de lugar.

Manchas em forma de corvo.

Frio intenso.

Mancha de corvo montado em um crânio.

Risos, batidas, gritos, alucinações, e por fim, a visão de um homem de capa preta com um corvo no ombro.

Carolina sobe no colo de Rodrigo e diz para ele.

— Rodrigo, algumas dessas coisas já aconteceram, – ela diz apavorada — Eu achei que estava ficando doida. Mas, é real!

Rodrigo a abraça e diz.

— Calma, amor – ele tenta raciocinar — Vai ver você viu essa matéria quando era mais nova e não lembra.

Carolina olha para ele e pergunta.

— E aquele frio que você acabou de sentir no corredor? – ela levanta a sobrancelha — Você leu em algum artigo também? Porque você também sentiu.

Rodrigo ri e a aperta.

— Vai ver foi só uma frente fria, não vamos enlouquecer, ok? – ele beija sua testa — Vamos jantar, ver um filme e cama. Amanhã, isso tudo vai parecer uma bobagem, tenho certeza.

Mas, intimamente Rodrigo também estava assustado e decidiu que passaria uns dias ali com Carolina.

Eles jantam, assistem uma comédia e vão para cama.

Eles transam e dormem profundamente.

Carolina acorda assustada sentindo alguém observá-la. Ela sacode Rodrigo para acordar o namorado e vê aos pés da cama, dois olhos vermelhos a olhando fixamente.

Ela grita:

— Rodrigo!!

Ele pula assustado e olha para Carolina em pânico.

— O que foi? – ele olha em volta — Está machucada?

Ela aponta para os pés da cama. Rodrigo olha e vê por um segundo os olhos vermelhos antes deles desaparecerem.

— Que porra era aquela? – ele corre e acende a luz.

E na parede, a macha do corvo está lá, enorme dessa vez e os olhos do corvo são vermelhos e no fundo, atrás da caveira em que ele está empoleirado, está a imagem de um homem com um longo sobretudo.