Notas iniciais
Decisões.

Colin estava deitado num lado da cama quando seu namorado acabou por surgir no quarto.

Imóvel, o leonino permaneceu com os olhos fixos no teto embora soubesse que seu namorado estava parado na porta o observando. Ambos os garotos não estavam num bom momento, e da parte do moreno era necessário respeitar o comportamento morno do seu namorado, já que Colin era intenso de todas as formas.

Após quase cinco minutos de pé apenas vendo o pequeno, Sean retirou os sapatos, deu alguns passos e se deitou ao lado do leonino, na mesma posição de barriga pra cima e o rosto fixo no teto.

Lá estavam os dois, lado a lado, em silêncio.

Colin não deu resposta a nenhuma de suas mensagens, também não o procurou e nem teve a costumeira atitude de discutir. Colin simplesmente estava agindo indiferente, estava guardando pra si todos os sentimentos amargos. Ele também não estava jogando toda a culpa em seu namorado, na verdade ele nem sabia se realmente deveria acusar seu namorado por algo, talvez apenas por esconder a gravidez de Larah.

O que lhe consumia a alma era apenas a ideia de Sean ser pai. Ele tem todos os motivos para acreditar que isso é apenas mais um dos ataques de Suzana, mãe do moreno, mas por que estava com medo? Ele não se reconhecia. Caso fosse verdade, como reagiria? Seria capaz de amar um homem que teria dado prosseguimento a sua geração com outra? Amar sim, mas suportaria esse amor corrosivo? Pensar em Sean tendo uma criança deveria ser algo feliz, mas por que não estava sendo?

E se Sean continuasse dizendo que não se lembra, mas o DNA comprovasse que ele realmente é pai do filho que aquela garota espera, poderia acreditar na palavra do seu namorado? Poderia perdoá-lo? Perdão?! Isso teria sido uma traição?

Tantos eram os pensamentos que Colin queria gritar como na vez em que Connor o provocou para que ele descarregasse tudo o que estava sentindo. Mas ele não teria voz pra por pra fora tudo agora, era mais intenso, mais forte que da última vez.

Nesses pensamentos Colin sentiu a mão de Sean repousar sobre a sua a ponto de fazê-lo retornar para o mundo, o seu quarto.

— Eu não posso te perder. — murmurou o moreno.

Colin não respondeu, permaneceu com os olhos no teto enquanto Sean agora o olhava, assistindo-o de perfil.

— Nós vamos passar por mais um dos ataques que recebemos.

— E se você for realmente pai daquele bebê? — Colin ousou perguntar. Sua voz parecia um sussurro.

— Não serei.

— Você tem certeza?

— Sim. — disse com sinceridade.

— Mas você se lembra?

Ele demorou alguns segundos, mas respondeu:

— Não.

Colin não falou mais nada.

Por mais alguns minutos lá estavam os dois em silêncio, pensativos. Sean tinha vontade de chacoalhar o namorado, tinha vontade de gritar no ouvido dele, tinha vontade de muitas coisas, mas nada fazia.

— Você é a única pessoa que deveria acreditar em mim.

— Eu acredito, por mais estranho que pareça, eu acredito. Mas por que eu tenho medo? Eu seria capaz de continuar te amando ao saber que você engravidou alguém?

Colin finalmente mexeu a cabeça, agora olhava para aquelas pérolas negras que eram os olhos do seu namorado, tão penetrantes que parecia ler sua alma.

— Não pense assim. — Sean apertou levemente a mão do namorado. — Só pense em nossa vida juntos até ficarmos velhinhos.

As palavras foram tão certeiras que Colin instantaneamente teve seus olhos umedecidos.

— Meu corpo jamais reagiria ao toque de outra pessoa. Ele pertence a você, Colin.

O moreno se moveu na cama e se colocou acima do corpo de Colin, levemente ele desceu seu rosto e repousou seus lábios aos do pequeno, que não tinha reagido, não correspondendo.

Não tinha lábios melhores que aqueles que Sean tocava, mesmo que estivessem imóveis. No entanto, sua atitude de beijar Colin acabou sendo precipitada já que o pequeno estava indisposto.

Colin virou seu rosto e, sem muito esforço, Sean saiu de cima dele. Em seguida, o leonino ficou de pé.

— Pra onde vai? — Sean perguntou.

— Conversar com alguém.

Num longo suspiro, Sean sentou-se na cama e assistiu seu namorado sair do quarto.

[...]

Edgar não havia conseguido se comunicar com o namorado naquela manhã. Sem dar algum aviso prévio, ele se encaminhou para o Ninho e, ainda no caminho, longe dos olhos de qualquer funcionário da universidade, um grupo de garotos e garotas formavam uma roda enquanto assistiam a algo que parecia ser muito interessante e atrativo.

Entretanto, entre aquela roda de garotos e garotas, ele reconheceu, ainda distante, aqueles fios avermelhados que aparecia e sumia em sabe-se lá que movimento ele estava fazendo. Às pressas, o loiro rumou ao grupo de pessoa, mas acabou parando onde estava quando o próprio namorado saiu de lá olhando para a própria mão aberta, abrindo e fechando-a com sangue sobre os nós dos dedos.

Não era um encontro premeditado, tanto Joshua, quanto Edgar, assim que os olhos se encontraram, ficaram assustados. Edgar ainda mais por não estar acreditando naquilo que estava vendo; seu namorado, mais uma vez, regressando ao passado ao se envolver em brigas constantes onde só terminava quando ele consegue molhar suas mãos com sangue.

— O que você fez? — Edgar, ainda assustado e agora olhando para o grupo, perguntou ao se aproximar do namorado.

— Nada, vamos embora daqui.

— Joshua, o que você fez? — perguntou mais uma vez, agora chateado.

Edgar apenas passou por ele e se enfiou entre o grupo, encontrando então um garoto machucado, com o rosto ensanguentado e recebendo ajuda de dois colegas que pareciam tentar levantá-lo.

— O que aconteceu? — Edgar, ajoelhando-se, perguntou.

— Não me toca! — disse em gemidos o garoto espancado.

O loiro logo recuou suas mãos.

— Sai daqui antes que ele volte! — pediu.

— Eu só quero ajudar.

— Você é amigo dele. Ele é um monstro! — disse a garota que ajudava o garoto a se levantar.

— E-eu sinto muito, mas eu posso ajudá-los de alguma forma?

— Não queremos ajuda de quem se mistura com ele. Bem que Andrew nos avisou, Joshua merece ser expulso do Ninho. — continuava dizendo. — Vá embora, nós não queremos mais confusão.

Sem muito que fazer, Edgar voltou a ficar de pé, mas ainda assim permaneceu olhando o garoto machucado que certamente precisaria de cuidados, tendo a sorte de não ter sofrido lesões mais sérias como as que o ruivo costumava fazer nas suas antigas vítimas, causando cortes profundos ou quebrando ossos.

Edgar olhou ao redor e via todos os olhinhos aterrorizados, todos eles eram calouros e por mais que conhecessem Joshua, ainda não viveram, de fato, a realidade ali dentro na presença do temido ruivo.

O loiro afastou-se do grupo e viu seu namorado logo mais a frente, sentado e ainda olhando a mão com o sangue começando a ficar seco, esperando-o.

— Por que você fez aquilo? — Edgar parou em frente a ele, visivelmente com raiva.

— Não importa, vamos para o Ninho. — o ruivo se levantou apressadamente.

— Eu perguntei o motivo de você ter feito aquilo.

O ruivo não respondeu, nem sequer olhava para ele. Apenas queria sair dali e ir para seu aconchego.

— Joshua, nós já...

— Eu sei, eu sei... — disse interrompendo-o. — Agora vamos embora, deixaremos pra discutir depois.

— Nós vamos discutir aqui e agora! E você vai ter que me ouvir sim.

O ruivo suspirou e se sentou novamente, olhou para o namorado e esperou ele dizer algo. Era de arrepiar o modo como ele não dava a mínima para o que tinha feito; acabara de agredir alguém e seguia sua vida tranquilamente.

Edgar olhou novamente para o grupo que agora tinha se dissipado e retornou os olhos ao namorado.

— O que aconteceu ali?

— Ele me irritou.

— Só isso?

— Somente.

Edgar levou sua mão a testa, deu um passo pra trás, girou e, muito bravo, encarou seu namorado:

— Você agrediu um garoto por que ele te irritou? Apenas por isso? — questionou incrédulo.

— Sim, loirinho... — respondeu impaciente.

— Agora é assim? Todo mundo que te irrita merece ser espancado?

— Qual o problema, Edgar? Eu sempre fiz isso! — disse elevando o tom de voz.

— Fazia! — corrigiu na mesma intensidade de voz que o ruivo. — Você fazia, Joshua.

O fato de Edgar estava realmente se mostrando bravo acabava deixando Joshua surpreso, mas ainda assim ele se mostrava completamente frio diante de tudo o que acontece.

— E você acha que batendo neles tudo se resolve? — questionou o loiro.

Joshua também estava impaciente com todas as reclamações que vinha recebendo do namorado.

— O que você quer que eu faça, loirinho? Que eu aceite tudo?

— Não é aceitar tudo, Josh, mas não sair resolvendo tudo com socos e chutes.

