Notas iniciais
As reviews. MEU DEUS, GENTE, AS REVIEWS! Juro que tomei um susto quando vi aquele monte de mensagem de "Review recebido" no meu email...
Fiquei muito feliz de ver a "repercussão" que esse capítulo trouxe. Como eu disse antes, só de ter participado dele foi muito divertido, mas as reviews meio que me pegaram de surpresa, especialmente a do Kamus (que mais parece uma redação lol). Admito que foi algo tão inesperado pra mim que tive uma crise de motivação pra escrever xDDD Tanto é que já estou pensando em novos projetos do eixo da Silvério Franco pra quando essa aqui acabar. E não são poucos os planos que eu tenho...
De novo, muito obrigada a quem deixou reviews, a quem acompanha a história na "surdina", a quem lê e divulga por aí. Eu no dia que vi todas as reviews me senti a autora mais feliz do mundo! o/
Mas bem, chega de trololol e vamos ao desfecho de toda essa confusão...

Sempre fui burro demais pra certas coisas. Apesar de ser uma pessoa extremamente calculista, sempre odiei os números – não sou o aluno mais aplicado da escola, e pode ter certeza que meu rendimento sempre é bem ruim quando se trata de matemática, química, álgebra e afins. Mas de todas as matérias que eu odeio, a pior delas com certeza é física.

Quem diz que a matemática está contida em todas as coisas, é porque não sabe que no fundo ela deriva da física. A matemática não tem razão de existir sem todos os movimentos naturais e aquelas leis e regras que a física determina até pra quando um preso resolve cuspir pro lado de fora da cela. Essas leis cercam todo o universo, querendo ou não, e são essas leis que me fazem ter mais ódio ainda de toda a vida e de tudo que acontece ao meu redor.

A primeira delas é a lei da causa e efeito.

Um mané idiota qualquer (acho que foi Arquimedes) inventou que pra toda ação tem uma reação no sentido contrário e com o dobro da força. E era exatamente o que tava acontecendo comigo.

A ação foi partir pra cima do Saffron com tudo, ir pra cima dele querendo massacrar ele até não sobrar pó, manchar a reputação dele com tanta porcaria que não ia ter como se recuperar disso nem que ele reencarnasse na pele do Papa. E eu acho que fui bem longe nisso. Envolver o Kamus, então, foi um passo bem arriscado.

O problema é que a reação do Saffron na época foi exatamente oposta, e com o dobro da força. Ele não agrediu de volta. Eu fui pra cima dele com tudo, e ele disse “pois bem, que venha, estarei te esperando” e passou a cuidar de mim. Ele tornou minha a casa dele, a rotina dele, as fraquezas dele, a vida dele. E eu ignorei isso e fui até o fim nisso tudo.

Mesmo que eu quisesse nunca ia conseguir voltar atrás depois que tinha começado todo o plano contra ele, e eu sabia disso. Mesmo com tudo me dizendo que isso ia dar merda, eu não consegui mais arrumar jeito de parar a merda que eu tinha arrumado pra mim e pra ele. O Kamus também não parou, e jogou a merda toda no ventilador pra toda a escola – e quem mais tivesse tido tempo de acessar aquele maldito site dos infernos – ver.

E assim, oito dias se passaram. Os acontecimentos finalmente esfriaram um pouco, as pessoas parecem ter esquecido um pouco de toda essa fofoca, estão criando novas intrigas pra espalhar por aí – e aos poucos o assunto vai morrendo. Bom, pelo menos é o que eu acho, já que nessas últimas duas semanas estive trancado no galpão que fica no sítio do meu avô, bem longe da civilização.

A lei da inércia diz que um corpo parado tende a ficar parado ali até que uma força aja sobre ele. O senhor Arceus levou isso a sério, e no meio da cagada toda na escola dele concluiu que eu ia virar um travesti oferecido trabalhando na esquina ou no viaduto se ele não exercesse uma força diretamente proporcional pra mudar isso. E ele agiu sem pena: não deu tempo nem de cair a noite e eu já tava indo pra lá, trancado na mala do Sonata dele com aqueles brucutus dirigindo (por sorte não era o Audi, senão aí eu tava fodido mesmo).

E assim termina a história de como um aluno inútil de Convênio tentou se vingar de algo que nunca fizeram contra ele e acabou fodido.

Hoje é o quinto dia que não como. Jogaram uma porcaria pra dentro da cela que nem sei direito o que era, mas era comestível então tive que me virar com aquilo mesmo. Tem um buraco no telhado por onde entra água quando chove, é por ele que eu vejo quando é dia e quando é noite. Até daria pra pensar em um jeito de fugir por ali, se os gorilões não entrassem aqui de vez em quando pra me descer o cacete como se eu fosse cachorro.

