Rescue Me
8 Kamus
Notas iniciais
Bem, meu ritmo de escrita e postagem diminuiu bastante, pois ando tendo uns problemas pessoais e estou passando por uma mudança muito séria... mas não, eu não abandonei a fic, não temam! /o/
Quero deixar meus muitos beijos e abraços pra leitores, pessoas que deixaram reviews (isso me deixou soper feliz), e pra Momuxa e a Nano, maninha dela, por desenharem os lindos do Saff e do Sven com tanto carinho
No outro dia de aula, tudo já tava ao normal. Até as aulas tavam se arrastando do mesmo jeito que antes. Porém, aula chata ou não, tinha algo que eu precisava fazer ali.
- Ah, saudações. – a criatura ficou me encarando com aquele jeito bizarrão, como se eu não fosse nada mais importante que a barata que tinha passado por cima do sapato dele de noite. – É realmente uma surpresa tê-lo aqui... então, o que posso fazer por você?A criatura tinha um nome: Kamus. O cara no mínimo mais sinistro da turma toda. Andava sempre de sobretudo preto, não importava se tava frio ou calor. No bolso daquela porcaria de sobretudo dele, tinha sempre uma adaga fininha, com o cabo bem preto e uma lâmina tão amoladinha e brilhante que mais parecia a foice da Morte. Tá, até que eu gostava daquilo, tinha estilo, mas seria mais legal se fosse uma pistola.No fundo, ele parecia mais um punk emo revoltado com tudo na vida que resolveu se vestir diferente pra meter medo. Não falava muito com ninguém, adorava provocar os professores, e todo mundo sabia que ele e o Hexion comandavam um círculo de operações que envolvia quase 90% de tudo quanto era merda que acontecia naquele colégio. Vai ver era por isso que eles viviam quase todo tempo juntos. Acho que se eles pudessem explodiriam o teto do colégio achando graça.Mas dessa vez eu tive um pouco de sorte. O “aqui” era o corredor do primeiro andar, um lugar que ficava praticamente desabitado nos turnos da noite, porque a criançada que estudava ali saía 4 horas da tarde e deixava tudo vazio depois. E ele tava lá, numa boa, lendo alguma coisa no iPad (preto) dele, provavelmente bem macabra, quando eu cheguei pra levar o papo com ele.- Tenho uma proposta pra te fazer. Na verdade, se for parar pra pensar, é mais um presente do que uma proposta.- Sou todo ouvidos. – ele falou, sem tirar o olho do iPad. Eu também não tiraria se tivesse um, mas aquilo não vinha ao caso.- Tá a fim de ferrar um professor?Ele dedilhou alguma coisa pro lado, fechou o Opera Mini do tablet e me olhou de canto de olho.- Defina “ferrar”.- Acabar com toda e qualquer chance remota de ele sequer ter reputação e moral de novo.- Defina “chance remota”.- Algo do tipo, humilhar ele a tal ponto que ele vai ter que trocar de país pra tentar ter outro emprego de novo.Ele foi abrindo um sorriso meio interessado.- Defina o alvo.Aquela resposta eu fiz questão de dizer com todas as letras.- Saffron Demeter.Kamus desligou o tablet e virou de frente pra mim. É claro que aquilo era interessante. Ele era do tipo que adorava desafiar um professor com aquele tipo de pergunta que nem gente com mestrado e doutorado sabia responder muito bem, e o Goma adorava responder essas perguntas. Na cabeça torta de professor dele, aquilo era sinal de interesse, não de afronta. Vai entender.- Andou revirando o lixo dele, é? – ele perguntou vagamente, demonstrando uma pontinha de mistério. – Espero que seja algo bom, pelo menos.- Melhor do que você imagina.Abri a mochila e mostrei só uma prévia do que eu tinha: a foto original que eu peguei na casa do Goma. O Kamus se espantou um pouquinho, deu pra ver os olhos dele brilharem de um jeito quase feliz.- Esse nunca me enganou, mas com provas a coisa muda de figura...