Notas iniciais
Fogo!

Samuel tinha acabado de sair do carro que o trouxe à Quadra. Luke antes se despediu do motorista, grande homem, que admira e que já ouviu muito dos seus desabafos. O moreno posicionou-se em frente ao loiro que o olhava.

Já se passava da meia noite e alguns leoninos já dormiam, alguns permaneciam acordados e um dormia na república a frente.

— Não consigo te enxergar como um Luke assim... — Samuel tinha dito. Olhou ao redor e somente via a escuridão de algumas áreas e luzes fracas nas janelas das outras repúblicas. Não havia mais ninguém naquela rua. — Me surpreendeu.

— Assim como? — Perguntou, sorridente.

— Você é tão idiota que nunca imaginei que o veria comendo comportado em uma mesa de jantar. E ainda pediu para que o motorista nos trouxesse.

— Eu achei que Joshua iria trazer o garotinho que está com ele, mas provavelmente deve tá comendo-o e só voltará amanhã. Tendo a chance, que mal tem em pedir por um motorista? Eu sim fiquei surpreso com você por entender de etiqueta.

— Não sei de muita coisa, apenas o básico. Já me interessava por isso antes e apenas pus em prática o que aprendi, e... Também te observei comendo antes de tomar algumas decisões.

— Quem se ferrou foi aquele amigo de vocês. Joshua não costuma derrubar vinho em alguém em um jantar. Ainda mais vinho... — revirou os olhos — Ele e meu tio têm uma paranoia terrível com essa bebida. Se possível sabe até signo do vinho.

— No geral, mesmo adorando sua família, os achei bem frios. Não sei, talvez porque a minha é calorosa demais de uma maneira que você pode considerar também estranha.

— Há um conflito interno grande em minha família, mas não é um assunto que eu goste de conversar com alguém. — Desceu seus olhos ao chão.

Percebendo que falou algo indesejado, Samuel tratou de prosseguir com um novo assunto:

— Você não tem irmãos?

— Não. Sou filho único, mas considero Joshua e Noah como meus irmãos, visto que crescemos literalmente juntos. Na verdade, isso só veio acontecer quando eu tinha meus doze anos de idade, mas os finais de semana eram em família desde que eu era um garotinho. E você, tem irmãos?

Samuel negou com a cabeça.

— Também sou filho único.

Samuel e Luke ficaram em silêncio. Faltou assunto para ambos e se ninguém falasse nada, a situação se tornaria embaraçosa.

— Gostou dos meus pais? — Luke perguntou.

— Na verdade, eu quem te pergunto, seus pais gostaram de mim? Eles pareceram não gostar... — o encarou e coçou os olhos, mostrando-se sonolento.

— É isso que acontece quando resolvo apresentar um namorado.

— Namorado? — Samuel assustou-se e sua indagação seria audível para quem estivesse passando por ali devido ao silêncio naquele horário.

— Bem, foi assim que tive que falar para meus pais. — Luke coçou a cabeça.

— Você tá louco? Eu nunca namoraria com você! Sabe bem disso.

— Eu estava precisando de grana, sabe? — Luke não mentia e forçava Samuel a acreditar em suas palavras com olhares de súplica — Pais se tornam mais generosos quando sabe que o filho tá namorando. É só dizer que vou sair com o meu namorado e desenrolo uma graninha a mais.

— Isso foi uma péssima ideia, Luke.

— Depois eu digo que terminei e apresento uma nova pessoa, dessa vez uma garota, acho que ganho mais dessa vez.

— Isso é um modo estranho de se prostituir, sem que a pessoa apresentada como namorado ou namorada saiba que está se prostituindo. Você é problemático, Luke. Sinceramente...

— Você odeia tudo o que eu falo. — Cortou a conversa com algo que o incomodava.

— Não é bem assim... Só que... Esquece, não quero discutir com você hoje. — Samuel ficou sem jeito com a acusação do moreno. — Ainda não me falou o porquê dos seus pais agirem daquela forma.

Luke relutou em prosseguir com o assunto, pois queria ouvir de Samuel algo que justificasse a forma como era tratado pelo loiro, porém optou por responder:

— Ser gay é um incomodo para eles. Eles sabem de tudo há muito tempo. Não foi nada divertido ser flagrado no ato com um homem. — Samuel sentiu-se constrangido por ele — Mesmo com meus tios tendo a mente aberta e servirem de exemplo, meus pais ainda vivem com um pé atrás desde o ocorrido. Daí eles preferem me ver com uma garota do que com um garoto.

— E isso te incomoda? — Samuel franziu o cenho, preocupado.

— Não muito. Em breve vou estar ganhando o meu próprio dinheiro e serei dono do meu próprio nariz, na verdade já sou. E o pau é meu e meto em quem quiser.

— Depois você me pergunta por que odeio tudo o que você fala. — Samuel revirou os olhos e começou a andar. — Bem, já tá tarde e eu vou dormir. Boa noite, Luke.

Samuel seguiu seu caminho tranquilamente e só percebeu segundo depois que o moreno o seguia.

— Para onde pensa que está indo?

— Dormir também, ué.

— Sua república é aquela. — Virou e apontou.

— Qual foi, garoto? Eu te convido pra jantar, saio com você e no final me chuta? — Luke parecia zangado e isso surpreendeu Samuel.

— Está me dizendo que quando se convida pra um jantar é necessário pagar com sexo?

— Não disse isso, mas se quiser. — Coçou a cabeça, como de costume. — Só que bem, se não percebeu, eu durmo com você há três dias, na mesma cama de solteiro, que mesmo apertada, é legal ficar abraçado contigo, então porque hoje eu teria que ir para a minha república?

Somente uma vez Samuel foi desarmado, isso aconteceu quando ia transar com o moreno pela primeira vez e foi pego de surpreso pelas habilidades deste na cama; chegando ao ponto de se tornar passivo na primeira noite. E agora isso se repetia, dessa vez por palavras.

— Mas se não quer isso, ok. Só deveria ser mais gentil comigo, caralho. — Xingou.

Ele bateu os pés caminhando para a sua república e não olhou para trás. Chegou nesta e retirou as chaves da carteira, abrindo a porta.

— Luke, tá bem, desculpe! — Samuel gritou, podendo acordar a vizinhança.

Luke se virou e entrou em sua república.

Samuel teve que correr para impedi-lo de fechar a porta. Seu pé serviu para isso e sabendo que o moreno não o machucaria, colocou, também, seu braço entre a porta e a soleira.

Dando-se por vencido, o moreno deixou-o entrar.

— Não quero mais dormir na sua república.

— Tudo bem, eu durmo aqui. — Olhou ao redor.

— Ok, você dorme na sala.

Luke deu as costas e atravessou a sala, seguindo pelo corredor.

— Está chateado? — Perguntou enquanto o seguia.

— Talvez.

— Eu já pedi desculpas.

— Acha que isso resolve? — Parou e se virou.

— Sexo? — Samuel coçou a cabeça e fechou um olho. — Isso resolve as coisas?

Luke então sorriu.

— Bom garoto!

Foi ele quem tomou a iniciativa de avançar em Samuel e jogá-lo na parede, tomando seus lábios e prendendo suas mãos.

— Hoje eu fico por cima. — Luke revelou.

— Tudo bem, sem problemas. — Samuel respondeu em um sussurro ao ainda ter seus lábios tomados.

Ele precisava compreender que Luke se esforçou para que ambos tivessem um bom dia. E se fosse necessário pagar com sexo, pagaria. Eles não eram namorados e estavam longe de ser. Isso apenas poderia ser chamado de amizade colorida.

— Somos amigos... — Luke segurava no pênis do loiro pela calça.

— Sim, apenas amigos... — A essa altura já lhe faltava ar enquanto segurava o pescoço do loiro, seguindo com os beijos até o quarto.

[...]

Acordar naquele cômodo nunca foi um desejo seu, mesmo quando se descobriu apaixonado por Sean, detestava pisar na república em que se encontrava. Contrariando tudo o que pensava, aconteceu.

Colin abriu os olhos e se deparou com as cortinas abertas, mas as janelas fechadas. O céu, infelizmente, permanecia coberto por nuvens, ameaçando chover a qualquer momento. Embora não estivesse na previsão da semana dias de neve, isso também poderia acontecer. Tanta coisa muda ainda que se tenha um aviso.

O cobertor cobria 90% do seu corpo, deixando exposta apenas a cabeça. Os olhos curiosos observavam todo o quarto. A cama, com certeza, era a melhor em que já havia dormido, levando em consideração também o cobertor que julgou ser macio.

Ao seu lado esquerdo encontrava-se o banheiro, deduziu isso ao dar de cara com a porta aberta, mostrando parte do espelho e pia. A cama ficava no centro de duas mesas de cabeceira. Levando seus olhos para cima, viu uma Ferrari estampando o quadro. Encontrou uma escrivaninha vermelha e branca na parede paralela a cama, não havia muita decoração senão prateleiras e livros, mas ainda assim deixava o quarto aparentemente bonito.

Sentando-se na cama e pondo os pés descalços para fora, Colin só agora percebeu que o piso era feito de carpete na cor bege. Já se imaginava pisando no chão gélido, como o de sua república, mas teve uma grande surpresa. Dava a impressão de que era madeira, mas isso era apenas uma jogada criativa.

