Notas iniciais
Bomba relógio.

É especialidade do Luke atrair a atenção alheia, seja propositalmente ou não. E pra finalmente assumir seu sentimento por Samuel, ele acabou não fazendo tão diferente quando anunciou para toda uma arquibancada.

Samuel, a princípio, não havia digerido o que ele disse. Precisou reproduzir mentalmente a frase proferida pelo moreno para que então desse conta do que finalmente tinha ouvido e isso o deixou tão surpreso a ponto de fazê-lo congelar no meio de todos.

— Samuel? Samuel! — Clara tocou o ombro do colega, despertando-o.

Ele piscou algumas vezes e olhou para ela.

— Você simplesmente vai deixá-lo ir? — questionou a garota olhando-o nos olhos.

Samuel olhou o lugar que antes Luke estava e tornou a olhar para a Clara.

— Eu não acredito nele. — falou.

— Você quer a verdade? Então vá atrás dele! — insistiu ela.

Ele relutou, olhou para todos os seus colegas que aguardavam uma decisão dele. Caine, por algumas vezes, fez sinal com a mão apontando para o caminho que Luke havia saído. Todos os membros de sua república torciam para que ele fosse atrás do moreno.

— Vai logo, porra! — um grito saiu das arquibancadas.

Samuel não sabia quem havia dito aquilo, procurou na arquibancada, mas era impossível descobrir quem gritou. Logo outras vozes começaram a dizer: “Corre, garoto!”, “Vai atrás dele!”, “Ele é gato, se você não quiser eu quero!” e coisas do tipo.

Foi dessa forma que Samuel não resistiu mais, venceu o orgulho e correu atrás do grande amor da sua vida. Na mesma hora gritos tomaram o ginásio em comemoração e Samuel não pôde deixar de sorrir ouvindo aquilo, quando já estava do lado de fora do ginásio.

Esperando encontrar Luke no caminho, Samuel parou ao perceber que ele simplesmente havia sumido. Por calcular o tempo, era impossível que Luke já estivesse na república. Por isso ele parou cerca de sete metros do ginásio e olhou ao redor.

Por minutos ele ficou na esperança de encontrar Luke nas redondezas, mas nada de encontrá-lo.

— Estou aqui. — ele ouviu a voz que tanto amava.

Luke estava menos de um metro atrás dele.

Samuel virou-se de supetão, surpreendido pela presença do moreno ali. O loiro notou, ao olhar sobre os ombros de Luke, Colin lá atrás, acabando de acenar e dar as costas.

— Você fez todo aquele show porque sabia que eu viria atrás de você? Sério? — Samuel questionou irritado.

— Claro que não. — respondeu também irritado. — Eu só estou aqui ainda por causa do Colin que me parou na entrada.

Samuel não teve o que contestar quando viu que realmente Colin estivera ali com ele.

— Então? — Luke falou.

Constrangido, Samuel não conseguiu pronunciar uma palavra. Todo o discurso planejado havia simplesmente desaparecido da sua mente.

— Não tem nada pra falar? — Luke persistiu.

— Você já sabe de tudo.

— Mas eu quero ouvir o que você tem pra falar. Você sempre falou demais quando foi pra me humilhar.

— E o que você espera que eu fale, Luke?

— “Luke, amor da minha vida, que bom que você admitiu gostar de mim, estou muito feliz, mais tarde vou te recompensar com sexo.” — Luke forçou uma voz feminina.

Samuel revirou os olhos e balançou a cabeça negativamente.

— Volte pro jogo, vença e teremos tempo para conversar.

— Agora você se importa com o jogo?

— Você quer conversar comigo, não quer? Você quer ouvir tudo o que eu tenho pra falar pra você? — Luke fez sinal de sim com a cabeça. — Então precisamos vencer esse jogo. Se vencermos, eu saio pra jantar com você.

— Sério?

— Dou minha palavra.

— Então quer dizer que você vai ser meu hoje? — ele perguntou formando um sorriso no rosto.

— Nós primeiro iremos conversar, Luke. Dependendo da conversa, veremos o que acontece...

Luke não falou nada, olhou para o loiro e sorriu. Samuel apenas revirou os olhos e passou por ele, no entanto acabou sendo puxado, pego de jeito pela cintura e tendo um beijo roubado.

Nos primeiros segundos, ele não correspondeu, mas logo começou a ceder os lábios e deixar a língua do outro tomar domínio sobre a sua. Esse era o melhor beijo que já havia provado um dia, Luke era, sem sobra de dúvidas, digno da pegada e beijo que tinha.

Se possível fosse, ali mesmo Luke teria arrancado sua roupa por tamanho fogo que já lhe consumia, a necessidade de possuir aquele corpo que tanto almejava há dias.

— Ok, já chega! — disse o loiro, tocando o ombro do moreno e afastando o rosto.

— Só mais um pouco.

— Chega, Luke, precisamos voltar. — tentava sair dos braços fortes do moreno.

Luke deu-se por vencido e o soltou, Samuel passou a língua nos lábios e os sugou, logo deu as costas puxando Luke pela mão.

Eles retornaram ao ginásio e novamente a arquibancada começou a gritar, certamente sabiam da reconciliação. Luke, exibicionista, acenou para a arquibancada, apontou para o Samuel e fez gestos obscenos de penetração. Nada de novo sob o sol quando se trata da sua ousadia.

— Finalmente vocês voltaram! — Gale falou aliviado. — O time adversário não ia esperar mais tempo e teríamos que substituir o Luke o mais rápido possível.

— Chega de conversa, vamos jogar logo. — Samuel já começou falando.

Era perceptível que o time havia adquirido mais confiança depois de verem Samuel empolgado. Luke não conseguia desfazer o sorriso do rosto e ainda continuava a acenar pra arquibancada, sentindo-se um famoso prestes a distribuir autógrafo caso alguém pedisse.

— Presta atenção no jogo! — Samuel o advertiu assim que o viu mandando beijos para o público.

Comportando-se, Luke se conteve e se preparou pra o retorno do jogo. Quando a bola retornou, lá estava o moreno tão empolgado que piscou para o inimigo no exato momento que passou driblando.

Após o drible, Luke precisou passar a bola para o loiro. Samuel não disse nada, deu alguns passos, mas acabou sendo cercado e por isso passou a bola para o colega que estava atrás dele, Caine.

Caine pegou a bola e quicou poucas vezes antes de passá-la para Clara, a garota apressadamente avançou, driblou dois jogadores e arrancou gritos da arquibancada, passou a bola para o Samuel e ele sem pensar muito saltou e acertou a cesta de três pontos.

Clara trocou algumas batidas de mãos com o irmão e quase saltou nas costas dele, mas precisou se recompor, pois a bola já estava novamente rolando.

Com a posse de bola, o time adversário estava querendo permanecer na vantagem, por isso driblar Samuel e Luke era essencial. Um dos jogadores inimigo acabou passando pelos dois, Caine tentou tomar a bola, mas falhou, Clara se colocou a frente do inimigo, mas havia outro logo atrás dela posicionado, assim a bola foi passada para esse e ele tentou marcar a cesta de um ponto, no entanto, Carter estava bem atento e conseguiu tomar a bola dele.

— Boa, da roça! — Luke gritou.

Feliz, Carter sorriu como um bobo enquanto passava a bola para Gale, o loiro não perdendo muito tempo a passou para o Caine que logo em seguida passou para o Samuel. Novamente Samuel arriscou saltar de onde estava e acertou em cheio a cesta de três pontos.

— É meu homem, porra! Meu homem! — Luke começou a gritar animado.

A arquibancada gritava junto a sua euforia. Samuel marcou duas cestas seguidas de três pontos, honrando o seu time e a sua habilidade.

A bola retornou rapidamente ao jogo, mas na mesma rapidez ela foi tomada por Luke, que provocou o inimigo quando a conseguiu tê-la em mãos. O moreno confiou em Samuel, esperou ele chegar mais próximo e entregou-lhe a bola.

Samuel apenas saltou e lá estava a bola passando pela cesta, novamente marcando três pontos. Era realmente surpreendente o quão bom ele era, se na arquibancada tivessem olheiros, certamente ele seria um ótimo indicado a ser selecionado para algum time ao passar por processos de treinamento.

Em apenas três minutos de jogo os Águias conseguiram marcar nove pontos, sendo assim, 61 pontos para os Monstros, que até o início do quarto e último tempo não conseguiram marcar uma cesta, e 50 pontos para os Águias que estavam começando a alcançar o time adversário.

O time inimigo pediu tempo, mas não durou mais que um minuto e logo retornaram ao jogo. Eles certamente estavam começando a temer.

A bola voltou ao jogo e dessa vez o time inimigo estava irritado, por isso a marcação em cima do Samuel começou a aparecer mais. O loiro nem sequer teve espaço para receber a bola que Clara havia tomado, por isso ela a passou para o Luke. O moreno driblou dois jogadores e saltou, marcando naquele momento uma cesta de dois pontos.

— Chupa, seus otários! Vão marcar ele mesmo e me deixar livre? — bradou o moreno.

Os adversários nem ousaram cair na provocação. Simplesmente foram com tudo mais uma vez, sendo que o mais alto do time inimigo, que estava fazendo a linha de trás, dessa vez pegou a bola e ousou passar por ele. Luke sentiu a pressão, o garoto era maior que ele e chegava a intimidar, mas sendo Luke o jogador, quando ele demonstraria medo?

O moreno parou em frente a ele e apenas sorriu, mas seu sorriso foi desfeito porque o grandão conseguiu passar por ele, no entanto, para a surpresa de todos, Caine, magicamente, estapeou a bola da mão do adversário e conseguiu tomá-la. Até ele mesmo se surpreendeu com aquilo, da arquibancada provavelmente quem gritou mais alto foi Danion.

Com a posse da bola, Caine a passou para Samuel, mas quando Samuel pensou que estava livre pra fazer sua jogada, acabou sendo cercado novamente. Sem saída, ele apenas ouviu a voz do Luke:

— Aqui!

Quando olhou, Luke estava acenando e rapidamente ele mandou a bola para o moreno. Luke não era Samuel quando se tratava de cestas de três pontos, mas ele arriscou lançá-la dali mesmo quando viu que não tinha espaço para avançar mais.

A bola passou.

Luke saltou do chão em comemoração e correu para Samuel, deu-lhe um rápido abraço, mas retornou a sua posição quando furiosamente a bola passou bem ao lado do seu rosto, surpreso, ele olhou pra trás e viu o mesmo garoto alto do time inimigo agora correndo com a bola.

Foi frustrante vê-lo marcando uma cesta furiosa de um ponto, fazendo a tabela tremer por tamanha força utilizada.

— Não desanimem, vamos!

Carter estava com a posse de bola naquele instante, ele a passou para Clara que logo passou para Samuel. Seria ele quem faria o jogo virar, todos confiavam mais nele por conta de suas cestas de três pontos, por isso, mesmo sem comunicação oral, eles sabiam exatamente o que fazer quando pegassem a bola.

Samuel, irritado por estar sendo tão marcado agora, desafiou a própria habilidade arremessando de mais longe, do meio da quadra e acertou. Dessa vez até Caine começou a pular em comemoração. A arquibancada estava tão agitada, não parando de gritar um minuto se quer. A torcida dos Águias, por conta das jogadas de Samuel, acabara se tornando maior cantando o nome da república num só coro.

