Resgate

3 Imprevistos.


Notas iniciais
Olá meus queridos :3 A titia Moon pede desculpas pela demora, esse fim de semana foi um pouco difícil pra mim (problemas pessoais) Qualquer coisa dou uma breve explicada nas notas finais. Enfim... Esse capítulo está um pouco punk, não muito por ação, mas pela questão deles estarem enfrentando as longas caminhadas debaixo do sol, a sede, a fome, o cansaço... Bom, eu quis ser bem realista e mostrar pelo que eles estão passando para achar o Eren, já que não seriam as mil maravilhas. Spoiller: Estou tentando resumir o quarto capítulo (sim, está pronto) para ser o capítulo que irão encontrar nosso lindinho. Eu não queria ser muito rápida pra isso, mas se eu demorei me perdoem *apanha* aushaushaus. Bem... Boa leitura amores

Levi

Francamente, já amanheceu e mal dormi. Tenho que parar com esse hábito, pensar demais e esquecer a vida real.

– Uh! – A quatro-olhos espreguiçou o corpo, levando as mãos ao alto.

– Tsc... Ainda sinto sono. – Esfreguei os olhos.

– Não precisamos ir agora, podemos descansar um pouco mais...

– Nem pensar. Quanto antes prosseguirmos melhor. – Me espreguicei – Mike, farejou o cheiro do Eren por acaso? – Olhei pra ele e o inútil ainda roncava. Eu devia ter trazido um cão conosco, teria sido mais eficiente.

Assobiei alto, com dois dedos introduzidos na boca. Isso serviu para que todos acordassem, mesmo que com o consciente ainda lerdo.

– Arrumem suas coisas, partiremos daqui no máximo duas horas! – Disse e voltei a arrumar as minhas próprias. Decidi dar um tempo de repouso à eles, e também um tempo para que tomassem um banho. O pessoal da caça não havia tomado ontem, então seria melhor que sentir cheiro de suor o caminho inteiro.

– Ah, que porcaria, quase nem dormi...

– Ninguém, Jean.

– Falando nisso, onde fica o lago, Mika? Preciso tomar um banho... – Cheirou a própria axila. Que nojo.

– A alguns minutos daqui, ao leste. E já mandei parar de me chamar assim.

– Aproveitem e levem seus cavalos, queridos... Para beberem água! – Hanji aconselhou.

– Mike, acorda! – Chacoalhei-o pela perna, mas ele tem o sono bem pesado – Acorda, infeliz!!! – Chutei seus pés.

– Já acordei, Erwin!!! – Levou um susto e parou sentado.

– Sonhando com o capitão? Hm... – Fiz uma voz desconfiada, por distração. – Anda, arruma suas coisas e vá tomar um banho.

– Levi, vou indo com eles, já já eu volto pra revezar! – Hanji nem esperou eu permitir e correu em direção aos outros com seu cavalo para alcança-los.

Olhei para o lado e Mike estava agora dormindo sentado e encostado numa das árvores que estava perto de sua cama improvisada. Sim, o esforço foi grande e uma noite parece não bastar, mas não suporto corpo mole.

Fui em direção à vassoura que tinha feito, peguei-a e voltei para perto dele. Aqueles fiapos em sua extremidade deve provocar bastante coceira, se eu por acaso o cutucasse...

Ergui a vassoura e espetei-o em seus braços, que estavam descobertos. Mas o cretino não havia sentido apesar de forte. Levei a palha em seu rosto e esfreguei ali mesmo.

– Mandei acordar, Mike! – Disse enquanto provocava irritação em sua face.

– Não me afogue!!! – Disse assustado procurando fôlego. Sinceramente, o que tem haver? Provavelmente deve ter tido algum sonho erótico com Erwin dentro de uma banheira ou rio.

– Anda, levanta! Não direi de novo... – Dessa vez ele pareceu mais disposto.

