Notas iniciais
Voltei meus lindos, com mais um capítulo quentinho :3 Desculpem se demorei. Eu socializei esse fim de semana *o* Fiquei tão insana que cortei meu cabelo (sozinha) e estão me chamando de Harry Styles :x ashaush Fora que tive um bloqueio COLOSSAL de criatividade :c mas enfim consegui finalizar esse. Bem, esse cap. é bem manso, sem tanta agitação e foca mais no Eren e no Heichou. Não há muito o que dizer, as finais serão maiores! Enfim... espero que gostem! Boa leitura!

Levi

Contando com esse, são exatos sete dias desde o resgate do garoto. Definitivamente troquei os horários de sono. Hanji e eu revezávamos sempre quando eu iria dormir. Mas mesmo assim, minha preocupação anulava o cansaço de alguma forma.

Eren era o centro das atenções. Tive que separar turnos de visitas para não virar bagunça. Mas apesar da movimentação cotidiana e da pirralhada barulhenta ele continuava manso, e dificilmente abria os olhos. Quando ocorria, levantava as pálpebras pesadas pela metade dos olhos, checando o ambiente e reparando em si, então voltava a fechá-las e permanecia por um bom tempo adormecido.

São agora duas da tarde, já lhe dei o almoço e teria agora que levá-lo até o banheiro para fazer suas necessidades. Eu obviamente o deixava enquanto ficava do lado de fora, e mesmo aparentemente não muito lúcido sabia o que teria que fazer. E obedecia.

Peguei-o no colo e o levei até o banheiro do andar. Deixei-o a sós até terminar e então adentrei novamente. Hanji pediu pra que essa fosse sua obrigação, mas pensei que ele poderia se sentir envergonhado quando soubesse. Então comecei a lidar com essa parte.

– Eren, está na hora do seu banho, tudo bem?! – Parei em sua frente. Ele havia tampado o vaso sanitário e sentado-se em cima.

Fitava o chão um pouco à sua frente com um olhar abatido. Não abriu a boca e nem sinalizou que havia compreendido. Passou o dia num estado de trauma. Temia que continuasse assim por muito tempo, apesar de começar a ficar mais ágil.

– Venha... – Peguei no seu antebraço e o guiei até levantar-se, ficando frente a frente comigo. Nem por isso desviou seu olhar desconcertado do chão.

Desabotoei sua camisa branca que eu havia colocado. Retirei-a, sem nenhuma ajuda do mesmo. Sua pele lucidava palidez. O bronze do seu corpo sumiu aterradoramente. A única coloração presente era o rosado e os leves tons de roxo e verde das feridas e lesões.

Pela primeira vez ficaria sem perguntar se poderia despi-lo, já que em todas as ocasiões me deixava sem respostas. Aliás, desde cedo tentei me comunicar com o mesmo, mas minha voz ecoava sozinha.

Desabotoei e desci o zíper. Abaixei-a, junto da peça íntima. Ele ergueu seus pés quando a roupa tocou o chão. Mesmo assim ainda com seu olhar estagnado e sua boca seca e esmorecida.

Recolhi as mangas da minha blusa e abri a torneira da banheira de madeira. Esperamos a demora, sentados frente ao outro em dois banquinhos perto da mesma. O dia fazia frio, então seu corpo frágil logo começou a tremer. Aproveitando a espera, passei a tirar os curativos com cuidado.

Guiei-o novamente pelo antebraço, dando suporte para que conseguisse adentrar na banheira, quando a água atingiu pouco menos da superfície da cerâmica. Sentei-o. Depositei sabonete líquido nas mãos e um pouco em seus cabelos e comecei a massagear sua cabeça e seus fios médios. Dei uma leve puxada para que inclinasse para trás afim de enxaguá-los. Passei a esponja em suas costas, por vez de leve já que não estava tão sujo como nos primeiros dias. Fui aos braços, depois aos ombros, limpei a parte de trás das orelhas e a nuca. Nenhum canto devia passar despercebido.

Massageei seu pescoço, subi até suas bochechas e testa, sem atingir os olhos. Ficou suavemente ruborizado pelo contraste do tempo frio e da água morna. Também pela massagem circular e calma que eu depositava em seu rosto. Lavei a esponja e deixei que sugasse a água, fui até seu rosto novamente e a espremi, levando toda a espuma à baixo. Toquei seu maxilar e parte da maçã com a mão, afim de passar o polegar e limpar uma ferida naquela região. Feito isso ele decaiu levemente seu rosto na minha palma, descansou suas pálpebras e me deixou uma vista bem serena de seu rosto afagando minha mão, num pedido pelo contrário.