— Vamos lá, vamos lá! — Gale, animado, tentava fazer o time acreditar na vitória.

Com a bola em mãos, o time inimigo agora usava o garoto alto para tomar as jogadas para si e marcar pontos. No entanto, ninguém do time dos águias estava com medo dele, ele era capaz de passar por Luke e Samuel, mas a confiança dos Águias era grande e por isso a linha de trás honrava a defesa.

Clara, furiosa com o garoto, parou bem de frente a ele e seus olhos seguiram a bola. Cada passo que ele dava, ela estava lá sem deixá-lo prosseguir, até que ele tentou fazer as jogadas do Samuel e marcar a cesta de três pontos, no entanto, a bola nem sequer entrou na cesta.

No rebote, Carter quem a pegou e a avançou. Ele tentou ser engraçadinho quando não quis passar a bola apenas para arriscar driblar o inimigo, por isso quase perdeu a bola, mas Gale estava lá pra amparar e conseguiu a bola.

O loiro a entregou para Caine e o líder dos Águias correu e entregou a bola para o Samuel, mas Samuel viu que mais uma vez não tinha espaço. Ele viu o Luke sozinho, já que o time todo estava mais preocupado em marcá-lo e não pensou duas vezes antes de passar a bola para ele.

Luke, feliz, sorriu e saltou, ele poderia garantir uma cesta de um ponto, mas preferiu arriscar a de dois pontos e conseguiu.

Houve uma pequena discussão no time adversário, mas os Águias que antes estavam desmotivados não paravam de sorrir sequer um minuto. Eles estavam mais confiantes, o placar anunciava que faltava apenas dois minutos e eles precisavam urgentemente virar esse jogo.

O jogador adversário correu com a bola, sua raiva era tanta que era perceptível em seu olhar. Luke, do contrário, sempre foi muito provocador e sorriu largamente quando percebeu a fúria do rival.

— Tá com raivinha, é? — questionou o moreno encarando-o.

Bufando, o adversário foi com tudo e quase derrubou o moreno, Luke só não caiu porque conseguiu se manter de pé, mas não entendeu como o árbitro não havia dado falta. Enquanto isso, o jogador do time rival continuou prosseguinfo, passou por Clara e por Caine, mas acabou parando quando Carter se posicionou a sua frente.

— Daqui ‘cê não passa. — Carter falou.

Como não havia feitos grandes jogadas, para o rival, Carter era um alvo fácil. Por isso ele apenas sorriu, olhou para o loiro e avançou. Carter em nenhum momento se mostrou intimidado, firmou os pés no chão e esperou o drible, mas estando atento, ele tomou a bola e ainda por cima saiu comemorando enquanto a tinha em mãos.

Mais uma vez a arquibancada comemorava por causa da reviravolta, o loiro passou a bola para Caine que logo correu para se aproximar da cesta, no entanto, quando planejou passar a bola para o Samuel e assim certificar-se de que ele marcaria três pontos, acabou vendo que o amigo estava completamente marcando. Seu olhar parou em Luke o moreno também foi marcado na mesma intensidade. O tempo corria e ele, assustado, passou a bola para a Clara, mas a Clara por pouco não teve a bola tomada pelo inimigo, por isso necessitou devolver a bola para Carter que já havia passado do meio da quadra.

O loiro, não vendo alternativa, com medo do tempo e percebendo que os dois melhores jogadores do seu time estavam sendo marcados, não pensou muito — o que geralmente ele faz de melhor — e imitou Samuel em uma de suas jogadas. Carter saltou, arremessou e fechou os olhos enquanto retornava ao chão.

De olhos fechados pareceu uma eternidade até que os gritos tomassem conta da arquibancada. Ele inacreditavelmente acertou a famosa cesta de três pontos. Sorte ou habilidade? Sorte, certamente.

Mas o tempo, correndo, não deu tempo de comemorar, faltava menos de um minuto e o time inimigo já estava no controle da bola. Agora teriam que evitar que uma cesta fosse marcada para que não colocasse abaixo a vitória dos Águias. Por isso todos o time dos Águias passou a ficar atento ao que acontecia, temerosos, apreensivos.

— Não deixa passar! Não deixa passar! — Samuel gritava com o time assim que foi driblado.

Atrás dele, Caine e Clara fizeram uma barreira, ganharam alguns segundos, mas assistiram a bola passar por suas cabeças indo em direção à cesta.

Para ambos os times, a cena parecia ter sido em câmera lenta. Clara fechou os olhos, Gale mirou na bola, Carter levou a mão ao rosto, Luke entreabriu os lábios, Caine e Samuel cruzaram os dedos e balançaram a cabeça várias vezes desejando que ela não entrasse.

Não entrou.

A agitação da arquibancada triplicou.

Carter só pensou em pegar a bola no rebote, passou rapidamente para Caine que estava livre, mas antes que Caine pudesse passar pra alguém, lá estava o tempo finalizado.

Os Águias venceram.

A bola caiu no chão assim que Caine a soltou e pôde sorrir com alívio. Ele olhou para o placar marcando 61 para os Monstros contra 63 para os Águias. Por ser emotivo, logo seus olhos se encheram de lágrimas, mas elas permaneceram lá fazendo seus olhinhos brilharem no instante em que alcançou o olhar do seu namorado comemorando feito um louco na arquibancada ao lado de Colin que agitava os braços.

Luke levantou as mãos para o céu e no seu rosto estava estampado o maior sorriso já dado por ele. Quando olhou para Samuel, o viu sentado no chão, de cabeça baixa, respirando enquanto o suor pingava da ponta de seu nariz formando uma pequena poça no piso liso.

Carter fazia uma dancinha idiota ao lado de Gale e Clara que tentavam imitá-lo. Por mais que aquele não definisse o fim dos jogos, afinal, tinha muita coisa ainda pela frente, a sensação de que iriam permanecer na disputa era bastante satisfatória. E vencer um jogo onde já não tinham mais esperanças tornava tudo ainda mais emocionante.

Tudo isso ao som de gritos e mais gritos vindos de todos os lados, de pessoas estranhas a conhecidas.

— Garanti minha saída com você. — Luke falou ao abaixar seu rosto e sussurrar no ouvido de Samuel.

O loiro levantou a cabeça e apenas viu aquele belo rosto e seus olhos azuis brilhantes o encarando.

— Não fez mais do que sua obrigação. — respondeu, mas não conseguiu ser grosso, logo um sorriso brotou do seu rosto.

[...]

Kai se encontrava sozinho na sala de concentração, tinha sido o primeiro a chegar no local enquanto seus colegas de equipe estavam espalhados por aí. O mexicano preferiu ficar sozinho e se concentrar, embora fosse impossível devido aos gritos que ainda se ouviam após a vitória dos Águias, no entanto ele queria relaxar a mente para se preparar pra o jogo contra Calvin. Por mais que se sentisse seguro, admitindo que com Sean no time eles tinham uma enorme vantagem, reconhecia que Calvin era tão bom quanto o seu líder, fora que no time adversário o único menor era Colin, não que estivesse duvidando da capacidade dele, mas estava preocupado com o fato dos Leões terem um time de peso. Marcus, Calvin e Julius eram os escudos dos Leões e os três iriam participar do jogo.

Terminando de lavar seu rosto com a água da própria garrafinha, Kai engoliu em seco quando viu Franklin entrar na sala de concentração. Não conseguindo retirar os olhos do garoto, surpreso com sua presença naquele lugar.

— Vim torcer por você. — disse Franklin com um sorriso fraco no rosto.

Kai fechou a boca e continuou a olhar em silêncio para o garoto. Franklin estava diferente, seu novo corte de cabelo o deixou com uma aparência mais jovial e ele agora usava um brinco preto em sua orelha esquerda.

— Eu vim em paz. — explicou mostrando as duas mãos livres.

— Achei que você nunca mais fosse querer olhar na minha cara. — foi a primeira coisa que Kai conseguiu pronunciar.

— Foi o que eu realmente quis, mas parece que não deu certo. Muita coisa aconteceu de lá até aqui.

Kai pôs sua garrafinha no banco.

— Estou surpreso, não sei o que dizer... — desviou os olhos para chão.

— Não precisa falar muita coisa, eu no seu lugar talvez nem teria dito nada.

— Você deletou todas as suas redes sociais, mudou seu número, ficou incomunicável.

— Eu precisava de um tempo.

— Eu juro pra você que não queria te magoar.

— Isso é passado, Kai. Eu realmente resolvi abrir mão dele. Gostei muito de você, exagerei nesse gostar e acabei apressando as coisas, mas seu coração nunca pertenceu a mim.

— Frank, e-eu...

— Kai, esquece, ok? Foi por isso que eu vim aqui, apenas pra te livrar desse sentimento de culpa que você sentiu. Nós tivemos uma conversa inacabada.

Não querendo realmente retornar ao assunto do seu passado com Franklin, respeitou o pedido do garoto, e decidiu por finalizar o assunto ali. Eles deveriam ter muito o que conversar, expor seus pontos de vistas, mas de nada iria valer a pena depois do tempo que se passou.

— Então... Como você está? — Kai perguntou sem muita esperança de receber uma resposta.

— Estou indo, a mesma vidinha de sempre, sem grandes problemas. E você? Como vai o namoro?

Surpreso com a pergunta, Kai sentiu que não era correto falar de Brandon.

— Tudo bem, ele é um cara chato, mas é dele que você gosta, não se sinta mal por me responder isso.

— É estranho falar dele para você.

— É mais estranho ainda eu estar aqui. — sorriu.

Kai tinha se esquecido de como a companhia de Franklin era agradável, ele realmente era uma boa pessoa e ótima para relacionamentos, é uma pena que o tenha magoado tão profundamente.

— Não é todo mundo que sabe do meu namoro com ele... — confessou, sentindo que ainda podia confiar em Franklin.

— Mas vocês estão bem? Você está conseguindo aceitar isso?

— Estamos sim. Ele pensa em contar pra mãe dele, mas ainda não se sente tão seguro. Respeito à vontade dele nesse sentido, pois conheço a família que ele tem.

— Entendo... — Franklin falou e olhou para o chão sem ter mais o que dizer.

— Fico feliz em vê-lo. — admitiu o mexicano.

— Essa é a parte que ficamos sem assunto, não é? — Franklin riu enquanto o olhava.

Kai retribuiu o sorriso e concordou com o que ele havia dito. Por mais que fosse realmente estranho ver Franklin ali, depois de tudo o que aconteceu entre eles, era confortável estar com ele. Não que isso significasse uma recaída, mas de fato Franklin era um bom companheiro para conversas. Ele tinha uma boa aura.

Nenhum dos dois garotos esperava que outra pessoa entrasse ali, não até Brandon apareceu. O loiro, que vinha caminhando enquanto cantarolava silenciou-se no instante em que viu Franklin e Kai sorridentes.

O mexicano sentiu seu coração gelar com o susto e por isso desfez o sorriso imediatamente, enquanto Franklin não falou nada.

— O que ele faz aqui? — irritado, o loiro perguntou.

Calmo, Kai respondeu:

— Ele veio me ver. — respondeu com sinceridade.

— Só te ver? — Brandon parou em frente ao Franklin e o encarou.

— Sim, Brandon, ele veio só me ver e torcer por mim.

— Torcer por você significa torcer por mim também? — questionou sem retirar os olhos do garoto.