Levou seus olhos a porta e viu os sapatos que usava na noite anterior ali, não se lembrava de tê-lo deixado naquele lugar, mas não questionou. Levantou-se descalço e desfrutou da maciez do piso. Foi até o banheiro e lavou seu rosto e escovou os dentes com a primeira escova que encontrou, ainda na embalagem. Voltou pelo mesmo caminho, mas ao pisar fora do quarto constatou que ali era apenas madeira... Gélida. Resmungou baixinho e atravessou o corredor tranquilamente, vendo que não mais havia plaquinhas nas portas do quarto identificando quem dormia ali.

Colin desceu as escadas e se negou a olhar pela janela. Ainda tinha receio de encontrar algum amigo seu. Afinal, não era tão simples assim. Sequer se acostumou com a ideia de ter entrado ali, depois com a ideia de ter dormido...

Da sala para a cozinha não havia porta, apenas um curto corredor — menos de um metro — com um vaso e uma planta artificial decorando-o.

Colin encontrou Sean de costas e não sabia o que ele fazia, em curiosidade permaneceu quieto próximo ao batente. O moreno estava distraído olhando seu celular até então sentir a sensação de estar sendo observando, com isso olhou para trás e se deparou com Colin.

— Café, leite ou suco? — O moreno perguntou, finalmente guardando o aparelho no bolso e sentando-se no banco metálico ao lado do balcão.

Foi quando Colin notou sobre o balcão um prato decorado com alguns waffles, mirtilos, framboesa, folhas de hortelã e uma calda que supostamente era mel. Colin ficou impressionado com a beleza que o prato oferecia.

— Só não vale bancar o babaca, tirar foto e postar em rede social. — Sean ainda o olhava enquanto se aproximava mais e mais do prato.

— Ainda fico surpreso com as coisas que você faz na cozinha. — Finalmente falou algo. Sua voz ainda pesada por acabar de acordar.

— Já disse, costumo me virar. Só não cozinho para os marmanjos da minha república e não dói pesquisar essas coisas na internet.

— Aprendeu tudo sozinho? — Sentou-se e puxou um garfo.

— Quando se tem uma mãe que te força a ser o melhor em tudo... Fui quase obrigado. Segundo ela, homem perfeito é aquele que cozinha. — Sorriu.

Colin estremeceu com aquele sorriso. Era golpe baixo encantá-lo logo nas primeiras horas do dia.

Notou então um Ipad branco próximo de Sean, conseguindo enxergar uma planilha com alguns nomes.

— O que é isso? — Curioso, Colin indagou.

— Novos membros. — Garfou parte da comida de Colin.

— Mas já?

— Preciso repetir que sou líder da melhor república? — O encarou.

Colin revirou os olhos e pôs-se apreciar dos sabores naquele prato. Sean largou o garfo e pegou o aparelho do balcão, caminhando pela cozinha.

— Não vai comer? — Colin perguntou.

— Já comi. Você quem demorou a acordar. E eu já sei os motivos: cama boa demais.

Colin pressionou o garfo e pensou em jogar contra o moreno que já começava a inflar seu ego.

— Além disso, tinha a minha presença. Você se lembra de ter colocado a mão no meu saco? Pois bem, acordei com sua mão lá.

— Já vai começar? — Colin estava de boca cheia e se negou a olhar para o moreno.

— Não percebe que estou em abstinência? — Sean largou o aparelho e voltou a se sentar, apoiando o cotovelo sobre o balcão enquanto encarava o pequeno comer.

— Problema é seu.

— Você não sente falta? Nem um pouco? Sexo é bom, Colin. E eu já estou bem, ok? Desde que eu saí da merda daquele hospital você vem me negando sexo. Tá que você me pagou um oral gostoso, mas eu quero ir além disto, sabe? Como na nossa primeira vez.

— Não percebeu que estou castigando-o? — Colin até parou de comer e o olhou.

— Como assim? — Franziu as sobrancelhas e contraiu os olhos.

— Bem, vejamos, você mentiu para mim e me fez acreditar que estava transando com Colton. Até eu te perdoar por completo ficará sem sexo.

— Então tá certo, não me mate se por ventura descobrir que... — Sean calou a boca imediatamente.

Colin puxou da mesa uma faca e apontou para a garganta do moreno, que engoliu em seco e prendeu a respiração.

— Ouse fazer piada com o nome daquele desgraçado e eu juro que te mato! — Ameaçou, seus olhos refletiam a raiva.

Era Colin e Sean já deveria estar preparado para o pior. O pequeno era realmente violento quando tomado pelos ciúmes e devia admitir que pegaria pesado se pronunciasse o nome daquele garoto.

Visto que ele não falava mais nada, o pequeno voltou a se alimentar tranquilamente. Sean não mais falou do assunto.

— Sei que qualquer um mataria pra ir pra cama com você. Sei também que após a volta de um relacionamento, tendem a sair por aí rolando pelos lençóis da cama, mas você estava com o corpo todo machucado e mesmo que esteja melhor, prefiro te castigar um pouco. Você me levou a esse mundo do sexo e sei o quão bom é, pode inflar seu ego nesse quesito, mas gosto de te maltratar com aquilo que mais gosta.

— Mas o que mais gosto é você.

— Exatamente. — Colin não quis sorrir, pois foi pego de surpresa.

Sean levantou-se e desistiu de conversar. Ele não via problemas em conversar sobre sexo com Colin. Era um assunto normal para casais e eles estavam longe de ser um casal fofo.

— Você é bem filho da puta quando quer ser, hein. Lembro-me que foi difícil demais ir pra cama contigo e novamente fica fazendo cu doce.

— Vou dormir hoje com você.

— Isso é bom.

— Também sou humano, preciso de sexo... — Pôs o garfo sobre o prato. — Você acabou de me alimentar e me deixou satisfeito. Te alimentarei hoje a noite. — Piscou e saiu da cozinha.

— Isso é muito bom! — Sean sorriu.

Ele correu para alcançar Colin e pegou por trás, prendendo o corpo do pequeno ao seu. Sentiu as narinas do moreno tocarem-lhe o pescoço e isso fez todo o seu corpo vibrar, arrepiando-se. Sean era o dono da maior e melhor pegada que Colin já havia sentido.

Colin queria sim ir para cama com o moreno, mas devido as condições do seu corpo isso impediu que acontecesse. Depois realmente o castigou. Era bom maltratá-lo às vezes, Sean não podia ter tudo de mão beijada.

Inclinando sua cabeça para o lado, o pequeno deixou que o moreno o mordesse, assim arrepiando-se.

— Quero sair com você hoje. — Murmurou.

— Tudo isso pra conseguir transar comigo? — Colin se virou.

— Talvez. — Sorriu e mais uma vez derrubou Colin com aquele sorriso.

Colin foi ao extremo quando se ajoelhou e olhou para Sean, mas rapidamente se levantou e sorriu, dando-lhe as costas.

— Desgraçado! Eu achei que... Achei que...

— Acabei de me alimentar, estou cheio. — Brincou e voltou a andar.

— Eu te odeio, seu desgraçado, filho da puta, anão dos infernos.

Colin apenas mostrou-lhe o dedo do meio e continuou caminhando, dessa vez subindo as escadas.

[...]

A TV da sala estava ligada, as janelas fechadas e, por incrível que pareça, não havia gritaria. William e Octavio ainda dormiam no quarto do casal. Gale, Erica e Samuel batiam papo na cozinha, sem que a loira fizesse algum escândalo. Caine estava estudando no quarto que dividia com Edgar e Colin, embora toda noite dormisse no quarto de Danion. A propósito, Danion ainda estava dormindo.

No sofá da sala, deitados juntos e dividindo o mesmo cobertor, Ian e Connor se encontravam.

O moreno estava adorando a calmaria do lugar e o tempo frio parecia ser calmante para eles. As densas nuvens lá fora eram assustadoras, mas há quem gostassem delas... Como era o caso de Joshua, que da sua república as apreciava de sua janela.

Connor parecia estar dormindo e Ian, encostado a ele, mantinha-se acordado, apenas observando-o. Com os corpos colados, aqueciam-se juntos debaixo daquele cobertor. Ian sempre teve mais atitude que Connor, até mesmo em momentos íntimos.

Por isso, levou sua mão esquerda entre as pernas do namorado, subindo um pouco até encostar em seu pênis, mesmo que por fora da calça de algodão que ele vestia. Ian gostava da sensação de tocar ali e ficar acariciando. Há que preferisse fazer cafuné... Mas não tinha nada de errado em ficar massageando o pênis do namorado, mesmo que este esteja dormindo.

Seus olhos ainda se mantinham fixos em Connor, sua respiração era audível e até prazerosa de se ouvir. Ian beijou a bochecha do namorado de leve, ainda com a mão encostada massageando seu pênis. Não durou dois minutos e o sentiu tomando forma, ficando consistente, duro. Ian até sorriu fraco com isso, mas sentiu-se orgulhoso por ter mãos boas a ponto de excitar o namorado enquanto dorme.

Atreveu-se um pouco mais e levou suas mãos ao abdômen do garoto, introduzindo-a dentro da calça e cueca. Tudo isso acontecia na sala, contudo ele não se preocupava, pois estava embaixo do cobertor e tomava o maior cuidado para fazer o menor número de movimentos bruscos, entregando o que acontecia abaixo daquele cobertor. De qualquer forma, estava seguro, pois ninguém aparecia na sala.