Esse é o método do meu avô pra me “consertar”. Ele acha que me enchendo de porrada vai mudar quem eu sou, ou o que eu penso, ou que vai me fazer obedecer a ele como se fosse um robozinho baba-ovo. E na minha opinião isso tá dando totalmente errado, principalmente porque desde que cheguei aqui só penso no Saffron.

O Sistema Internacional de Medidas devia incluir uma taxa máxima do quanto uma pessoa pode acumular remorso. Sério. Isso já tá ficando um pouco cansativo, porque quando não tô apanhando, tô pensando nele ou em comida e nas coisas que eu fazia quando vivia numa boa em casa. Qual era o plano daquele velho, afinal, me matar de fome ou de tanto apanhar? Ou era me torturar pelo arrependimento, mesmo?

Eu pensava em tudo. Pensava no que devia ter acontecido com ele, em como ele tava, se o Leon tinha saído da escola, se o Johann tinha ido lá acudir ele, e em como eu queria um soco inglês fervente e cheio de espinhos só pra acertar a cara do Kamus e do Hexion. Fazer as pazes com o Saffron não ia ser nada simples, mas ficaria bem mais fácil se eu não estivesse trancado num sítio do interior apanhando porque meu avô acha que eu era viado.

Não que eu não seja, mas...

A chuva tá começando a passar. Dá pra ouvir os caras marchando do lado de fora, como se eu fosse fugir ou coisa parecida. Morto de fome do jeito que eu tô, não tenho como sair daqui nem que eu consiga passar por eles. Além do mais, o próximo reduto civilizado fica a quilômetros daqui. O jeito era depender da misericórdia daquele velho enrugado... ou de um milagre, o que fosse mais fácil.

Eu já tô deitado aqui no chão há horas, e tô até estranhando não ter apanhado muito hoje. Até consigo me mexer... talvez eles estejam amolecendo e cansando afinal, se bem que eles nunca cansariam de algo tão divertido assim. Talvez eles tenham decidido que vão me dar logo um tiro na cabeça e me matar... até que não seria ruim. Pelo menos posso ter a chance de ver luz de novo, em um espaço maior que um buraco no teto, nem que seja a luz no fim do túnel.

Estranho. Tem um barulho esquisito vindo do lado de fora... parece ser um motor. E passos. E algo batendo com força. E um pouco mais de chuva. E risos. E mais água espirrando. E agora não consigo ouvir nada de novo. Droga! Deve ser algum novo método de tortura... tomara que não tenham resolvido esfregar sal nos cortes de novo.

A porta se abre, e eu vejo uma pessoa entrando. Além de não ouvir não consigo ver nada também, porque a luz invade o galpão e meus olhos ardem muito. Juro que tentei me encolher pra fugir da luz, mas não teve como. Mas aos poucos, parece que meus sentidos vão voltando ao normal, e dá pra ouvir o que o cara tá falando.

- ... me ouvindo? Ah, Céus...

Eu conheço essa voz, sei que conheço. Mas a minha mente não tá colaborando. Meus olhos ainda tão bem ruins, o cara continua vindo pra cima de mim e obviamente eu vou tentando recuar, pra sair de perto dele, e mais obviamente ainda ele me alcança com uma facilidade incrível.

Ele é loiro. Imediatamente penso no Saffron, mas depois percebo que é a coisa mais inútil do mundo. Ele te odeia, lembra? Por sua culpa ele deve ter no mínimo mudado de país. Mesmo assim, ele é tão parecido... e o jeito dele de passar a mão na minha cabeça...

- Sven, fale comigo... eu vim assim que soube... – ele diz, e eu saio um pouco do meu transe. Abro a boca mas não tenho certeza se alguma coisa saiu ou não. Tem algo vermelho no meio daquele amarelo da cabeça dele e eu não sei mais o que pensar. – Ah, graças a Deus, pelo menos está vivo... abra a boca...

Não sei se já fiz isso ou não, só sei que sinto ele colocando alguma coisa nela. Meu corpo tá tão fodido que não consigo nem mastigar direito, e ele começa a mexer o meu queixo pra tentar ajudar na tarefa. Mais um esforcinho pra engolir... e percebo que tem gosto de chocolate. Como não consigo perguntar nada, ele percebe pela cara que eu faço e acaba respondendo minha pergunta.

- Sim, é chocolate... é só uma barrinha de cereal, pelo menos pra você conseguir sair daqui...