Com completa frieza, olhando nos olhos do loiro, Joshua falou:

— É disso que eu gosto, loirinho. Gosto de ouvir os gritos de dor, de ver o sangue, gosto de ver as expressões de sofrimento. Algo que você nunca vai entender, algo que eu nunca desejaria pra você.

Edgar sabia de tudo isso, mas mesmo assim ouvir isso não era algo que desejava.

— Eu nunca seria como você. — jogou as palavras na mesma frieza do namorado.

Joshua sentiu que foi atropelado por um caminhão após a sinceridade do loiro. Se Edgar soubesse de toda a verdade, iria entender o porquê do Joshua protegê-lo tanto. O medo de ver seu namorado perder a inocência que ele demonstrava ter para o mundo era seu maior pesadelo.

—Sinceramente, Joshua? Eu prefiro não ficar mais aqui olhando pra você.

— Quando você vai me apoiar?

— Apoiar? Acha que o que você faz merece ser apoiado? Que eu como seu namorado devo bater palmas só porque estamos juntos?

— Eu só quero cuidar de você.

— E para isso vai ser preciso sair batendo nas pessoas? Primeiro o Andrew, depois o Sean, agora esse garoto... Quem mais vai ser o próximo? Todo aquele que me insultar merece ser espancado? Qual o próximo passo? Bater nos meus amigos porque eles encostam em mim? Vai me trancafiar em algum quarto escuro longe de todo o mal do mundo?

— Edgar, para... — pediu ele sendo atormentado pelas palavras.

— E se eu um dia chegar a ser a vítima? É isso que vai acontecer?

Joshua respirou fundo e fechou os olhos, quis levar suas mãos aos ouvidos e evitar ouvir aquelas palavras que mais pareciam chicotadas em suas costas.

— Eu não sei mais o que fazer. Já dei o meu máximo pra tentar fazer você entender que nem tudo se resolve com violência. Eu tenho medo de onde isso possa me levar e pra não tomar conclusão precipitada é melhor eu sair de perto de você.

— Loirinho... — murmurou o ruivo e tentou segurar na mão dele, mas Edgar rapidamente se afastou a passos acelerados.

Joshua, mais uma vez, respirou fundo e assistiu seu namorado de longe, distanciando-se cada vez mais. Era melhor deixá-lo sozinho, esfriar a cabeça por estar irritado, com raiva.

Talvez essa fosse uma das piores brigas que já tiveram.

[...]

Danion ainda escovava os dentes. Seus cabelos estavam tão bagunçados e pontudos, ao se olhar no espelho sabia que já era hora de cortar. Com a boca cheia de espuma, ele começou a tocar a espinha bem discreta que nascia em sua bochecha.

— Bom dia. — Caine apareceu atrás dele, levantou a privada e começou a urinar.

O branquelo impossibilitado de responder, jogou água na boca e cuspiu logo em seguida na pia.

— Qual o plano pra hoje?

— Que plano? — Caine perguntou.

— O que você vai fazer hoje?

— Tenho aula.

— Também tenho. Você vai voltar comigo. — disse depositando a escova onde guardava.

Danion saiu do banheiro sem dar ao namorado direito de resposta. Alguns segundos depois Caine surgiu já de rosto lavado.

— Eu te contei tudo ontem a noite, não precisa se preocupar, sua mãe não vai me convencer.

— Ela é capaz de tudo, preciso estar perto de você a partir de agora. — respondeu sentado na cama, pensando seriamente em voltar a dormir.

— Dan, já disse que não precisa se preocupar. — falou o pequeno ainda parado próximo a porta do banheiro.

— Corta essa, Caine. Não existe coração mais mole que o seu. Se ela aparecer hoje aposto que você ainda vai tentar conversar com ela. Eu conheço minha mãe e só eu posso lidar com ela. Então nunca mais quero que você converse com ela longe de mim, estamos entendidos?

Caine só o olhava. Após suspirar depois de ter ouvido o que o namorado disse, ele começou a caminhar pelo quarto.

— Vem cá. — pediu o branquelo.

O líder dos águias obedeceu e parou em frente a ele. Danion o puxou pela mão e o fez sentar em sua coxa, em seguida foi diretamente no pescoço dele, lambendo a região e depositando mordidas.

— Acabamos de acordar, Dan. — Caine falou, mas não afastou o pescoço.

— Não pude aproveitar muito ontem a noite.

Ambos estavam tão cansado que rolou apenas algumas carícias e um sexo oral que não durou muito se comparado ao tempo de intimidade que eles costumavam ter.

— Não é uma boa hora pra transarmos.

— Não existe hora correta pra isso. — falava sem afastar a boca da pele do namorado. — Vamos uma rapidinha, eu ainda preciso passar na república pra conversar sobre o resto dos jogos.

Caine estava prestes a ceder quando alguém bateu na porta. Danion, a princípio, preferiu ignorar enquanto beijava os lábios do namorado, derrubando-o na cama e montando sobre ele enquanto já brincava com a mão entre as pernas do namorado.

Com insistência, alguém permanecia batendo na porta por diversas vezes.

— É melhor abrirmos. — Caine parou a mão do namorado.

— Não, não me importo com quem tá lá fora chamando.

— Dan, alguém pode estar precisando de ajuda.

— Quem é?! — Danion gritou quando ouviu uma nova batida.

Não houve resposta, apenas mais batidas.

— Deve ser o Luke querendo irritar. Vamos continuar. — Danion disse e logo tornou a beijar o namorado.

Caine cedeu, mais uma vez, já estava excitado mesmo e não iria negar fogo. Porém, ainda insistindo, alguém batia à porta e isso o incomodava, pensar em ignorar não era uma boa ideia, isso o fazia pensar em milhares de coisas que poderiam acontecer caso não abrisse a porta.

— É melhor você abrir. — disse Caine afastando o seu namorado enquanto recuperava o fôlego.

— Puta que pariu! — resmungou o branquelo de pé, olhou para baixo e esperou o membro acalmar.

Não foi fácil assim controlar a ereção, mas quando viu que dava pra disfarçar, ele caminhou até a porta e abriu já com insultos na ponta da língua, no entanto as palavras ofensivas ficaram presas em sua garganta quando foi tomado por um abraço do Colin.

Ele não esperava, de maneira alguma, que fosse o Colin ali. Geralmente o pequeno batia e gritava pelo nome do Caine acompanhado de palavrões proferidos ao Danion, mas o inesperado estava acontecendo naquele momento quando o leonino simplesmente o abraçou.

Danion logo percebeu que Colin não estava bem, é claro, feliz ele não estaria.

— Eu não tô entendendo mais nada. — disse o branquelo ainda com os braços abertos sobre o Colin.

O branquelo olhou para o namorado que também estava confuso, não entendendo nada da atitude do Colin.

— Me abraça logo. — pediu o pequeno com a voz mansa e tristonha.

Boquiaberto, Danion o abraçou.

— Bem, acho que vou fazer algo pra comer. — disse Caine se retirando.

Caine não sentia ciúmes de Colin com Danion, seja amorosamente falando ou pela amizade. Se Colin queria conversar com o branquelo, melhor seria deixá-los juntos.

Quando Caine saiu do quarto e fechou a porta, Colin pôde finalmente se soltar dos braços de Danion.

— Que merda aconteceu agora?

— O Sean. — respondeu o leonino e se dirigiu pra cadeira.

— Tinha que ser... O que tenho que fazer? Bater nele? Mandar prender? Mandar espancar? Mandar matar e esconder o corpo?

— Para de ser idiota. Não é pra fazer nada com ele.

— Então o que houve?

Colin respirou fundo e olhou para o branquelo que ainda estava de pé aguardando por alguma resposta.

— Acho que o Sean vai ser pai.

Danion não conseguiu disfarçar a cara de surpresa. Ele abriu um bocão e em seguida tapou com a mão, claro que ele intensificou sua reação apenas para deixar mais claro de que realmente estava surpreso.

— Já dizia o Leo: que babado! — ele imitou o amigo que falou a mesma coisa no último encontro que tiveram.

— Não tem graça, Danion.

— Mas como assim o Sean vai ser pai? — Danion puxou uma cadeira e se aproximou do amigo. — Sean é gay, isso não faz o menor sentido. Ele te traiu?

— Nada mais faz sentido. Eu tô apenas supondo e isso tá me corroendo, porque eu não deveria desconfiar dele.

— E-espera aí. — interrompeu o branquelo. — Me explica essa história direito, Colin. Do início, pelo menos isso. Tá complicado de entender.

Colin dessa vez deu um longo suspiro, desviou o olhar do branquelo e começou a explicar:

— No meu aniversário Sean e Luke brigaram, por causa disso Sean e eu discutimos e ficamos longe um do outro naquela madrugada. Acontece dias depois eu descobri que uma garota dormiu com o Sean, mas ele alega não ter acontecido nada, nem mesmo recorda dela e nem sabe como ela foi parar na cama dele.

— Um Colton de buceta? — indagou o branquelo sem escrúpulos.

— Acho que o Colton não seria tão amador assim.

— E então? Até você reconhece que é mais alguém tentando separar você e o Sean, não é?

— Sim... — ele fez uma careta. — E não... É confuso, Dan! Muito confuso.

— Por quê?

— Porque essa garota diz que transou com o Sean, mas o Sean não admite, mas também não nega. Quer dizer... Ele até nega, mas ele não se lembra de nada, absolutamente nada, mas diz estar convicto de que não transou com ela.