Ele conseguiu tocar o pênis do namorado e sentir a temperatura elevada ali dentro, estava quente. Devido ao frio, a sensação de ter parte do seu corpo ali dentro era boa. Ele abriu sua mão e desceu até o falo, conseguindo envolvê-lo com ela, foi descendo aos poucos até encontrar suas bolas e por ali ficar, acariciando.

— Eu sinto isso... — Connor despertou, mas permaneceu de olhos fechados. Sua voz ainda mais rouca, por conta do ótimo aconchego, que dava-lhe preguiça até de falar.

— Como pode ser tão grosso? — Ian perguntou, ainda com as mãos lá.

— Eu não sou grosso... Alguma vez já fui grosso com você? — Foi então que ele seguiu o olhar do namorado. — Ah, é isso? — Gargalhou fraco, mas a ponto de fazer seu corpo estremecer um pouco. — Enquanto uns tem pouco, outros tem demais...

— Eu senti a indireta, tá ok? — Ian não se ofendeu, por isso sorria.

Connor moveu-se um pouco para afogar seu rosto no pescoço do namorado e logo depois beijá-lo.

— Que horas são? — Connor perguntou.

— Você ainda tem tempo de comer algo, tomar um banho e ir pra sua aula.

— Droga! — Coçou os olhos. — Nesse tempo frio só penso em dormir... E agora com sua mão aí, minha vontade é de ir pro quarto e terminarmos as coisas.

Ian inclinou sua cabeça para que assim pudesse depositar nos lábios de Connor um beijo quente, carregado de vontade. Sua mão, ainda sobre seu pênis, pressionava mais e mais, nada que pudesse machucá-lo, apenas admitindo sua vontade de tê-lo.

— Tem alguém na cozinha? — Connor perguntou a ouvir alguém gargalhando.

— Samuel, Clara e Gale...

— Isso é tentador demais...

— Posso te masturbar, se quiser... — Ian murmurou, tomando cuidado.

— Aqui?! — Connor ergueu a cabeça e olhou ao redor. — N-não, Ian... Vai que alguém chega? Não tem nenhum videogame aqui pra que eu pudesse dar alguma desculpa...

Ian se perguntou como seria a desculpa dele.

— Seria constrangedor, mas do jeito que nossa república é... Já ouvi Danion e Leo transando, flagrei até mesmo o Caine se masturbando, embora ele nunca vá saber disso. E recentemente ouvimos gemidos do Octavio.

Nesse momento a porta da república foi aberta, assustando-os. Ian imediatamente retirou sua mão do membro do namorado e encarou Leonard que retirava da cabeça o capuz do casaco. Edgar estava com ele.

— Adoro esses momentos de casais. — Leo, inocentemente, falou. — Onde está todo mundo?

Leonard estava acompanhado de Edgar.

— Não sei que remédio que deram, mas tá todo mundo relaxado. William e Octavio estão no quarto, Danion ainda dormindo, Clara, Samuel e Gale estão na cozinha e não sei o que Caine faz. — Ian respondeu tranquilamente, mesmo com seu coração batendo acelerado, conseguia disfarçar bem.

Por sorte, Connor também conseguia fingir. E mais tarde Ian agradeceria por isso. Afinal, seu namorado poderia facilmente abrir a boca e soltar uma de suas pérolas, isso felizmente não aconteceu. Todavia teve medo de que o silêncio de Connor, naquele momento, pudesse levantar suspeitas, visto que ele era bem falante.

— Vieram juntos? — Ian indagou.

— Nos encontramos no caminho.

— Por acaso tem comida aqui? — Leonard perguntou. — Santiago foi pra uma sessão de fotos e sabe-se lá que horas vai voltar. Estão aproveitando o tempo sombrio com essas nuvens, ou seja... Sobrei! — Sua expressão foi engraçada e isso fez Ian sorrir junto ao Connor — A gente faz o namorado crescer na vida, mas sempre fica de escanteio. Quero meus créditos, vadios!

— Acabei de comer. — Não revelou que tinha tomado café da manhã com Joshua — Preciso da minha cama, quase não dormi essa noite.

— É verdade, eu o vi sair todo arrumado. Para onde foi? — Connor perguntou, sentando-se no sofá, fazendo o cobertor cair sobre suas pernas. Seu membro não havia adormecido por completo.

— Samuel nos contou, Edgar... — Ian não viu problema em revelar.

— Linguarudo! — Insultou o loiro.

— Bem, ele não teve saída já que Luke foi o culpado por isso.

— Que seja... — Resmungou com num muxoxo. — Vou para o quarto. — Despediu-se.

— Ei, espera, vou com você, não quero me tornar castiçal para esses pombinhos aqui. — Leo piscou para Ian e seguiu o loirinho, juntos entraram no quarto.

Ian e Connor voltaram a ficar sozinhos, mas dessa vez sem o clima quente que antes se encontravam.

— Ok, agora você se levanta, toma banho, come e vai pra sua aula. — Levantou-se.

— Droga! Tenho mesmo que ir? — Franziu a sobrancelha, juntando seus lábios e fazendo uma expressão semelhante a um gato manhoso. Era óbvio que ele fazia aquilo propositalmente.

— Lembra da nossa conversa, Connor? Você disse que iria fazer de tudo pra isso, não é mesmo?

— Ok, ok, ok! — Levantou as mãos como se estivesse recebendo uma abordagem policial.

Connor ficou de pé e beijou o namorado, arrastando-se para o banheiro logo em seguida. Ian foi logo atrás dele, podendo assim lavar suas mãos, já que uma delas antes tocava a parte íntima do namorado.

— Eu vou lá preparar um sanduíche pra você comer, tudo bem? Não temos algo melhor hoje, está todo mundo com preguiça de fazer algo.

— Parece o meu pai.

— Não sou tão diferente dele... — Brincou, vendo o namorado nu logo a sua frente, prestes a entrar embaixo do chuveiro. — Pensamento bem... — Ian o avaliou e depois mirou seus olhos aos do namorado. Connor o olhava sem conseguir compreender aquele olhar penetrante — Quer mesmo que eu vá preparar algo para que coma? Tem problema de chegar poucos minutos atrasados hoje?

— O que deu em você? Tô falando que ler livros em excesso te deixa pirando... — Sua voz ia sumindo aos poucos quando notava o olhar do namorado.

Ian tratou de caminhar até a porta do banheiro e trancá-la. Sua vontade de fazer oral em Connor não estava sendo fácil de controlar, por isso não iria perder tempo. Ele puxou o namorado para perto de si e o jogou contra a pia. Connor assustou-se com a sede por sexo que seu namorado se encontrava naquele instante.

É normal do ser humano acordar em dias assim. Mas aquela era a primeira vez que encontrava Ian sedento daquela forma. Mas tal ação do namorado fez seu membro ficar ereto em poucos segundos e, assim, ter seu pênis envolvido pelas duas mãos do namorado, que já estava ajoelhado com a boca entreaberta, os olhos fixos ao seu e a respiração tocando sua glande.

Ian e suas atitudes.

[...]

Colin encontrou Sean na sala, sentado em frente a TV.

— Estou indo na minha república. — Sequer olhou para ele e abriu a porta.

Sean também não retirou os olhos da TV. Dois monstrinhos que quando não se amavam, se detestavam.

— Lembre-se de que vai sair comigo hoje à noite.

Foi então que Colin se virou para olhá-lo, sendo assim o moreno também o olhou.

— Você está mesmo disposto a me encantar pra conseguir ir à cama comigo, não é?

— Cada um joga da sua maneira. — Deu de ombros e voltou sua atenção a TV.

— Lembre-se de que eu também tenho um pênis. — Soltou antes de sair.

Sean ficou sem entender por alguns segundos, mas conseguiu compreender no minuto seguinte. Ele sorriu em silêncio e fechou seus olhos, acomodando-se ainda mais no sofá. Sentia-se como se fosse transar com Colin pela primeira vez... Depois de tanto tempo sem tê-lo na cama completamente entregue, era realmente motivo de felicidade. Colin era um garoto difícil de lidar e até em momentos assim ele mostrava que Sean tinha que batalhar para conseguir algo.

O pequeno leonino atravessou a rua e entrou na república em sua república. Foi diretamente para seu quarto, mas acabou por encontrar Ian, que tinha recém saído do banheiro de rosto molhado.

— Vai entrar? — Ian perguntou.

Colin balançou a cabeça e abriu a porta, Ian o acompanhou. Ambos encontraram Edgar, Caine e Leonard conversando.

Jogando-se na cama, Colin indagou:

— Do que estão falando?

— Assuntos aleatórios... Agora mesmo estávamos falando do aniversário do William. — Leo respondeu.

— Ainda não sei o que vou dar de presente para ele. — Ian entrou na conversa.

— Ele não é como o Danion, não é? — Edgar perguntou, curioso. — Quer dizer... Bem, vocês entenderam.

— Não. William não tem problema com seu aniversário. Nós geralmente costumamos sair e comemorar em algum lugar. — Ian respondeu, sentando-se ao lado de Leonard na cama de Caine.

— No meu aniversário quero tudo, menos roupa. Ok? Ok! — Colin abraçou-se a um travesseiro.

— Já eu gosto de roupa, então não tenham problemas em me dar isso. — Caine sorriu, contrariando o amigo.