- Isso é só o começo...Guardei a foto na mochila, tirei as outras todas que consegui e tirei o mp4 da mochila. Fui mostrando cada coisa com calma, as gravações, as fotos e até coisas sobre o Leon. Kamus parecia realmente surpreso, não pelos fatos, e sim de eu ter conseguido tudo aquilo. Pelo menos foi isso que eu achei.No fim, ele pegou todas as provas e foi guardando na mochila, numa ordem toda estranha que eu acho que só ele ia entender.- Vai ser um jogo interessante... – disse ele, depois de copiar os áudios pro iPad. – Eu só não sei o que você quer ganhar com isso.- Nada, só quero me livrar dele. E mesmo se tivesse mais coisa, não é da sua conta.- Hm, ciuminho do ex, é?- Como é?- Nada... Aquele jeito meio cantarolante de falar dele me irritava. Até parece que ele sabia mais do que eu. Ele não sabia de nada!Ele abriu a mochila dele e tirou uma caixinha de suco de uva. Tomou um pouco e ficou me olhando.- Tá, eu vou dar um jeito. Vou ver o que dá pra fazer com isso.- Ver o QUE dá pra fazer? É só jogar isso na cara dele e pronto, qual é a grande dificuldade nisso?- Não. – ele me cortou. – Não é jogar isso na cara dele, porque se fosse, mesmo um covarde como você já teria feito. Você quer se divertir às custas dele sem se envolver, e acha que eu vou fazer só o que você quer. Por acaso eu pareço o tipo de cara que obedece cegamente os outros, que os deixa comandar tudo sem pensar nos meus próprios interesses?Ok, talvez me aliar com ele não fosse a coisa mais inteligente a se fazer. Mesmo assim, fiquei esperando pra ver o que ele ia dizer depois.- Então vai fazer o que, pregar essas fotos no quarto pra ficar admirando a homossexualidade do querido professor?
- Você parece achar ele muito querido, mas isso não se estende a mim...- Eu ODEIO ele. – respondi sem receio nenhum. – Se fosse qualquer outra coisa eu não te daria isso tudo. Tá pensando o que, afinal?- Se eu simplesmente saísse contando pros outros o que eu penso, não teria graça...Aquilo tava me dando mais ódio. Eu queria alguma coisa pra arrancar a cabeça dele naquele exato instante. E ele tava sorrindo. Com uma cara de pateta que me dava ainda mais vontade de quebrar os dentes dele um por um.- Kamus, escuta bem, se você inventar de me sacanear com isso, eu vou...- Ah, vai o que? – o sorriso dele aumentou! Filho de uma puta! – Chame o diretor, diga a ele que eu roubei as provas que você ia usar pra sacanear um membro do corpo docente! Não, melhor ainda, chame o professor Saffron, diga a ele como eu arruinei os seus planos de estragar a carreira dele eternamente...Ok, tava decidido. Eu IA quebrar a cara dele. Eu só não sabia como. Ele era bom de briga, e viva pendurado no Hexion, que era mais truculento que um trator de demolição... eu tinha que fazer alguma coisa. Mas se não podia bater nem ameaçar ele, o que podia surtir efeito contra aquele cara?- Nah. – ele falou de repente, olhando pra parede. – Não é só vingança pessoal e humilhação que você quer? Na hora certa, você terá. E você não será afetado, claro, não se preocupe. Não vou lhe tirar da sua insignificante capa de covardia pra lhe expor à crueldade da exposição vergonhosa que ele vai passar. Pode ir numa boa pra sua casa.Por alguma razão, o jeito de falar dele me fez ter um calafrio. Nessa hora ele se virou e deu tchauzinho, com um sorriso muito macabro, muito mesmo. Era o jeito dele de dizer que não ia mais falar comigo. Cara filho da puta... Mesmo assim, aquilo era um sinal de que nosso acordo ia fluir bem. E de que eu ia sair rindo dessa história em pouquíssimo tempo. Deixei pra lá minha raiva por ele e fui pra sala.