— Por mais que eu odeie o Sean, lá do fundo do meu coração, onde habita todas as trevas desse mundo, eu não acho que ele transou com ela. Essa garota provavelmente deve ser mais uma dessas pessoas que são contra seu relacionamento com o Sean. Quem sabe o Colton não esteja mandando nela? Vai saber, aquilo ali tem trabalho com o diabo.

— Por um tempo eu acreditei nisso, acreditei em várias hipóteses e em todas elas chegava a conclusão de que era mais alguém tentando acabar com meu namoro. Mas acontece que o Sean parece assustado, sabe? Ele não lembra. — explicou preocupado. — Não se lembra de nada.

— Sean só é burro, isso sim. Quem é essa garota pra mandar o Caine expulsar ela da Quadra?

— Nem eu a conheço, nem tenho certeza se ela mora aqui na Quadra. Na última noite, quando eu voltava pra casa, encontramos a mãe do Sean e a garota... Ela está grávida e diz que o filho é do Sean.

— Sean é rico. Não faz sentido ela tá querendo dinheiro?

— Mas a Suzana estava lá, com certeza a mãe do Sean não é burra pra cair nessa ladainha. Ela acredita fielmente de que o filho é do Sean. Me disse coisas horríveis e eu aguentei tudo calado, mas só aguentei porque vi a instabilidade do meu namorado. Mais uma vez ele se mostrou nervoso e pior ainda foi saber que ele sabia da gravidez e não me contou.

— Ok, ok... Isso piora um pouco as coisas. Eu já disse que o Sean é burro? — disse a última palavra com muita ênfase. — Porra, por que ele não te contou?

— É esse o ponto, Dan. Ele está inseguro, isso me faz acreditar que realmente aconteceu, sabe? — Colin agora conversava olhando nos olhos do amigo. — Se ele demonstra estar com tanto medo é porque ele deve se lembrar de algo, não?

— Talvez não. É complicado, mas você acredita mesmo que Sean seria capaz de te trair? Me parece mais que ele foi estuprado.

— Eu mandei ele fazer o teste de DNA, já é possível mesmo na gravidez. Então pra acabar logo de vez com isso é melhor que faça. Só que eu tô com medo do resultado. E se ele realmente for pai?

— Vai dar tudo certo, no final você vai descobrir que essa garota é safada e só quer o dinheiro dele. Ela é esperta? Sim, ela é esperta, quis ganhar na vida aplicando o golpe da barriga. Mas ela é burra? Ela também é burra, porra, logo o Sean? Tanto cara melhor...

— Danion!

— Brincadeira, brincadeira... Só tô tentando fazer você rir. — o branquelo se levantou e tocou o ombro do amigo. — De qualquer forma, não precisa ficar assim, você superou o Colton, essa garota não chega nem aos pés do que ele fez. No final você vai rir de tudo isso e é capaz da barriga ser falsa. Posso puxar a roupa dela pra saber?

— Mesmo se eu disse não, você jamais me daria ouvidos.

— Então que essa garota nunca chegue perto de mim.

Obviamente ele estava mentindo.

— Você não pode deixar que isso te sufoque, Colin. Tenho certeza que o Sean também está triste com tudo isso e mais do que nunca ele precisa de você. Não deve está sendo fácil pra ele saber que você duvida dele, assim como também não deve está fácil ele ficar sozinho nessa luta já que você é a única pessoa mais próxima dele.

Mais uma vez Colin admitia que Danion era idiota, mas tinha ótimos conselhos.

— Não está sendo fácil pra mim.

— Pra nenhum dos dois. Na verdade, a vida não é fácil pra ninguém... — pensou ele ao se lembrar de sua mãe.

— Por que as pessoas cismam em implicar com meu relacionamento com o Sean? Tem tantos casais por aí, mas só querem destruir o meu.

— O protagonismo da vida tá com vocês. Mocinhos sempre sofrem. Se bem que o Sean por muito tempo foi o vilão.

Colin sorriu.

— Enfim, deixa dessa tristeza e acorda. Essa garota só quer mesmo atenção. Posso falar isso pro Caine?

— Pode deixar que eu mesmo conto, vou lá na cozinha falar com ele. — se levantou o pequeno.

— Estou mesmo roubando o lugar do Caine e se tornando o primeiro a saber as coisas? — sorriu vitoriosamente.

— Não vá se achando... — disse, mas não resistiu e o abraçou.

Um abraço duradouro, forte, apertado. Danion, mesmo com toda a sua marra, sorriu e se sentiu tão acolhido naquele abraço que custou a largar o pequeno. Mesmo com todas as suas desavenças, um amava o outro, podiam se matar, mas nenhum outro poderia atacá-los, caso contrário ambos rugiriam em defesa do amigo.

[...]

Charles não estava no seu melhor humor.

Um dia depois do jogo estressante jogo contra os leões, o tigre tivera uma péssima noite de sono por ficar remoendo as palavras proferidas por Colin. Seu passado foi revelado ao leonino, o que torna ainda mais difícil esconder seu segredo. Tudo isso por culpa do Dimitri que aos poucos ia destruindo sua vida social. E quando esse vídeo vazar pra todo mundo? Charles não gostava nem de pensar. Já tinha que aturar a ideia de algumas pessoas verem e terem esse vídeo, e não era nada fácil fingir que isso não o preocupava, levando uma vida como se não soubesse da existência dele.

Enquanto caminhava com a bandeja na mão, mais uma vez no restaurante da universidade já que estava sem saco de caminhar pra algum outro lugar em busca de comida, ele avista Dimitri, Jamie e mais três garotos que ele não conhecia, mas era fácil deduzir que eram os novos amigos do seu rival.

Sem nem pensar duas vezes, sem medo algum — o que geralmente ele não tinha —, Charles foi soltando fumaça pelo nariz até parar na mesa de Dimitri, por a bandeja sobre ela e bater com força as duas sobre a superfície.

— Você passou dos limites! — esbravejou o tigre.

Todos na mesa se assustaram com a presença repentina de Charles, mas logo Dimitri soltou um sorriso.

— Você acha que me expor o vídeo com esse estúpido — Charles nem olhou para Jamie — vai me fazer ficar com medo?

— Não, mas com certeza feliz você não vai ficar.

— Você quer realmente uma guerra, Dimitri?

— Já estamos em guerra, Charles.

— Charles, tenha calma. — Jamie tocou o braço dele.

— Me larga, caralho! — ele retirou o seu braço e continuou a não olhar pra ele.

Dimitri não gostou nada do fato de Jamie se mostrar preocupado com o garoto, mas disfarçou bem enquanto discutia com Charles.

— Você sabe muito bem do que eu sou capaz de fazer, então não espere que eu agora vá ter paciência pra você.

— Está me intimidando, Charles? — Dimitri ficou de pé.

— É isso mesmo. Se quer realmente entrar em guerra comigo, espero que aguente. Espero que não seja o primeiro a levantar a bandeira branca.

Charles pegou sua bandeja e saiu enquanto Dimitri falava algo que ele sequer deu importância.

O tigre caminhou até ficar bem longe da mesa de Dimitri, sentou numa mais isolada, retirou o celular do bolso e pôs na mesa, em seguida, ainda muito nervoso, começou a comer.

Apesar de ter ameaçado Dimitri, ele não fazia ideia do que fazer para tentar acabar com o rival. Tudo o que fez foi por impulso, raiva, mas agora já não podia mostrar voltar atrás e teria que ir até o fim para destruir Dimitri por completo, se possível com Jamie junto.

[...]

Brandon estava deitado sobre a cama de lençóis brancos. Os pensamentos não eram outros senão o desejo carnal altíssimo que estava sentindo durante aquela manhã. Acordar dessa maneira não era novidade, mas ultimamente estava começando a se tornar um martírio pela necessidade que seu corpo tinha na consumação do sexo.

Trajando apenas uma cueca de tecido fino na cor branca, ele tocava o próprio pênis fazendo leves carícias. Uma vez que provou do sexo não conseguia sempre se satisfazer apenas com a masturbação, havia dias em que seu corpo necessitava ir muito mais além, precisava dos toques do seu parceiro para se satisfazer por completo.

Decidido, Brandon saltou da cama, saiu do quarto, desceu as escadas e encontrou o namorado segurando um copo com água na cozinha.

Se por um momento estava decidido, esse passou muito rápido, logo ele perdeu toda a coragem que tinha e transformou-se num completo pateta que apenas ficou parado na entrada da cozinha encarando o namorado que o olhava em completa confusão.

— Sim? — Kai questionou assim que o viu, não sem antes dar uma bela olhada para o corpo dele e perceber que seu membro não estava completamente adormecido naquela cueca.

Brandon abriu a boca pronto para dizer algo, mas acabou por engolir as palavras.

— Aconteceu alguma coisa, Brandon? E por que você tá aqui só de cueca?

— Você ainda está chateado por ontem? — perguntou sem premeditar.

— Não. — Kai respondeu e em seguida bebeu toda sua água.

— Não?! — ele realmente ficou surpreso com a resposta.

— Não, Brandon. O que aconteceu, hein? Você está estranho.

— Sei lá... — desviou o olhar, mas logo voltou a olhar para o mexicano. — Só achei que você estava com raiva. Nós dormimos sem conversar.