O assunto prosseguia com todos eles conversando sobre presentes de aniversários e até relatando momentos constrangedores nessa data. Até Leonard mudar drasticamente o assunto:

— Gente, com quem foi e como foi a primeira vez de vocês?

Caine pareceu ter engolido uma pedra de gelo. Colin a mesma coisa. Ian apenas franziu o cenho enquanto Edgar permaneceu com o rosto afogado no travesseiro e um minuto depois olhou para Leonard.

— E não me olhem assim. — Leonard ergueu um dedo desaprovando a atitude dos colegas — Eu sei que todos vocês já transaram. Até mesmo o Colin... E eu achava que toda personalidade dele era montada por falta de sexo. — Levou seus olhos para o garoto e sorriu querendo descontrair.

— Bem, não vejo problema em falar sobre isso. — Ian acomodou-se mais na cama de Colin.

— Tá, eu começo. — Leo puxou sua perna para a cama e acomodou seu queixo no joelho.

Caine, Colin e Edgar não tinha sequer tido a chance de falar algo.

— Foi com um primo meu. Confesso que não foi bom. Se eu pudesse perder a virgindade novamente, faria. — Leo fechou os olhos e balançou a cabeça negativamente — Mas como isso só acontece uma vez, bem... Meu primo era um bruto, além de atrapalhado. Isso tudo aconteceu em uma festa de aniversário da mãe dele, quando nos deixaram sozinho em casa e saíram para beber. — Voltou a erguer a cabeça — Até aquele dia eu não sabia que meu primo era gay. Hoje em dia ele é casado e já vai ser pai.

— Casado e vai ser pai? De uma mulher né?! — Caine, incrédulo, perguntou.

— Lógico, Caine. — Leonard o olhou com se estivesse com pena de sua ingenuidade — A página virou e a última vez que o vi foi em foto compartilhada por ele mesmo na rede social. Ele deve dar umas escapadas por aí... Meu primo é bem safado e cafajeste.

— Credo, Leonard! — Colin estava assustado com o último comentário. — Acredito no fato das pessoas serem curiosas e depois que experimentam isso passa. Vai que ele realmente ame a mulher dele.

— Queridinho, ainda tenho contato com amigos da minha cidade e adivinha? — Leo deu cinco segundos para Colin o responder, mas como sabia que ele não falaria nada, prosseguiu — Ele foi pra cama com um rival meu naquela época. Desde então sinto apenas nojo. — Leo fechou os olhos em descontentamento e depois os abriu, olhando para o teto ao recordar-se disso e sentir-se péssimo.

— Eu já sabia dessa história. Acho que foi um dos nossos primeiros assuntos, não foi, Leo? —Ian se encostou nele ao falar. — Nossa, faz um tempo. Em breve não mais estaremos aqui.

Leo assentiu e prosseguiu.

— Já com Santiago foi tão diferente e ótimo, de verdade. Foi uma surpresa para mim quando aconteceu e, com toda a sinceridade do mundo, ele é sem sobra de duvidas o melhor parceiro sexual que já tive, aconteceu quando resolvi visitar o seu novo apartamento e de lá pra cá continua acontecendo. — Sorriu presunçoso — Além de descobrir fetiches que eu não fazia ideia de que tinha. Sinceramente, sexo é muito bom. Se possível eu faria todos os dias.

— Não sou como vocês, viciados... Credo! Não há bunda que aguente. — Colin falou realmente apavorado com a afirmação do amigo.

Isso soou engraçado, Leo e Ian começaram a rir. Caine também estava apavorado, tanto é que não entendia o motivo da risada. Ele considerava sexo bom, mas lembrava-se de como ficava sua situação nas horas seguintes. As pernas doíam e era desconfortável.

— Concordo com o Colin. — O pequeno Caine pronunciou-se.

Edgar nada falou.

— Ah, em tempos como esse, dá vontade de ficar na cama e nunca mais sair. — Leo deu de ombros e trocou de cama, deitando-se. — Agora eu já falei demais e quero ouvir vocês. Caine?

— Quê? — Disse de supetão, quase saltando da cama.

— Sei que já transamos com os mesmos garotos, mas não se incomode com o assunto. Isso é página virada em nossas vidas e apenas serviu para fortalecer nossos relacionamentos.

Concordando, Caine friccionou os lábios.

— Minha primeira vez não foi com o Connor. — Ian prosseguiu com o assunto, roubando a vez de Caine — Assim como Leo, até preferia que fosse. Mas também não foi ruim. Isso aconteceu com meu primeiro namorado. Aconteceu exatamente no meu primeiro dia dos namorados. — Ian levou a sua mão ao queixo e parou pra pensar — Engraçado... Primeiro namorado, primeiro dia dos namorados e primeira vez. Virgem de primeira viagem. — Sorriu.

— Quem era passivo e ativo? — Leo não via problema algum nessa pergunta.

— Desde que me conheço, nunca me vi sento ativo numa relação. Mas também não me considero um passivo submisso.

Todos ficaram embasbacados com o que ouviam de Ian e isso o assustou.

— O que foi? Vocês pensam que eu sou ativo? Nem versátil eu penso ser. O que carrego entre as pernas não é de bom tamanho. — Ian mantinha uma expressão suave, como se realmente estivesse tranquilo tendo aquele tipo de conversa — E por mais que pareça constrangedor falar isso, bem, já foi. Mas se Connor pedir para que eu esteja por cima algum dia, farei. Sem essa de definições. Sei que vocês me associam como alguém intelectual, culto e etc... Mas não precisam se assustar com essa conversa. É de sexo que estamos falando, tudo bem?

— Eu chutava que você era versátil. Vejo Connor como o passivo da relação. — O namorado de Santiago ainda não acreditava no que ouvia. Ian era sempre uma pessoa de atitude, apesar de usar palavras inteligentes e algumas vezes parecer uma pessoa frágil.

— Estereótipos... — Murmurou.

— Verdade, desculpe. — Admitiu Leonard.

— Como você falou da sua primeira vez com Santiago, posso falar da minha também... E como você bem descreveu, foi muito bom. Connor foi como o garoto da sua primeira vez, Leo. Todo atrapalhado, mas eu soube guiá-lo perfeitamente. — Sorriu e por poucos seus olhos não brilharam ao recordar-se — Eu consegui sentir o coração dele bater forte e suas mãos tremerem. Minha primeira vez com Connor aconteceu quando resolvi passar uns dias fora da república... Mas confesso que já fui preparado para ter minha primeira vez com ele. Sou o primeiro garoto a ir pra cama com ele e pretendo ser o último... A propósito, desde que ele fala que namora um garoto, tem alguns oferecidos tentando conquistá-lo.

— Então vai tomar conta do que é seu. Sinto que vou ter uma grande dor de cabeça quando as novas fotos de Santiago saírem por aí. — Leonard levou sua mão ao rosto e se estapeou, leve, não queria dormir.

Ian não contou que há poucos minutos estava no banheiro com o namorado, chupando-o.

— Certo, agora faltam os três. Pensando bem, há algo em comum nos três: Relacionamentos proibidos.

— O Caine fala primeiro! — Colin apontou para o amigo, ainda querendo sair daquele quarto. Estava vermelho.

— É, o Caine primeiro! — Edgar ajudou Colin, também adiando cada vez mais a sua vez.

— M-mas... Vocês já sabem com quem foi! — Suas bochechas coraram e ele desceu seus olhos ao travesseiro em suas pernas. — Foi com o Danion.

— E só isso que você vai nos dizer? — Leo indagou. Ele queria detalhes, não exatamente de como foi o ato.

— Foi no aniversário do Sebastian.

— Eu sabia! — Ian sorriu em vitória. — Quer dizer... Isso virou notícia entre os leoninos por um tempo.

— Todo mundo sabia... — Caine levantou seus olhos, podendo assim enxergar todos — Isso aconteceu exatamente aqui, onde estamos.

— Credo, tenho mesmo que relembrar desse detalhe? — Colin levantou as mãos e os pés, sentindo nojo. Era lógico que ele apenas caçoava do amigo.

— Ah, Colin, para! — Caine o empurrou de leve e prosseguiu — Danion tinha caído bêbado no banheiro e eu tive que me esforçar para dar um banho nele. Ouvi alguns xingamentos, é óbvio. — Encantou a todos ao sorrir por lembrar-se daquilo — Mas depois... Bem... Nós relutamos. Quando ele queria eu não quis, e quando ele não quis eu insisti. Até então acontecer.— Caine lembrava-se de parte do diálogo, principalmente a pergunta sobre amar — Eu sabia que iria me arrepender, mas depois vi que não há porque se arrepender. Aconteceu com quem eu gostava...

— Que amorzinho! — Leo ficou com os olhos piscando. — Achei que o mundo acabaria e você nunca ia assumir isso para nós.

— É que... Vocês falam disso de forma tão normal... Ainda é difícil falar sobre sexo dessa maneira.

— Mas vem cá, você realmente gostou? — Ian perguntou. — Àquele dia soube que Danion estava podre de bêbado.

— Era minha primeira vez e eu estava com Danion... Não foi algo preparado, simplesmente aconteceu. Eu gostei, Ian. Apesar de que quase não iria acontecer. Porque Danion ficou assustado quando descobriu que eu o amava. Foram momentos tensos e intensos, de qualquer forma, aqui estou e agora namorando. Posso dizer que valeu a pena.