Minhas coisas já estavam todas arrumadas. Peguei um dos reservatórios de água e despejei o líquido na fogueira que ainda estava vermelha, apesar do fogo apagado e da fumaça. Se Eren estivesse por perto, poderia ver esse sinal.

Peguei meu cavalo e levei-o até o lago, antes disso deixando o aviso para que Mike olhasse nossos pertences. O momento era bonito, todos com seus cavalos à margem, jogando água em suas costas e os colocando para saciar a sede. Se divertiam com isso. Riam quando os cavalos esguichavam a água de seus corpos e relinchavam. Momentos de descontração como esse são tão raros que considero valiosos e não posso deixar de apreciar.

Os amarramos nas árvores novamente, pois seria nossa vez. Senti uma tensão no ambiente agora que estávamos indo juntos no mesmo momento entrar na água, fora Mike, e aparentemente despir-se trazia um leve incomodo. Mas ignoramos isso e entramos de vez.

Gelada, mas deleitosa. Como eu sabia nadar, pude percorrer toda a dimensão do lago. Assim como Hanji, Reiner, Bertolt, e Jean. Ymir carregava a menor com ela mais para o meio, e não a largava nunca, com medo dela afogar. Os menores ficaram mais para a beirada.

Notei várias coisas, como o bom observador que sou. Apesar de que qualquer desmiolado notaria o tanquinho de Mikasa e como Armin parecia raquítico e Christa desnutrida. Na verdade, era bem mais a fundo que aparências. Percebi o quanto Jean encarava Mikasa, e à segundo plano como uma sombra, o quanto Armin reparava Jean disfarçadamente.

Notei uma amizade aparentemente de anos, porém intimamente diferente, mesmo que pareça não ter acontecido ainda nada de incomum, entre Reiner e Bertholdt. Pude ver como é suspeitamente sigilosa demais a preocupação quase obsessiva que Ymir mantêm com Christa, tratando-a como se fosse irmã caçula. Eu diria que os únicos “normais” – entre milhões de aspas – Seriam Sasha e Connie.

Mike é um cara reservado. E hanji parece ser assexuada, ou melhor... Corta pro lado dos titãs.

Saí do lago e minutos depois, todos saíram. Aproveitamos algumas frutas ainda boas para comermos e as outras embrulhamos para levarmos no caminho. Reabastecemos os cantis de água e preparamos os cavalos. Afastamos os troncos de volta ao lugar que estavam e aproveitei para varrer o resto de madeira queimada do centro.

– Tudo certo?! – Perguntei à todos. – Não estão deixando nada pra trás? – Ajustavam o arreio dos cavalos, os freios e correias.

– Eu pelo menos não. – Armin prontamente respondeu.

– Recolheram as roupas lavadas dos galhos?

– Sim. – Sasha e Mikasa responderam.

– Tudo bem.

– Heichou... Qual nosso destino agora? – Connie perguntou.

– Assim como vocês, também não sei. – Montei no cavalo. Eu sabia era que precisavam de uma resposta que passasse segurança à eles. Mas não sou o tipo maternal como Hanji, simplesmente sou realista e sincero – Na verdade, esquecemos de algo...

Todos me olharam curiosos. Desci novamente do cavalo e peguei o pedaço da lâmina ainda afiada que usamos para cortar os bichos. Eles me observavam em silencio, todos já em seus cavalos. Fui na árvore mais larga do nosso ninho, finquei a lâmina na madeira e passei a escrever.

“Não desistimos de você, Eren! Continue forte, e não perca a esperança.”

Assinei meu nome em baixo. Virei e inesperadamente os vi com rostos bem surpresos. Armin e Mikasa estavam com a face vermelha, evidentemente segurando o choro.

– Vocês não vão assinar?! – Perguntei rapidamente. Aquele cenário fúnebre era demais pra mim. Mikasa foi a primeira a descer do cavalo, seguida pelo loiro. Depois todos desceram.