----------No fundo, tinha algo feliz na minha terça feira: Literatura. Aquela era de longe a minha aula preferida, não porque eu gostasse de estudar, nem de ler aqueles livros, porque daquilo eu não entendia porra nenhuma. Meu motivo de adoração se resumia a um só nome: Sophia Asagao. Pra mim, ela era mais do que uma professora. Nos conhecemos alguns anos antes, em um jantar de negócios da família do meu pai, e ela acabou se aproximando da família – e de mim. Ela sempre me tratou bem, e eu acabei me acostumando a chamar ela de maninha. Tomei um susto quando descobri que ela ia me dar aula – um susto bom, na verdade, porque era minha única motivação pra ir no colégio, principalmente numa terça feira em que o último horário era Educação Física.Além disso, a Sophia era muito bonita. Dava gosto de ver ela passeando pela sala, com aquele cabelo esverdeado brilhante dela e os olhos meio lilás, falando todas aquelas coisas sobre amor e gente que se matava pelos outros. Aquilo combinava com ela. Era como se ela tivesse nascido pra fazer só aquilo pelo resto da vida.- Muito bem, queridos, eu espero que todos tenham tirado um tempinho no final de semana atribulado de vocês pra darem uma folheada na leitura obrigatória que vamos cobrar na prova desse semestre. E aí, quem já leu Amor de Perdição?Quase todo mundo da sala levantou a mão – até eu. Eu não gostava de ler esse tipo de porcaria nem pela Sophia, mas bem, eu tava algemado na cama, não tinha nada pra fazer, e o livro tava jogado no fundo da cabeceira... além disso, pelo menos serviu pra me distrair. Quando eu não tava estudando, passava tanto tempo tentando decifrar o que tava escrito na porra do texto que quando via já tinha dado sono.- Nossa, até você Sven? – ela não deixou esse fato passar. – E eu achando que esse mundo não tinha milagres...- Ah... sabe como é, às vezes a gente faz um esforço...A turma toda riu, até ela. Ela chegou mais perto de mim e sentou no canto da minha mesa.- E aí, o que achou do livro?- Ah, sei lá, uma bosta. – falei sem rodeios. – Metade do que eles falam a gente não entende. E quando entende é uma ladainha só, uma cu-docisse sem tamanho.E o povo continuava achando graça. A Soph abriu um sorrisinho e continuou a aula. — Bem, eu já expliquei sobre isso aqui, mas Amor de Perdição é uma das obras mais marcantes da segunda fase do Romantismo. E por se tratar do Romantismo, isso que você chama de cu-docisse sem tamanho é uma das características básicas dele, o Sentimentalismo Exacerbado. Certo, o que mais você notou na obra, Sven?- Ah... – tentei lembrar de alguma coisa que eu tivesse gravado daquilo. – Sei lá... eles sempre falam de si mesmos, e como se sentem, e como precisam viver do amor um do outro, e que são uns miseráveis e num sei mais o que...- Muito bem... e sabe por que? O mundo romântico daquela época é diferente. – ela levantou e foi escrever as coisas no quadro. – Qual é o nome do personagem principal do livro, mesmo?- Simão Botelho! – claro que o Akio ia responder aquilo na velocidade da luz. Aquele cara adorava engolir livro, eu hein... – Mas claro que tem a Teresa de Albuquerque também...- Correto, Akio, eles são o casal principal, eles que movem a história toda. Bem, como eu dizia, o mundo em que eles vivem é diferente do que vemos hoje. Primeiramente, eles só pensam em si mesmos, só nas necessidades deles, só conseguem pensar em como o amor é importante pra eles, mesmo que o mundo esteja desabando e toda a família esteja morrendo de um surto de tuberculose. Egocentrismo e individualismo.Ela escreveu as duas palavras no quadro e foi dando mais voltas na sala. - Os sentimentos deles são a força motriz de tudo. Como são egoístas e individualistas, claro que a visão de mundo deles é a única que importa. A economia pode estar crescendo 90% ao ano, e isso é muito!, o superávit comercial pode estar sendo histórico, mas pra Simão Botelho, como ele não tem a Teresa por perto, isso pra ele só significa desgraça. Subjetivismo.