Alguns raios do sol gelado adentraram o ambiente pela janela alta. Seu olhar melancólico agora abria e subia minuciosamente na altura dos meus. O verde esmeralda reavivou o tom por poucos segundos. Poucos... Mas intensos, como se seus orbes fossem desproporcionalmente maiores, desfocando todos seus outros traços. Logo os abaixou, impossibilitando-me de qualquer leitura mental.

Arrastei minha mão até o queixo e retirei-a calmamente, para que o peso despojado de seu rosto não decaísse quando à retirasse. Desci a esponja até o busto, e dele até o peitoral. Seu corpo havia perdido a força e os músculos que ele havia adquirido nos treinos. Após recuperar-se deveríamos repor tudo novamente.

Deslizei a espuma percorrendo a extensão abdominal. Avancei além de seu umbigo, e desci até tocar sua virilha. Corria cotidianamente, como todos esses dias de cuidados. Até por impulso subir novamente a visão ao seu rosto.

Sobre minhas vistas estava aquela expressão de repreensão, dor e abatimento que expunha de forma tão misteriosa e poderosa em sua face, ao ponto de transpirar-se lascivamente até meus sensores olfatórios e encher meus pulmões de deleite. Lançou seus orbes cansados, entreabertos em total volúpia sobre os meus. Apesar de transpassar pura inocência e meiguice. Era como se estivesse além de tudo necessitando de cuidados bem mais complexos do que aqueles. Algumas batidas cardíacas falharam em mim.

Não pude distinguir qualquer coisa. Já por não ter conhecimento sobre o que ronda sua mente. Mas conseguiu tirar minha concentração por um tempo imperceptível. Estava visivelmente mais complexo, mas deixava transparecer inevitavelmente sua carência.

Tirei-o da banheira, após ordenar que lavasse as partes íntimas. Desenrolei sua toalha e passei-a em todo seu corpo. Sobre certa tensão, o garoto agora não desviava o olhar seco dos meus. Diferente de antes, odiosamente ilegíveis.

– Consegue andar?! – Falei ainda num tom compreensivo. Fiquei sem respostas. Suspirei. – Tudo bem. – Contornei-o com sua toalha e o peguei no colo. Talvez eu estivesse tendo uma percepção errada das coisas. Pode ser apenas a enfermidade, e nada além disso.

Repousei-o em sua – minha – cama. Tive o trabalho de tratar enfaixar novamente todos os machucados. Peguei suas mudas e desenrolei. Vesti-o com um pijama masculino que encontrei no armário, já para ficar confortável.

– Vou preparar sua janta, garoto. Não saia daqui! – Me virei, mas senti-o segurando meu braço e impedindo minha saída. Estagnei. Era o primeiro movimento ativo dele, mas fiquei sem entender aquele impulso.

– Eren?! – Virei novamente à ele, mas o mesmo não me olhava, somente segurava meu braço. Aparentemente ele não me responderia. – O que foi?! – Me olhou.

Puxou-me calmamente num indício de que não queria que eu me afastasse. Fiquei alguns minutos de pé, e então gritei Hanji.

– Levi?! – Correu preocupada até a porta do quarto, provavelmente com pensamentos pessimistas.

– Pode fazer nosso prato? – Olhou Eren agarrando meu braço, surpresa.

– Posso sim! – Fechou a porta.

Éramos somente nós, o ambiente frio e o clima ameno. Seu aperto estava calmo, mas seus dedos trancafiaram meu pulso. Indiquei com gestos que sentaria na poltrona, mas mesmo assim ainda insistia em me mover em sua direção.

– Eren, ficarei aqui. Já pode me soltar! – Falei baixo. E ele me olhava serenamente. Eu realmente não compreendia sua atitude.

Decidi fazer o que queria, até que sentei ao seu lado na cama, com os pés no chão. Evidentemente não bastou, pois continuava me guiando. Então coloquei as pernas uma sobre a outra, esticadas. Encostei-me na cabeceira e deixei que meu ombro do seu lado tocasse seu próprio, pra ver se satisfazia-o. Até que parou de me puxar, mas não soltou meu pulso.