— Dar a bunda dói, mas convenhamos... É bom demais! — Leo soltou, arrancando gargalhadas de Ian e um sorriso fraco de Edgar.

— Dar é uma arte. — Fez uma nova piada, dessa vez olhando para Leonard, dando referência ao seu curso.

— Gostei, Ian! Gostei, gostei! — Leo falou alto e gargalhou muito alto e foi impossível não arrancar gargalhada dos demais.

Com os ânimos controlados, Caine continuou ruborizado, porém acabou contando da sua primeira vez e até se surpreendeu consigo mesmo. Estava entre amigos, não tinha porque temer.

— Juro que estou curioso pra saber de Colin e Edgar... Desculpe, garotos, mas ambos os parceiros de vocês são pessoas complicadas e nada bem vindos aqui na república por tamanho problema que nos causaram. Nada contra vocês dois, e respeito o relacionamento de ambos, mas é estranhamente interessante saber como isso aconteceu. Juro que estou mais interessado pra saber sobre o relacionamento e de como ele surgiu do que a primeira vez de vocês. — Ian acomodou-se novamente na cama.

— Minha primeira vez não foi com o Joshua... — Edgar já não perdeu tempo e respondeu a Ian.

— Não?! — Ian ficou surpreso. — Nunca paramos para conversar como agora, de fato, você parecia ter medo de todos nós e vivia com Colton.

— Eu sei... Não faz muito tempo que comecei a me aproximar de vocês. Já que querem saber... M-minha primeira vez foi com meu ex-namorado... O qual me traiu quando vim pra Quadra. — Os amigos ficaram em silêncio — Não posso dizer que foi péssima, já que eu o amava e me entreguei por completo. Foi uma relação versátil.

— Espera! — Leo até ficou de pé. — Está me dizendo que você já foi ativo?

Edgar balançou a cabeça dando sinal de positivo.

— De novo com os estereótipos, Leo? — Ian o olhou, reprovando a atitude.

— Ai, gente, desculpa, mas, mas... Ok, ok! Eu vou parar. Sou tão estereotipado por namorar Santiago e me julgo por ter esse pensamento. Desculpe-me, Edgar, pode prosseguir. — Sentou-se, ainda incrédulo.

Mas até para Ian aquilo foi uma surpresa e por isso ficou calado. Colin e Caine sabiam desse detalhe e na época também ficaram surpresos. Acreditavam que o namorado de Edgar fosse o oposto, mas era tão fofo quanto o loirinho. Ambos da mesma altura e loiros, só que o namorado de Edgar aparentava ser mais delicado.

— Sei que todos vocês estão curiosos para saber sobre Joshua. Mas isso aconteceu recentemente. O jornal da Quadra levantou a notícia de que Joshua é soro positivo e pode parece assustador para alguns. Porém eu nunca fiz disso um problema antes de decidir transar com ele. Sim, eu pedi por isso. — Suas bochechas queimaram. — Fui capaz de experimentar coisas que nunca pensei... Sei que Leo me entende, pelo menos eu acho. — Pausou e recebeu sinal de aprovação do Leonard — E definitivamente me encontrei passivo na relação. Joshua se preocupa ao máximo comigo quando se trata do seu problema, ou melhor, minha segurança. Pode parecer que não, mas Joshua tem um lado humano, só me esforço para que ele mostre ao mundo. Minha primeira vez com ele foi peculiar, pois estávamos os dois ferrados após a confusão... E, ainda assim, aconteceu.

Silêncio entre todos ali presente. Edgar até abaixou sua cabeça e abraçou-se ao travesseiro, constrangido final após revelar como e quando aconteceu. Mas também expôs um lado amoroso de Joshua que ninguém reconhecia.

— E ontem... Ontem ele me pediu em namoro. — Mostrou o anel.

Colin imediatamente tocou o cordão em seu pescoço, lembrando-se do presente que havia ganhado de Sean. Porém, os outros três garotos não o notaram abaixar a cabeça e beijar o objeto, já que estavam atentos ao presente que Edgar ganhou.

— E como tudo isso começou? — Curioso, Leonard perguntou.

— No momento em que participamos juntos da atividade na mata. Foi então que descobri um Joshua completamente diferente do que ele expõe por aí. Eu morria de medo dele e quando descobri que eu seria a sua dupla, quase desmaiei de nervoso. Eu sei que parece algo doentio aos olhos de vocês, afinal Joshua quase tirou a vida de alguém. — Evitou citar o nome de Danion em respeito ao Caine, que querendo ou não se sentia desconfortável com a conversa ao se lembrar do ocorrido — Ele não é a pessoa mais carinhosa na cama e faz jus a sua personalidade bruta, arrogante e maliciosa. — Admitiu sem o menor problema — E é estranho quando paro pra pensar quando antes o sexo que praticava era algo considerado básico e atualmente...

— Sadomasoquismo? Vocês praticam? — Leo perguntou, boquiaberto.

— Não diria que isso, mas coisa semelhante. — Só agora o loirinho começou a ficar constrangido ao atiçar a imaginação alheia. — Só há detalhes diferentes na hora do ato. De qualquer forma, a minha segurança é garantida por ele. Mesmo quando eu não encontre riscos, ele me mostra que há. Quando na minha primeira vez com ele, ouvi o seu aviso sobre não ser como outros garotos.

Novo silêncio por um curto tempo. Edgar não sabia mais o que falar; qualquer citar do nome de Joshua dentro daquela república sempre causava momentos como o de agora. Mas Caine, amigo, tocou-lhe o ombro apertando:

— Como compreender o coração de um homem? — Indagou.

— Só conhece o parceiro quem convive com ele. Pra ser bem sincero, todos nós aqui estamos com pessoas que jamais nos imaginaríamos juntos. Com exceção de Caine que já gostava do Danion. — Ian ergueu a voz. — Basta olhar para Connor e, em defesa dele, digo que ele apenas obedece fielmente aos seus líderes, como aconteceu no momento em que ele bateu em Colin. Sim, ele me explicou o ocorrido e interpretou o recado de Sean de outra forma, mas isso se dava ao fato de Adrian ter iniciado as agressões, confere? — Ian finalmente entrou nesse assunto com Colin e seus olhos foram em direção ao garoto. Até sua postura mudou diante da defesa.

— Sim. — Respondeu o amigo. — Adrian iniciou as agressões. Lembro-me de ouvir Connor falar algo, só não sei exatamente o quê.

— “Tem certeza?” Foi isso que ele disse. Connor é bobo e apenas seguiu uma ordem, sem sequer medir as consequências. Connor tem pais amáveis, gente. E os dois são tão bobos quanto ele, o que justifica seu jeito, mas reconhecemos o coração grande que ele tem. Por isso fiquei extremamente magoado quando o Rickson negou comida a ele, visto que Connor se esforçava ao máximo para ter a amizade de todos na casa. — Ian emocionou-se, não que necessariamente precisasse de lágrimas para comprovar isso, mas o corpo vibrava.

— Isso que é amor, hein. — Leo olhou para o colega de longa data e ficou tão bobo quanto Connor, apenas por ouvir de sua boca as belas palavras em defesa do seu namorado.

— Sim, é realmente amor. E mesmo que ele seja tachado por metade da Quadra como alguém idiota e burro. — Olhou para janela, acusando os moradores da quadra — Connor é alguém altamente inteligente quando se trata de jogos, por quê? Porque é essa a área de seu interesse, além de ser bom com números, mesmo que não pareça. E até quando conversamos, ele, sem perceber, fala coisas ou pergunta algo interessante. E convenhamos, canta como ninguém e toca perfeitamente bem. — Respirou fundo, sentindo ter falado tudo o que queria. — Ufa!

— Terminou? — Colin o olhou. — É, já entendemos que você o ama incondicionalmente. — Sorriu não querendo parecer grosseiro.

— Se Edgar defendeu o Joshua e o Ian o Connor, por que não posso falar do Santiago?

— Porque essa parte todos nós já sabemos, né, Leo? — Colin revirando os olhos tinha dito.

— Ai, deixa eu falar também poxa.

— Pode falar, Leo... Pode falar... Ignora o Colin. — Caine sequer olhou para o melhor amigo.

— Quando eu cheguei à Quadra, não sabia bem quem era Santiago e o que aconteceu. Sei coisas simples sobre sua saída dos leões. — Edgar sempre sendo o último a saber das coisas. Ok, esse posto era de William.

— Santiago era leonino e grande amigo do William até ser induzido pelo Sean e se tornar um Tigre. Foi uma surpresa e tanto. A relação de Santiago e William era parecida com a de Colin e Danion. — Ouviu-se um grunhido do pequeno quando Ian justificou.

— Mas Santiago não saiu por causa de Sean. — Leo já estava sorridente. — Santiago saiu por causa da sua sexualidade, onde ele não aceitava sentir desejo por um garoto. Sei que ele quase não abre a boca na presença de vocês e parece ser bem grosseiro, mas comigo é o contrário de tudo isso que vocês conhecem. Bem, vou resumir até aí porque seria um desconforto tanto para mim e Caine falar de todo o processo.

O pequeno concordou. Mesmo querendo o perdão de Santiago e estando bem com Leonard, ainda assim era algo chato de se recordar.

— Agora é a vez do Colin. — Leo o olhou.