Em uma mexida de braço ele chega em mim, e dá pra ouvir algo metálico batendo no chão. Com mais um movimento ele me puxa, e me vejo olhando pra porta do galpão, aberta, sem gente esperando com armas do lado de fora. O que ele fez? Como ele conseguiu? Olhando pra baixo, ele me carrega, me colocando nas costas pra me levar até o lado de fora, onde tem um carro preto esperando pertinho dali.

Aquilo me faz sentir mais mal ainda. Eu quero falar, tenho tanta coisa pra dizer, mas minha voz não sai... quero abraçá-lo, como se não o visse há muito tempo, mas mesmo assim tem algo de estranho em tudo isso...

- Não se preocupe, tudo vai ficar bem, viu? – diz ele, em um tom de voz suave mas cheio de preocupação. A porta do carro abre sozinha, ele me ajeita deitado no banco de trás e dá a volta. – Aguente só mais um pouco, eu vou cuidar de você daqui pra frente, não vou mais deixar isso acontecer...

Ele entra, e o carro vai saindo com ele sentado do meu lado, minha cabeça na coxa dele. Tinha manchas vermelhas no banco e no estofado da porta, mas não tinha como saber se aquilo era meu. Não sei bem de onde saiu, mas ele tirou uma garrafa de alguma coisa (agora eu conseguia ver um pouco melhor, vai ver por causa do chocolate) e me dava pra tomar. Era água. Água boa, depois de dias sem saber o que era isso.

- Saff... – consigo finalmente dizer. Ele se assusta, e coloca a mão em meu rosto.

- Shh, fique quieto. Depois conversamos, eu já disse...

- Mas... eu preciso...

- Não, menos. Você se machucou demais, descanse um pouco...

Eu ainda abro a boca uma última vez, mas ele bota a mão sobre ela e eu acabo desistindo. Tenho que pedir desculpas, mas as palavras não saem. Tinha alguma coisa diferente naquilo, agora eu tinha certeza... mas talvez ele tivesse certo e não fosse a hora de resistir, mesmo. Então resolvi fechar os olhos e deixar ele cuidar de mim pelo menos uma vez na vida.

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Acordo, e meu corpo ainda dói que nem um horror. Um pouco menos em certas partes, mas ainda assim dói pra caramba. Porém, uma vantagem: ao abrir os olhos, percebo que estou enxergando bem melhor. As coisas continuam um pouco embaçadas, mas é só virar um pouco a cabeça que vejo um óculos me esperando.

Agora sim eu consigo enxergar. De um dos meus braços sai um tubo fininho ligado a uma bolsa de soro. Uma coisa dessas me lembra de um hospital, mas tenho minhas dúvidas, pois vejo um quarto simples, com a cama de solteiro, um armário, um radinho despertador perto de uma mala e uma roupa por cima dela. A janela tá fechada, mas dá pra ouvir um pouco de barulho por causa da central de ar Split que tá ligada. Vai ver é por isso que tô todo agasalhado. Uma cama macia dessas tava melhorando meu humor em 200%.

Mesmo assim, eu continuo em um quarto desconhecido e sem saber muito bem o que tinha acontecido. E até que um prato de comida não ia cair mal também. Resolvo tentar levantar, mas ainda tô um tanto zonzo demais pra usar meu corpo decentemente de novo.

Ouço vozes do lado de fora, e decido deitar e ficar quieto de novo. No fundo eu não tenho certeza de quem me trouxe, e eu não tô a fim de correr risco nenhum. E parece que minha ideia foi boa, porque as vozes se aproximam, a porta abre...

- Ei, você acordou?

Ele não precisou dar dois passos pra dentro do quarto e eu já tinha reconhecido ele. E agora eu tava lembrando porque tinha visto uma cabeça loira. Não era alucinação. Só não era a pessoa que eu esperava que fosse.

- Azhi!

Não consigo me conter. Faz uns bons anos que eu não vejo meu irmão mais velho, eu só não lembro muito bem porque agora. E ele tem um prato na mão. Nada poderia ser melhor.

Assim que vê que eu acordei, ele voa na minha direção, bota o prato na mesinha de cabeceira e quase me atropela ao tentar me abraçar. Sim, era ele mesmo.

- Meu Deus, Sven, você me deu um susto... – ele diz, parando pra me olhar e abrindo um sorriso que de tão tranquilo me fazia relaxar também. – Eu fui o mais rápido que pude... há quanto tempo você foi levado pra chácara? Como se sente, está melhor?

Isso também explicava o soro: ele era médico. Azhi foi um dos poucos da família que resolveu seguir a tradição profissional hierárquica sem pestanejar. Mas claro que não era isso que meu avô queria, pra ele só serve se for eu. Só eu herdei o talento médico da família, e ele sabe disso.