Ela olhou a fundo nos meus olhos como se pudesse compreender até mais que eu. E lacrimejava insistentemente, até que não pode evitar que rolassem algumas lágrimas. Pegou a lâmina das minhas mãos e também fincou na madeira, assinando abaixo de meu nome. Arlert fez o mesmo, e assim como ela, não pode segurar o pranto.

– Levi... – Hanji pousou uma das mãos em meu ombro, me olhando de forma estranha, ela também chorava. O que era de se esperar, já que a mulher é extremamente sentimental. A quarta a assinar.

Depois de assinarem, e do drama todo que causei sem intenção, montamos novamente no cavalo e seguimos para fora da mata.

Havíamos percorrido muitos quilômetros desde a muralha, uma distância que os soldados não arriscariam ir, nem na pior das hipóteses. Portanto, o que viria no caminho seria novidade.

~*~

– Eu mandei se calarem! E senhorita Blouse, próximo pré-grito eu te jogo de isca...

Eu diria que estávamos com um pé na vida e outro já do outro lado. Nossa situação era de se rir, se fossemos assistidos por aquele Deus que os religiosos acreditam. Completamente hilária e cômica. Tomara que possamos sobreviver para talvez também rir disso um dia.

– A metade passou... Só mais um pouco galera... – Berth tentava passar confiança, mas sua própria voz estava tremula de medo.

Surpreendentemente, o plano relâmpago de Arlert estava funcionando. Mais que isso... Assegurando nossa sobrevivência enquanto observávamos em total silencio o bando de gigantes passarem por nós sem sermos vistos.

– Quem diria, hem... – Mike cochichou. — Você é bem esperto.

– Obrigada, mas ainda não estamos fora dessa...

– Realmente, então calem as malditas bocas até que estejamos longe daqui. – Ordenei.

Com as mini árvores que encontramos e arrancamos do caminho, íamos camuflados das vistas deles. E enquanto seguiam sua direção, íamos para a oposta, ou seja... Eles caminhavam para nosso caminho já percorrido enquanto caminhávamos para o deles. E enquanto cruzávamos com eles, o movimento de avanço não era perceptível. Era realmente uma estratégia genial.

– Quase lá... – Mike sussurrou para si mesmo.

Senti alguma coisa asquerosa descer o lado do meu rosto. Soltei o tronco com uma das minhas mãos e bati na coisa para que saísse dali. Olhei o chão e tive a pior visão do mundo. Uma aranha.

– Merda, essas árvores estão com bichos... – Sussurrei pra Mike.

– Já desceu várias dessas em mim, mas decidi nem falar, as mulheres morrem de medo... Então é bom que não saibam. – Concordei.

Olhei pra Hanji no meu lado, tinha uma descendo seus ombros e outra maior pendurada no seu rabo de cavalo. Ela podia não ter medo, já que é cientista. Mas melhor prevenir.

Então antes que percebesse bati na coisa peluda e ela caiu no chão. A do cabelo seria complicado, ela estava tecendo algumas teias nos fios para se segurar. Bati algumas vezes para ela cair, mas a bicha estava totalmente pregada.

– Levi, por que está puxando meu cabelo? – Sussurrou.

– Oh... – Pensei rápido — É que está com um pouco de poeira e tem algumas folhas secas presas... – Menti – E sinceramente isso vai danificar seu cabelo!

– Ah... Entendi, então tente tirar, por favor! – Continuei tentando afastar a maldita, até que com um pouco mais de coragem segurei em uma das suas pernas horríveis e a puxei pra longe. Merda, fiquei totalmente engasturado com essa monstra.

– Rivaille, é melhor avisar os caras para que eles tirem da mulherada antes que vejam... – Sussurrou a mim.

Olhei para elas e vi que seria um pouco tarde. Algumas já estavam com as aranhas no corpo, em partes visíveis e não visíveis. Ymir tinha uma quase descendo à testa, mas pra minha sorte ela não parece ter medo dessas coisas. Olhei agora para os titãs e eles ainda estavam em muitos nos rodeando. Droga... Alguém iria ver antes de passarmos completamente.