— Ok, preciso ir! — Ia levantando-se quando foi pego por Ian e Leonard. — Ai, me deixem!

— Todos nós relatamos a nossa primeira vez e ainda falamos um pouco do nosso atual parceiro. — Leo o prendia na cama.

— Me larguem! — Gritava e se esperneava.

— Desse jeito vão achar que estamos te batendo, para de ser escandaloso, Colin! — Ian, segurando, dava-lhe sermão.

— Ok, me larga e eu conto! — Ainda gritou.

Os garotos largaram-no de imediato e Colin permaneceu na posição que estava por alguns segundos, até se sentar de forma indiana e por os travesseiros sobre as pernas.

— Sendo Joshua um rival da república, Sean foi sem sombra de duvidas alguém que mais nos causou problemas... Por anos, não é verdade? — Ian olhou para Leonard, veterano. — Cada um aqui sofreu maus bocados na mão dele. Até recordo-me de suas infelizmente piadas sempre que me via na universidade.

— Vocês querem saber da minha primeira vez ou do Sean? — Colin fez a pergunta ainda querendo fugir dali.

— Mas sua primeira vez foi com Sean. — Caine abriu a boca inocentemente e recebeu um beliscão no braço — Ai! O que foi?

— Seu linguarudo! Não precisava revelar isso.

— Então quer dizer que você perdeu a virgindade com o Sean? Ele foi o único garoto na sua vida?

— Parem de me fazer essas perguntas, que saco! — Colin ainda estava irritado por Caine ter o exposto daquela forma. — Sim, a minha primeira vez foi com Sean e ele não foi o único garoto na minha vida. Ok, talvez tenha sido o primeiro... Só beijei Samuel e depois Sean...

— E o Luke? — Edgar perguntou.

— Aquilo foi num momento de ódio, ok? Não precisa me lembrar disso. Nossa, hein, que amigos vocês são!

— Como tudo isso aconteceu, Colin? Tipo, de verdade, nunca que passou pela minha cabeça esse relacionamento de vocês. Desculpa-me ter que falar isso, mas você era bem desgraçadinho ao mentir sempre para nós, ok? — Leo falava abertamente.

— É por isso que eu não gosto de falar do Sean, entendem? Por momentos assim... — Mudou de posição na cama, dessa vez esticando as pernas.

— Ok, compreendo. — Ian balançou a cabeça.

— Eu não tenho um histórico de namorados como vocês. Na verdade, nem eu e Caine temos. Sean foi meu primeiro amor, mas saibam que eu realmente o detestava nos meus primeiros dias aqui. Ainda o detesto, de verdade, há algumas atitudes dele que me tiram do sério. Quando ele abre a boca pra fazer alguma piada idiota, ou quando resolve elevar seu ego. Até mesmo quando acha que tem razão. E também quando...

— Colin?! — Ian atrapalhou o amigo e o pequeno o olhou confuso — Está bem, nós entendemos que ele ainda te irrita.

— Me desculpem, às vezes não tem como controlar. Mas como eu estava dizendo ele ainda me irrita. Só após o primeiro beijo, que aconteceu poucos dias após o desafio proposto por Danion, onde me mandou beijar o William. Juro, eu não sabia que isso ia acontecer. Ele me pegou desprevenido pra bater e, de repente, me beijou.

— Por que ele ia te bater? — Edgar perguntou.

— Ele me falou que Octavio estava mal e me culpou por isso. Depois ele me beijou e após isso mais coisas foram acontecendo entre nós dois, geralmente no banheiro da universidade. Sempre discutimos e nos beijamos, era algo ridículo, mas não tinha como não o mandar ir à merda. Já a minha primeira vez com Sean demorou a acontecer. Reconheço que qualquer garoto no meu lugar teria ido pra cama com ele após o primeiro beijo, mas eu não dei esse gostinho. Não fui fácil e ainda não sou. Eu mentia dizendo que não era virgem, mas na verdade eu era e não sabia como prosseguir com isso. — Colin olhou para a parede, constrangido — Depois que contei a verdade, acabei por me entregar. Olha, eu vou contar até aqui porque sei que o assunto não vai ficar legal se eu revelar das mentiras, por favor, já contei pra vocês da minha primeira vez e do Sean. Não quero defendê-lo, como fizeram com seus parceiros, mas também não quero que falem mal dele.

Ian conseguia colocar-se no lugar de Colin. Para tratar-se de assuntos como aquele eram necessários mais dias. Era realmente difícil admitir para os amigos as mentiras que inventava só para se encontrar com alguém que dizia odiar por aí.

— E você deu pra ele, né? — Leo perguntou sem pestanejar. Estava realmente curioso. Poderia ficar surpreso se Sean fosse versátil, já que o via como um homem somente ativo.

— Leo! — Colin o olhou incrédulo.

— O que foi? Todo mundo aqui falou que deu, por que você não?

— E é assim a abordagem? Que horror! — Tinha se levantado.

— Ah, Colin... Sem esse mi-mi-mi todo. Todos nós necessitamos do enema. — Leo era mesmo um garoto engraçado quando se tratava de sexo. Ele nunca viu problema nisso.

— No meu caso eu preciso fazer todo o processo antes de me relacionar. Há quem tem a sorte de nascer “limpo”. — Fez aspas no ar.

— Que é o meu caso. — Leonard gargalhou.

Caine jamais iria participar daquele assunto sobre a limpeza.

— E vocês? Fazem tudo direitinho antes de transarem? — Perguntou o mais ousado entre todos eles.

— Ai, Leonard, olha as perguntas que você nos faz. — Colin cada vez irritado.

— O que tem demais nisso? Aposto que o Edgar não é tão chato como você e Caine. Costuma se limpar antes do ato, Ed?

O loirinho ficou quieto.

— Ah, vão pra merda vocês com essas frescuras. Nascem passivos e ficam de frescura. Agora me responda, é grande?

— Porra, Leo! — Colin já estava na porta, prestes a sair.

— O que? O que custa perguntar isso? Danion sai espalhando que tem 18 centímetros desde que ele se tornou leonino.

— Leo! — Caine, corado, levantou a voz.

— Ok, ok, ok! Retiro o que disse, se isso constrange vocês eu vou me calar.

Edgar ficou em silêncio e quieto, lembrava-se de como se sentia após o sexo com Joshua, inclusive agora, um dia após o ato realizado. Era difícil ter que disfarçar o desconforto, mas conseguia. Ainda precisava se adaptar, afinal, ele não era nada pequeno.

Caine puxou seu caderno para perto de si a medida que via os amigos se afastando.

— Ei, Colin, o Sean é grande? — Leo perguntou pra provocar, apenas querendo irritá-lo.

De pé, o pequeno mostrou-lhe o dedo do meu e se tivesse algum objeto por perto, ele certamente faria daquilo uma arma.

Edgar, também saindo do quarto, começou a sorrir da posição que Colin havia tomado.

— Deixa o coitado, Leo. — Ian, sorridente, tentava acalmar a situação.

— Ok, vou lá na cozinha falar pra todos que Sean tem pinto pequeno.

— Desgraçado! — Colin o insultou — Vai se foder, Leonard.

— Pequeno não, pênis infantil. É assim que irei falar por aí. Talvez eu deva começar a espalhar para os alunos do meu curso. — Leo passou por ele e recebeu um belo tapa nas costas, encolhendo, mas ainda gargalhando.

— Se você fizer isso eu juro que te mato, babaca! — Ameaçou após Edgar e Ian passarem por ele.

— É possível ver com lupa, Colin? Olha, acho que você ainda é virgem, porque se for tão pequeno como eu imagino, acredito que não teve penetração, apenas uma rala e rela gostoso.

Ian acabou-se na gargalhada e Edgar também não se conteve. Leonard era realmente irritante quando fazia piadas.

— 21. — Murmurou o pequeno, e suas palavras foram abafadas pela gargalhada alheia na sala.

— O que? — Leo perguntou.

— 21 centímetros, caralho! — Gritou.

Colin fechou as mãos com tanta força, fazendo assim os nós do dedo ficarem brancos. Sua cabeça parecia estar saindo fuçada. Todo mundo deveria esconder suas armas ali dentro, Colin seria capaz de matar. Ele sentiu a necessidade de defender a honra do Sean.

Saber que Sean tinha um belo dote não foi difícil, visto que o moreno um dia fez uma piada referente à capacidade do Colin em aguentá-lo, jogando-lhe uma fita métrica na sua cara e rindo cada vez mais.

— Uou! — Leo estava em choque.

Edgar voltou a ficar em silêncio e Ian arregalou os olhos em surpresa.

Colin passou por todos eles batendo pé e indo em direção à cozinha. Ou talvez pegar alguma faca e voltar atrás de Leonard para terminar o seu trabalho em esquartejá-lo.

— Nunca mais vou duvidar da força do Colin. — Leonard, cabisbaixo tinha dito, mas apenas uma atuação ridícula. Ele voltou a gargalhar com os demais.

[...]

Caine havia ficado sozinho no quarto. Pensou em voltar a estudar, visto que os amigos o atrapalharam na necessidade de conversar. Mas antes de estudar o pequeno ficou de pé e procurou por uma toalha. Encontrando-a foi para o banheiro, podendo assim tomar um bom banho, visto que ainda não tinha feito isso desde que acordou.