Kai não conseguiu responder, mas olhou para Franklin suplicando que ele desse alguma resposta para desfazer esse clima chato que acabara de se instalar.

— Eu vim em sinal de paz. — disse o garoto sem temer o loiro.

Brandon obviamente não confiava nele, não gostava e muito menos suportava tê-lo por perto.

— Então se já veio e conversou com ele, pode ir embora.

— Brandon! — Kai o repreendeu.

— O que foi? — o loiro virou irritado e olhou para o mexicano. — Eu não gosto desse garoto.

— Eu não vim tomar o Kai de você. — Franklin falou e Brandon tornou a olhar para ele. — Inclusive eu vim torcer pela felicidade dele.

— Não confio em você.

— Não peço sua confiança, não dependo dela. Me importo com ele, não contigo.

— Atrevido você, não? — Brandon deu um passo pra frente e fechou o punho.

— Pra quê tanto ciúmes? Sou uma ameaça pra você? — Franklin, muito tranquilo, falou sem dar um passo pra trás.

Kai precisou afastar Brandon e assim se posicionar entre eles.

— Prometo que conversamos outra hora, mas por favor, saia daqui. — pediu.

— Tudo bem. — disse o garoto afastando-se, mas não sem antes olhar para o loiro e sorrir suavemente.

Brandon ameaçou avançar, mas Kai o impediu de fazer isso. Depois de muito insistir, Brandon desistiu de sair dos braços do namorado e se sentou no banco.

— Por que você estava aqui sozinho com ele? — irritado, o loiro questionou.

Kai não respondeu, somente se sentou ao lado dele.

— Não vai responder?

O mexicano continuou quieto, Brandon se levantou irritado.

— É assim agora? Eu te pego aqui sozinho com aquele teu ex namorado e você quer que eu fique feliz?

Kai continuou em silêncio, nem sequer olhava para ele.

— Me responde, Kai! — gritou.

Com o grito, Kai olhou para ele, mas durou poucos segundos até tornar a olhar pra entrada da sala de concentração. Brandon já estava bem irritado e desistiu de falar, por isso voltou a se sentar e parecia ter corrido uma maratona para que sua respiração ficasse tão agitada daquela forma; como um dragão soltando fumaça pelo nariz.

Depois de cinco minutos de silêncio dos dois, Kai finalmente pôde falar:

— Acabou o show? — perguntou.

— Agora você quer falar comigo?

— E se eu te respondesse cinco minutos atrás qual valor você daria para minhas palavras se tudo o que queria era brigar com Franklin?

Brandon bufou.

— Com certeza ele veio aqui por sabe que eu ganhei você dele. Com certeza ele quer me irritar.

Kai apontou o dedo para a cara do loiro.

— Nunca mais fale isso! Eu não sou objeto de vitória de ninguém.

— Não quis dizer isso. — explicou-se ao perceber a chateação do namorado.

— Mas agora aprenda. — Kai se levantou. — Ele não foi meu ex-namorado, nós nunca assumimos nada oficialmente, o que aconteceu entre eu e ele foram apenas uns rolos e disso você sabe perfeitamente já que nunca te escondi nada.

— É, mas...

— Mas o quê, Brandon? — interrompeu o mexicano. — Estava tudo ótimo, ele nem sequer quis discutir contigo e percebeu como você agiu? Franklin realmente veio em sinal de paz, ele torce por nós dois.

— Desculpa, tá? — ele se levantou tentando se explicar. — Mas é que quando eu vi esse garoto perto de você... E-eu, e-eu... Não sei, Kai, eu simplesmente sinto ciúmes, não gosto, sinto medo de te perder.

A conversa teve que ser interrompida, assim tornando-a inacabada, quando o resto do time dos tigres apareceu na sala de concentração. Brandon e Kai trocaram alguns olhares, mas o mexicano, sendo o mais chateado entre os dois, afastou-se do namorado e foi ao canto da sala.

Sean, assim como o Kai, estava no outro canto da sala, isolando-se como de costume. Apesar de o time ser forte, faltava laço naquela união, cada um só se importava com seu bem estar, com exceção do casal de namorados.

Lá fora as arquibancadas já estavam bem volumosas, por isso Franklin, que minutos antes quase foi à luta contra Brandon, não tinha encontrado um lugar para ficar. Tentou procurar algum conhecido, como Hugh, mas no meio de toda aquela gente era difícil encontrá-lo.

— Com licença, posso sentar aqui? — pediu assim que viu um espaço ao lado de um garoto que estava atento ao outro lado do ginásio.

Quando esse garoto o olhou, percebeu que já o tinha visto algumas vezes. Ele tinha um corpo cheio de tatuagens que escapava pelas mangas da camisa, uma cicatriz em seu pescoço — causada pelo senhor das cicatrizes conhecido como Joshua —, e os cabelos castanhos que já foram volumosos, mas que agora estavam curtos. Ele era bonito, realmente muito bonito e Franklin não pôde deixar de pensar nisso, percebendo só naquele momento que os olhos dele eram verdes.

— Claro, faz um bom tempo que alguém saiu daí e não voltou. — ele sorriu e voltou a olhar para a arquibancada do outro lado.

Franklin então se sentou ao lado dele, ficou alguns segundos em silêncio, mas não resistiu.

— Eu acho que te conheço de algum lugar.

— Conhece? — o garoto voltou a olhá-lo, dessa vez com curiosidade.

— Você mora no Ninho?

— Até semestre passado eu estava morando. — respondeu. — Saí recentemente de lá, mas estou morando próximo. Praticamente vivo lá por causa de um amigo meu.

— Joshua?

— Sim. Devo me preocupar? — questionou e franziu a sobrancelha.

— Não, não... — Franklin sorriu. — É que eu moro perto do bloco dele, o vejo passando por lá algumas vezes. Desculpe-me, não me apresentei, eu sou o Franklin. — estendeu a mão.

— Eu sou o Caleb, prazer.

Caleb Rodrigues, ex-namorado do Noah McGraien, ex-namorado do Joshua McGraien e soro positivo, sendo vítima do ruivo que o transformou nisso, embora na época nenhum dos dois soubessem. Ele já havia se graduado, no entanto continuava estudando para uma especialização, mas precisou sair do Ninho, dedicando tempo entre trabalho e estudo, aparecendo semte por lá quando precisava conversar com Joshua.

Quem diria que a pessoa que foi capaz de arruinar sua vida agora era uma de suas grandes amizades, felizmente mágoas foram deixadas para trás. Joshua foi seu primeiro amor, por isso foi tão cegamente com ele pra cama e transando sem preservativo.

Ele estava naquele lugar olhando pro outro lado da arquibancada justamente pra tentar encontrar o ruivo, infelizmente ele não sabia que Joshua havia sido banido dos Jogos da Quadra.

— Pra quem você está torcendo? — Franklin perguntou.

— Os Leões, é óbvio. Eles são mais legais, conheço o líder deles. Quer dizer, conheço os dois lideres já que fiz parte dos Tigres uma vez.

— Você morou naquela república?

— Sim. — respondeu sem dar muito explicação da sua vida.

— Bem, estou torcendo pelos Tigres, mas só por causa de um amigo.

— Amigo? — Caleb brincou.

— É, amigo... — disse frustrado, mas com um sorriso no rosto. — Infelizmente apenas amigos, ele tem namorado. Mas estou superando isso.

— É uma pena, achamos que não vamos superar, mas uma hora conseguimos. Você vai conseguir, acredite. — sorriu.

Franklin estava encantado pela maneira como ele falava. Caleb parecia tão inteligente aos seus olhos e tão encantador pela simpatia. Qualquer outro provavelmente teria encerrado o assunto com facilidade, afinal Franklin era um desconhecido, mas Caleb conversava cheio de simplicidade.

— Namorei por quatro anos e não deu certo. Sobrevivi? Sobrevivi! — brincou.

Franklin sorriu.

— Bem, parece que o jogo vai começar. Veremos quem vencerá, o time para quem você torce ou o meu.

— Podemos fazer uma aposta.

— Não gosto de apostas, prefiro guardar meu dinheiro.

— Se os Tigres vencerem você pode sair pra tomar um café comigo.

Franklin sendo Franklin, sempre tão ousado e firme quando se interessava por alguém.

Caleb o olhou e entreabriu os lábios com surpresa.

— É melhor só assistirmos o jogo. — disse ele, embora no fundo muito constrangido. Fazia séculos que alguém não o cortejava daquela forma.

Não persistindo, Franklin somente sorriu e passou a dar atenção ao árbitro no centro da quadra.

[...]

— Um jogo limpo, certo? — Colin falou enquanto saiam da sala de concentração.

— Você acha que os Tigres vão jogar limpo? — Marcus perguntou.

— Não importa, vamos vencer na raça.

— Vamos ver se esse Sean é tão bom mesmo... — Calvin esfregou as mãos.

Quando Colin chegou na quadra onde o jogo seria realizado, os Tigres já estavam todos lá, mas diferente do último jogo contra os Águias, agora eles usavam um short branco e camisa regata preta. O líder dos Leões sabia que aquela ideia, certamente, não foi de seu namorado, pois se tinha uma coisa que Sean adorava fazer era exibir seu corpo, o que acabava matando Colin de ciúmes.

No entanto, quem estava sem camisa eram os Leões. Eles trajavam um short amarelo com duas listras brancas em cada coxa, os sapatos, para ambos os times, eram de formatos e cores diferentes.

Sean quando viu Colin o olhou dos pés a cabeça, realmente a academia que ele persistentemente continuava estava dado resultado. Era possível ver os gominhos em seu abdômen formando o famoso tranquilo, os braços um pouco mais cheios e até mesmo a postura dele havia mudado. Não tinha o nível de músculos de Sean ou daqueles que pertenciam ao seu time, mas certamente estava tendo mais músculos que o Danion que continuava sendo magro.

Calvin só se importou em fixar seus olhos em uma pessoa, mas o garoto fingia nem conhecê-lo, dando a mínima para sua existência. No entanto, em breves oportunidades, Charles não conseguia deixar de desejar aquele corpo mais uma vez.

A propósito, as marcas no pescoço do Tigre não tinham saído, permaneciam lá, menos destacadas que nos primeiros dias, ele até tentou usar maquiagem para disfarçar, mas o suor desfez tudo e ele não estava mais se importando, no entanto ninguém havia perguntado nada.

— Prontos? — o árbitro perguntou.

O escolhido para desafiar Sean na primeira posse de bola foi o Calvin, e essa escolha foi unânime.

Connor e Julius cuidariam da parte de trás, Danion e Colin estavam no meio, enquanto Marcus e Calvin posicionaram-se na frente.

— Apenas façam um jogo limpo. — disse o árbitro e lançou a bola para sair correndo.

Foi como um relâmpago, Sean até saltou rapidamente, mas Calvin foi mais rápido e habilidoso que quando o moreno deu conta, o leonino já tinha passado por ele e por Kai, logo passou a bola para o Marcus que deu alguns passos, desviou de Brandon, devolveu a bola para o Calvin e o leonino saltou, marcando, em menos de um minuto, uma cesta de dois pontos.

Os gritos da arquibancada foram instantâneos. Os Tigres sequer tiveram tempo de reação.

Colin deu um baita grito quando viu a bola passar pela cesta, olhou para seu namorado e acenou para ele enquanto esboçava um sorriso grande e largo. Sério, Sean não resistiu olhar pra ele.