- Tá, mas eu conheço uma boa galera por aí que ainda vive no Romantismo, professora. – falou o Davkas por alto. – NX Zero, Restart, Fresno, essas merdas todas...A sala se dividiu com metade zoando as bandas e metade defendendo eles. Eu hein... é por isso que eu nunca me envolvia com ninguém. Eu sempre odiei me misturar com o resto da turma. Tinha pouquíssima gente ali que valia a pena, e eu não ia perder meu tempo procurando quem era bom e quem não era.- Certo, chega pessoal. – Sophia retomou o controle da aula. – Veja bem, Davkas, o romantismo daquela época era algo tão profundo e aterrador que poderia tranquilamente sufocar uma pessoa. Para os poetas dessa fase, lembrem que Amor de Perdição é de 1862, morrer por amor, e no sentido literal de morrer, era algo glorioso e perfeito – o que mistura o grotesco e o sublime. E essa mistura era algo que eles idolatravam.Ela foi até a mesa, pegou seu exemplar do livro e começou a ler.- Não receies nada por mim, Simão. Todos estes trabalhos me parecem leves, se os comparo aos que tens padecido por amor de mim. A desgraça não abala a minha firmeza, nem deve intimidar os teus projetos. São alguns dias de tempestade, e mais nada. Qualquer nova resolução que meu pai tome dir-ta-ei logo, podendo, ou quando puder. A falta das minhas notícias deves atribuí-las sempre ao impossível. Ama-me assim desgraçada, porque me parece que os desgraçados são os que mais precisam de amor e de conforto. Vou ver se posso esquecer-te, dormindo. Como isso é triste, meu querido amigo!... Adeus.A sala ficou em silêncio enquanto ela lia. É, cara, ela tinha sido feita para aquilo.- Teresa é uma mulher que não teme o sofrimento, que não se importa de passar pela calamidade, seja qual for, se no final ela puder ter Simão como prêmio. Hoje em dia, chamaríamos isso de autoflagelo, de masoquismo, de falta de amor próprio ou até de psicose... mas na época era algo tão profundo e puro que seria uma honra vivenciar um amor como esse. E mesmo hoje, ainda há gente que valoriza esse tipo de conto. Qual das meninas aqui leu Crepúsculo e não achou o máximo ver o Edward se afastando da Bella porque não queria machucá-la, e ela correndo em motos e se jogando em abismos pra ter ele de volta?Claro que quando falou em Crepúsculo as patricinhas da sala ficaram numa felicidade só. E eu já tava me cansando daquilo. Mesmo assim, fiquei calado. Afinal, era a Sophia...
Nessa hora, o sinal bateu. Ela fechou o livro com a mão e sorriu.- Pensem um pouco nisso antes de jogar o livro fora. Ah, e a professora Lenna pediu pra vocês descerem já com o uniforme, porque ela não quer ter que puxar a orelha de ninguém que não esteja vestido direito, certo?Todos foram pegando suas coisas e andando pro vestiário, ou pra cantina, o que desse na telha de cada um. Eu na terça sempre ficava um tempinho do intervalo papeando com a maninha.- E você, Sven, o que conta de novo? Não anda ficando de castigo por besteira de novo, né?- Ah, não, imagina! – pra ela eu tinha que mentir. E se ela ficasse preocupada? – As coisas vão ótimas, e com você e o quilômetro parado do Hitori?Ela fez uma cara meio séria, eu não sabia se ela tava chateada com o apelido do noivo ou se eu menti mal demais e ela percebeu. Mas eu me safei, porque nessa hora o celular dela começou a vibrar que nem louco em cima da mesa.- Ah, que coisa... me espere só um minuto, sim?Ela pegou o aparelho e saiu. Resolvi aproveitar a folga pra trocar de roupa – de jeito nenhum que eu ia me trocar perto daqueles moleques do vestiário. Tirei a camisa de jogo da mochila com o pé e fui trocando de roupa ali mesmo, na sala vazia. Pena que não tinha uniforme de física de manga comprida, o meu tava pra lavar e eu não achei nenhuma blusa pra vestir por baixo da regata. Sorte que eu tinha comprado uma munhequeira. Se alguém resolvesse ver a marca da algema no meu braço, eu tava ferrado...Pois bem nessa hora, o filho da puta me resolve aparecer. Eu nem terminei de vestir a blusa quando a porta da sala abriu, e o Goma entrou, sem mais nem menos.