– As coisas ficarão mais fáceis se você abrir a boca, garoto. – Olhei-o, com o rosto ao lado mesmo que um pouco distante. O único sinal que recebi foi um olhar ainda incerto.

– Licença, meus meninos! – Hanji adentrou com uma tigela de sopa, foi até a mim e entregou. – Coma tudo meu amor! – Acariciou uma das bochechas de Eren e se retirou novamente.

Ao menos passou a ficar ‘dinâmico’, apesar de não o suficiente. Vê-lo movimentar algumas partes do corpo mesmo que vagarosamente era o bastante. Revezávamos a sopa, uma colherada minha e uma dele, como todas as refeições até agora. Eren aparentava aqueles felinos maltratados que fogem de qualquer coisa, e justamente por esse motivo minha paciência começava a ser exercitada. E eu parecia estar indo bem.

Terminamos. Coloquei o prato sobre o criado mudo e voltei a encostar-me na cabeceira. Passamos um bom tempo em silêncio.

~*~

O dia ainda estava claro, apesar de que passaram-se algumas horas desde o banho do garoto.

Ele ainda não falava e permanecia debilitado. Pensativo. Perdido em seus devaneios. Mas hoje deu uma despertada, um avanço significativo em vista aos outros dias que seu único movimento era de respiração. Então decidi aproveitar seu estado para entretê-lo com algo interessante.

Disse à ele que iria no banheiro e logo voltaria, mas subi para a biblioteca, e cá estou eu procurando algum livro que preste para inserir alguma ideia boa em sua mente perturbada. Mas passei muito tempo aqui e não há os livros ideais para a ocasião, então logo teria que voltar até ele já que está dependente de mim. Pensei em ir até o ateliê e pegar algumas daquelas folhas e giz pra desenharmos. Mesmo que eu desenhasse só.

Voltei ao quarto. Ele estava da forma que deixei, e me encarava inexpressivo. Só de lembrar que o garoto era tão transparente em relação às suas reações, sinto como se não fosse ele nessa cama.

– Trouxe isso. – Saquei a palheta com algumas folhas e um pote de giz de cera. Ele somente olhou. – O que acha de... hum... – Pensei – E se nos desenhássemos? – Não me respondeu. – Desenharei alguém aqui e você tenta adivinhar, tudo bem?! – Me ajeitei do seu lado.

Comecei alguns traços na intenção de fazer um rosto. Tudo saiu torto e o maxilar pareceu deslocado. Eu realmente não prestava para isso. Escolhi o giz cor de barro e passei a desenhar o cabelo. Voltei com o preto e detalhei os traços do rosto. Aquilo pareceu um peixe, mas era só fazer a armadura dos óculos que ficaria idêntica.

– E ai?! – Mostrei à ele. Vi sua face estimular um singelo sorriso discreto nos cantos da boca. Deve ter achado uma porcaria. – Quem acha que seja?

– Hanji. – Disse normalmente, mas com a voz extremamente baixa como se fosse tímido demais para falar. Mas ao menos pude ouvir um timbre que quase me esqueci de como era.

– É, pelo menos não está tão ruim... – Encarei o retrato novamente. – Quer desenhar? – movimentou a cabeça em negativo. Bufei.

Não está sendo fácil. Afinal de contas, a pessoa mais paciente e animadora do mundo – e irônica – Ficou pra cuidar de alguém nesse estado. Haveria algum momento que eu realmente não saberia o que fazer, já que não se há muita opção por aqui.

– Heichou?! – Bateram na porta.

– Sim? – Respondi e então Armin abriu-a.

– Bem, estamos pensando em fazer uma fogueira do lado de fora, e queríamos que levasse Eren. – Me olhava com seu rosto angelical. Não faríamos nada além de ficarmos pregados na cama, então não teria problemas. Arlert enfim notou que o garoto havia acordado, então seu semblante tomou um ar de alívio.

– Ele está bem? – Perguntou sorrindo.

– Está. Só um tanto quieto... – Olhei-o. — Você quer ir, garoto? – O mesmo fitou Armin sem responder. – Daqui a pouco desço com ele. – Arlert entendeu, então fechou novamente a porta.

Coloquei a prancheta e o pote de giz em uma cômoda perto da porta, voltei até ele e sentei na beirada da cama ao seu lado. Abaixei as cobertas, deixando à mostra suas pernas imóveis. Lembrei-me novamente de que não era brincadeira o fato de não conseguir andar, olhando seus machucados feios por baixo das ataduras.