Com a posse de bola, quem a recebeu após a cesta foi o Charles, que passou para Brandon, que na oportunidade que teve quando se viu bloqueado por Marcus, passou a bola para o namorado, Kai avançou e viu que Calvin marcava Sean, por isso não podia facilmente passar a bola, mas nesse tempo pensando, não esperou que Colin, sim, o que ninguém dava nada, tomasse a bola dele com tamanha maestria e a passasse para Danion, que mandou um “Toma aí, seus filhos de puta” e saiu em disparada, passando a bola para Calvin que rapidamente marcou uma cesta de três pontos.

Mais uma vez Colin sorriu em deboche para o seu namorado. Fazia parte do seu jogo irritá-lo.

Sean estava impressionado com a evolução do seu namorado, ele certamente não era o melhor jogador, mas certamente os exercícios físicos tinham feito desempenhar uma melhor habilidade para o jogo.

Colin retornou ao seu lugar no instante em que percebeu que a bola retornou ao jogo na mão de um dos jogadores que ele não sabia o nome. Logo a bola foi passada para o Brandon que rapidamente passou para o Sean. O moreno parou em frente ao Calvin, ambos se encararam e foi necessário ter que passar a bola para o Kai, o mexicano, muito irritado por Colin ter tomado a bola, ficou mais atento nos espaços e conseguiu quebrar a barreira do branquelo, avançou e fingiu arremessar na cesta, mas acabou entregando a bola para Sean que aguardava-a no outro lado da Quadra. O moreno correu, saltou e com muita fúria acertou a cesta, fazendo-a estremecer.

Uma cesta de um ponto, mas já era hora.

Sean voltou correndo para seu lado da quadra e quando virou a bola já estava nas mãos de Connor. O leonino a passou para Julius e logo a bola foi passada para Danion. O branquelo correu e foi bloqueado pelo próprio Sean, assim ele passou a bola para o Marcus, mas o garoto acabou tendo a bola tomada por Charles, que a devolveu para o Sean e o moreno correu tão rápido, parou ao perceber que do local que estava marcaria uma cesta de três pontos e arriscou. O risco valeu à pena, a bola entrou na cesta.

Gritos e mais gritos da arquibancada.

— Você vai me pagar um boquete se eu vencer esse jogo. — provocando, Sean murmurou para Colin assim que passou por ele.

Colin apenas o fuzilou enquanto o via se distanciar, mas o moreno, ainda mais debochado, fez o mesmo aceno de mão que ele.

E dessa forma se iniciou o jogo. Era impossível descobrir naquele momento qual time venceria, estavam equiparados. Sempre que um time marcava um ponto, o outro logo em seguida estava marcando, assim aproximando o número do placar. Os leões sempre acabavam na frente por apenas um ou dois pontos, o que até naquele momento era uma pequena vantagem que eles tinham e se continuassem assim até o final de jogo poderia garantir a vitória.

Mais da metade do primeiro tempo e os Leões permaneciam com a vitória, mesmo que a qualquer momento esse jogo pudesse virar.

Sean estava marcando Calvin e essa marcação era recíproca. O que o irritava era o fato de que ele simplesmente tinha que admitir que aquele leonino era realmente bom no jogo, sendo capaz de se igualar a ele e se possível ser até melhor.

O que justificava isso estava no fato de que o basquete era o esporte favorito de Calvin e ele jogava desde muito garoto, carregando essa prática até os dias atuais. Por isso era comum vê-lo em frente à república praticando arremesso.

E o pior de tudo para Sean era que Colin só tomava as bolas e a passava, pois ele não conseguia fazer mais que isso, porque não era bom em avançar, já que nas duas vezes em que tentou isso, perdeu a bola na mesma facilidade que a tomou.

Com a posse de bola, Calvin parou em frente ao Sean. Ambos ficaram se encarando enquanto a bola quicava. Sem se dar por vencido, Sean ameaçou tomar a bola, mas não conseguiu tomar e foi driblado, o que gerou gritos das arquibancadas e uma bela cesta de três pontos que finalizou o primeiro tempo.

Saltando de alegria, Colin pulou nas costas do Calvin. Connor ficou mandando beijos para a arquibancada em direção ao Ian, embora nem todo mundo soubesse que aquela ação era pro seu namorado. Marcus e Julius trocaram apertos de mão e abraços e todos eles sentaram no banco da lateral esquerda.

— Que merda está acontecendo? — Charles, furioso, perguntou.

— Ainda estamos no primeiro tempo, iremos virar. — esperançoso, Brandon falou, olhou para Kai e viu que seu namorado permanecia calado e quieto. Sentiu que era melhor não falar com ele ainda.

— Não podemos perder pra eles. Eu me nego a perder pra um time que tem aquele líder patético.

— Cala a boca, Charles. — resmungou o líder.

— Você disse que ele é o mais fraco e ele tem tomado a bola do inútil desse garoto com facilidade. — reclamou Charles apontando para o Kai.

— Ele é o mais fraco. — confirmou Sean. — Se você souber analisar o jogo, vai perceber que a única coisa que ele faz de melhor é tomar as bolas do nosso time. Inclusive, ele tomou a bola de você também, Kai não foi o único.

— Colin é pequeno demais. — Kai finalmente falou, mas não dando a mínima para as reclamações de Charles.

— E isso seria nossa vantagem!

— Isso o torna mais rápido e habilidoso para fugir de quem é maior que ele. — Brandon falou.

— O problema não é esse. O problema é vocês estarem subestimando-o e assim esquecem de que ele está na partida, dessa forma abrem espaço para ele aproveitar.

Naquele instante todos perceberam que isso fazia sentido quando o colega do time falou. Sean foi o que mais se sentiu impactado pelo que ouviu. Por isso ele olhou para o pequeno do outro lado da quadra todo feliz enquanto conversava com seus colegas do outro lado da Quadra.

— Colin evoluiu, ele pode não ser bom em avanço e nem em arremesso, mas certamente tem muita percepção e é rápido, por isso ele consegue tomar a bola. — disse o moreno. — Seu pouco tamanho é vantagem e desvantagem contra nós.

Sean queria falar mais sobre a percepção e a rapidez do seu namorado, qualidades que ele já havia notado há muito tempo no pequeno.

— Você está com pena de pegar pesado com seu namorado? — Charles o encarou.

— Cala a boca e vai lá jogar melhor que ele. Você só tá no time porque não temos outra pessoa pra te substituir. — falou o moreno e bebeu água.

Charles quis insultá-lo.

— Não podemos brigar, ainda temos três tempos pela frente. — Brandon interveio.

Sean, após beber água, não retirou os olhos do seu namorado, o admirava a distância ao mesmo tempo em que alimentava sua raiva por vê-lo sorridente no meio dos colegas. Não estava com raiva por ciúmes, mas sim por estar perdendo pra ele e seu sorriso o irritava como se fosse uma provocação, embora Colin nem estivesse ciente de que o moreno o observava.

Não tardou para todos retornarem a suas posições quando foi anunciado o segundo tempo da partida.

— O que vai acontecer se vencermos? — Calvin perguntou para o Charles.

Com a típica expressão de aborrecimento que Charles costumava ter 24 horas por dia, lá estava o Tigre fuzilando o leonino, desejando profundamente avançar nele e enchê-lo de socos.

— Não me enche o saco.

— Se você vencer, repetimos aquilo, só que dessa vez é de graça.

Charles acabou se sentindo ofendido. Por que Calvin tinha que relembrar aquilo?

— Eu não dou a mínima de ser expulso desse jogo, mas com certeza se você falar nisso mais uma vez eu vou te bater aqui na frente de toda essa gente.

Calvin soltou um leve sorriso e deu alguns passos pra trás, retornando ao seu lugar quando o árbitro entrou em cena.

Com a posse da bola, os Tigres já estavam mais atentos, principalmente em Colin, já que realmente fazia razão o fato de que se esquecerão dele por considera-lo um concorrente muito fraco.

Sean precisou passar a bola para o Brandon, mas o Brandon estava distraído, assim quase perdeu a bola e rapidamente passou para Kai. O mexicano olhou para ele como se quisesse descobrir o que o deixara daquele jeito, mas precisou adiantar com o jogo e por isso avançou.

Kai não tinha percebido a presenta de Calvin ao seu lado, por isso parou quando o leonino se colocou a sua frente com muita rapidez.

— Puta que pariu, me deixa! — Kai proferiu.

Calvin apenas sorriu e fixou os olhos na bola.

Quando Kai tentou driblá-lo, acabou falhando, assim tendo sua bola roubada e ficando muito frustrado com aquela situação. Calvin nem sequer parou para provocar, já estava distante o suficiente para que. se quisesse, marcar uma cesta, no entanto mais a frente Sean, já aborrecido, tomou a bola do leonino, arrancou gritos das arquibancadas e driblou os três jogadores da linha de frente dos Leões, assim, sem perder muito tempo, o Tigre marcou uma cesta de dois pontos.

Sean rapidamente recuou quando viu Connor com a bola, o garoto a passou para Julius e o leonino seguiu com a bola a medida que o time abria espaço na área inimiga, por isso passou a bola para o Colin quando o viu livre, o pequeno, atento, sabendo que não teria chances de avançar sozinho e driblar alguém, passou a bola para o Marcus, mas Marcus por quase perde-la necessitou passa-la imediatamente para o Colin novamente. O líder dos Leões acabou ficando perdido por ver que todos os seus companheiros estavam marcados, por isso sua única opção foi tentar acertar a cesta.

Colin respirou fundo antes de saltar, mas a bola acabou não entrando, no entanto, no rebote, preparado, lá estava Calvin feito um leão feroz, afastando todos com um salto e enterrando a bola.

Sem muito tempo pra comemorar, os Leões começaram a recuar.

Era impossível determinar um time vencedor ainda, ambas as esquipes estavam jogando com tudo o que tinha, quando um marcava uma cesta, o outro não deixava barato e também marcava logo em seguida, fora o fato de que também estava difícil determina o melhor jogador, cada um parecia ter alguma peculiaridade, sendo Sean e Calvin donos de uma força bruta absurda.

[...]

O jogo continuava acirrado, sendo imprevisível definir quem venceria o jogo, mesmo que os Leões ainda estivessem na vantagem com dois ou três pontos, variando a medida que os Tigres reagiam .

— Parece que o Sean não está nada feliz. — Danion falou para Colin.

— Não me importo. — disse o pequeno enquanto olhava para o namorado.

— Se vencermos isso aqui, eu vou passar a semana toda zoando ele.

— Se ele te bater eu não vou me envolver.

O branquelo sorriu e também olhou para o Sean.

O moreno estava pensativo, a mão no queixo enquanto fixava o chão.

— Ótimo mesmo é ver a cara do primo dele. — Colin disse.

— Qual dos dois? O que parece a cópia do Sean ou o loiro idiota?

— O Charles. Ele com certeza quer matar alguém do time dele, provavelmente achou que iriam nos surrar, mas estamos sempre na vantagem, ainda que pequena.

— Ele também é veado?

— Como assim também?

— O Sean te come, é veado. O loiro lá não sabe disfarçar quando tá perto daquele amigo dele vai dizer que não rola alguma coisa? Então esse também é veado. E o mais baixo tem uma cara de que adora sentar no salame. É veado?

Colin soltou uma gargalhada tão alta que acabou chamando a atenção dos tigres, mas logo ele se conteve ao estapear o braço do Danion.