Agora eu só podia observar quem seria a primeira aracnofóbica a berrar e encrencar todo mundo. Mas decidi optar pela melhor saída.

– Escutem... – comecei, em tom baixo mas o bastante para todos ouvirem – Eu peço para que não gritem, e nem saiam correndo... – Respirei fundo – Essas árvores estão com alguns aracnídeos, mas é só vocês afastarem eles, sem gritaria e pânico... – Nesse momento, todos olhavam para seus corpos e viam as aranhas.

Incrivelmente, as garotas seguraram o grito apesar de aparentemente morrerem de medo. Afugentaram as aranhas quietas. Mas um inesperado aconteceu. Connie ao afastar uma enorme de seu ombro, chispou-a exatamente em direção ao rosto de Kirschtein, que inesperadamente não segurou um grito agudo.

Sem novidades, fomos notados. Nossos cavalos estavam andando entre nós – parados em perspectiva aos titãs – caso algum imprevisto ocorresse. Então apenas jogamos as árvores pra longe e montamos. Fomos rápidos e ágeis, sem mais gritarias, para não chamar a atenção dos que já haviam nos passado. Antes que resolvêssemos atacar o crucial era correr o mais longe possível, para que atraíssemos somente aqueles que nos notaram.

Nossa sorte era que tínhamos passado o maior número antes do acidente. Eles estavam em cerca de trinta, para nós que estávamos em doze. Cada trio de nós acelerava em direções diferentes, para separá-los e facilitar. Como tudo já havia sido planejado antes como precaução, fiquei com Connie e Sasha, para manter um certo equilíbrio. Oito deles nos seguiram, assim como quase o mesmo número seguiu os outros trios. A distância dos outros titãs estava boa, portanto resolvi iniciar a matança, para que eu fosse seguido pelos dois.

O número que eu podia matar em pouco tempo era o bastante para que matasse todos de uma vez, mas deixei a responsabilidade para os outros dois, que por sorte não cometeram nenhum deslize.

Fomos então em direção ao trio mais próximo, de Hanji, Jean e Reiner. Eles estavam dando conta, mas mesmo assim dei uma força. Seguimos até Mikasa, Bertholdt e Christa, que estavam com um pouco mais de dificuldades, mas já em muitos, conseguimos matá-los. Íamos agora para o último trio: Mike, Armin e Ymir, também dando suporte e eliminando os que restaram.

Por esse imprevisto, mudamos nossa rota inicial. Mas pelo menos todos estavam bem, então somente seguimos adiante sem preocupações. O que um bom plano e calma não fazem?!...

~*~

Já se passaram horas. Estávamos no pior horário do dia. Esse sol infernal pelando nossas testas... Dessa forma vou voltar pra casa descascando. Aliás... Todos já estávamos assim, parecíamos um monte de camarões ambulantes.

A água rapidamente acabou. As frutas estragavam pelo calor. Os cavalos estavam lerdos e nós quase desmaiando em cima deles.

Pedi para que cobrissem as cabeças com o lenço da tropa, assim evitaria queimaduras muito extremas nos rostos. Alguns deles já estavam começando a passar mal e parar para poderem vomitar. Mikasa à poucos minutos jurou ter visto Eren, ensanguentado, caminhando em nossa direção. Ela ficou louca e pôs o cavalo para correr, não se aguentando de chorar. Mas quando chegou perto passou direto pela visão projetada por ela mesma.

Isso me preocupava. Se continuarmos dessa forma, eles não aguentariam completar o destino. E quem diria o caminho de volta...

Passei a mão no rosto. Assim como todos, igualmente não me sentia bem. O sol também me causou delírios, jurei ter ouvido o timbre do garoto em sua forma de titã... Várias e várias vezes. Já Hanji me disse ter tido um pesadelo ainda mata, em que Eren tinha perdido a humanidade por ter ficado sozinho todo esse tempo, e ter se mantido vivo somente na outra forma.

