Rescue Me
11 Amante
Tinha alguma coisa muito errada com o mundo.
Fome e guerras por toda a parte. Nos canais de notícia, um monte de coisas sobre morte e violência e tragédias e gente que perdeu tudo em assaltos, em enchentes, em erosões.Do lado de fora, barulho. Buzinas e cantar de pneus e sirenes. Das duas uma, ou era mais um assalto, ou mais um atropelamento. Não que isso fosse muita novidade, todo dia alguém morria ou era assaltado naquela rua.Pessoas. Um monte de gente inútil, uma verdadeira nação de gente que mais parecia um desperdício de oxigênio, que só pensa em futebol e mulheres e gente pelada na televisão.- Ô, Sven, passa o saco aí...E eu sentado ali, jogado no sofá da sala do Saffron, roubando Doritos do filho dele.Tinha muita coisa errada com o mundo. Tudo aquilo tava errado. O que eu tava fazendo ali, afinal? Por que eu tinha que simplesmente aceitar a oferta dele, como se ele fosse algum tipo de bom samaritano?Foram duas semanas depois da cagada toda na Office. O Saffron simplesmente me deu a chave do apartamento dele, disse que eu tinha livre acesso, que podia ir lá sempre que quisesse... e lá estava eu, comendo numa boa, me perguntando se ainda tinha coca na geladeira. O Doritos já tava no fim.- Ei! – Leon pulou no sofá, revirando o saco. – Você comeu o último! E até lambeu o farelo do fundo!- Dançou, moleque. – deu vontade de jogar o saco na cabeça dele, mas ia ser maldade demais. – Bobeou, ficou sem Doritos. Anda, vai lá na cozinha e pega mais coca.Ele levantou, meio a contragosto, e eu fiquei pensando no que eu tava fazendo enquanto assistia Naruto Shippuuden (o amigo dele emprestou 30 episódios da temporada pra ele, e eu não tinha mais nada pra fazer, então sentei lá pra assistir). Talvez eu não devesse ter aceitado a chave do Saffron, afinal. Aquilo tinha tudo pra dar merda, principalmente se for parar pra pensar quanto tempo da minha semana eu passava naquele apartamento.Duas semanas desde aquele dia. E isso era muito tempo. Teve até uma vez em que eu saí da aula, peguei carona com o Saffron e só saí de lá no outro dia de manhã.No começo, nem eu entendi porque tava fazendo isso. Talvez fosse simplesmente porque era o lugar mais perto de casa pra onde eu podia correr quando não queria olhar a cara do velho. Talvez fosse porque quanto mais tempo eu passava lá, mais eu podia espionar a vida dele e achar maneiras de acabar com aquela palhaçada toda.Aliás, pensando nisso, acho que foi assim que começou. Eu saí de casa de noite, tava meio sem dinheiro, e quando não se tem dinheiro fica um pouco difícil de dormir em hotéis ou sair com garotas que possam te convidar pra dormir na casa delas... fiquei vagando por aí, tomei umas e outras, fumei um cigarro e depois a coisa cansou. E como eu já tinha percebido que ficar na rua não ia dar muito certo desde a cagada da Office, vi que não tinha muita alternativa a não ser ir pra casa dele.Na verdade, não teve tanta reflexão assim. Tava chovendo pra caralho, eu já tava ensopado e o lugar mais perto que tinha era a casa dele. Tinha se passado uma semana desde que ele tinha me dado a chave. Acho que ele não esperava que eu fosse aparecer ali, principalmente porque eu fui entrando na moral na casa dele às 4 da manhã. Até pensei que ele tivesse dormindo a essa hora, e acabei acertando, apesar de ser algo completamente diferente do que eu imaginei.O Saffron tava jogado no sofá, apagadaço, com a tevê chiando porque o canal já tinha saído do ar e ele era pobre demais pra pagar TV a cabo. No colo dele, um monte de trabalhos, que eu acabei reconhecendo como sendo o exercício sobre Regência Verbal que ele passou pra nossa sala em algum dia desses de aula. A mesinha tava atolada de papéis, e eu aproveitei a deixa pra dar uma olhada nas notas da galera.O meu nome não tava lá no meio