– Está sentindo dor? – Ficou um tempo sem responder, mas logo positivou a cabeça.

O fato de estar tão dolorido, até mais do que eu possa saber, e nunca dizer ou reclamar me deixava um tanto nervoso e impaciente. Peguei uma das minhas blusas de frio e vesti-o. Sobre o short do pijama coloquei uma calça grossa de algodão, bem confortável.

Deslizei minha mão esquerda sobre suas costas, e com a direita adentrei-a em baixo de seus dois joelhos. Levantei-o e fui até a maçaneta, abri e logo à fechei. Desci as escadas com muito cuidado, o corpo de Eren mesmo magro ainda pesava muito, fora que o moleque era bem mais alto que eu, então minha visão dos degraus não estava boa.

Adentramos a cozinha e me direcionei até a porta que dava ao terreno. O azul ciano do céu tomava um tom mais escuro e os ventos tornaram-se mais fortes. Arrumaram troncos e juntaram os bancos de fora da casa em volta da lenha. Estavam bem agitados, alguns preparavam o lugar e outros faziam espetos, mas ao me ver com o garoto no colo repentinamente pararam o que faziam para fitar-nos.

– Heichou... – Sussurrou no meu ouvido, afundando sutilmente seu rosto em meu pescoço, numa tentativa de esconder-se. Somente olhei.

– Não seja idiota. – Disse. Percebi que estava envergonhado de ser visto dessa forma. Pirralho imbecil, não demonstra o que sente, mas se importa com coisas tão inúteis como essa.

Sentei-o em um dos bancos, logo me sentando em seguida ao seu lado. Observávamos os outros ateando fogo em toda aquela madeira velha. Mikasa repentinamente correu de dentro da casa em nossa direção.

– Eren, você me reconhece? – Ajoelhou abruptamente em frente ao garoto e pegou suas mãos.

– Ackerman, tenha cuidado! – Assustei.

– Ele só está machucado, não é feito de cristal!! – Me encarou e voltou sua concentração à ele. Já o mesmo não disse uma palavra, somente positivou para sua pergunta. Runf, diferente de você ele fala comigo, pirralha grudenta.

É seu primeiro dia realmente acordado, e por essa razão Mikasa avançou em cima dele. Armin caminhava lentamente, mas parou o passo quando a garota surgiu do nada até nós. Ele compreendia que Eren além de machucado poderia ter problemas psicológicos graves, e chegar dessa forma com que a garota possessiva se aproximou poderia não dar certo.

– Se você se preocupa com o garoto se afaste! Não vê que sua atitude pode prejudicá-lo?

– Ele precisa de mim! Eu sou irmã dele! – Sua face avermelhou.

– Abaixe o tom, pirralha. – Cruzei as pernas.

– Eren, por favor, fale comigo! – Insistiu, balançando levemente as mãos dele.

– Larga ele, agora! – Afastei suas mãos.

– Por que fez isso? – Levantou-se, ficando frente à mim.

– A questão não é só o cuidado com o corpo do moleque, garota, já pensou se você tivesse assustado ele? Já parou pra pensar que ele está abalado ao ponto de estranhar qualquer movimento suspeito e poder transformar-se em titã por defesa? – Disse no tom convencional, porém visivelmente nervoso. – Você é tão tapada ao ponto de não perceber isso?

– Você é louco? Eren é MINHA família! EU deveria ficar de olho nele, ao invés de alguém como você! – Apontou seu dedo imundo em direção à mim. Aquilo certamente meu deixava em fúria.

– Oe, Mikasa! Deixe disso! – Armin segurou seu braço.

– Esse alguém... – Peguei seu dedo e torci, para que a pirralha se colocasse em seu lugar — ...É seu superior, e goste ou não, estou cuidando do Eren. E quer saber?! – Soltei seu dedo, e ela segurou-o sentindo dor, mas continuava me encarando – Ele preferiu à mim para fazer todas as coisas por ele! Inclusive o banho... – Sussurrei por último, provocativo, o bastante para que somente ela ouvisse. Devo dizer que ver sua face tão vermelha ao ponto de quase sangrar os olhos, inchou meu ego e me satisfez, mesmo que não fizesse diferença dar banho nele. Eu só queria afetá-la de alguma forma.