E assim começou uma briga familiar de 16 anos, que por sinal dura até hoje.

- Ah, eu tô bem... vaso ruim não quebra. – respondo, aliviado de ter meu irmão de volta. – Mas porque... não, como? Como soube o que aconteceu? Você não tava na Alemanha?

- Sven, esqueceu que a família toda acompanha as coisas que levam nosso nome? Saiu no jornal daqui, foi um escândalo... uma pastora conhecida minha me falou do que aconteceu, daí eu peguei o primeiro voo de volta, vim o mais rápido que pude...

Tento abrir a boca pra falar, mas antes disso ele me afasta um pouco e coloca o prato na minha frente.

- Eu não sei quanto tempo você ficou pra lá, mas tenho certeza de que precisa disso. – diz ele. – Coma, você precisa se recuperar, seu corpo está precisando de vitaminas e eu não quero que você fique mais mal do que já está.

Uma proposta dessas não tem como recusar. Pego a colher e começo a comer, e sei que foi ele quem preparou, porque tá bem light e ainda assim gostosa. O prato some em menos de 5 minutos, enquanto ele fica me olhando e sorrindo. Só depois da metade do segundo prato, que ele foi buscar na cozinha, é que voltamos a conversar.

- E aí, o que exatamente você soube? – pergunto.

- Como eu disse, uma pastora amiga minha viu e me contou... disse que uma das escolas que ele achava que era da minha família tinha ido parar no jornal, porque os alunos publicaram uma foto de um professor beijando um aluno dele da universidade.

- Ah, não foi bem isso... – incrível como os boatos vão se distorcendo ao passar de boca em boca. – Mas onde eu entro nisso? Como soube que tinha a ver comigo?

- No servidor, junto das fotos do seu professor, tinha outras de um diretor fazendo apostas ilícitas, e uma sua beijando o tal aluno da universidade. Na hora que eu vi, sabia que era você...

É claro que eu já sabia disso. Sabia que meu avô tinha descoberto a foto, porque ele esfregou ela na minha cara umas 500 vezes antes de me encher de porrada. Eu só não sabia como, e tava descobrindo agora.

- Os boatos que correm na escola já diminuíram, e pouca gente viu a sua foto até onde eu sei. – continua Azhi. – Mas dizem por aí que você era amante do professor e que ficou com o aluno pra fazer ciúme pra ele...

- Claro que não! – grito, começando a ficar irritado.

- Sven, se isso é verdade ou não, não faz diferença pra mim. – ele diz, me cortando. – Mas essa história toda com esse professor ficou bem incompleta, eu não falei com Arceus porque sei que ele não ia me contar nada. Mas eu queria que pelo menos você me contasse o que realmente tá acontecendo aqui...

Ele me olha de um jeito preocupado, e eu sei que posso confiar nele. Somos irmãos, afinal. Então decidi, pela primeira vez na vida, falar a verdade sobre tudo.

- Os boatos não tão totalmente errados, eu fiz tudo isso... fui eu que consegui a foto dele com o Johann e dei pra um filho da puta aí publicar.

Meu irmão parece entender um pouco daquilo, mas ainda tá meio em dúvida.

- E quanto à história de ser amante deles?

... E ele fez logo em seguida a pergunta que eu não queria que ele fizesse. Mas ele era meu irmão, a única pessoa da família com quem eu podia contar, e por um minuto eu soube que se ele tinha enfrentado meu avô pra me tirar dali, mesmo sabendo um pouco dessa confusão toda, era porque ele não ia me recriminar.

- Não sou amante de ninguém... eles são ex-namorados, eu fui atrás do Johann pra saber mais da história deles, sim, aí ele veio me agarrando... mas eu não sabia que tavam vigiando ele...

- Se não me engano, Johann é o músico, o mais novo, não é isso?

- Sim, sim... eles estudaram juntos, namoraram um tempo... eu só fui conversar com ele, não era pra ter dado essa merda toda...

- Você não achou que a merda fosse voar na sua direção?

Daí eu me calo, porque nem eu sei mais o que eu queria. Deito na cama, e sinto vergonha de falar aquilo, mas talvez por se tratar do Azhi as palavras só saem, sem eu ter que pensar muito no que ele vai achar.

- Eu queria ferrar ele, eu odiava ele... só que depois eu acabei conhecendo ele, e aí não tinha mais como voltar... eu tentei tirar o corpo fora, fingir que não tava nem aí mesmo desde o começo, agora ele deve estar preso em algum lugar ouvindo uma acusação de assédio sexual e brincando de tiro ao alvo na cadeia com uma foto minha.