— Eu não sei. — disse o leonino. — Mas nesse mundo eu não duvido mais de nada.

— Acho que os três se combinam perfeitamente nessa família.

— Como assim? Você já vai falar merda...

— O Sean é ativo e você me olhando com essa cara só confirma o que estou dizendo. — Colin semicerrou os olhos. — O loiro parece que come, mas também deve dar e o outro continuo achando que prefere descer no salame, ou seja, passivíssima.

Pela segunda vez Colin gargalhou, novamente chamou a atenção dos tigres que já achavam que aquilo era uma provocação.

— Para de estereotipar as pessoas! Você é a última pessoa que deveria tá falando isso já que muita gente acha que você é passivo. — Colin ainda dizia enquanto continha o riso.

— Mas eu sou ativo e nada do que dizem muda isso. — disse como se estivesse orgulhoso disso.

— Ok, chega, é melhor pararmos com essa conversa, não quero que o Sean mais tarde me encha o saco achando que estamos provocando o time dele. Eu disse que faria um jogo limpo.

— Sean, o Colin disse que se vencer você vai ter que transar de calcinha. — gritou o branquelo.

Colin foi ao chão. Seus olhos se arregalaram e os queixo cedeu, tudo o que conseguiu fazer foi fixar os olhos no namorado com pura expressão de desespero.

Sean somente suspirou, sabia que aquilo era apenas uma provocação do Danion, uma das muitas que ele costumava fazer.

— Cala a boca e cuida do seu time. — Charles acabou se meter, ele já estava irritado o suficiente para aceitar aquilo.

— Cala a boca amante de salame. — despreocupado, Danion falou.

Colin levou sua mão à boca. Charles não tinha entendido.

— Se você fosse humorista, certamente passaria fome.

— E você anda comendo muito salame, né? Por isso que tá de barriga cheia.

Colin colocou a outra mão na boca, não podia rir, não numa situação daquelas. Todos os seus amigos de república não entendia porque ele estava fazendo aquilo, muito menos entendiam as provocações do Danion.

— Esse garoto tem problemas? Quem é ele mesmo? — Charles perguntou para o seu time, mas ninguém respondeu.

Danion não disse mais nada, ele apenas se afastou ao perceber a movimentação de todo o seu time para dar prosseguimento ao jogo já que os tigres estavam com a posse da bola.

Quando Sean estava com a bola, praticamente o time não existia mais pra ele. Ele era egoísta e isso nunca foi segredo pra ninguém, mas a tratar das circunstâncias do jogo nada importava senão a vitória.

O moreno parou bem em frente a Calvin, o adversário que mais estava lhe dando trabalho.

— Você é chato pra caralho. — disse o moreno.

Calvin não falou uma palavra, não ia se deixar guiar pelo jogo de provocação do moreno, por isso manteve os olhos atentos na bola e nos pés do tigre.

— Sean! — Kai gritou estando livre.

O moreno o viu, sabia que ele estava livre, mas era uma questão de honra driblar o Calvin, por isso ele fingiu que ia passar a bola para o mexicano, mas retornou o passo e passou por Calvin, deixando-o para trás, mas tendo que lidar com dois brutamontes como Connor e Julius.

Agora Sean estava se dando conta de que o time dos leões era realmente forte, dessa forma ele não viu alternativa a não ser passar a bola pra trás.

Kai recebeu a bola, mas rapidamente a passou para o Brandon. O loiro buscou espaço para prosseguir avançando ou recuando, mas também estava bem marcado por Danion.

Ele devolveu a bola para Kai e, não vendo mais alternativa, pelo tempo, Kai arriscou acertar a cesta. Infelizmente a bola não entrou e no rebote Connor pegou e avançou em disparada.

Mais a frente, Connor passou a bola para Danion e o branquelo ousou brincar, quase perdendo a bola, mas conseguiu passa-la para o Calvin que logo garantiu uma cesta de dois pontos.

— Calvin, eu nunca te critiquei. — disse o branquelo tocando no ombro dele.

Calvin apenas coçou a cabeça retirando a mão dele de seu ombro, antes de se afastar, quando virou a bola já estava novamente em campo.

Com muita raiva, Sean recebeu a bola de Charles

[...]

Samuel tomava banho no vestiário do ginásio. Era um lugar pequeno, mas bem organizado. Ele aproveitou o momento em que todos estavam concentrados no jogo do Leões e Tigres para tomar um banho seguro, já que não se sentia a vontade de realizar a ação com mais pessoas no mesmo espaço.

A água estava gelado, ele teve o azar de pegar logo o chuveiro em que o regularizador de água estava quebrado, mas isso não o impediu de tomar banho, continuou lá, mesmo reclamando mentalmente.

— Samuel? — a voz de Luke surgiu. — É você quem tá aí?

Samuel não respondeu.

— Eu sei que é você, eu o vi entrando aqui.

— Sim, sou eu. — respondeu enquanto ainda estava debaixo do chuveiro esfregando a cabeça.

— Você é a única pessoa que eu vejo tomando banho aqui depois de uma partida.

— Melhor do que ficar fedendo.

— É por isso que você tá fugindo de mim? Porra, mas eu nem tô fedendo tanto assim. — resmungou o outro enquanto se cheirava.

Samuel não falou nada e continuou com seu banho.

— Eu não trouxe roupa, que merda. Se eu soubesse que você tomaria banho aqui mesmo, eu teria pego algumas roupas pra mim.

— Lembre-se de não me tocar quando eu sair daqui.

— Mas por quê?

— Por que eu vou estar limpo e você sujo.

— Então quer saber? Vou tomar banho também.

— Mas você não trouxe roupa.

— Acabei de ver que você trouxe dois shorts na sua bolsa.

— Por que diabos você tá mexendo na minha bolsa? Sai daqui, Luke!

Samuel pegou dois shorts justamente porque não sabia qual cor usaria, até nisso ele tinha que perder tempo escolhendo aquilo que melhor ficaria em seu corpo.

— Eu posso vestir a mesma cueca e ficar sem camisa. Pronto, tá decidido!

— Não mesmo! Quem disse que eu vou te emprestar um dos meus shorts?

— Qual o problema? Temos corpos parecidos. Com certeza esse vai dar em mim, acho que fico com o verde, ele é de elástico.

— Eu não te ofereci!

— Eu vou entrar aí onde você tá, vai ser melhor se tomarmos banho juntinhos. — Luke nem dava a mínima para as rejeições.

— Não quero tomar banho com você. Vá pra outro chuveiro.

— Prefiro ficar com você.

Samuel mais uma vez virou e tocou a tranca da porta, relembrando que não a tinha trancado, apenas a deixou encostada. No entanto, quando girou a peça da tranca descobriu ali que ela estava quebrada, para o seu azar.

Luke então empurrou a porta ao perceber uma pequena brecha na lateral da trava que denunciava que ela estava encostada, mas foi impedido pela força que Samuel fazia contra a porta.

— Você não vai entrar aqui!

— Tudo isso para eu não te ver pelado? — Luke também usava a força pra tentar abrir a porta.

— Não insiste, Luke.

— Nós só iremos tomar banho.

— Eu já tô terminando, ou melhor, eu já terminei.

— Preciso de você pra passar o sabonete nas minhas costas.

— Eu não vou fazer isso!

No entanto, Samuel não conseguiu resistir segurando muito tempo a porta, suas mãos estavam escorregadias e isso acabou fazendo-o quase cair no chão daquela cabine. Luke apareceu pelado bem a sua frente.

O moreno pôs um sorriso grande no rosto enquanto viu o rosto de desespero do loiro que rapidamente escondeu o que tinha nas pernas.

— Que foi? Eu já vi isso mesmo.

Luke passou por ele foi pra debaixo do chuveiro.

Samuel, ainda desacreditado, olhava para ele.

— Para de me olhar assim, isso aqui não é nada perto do que já fizemos no quarto da nossa república. Vem cá, deixa eu dar banho em você.

Luke puxou Samuel pela mão e até conseguiu encostar seu corpo ao dele, mas Samuel o afastou logo que o sentiu.

— Eu já terminei o meu banho.

— Mas eu não, você poderia me ensaboar?

Luke pegou o sabonete azul e o segurou pela mão direta. Samuel, assistindo aquilo, ficou imóvel. O moreno mantinha um sorriso muito travesso em seu rosto, estendeu a mão fechada segurando o sabonete até o rosto do loiro e o encarou.

— Odeio compartilhar sabonete. — Samuel disse entredentes.

Luke nada disse, continuou com o sorriso travesso no rosto, no entanto seu olhar era pura malícia. O moreno alternava seu olhar para o sabonete estendido e para o rosto do loiro, mas no passar de dez segundos, Luke deixou com que o sabonete escorregasse de seus dedos e fosse ao chão.

— Ops, caiu. — Luke murmurou.

Samuel queria estar agora com a cara enfiada num buraco. Luke tinha simplesmente ultrapassado todos os limites da malícia. Vê-lo daquele jeito, com um sorriso safado no rosto, o fazia ter certeza de que Luke era a pessoa mais ousada do mundo.

— Quem vai pegar, eu ou você? — Luke continuou murmurando naquele tom de voz malicioso.

— Por que você tem que fazer essas coisas? — questionou o loiro, mas sem nenhuma pretensão de brigar.

— Devemos aproveitar todos os momentos.

Samuel olhou para o sabonete no chão.

— Você vai pegar? — Luke questionou.

— Não. — o loiro voltou a olhar para o moreno.

Luke mais uma vez sorriu maliciosamente.

— Tudo bem, eu pego.

Do jeito mais ousado, Luke afastou um pouco Samuel, ficou de costas para ele e abaixou para pegar o sabonete, mas antes de levantar, ele fez questão de que suas nádegas roçassem o pênis do loiro por alguns segundos até finalmente voltar a ficar de pé e de frente para ele.

Luke devolveu o sabonete ao lugar que tinha pegado e ficou encarando o loiro. Sem perder tempo, o moreno levou as duas mãos aos quadris do Samuel e o puxou para tão perto até que suas faces estivesse há dois centímetros de distância.

— Foi muito difícil resistir até aqui. — disse o moreno olhando em seus olhos.

Samuel optou por ficar calado, mas isso não significava que não estava gostando daquilo. Do contrário, apesar de toda a loucura do moreno, ele sentia satisfação em tê-lo daquele jeito ali. Samuel não podia negar que desejava Luke na mesma intensidade, mesmo que nada daquilo estivesse programado, já que idealizou um momento completamente diferente para que pudessem transar.

— Te ver assim me deixa louco. Louco de vontade de te...

Samuel levou o dedo a boca do moreno e o silenciou.

— Não estrague o momento. — advertiu o loiro.

Luke somente sorriu para ele.

— Você nunca da tempo para que as coisas aconteçam conforme a melodia.

— E por que eu deveria perder tempo se o tenho aqui inteirinho pra mim?

— Nós ainda não conversamos.

— Teremos muito tempo até lá, agora tudo o que eu quero é aproveitar o tempo com você.

— Você é tão imprevisível, Luke.

Luke nada falou. O seu dedo indicador tocou bem próximo ao umbigo do loiro e deslizou até o pescoço dele, lá sua mão tomou o pescoço de Samuel repousando em sua nuca.