– Se eu souber que você anda fazendo qualquer coisa com ele, eu te mato! – Disse também em um sussurro. Somente pisquei à ela. Então se retirou.

Olhei agora o garoto e ele estava extremamente vermelho.

– Está sentindo frio?! – Perguntei, mas negou. – Então o que foi? – Ficou um tempo em silencio.

– E-eu posso... Tentar tomar banho só-sozinho... – Gaguejou com a voz fraca e acanhada.

– Calado. – Franzi o cenho à ele. Era óbvio que não.

A chama agora estava um pouco alta. Logo menos aquela fumaça impregnaria em nossas roupas. E acabei de lavá-lo, ao pensar nisso bateu até desânimo. Mas faria bem à ele ficar fora daquela cama, que já deve estar afundada do tanto que fica na mesma posição. Ver o céu, respirar o ar peneirado pelas árvores e principalmente participar de uma reunião com todos como essa. Interter seus pensamentos para fora dos problemas internos, e até rever esses seus amigos estranhos. Talvez isso o faça dormir melhor.

Em meio à distração por observá-los preparar as coisas, senti o banco tremer um pouco. Automaticamente olhei para Eren e vi a desagradável – Lê-se Ackerman – Sentando-se ao seu lado. Eu fiquei na minha, não quero perder a paciência na frente do garoto, mas há dela se fizer algo que eu não goste...

– Prontinho!!! – A histérica quatro-olhos chegou gritando perto de nós.

À vi com uma bandeja com vários pedaços temperados de carne de javali que Mike, Reiner, Jean e Connie haviam caçado ontem ao avistarem perto das casas. Possivelmente veio daquela mata que encontramos o garoto. Fora alguns enroladinhos feitos de batata com cenoura, embrulhados com o macarrão e algumas ervilhas em cima, em outra bandeja na mão de Sasha. Comeríamos as mesmas coisas preparadas de uma forma diferente. Não sei pra que tanta animação...

Todos agora estavam presentes. Após a demora, a noite finalmente caminhou até nós. Agora a única luz do ambiente era a fogueira acesa.

Os pedaços do javali ficaram em um suporte de madeira acima do fogo. Seria cansativo segurar os espetos até que a carne assasse. Em pouco tempo o cheiro que fazia a boca salivar transpirou daqueles pedaços. E até que não tivesse pronto, saciávamos a fome com os enroladinhos de batata que Sasha preparou. Mesmo um pouco escuro, Eren recusava de uma forma tímida à aceitar comida na boca. Mas bastou uns puxões de orelha – no alegórico, claro – Para que comesse tudo que eu oferecia. Mikasa quis alimentá-lo, mas como havia dito, só eu conseguia fazê-lo agir.

Ao ponto que os pedaços do javali ficassem prontos, bastou questões de segundos para que a carne sumisse. Se eu não fosse rápido teria ficado sem, já que agora são duas bocas para alimentar.

– Oh, tenho uma surpresa pra vocês! – Armin levantou-se de um dos bancos e direcionou-se para dentro da casa. Sendo ele eu poderia esperar algo bom.

Após um tempo voltou segurando um violão.

– Onde encontrou isso? – Perguntei surpreso.

– No cômodo mais bagunçado da casa! – Jean me encarou emburrado, logo me lembrei de qual era. Mas não imaginava que havia algo assim ali.

– Sabe tocar? – Bertholdt perguntou à ele.

– Meu avô tinha um. Não deixava ninguém encostar... – Sentou-se novamente em seu lugar. – Mas quando completei nove anos ele começou a me ensinar. – Ajeitou o violão no colo, e todos fizeram silêncio para ouvi-lo tocar.

Ele prontamente começou a dedilhar com muita destreza cada uma daquelas cordas. Tinha experiência com o instrumento, e conseguiu acalmar o ambiente com o som nobre que ecoava. Podia cair no sono ouvindo essa música. Então ele passou a cantar. A voz do garoto era incrível, e realmente se encaixava com o jeito dele. Um timbre meio-soprano, aveludado, bem calmo e sereno, além de ter uma afinação ótima, alcançando notas agudas sem qualquer dificuldade.

O momento se adequou à canção, como se fizesse parte dela. E nisso, as coisas ficaram cada vez mais claras á mim em relação aos possíveis casais de minhas suspeitas, que nesse momento deixavam escapar olhares, toques...

Então encarei Mikasa, e ela olhava secretamente Eren com um olhar que não me agradou nem um pouco.