Isso realmente seria possível, já que não conhecemos tudo sobre os humanos que se transformam. Mas era a última coisa que eu queria que acontecesse. Ele podia até ter morrido, mas ainda como o Eren que conhecemos.

Suspirei. Era impossível eu ter mais dor de cabeça como sentia. E pensar nessas possibilidades me embrulhou o estômago e quase me fez expelir tudo pra fora também.

Ouvi um barulho de peso contra o chão, me virei para o lado esquerdo e vi Arlert estirado no gramado. Provavelmente desmaiado. Segurei seu cavalo enquanto Kirschtein desceu para pegá-lo. Aposto que ele já previa, e por isso ficou por perto. Paramos todos os nossos cavalos, extremamente preocupados.

– Heichou, dessa forma morreremos... – Jean fez a expressão mais desesperada possível, até me gelou a alma. Pois estávamos exatamente no meio do nada, a quilômetros longe de qualquer lugar. Não podíamos voltar para a floresta, estava muito distante. Precisávamos ir adiante e tentar a sorte.

Sem respostas minhas, Kirschtein levou Armin consigo pra cima do cavalo. Tentei pensar em uma escapatória, algo que Armin também pensaria. Os mais resistentes eram Reiner e Mike, Hanji e eu.

– Mike, Reiner! – Chamei-os – Seus cavalos aguentam correr mais alguns quilômetros? – Positivaram com a cabeça. – Ótimo. Percorram a redondeza, e tentem avistar qualquer coisa... De umas árvores até alguma casa velha. – Eles ligeiramente obedeceram.

Planícies muito extensas indicam lugares que já foram fazendas ou casas de campo. Horas atrás passamos por uma, talvez tenhamos a sorte de encontrar mais outra. Desci do cavalo e fui perto da mala de Hanji.

– O que você tem de útil aí dentro? – A fiz descer.

– Bom... – Desamarrava a mala das correias – Pra esse momento, alguns lençóis e cremes. Você pegou tanto no meu pé que acabei esquecendo os protetores... – Lamentou.

– Maravilha, me dê os lençóis... – Ela pegou quatro deles dobrados.

Mesmo que não adiantasse muito antes, haviam árvores secas e sem folhagem por nosso caminho. Aproveitei as duas que estavam mais próximas uma da outra e lancei a âncora do dispositivo ligando as duas, para que a corda servisse de varal. Estendi um lençol no chão, amarrei dois de cada lado do varal e um no fundo, pregando-os no chão com as espadas, e deixando uma abertura na barraca triangular, do lado que o sol não estava.

Mandei Kirschtein carregar Armin para dentro, peguei os cremes estéticos da quatro-olhos e dei a ele para que passasse no rosto do menor. Esperamos alguns poucos minutos do lado de fora e ele saiu. Então aproveitamos também os cremes para tentar proteger nossa pele, mesmo que de última hora. Eu já sentia meu rosto em carne viva. Estava extremamente sensível.

Mike e Reiner estavam demorando, então mesmo com a barraca pequena, nós entramos e ficamos ao redor de Armin, para pegarmos sombra.

Ymir assoprava o rosto de Christa, até que eu mandasse parar, já que ficaria tonta e acabaria como Arlert. Todos suavam, e escorriam pingos da careca de Springer. Mikasa estava segurando nas mãos do loiro e olhando sua face, já acordado.

Depois de mais um tempo cansativo de espera podemos ouvir relinchadas. Saí da barraca e os vi aproximando.

– Santa muralha Rose!!! Não acredito... – Hanji comemorou com voz rouca e fraca.

Mike e Reiner enfim encontraram um lugar que pudéssemos passar o fim do dia e a noite. Disseram não estar tão longe e a casa era grande, apesar de velha. Outro fator que animou foi terem dito que próximo à casa há um riacho, aparentemente de abastecimento, o que indica que teríamos funcionalidades como torneira, chuveiro e sanitário. Provavelmente a casa faz parte de um vilarejo, e há mais casas próximas a essa, também ligadas por essa encanação.