porque eu não entreguei esse exercício, mas mesmo assim foi divertido espionar as coisas dele. Ele tinha lançado nota já na metade dos exercícios. A pontuação era 1 ponto extra, mas ele jogou as notas valendo 10 pra todo mundo ter noção de como tava indo o estudo. Davkas passou com 6, raspando. Altair se saiu um pouco melhor, 8. Drake tirou 9, errou a última, uma que todo mundo tava errando até onde eu vi. Omini também, ficou com 7, mas no caso dele acho que era uma nota boa.Aí reparei que tinha um papel na mão dele. Era o exercício do Akio. E tava com tudo certo, ele marcou um 10 e um Parabéns todo caprichado na ponta da folha. Parecia até que tava puxando o saco. Aquilo tava começando a parecer doce demais, então tratei de deixar os exercícios pra lá antes que aquilo começasse a me dar diabete.Ele já tinha me dado roupa uma vez, então não ia se importar de eu pegar uma pra me trocar. Fui até o quarto dele, separei a primeira roupa que eu vi (uma cueca branca meio folgada e uma camisa vermelha) e troquei de roupa ali mesmo. Quando voltei, ele ainda tava babando como se não tivesse amanhã.Fiquei pensando em como a gente tinha se conhecido, e tudo que pensei dele até agora, e em porque eu tinha decidido me aproximar dele. Dava até pena dele. Tudo que eu tinha descoberto até agora era que ele tinha uma vida miserável. Ele parecia ser bem infeliz. Um casamento falido, um apartamento minúsculo e caindo aos pedaços num bairro mortalmente horrível (sério), um emprego ruim e mal pago, um carro velho e careca, um filho compulsivo por gastar dinheiro, e um monte de dívidas pra pagar.
Qualquer um na situação dele já teria motivos o bastante pra querer se jogar de cima da Ponte Ricardo Barros. Isso porque eu nem mencionei que ele era gay – e isso significava ser odiado, humilhado e desprezado por pessoas que nunca entenderiam os sentimentos dele. Quase como alguém que eu conhecia...No fundo, se eu não fosse tão pisado em casa eu não estaria ali. Eu odiava meu avô, minha escola, e tudo que tivesse a ver com aquela droga de família. E mesmo com todos aqueles problemas, mesmo com tudo na vida dele dando errado, ele era um dos únicos que me tratava direito, que fazia eu me sentir bem...Será que ele também se sentia assim? Será que ele também se sentia solitário quando não tinha ninguém por perto, assim como eu? Fiquei pensando em tudo isso, olhando o Pain destruir Konoha enquanto o Leon fazia um monte de gestos de tão ansioso que tava. Naquela noite, alguns dias antes, o Saffron deixou eu dormir lá, e quando eu acordei ele me olhou com a cara mais contente do mundo, como se tivesse satisfeito de me ver ali.Eu sentia que mudava minha opinião sobre ele a cada vez que ficávamos juntos. Saffron era alguém muito flexível, que se adaptava a cada situação que surgia como se fosse a coisa mais simples do mundo. Ele superava as dificuldades, fosse qual fosse, de um jeito que me dava até inveja. Mesmo preso a todos os problemas que ele tinha, ele agia como alguém completamente livre, daquele tipo que nenhum desafio ou obstáculo consegue impedir.Ele me fazia pensar na merda de vida que eu tinha. E eu acabava indo cada vez mais pra perto dele, porque era um dos poucos lugares em que eu podia ficar sem me estressar com nada. Quando o Leon tava lá eu me divertia, e quando ele não tava eu simplesmente enchia o Saffron.As coisas sempre iam bem naquele cubículo do Saff. Todo tempo tinha animação, sempre dava pra bater papo ou ficar vendo alguma besteira na Tv (como o Pain destruindo Konoha, por exemplo). Não tinha rotina, não tinha muita regra, e mesmo assim a coisa corria bem. Aliás, a própria rotina do Saffron era algo meio louco. Ele tinha uma vida meio complicada. A casa era dele, mas ele nunca andava só de cueca. Ele também não tinha horário pra dormir, ficava