- Sophia, tá ocupada? Eu queria te pedir um... – ele parou de falar, vendo só eu ali, com um monte de roupa na mão. – Ah, Sven, a Sophia já foi?- Foi atender o celular. – respondi muito a contragosto.- Ah... será que ela vai demorar? Queria pedir um livro pra ela, mas tenho que entrar na sala mais cedo, tenho que pegar os exercícios do pessoal do 2º ano e não sei se o horário de aula vai dar...Claro que isso não era problema meu, mas ele continuava falando. Eu abri a boca pra falar, mas ele me viu primeiro. E quando eu percebi, ele tava olhando certinho pra onde eu menos queria que ele visse.- Sven, o que é isso no seu pulso?- O que?- Essa marca no seu pulso! – ele veio pra cima de mim. Tratei de recuar logo. – Esse hematoma aí, quem te fez isso?- Ah, isso? Ah, é que eu fui numa casa de swing essa semana e a gata que ficou comigo pegou um pouco pesado, sabe?...Ele fez uma cara muito feia de quem queria e ao mesmo tempo não queria falar. Mesmo assim, não disse nada, apenas largou meu braço e se afastou um pouco. Puta merda...- Não acha que tá muito novinho pra ficar se metendo nessas coisas? Esse tipo de comportamento é uma beleza pra quem quer pegar uma DST...- Da minha vida cuido eu, não se preocupe. – cortei logo. Santa mania de viver me passando sermão! – Além disso, eu não sou tão imbecil assim pra ficar doente como você pensa.- Se você diz... – ele falou do jeito normal de sempre, mas dava pra ver que ele ficou puto. – Só espero que a tua namorada tenha te deixado feliz, porque essas marcas no teu peito e na tua costela estão bem caprichadas.Senti meu rosto esquentando, e botei a blusa a jato. Os seguranças do vovô sempre socavam ali, sempre, porque eles sabiam que era a parte do meu corpo que mais doía. Também não adiantou de muita coisa; quando eu terminei de botar a blusa ele tinha saído de novo. Comentário estranho... será que ele desconfiou de alguma coisa?Mas peraí... o que ele tinha pra desconfiar, afinal? A culpa de eu estar com aquilo era dele! Ele foi o filho da puta que resolveu dar com a língua nos dentes pro vovô! E agora ele vinha se fazer de vítima, esperando que eu fosse doce e inocente com ele? Ah, vai tomar o cu!- Desculpe a demora! – Sophia entrou logo depois na sala, toda sorrisos, e eu tratei de melhorar a minha cara, mas ela percebeu. – Ué, ouvi a voz do Saffron, ele veio aqui por acaso?- Veio pegar num sei o que com você.- Ah... estou um pouco preocupada com ele, ele tem passado por alguns problemas sérios, mas não quer me contar o que é... será que tem algo a ver com a audiência?- Que audiência? – perguntei de uma vez. Se fosse mais motivo pra ferrar ele, melhor.- Um promotor marcou uma audiência daqui a alguns dias pra definir a guarda do filho dele, ele ficou um pouco receoso porque não sabe o que os juízes vão dizer... – ela sentou de novo. – Ser pai solteiro deve estar sendo bem difícil pra ele.- Ah. – claro que eu não tava nem um pingo interessado naquilo. Se o filho dele estudava no colégio e ele tinha bolsa, então não tinha como provocar um escândalo por ele ter um filho com quase a metade da idade dele.Além disso, eu já tinha feito a minha parte. O Kamus que se virasse pra fazer um auê bom o bastante com tudo que eu entreguei pra ele. Meu plano tava completo, era só esperar que tudo ia acontecer naturalmente.Mas quanto tempo eu ia ter que esperar?
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