Essa notícia levantou nossos espíritos quase jazidos, e nos deu forças para seguir em frente.

– Armin, suba aqui. – Jean pediu para que montasse em seu cavalo.

– Jean, obrigada, mas já estou bem!! – Disse definitivamente incomodado.

– E se você cair de novo e ninguém ver?! – engrossou o tom.

– Me deixa em paz, merda! – Surpreendeu-o – Não quero sua ajuda! – Montou em seu cavalo e saiu. Jean ficou plantado, paralisado e sem entender.

– Anda, Kirschtein, monte e vamos! – Ordenei. – Ele deve estar decepcionado consigo mesmo. – Tentei amenizar, e Jean me olhou. Subiu em seu cavalo e então fomos até os outros.

~*~

Finalmente chegamos. Era inacreditável que depois do sufoco que passamos vamos descansar. Colocamos as malas no cômodo de entrada, que já era aparentemente a cozinha. Antes de vasculhar os armários, preferi procurar pelos quartos, já que muita gente precisava urgente de descanso. A casa tinha três andares.

Armin – extremamente furioso, mas ainda com mal-estar – Subia com o apoio de Jean e o meu para o andar do meio, com cautela, pois a casa era antiga feita inteiramente de madeira, e provavelmente sua estrutura estava bem fraca por ajuda de cupins.

A escada deu em um corredor central, e o andar era praticamente só de quartos, contendo três em cada lado. Havia só um banheiro pequeno no final desse corredor. Era perfeito. Em cada quarto poderia dormir duas pessoas.

Jean adentrou o primeiro quarto perto da escada, estava com pressa para colocar Armin na cama, já que estava muito mal. Eu continuei passando pelos quartos e escolhi o meu. Após isso desci para pegar minhas coisas e avisei o restante do pessoal, que fez o mesmo.

Acabou que Jean ficaria no mesmo quarto de Armin. Ymir com certeza ficaria com Christa, Berth e Reiner como amigos mais próximos também. Hanji quis dormir no quarto que escolhi, mas despachei-a para dormir com Mike. Sasha e Connie decidiram ficaram juntos. Estava ótimo, até lembrar que Mikasa sobrou. Enfim, eu estava morto demais para ligar.

Porém ela não veio até o quarto colocar as malas. A vi em direção do quarto de Armin e Jean. Provavelmente ficaria lá pelo amigo.

Me joguei – com cuidado – Na cama velha. Nem vou pensar que está cheia de pó e insetos, senão não descanso.

– Levi! – Ouço a voz da quatro-olhos me chamando na porta, grunhi um som que nem mesmo eu havia entendido – Temos que preparar algo pra eles comerem! Encontrei algumas ervilhas, cenouras e batatas. Também tem macarrão instantâneo na dispensa...

– Devem estar estragados, não?! Afinal a casa é velha e abandonada.

– Você não notou, né?

– Notei o que?! — Levantei a cabeça e a olhei.

– Apesar de velha, a casa está limpa e sem teias. – Impossível. Tive de passar o dedo no criado mudo ao lado para ter certeza, e a quatro-olhos tinha razão. Apesar de sair um pouco de pó, estava mais limpo que deveria.

Logo me levantei, e fomos à cozinha.

– Você acha que alguém pode ter passado por aqui? – Mike perguntou à Hanji. Estávamos agora apenas nós três no cômodo já que os outros dormiam.

– Na verdade só penso no Eren. – Secou a louça que havia lavado.

– O pirralho não é tão limpo e organizado, Hanji. – Cruzei os braços e encostei à mesa. – Parece não ser coisa dele.