— Estamos no ginásio, qualquer pessoa pode aparecer aqui. — olhando para os olhos azuis de Luke, Samuel disse.

— Faz parte da adrenalina.

— Eu não me sinto seguro.

— Esqueça tudo o que tem lá fora, você só precisa de mim aqui. — disse o moreno aproximando agora seu nariz do dele.

Samuel engoliu em seco, mas não recuou. Estava tão excitado quanto o Luke.

— Que seja rápido.

Luke apenas precisou disso para selar seus lábios aos do loiro que rapidamente correspondeu, abrindo espaço para a língua dele invadir a sua boca.

[...]

Parecia um pesadelo.

Ele vinha pela lateral, não por estratégia, mas apenas pela posição em que estava quando o time adversário havia marcado o ultimo ponto.

Assim, quem se colocou na frente dele não foi Calvin, que estava mais recuado buscando desesperadamente proteger a cesta, mas sim o seu namorado.

Colin, com os olhos atentos, nem se importava com o fato de ser seu namorado ali, o coração batia forte, muito, mas muito forte, assustado com tudo. Sean quicava a bola enquanto olhava pra ele, ambos se encarando por poucos segundos.

— Você me tirou a paciência. — disse o tigre.

Colin revirou os olhos, mas maldito o momento em que fez isso. A bola passou entre suas pernas e pelo desespero o pequeno caiu de bunda no chão, mais um dos shows de humilhação que Sean o fez passar, dessa vez na frente da Quadra inteira.

Gritos por todos os lados, o tigre não deu a mínima e seguiu com a bola, quando Calvin ia se aproximar, ele mandou um “vai pra puta que te pariu”, saltou e marcou uma cesta de três pontos.

Sean foi ovacionado.

Como? Quando? De que forma? Por quê?

Lá estava o placar com diferença de apenas um ponto, sim, isso mesmo, um ponto.

Os Tigres marcaram 56 pontos enquanto os Leões 55.

Enquanto cantavam vitória, os leões apenas alimentaram a raiva do Sean que virou o jogo no último segundo.

Foi essa cesta de três pontos que definiu tudo, virando o jogo. Uma virada história a ponto de deixar os tigres quietos, apenas olhando um para o outro, não acreditando naquilo.

Sean poderia estar na mesma situação, mas ele olhava para o seu namorado e mostrou-lhe o dedo do meio, em seguida virou para Danion, dessa vez o branquelo estava possesso, insultando freneticamente todo o seu time, o que piorou quando ele viu o sorriso debochado do líder dos tigres.

— Não é tão simples assim chegar aos meus pés. — murmurou o tigre passando por Calvin enquanto o leonino ainda estava digerindo a derrota.

Sean nem comemorou com seu time que numa explosão de gritos que se misturaram aos da arquibancada. O moreno apenas saiu de campo e desapareceu, necessitava respirar depois de uma partida que dera tanto trabalho a ele.

— E agora, e agora?! Quem é que manda aqui?! — Charles não podia perder a chance de provocar.

— Vai tomar no seu cu, filho da puta! — Danion bradou.

— Chora mais, otário! — falou sem medo. — Aproveita e limpa o chão com as suas lágrimas, ele tá um pouco sujo... São marcas da derrota de vocês.

Lá estava Charles quase recebendo um soco do Danion, senão fosse Calvin impedindo-o de prosseguir.

— Tá com raivinha, é? — debochou o tigre.

— Como é se sentir sendo carregado pelo meu namorado?

Colin ficou cara a cara com ele.

— Pra alguma coisa ele tinha que servir.

— Mas foi o único, você não fez nada além de ficar na sombra dele.

— É o que você mais faz nesse lugar, não? Por conta dele você se tornou notório.

— Nunca me importei com isso. É a notoriedade dele que te incomoda, né? Pena que você jamais chegaria aos pés dele. Sendo ele gay e se relacionando com um homem, você morre de raiva da felicidade dele, afinal, após tudo isso ele continua sendo líder, não é mesmo?

Charles sentiu a pressão das palavras.

Era uma batalha de gigantes.

— Não sou a vergonha da família.

— Não é porque se esconde.

Charles franziu o cenho.

— Acha mesmo que essa postura idiota me engana? Já lidei com pessoas piores que você, aliás, é só perguntar a qualquer um quem foi Colton, você não passa de um projeto menos desenvolvido dele.

— Aquele que foi capaz de ir pra cama com seu namorado uma vez? Parece que ele não foi o único, né? Ou acha que eu não sei do que aconteceu no dia do seu aniversário?

Tiro para os dois lados.

Colin deu um passo pra frente, mas Charles permaneceu parado, quieto.

Quando os companheiros de república de Colin iam se envolver, ele fez um gesto com a mão pedindo para que todos ficassem quietos.

— Mas é comigo que ele sente prazer e, aliás, aposto que você já deve ter ouvido meus gemidos naquela república, não?

— Quer expor sua promiscuidade? É realmente vergonhoso ouvir isso.

— Não, estou apenas querendo dizer que é de homem que eu gosto, a mesma coisa que você.

Colin agora não estava atirando com uma simples arma.

— Olha bem pra você... Essas marcas no pescoço, essa personalidade montada de algum filme juvenil, essa raiva do meu namorado exclusivamente por ele ser gay, o que mais poderia ser senão inveja por não levar a vida que ele leva?

— Uma vida dessas? Prefiro morrer do que ser humilhado todos os dias como ele é.

— Eu tenho o vídeo. — Colin soltou.

Ninguém, além de Calvin e Charles, entendeu o que o Colin quis dizer com aquilo.

Charles não conseguiu esconder a expressão de surpresa, mesmo que rapidamente tenha se recuperado, engolindo em seco.

— Alguém me mandou... Alguém me mandou muito mais informações do que você imagina. Não faço ideia de quem tenha sido, não queria sequer tocar nesse assunto, mas você me obriga. Então se você ousar abrir a boca para provocar um dos meus, eu juro que vou acabar com você, seja te expondo, seja te batendo.

Se William estivesse ouvindo aquilo provavelmente estaria sentindo tanto orgulho. Colin podia não ter todos os músculos que William tinha, nem mesmo a força do loiro, no entanto, ele protegia os seus da melhor forma, ainda que tenha sido apenas uma provocação tola de fim de jogo.

— Eu vou acabar com sua raça aqui e agora!

Charles ficou fora de si, ele avançou em Colin dando-lhe um soco, mas o pequeno desviou com uma rápida percepção. Quando tentou novamente avançar, Charles acabou sendo segurado pela cintura por Brandon enquanto Colin também foi pego por Calvin, ambos lançando insultos um ao outro enquanto tinham os corpos presos.

— Você vai engoli palavra por palavra! — Charles disse.

— Então vem! Vem, pra cima, idiota!

Aquele era o Colin que todos conheciam, sempre agressivo e não temendo ninguém. Agora com um pouco mais de força e habilidade devido aos anos naquele lugar e a prática na academia.

Brandon arrastou Charles para longe enquanto Colin continuava preso nos braços de Calvin.

Era mais do que óbvio de que muita gente queria aquela briga, uma especialidade dos tigres e leões, que tinha aquela rivalidade histórica.

[...]

Há dez minutos Ian procurava Connor. Seu namorado sumiu do seu lado quando ele estava conversando com um colega, conversa essa que não tinha durado mais de dois minutos. Procurar Connor no meio de toda aquela gente, era quase como procurar uma agulha no palheiro. O ginásio estava lotado e as pessoas já haviam tomado conta da quadra desde o fim da partida dos leões contra os tigres

— Patrick, você viu o Connor? — ele perguntou assim que viu o companheiro de república.

Patrick segurava uma mini garrafa de bebida alcoólica na mão, os olhos apertados já denunciavam que ele estava alterado. Ian se perguntava como ele conseguia beber, mas bastou olhar atentamente ao redor para constatar que ele não era o único a consumir bebida naquele lugar.

Patrick apenas deu uma risadinha e nem respondeu.

— Ian, Ian, Ian!

Finalmente a voz do seu namorado adentrou os seus ouvidos. Quando Ian se virou, Connor estava muito alegre aproximando-se dele.

— Onde você estava? — perguntou ele com um tom raivoso na voz.

— Eu saí pra atender o celular enquanto você conversava com seu colega.

— Poxa, Connor, você nem me avisou.

— Eu não queria atrapalhar.

— Não atrapalhou, mas também me deixou muito preocupado. Eu já ia ligar pra você.

— Desculpa, eu prometo não fazer mais isso. — disse ele se rendendo. — Deixa eu te contar uma novidade.

Ian aguardou.

— Adivinha com quem eu estava agora ao celular? — ele perguntou empolgado.

— Não faço ideia... Sua mãe?

—É alguém conhecido...

— Algum dos nossos antigos colegas que se formaram? William? — Ian realmente se esforçava pra tentar adivinhar.

— Não, Ian. Se esforça mais. É alguém conhecido, muito conhecido...

— Eu não faço ideia, é melhor você falar.

Connor continuava com a mesma cara de bobo fazendo mistério, até que se deu conta de que seu namorado não mais ia falar.

— Michael Supitt! — Connor gritou e ergueu os dois braços como se aquela fosse a melhor notícia do mundo.

Ian, do contrário, continuou com a mesma expressão mansa de sempre. Ele olhou para o seu namorado ainda digerindo a informação.

Michael Supitt era um apresentador local e dono de uma emissora também local. Seu programa tem como base realizar entrevistas de pessoas famosas; de cantores e atores à famosos da internet.

— O que foi? Você não gostou? Não está feliz?

— E-estou... É claro que estou. — falava ele piscando várias vezes. — É só que...

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— Eu também fiquei assim quando ele informou o nome. E advinha o melhor? Ele quer que eu vá ao programa dele! Ele me descobriu através dos meus vídeos na internet e disse que precisa com urgência me conhecer.

— E você vai?

— É claro!

Ian engoliu em seco. Ele, como advogado e conhecedor de algumas polêmicas envolvendo famosos, situações essa que a mídia, graças à ação de advogados, busca ocultar, sabia de algumas polêmicas envolvendo o nome de Michel Supitt.

— Olha só... Você vai pra TV. — disse ele, animando-se a contragosto.

— E você vai comigo, é claro! Eu não vou sair daqui sem você. Garanti que você tinha que ir comigo.

— Sério?!

— Você é meu namorado, onde mais eu iria sem você? Além disso, você vai me ajudar a falar aquelas palavras difíceis que você costuma usar só pra eu parecer mais elegante na TV.

Ian sorriu.

— A propósito, sabe qual foi o vídeo que me revelou a ele? O do bode! Tá todo mundo comentando, meu celular não parou um segundo sequer hoje. Você foi o único que ainda não assistiu.

Ian não conseguiu argumentar contra, realmente não tinha assistido o vídeo ainda. Mesmo que já tivesse visto todos os videos do canal, ainda que sendo forçado a fazer isso pelo namorado, Ian costumava ver os vídeos novos após dois ou três dias. Ele simplesmente achava estranho ver seu namorado sendo filmado, as vezes até sentia vergonha alheia.

Agora, por exemplo, Ian se deu conta de que todos aqueles que estavam passando por eles e olhavam para Connor, acabavam sorrindo ou gargalhando falando coisas como “Connor, o bode!”.

— Pelo visto seu vídeo viralizou, quem sabe você agora vai receber uma boa grana.

— E uma nova plaquinha!