— Até ontem eu realmente estava, mas aproveitei que estava cansado e dormi. Pensei bem e achei melhor esquecer o que aconteceu.

— Ah, bom...

— Mas não é por isso que você está aqui. — Kai depositou o copo na pia e se aproximou do loiro. — Anda, desembucha.

— O quê?! E-eu...

— Brandon, é por isso que você não segue a carreira de ator. Você é um péssimo mentiroso. — Kai o interrompeu.

— Você me conhece tão bem assim? — perguntou frustrado.

— Sim, como a palma da minha mão. — e sorriu levemente.

Brandon sentiu um conforto fora do comum, mas não conseguiu dizer nada. Ficou olhando para o mexicano que ainda esperava por alguma resposta.

— Não vai falar?

— Tenho medo que você me interprete mal. Você sabe... Ainda tenho traumas do que nos aconteceu. — falou ao encolher os ombros.

— Ok, eu juro que não vou interpretar mal. Mas pelo amor de Deus, não me deixa curioso, eu já tô começando a ficar preocupado.

— Não! Não é pra se preocupar, é mais pra... Como que eu posso dizer?

Com expectativa, Kai não tirava os olhos do loiro.

Sem conseguir esconder por mais tempo, Brandon deu um longo suspiro, fechou os olhos e, enquanto de olhos fechados, soltou:

— Eu não aguento mais ficar sem sexo.

Ele permaneceu de olhos fechados, aguardando a bronca. Passado quase um minuto ele resolveu abrir e encontrou o mexicano ainda o encarando.

— Disse muita besteira, não é?

— Não sei o que falar... — falou e encostou-se no balcão.

— Ok, você pode ignorar isso por completo e seguir a vida. Eu consigo aguentar.

— Não, não... Você tem razão em cobrar isso de mim, eu sou seu namorado e fujo sempre quando percebo seus beijos mais intensos e sua ereção se formando.

Brandon ficou calado, mas sentiu uma leve pitada de vergonha.

— Eu sei que é uma baita idiotice minha, mas acabei tendo meus medos. Por acaso você sente que é como se fosse a nossa primeira vez?

— Sinto... E quando penso nisso fico nervoso. Mas tudo bem, você não precisa se explicar, talvez ainda deva levar tempo pra você esquecer o que aconteceu logo após a nossa primeira vez. Bem, eu vou subindo...

Kai somente o admirou, sentia pena do namorado que realmente se esforçava para tornar a relação deles cada vez melhor.

Brandon até permaneceu alguns segundos olhando o namorado, ele no fundo estava muito esperançoso. Ele sorriu passando confiança ao namorado e se virou, pronto para retornar ao seu quarto.

Kai o assistiu em silêncio, fechou seus olhos e refletiu sobre o que acabara de acontecer.

Não demorou três minutos e ele subiu apressadamente até o quarto, encontrou seu namorado deixado na cama, encolhido, talvez prestes a dormir mais uma vez.

Devagar, Kai se aproximou da cama e se deitou ao lado dele. Brandon sentiu a movimentação atrás dele e tratou de se virar para encontrar seu namorado que imediatamente tocou-lhe os fios loiros caídos sobre a testa.

Sem dizer uma palavra, Kai o beijou.

Um beijo que começou leve, tão leve que a movimentação dos lábios só aconteceu quase um minuto depois. Logo, Brandon invadiu a boca do outro com sua língua num beijo ainda delicado que ia ganhando força crescente.

O corpo de Brandon fez uma movimentação quase que automática ao se arrastar, devagar, para cima do corpo do mexicano e ganhar mais segurança no controle do beijo. Ele já reconhecia ali as intenções de Kai.

Os dedos de Kai faziam leves carícias na nuca do loiro enquanto era beijado, estava forçando-se a esquecer seu medo, e apagar parte daquele passado traumático e seguir, dando uma outra chance a si mesmo.

É dessa forma que ele acaba resolvendo tirar a camisa e assim dar a completa liberdade que Brandon precisava.

Aos poucos, suas peças de roupa iam sendo retirada até que restasse a cueca na cor preta.

Naquela cama, da visão de cima, poderiam pintar um quadro perfeito. Corpos se esfregando, cada um com sua cor causando um contraste na cama de lençóis brancos em que os protagonistas trajavam apenas cuecas, uma branca e uma preta, excitados.

Qualquer hora é hora pra sexo, Kai e Brandon não davam a mínima se iriam fazer aquilo durante a manhã, mesmo com pessoas dentro da república.

Alguém bateu à porta do quarto, mas eles não deram a mínima, nem mesmo se deram conta em que momento a pessoa do outro lado desistiu de insistir batendo. Permaneceram no beijo duradouro que esquentava ainda mais o clima dentro daquele quarto.

Com o passar dos minutos, Kai pôde sentir a insegurança de Brandon começar a surgir. O que não era uma novidade, uma vez que Kai deu seguimento aos beijos quentes.

Foi interrompendo o beijo que o mexicano tocou-lhe o rosto e ficou namorando-o com o olhos.

— O que foi? — perguntou com um semblante de preocupação o loiro. — Fiz algo de errado?

Sua respiração estava acelerada e Kai só o deixou mais nervoso ao não falar nada.

O mexicano mostrou um belo sorriso enquanto ainda admirava a beleza facial do loiro, que cada vez mais se mostrava confuso mantendo aqueles olhos azuis brilhantes abertos.

Kai passou a fazer leves carícias nas bochechas do Brandon até que o loiro voltasse a falar:

— Eu realmente estou nervoso. — assumiu.

— Não precisa ficar.

— É que só de pensar em... Em te ter por completo... Ah, Kai... — falou com vergonha, ruborizado.

Kai sorriu e tocou o lábio dele com o polegar. Por alguns minutos eles ficaram apenas naquelas carícias, especialmente da parte do Kai que não parava de mexer seus dedos no rosto do loiro até começar a perceber que ele parecia mais calmo.

— Está mais tranquilo?

O loiro confirmou com um aceno de cabeça.

— Mas você tem certeza de que também quer isso? — questionou o Ferazza.

— Absoluta. — confirmou o mexicano.

Foi a certeza que ambos precisavam para dar prosseguimento.

Kai mesmo se encarregou de voltar a beijá-lo, rolar na cama e se colocar sobre ele. Talvez mantendo o controle poderia deixar as coisas ainda melhores.

Foi por estar no controle que Kai conseguiu se desfazer de todos os pudores possíveis e logo tocar o membro do loiro, envolvendo-o em sua mão dentro da cueca.

Aquele toque, sendo mínimo em relação ao resto das ações futuras, deixou Brandon delirando, a ponto de já soltar alguns gemidos.

Em sua ousadia, Kai largou os lábios de Brandon e foi descendo depositando beijos alternados com mordidas até chegar próximo ao umbigo do loiro, descer a cueca dele e com a língua degustando do falo.

Os dedos dos pés de Brandon se contorceram. O loiro se esticou na cama ao sentir o toque úmido e deixou escapar um gemido no mesmo instante em que sentiu seu pênis ser coberto pela boca do mexicano.

Brandon não era modesto em relação ao tamanho do membro, por isso Kai não conseguia comportar tudo na boca, mas sabia fazer um sexo oral a ponto de deixar aquele loiro, de aparência inocente, delirar.

A ação de Brandon foi involuntária, sua mão já estava cravada nos fios lisos do mexicano, guinando a cabeça dele. Ele jamais poderia desperdiçar a oportunidade de estar fazendo aquilo, por isso aproveitava cada segundo.

Quando foi a última vez que tinha recebido um oral? Fazia tanto tempo, mas felizmente era a mesma pessoa a realizar o ato. Nunca havia esquecido como era o toque da língua do Kai.

Brandon nem percebia que cada vez mais Kai afastava suas pernas, descendo sua língua até brincar com ela nas bolas dele, passar pela virilha e...

— K-Kai... O que você tá fazendo? E-ei... Ahhhhhhhh.

Brandon arqueou as costas de imediato, abriu a boca e deixou escapar um longo gemido ao sentir o toque úmido de Kai entre suas nádegas. Nunca provou sensação igual, por mais estranho que fosse, não negava que o que o mexicano estava fazendo era, sem sombra de dúvidas, muito prazeroso.

Brandon abriu os braços repousando-os sobre a cama e cravando as mãos nos lençóis. Ele mesmo se encarregou de abrir mais as pernas e dar mais liberdade para o Kai fazer o que quisesse.

— Kai, a-assim e-eu vou...

Kai parou, Brandon estava tão cheio de tesão e recebendo um prazer novo que a qualquer momento poderia chegar ao ápice, mas uma vez que Kai se prontificou de transar, agora só iria sabe-se lá quando...

— Eu vou ao banheiro, já volto.

Brandon permaneceu deitado, respirando fundo e ainda não acreditando no que tinha acontecido. Sentimento estranho relacionado a sua masculinidade, mas ele não a sentia ferida, o novo era estranhamente assustador, mas prazeroso.

Sentiu vontade de ter Kai por cima, sentiu esse desejo logo após sentir a língua dele invadir as suas pernas. Sentiu vontade de estar por baixo, sendo dominado, mas também queria muito estar por cima, dominando.