– Você o fazia limpar quase todo o quartel quando ele fazia besteira, vai que ele pegou seu hábito de aversão à sujeira?! – Sorri, isso me trouxe lembranças. Mas definitivamente não era ele, pois eu sabia o modo de como limpava. Ele sempre deixava os cantos com crostas de pó e tinha medo de tirar as teias.

– Se por acaso foi ele, chegamos tarde. Estão o vendo aqui?! – Calei-os — Além de que a casa está precisando de uma geral de novo. – Dei de ombros e peguei uma panela, abri a torneira e a enchi de água.

Vi que não tinham pegado lenha para o fogão, então mandei Mike ir atrás. Eu e Hanji sentamos sobre a mesa, para descascarmos e cortarmos as batatas e cenouras.

– Levi, mas e se for ele? – Disse, esperançosa, como se precisasse de uma confirmação minha.

– Hanji, faz quanto tempo que ele sumiu? – Parei com o que fazia para fitá-la.

– Hoje completam duas semanas. – Ficou cabisbaixa. Isso já respondia tudo.

– Ele provavelmente veio parar aqui nos primeiros dias. Por isso não adianta muita coisa, já que assim como chegou pode ter ido mais longe na sua forma de titã. — Voltei a cortar as batatas.

Acabei deixando-a triste. Eu realmente não gostava de magoa-la, apesar de ser bem chata. Hanji faz o impossível para ver todos bem, mesmo que tenha que passar por cima de suas dores. E eu não era exceção. Tenho certeza que no meu lugar, ela diria coisas confortáveis mesmo que realistas. Mas como já disse, não sou como ela. Não consigo ser.

– Hey, quatro-olhos... – Fitei-a, e ela concentrou-se em mim – Eren tem a vantagem de se transformar, podendo se camuflar de outros titãs, e isso salva a vida dele. – Levantei com um pouco de esforço um sorriso de canto – Sem contar que ele não precisa passar sufoco como o que passamos hoje. No caso dele seriam somente alguns passos até aqui. – A fiz sorrir.

– Você tem razão, Levi. – Felizmente recuperei seu bom humor, com algumas palavras seguras que sei que ela diria. E que no fundo também sei que é verdade. Eu somente a reconfortei com hipóteses que eu mesmo usei para me consolar.

Mike adentrou a cozinha trazendo consigo as madeiras. Preparou a chama e pôs a panela com água em uma das bocas do topo. Enchemos mais algumas e fizemos o mesmo. Distribuímos a massa em cada uma delas, as ervilhas e também os legumes fatiados. Ou raízes... Tanto faz.

Deixamos ali de molho, para cozer bem, já que a sopa teria que ficar pastosa. Saí da cozinha e fui dar uma melhor olhada no terreno, já que entramos as pressas na casa. Depois de tomar sombra, a tontura havia passado. O sol não estava tão rigoroso, mas o tempo que ficamos expostos a ele foi o suficiente para nos adoecer.

Em volta da casa a grama estava bem alta, eu diria que tornou-se mato. Tinham algumas plantações ainda vivas, e pelo que vi, exatamente as de que estávamos cozinhando. São mudas que sobreviveram pelo solo úmido por conta do rio que distribui a água. Ele acabou fertilizando ainda mais o solo. Bem... Bom pra nós. Mas eu ainda estava encucado na questão do macarrão.

Olhei a redondeza e avistei telhados bem distantes de onde estávamos. Seriam as casas visinhas. O riacho estava a poucos metros da casa, era realmente uma visão bela. Fora que eu podia ver algumas casas mais próximas destruídas, mas agora com poucos indícios, e somente algumas madeiras espalhadas. O musgo e o mato cresceram nas madeiras e cobriu algumas partes, haviam até diversidades de flores. Pelo visto esse lugar é mesmo bem antigo.

– Levi, querido, o jantar está pronto! – Ouvi o grito da míope. Voltei para dentro.

Antes de nos servirmos, nos encarregamos de levar a sopa aos outros. Apesar de Hanji ter pedido como se eu não fosse me importar, fiz por vontade própria. Não chego a ser um titã insensível!