– Como se sente? – Me virei avidamente para ele, tomando sua atenção.

– Bem. – Disse em absoluta firmeza, apesar de objetivo.

– Isso é ótimo. – Disse contidamente. – Quando quiser subir me avise. – Só balançou a cabeça. E inesperadamente deitou-a em meu ombro. Fiquei surpreso, mas não contive um olhar provocador à Ackerman, que deixou visível seu ciúme. Senti meu ego subir às alturas.

~*~

Notei que uma espécie de laço começava a nos contornar. Nos aproximar, talvez. Ele parecia preferir à mim para os cuidados mais íntimos, possivelmente por ter mais convívio comigo durante o tempo que tornei-me responsável quando entrou em meu esquadrão. Ele se sentia confortável com a quatro-olhos, mas era definitivamente à mim que depositava a confiança e si mesmo, e fui o único a ouvir sua voz até agora. E com o passar do dia passou à agir um pouco mais... Afetuoso. Um tanto meigo e carente pela saúde frágil.

Agora o clima do ambiente estava mais animado, Reiner tocava o violão e Bertholdt cantava uma musica um pouco mais agitada. A quatro-olhos puxou Sasha e as duas começaram a dançar entre pulinhos no ritmo da música, enquanto os outros batiam palmas. Era bom vê-los assim, descontraídos e rindo á toa. Poderíamos repetir esse momento mais vezes...

– Podemos ir? – Eren levantou o semblante sem desencostar sua cabeça do meu ombro.

– Quatro-olhos – Gritei-a, até que parasse de dançar. — Vou subir com Eren. Pode preparar um chá pra nós? – Todos nos olharam.

– Ah, já vai Eren? – Sasha fez bico.

– Sim, ele precisa descansar. – Respondi por ele.

Todos começaram a se despedir, Armin se levantou e despediu próximo ao mesmo, dizendo algumas palavras amigáveis e um boa noite. Ackerman ficou quieta todo o tempo, mas despejou um selinho calmo em uma das bochechas dele. Peguei-o no colo – Depois de ter novamente ficado envergonhado – E fui até a cozinha com a quatro-olhos.

– Meu bem, você quer chá verde ou preto? – Perguntou à ele, mas como previsto, sem respostas.

– Prepara um verde à ele, e um preto pra mim.

– Ah Levi, mas vai dar trabalho fazer os dois! – Choramingou.

– Se quisesse menos não teria vindo, estrábica. – Fez bico – E coloque gengibre no meu. Quer gengibre? – Perguntei ao garoto, e ele positivou com o semblante. – Não demore muito. – Me direcionei à sala, no caminho das escadas.

Ajeitei Eren no centro da cama, como sempre quando dormiria, já que todas as noites observava-o pela poltrona.

Fui até a cômoda e peguei algumas mudas separadas para trocar essas que já estavam fedendo à fumaça. Despi-me, restando apenas minha boxer azul marinho. Arrepiei pelo vento gelado adentrar a janela e vir de encontro com meu corpo. Eren agora estava acordado, era a primeira vez que me despia em sua frente. Senti-me um tanto estranho, mas ignorei, até por ele ter passado por situação pior. Então apenas troquei-me normalmente.

– Queridos? Trouxe o chazinho! – Bateu na porta, então abri, já que estava de pé. Peguei a bandeja, agradeci e então ela desceu.

Dei uma esfriada no de Eren, estava pelando e podia queimar a boca. Após isso dei à ele e sentei-me à sua frente, levando a xícara à boca. Quando dei por mim o moleque tinha virado a xícara e derramado todo líquido sobre seu busto e parte do cobertor. Eu deveria ter lembrado de sua situação. Mas pelo menos não se queimou.

– Que lambuzeira, pirralho! – Coloquei minha xícara sobre o criado mudo – Por que não avisou? — Retirei rapidamente o cobertor de cima dele, enquanto me encarava com uma expressão entristecida. Enrolei o cobertor e deixei em um canto no quarto.

Virei à ele e direcionei a visão ao seu semblante, pareceu devastadoramente culpado, demonstrando num olhar encharcado e congelado frente à si. Suas bochechas coraram, e não tive ação alguma. Somente subiu o peso à consciência ao perceber que havia gritado com ele.

Fui até o banheiro e molhei sua toalha. Voltei ao quarto e fui até ele.