— Égua, o que ‘cê fez? — de repente, Carter toca o ombro de Connor questionando-o. — Toda hora tem gente olhando pra mim, falando comigo como se me conhecesse. Que diacho é isso?

Ainda com um sorriso bobo no rosto, Connor olhou para Carter.

— O vídeo viralizou, Carter!

— Vira o quê?! — questionou quase que como um grito.

— Viralizou. — Ian respondeu. — Isso quer dizer que o vídeo em que você aparece com o Connor acaba de se tornar um sucesso, muita pessoas tem conhecimento sobre ele. Isso que dizer que você está famoso, Carter.

— Eu? Famoso? Mas que mentira, uai.

Três garotas ao mesmo tempo pararam em frente ao Carter, elas sorriram para ele enquanto ele as olhava com cara de bobo, sem entender nada do que estava acontecendo. De repente, uma delas, ergueu a câmera do celular, viraram e tiraram uma foto com o loiro.

— Ei! — ele resmungou.

Elas saíram aos risos, animadas com o que tinham feito.

— Bem, vou ter que me acostumar com isso... — Ian falou enquanto olhava Connor já tirando foto com um garoto.

Carter continuou parado no seu lugar, também assistindo Connor sorridente tirando foto.

— Eu não quero isso, uai. Alguém apertou minha bunda quando eu ‘tava procurando o Connor.

— A popularidade tem suas consequências, até o vídeo ser esquecido as pessoas continuarão a agir assim. Espera só alguns dias que tudo volta ao normal, daqui a pouco um novo vídeo viralizar. — Ian explicou.

Quando Carter ia falar, ele acabou sendo puxado com muita força pelo braço até se virar. Ele já pensava que era novamente alguém desconhecido querendo falar com ele, mas para sua surpresa era Patrick que estava parado em sua frente, com a mesma cara de garoto irritado de sempre.

— E aí, o que vai fazer agora que tem várias garotas dando em cima de você enquanto eu acabei me tornando motivo de piada? O Connor não cortou a minha parte do vídeo.

— Ei, eu não tenho culpa, uai.

— Tem sim! É você quem tá naquele vídeo.

— Mas ‘cê sabe que eu não fiz nada. E por que ‘cê já tá bebendo?

— Não interessa, eu só quero que você peça pro Connor tirar aquele vídeo ou pelo menos corte a minha parte.

— Por que ‘cê não pede? Ele tá bem ali. — apontou.

Novamente outra garota se aproximou de Carter, dessa vez ela foi mais ousada e já chegou abraçando-o com a câmera do celular apontando para tirar uma foto com ele. Sem reagir, Carter não se moveu, ele ainda não tinha percebido o que ela estava fazendo.

— Sai daqui! — Patrick puxou a garota de perto dele. — Ele não vai tirar foto com você!

Com raiva, a garota se afastou, mas não antes de mostrar o dedo do meio para o Patrick.

— Algumas pessoas não tem educação. — resmungou o leonino.

Mais uma vez Carter comprovava que Patrick era a pessoa mais brava que havia conhecido.

— ‘Cê é a cabrita mais braba que eu conheço.

— Eu já disse pra você não me chamar assim! — falou com grosseria, o empurrando e se afastou.

— Égua, uai! Que foi que deu nele? — Carter se perguntou ainda parado em seu lugar.

O loiro pensou em ficar ali e deixá-lo ir, mas a verdade é que não conseguiria ficar ali sabendo que o leonino está bêbado, ainda mais se tratando de alguém que ele gosta muito e jamais se perdoaria se algo de ruim acontecesse.

— Ei, cabrita! — Carter gritou o nome dele tentando acompanhá-lo.

Patrick não olhava pra trás, seguia caminhando com a garrafa de álcool nas mãos.

— Me espera, eu quero ficar perto de ‘cê.

— Eu não tenho nada pra tratar com você, já passei tempo demais aqui.

Patrick estava odiando os olhares que recebia sempre que passava por pessoas que sabiam do vídeo em que ele aparecia fazendo perguntas constrangedoras. Carter nem dava bola, passava por todos e ainda pisava nos pés daqueles que não davam passagem imediatamente.

— Eu vou te levar pra casa.

Carter conseguiu alcançá-lo e o tomou pela mão, Patrick se virou pra xingar, até disse as duas primeiras palavras:

— Mas que...

Ele parou e vomitou bem onde não deveria: em cima do loiro.

— ÉGUAAAAAA! — gritou o loiro.

— Égua... — Patrick, tonto, murmurou.

— Olha o que ‘cê fez, cabrita.

Patrick levantou a mão pra falar, mas não conseguiu, ia vomitar de novo e por isso se afastou. Gritos enojados saíram de todos os lados.

Carter permaneceu parado olhando a sujeira em sua roupa, era puro álcool que ele estava vomitando.

— Eu não tô bem. — Patrick falou para Carter.

— É claro que não, ‘cê encheu a cara de pinga.

— Não tem uma vez que ele não encha a cara até vomitar.

Julius apareceu tomando o amigo pelo braço e jogando-o em seu ombro.

— Quê?! — Patrick, olhando pra ele, questionou.

— De longe eu vi você dando um banho de vômito no garoto. — Julius comentou.

— Eu vou levar ele pra república. — Carter logo falou.

— Deixa que eu levo. — Julius falou. — Já estou acostumado a fazer isso, chegando lá dou um banho nele. Isso não é problema entre nós dois.

Carter não conseguiu dizer nada, era uma amizade que existia antes mesmo dele chegar na Quadra e assim não podia simplesmente tomar Patrick dos braços de Julius.

— Se você ver o Marcus ou... Sei lá, qualquer pessoa, diga que fui pra república com o Patrick.

Carter não sabia quem era Marcus, mas apenas confirmou com a cabeça.

Julius sorriu e saiu carregando Patrick nas costas, rotina essa que ele realmente já estava acostumado desde que participava das mesmas festas que Patrick, quando não estava bem para isso sobrava para Marcus levar os dois, o que de fato era mais recorrente.

Carter, tadinho, ficou parado, com o corpo sujo de vômito, vendo o dono do seu coração ir embora nos braços de outra pessoa.

[...]

Colin andava batendo os pés com bastante força enquanto estava com os braços cruzados e cara fechada. Logo atrás dele, Sean caminhava com as mãos nos bolsos apenas observando-o e sabendo que ele estava com tanta raiva que qualquer provocação o faria explodir.

— Você pediu pra eu não pegar leve. — disse o moreno.

— Cala a boca! — sibilou o pequeno.

Ele reconhecia que não deveria estar agindo daquela forma, realmente pediu para seu namorado não pegar leve, mas era muito impossível ficar feliz diante de uma derrota, ainda mais quando seu namorado o fez passar por humilhações — e foi driblado algumas vezes a ponto de ser derrubado no chão era mais do que humilhação diante de uma multidão de pessoas.

Sem contar que ainda estava com raiva pela discussão com Charles.

— O que você queria que eu fizesse? Que eu deixasse vocês vencerem?

— Cala a boca, Sean!

— Não importa quantas vezes você diga que não vai ficar com raiva, você sempre fica.

— Mas que merda, você não vai calar a boca não? — Colin parou, se virou e encontrou o moreno parado. O pequeno o encarou por alguns segundos e depois voltou a andar.

Sean já não tinha mais nada pra falar, era melhor deixá-lo daquele jeito até que pudesse aceitar a derrota. No mais, Sean não se sentia mal, pelo contrário, estava satisfeito com a vitória, mesmo com muita raiva do seu time, insultando-os em pensamentos sempre que se lembrava deles.

As ruas estavam desertas, por isso era possível ouvir os passos que eles davam.

Aproximando-se das três maiores repúblicas, Sean e Colin puderam avistar um carro com os faróis acesos estacionado em frente a república dos Tigres. E não era um carro qualquer, ambos os garotos já haviam estado naquele automóvel por diversas vezes, isso porque esse carro tinha sido do Sean, mas que havia tomado dele.

Colin já não mais caminhava em passos apressados, descruzou os braços e levou a mão ao rosto quando sentiu as luzes dos faróis daquele carro em seus olhos. Curioso do jeito que era, não poupou em ir diretamente para o gramado dos Tigres e sentiu a mão do seu namorado repousar em seu ombro assim que ele se aproximou.

O pequeno olhou pra trás e viu Sean atento aos vidros do carro, tentando distinguir de quem era aquelas duas silhuetas.

Não demorou muito para as luzes dos faróis serem desligadas e a porta do motorista ser aberta, logo surgiu uma mulher de cabelos presos, roupas pretas e um sorriso de desdenho no rosto: Suzana Ferazza.

Seu salto fazia barulho a cada passo que ela dava até que subiu a calçada e parou em frente a eles.

— Manda esse garoto ir embora. Nós dois precisamos conversar. — ela logo foi dizendo.

Colin não suportava nem mesmo a voz daquela mulher.

— Você sabe que não irei fazer isso. — disse o moreno, agora pondo a outra mão no ombro do namorado.

— É pra o bem dele, Sean.

— Você nunca se importou com o bem de ninguém, nem mesmo com o do seu próprio filho. — Colin logo disparou.

Ela não se importou com a ofensa.

— Eu nunca vou entender como você ainda consegue se relacionar com esse tipo de gente. Tão insolente quanto a mãe dele.

— Você respeita a minha mãe! — Colin elevou o seu tom de voz.

Suzana apenas sorriu encarando o pequeno. Depois de alguns segundos trocando olhares com Colin, sendo que o do pequeno era puro ódio, Suzana calmamente olhou para o seu filho.

— O que você quer aqui? — perguntou o moreno. — Novamente me dizer que meu avô vai tomar providências em relação a minha vida?

— Eu já cansei de te dizer isso, então só espere as consequências. Mas eu vim aqui por outro motivo, um do qual você deveria ter me procurado para pelo menos pedir ajuda.

Sean não esboçou reação alguma, nem mesmo a de curiosidade. Ele permaneceu olhando pra sua mãe.

— Alguém me procurou. — disse a mulher e logo se virou para olhar pro carro, ela acenou.

A porta do automóvel imediatamente abriu e foi aí que Sean preferiu nunca ter estado ali naquele momento.

Larah saiu do carro já com as duas mãos acariciando a barriga, pequena, mas ainda assim demonstrando ser uma barriga de grávida. Colin fez um único movimento de cabeça negativo e encarou a garota parando ao lado de Suzana.

— Tudo o que essa garota contou é mentira! — Sean nem deixou Larah se pronunciar de tão assustado que estava.

— Está nervoso? — Suzana perguntou. — Nem falamos nada.

— Ele está nervoso porque sabe que é verdade. Esse filho é dele. — Larah falou.

Foi aí que Colin sentiu como se uma bala atravessasse seu coração, tudo o que ele fez foi entreabrir os lábios e encarar Larah como se ela fosse uma alienígena.

— Corta essa, garota, para de criar mentiras.

— Eu não preciso mentir! Eu estou grávida, eu jamais mentiria a respeito de um negócio desses!

— Você pode estar grávida, mas essa criança não é minha. Nós não transamos aquela noite.

— Você nem sequer se lembra! — Larah falou com raiva. — Se tem tanta confiança nisso, por que será que seu namorado parece estar assustado com essa notícia? Você pelo menos contou pra ele que eu já estava grávida?

Sean, temeroso, piscando várias vezes, olhou para o namorado, retirou as mãos dele e esfregou o rosto.