Dei o primeiro prato para Arlert, ele era o que mais necessitava. Enquanto os outros davam para o restante. Enchemos também os cantis e os devolvemos. Depois de se alimentarem ficariam melhor.

Descemos os três para a cozinha e finalmente jantamos. É, pelo visto de certa forma viramos responsáveis por eles.

~*~

Armin

– Eai... – Adentrou meu quarto, fechando a porta em seguida.

– Oi, Jean. – Pus a mão nos olhos, havia acabado de acordar e ainda não me acostumei com a claridade. Pelo visto capotei depois do jantar, e fui acordar só agora de manhã, visto que quando jantamos o sol tinha acabado de se por. Recebi várias visitas, além de Hanji não sair daqui por preocupação.

– Como você se sente? – Sentou na beirada da minha cama.

– Ainda vejo algumas coisas rodando... – Fiz careta e ele sorriu.

– Você precisa de algo? Água ou mais um prato de sopa...?

– Oh não, por favor... Hanji me entupiu de sopa. – Rimos – Obrigada Jean, mas estou bem.

– Então okay, caso precise só chamar!

– Pode deixar. – Ele se direcionou para a porta, saiu e a fechou.

– Jean!!! – Chamei-o de volta.

– Sim? – Pôs somente a cabeça para dentro do cômodo.

– Me desculpa por ontem... — Me senti involuntariamente massageando uma mão à outra pelo nervosismo.

– Ah, não se preocupe! – Deu uma piscadela.

– Não, fui muito estúpido e mal agradecido com você!

– Armin, não tem problema. Eu te entendo. – Adentrou o corpo para o cômodo e fechou a porta, encostando-se nela.

– Eu não sabia que você havia me carregado enquanto estava inconsciente. – Olhei para meu colo – Mikasa me contou, agora de manhã.

– Bem, alguém precisava fazer aquilo – Sorriu. – Não esquenta, é bom que fiz você me dever umas – Rimos calmamente.

– Mas obrigada mesmo assim!

– Por nada. – Me encarou por pouco tempo e então saiu do quarto.

O que deu nele? Não parece o Jean carrancudo que conheço. Na verdade estava lembrando muito meu avô, sempre na minha cola. Quando apaguei ontem, a única coisa que lembrei foi de ter acordado com ele me encarando e passando creme no meu rosto. Até assustei, achando que ele pudesse ter passando alguma outra coisa, pela forma estranha que acariciava minha face, com a sua tão próxima como naquele momento da mata. Mas o cheiro era agradável então logo me acalmei. Mas por que pensei nesse tipo de coisa tão absurda?!...

Acho que acabei ficando revoltado demais com minha saúde fraca e minha péssima resistência, então juntou com essas sensações estranhas e assustadoras que tenho por esse cara, e acabei explodindo com ele que na verdade não tem culpa nenhuma.

– Calma, Armin, você ainda está delirando por conta do sol! – Me consolei. Sim, sim... Eram delírios. Só isso. Estranhos e espantosos delírios.

Notas finais
Chegaram até aqui? Alguma alma caridosa? Oi? auhsuahsaus Gente, me perdoem se peguei pesado com eles, mas como eu disse eu quis ser bem realista. E realmente as coisas ficam feias na situação que eles estão. Todos sabem. Mas... Próximo capítulo nosso gatinho vai aparecer! **Finalmente, já estava na hora, sua autora enrolada!** XD Como eu disse estou comprimindo o capítulo para que eu acrescente a cena que vão achá-lo. Talvez fique mais grandinho, desculpem :'c Ahh e a história não vai terminar quando encontrarem ele, terá MUITO mais coisas viu?! *-* Finalizando essa nota GIGANTESCA, esse finalzinho do Armin já é da manhã seguinte, ou seja... já aconteceu no próximo capítulo que eu postar, então não estranhem. Beijos lindesas, até o próximo