dando uns cochilos a hora que dava na telha e em qualquer lugar (geralmente ele dormia no sofá mesmo). Ele não tinha horário pra fazer nada, e costumava fazer várias coisas ao mesmo tempo (tipo ler livros de gramática enquanto fazia a comida).Como se já não bastasse ele quase nunca dormir, a alimentação dele era algo que deixaria qualquer um nervoso. Ele comia 1/3 do que uma pessoa normal come em qualquer refeição. E sempre que não tinha gente em casa ele comia coisas instantâneas ou abria a geladeira, tirava o que sobrou e acabou. Cansei de chegar na casa dele de madrugada e ver lasanha de microondas pela metade na geladeira, enquanto ele assistia seriado velho do SBT e escrevia o roteiro de aula do outro dia. O jeito dele, o estilo de vida dele, a relação dele com o filho, enfim, tudo isso me fazia sentir confortável o suficiente pra sempre querer estar do lado dele. E as coisas aos poucos foram me fazendo querer desistir de toda aquela ideia de vingança e de ferrar ele a qualquer custo.Eu só não entendia muito bem o que eu queria. Eu me sentia bem quando estava com ele, e quando tinha que voltar pra casa era estranho, não só porque eu odiava todo mundo em casa, mas também porque eu sentia como se algo faltasse, como se eu me sentisse... Vazio.E assim o dia foi passando. O Pain foi pra porrada com o Naruto, o Leon descolou um pacote de Fandangos de sei lá onde, e eu continuava tentando entender o que tinha acontecido comigo.---------- Dois dias depois, eu achava que a coisa tava mais tranquila pro meu lado. Eu tava tão relaxado que até tava indo pra escola todo dia, e assistindo a maior parte das aulas. Assistir a aula de português agora era uma comédia pra mim, não só porque o Saffron continuava um babaca, mas também porque eu lembrava dele todo esparramado no sofá da sala da casa dele e ficava rindo enquanto ele falava sobre regência nominal.A aula terminou mais cedo, porque o Mikhael tava sem vontade de dar aula e a maioria das garotas bonitas tinham ido pra um ensaio geral de num sei o que no ginásio, o que tirou ainda mais a vontade dele de ficar na sala. E como o próximo horário era o intervalo, ele tava doidinho pra descer e ficar vendo as meninas rebolando de minissaia. Claro que quando ele liberou a turma eu tratei de sair da sala o mais rápido possível, e como não tinha muito que fazer resolvi tirar um cochilo em algum canto vazio. O primeiro lugar que me veio na cabeça foi o jardim do lado da quadra, um dos lugares mais confortáveis de todo o Silvério. Assim que cheguei lá puxei logo um cigarro, porque hoje era quarta, dia de ir pra casa do Saffron de carona, e ele era muito chato quanto a esse negócio de fumar na casa dele. Quando eu tava terminando o cigarro, o ensaio na quadra terminou também, sinal de que era hora da galera trocar de roupa e subir pra sala pra assistir os últimos dois horários de aula. O vento meio friozinho e o silêncio que ficou no lugar foram me dando aquele sono bom, daí eu só ajeitei a mochila embaixo da cabeça e fui fechando o olho...Lembra que eu falei que tudo na minha vida dava merda? Pois é. Minha soneca também levou farelo quando eu ouvi alguém se aproximar.- O gatinho veio tirar a soneca da tarde, é?Eu conhecia aquela voz. E quando abri o olho, vi que tinha acertado; Era a Gisele. Ela era muito gata, e fazia um tempão que a gente não fazia nada, principalmente porque de uns tempos pra cá eu tava mais interessado em jogar Call of Duty: Black Ops no modo Zumbi com o Leon (isso quando ele levava o Ps3 pra casa do pai, claro) do que ficar correndo atrás de um monte de putinhas interesseiras e não tão gostosas assim. A Gisele, porém, era uma exceção — não que ela não fosse interesseira, mas ela era gostosa demais pra se jogar fora.