– Eren... – Toquei seu queixo e levantei seu rosto para que me olhasse. – Preciso que fale comigo. – Nos encaramos, agora bem próximos. Então novamente desviou seus olhos perolados dos meus, sem desfazer o toque.

– Me perdoe. – Disse num tom grave.

– Estou aqui pra cuidar de você. – Voltou a me olhar. – Mas preciso que fale. Quando sentir dor, quando estiver com fome... Ou até quando quiser levantar. Pirralho... Eu te carrego quando quiser. – Acariciei seu queixo com meu polegar á fim de passar-lhe segurança, então senti seu rosto aquecer, e apenas movimentou-o em concordância. – Você tem vergonha de mim?

– N-não...

– Então não fique acanhado quando te verem no meu colo. Todos sabem da sua situação, idiota. – Provoquei ainda mais vermelhidão em seu rosto.

Retirei sua blusa, agora com sua ajuda. Passei a toalha molhada onde o chá havia atingido, bem lentamente na cautela de não machucá-lo onde havia feridas. Realizava a limpeza num toque um tanto sutil e delicado, então inevitavelmente o fervor subiu também à minha face. Deslizei o pano molhado e frio até seu pescoço, arrancando-lhe um suspiro baixo e remansado, talvez fosse pelo choque térmico... Por também notar que seus mamilos começaram a enrijecer.

Subi a toalha à altura da boca e finalizei, enxugando os cantos de seus lábios abertos em um feixe, sem qualquer assunto decorrente, somente transportando um hálito agradável, agitado e apetitoso que ia de encontro com minha pele.

– Está tudo bem se eu lhe der chá preto? – Cortei o silêncio, e ele aceitou.

Peguei outra blusa seca, mas pediu para que ficasse sem por ter tido calor, até por que o cubro com dezenas de cobertas. Peguei novamente meu chá e sentei próximo à ele. Levei até sua boca, segurando a xícara pela aba, e com minha outra mão disponível apoiei seu rosto, afim de ajustar o ato. Deu alguns goles calmos, satisfez-se e então tomei o resto.

– Heichou...

– O que foi?

– Não precisa ficar na poltrona, ehr... – Me virei à ele. – P-por que não dorme hoje aqui na cama? – Disse abaixando gradativamente a voz, até sua última palavra sair quase inaudível.

– Não durmo. Tenho que ficar de olho em você. – Sentei-me na poltrona.

– Mas não aconteceria nada da mesma forma!

– Não.

– Heichou... – Tentou me persuadir chamando de forma doce e com um olhar afável, faltava estimular um bico em sua face pra parecer um garotinho mimado de cinco anos.

– Não, pirralho. – Desviei meu olhar para fora da janela, e notei que os outros ainda estavam ao redor da chama. Voltei novamente o olhar acima do moleque e ainda me olhava com aquela face aprazível que me enraivecia, por acabar de notar que estava conseguindo me amolecer.

Tsc... Que isso não chegue a se tornar uma fraqueza.

Levantei-me, ainda sério com o garoto e direcionei-me até seu lado da cama. Deitei e me cobri, virando de frente à ele.

– Boa noite, heichou. – Disse serenamente, fechando seus órbes esverdeados frente à mim.

– Durma bem, Eren. – Fitei o semblante angelical por algum tempo, até cair no sono.

Notas finais
Amores, me perdoem se pequei em algum momento, seja na escrita ou mesmo em alguma cena. Eu realmente queria ter feito melhor, mas encarei o maldito bloqueio mental para não demorar muito em postar. Além de que enfiei na mente que teria que fazer os capítulos menores, então lascou tudo pro meu lado. Tive que recortar, colar, passar a borracha e repetir a leitura milhões de vezes, até que enjoasse do capítulo e achasse tudo uma porcaria!! uashaushauhs. Mas ai merda nenhuma adiantou no final e continua na mesma faixa dos 4.000 -.-' Bem, queria comentar sobre a rivalidade entre Mikasa e Levi: Se há algum fã da personagem, me perdoem de novo, eu adoro ela também, aliás... Vou até fazer cosplay dela fim do ano. Então, ela é gente boa, mas a rixa existiria de qualquer forma entre os dois. Relevem esse lado. A música que imaginei Armin tocando é a James Dean & Audrey Hepburn (Acustica) do Sleeping With Sirens. OUÇAM, é perfeita e combina MUITO com ele! Beijos meus pequenos, até o próximo!