Requiem

3 Missão de reconhecimento


“Andar por essas ruas vazias me dá arrepios. E uma sensação de vazio” – Pensa André enquanto procurava Jennifer. “Eu tenho que achar ela, eu ainda não me confessei. Bem, não devo pensar nisso agora. Por enquanto, eu tenho que me preocupar em achar ela. Mas onde eu estava indo quando nós sofremos o acidente? Já sei! Eu ia pro laboratório do meu irmão, que fica em Vitória. Então, eu devo ir até lá, quem sabe eu encontro alguém que me dê informações”.

Enquanto andava silenciosamente pelas ruas, André percebe uma placa, em que está escrito: “Bem vindo ao Polo Industrial de Santo Antônio”.

“Não acredito! Eu estou no bairro em que eu cresci!” – Pensa André- “É uma pena que ele esteja nesse estado. Tenho tantas boas memórias desse lugar. Espera, eu conheço esse portão branco! Essa é minha casa! Eu tenho que ver como estão papai e mamãe!”.

Mas algo dizia a André que ele não devia entrar. Uma voz em sua cabeça, doce e gentil como a voz de sua mãe. Mas André ignorou o “aviso” e prosseguiu. Quando chegou no quintal, percebe que ninguém tinha cuidado do jardim há muito tempo, já que as plantas se espalhou por todo lugar, dando um tom macabro à casa, que, provavelmente, estava vazia.

“O que aconteceu aqui? Não importa, se papai e mamãe estiverem bem, já estou satisfeito. Só preciso abrir caminho até o portão.” – E, mais uma vez, a voz em sua cabeça diz para que ele não entre. Mas André, novamente, ignora o “aviso”.

– Mãe! Pai! Tem alguém em casa? – Grita André.

E André continua gritando, por 2 minutos, sem nenhuma resposta, ouvindo somente o eco de suas próprias palavras.

– Tem alguém em casa? – Grita André, com todo o ar de seus pulmões.

Novamente sem sucesso. Porém, André consegue ver algo em sua direção, um ser azul, babando, com garras iguais às de um lobo e dentes iguais aos de um tubarão. Um ser, aparentemente sem olhos, e com pequenos buracos onde deveriam ficar as orelhas. Então, André começa a correr. Depois de 10 segundos, André consegue chegar no carro. Ele tenta dar a partida, sem sucesso. De repente, algo fura um dos pneus do carro, e quando André sai para verificar o que foi, percebe o ser azul em sua frente. Ele o derruba e aproxima sua boca do pescoço de André.

– Bom, acho que eu mereço isso. Só queria saber o que aconteceu com meus pais. – Diz André.

– Seus pais? – Responde a criatura – Eram dois velhinhos que estavam dentro daquela casa?

– Você pode falar?

– Sim, eu posso, só não posso ver, mas eu pude sentir o cheiro de velho naquela casa. Mas, me responda, eram dois velhinhos que estavam naquela casa?

– Eram! – Responde André, começando a ficar animado, já que iria saber onde estavam seus pais – Então, o que aconteceu com eles?

O ser azul ri e responde:

– Simples, eu devorei eles – André para de se arrastar no chão e o ser azul ri de novo – Eu comi eles e agora eu vou comer você também. Eu adoro essa expressão em seu rosto. Mas eu ainda quero saber uma coisa. Você tem um irmão? Que também morava aqui?

– Sim, eu tenho. É meu irmão gêmeo. Por quê?

– Por que eu o devorei também, com a ajuda de seus pais. Ele também foi procurar por eles, então, eu só dei uma ajudinha. Minha refeição está completa! Pai, mãe, e os filhos!

Então, quanto o ser encosta os dentes no pescoço de André, ouve-se um barulho de disparo, que atravessa as orelhas do ser, e ele cai em cima de André, que ainda está chocado com as “novidades”.

– Ei André, você está bem? – Diz uma voz familiar, que André não consegue reconhecer.

– Estou, mas quem é você?

– Francamente! Você já se esqueceu de mim? Sou eu, Carlos!

– Carlos? Obrigado!

– Eu não posso deixar um amigo meu morrer. Não depois de deixar seu irmão ir à procura da morte.

– Não só ele Carlos, essa criatura me disse que matou meus pais também.

– Sinto muito.

– Não tem problema. Mas, afinal, o que são essas criaturas?

– São mutações. Aconteceram duas coisas enquanto você estava inconsciente. A Terra foi infestada com um vírus mortal, que mata instantaneamente. Mas, dois dias após a morte dos infectados, enquanto empilhavam os corpos para queimá-los, o vírus sofreu uma mutação, que transformou os infectados nessas coisas, que eu gosto de chamar de Liches.

– Liches?

– Sim, eu sou um fã de Hora de Aventura, eu sei que eu estou velho pra assistir isso, mas...

– Não, eu também gosto.

– Bom, voltando pra sua pergunta, parece que eles comem as pessoas por puro prazer. Já que eu fiz o teste em um deles. Deixei-o trancado por dois meses, o tempo que você ficou inconsciente, e ele não teve nenhuma alteração. E, lógico, eu tive a ajuda de seu irmão. Nós fizemos vários tipos de testes. Mas ele deve ter mencionado.

– A última coisa que me lembro é que ele disse que estava trabalhando em algo grande. Então era nisso que meu irmão estava trabalhando?

– Quase isso. Ele estava trabalhando em um laboratório para tentar criar o chamado “Soldado Perfeito”. Mas ele percebeu que isso era perigoso demais e abandonou a pesquisa. Mas já era tarde, o vírus já estava pronto. E, devido a um acidente no laboratório, esse vírus pôde se espalhar pela Terra.

– Bem, agora tudo acabou pra mim. Tudo que me resta é você e Jennifer.

– Espera um pouco! Jennifer? Então você está procurando uma garota que se chama Jennifer?

– Sim. Por quê?

– Não pode ser! Você sabe a data de aniversário dela?

– Sim, ela faz aniversário no mesmo dia que eu, 10 de novembro. E ela tem 23 anos, a mesma idade que eu. E a frase que ela sempre diz é: “Se você não consegue passar por cima dos seus problemas...”

– “Dê a volta”? – Interrompe Carlos.

– Sim, como você sabe?

– É porque ela é minha filha!

Notas finais
Olá caros leitores que leram minhas histórias. espero que vocês tenham gostado. E vocês já sabem, comentem aí. Façam o do autor muito feliz. agradecido Caio P.