Retirou toda a sua roupa e a depositou no cesto. Despido, ligou o chuveiro e antes de sentir a água molhar todo o seu corpo, a testou com a mão, podendo avaliar a temperatura. Às vezes o chuveiro costumava pregar peças e a água saia mais quente que o normal.

No outro quarto, Danion tinha acabado de acordar e com uma vontade absurda de usar o banheiro, algo normal, já que costumamos acordar apertados. Os gritos na sala o acordaram minutos antes, mas ainda assim enrolou um pouco na cama até finalmente ficar de pé.

Saiu do quarto coçando seus olhos e entrou no do namorado, já tinha liberdade de usar o banheiro daquele cômodo. Tomou essa autoridade desde que tomou a república para si.

Coçando o seu pênis por fora da bermuda, Danion o retirou para fora e, ereto, foi obrigado a sentar-se no vaso, facilitando o processo.

Caine só havia notado que alguém entrou no banheiro quando ouviu o barulho da tampa do vaso ser erguida e, assustado, se virou, encontrando o namorado sentado, de cabeça baixa e olhos fechados.

— Dan, você, você...

— Não estou cagando. — Respondeu, grosseiro, com o típico mau humor de quem acaba de acordar.

— E o que faz aí sentado?

— Estou mijando, facilitando as coisas. Nunca acordou de pau duro, porra? E da próxima vez eu vou expulsar o Colin dessa república. Acordei com os gritos de mocinha que ele dava na sala.

Seu namorado ficou em silêncio e preferiu assim. Terminando de urinar, Danion ficou de pé e foi até a pia lavar seu rosto e respectivamente escovou os dentes. Ele olhou para Caine, tendo a visão embaçada pelo vidro do box.

— Ei, Caine, tem mais alguém no quarto? — Perguntou, mesmo não vendo ninguém, queria ter a garantia do namorado.

— Não sei, Dan. Eles saíram e foram pra sala.

—Hm, bom saber.

Ele não pediu permissão para abrir o box e se encostar na parede, vendo então o namorado despido logo a sua frente. Caine estava constrangido, como de costume, mas diferente da última vez ele não escondeu suas partes íntimas. Apenas ficou olhando para o branquelo que o avaliava dos pés a cabeça, enquanto a água caia em sua cabeça.

— Quero te ver de costas. — Pediu.

— Pra que? — Indagou, confuso.

— Pra me masturbar quando lembrar dessa sua bunda.

— Dan!

— Quê? É verdade, oras. É lisinha e durinha. Toda minha, que mal tem em olhar para ela logo pela manhã enquanto toma banho? Se já estamos aqui, deveríamos aproveitar.

O rosto de Caine parecia ficar vermelho como um tomate. Seu namorado era sempre assim e ainda não havia acostumado com Danion dessa forma.

Danion voltou para a porta do banheiro e a fechou, verificou por duas vezes até ver se ela estava realmente trancada. O branquelo tirou seu short, cueca e camisa, jogando as peças sobre o vaso sanitário.

Juntou-se a Caine no banho, em silêncio. Mas o pequeno recuava alguns passos sempre que ele se aproximava.

Danion levou os dedos aos fios de cabelo do namorado, esfregando-os. Depois puxou o sabonete e passou a ensaboar os ombros do namorado que permanecia em seu lugar. Pondo o sabonete de volta ao lugar. Danion levou uma mão ao queixo de Caine e com dois dedos pressionou as bochechas do namorado, formando um bico. Seus lábios foram aos do namorado que aceitou aquele beijo e caloroso sem falar nada.

Desfeito o beijo, Danion o olhou com desejo.

— Dan... — Murmurou o pequeno ao sentir o membro ereto do namorado tocar-lhe o seu, também ereto devido ao beijo.

— Sim? — Respondeu em murmúrio tocando-lhe mais e mais.

— Não me agrada o fato de você espalhar por aí sobre o tamanho do seu... Do seu... Ah, você sabe. — O pequeno coçou a cabeça e fechou um dos olhos, constrangido.

— Mas ele é todo seu, Caine.

— De qualquer forma, estava conversando com os garotos e todos eles já sabiam disso.

— E por que diabos o tamanho do meu pau entrou nessa conversa?

Sem saber o que responder, Caine abaixou sua cabeça.

— Por acaso falavam de sexo?

— N-não! Quer dizer... Sim. — Levou seus olhos aos do namorado. — Perguntaram sobre a minha primeira vez e eu respondi.

— Ela quase aconteceu nesse banheiro aqui. — Danion sorriu e olhou ao redor.

Caine lembrou-se novamente daquele dia.

— Acho que finalmente isso vai acontecer. — Danion o olhou e Caine, ruborizado, tentava deslizar o olhar. — Você quer?

Caine moveu sua cabeça: sim.

O pequeno Caine não precisou falar muita coisa para interpretar toda a situação em que se encontrava. Danion queria sexo. E, após a conversa minutos antes, não podia negar que estava com desejos também. Principalmente ao ouvir os relatos de Edgar e Leonard.

O pequeno desceu seus olhos ao membro do namorado por alguns segundos até perder-se novamente nos olhos de Danion. O branquelo remexeu os dedos e Caine virou-se, encostando-se a parede e afastando as pernas.

Teve uma grande surpresa ao perceber que seu namorado estava de joelhos, tocando-lhe o membro enquanto mordiscava sua nádega. O pequeno contraiu seu corpo um pouco mais a cada mordida até notar que Danion afastou ambas as nádegas e, como se estivesse faminto, levou sua boca por entre eles.

A língua ferozmente e agitava despertava em Caine arrepios inéditos. Ele não conseguia abafar seu gemido, alguns escapavam e escoava pelo banheiro e, se alguém estivesse lá fora, provavelmente escutaria. Caine tinha voz mansa e seus gemidos não eram diferentes.

Danion parou o que fazia para morder uma das nádegas e assim fazer Caine respirar melhor, já que perdia o fôlego naquele prazer proporcionado pelo namorado. A água molhava ambos e até mesmo facilitava no processo.

A mesma língua voltou à região que estava e Caine levou suas duas mãos para a costa, tocando assim a cabeça do namorado, querendo que ele não parasse de fazer aquilo e até mesmo seria capaz de afogar seu rosto ali.

As mãos agora estavam encostadas a parede, tentando de alguma forma arranhá-las. Mas Caine teve seu corpo virado de supetão pelo branquelo. Danion tocou o membro de Caine e o masturbou levemente, depois o umedeceu com sua saliva ao colocá-lo na boca. Caine preferia a outra opção, mas o que Danion fazia não deixava de ser prazerosa, além disso não acontecer com frequência, visto que geralmente estava no lugar do namorado. Mas as coisas às vezes precisavam mudar.

Danion então tornou a ficar de pé e molhou-se ainda mais no chuveiro, puxando Caine para si e beijando-o, sentindo seu próprio gosto.

— Está nervoso? — Danion perguntou ao sentir o corpo do namorado tremer.

— Um p-pouco... E se Colin aparecer? E se alguém aparecer?

— Foda-se, eu não vou abrir aquela porta nem fodendo. Se bem que...

— Para, Dan... — Pediu num muxoxo. Era constrangedor.

Danion sorriu ao ouvir aquilo. Ele amava aquele ar inocente que seu namorado tinha. Levou seus lábios ao ouvido do namorado e disse:

— Agora eu quero que se masturbe para mim.

— Dan...

— Por favor, faça isso pelo seu namorado.

Caine engoliu em seco e o olhou. Danion dessa vez tinha um olhar confiante. Nada mais agradava de observar as expressões de prazer de Caine e, uma vez já tendo visto, não podia deixar de perder uma nova oportunidade, deixando-o se masturbar sozinho.

Caine se afastou um pouco e voltou a encostar-se na parede. Olhou para o namorado até finalmente tocar em seu próprio pênis e, delicadamente, começar a mover suas mãos. Caine fechou seus olhos e mordeu os lábios buscando rápido o prazer e também querendo excitar o namorado.

Masturbando-se, Caine deixava escapar novos gemidos e cada vez mais espalmava uma mão na parede, ainda de olhos fechados. Ele teria chegado ao ápice se seu namorado não o interrompesse com um beijo.

Danion o girou de supetão e afastou sem delicadeza as suas pernas, quase o fazendo escorregar dentro daquele box. Danion com um dedo procurou o caminho entre as nádegas do namorado e segurou com uma mão o seu pênis, com a própria glande ele roçou a entrada de Caine que gemia só com aquele atrito.

O penetrou sem tanta delicadeza, apesar de tomar um pouco de cuidado.

Caine por pouco não gritou, mas fixou as mãos na perna do namorado, interrompendo-o. Sentiu dor e desconforto, principalmente após o namorado invadi-lo daquela forma.

Ele olhou para trás com o rosto já vermelho e os olhos úmidos. Danion tomou-lhe os lábios e movimentou-se dentro dele. Caine respirou forte ainda recebendo o beijo. Depois recebeu um novo movimento dentro de si e esse já era prazeroso demais. Seu corpo já havia se acostumado com o pênis do namorado, devido às vezes em que já transaram e costumava ser menos sofrido.

Danion cravou uma de suas mãos nos cabelos do namorado e puxou um tanto rude, fazendo-o arquear a cabeça e costas, tomando-lhe o pescoço e mordendo. Danion o penetrava mais e mais vezes, sempre vendo a água cair por entre as nádegas do namorado e molhar o seu membro.