- Oi... — acenei pra ela e sentei no banco. Ela sentou no meu colo. Talvez perder minha soneca não fosse tão ruim assim. Ela tinha saído do ensaio, então tava de minissaia e toda suadinha. Os peitos dela tavam tão empinadinhos naquela regata do uniforme PP dela que me dava vontade de chupar ela ali mesmo.- Você sumiu, eu nunca mais tinha te visto por aqui... Por onde você andou? — eu tinha esquecido como era bom sentir ela remexendo no meu colo. Aquilo tava me deixando realmente animado. — Quando você não me chama eu sinto como se você não gostasse de mim...- Isso é coisa que colocam na sua cabeça. — disse, passando a mão na coxa dela. — Eu tô sempre disponível pra você, a hora que você quiser...- Isso inclui agora? — eu não tive tempo pra pensar em recusar, mas se tivesse, a reboladinha que ela deu ia me fazer mudar de ideia rapidinho. - Pra você eu tô disponível a hora que você quiser...Ela deu um sorrisinho e começou a me beijar que nem louca. Ok, eu tinha esquecido que ela tinha um corpo daqueles... Só aquele beijo já tava deixando o clima quente o bastante.- Tá a fim de ir comigo ali na arquibancada rapidinho?... — Perguntei pra ela, já tirando a calcinha dela por baixo da saia. Só de raiva, dei aquela mordida no pescoço dela que ninguém conseguia resistir. E claro que ela não era exceção.- Ahhhh, Sven... — eu sabia o que aquele gemidinho significava: vitória. Ela levantou, deu uma voltinha (a calcinha dela tava na minha mão, e a buceta dela apareceu todinha por baixo da saia), e me puxou pela mão na direção da arquibancada.Assim que eu constatei que não tinha ninguém pra atrapalhar, ela deitou no banco e eu caí matando pra chupar os peitos dela. Eu tinha esquecido como o corpo dela era gostoso... Acho que se eu pudesse morrer afogado naqueles peitões eu ia morrer feliz.E falando em morrer...- Gatinho, você tá com camisinha aí?Fudeu. Como eu pude esquecer de um detalhe daqueles? O meu desespero na hora foi tão grande que eu cheguei a imaginar na minha cabeça um moleque loiro do tamanho do Leon me chamando de papai.Eu, Sven Anselm, aos 16 anos, com uma vidinha de merda que nem a que o Saffron levava? Ah, não, nem fodendo.- Ah... Eu devo ter na minha mochila...- E cadê a sua mochila mesmo?...- F-ficou lá fora, no banco...Gisele suspirou. Pegou meu ombro, me empurrou e olhou pra minha cara com certo desgosto.
- Tá, vai lá buscar, eu te espero aqui... Mas não demora, viu? Senão vou me sentir sozinha demais e vou buscar outra companhia!Ela deu uma afastada nas pernas e esfregou a mão ali só pra me fazer demorar o mínimo possível. Eu é que não ia perder uma chance daquelas. Dei um jeito de desarmar a barraca (o meio mais rápido que achei foi pensar no Kerdied e no Dr. Akahai tendo um caso na sala dos professores) e fui direto buscar a mochila.Chegando no jardim, vi a mochila exatamente onde eu tinha deixado antes: escondida um pouco atrás do banco. O problema é que tinha mais alguém ali. O Saffron tava sentado, abraçado com alguém que eu reconheci pelo cabelinho curto como sendo Akio. Como nenhum deles tinha percebido que eu tava ali, e eu também não queria que isso acontecesse, tratei logo de me esconder atrás da parede mais próxima.Eu nunca tinha visto o Saffron tratar ninguém daquele jeito. Ele tava abraçado com o moleque, passando a mão na cabeça dele enquanto ele se desmanchava de tanto chorar. Que frescura! Eu não fazia ideia do que teria acontecido, mas com certeza não tinha necessidade dele ficar agindo que nem uma mulherzinha.- E-eu não sei o que fazer, Saffron... — de onde eu tava dava pra ouvir perfeitamente a conversa dos dois. — Não sei se vou ter coragem de assumir isso pra todo mundo...- Você não precisa pensar nisso agora. Com o tempo, você vai se acostumando com isso. — respondeu ele, num tom de voz super carinhoso e gentil. Logo ele, que sempre era meio distante com todo mundo, até mesmo comigo, tava todo derretido pra cima do Akio?