Tocando o próprio membro úmido pela boca do Kai, ele aguardou até que o mexicano retornasse já nu.

Kai montou sobre ele devagar e deu-lhe um beijo longo e duradouro, mas dessa vez muito mais caloroso que os últimos dados. Parecia ter saído do banheiro renovado, cheio de fogo.

— O preservativo tá onde fica minhas cuecas, última gaveta, lá no fundo.

Como Kai sabia que Brandon não os tinha, logo falou onde estavam os seus. O loiro saiu da cama às pressas, como um leão que tinha visto um pedaço de carne exposto há metros de distância.

Kai apenas deitou-se de bruços na cama, deixando expostas as nádegas que Brandon tanto amava. Era realmente uma visão dos deuses para o loiro, algo em Kai em que ele era muito apaixonado.

E, mais uma vez, estava na dúvida entre estar por cima ou estar por baixo.

Acabou retornando pra cama, mas montando sobre as costas do namorado, descendo suas mãos entre o corpo dele e roçando o membro entre as nádegas do mexicano, fazendo Kai inclinar sua cabeça para que Brandon mordiscasse seu pescoço.

Kai virou seu corpo e pôde olhar nos olhos de Brandon, eles se beijaram novamente, até que o próprio mexicano tomasse o preservativo do loiro, encarregando-se de abri-lo e, em toda sua ousadia, por no pênis do namorado.

Brandon apenas o assistiu fazer tudo aquilo, estava agora decidido, ele ficaria por cima.

— Faz muito tempo que eu fiz isso... — murmurou o mexicano.

— E se eu perder o controle e te machucar?

— Me beije e tudo ficará bem.

Brandon o olhou por alguns segundos e então o beijou, assim sentindo Kai afastar as pernas, dando então o sinal de que estava preparado. O loiro segurou a base do pênis e procurou direcioná-lo até onde queria, mas quem acabou por finalizar a ação foi o próprio Kai segurando a mão dele.

Kai deu sinal com os olhos, Brandon então forçou a entrada e conseguiu por apenas a glande dentro dele.

Kai fechou os olhos e o beijou com intensidade, cravou as unhas nas costas do loiro e gemia baixinho, com dores, a cada centímetro que recebia dentro de si. No final, Brandon já havia se encaixado por completo.

Kai abriu os olhos, pareciam molhados, mas estava tudo bem. Brandon respirava muito fundo, finalmente estava dentro dele. Havia chegado até ali, depois de tanto tempo desejando por aquilo, chegando a sonhar diversas vezes com aquele momento.

Ele beijou o mexicano, mas logo sorriu e não conseguiu esconder sua felicidade.

— Eu te amo tanto. — disse o loiro. — Um dia em quero você em mim...

Kai não disse nada, apenas o olhava, jamais pensou que pudesse se apaixonar ainda mais por ele. Mesmo com todas as suas idiotices, todos os seus erros, mas definitivamente ele era o homem de sua vida, disposto sempre a acertar. Kai reconhecia o esforço dele, mesmo nunca falando muito a respeito.

Brandon tinha ganhado seu coração por completo desde o dia em que bateu os olhos na primeira vez que o viu ao abrir a porta daquela república.

Foi beijando-lhe ali que Brandon fez seu primeiro movimento dentro dele. Kai suportou, não fez sinal para que ele parasse. Em seguida, movimentos e mais movimentos foram sendo feitos até que o prazer começasse a dar seus primeiros sinais.

Como pedido, Brandon não o parava de beijar aqueles lábios grossos a fim de fazer o namorado esquecer a dor.

— Sim, eu também te amo. — Kai finalmente respondeu, num murmúrio muito baixo e cravando os dedos nos fios próximos à nuca do loiro.

Você teve o que tanto pediu, Brandon.

[...]

A noite chegou.

Joshua estacionou seu carro em frente a república dos Águias.

Não foi uma decisão difícil a ser tomada, no entanto ele teria que ser cauteloso ao se tratar da sua aparição naquele lugar para não causar problemas ao loirinho.

Depois de ter todas as suas ligações rejeitadas e até mesmo receber a mensagem de que o número discado se encontra fora de área ou desligado, Joshua estava péssimo. Não ter notícia nenhuma do seu namorado o deixava completamente aflito, louco. Mas ele só não agiu antes em respeito ao tempo que julgou ser necessário para seu namorado esquecer a discussão ocorrida durante a manhã.

Após desligar os faróis do carro, Joshua desceu e caminho sobre o gramado dos Águias até parar na porta, bater e aguardar. O ruivo aguardou apenas alguns segundos até que a porta fosse aberta por Danion.

O impacto, para ambos, foi inevitável, sendo no branquelo ainda mais intenso.

Para Danion, nunca foi fácil se colocar frente a frente com o Joshua. Logo toda a lembrança do dia do espancamento o assombrava e ele não conseguia simplesmente olhar para o ruivo com bons olhos.

Danion foi submetido a uma onda de choque. Seu corpo pedia para gritar, mas ele simplesmente não conseguia se mover, somente nutria mais e mais um sentimento misterioso, mas que certamente não era uma coisa boa.

Se não fosse o Luke, talvez algo bom não saísse dali. O moreno se prontificou em se colocar à frente do branquelo e fechar a porta, assim evitando grandes tragédias. Luke nem mesmo desejou saber como Danion estava se sentindo, afinal, estava frente com o cara que quase tirou sua vida.

— Por que você tem que vir aqui sabendo que não é bem vindo? — perguntou seu primo.

— Estou aqui pelo loirinho... — disse ele sendo muito direto, evitando entrar no assunto a respeito do seu passado com Danion.

— Ele não está.

Isso foi o suficiente para deixar o ruivo ainda mais preocupado do que já estava.

— Onde ele está?

— Isso não é algo que você deveria saber?

— Só me diga onde ele se encontra, Luke. Sem paciência pra provocação.

— Eu não sei, Joshua. Ele não aparece na república desde a manhã e o primo dele acha que você está com ele.

— Eu espero que você não esteja mentindo pra mim.

— E o que faria? — Luke ousou em desafiá-lo.

Joshua deu de ombros a passos apressados e entrou no carro, não sabia qual seria seu destino, mas rodaria a cidade atrás do seu namorado. No momento em que ligou o farol do automóvel e se preparou para sair, lá estava seu namorado caminhando solitariamente pela calçada.

O ruivo saiu do carro sem nem mesmo desligá-lo e foi ao encontro do loiro. Edgar ainda se encontrava com as mesmas roupas de manhã, no entanto não tinha um bom semblante, parece que recentemente havia chorado, o que fez apertar o coração do ruivo.

— Estive te procurando. — disse o ruivo sem conseguir tocá-lo.

Edgar nada disse, mas não fugiu dele.

— Vim aqui pra conversarmos e esquecer o que aconteceu hoje de manhã.

— Também estou querendo conversar com você.

— Vamos para o carro e ir para longe daqui.

Edgar assentiu e o seguiu até o automóvel, quando entrou nem mesmo colocou o cinto de segurança e antes que o ruivo pudesse retirar o carro daquele lugar, ele foi logo dizendo:

— Desligue o carro, Josh.

Sem entender, Joshua apenas o olhou e por alguns segundos permaneceu com as mãos no volante até decidir realmente acatar a ordem do loiro.

Joshua encostou-se no banco e ficou olhando para o vazio a sua frente, parecia nem mesmo piscar. Estava definitivamente com medo da conversa, uma vez que Edgar parecia diferente.

— Está com fome? Posso te levar pra comer em qualquer lugar que queira.

— Não é necessário.

— Não quer ir para o Ninho, tomar um banho, trocar essas roupas e conversar por lá mesmo?

— Não.

— Olha, loirinho, eu sei que você ainda está chateado pelo que aconteceu de manhã, mas...

— Joshua, não precisamos mais falar sobre isso. — o interrompeu. — Aconteceu, não aconteceu?

— Mas eu quero te pedir desculpas.

Foi aí que Edgar fez a respiração mais profunda de sua vida antes de começar dizendo:

— Eu demorei muito até tomar essa decisão, Joshua.

— Loirinho... — o ruivo não gostou daquelas palavras, o coração bateu tão forte que seria até possível ouvi-lo dentro daquele automóvel.

Se pela manhã Joshua sentiu ser atropelado por um caminhão, nesse momento ele parecia ter sido lançado de um penhasco apenas aguardando o impacto que causaria a sua morte.

E em lágrimas, Edgar soltou:

— Eu preciso de um tempo. Nós precisamos de um tempo. Esse relacionamento precisa de um tempo.

— Não...

— Sim, Josh, sim... Talvez pode não ser o que nós precisamos, mas sim o que eu, exclusivamente eu, preciso.

— Você ainda está de cabeça quente. Se for pelo ocorrido de manhã, eu te peço perdão, loirinho, mas não...

— Joshua... — o loiro o interrompeu. Edgar cobriu a mão direita dele com suas duas mãos. — Joshua, me escute: É o que é necessário, para minha saúde mental, para sua saúde mental.

— Você é minha âncora, loirinho... — assumiu.

Edgar enxugou as lágrimas, mesmo sendo uma ação tola já que novas molhavam o seu rosto.

— Nós precisamos respirar fora desse relacionamento. É um tempo para que eu reflita e para que você reflita.

