Carolina olha para a porta assustada e respira fundo.

— Que diabos foi isso? – ela diz em voz alta assustada.

E neste momento, ela jura ouvir uma risada ecoando pelo corredor.

Ela rapidamente se afasta dali e liga para a mãe.

— Oi, mãe. – ela diz com a voz trêmula — Tudo bem por ai?

— Tudo tranquilo, minha filha, – Marília diz — Está tudo bem? Sua voz está estranha. – pergunta a mãe assustada.

— Nada não, mãe, – Carolina despista — Só me deu saudades da senhora e do povo de casa.

— Tem certeza? Não quer que eu e seu pai vá até aí? – Marília pergunta — chegamos em 5 minutos.

— Não, mãe! – Carolina um pouco envergonhada de seus medos — Não precisa, só queria ouvir sua voz mesmo, estou bem.

— Tem certeza? – a mãe questiona — 5 minutos, é só falar.

— Sério, não precisa. – Carolina diz — Vou secar meu cabelo agora, comer alguma coisa e dormir, o dia foi corrido.

Marília suspira do outro lado da linha.

— Se tem certeza, tudo bem. – e ela reforça — Mas, se precisar de nós, não hesite em chamar. Pode ser qualquer hora.

— Eu sei, mãe, – Carolina emocionada com o carinho da mãe — Te amo, mãe, manda beijo pro pai e para as crianças.

— Pode deixar, – Marília fala com voz suave — te amo também, filha, se cuida.

Carolina desliga e olha para a porta ressabiada e se aproxima dela e olha para o corredor pelo olho mágico. E vê uma sombra se arrastando para longe da porta dela.

Ela pula assustada e corre para o quarto, fechando a porta.

Depois de uma noite mal dormida, Carolina se levanta e vai direto para o banheiro para tomar um banho para despertar e afastar o mal-estar que ficou em seu corpo depois da noite passada.

Quando ela senta em frente a penteadeira para se maquiar e arrumar o cabelo, nota que a mancha voltou, e agora além do formato do corvo, ele parece estar sobre uma caveira.

Ela rapidamente pega de novo e o tira limo e espirra na mancha e limpa furiosamente.

Depois que tudo some ela fica parada olhando fixamente para a parede assustada.

— O que está acontecendo aqui? – ela murmura

Ela termina de se arrumar e sai para trabalhar, aliviada que Rodrigo vai passar a noite com ela, porque por mais que ela tente não se deixar pelo medo, o pânico está se instalando dentro dela.

— Tudo vai ficar bem, eu só não estou acostumada a ficar sozinha, é isso. – ela murmura enquanto tranca a porta do apartamento.

Descendo pelas escadas ela encontra uma moça mais ou menos de sua idade descendo também e ela a cumprimenta.

— Bom dia. – diz Carolina sorrindo para a moça.

— Bom dia, – a moça estende a mão — oi, sou Sabrina, eu moro no 52.

— Carolina, eu mudei para o 46 há uns dias.

— 46? – Sabrina diz com olhos arregalados — Corajosa!

— Corajosa? – Carolina pergunta confusa — Corajosa por que? – ela pergunta.

— Ah, a corretora não te contou? – Sabrina diz chocada — O 46 ficou fechado por quase uns 20 anos, ninguém conseguia morar ali, diziam ouvir coisas, móveis se movendo sozinhos, manchas na parede... Ninguém durava muito morando ali, até que a fama do 46 se espalhou pelo prédio e vizinhos e ninguém quis alugar.

Carolina para no meio da escada.

— Sério? Eu nunca ouvi falar nesta história.

— Os donos fizeram de tudo para esconder, e como reformaram o prédio no ano passado, vai ver decidiram que era hora do 46 voltar a ter vida. E faz 20 anos, éramos crianças nessa época. Eu sei porque sempre morei aqui e meus irmãos mais velhos sempre me ameaçavam com o 46 para me manter na linha na adolescência – diz Sabrina rindo. – Mas, são só histórias, tenho certeza.

— É... só histórias. – Carolina murmura, chegando na frente do prédio as moças de despedem.

— Bom, vou trabalhar – diz Sabrina — Mas, vamos tomar um café uma hora dessas.

— Sim, eu adoraria. – diz Carolina sorrindo e se despedindo de Sabrina — Eu vou indo também, até mais.

— Até! – Sabrina se afasta na direção contrária do caminho de Carolina.

E Carolina fica pensando na estranha história sobre seu apartamento e nas manchas, batidas e móveis que se mexiam no apartamento que andavam acontecendo.

— Não pode ser verdade, casas assombradas não existem, só em filme. – ela diz firme. — É só minha imaginação hiperativa e muita coincidência. Não existe assombração.