- Mas... O que as pessoas vão dizer de mim se eles souberem? Ninguém vai me deixar em paz... Eu não quero, Saff! Não quero ter que me assumir pra toda essa gente!O professor abraçou ele de novo, todo carinhoso, e deu um beijo na testa dele. Aquilo tava começando a ficar estranho demais até pro padrão Saffron de ser.- Eu sei que parte disso é culpa minha, por te pressionar a fazer esse tipo de coisa, mas acho que é a coisa mais natural a se fazer depois do que aconteceu entre nós... Eu não quero que você sofra, e eu vou fazer de tudo pra que isso não aconteça, mas você entende que vai ter que revelar o seu verdadeiro eu, não entende?Akio fez que sim com a cabeça, mas ainda tava nervoso demais pra parar de chorar. O Saffron passava a mão no rosto dele pra enxugar as lágrimas, e falava nos olhos dele com um tom macio.- Eu só quero que você seja feliz, e eu sei que você não vai conseguir ser feliz enquanto não conseguir se aceitar como você realmente é.- Mas as pessoas vão me odiar... Você sabe como eles odeiam esse tipo de coisa, você também já passou por isso antes, sabe como é... Você só tem sorte porque depois de tanto tempo as pessoas se esqueceram disso, tem gente que nem sabe disso!- Aki, meu amor... Eu não vou te pressionar a nada, sei que você tem medo, e eu não te culpo. Eu também fiquei com medo quando soube de tudo isso, mas eu nunca tentei esconder, e até me tornei mais feliz depois que contei pra todo mundo. Como se um peso tivesse saído dos meus ombros, sabe?...Akio ficou calado, olhando pro Goma enquanto pensava em tudo aquilo. Ele suspirou, e abraçou as pernas enquanto olhava pro lado. Saffron voltou a passar a mão na cabeça dele.- De qualquer forma, o que eu queria te dizer quando te chamei aqui é que, não importa o que aconteça, eu quero que você lembre que estamos juntos nessa, viu? Eu vou te dar todo o apoio que você puder receber, e mesmo que a sua família não te aceite, eu e meus parentes vamos estar sempre prontos pra te dar o que quer que você precise.- Obrigado, Saffron.Akio enxugou o rosto, deu um sorrisinho e beijou Saffron no rosto. Em seguida, levantou e foi saindo.- Ah, Akio...- Sim? - Procure não deixar isso vazar pela escola, Tá? Se alguém da coordenação pedagógica sequer suspeitar que esse caso aconteceu, vamos ter sérios problemas...Akio fez que sim com a cabeça, deu aquela inclinadinha pra agradecer como todos os orientais fazem, e foi embora. Saffron olhou pra cima por um tempo, pensativo, e também caiu fora depois, seguindo pela direção contrária. Eu tive que aproveitar aquele instante pra ir pegar minha mochila, antes que mais alguém resolvesse discutir sua vida pessoal ali no jardim.Primeiro, eu descobria que o Saffron era viado. Depois, que ele tinha um filho prestes a entrar na adolescência. E agora, que ele tava tendo um caso homossexual com um garoto que tinha a minha idade ou menos.A capacidade do Saffron de destruir a própria vida era algo simplesmente impressionante. Ele sempre conseguia um meio de se meter numa enrascada pior que a anterior. E eu achando que a minha vida era cheia de altos e baixos...No entanto, por mais legal que fosse ter descoberto o segredo mais profundo e nojento dele, aquilo me dava raiva. E nojo. Eu tinha ódio de imaginar os dois juntos, dividindo o mesmo ambiente, trocando carinhos e juras de amor de um jeito bem menos discreto que naquele banco de jardim no meio do colégio. Só de imaginar o Saffron namorando com aquele moleque que mais parecia um pau de virar tripa eu tinha vontade de espalhar a foto dele com o Johann em cada esquina, pra ele nunca mais ter respeito na vida toda.E pra completar ainda mais o meu ódio, quando voltei ao ginásio a Gisele já tinha ido embora.Grande dia...
Fale com o autor