— Um tempo significa término, eu não estou pronto para seguir sem você. Eu vou mudar, acredite.

— Não, Josh, não é me dizendo isso agora que amanhã tudo se consertará. Você precisa de um tempo, já chegou o momento em que eu não posso mais ajudar, que o Caleb não pode mais ajudar, mas sim você parar e refletir sobre suas ações.

— Não, loirinho... — ele balançava a cabeça negativamente sem parar.

— De todos os homens do mundo, você é o que mais amei em toda minha vida. Mas eu também me amo e para isso, com muita dificuldade, eu resolvi tomar essa decisão.

Joshua esfregou o rosto e bagunçou os próprios cabelos, em seguida ele pressionou muito forte o volante com a mão livre, mas não retirou, em momento algum, a mão coberta pelas mãos do Edgar.

Era seu maior pesadelo acontecendo naquele momento.

— Eu prometo continuar sendo seu amigo como sempre fui, estarei aqui sempre que você precisar. Mas por agora, como namorados, nós precisamos de um tempo. Talvez não nós, mas sim eu, exclusivamente eu, preciso disso para pensar sobre tudo.

— Eu não posso aceitar isso, loirinho. Eu não posso simplesmente deixar você se desfazer de mim assim. Eu não posso, eu não quero... — dizia ele com a voz mansa, porém trêmula e sem olhar nos olhos do loiro.

— Joshua, olhe para mim. — pediu o Edgar. Com muita resistência, Joshua o olhou. — Pode ser que amanhã eu mude de ideia e peça pra voltar, pode ser que em um mês estejamos juntos novamente, pode ser que em um ano, dois, três, não sei, nós estejamos mais maduros e tentamos seguir juntos novamente, mas hoje, agora, eu peço, por favor, que respeite minha decisão, eu realmente preciso ficar um pouco sozinho.

— Mas e eu, loirinho? E eu?

— Você vai saber o que fazer...

— Não há nada que eu possa fazer para que mude de ideia? Diz pra mim que isso não é sério. Eu posso te procurar amanhã e conversarmos melhor. Eu não vou sobreviver, loirinho, você é a minha paz.

Para Edgar estava sendo muito difícil ouvir aquilo, mas era a coisa correta que ele acreditava que deveria ser feito. Sustentar um relacionamento que estava começando a desgastá-lo pelas discussões ocorridas não era bom.

— Eu não estou amando outra pessoa, eu não deixei de gostar de você, eu continuo te amando e acredite, eu te amo muito, Joshua. Como disse, isso não significa que é o fim, mas definitivamente preciso de um tempo para mim.

— Um tempo? Quanto tempo?

— Eu não sei.

Mais uma vez, Joshua bagunçou os cabelos e chegou a estapear o volante, ele olhava para todos os lados, mas não conseguia encarar seu namorado por muito tempo.

— Eu não vou desistir de você.

— Eu não desisti de você. Vamos ficar um pouco separados, vamos pensar e depois, algum dia, podemos conversar. Tudo bem pra você?

— Claro que não, loirinho. Não está nada bem.

Por minutos eles ficaram em silêncio, Edgar por algumas vezes tocou o rosto do ruivo, acariciando sua face e tentando arrumar o cabelo dele até decidir não mais ficar ali dentro. Tinha dito tudo o que foi preciso, agora era seguir com sua decisão e respirar... Respirar a paz.

— Vou indo. Você vai ficar bem, eu acredito nisso.

Quando pensou em abrir a porta, Joshua segurou em sua mão e impediu de prosseguir. O ruivo agora conseguiu encará-lo e por minutos ficou decorando o rosto dele para nunca mais esquecer, por medo de um dia não mais recordar.

Seus olhos, que antes eram frios e exalava violência, mostrava, pela primeira vez, o Joshua da sua infância, um garoto cheio de sonhos e inocente. Seus olhos hoje mostravam que dentro daquele corpo gigante, ainda habitava uma criança ingênua, necessitada de alguém para cuidar dele.

Foi por isso, que sem nem pensar muito, ele deu um beijo leve nos lábios do loiro e o soltou.

Poderia ter esse tempo que Edgar pediu, mas pelo menos daria um último beijo nele, ainda que fosse de despedida.

Edgar saiu do carro ainda chorando, não conseguia conter uma lágrima sequer. Nem mesmo conseguiu fechar a porta do automóvel e foi diretamente para a sua república.

Ele entrou tão às pressas, que nem contou a quantidade de membros reunidos em volta do Danion, todos na sala.

— Edgar, você está bem? — Clara perguntou assim que o viu.

Edgar não prestou atenção em suas palavras, seguiu caminhando apressadamente e tentando enxugar o rosto.

— Ed, o que houve? — Caine perguntou seguindo-o.

Mas nem ao amigo o loiro deu atenção, entrou em seu quarto e trancou a porta.

Pode chorar, menino Edgar. Nem todas as decisões são tão fáceis de serem tomadas, e se isso é para sua felicidade, certamente você vai respirar a paz que lhe foi roubada. A madrugada pode ser fria, chuvosa e turbulenta, mas o sol da manhã secará aquilo que foi molhado.

[...]

“Preciso me encontrar com você.”
22:07

Ele não deveria estar fazendo aquilo, mas fez.

Charles jogou o celular na cama e correu para o banheiro. Ele desejou profundamente que a mensagem não fosse respondida, que tivesse errado o número ou que a mensagem não fosse entregue por erro qualquer.

Olhando-se no espelho, Charles tocava a pele do rosto em busca de alguma imperfeição. Narcisista como era, incomodava-o ter pelos, cravos e espinhas. Por isso ele sempre estava fazendo seu ritual de cuidados.

Charles passou um creme pastoso de cor verde no rosto e saiu do quarto em busca do seu celular. Lá estava a resposta, respondida um minuto depois que ele havia enviado.

“Quando você quiser.”
22:08

Após dar um longo suspiro, Charles respondeu:

“Não vamos fazer aquilo.”
22:15

Calvin não demorou a responder:

“Eu não falei nada sobre isso.”
22:15

Não querendo responder imediatamente, birrento como era, Charles retornou ao banheiro, lavou o seu rosto, o enxugou, passou um novo creme transparente e voltou para o quarto.

“Em que lugar posso te encontrar?”
22:21

Um minuto depois, duas mensagens seguidas:

“Tá demorando muito pra responder.”
22:22

“Você sabe...”
22:22

Charles odiou aquelas reticências, mas como não expressar sua raiva da maneira que queria, acabou apenas respondendo como se nada tivesse acontecido:

“Não quero ser visto no mesmo lugar com você. Foi só uma vez e basta. Onde você está?”
22:23

Ignorando a grosseria, Calvin respondeu:


“Na república.”
22:24

Charles:


“Maldita hora pra você está com esses imundos. Eu preciso falar com você, merda.”
22:24

Calvin:


“Tenho uma solução, isso se você não for medroso e desistir...”
22:24

Charles odiava ser desafiado, seja o menor desafio que fosse. Tanto é que sua personalidade foi moldada em cima disso, ele dificilmente recua, simplesmente bate o pé e avança. Mas, ainda assim, era preciso pensar quando se tratava da proposta de Calvin, mesmo que ainda não soubesse do que se tratava, foi necessário respirar fundo.

Depois de muito pensar, Charles respondeu:

“Eu não tenho medo de nada! Diga logo de uma vez.”
22:30

A resposta foi quase que instantaneamente. Calvin já estava com ela digitada, sabendo que tinha atiçado o tigre suficientemente para ter uma resposta positiva.

Calvin então enviou:

“Próximo ao ginásio. Não há ninguém por lá agora, dificilmente seremos vistos. Preciso destacar que lá é escuro?“
22:30

Tentador demais. Pensar em estar sozinho num lugar escuro com Calvin era extremamente tentador.

Mas Charles é Charles:

“Ok.”
22:32

Charles só fez vestir um moletom roxo e sair do seu quarto. Ele desceu as escadas em passos apressados e tomou um susto ao encontrar Sean dormindo no sofá da sala com o telefone repousado em seu peito.

— Vai sair?

Charles gritou e saltou com o susto e que tomou quando ouviu a voz de Brandon logo atrás dele. O loiro tomava sopa e por pouco não a derrubou por também se assustar com o grito que Charles deixou escapar.

— Que merda, Brandon!

Charles reclamou e logo em seguida olhou para o sofá e viu que Sean já estava de olho aberto, mas com uma expressão de quem não gostou de ser acordado.

— Eu não fiz nada. Até parece que você tá tentando fugir e foi pego no flagra. — disse ele com um sorrisinho bobo no rosto.

Charles, desconcertado, olhou através da janela e assistiu Calvin saindo de sua república.

— É isso mesmo, você vai sair? — Brandon perguntou mais uma vez.

— Sim. — respondeu ele e sentiu o celular vibrar com a mensagem recebida de Calvin.

— Olha, Sean, o Charles vai pra algum encontro. — brincou o loiro.

Sean não disse nada, apenas suspirou e se sentou.

— Larga de ser idiota. Eu vou resolver um problema muito sério.

— Tipo o quê?

— Não interessa! O que você fez pra comer?

— Tinha apenas essa sopa enlatada e eu peguei. Ainda tem mais uma no meu armário, pode pegar pra você.