- Então você o ama, é isso? Mesmo ele sendo um homem, dez anos mais velho, casado, e ainda por cima pai de um menino?

Me recuso a responder isso. Isso não tem nada a ver com ele. Mesmo assim, por ser o Azhi, não consigo simplesmente calar a boca.

- Ele é divorciado...

Meu irmão sorri pra mim e me abraça. Depois, levanta, pega o meu prato, dá uma checada pra ver se precisa trocar o soro e vai saindo do quarto. Meio minuto depois ele volta com uma bandeja na mão.

- Sabia que você ia estar com fome, então preparei uma coisa que você gosta...

Café. Preto, forte e amargo. Azhi é o melhor irmão que uma pessoa podia imaginar, definitivamente. Claro que eu começo a tomar o café feliz, enquanto ele mostra uma notícia em um jornal desses baratos, que colocam uma mulher seminua na frente só pra levantar as vendas (ou talvez algo a mais). Mesmo assim, nem preciso ler, porque Azhi começa a resumir tudo.

- Ele não foi preso, o músico é maior de idade. No depoimento ficou provado que os dois estavam juntos por livre e espontânea vontade. Mas o músico foi expulso da faculdade e o professor foi demitido. Talvez ele tenha que encarar um processo disciplinar, mas acho difícil que ele seja punido. Não há provas de que ele tenha assediado nenhum aluno do colégio, então não tinham acusações pra fichá-lo pra começo de conversa. O que vai complicar é a audiência, tão dizendo por aí que a família da.. ex-mulher, é isso? Bom, que a família dela entrou com processo dizendo que ele não tem responsabilidade pra cuidar do menino.

- Porra, isso não tem nada a ver! – grito, ficando revoltando de nada. – Aquela mulher é louca, ela nem cuida direito do filho, com certeza ela só inventou isso pra ferrar ele ainda mais e obrigar ele a pagar pensão!

-Sim, sim, pode ser... – ele aponta pra um parágrafo no jornal. – Parece que tem uns outros tios se oferecendo pra ficar com a guarda da criança, mas eles foram tirados da disputa porque um não tem casa própria nem renda fixa e o outro é de menor.

Não consigo achar palavras pra falar, e Azhi tira a caneca da minha mão com medo de que eu a jogue em alguma parede. Não era pra isso ter acontecido, não era pra eles terem envolvido o Leon. Ele não tinha nada a ver com isso...

- Mas por que já começaram a querer mexer com o moleque? – pergunto, mesmo não esperando uma resposta.

- Ele estuda na Silvério também, não estuda? Deve ter bolsa do pai... a mãe alega que ele foi exposto ao constrangimento porque tudo isso aconteceu na escola que ele estudava.

Merda, merda, MERDA! Era tudo culpa daquele safado fodido filho de uma cadela vadia do Kamus. Não era pra nada disso ter acontecido, não era...

- Azhi, há quanto tempo isso tá acontecendo? Eu preciso fazer alguma coisa... há quanto tempo eu tô aqui?

- Bom... isso depende do que você quer saber. Aqui comigo, ou aqui na cidade?

- Tanto faz, eu só... espera aí... do que você tá falando? A gente não tá na capital?

Ele suspira pra poder responder.

- Sven, eu te tirei da chácara do Arceus, se eu voltasse pra capital eles iam achar você de novo... eu trouxe você pra casa do pastor Felipe aqui em Morro Doce...

Ótimo. Eu tinha sido espancado, tava com o corpo todo fodido, o Saffron ia perder a guarda do Leon por minha culpa, e não podia sequer pensar em fazer algo porque meu irmão tinha me levado pra uma cidade do outro lado do estado, a quase 1.200km de distância da capital, onde toda essa cagada tava ocorrendo.

Boa hora pra me oferecerem um cigarro...

Notas finais
Ah, vocês não acharam mesmo que eu ia encerrar assim, né? XDDD Não, o Sven ainda tem muita coisa pra resolver, a história dele não pode terminar assim... e claro, ele ainda tem que pedir desculpas a alguém~

E bem, esse capítulo só teve Sven e Azhi, mas pra quem tiver curiosidade sobre o Akio, aqui tem um desenhinho dele, feito obviamente pela Momo Noguiko: http://momo-noguiko.deviantart.com/art/A3K11-Concept-Art-255937586
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ATENÇÃO!
Pessoal, não tem nada de Arquimedes naquilo que o Sven falou. A lei da Ação e Reação citada no 4o parágrafo é na verdade a terceira lei de Newton, e a lei da Inércia é a primeira lei de newton. Então, cuidado ao usar a fic pra estudar, não esqueçam de que o Sven é burro! XD