Colin permanecia quieto, absorvendo todas as informações, mas com o coração batendo tão rápido que ele podia achar que iria parar a qualquer momento.

— Se você engravidou essa garota, você tem o direito de assumir a criança.

— Mas eu não transei com ela! — repetiu impondo ainda mais a voz.

— Não seja como o Nate que preferiu dar valor aquele bastardo!

Suzana tocou em uma das feridas do Sean.

— Nate não é meu pai! — ele gritou.

— Já não basta você me envergonhar diante toda a família com esse seu relacionamento homossexual, agora vai me envergonhar mais ainda não assumindo um filho? Seu avô vai surtar se você fizer isso!

— Que se dane! Eu não vou assumir uma criança que não é minha!

— É sua sim! — Larah rebateu. — Nós transamos! E se quer que eu diga aqui na frente dele, eu digo. — Larah olhou para Colin — Enquanto nós transávamos era o seu nome que ele pronunciava.

Colin somente engoliu em seco, mas não rebateu. Seus olhos brilhavam pelas lágrimas contidas.

— Cala a boca! — Sean bradou, ele não estava suportando ver Colin ouvir tudo aquilo calado. O silêncio não fazia parte da personalidade do pequeno.

— Você ouviu, garoto? Ouviu não é? É isso aqui ao meu lado que põe continuidade na geração da minha família, não você que é incapaz de reproduzir.

Colin olhou para Suzana e a primeira lágrima desceu, ele se sentia tão fraco. A mulher somente sorriu, satisfeita com aquela lágrima que descia, sinônimo de sua vitória sobre ele.

— Não dê ouvidos a ela, Colin. — suplicou o moreno, puxando-o para junto ao seu corpo.

Colin se deixou ser levado, mas permaneceu parado, quieto, os braços até balançaram pelo puxão recebido.

— No fundo esse garoto sabe...

— Se você ousar provocá-lo mais uma vez, eu juro, com todo a raiva que estou sentido de você agora, que irei contar pra toda a nossa família que eu não sou filho do Nate e que você, a mulher que por tantos anos fingiu ter uma família perfeita, o traiu com um colega de faculdade. — ameaçou o moreno.

Assustada, Suzana calou sua boca imediatamente. Seu segredo acabara de ser exposto para Larah e isso acabou a deixando incomodada.

— Ele fará o exame de DNA. — finalmente Colin abriu a boca, ele sentiu o gosto da própria lágrima. Pelo menos apenas uma lágrima desceu de seu olho esquerdo.

Sean, não preferindo ouvir aquilo, olhou para o pequeno. Colin estava com os punhos fechados.

— Pelo menos você falou algo inteligente. — Suzana disse.

— Colin, não acredite nelas, isso é tudo um jogo pra nos separar.

— Então vamos nos livrar delas de uma vez por todas. É possível fazer isso durante a gravidez, não é? Então ela fará. — ele disse, mas sem olhar para o moreno.

Suzana apenas permanecia com o sorriso de vitória no rosto.

— Ela está com dois meses.

— A contar daquele dia, era festa de aniversário dele, em outubro... — Larah olhou para o Colin. — Então estou com quase três meses.

— Isso é tempo suficiente para realizarmos um exame não-invasivo. Amanhã mesmo vamos ao hospital fazer o exame de DNA, e você também precisa ir. — Suzana disse para o filho.

— Eu não sou idiota de deixá-la fazer esse exame com você presente, muito menos naquele hospital.

— É o hospital da nossa família!

— Eu não confio em você! — ele disse com todas as letras. — Joe vai se responsabilizar por isso.

— Se é assim que você quer, então está bem. — disse ela sem contestar.

— Você vai engolir tudo o que disse pra mim e vai ter que aceitar esse filho que está por vir. — disse a garota, insatisfeita.

— Espero que não demore pra perceber qual o caminho certo que você deve seguir. — Suzana disse para o filho. — Eu acredito nessa garota e o que vi aqui reforça ainda mais que ela conta a verdade. Você não parece ter tanta certeza assim. Por que não abandona esse garoto de vez e conserta logo esse erro antes que seja tarde demais?

— Vá embora. — Sean pediu.

— Eu vou, mas saiba que ainda nos veremos, quer queira ou não, eu sou sua mãe e me importo muito com você.

Suzana imediatamente se retirou, mas antes olhou para Colin. Larah fez a mesma ação, mas seus olhos fixaram em Sean. Não tardou muito até que as duas já estivessem dentro do carro e logo fossem embora dali.

Sean em silêncio e mais uma vez naquela noite tocou o ombro do Colin, no entanto os dedos do pequeno retirou a mão do moreno dali.

— Colin...

— Você sabia que ela estava grávida e não me contou. — disse o pequeno já começando a caminhar pra sua república.

— E-eu...

— Eu só preciso ficar sozinho. — falava sem olhar pra trás, contando todas as frases que o moreno pensava em pronunciar.

— Converse comigo.

— Me deixe sozinho.

— Eu ia te contar, eu juro.

— Ia? E esperou quantos dias pra isso? — Colin parou e se virou. — Quer saber, no fundo elas tem razão, por que você parece tão nervoso? É por que você deve, não é? Saber que você não me contou que ela estava grávida só piora as coisas.

— Colin, e-eu...

O moreno ousou pegar na mão do seu namorado para pará-lo no caminho.

— Me larga! — o pequeno puxou sua mão e gritou.

Sean parou, Colin correu, entrou na sua república e trancou a porta com muita força. O pequeno nem subiu as escadas, encostou-se a porta após ter trancando-a e olhou para as mãos trêmulas.

Do lado de fora, Sean olhou para o céu e viu aquela lua cheia brilhante o encarando. O moreno abaixou a cabeça, suspirou e esfregou o rosto. Um vento forte passou sobre ele levando seus fios negros, mas não levando sua dor.

Seria melhor ter contado antes.

[...]

— Não deveríamos ter perdido, puta que me pariu! — esbravejou o branquelo.

— Acontece, Dan. De qualquer forma vocês estão classificados por vencerem o primeiro jogo. — Caine tentava acalmá-lo.

— Mas eu preferia estar na vantagem!

Caine não sabia mais o que dizer, tinha dito todas as frases positivas possíveis para acalmar seu namorado, mas ele estava fora de si, impaciente a ponto de socar a cara do primeiro que aparecesse comentando sobre a vitória dos tigres.

— Vamos pra república, lá eu posso fazer você relaxar. — comentou.

Danion o olhou com suspeita.

— Não é isso que você tá pensando! — disse rapidamente.

— Eu bem que tô precisando.

— Mas hoje não é o dia.

— Tem dia pra isso?

Caine se calou.

— Você tá andando muito com o Colin, aposto que isso é ideia dele.

— Isso não tem nada a ver com ele.

— Claro que tem. Ele adora fazer essas torturas sexuais com o Sean, acha que eu não sei? Você tá tentando seguir o mesmo caminho. Olha, vou te contar... Vou ao banheiro, já volto. — imediatamente se retirou.

Caine apenas suspirou. Ele realmente estava tentando aderir as dicas de Colin, mas ainda se questionava se aquilo não era idiotice demais, talvez valido em algumas ocasiões, quando estivesse chateado, por exemplo.

— Oi.

Caine ouviu uma voz e se virou imediatamente. Parada em sua frente, lá estava a mãe de Danion trajando uma roupa elegante preta e brilhante. Ela sorria enquanto segurava uma pequena bolsa em sua mão esquerda.

— O-oi. — disse Caine com surpresa.

— Gostaria de conversar com você, posso? — questionou após sorrir.

— É c-claro. Sobre o quê? A-acho que aqui não é um bom lugar pra conversar.

— Exatamente, aqui não é um bom lugar pra conversar. Poderia me acompanhar?

— Estou esperando o Danion voltar. Vou atrás dele e te encontro aqui.

O pequeno já estava se preparando para sair quando ouviu a mulher dizer:

— Acho que você não entendeu... Eu quero conversar com você.

Caine não estava gostando nada daquilo. Ele engoliu em seco e continuou a encarar a mulher.

— Siga-me, por favor. É rapidinho, logo você voltará aqui para os braços do seu namorado. Você o ama, certo? Então, é sobre isso que eu quero falar.

Laila rapidamente se virou e começou a caminhar. Caine não viu outra alternativa a não ser segui-la. Ele até aguardou alguns segundos para ver se Danion aparecia, mas o branquelo realmente não tinha voltado, dessa forma ele a acompanhou.

Fora do ginásio, Caine foi encaminhado à limousine branca. Ele entrou no automóvel com muito medo do que poderia ter ali dentro, mas estava vazio.

Após Laila entrar, ela mesma fechou a porta não dando oportunidade ao motorista que havia saído do carro para realizar a ação.

— Primeiramente quero que saiba que meu propósito aqui é em nome do amor, ou seja, da sua relação com meu filho.

Caine concordou com a cabeça.

— Conheço seus pais e seus outros dois irmãos. Alfred, Betty, Tina e Sebastian, estou certa?

Surpreso, Caine olhou para a mulher suspeitando mais ainda o motivo daquela conversa.

— Eu e meu marido temos uma longa história com seus pais, talvez você não saiba de nada, ou saiba... Essa sua cara de inocente pode apenas ser uma farsa.

— Desculpe? — ele franziu o cenho.

— Seus pais são donos de terras das quais eu e meu marido precisamos, mas por pura inveja do sucesso do meu marido, seu pai se nega a passar as terras para nós.

— Eu não estou entendendo...

— Seu pai impede que nossa empresa cresça. Você por acaso sabe da existência dos terrenos em Monte Belo*?

— Sim, sei. É a herança que meu pai tem deixado para os filhos.

— Então se você sabe, então certamente pode muito bem convencê-los de uma coisa.

Caine não disse nada, permaneceu quieto esperando para saber o que a mulher queria.

— No início dessa conversa, eu disse que tudo aqui era em nome do seu amor pelo meu filho, então, faremos um acordo.

— Não estou gostando disso...

— Pelo bem dessa relação, peço para que você convença seus pais a nos vender o terreno e em troca eu te ofereço uma relação saudável com meu filho.

— Como? Pode repetir o que você disse? — agora Caine simplesmente fingiu não ter ouvido direito.

— Tudo o que o Danion tem é graças a mim e ao pai dele. Não me faça ter que tomar atitudes drásticas, por isso a única coisa que você deve fazer é convencer seu pai à vender aquelas terras.

— Eu não posso fazer isso. É-é simplesmente um absurdo o que a senhora está me pedindo.

— Estou apenas fazendo negócios, sempre trabalhei com isso.

— Mas você tá negociando a felicidade do seu próprio filho? — ele questionou.

Laila, a princípio, não esperou ouvir aquela pergunta, o que a deixou levemente nervosa.

— É apenas para o bem de vocês e o bem da nossa empresa! Você vai passar a fazer parte de uma das famílias mais ricas de Seattle.

— Eu não posso fazer isso, eu simplesmente não posso!

Quando Laila ia abrir a boca, a porta logo atrás dela foi aberta e o rosto de um branquelo furioso surgiu.

— Sai já daí, Caine! — vociferou ele.

Notas finais
Não respondi os comentários do capítulo passado, mas farei isso em breve, tô bem doentinho, no entanto continuo na luta. Espero que tenham gostado do capítulo!! Abraços ♥