— Odeio sopa enlatada. Que milagre é esse de você não está com aquele garoto que mais parece seu namorado já que não larga do seu pé?

— Ele tá dormindo, ainda tá cansado do jogo de ontem. — ele não deu atenção a parte em que Charles falava do Kai ser seu namorado.

— O importante é que vencemos. Estou com uma pulseira que roubei, pelo menos alguém tem que fazer algo com esse negócio da pulseira...

Sean deu um longo bocejo.

— Seria essa a única coisa boa que você sabe fazer? — questionou o moreno líder ao se levantar, passar por ele e subir as escadas.

Sem retrucar, Charles apenas caminhou até a cozinha, Brandon o seguiu, mas ele odiou a presença do primo. Teve que fingir comer alguma coisa pra pelo menos disfarçar e olhar o celular de maneira que não parecesse muito interessado.

Charles pegou a primeira banana que viu e enquanto a descascava leu a mensagem de Calvin:

“Estou saindo. Em cinco minutos você sai da sua república.”
22:34

— Eu queria conversar com você. — Brandon falou.

Aproveitando estar sozinho com o primo, Brandon achou que deveria conversar a respeito da sua relação com Kai. Após finalmente conseguir transar com ele, tinha mais certeza ainda que queria seguir uma vida amorosa com o mexicano, no entanto sem que precisasse esconder, para isso, ia começar pelo Medo que estava mais próximo...

Com Sean não tinha problema, mas com Charles as coisas poderiam ser mais complicadas. Talvez conversando com ele isso serviria para tomar impulso e conversar com seus pais.

— Tem que ser agora?

— Não necessariamente...

— Então podemos conversar depois? — disse Charles caminhando para a sala, mais uma vez.

— Ok, então eu vou dizer e você sai refletindo sobre o que vou dizer, está bem?

Charles, não dando importância, abriu a porta da sua república.

— Fala logo de uma vez.

Soltou o loiro rapidamente:

— Eu realmente namoro o Kai.

Charles fingiu limpar o ouvido para saber se era realmente aquilo que tinha ouvido. Seus olhos arregalaram e ele não conseguiu desviar os olhos dos olhos azuis do primo. Depois ele olhou para os pés do primo e foi subindo até chegar em sua cabeça.

Ele mesmo se encarregou de fechar a porta e preferiu não dizer nada. Charles deu um passo pra trás, mas o que seu primo tinha dito martelava em sua cabeça. “Onde ficava a Melissa nessa história?" Pensou ele.

Acabou preferindo não pensar muito, por isso pôs o capuz e começou a andar em direção ao ginásio, colocou todo o seu pensamento em Calvin e em como faria para encontrá-lo.

Não tardou a chegar nas proximidades do ginásio e era realmente escuro naquele horário, sem nenhuma iluminação. Apenas luzes fracas de duas repúblicas menores, mas que pareciam completamente abandonadas pela falta de movimentação, mas havia gente morando ali.

O ginásio estava a cinquenta metros de distancia e ele achou que não teria que caminhar até lá já que estava fechado.

O vento até vazia sons quando passava a ponto de tornar o lugar macabro. Charles estava começando a ficar com medo e aborrecido por não estar vendo o leonino, mas logo ouviu um assovio que o fez se assustar mais uma vez naquele dia.

O tigre olhou na direção em que ouviu o assovio e encontrou Calvin atrás de um carro.

Resmungando, o tigre se aproximou. Ele não reconheceu o lugar que estava, mas sabia que não era uma república, apenas um muro tomado por lianas e três árvores alinhadas logo a frente.

Vendo Calvin encostado no carro, ele foi logo dizendo:

— Se você não quer que essa merda tenha o alarme disparado, sugiro que se afaste.

Não dando a mínima, Charles ficou encarando-o, admitindo que ele era realmente bonito. O seu rosto escondido naquele capuz trazia mais ar de mistério a sua beleza. Charles tinha traços tão fortes e pelos tão negros que durante a luz da lua sua beleza era misteriosa.

Em silêncio, eles ficaram apenas se encarando. Ambos os garotos estavam com seus desejos a flor da pele, mas nenhum se arriscava a dar um passo à frente.

— Ok, ficaremos aqui apenas nos olhares? — Calvin perguntou.

— Não. Eu vim apenas pra ter uma conversa rápida.

— Então pode começar falando.

Charles odiava ordens. Pra ser sincero, Charles odiava quase tudo.

— Você vai mesmo para o casamento do meu irmão? — iniciou perguntando.

— Sim.

— Quanto você quer pra desistir disso?

— Está mesmo querendo me comprar?

— Não, mas se você quiser, eu pago, mais do que você vai receber. Tanto faz, só vim aqui pra dizer que você está proibido de falar que me conhece, da mesma forma que está proibido de servi na mesa em que vou ficar com meus parentes.

Calvin deixou escapar um sorriso provocador.

— Do que tem medo? — questionou o leonino.

— De nada.

— Então por que tudo isso?

— Eu simplesmente não quero você próximo a mim.

— Eu vou apenas obedecer ordens, mas não as suas ordens.

— O casamento é do meu irmão! Eu tenho o direito de te dar ordens.

Calvin suspirou e sorriu novamente.

— Tá certo.

— Você está duvidando de mim? — questionou enfurecido.

— Não.

E realmente Calvin não estava duvidando, sabia do que ele era capaz pertencendo àquela família, mas era divertido desafiá-lo.

— Então está avisado: não chegar perto de mim e nem da mesa que ficarei com minha família.

— Só isso? — questionou o leonino.

— Apenas.

— Ok. — disse sem muita firmeza, o que deixava claro que ele não dava a mínima.

Dado o veredito, Charles ficou em seu lugar, parado, mas não olhando para Calvin. Ele não queria voltar para sua república, por isso voltava a olhar ao redor e para o céu, desejando, profundamente, que Calvin falasse alguma coisa.

— Você não veio aqui apenas pra isso... Ou veio?

Charles finalmente voltou a olhar pra ele, mas acabou se arrependendo de ficar ali ao transparecer suas vontades.

— Eu já vou. — disse nervoso.

Quando virou as costas, acabou sendo pego pelos braços fortes de Calvin. Ele foi com muita força ao encontro do corpo do leonino e acabou sentindo o lábio quente dele contra a sua nuca.

— Confessa que você quer mais do que uma conversa. — murmurou logo atrás dele.

Arrepiando-se por completo, Charles nem mesmo tentou se desfazer aquele corpo que o prendia.

— É melhor você me largar. Qualquer um pode nos ver aqui. — disse o menor com a voz trêmula.

— Quem? Você consegue ver alguém?

— Não sei...

— Eu não vejo ninguém... — dizia enquanto o guiava até que ele encostasse no carro.

Com a cabeça inclinada para olhar o leonino, Charles engoliu em seco ao perceber que não tinha saída quando sentiu o carro logo atrás dele.

— Fala que sente falta... — murmurou o leonino.

— Nunca.

— Fala que você quer experimentar aquilo mais uma vez...

— Nunca...

— E se eu te beijar aqui?

— Eu rejeito.

Charles não tinha certeza em tudo o que estava dizendo. Sua voz falhava ao final das palavras deixando ainda mais claro que ele apenas tentava ser difícil.

— Então está bem, vou deixar você ir... — Calvin retirou uma das mãos do carro, abrindo então passagem para o tigre.

Charles permaneceu olhando-o. Ambos se encararam por poucos segundos até que o tigre não resistiu, segurou o leonino pelo colarinho, puxou seu rosto ao encontro do seu e selou os lábios, num beijo cheio de pressa, porém quente.

— Camisinha. — murmurou o menor enquanto ainda beijava o leonino.

— Na carteira. — respondeu sem separar seu lábio do dele.

— Pegue. — pediu tocando no zíper do leonino, abrindo e descendo de uma vez a calça com a cueca do garoto.

Enquanto retirava a carteira do bolso, Calvin não parava de beijá-lo sequer um segundo, quando encontrou o preservativo quase o derrubou. Pôs a carteira sobre o capô do carro, rasgou o preservativo com o dente e se protegeu.

Charles apenas precisou se virar, encostar-se no carro mais uma vez, descer sua bermuda e afastar as pernas.

A lubrificação foi mínima, eles não tinham nada além da saliva e do próprio lubrificante que vinha junto ao preservativo.

O encaixe foi rápido, dolorido, mas que não foi capaz de fazer Charles recuar. Quando ele finalmente sentiu o membro do outro dentro de si, tocou-lhe a cintura e o impediu de se movimentar.

— Eu não estou acostumado com você. — murmurou.

Por isso Calvin começou seus movimentos leves, mas adorando sentir seu membro todo coberto invadindo aquele corpo, ouvir aqueles suspiros, sentir o toque daquela pele macia e branca, marcá-la...

Quando finalmente começou a ouvir os gemidos de Charles, por preocupação, Calvin pôs três dedos na boca do garoto numa tentativa de abafar a voz dele. Charles mordia os seus dedos a cada vez que sentia o membro de Calvin entrar, mas sua mordida não incomodava o leonino.

A adrenalina misturada ao desejo fazia daquele casal um dos mais quentes.

[...]

Pietro estava sentado no sofá, com a mão no queixo, pernas cruzadas e não dando a mínima para a conversa que acontecia Andrew, Isis, Ewan e Chris.

Tudo o que conseguia pensar era no que ocorreu entre ele e Hugh desde o princípio até a situação atual em que se encontram. Lembrava, em especial, da vez em que transaram num ato não planejado, recordando-se de exatamente tudo, até das sensações, dos toques e dos beijos. Logo o rosto de Hugh sorrindo foi substituído por um olhar frio e em seguida estava revivendo as cenas em que ele batia, sem pena alguma, no Andrew desacordado.

— Pietro, você tá prestando atenção na conversa? — Isis, a garota de cabelo azul, questionou.

Depois de piscar diversas vezes, Pietro descruzou as pernas e ficou encarando-a.

— Você ouviu o que dissemos? — Chris, o da cabeça raspada, perguntou.

— Não. — admitiu.

— Bolamos um plano. — Andrew, com o rosto quase desfigurado, mas com bastante hematomas, protegendo o nariz com um pano qualquer, falou.

— Sim? — Pietro perguntou.

— Nós vamos acabar com aquela república. — Andrew disse.

— Pra quê insistir nisso? Já não basta o que aconteceu?

— E deixar barato? Aqueles filhos da puta vão pagar. Eu vou matar aquele garoto, ah se vou.

— Eu não acredito que vocês dois apanharam para aquele moleque idiota. Como deixaram isso acontecer? — Isis se manifestou. — O moleque tem cara de virgem, um completo idiota e vocês foram humilhados por ele.

Pietro apenas a olhava. Definitivamente sentiu vontade de falar que Hugh não era virgem.

— E agora estão aqui com os rabos entre as pernas depois de serem surrados. Olha o que ele fez com você, Andrew. — a garota olhou para o “namorado”.

— Eu não vou deixar isso barato! — murmurou com fúria nos olhos.

— Tá, mas alguém vai contar o plano pro Pietro ou vou ter que explicar? — Ewan, o loiro de moicano, irritado com o diálogo, falou.

Com todos em silêncio, ele preferiu prosseguir:

— É o seguinte, moleque: Como você tá dentro daquela república e sabe de tudo o que acontece lá, você vai nos avisar quando todos saírem pra assistir aquele jogo idiota que está acontecendo na Quadra. Só isso...

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— Eu não quero participar disso. — disse.

Para todos, o que Pietro disse foi uma surpresa e tanto. Eles ficaram calados não acreditando naquilo.

— Que porra é essa, Pietro? — Andrew até retirou o pano do rosto, mas quando sentiu o sangue descer, voltou a proteger o nariz. — Virou um deles? Você vai nos ajudar sim!

— Esqueceu que é lá que eu moro agora? Nenhum de vocês me cedeu moradia! Vocês vão acabar com aquele lugar e onde eu vou ficar depois? Acha mesmo que não vão descobrir que foi vocês?

— Foda-se! — Andrew gritou. — Foda-se! Dez mil vezes foda-se! Onde você vai ficar podemos resolver depois, mas definitivamente eu vou destruir aquela república, quebrar tudo o que ver pela frente e no final ainda vou pichar deixando alguns recados.

— Tá amarelando agora, Pietro? — Isis perguntou. — De que lado você está?

Pietro não respondeu, sabia que sendo o único ali dentro contra todos era desvantajoso.

— Vamos, Pietro, responde. De que lado você está? — Andrew reforçou a pergunta de Isis.

— Se estiver do lado deles é melhor sair daqui agora ou vamos encher você de porrada. — Ewan disse.

— É claro que estou do lado de vocês, porra! — a maior mentira de sua vida foi dita ali.

Pietro sentiu um sentimento muito ruim ao falar aquilo. Não compreendia o que acontecia agora e de como surgiu esse sentimento de proteção em cima dos leoninos.

— Então você vai fazer o que mandamos? — Chris perguntou.

Pietro não respondeu nada, engoliu em seco e desviou o olhar de todos eles.

— Fala, moleque! — Chris insistiu e se aproximou dele, levantando um pouco da sua camisa e mostrando o canivete que ele costumava andar.

Pietro o olhou, em seguida olhou para o Andrew como se estivesse esperando uma atitude vinda dele para a ameaça que Chris acabara de fazer, mesmo que sem palavras, mas acontece que Andrew nada disse.

— Vou. — disse a contragosto e ficou de pé.

— Pra onde vai? — Andrew perguntou.

— Ficar aqui é que não vou.

— Espero que cumpra com o que prometeu, Pietro. — Chris disse. — Caso contrário te trataremos como um deles...

— Eu quero mais é que todo mundo vá pra merda.

Pietro saiu daquele bloco completamente desnorteado, uma parte de si dizia para ficar ao lado deles, mas outra dizia para ir contra. Não tanto pelo Hugh, mas sim porque ele sente e enxerga agora que há um ódio gratuito em cima dos leoninos. Ele nem mesmo recorda como foi que esse ódio surgiu, embora soubesse que Chris e Ewan eram os que mais odiavam aquela república, julgando os moradores que há nela.

Ele seguiu pelo caminho escuro por trás da universidade até chegar, finalmente, na Quadra.

O garoto entrou em sua república em silêncio, algo costumeiro. Estava faminto, mas nada havia na cozinha quando ele passou. Hugh teria feito algo pra ele ou guardado parte de sua janta, definitivamente, mas agora ele percebia que as coisas seriam diferentes.

Iria dormir com fome, comeria no café da manhã, quando tivesse disposição para preparar algo.

Quando entrou no quarto, encontrou somente o Hugh sentado em sua cama, de óculos e lendo um livro.

Hugh não dera a mínima pra ele, inclusive nem mesmo fazia questão de olhá-lo. Dedicava toda a sua atenção as palavras contida nas folhas do livro que lia.

Só fez puxar o seu colchão de baixo da cama quando Hugh fechou seu livro, se levantou e saiu sem dizer uma palavra do quarto.

Pietro o assistiu desaparecer do cômodo e respirou fundo para não gritar-lhe insultos, por isso rapidamente deitou-se na cama e se cobriu da cabeça aos pés e assim não vê-lo mais, preferia dormir logo.

Não se passaram três minutos e a porta do quarto foi novamente aberta, apenas ouvindo passos, Pietro permaneceu imóvel, mas rapidamente o cobertor foi arrancado de sua face e, para sua surpresa, lá estava Hugh.

Hugh tinha retornado ao quarto a contragosto, teria mandado qualquer outro fazer isso se já não estivessem em seus quartos, mas alguém estava lá fora esperando.

— Que foi? — Pietro perguntou, estava irritadiço.

— Vai lá pra fora. — disse, seco.

— Está me expulsando do quarto?

Não dando explicações, Hugh deu as costas.

— Hein, Hugh?! — Pietro elevou o tom de voz e ficou de pé.

— Eu não deveria está falando com você, não estou te expulsando do quarto, mas não veria problema em fazer isso. — soou como uma ameaça. — Só vim aqui pra avisar que tem um homem chamado Nestor te esperando.

Antes que Hugh pudesse sair do quarto, Pietro, descontroladamente correu ao seu encontro e o segurou em sua mão.

Hugh parou, olhou para trás e para sua mão.

— Diga que eu não estou. — suas palavras saíram como uma súplica.

Hugh permaneceu calado.

— Eu imploro, invente qualquer desculpa, diga que eu não moro aqui, que eu morri, que não me conhece, mas por favor, só não diga que estou aqui.

Sem entender, Hugh ficou alguns segundos o olhando.

— Mais um problema, não é? Mais um problema em que você deve ter causado e está fugindo como sempre.

— Por favor, Hugh! — implorou até cair de bunda no chão.

— Ou você sai lá fora e vai arcar com seus problemas ou mando aquele homem entrar e resolver aqui dentro com você. — disse e largou a mão dele.

Pietro permaneceu no chão, a última e única pessoa dentro daquela república que poderia o ajudar, agora tinha lhe virado as costas. Percebia agora o valor que uma pessoa tem?

Pietro desejou uma passagem secreta dentro do quarto para fugir, queria se esconder pelo resto de sua vida, fugir dali pra nunca mais voltar. Como seria capaz de sair dali e olhar nos olhos daquele homem que tanto o fez mal? Um homem que pôs abaixo a sua família: seu pai.

De pé, Pietro decidiu que iria encará-lo. Em passos lentos rumou até à sala, e já do corredor podia avistar o homem robusto, baixo, de nariz adunco e calvo aguardando no cômodo.

Pietro aproximou-se de cabeça baixa, encolhido e sem conseguir olhar nos olhos do seu pai.

Hugh estava do lado de fora da república, olhando para o céu, tomando um ar, mas de repente ouviu um barulho estridente e assim que olhou para trás viu Pietro no chão e com a mão no rosto, encolhendo-se cada vez mais para se proteger do outro tapa que receberia.

— Que porra é essa de se meter na delegacia?! — bradou Nestor.

E então, Hugh? Entende agora porque Pietro suplicou para que fingisse não conhecê-lo?

Pietro era conturbado não porque queria, havia todo um traço familiar que o transformara naquilo que é, sempre cheio de problemas e revoltado. Agora, acrescentando nos problemas de sua vida, estava a ameaça dos amigos e o silêncio da única pessoa que demonstrava se importar com eles.

Notas finais
É isso, pessoal. Espero que tenham gostado e não deixem de comentar! ♥ Amo vocês!