Caine gemia baixinho, mas ainda assim descontroladamente. A adrenalina misturada ao prazer era o ápice para o pequeno. Talvez, estivesse descobrindo um de seus fetiches e não percebeu isso.

Danion o penetrava cada vez mais forte e sem pausas, fazendo assim transmitir o som dos corpos se chocando. Não tinham como mudar para uma nova posição devido ao espaço apertado, mas nenhum deles reclamava daquilo.

Caine gemeu alto e Danion levou seus olhos ao chão vendo o liquido do namorado misturar-se a água que ia embora. O pequeno já havia tido sua primeira ejaculação sem sequer se masturbar por incrível prazer que sentia.

Danion parou de penetrá-lo rapidamente e o beijou, seus movimentos tornaram-se leves mais uma vez e ele amava observar seu pênis entrar e sair no namorado; que já estava de cabeça baixa e com os braços apoiado a parede novamente.

Naqueles movimentos leves, porém gostosos, Danion saiu de dentro do namorado e o forçou a se ajoelhar. Todo o líquido foi despejado no peito de Caine que estava de olhos fechados apenas ouvindo os gemidos do namorado.

Depois disso, Danion encostou-se na parede e foi deslizando até cair de bunda no chão. Ele olhou para Caine ajoelhado, lavando o seu corpo e mandando embora toda a sujeira que fizeram.

Sorriu cansado, mas um sorriso de alguém que ama cada dia mais o seu primeiro amor: Caine.

O pequeno sentou-se por entre suas pernas e deixou com que as águas do chuveiro os banhassem.

— Se por ventura faltar água na casa hoje, espero que não descubram por que. — Caine disse baixinho, repousando sua cabeça na curva do pescoço de Danion.

— Quem paga sou eu, foda-se. O que fiz aqui foi incrível.

E tocou o pênis do namorado, acariciando e ao mesmo tempo lavando-o.

[...]

Colin já estava por quase quinze minutos com os garotos na cozinha, ainda querendo matar Leonard por tamanha implicância. Sentia saudades de momentos como àquele na república, tinha que admitir. Onde todos se reuniam e conversavam sem a pressão dos problemas que viviam acontecendo com frequência.

— Cheguei! — Luke apareceu na porta com uma sacola plástica.

— Trouxe o que eu pedi? — Clara perguntou.

— Depois de enfrentar quase dez minutos de fila é claro que trouxe. — Ele pôs a sacola sobre a mesa e assim revelando duas garrafas de bebida alcoólica. — E ainda quero o meu dinheiro. — Olhou para a garota.

Clara puxou do bolso algumas notas e depositou no cós da calça de Luke que sorriu libidinoso com a atitude.

— Clara tá comendo o Luke? — Leonard perguntou.

— Vira essa boca pra lá! — Samuel, arisco, defendeu Luke que o olhou sorridente, entretanto não se aproximou dele.

Colin estava conversando com Ian e este sentiu um beijo na bochecha e, virando-se, encontrou Connor sorridente.

— Não me diga que você desistiu da aula?

— Não! Teve um curto circuito lá e estamos impossibilitados de usar as máquinas, ou seja, todo mundo liberado. E claro, eu gostei disso, mais tempo pra você e o videogame.

— Connor, bem que você poderia pegar o violão e tirar umas notas pra gente, não acha? — Colin pediu.

— Toda vez que canto pela casa me mandam calar a boca...

— Vai lá, Connor, eu canto com você! — Luke gritou do outro lado da cozinha.

— Por favor, se vocês tem um pouco de apreciação a audição de vocês, não queiram ouvir o Luke cantando. — Samuel, aproximando-se do moreno, falou.

— Isso porque vocês nunca ouviram a Clara cantando. — Gale até se afastou da irmã, temendo apanhar.

Depois daqueles pedidos engraçados, Connor foi correndo para o seu quarto, jogou a bolsa na cama e voltou com seu violão, sentando-se à mesa e tirando algumas notas aleatórias. Ian, é claro, ficou com os olhos brilhando com tamanho talento que seu namorado tinha.

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Colin arriscou-se pegar um copo de bebida. A última vez que bebeu foi no baile de máscaras, onde optou por encher a cara e esquecer-se de Sean.

A conversa naquele cômodo fluía. Leonard estava sempre próximo de Ian, ambos relembrando situações que ocorreram no passado e o nome de Rickson era sempre pronunciado entre eles. Gale conversava com Samuel enquanto Clara implicava com Luke. Connor não abria a boca para cantar, mas não deixava de acertar nos acordes enquanto solava com as próprias notas do violão.

William chegou minutos depois e com ele estava Octavio. O loiro estava sem camisa, vestindo apenas com uma calça de tecido fino, exibindo assim todos os seus músculos no tórax, abdômen e braços. Octavio também estava sem camisa, mas usava short e sandálias, enquanto o namorado estava descalço. Todos na cozinha soltaram gritinhos por ver o loiro naquele lugar e sem saber o que falar, William apenas sorria como um bobalhão, certamente percebendo o efeito da bebida na maioria deles.

Colin, no canto, o olhou. William retribuiu o sorriso, mas logo em seguida mandar um olhar de indagação referente ao copo de bebida que o pequeno segurava.

Danion apareceu interrompendo a conversa de olhares dos dois ao saltar na costa do rei leão que se esforçou para não cair, graças a Octavio que estabilizou o corpo do namorado. De banho tomado e corpo relaxado, o branquelo estava mais feliz do que nunca. Caine, timidamente, juntou-se a todos na cozinha, ficando ao lado de Octavio. Tanto Danion quanto Caine estavam com os cabelos molhados.

Caine também estranhou Colin bebendo, mas não desaprovou a atitude.

— Está faltando alguém aqui? — William perguntando.

— Na verdade o Luke tá de penetra, fora isso está completo. — Samuel respondeu.

— Ah, vai se foder, garoto, me deixa, hein. — Luke fechou seus olhos, irritadiço. Parecia que ambos tinham trocado de papel.

Todos gargalharam com a situação.

— Seria perfeito se o Rickson estivesse aqui. Cada um se virou da sua forma para comer hoje. — Ian pronunciou-se.

— Bem que poderiam novamente pedir pizza, não é? — Octavio — Comemos num restaurante no caminho pra cá, mas vou ser sincero: detestei a comida. Acabei deixando quase tudo no prato.

— Sério? — William o olhou. — Eu gostei.

— Pizza! Quem concorda com a ideia da pizza? — Danion ergueu a voz e levantou a voz.

O resultado foi unanime.

— Ok, o Gale liga e pede cinco pizzas. — Connor, que havia parado de tocar, mandou.

— Cinco? — Edgar, surpreso, perguntou.

— Eu diria seis pizzas, já que eu realmente estou faminto e na minha república só tem água e leite na geladeira. — Luke resolveu se pronunciar.

Samuel até se afastou dele e o olhou com desprezo.

— E por acaso aqui é restaurante pra você? — Provocou.

— Claro que é. Por que você acha que eu sempre como do melhor prato? Bife ao molho de Samuel. — Deu uma resposta na medida certa.

Clara deu um grito com aquilo e o queixo de alguns outros foi ao chão. Samuel ficou vermelho e por pouco não explodiu em raiva e constrangimento.

— Eu vou te matar! — E correu atrás de Luke.

O moreno escondeu-se atrás do Caine, que sendo o mais frágil de todos, não entendia porque foi feito de escudo.

E uma nova gritaria se iniciou.

William sabendo que aquilo não teria fim pediu por silêncio uma vez, ninguém deu ouvidos. Nem mesmo Octavio que estava focado na conversa sobre viagens com Leo e Ian. Novamente o loiro tentou silenciar a todos e foi frustrante.

— Calem a boca! — Optou por gritar. Na verdade, William rugiu. O silêncio foi imediato e absoluto. Mas o loiro então ficou constrangido com os olhares sobre si. Tossiu. — Me desculpem, mas se eu não gritasse vocês não calariam a boca.

Ninguém ainda falou nada. Se Danion que era o líder atual não se atreveu a pronunciar uma palavra e Colin que sempre era visto como alguém difícil também nada disse, os outros certamente ficaram em silêncio.

— Danion? — William chamou pelo branquelo que apenas ergueu as sobrancelhas — Você lembra que estava me oferecendo a liderança da república?

— Não me diga que... — O branquelo sorriu de ponta à ponta.

William somente balançou a cabeça dando-lhe um sinal de positivo.

— Isso é sério? Porque se isso for verdade, espera só uns minutinhos...

E correu da cozinha deixando todos curiosos com o que ele faria. William olhava para todos em busca de alguma resposta ou até mesmo desaprovação do seu pedido. Octavio já havia conversado com ele sobre isso, visto que a responsabilidade de Danion não era tanta como a que ele tinha.

Danion não era um péssimo líder e até estava amadurecendo, todavia a carga de responsabilidade era tamanha para um ser como ele. Que geralmente costumava ter atitudes infantis e não se importava com alguns problemas internos e sequer sabia administrar as despesas na república.

William, por outro lado, sabia de tudo isso devido aos anos de experiência e admiração pelos demais membros. Mesmo que seu tempo estivesse se tornando um tanto escasso, ele ainda assim conseguia dar conta de todos ali dentro.

Danion voltou com os braços escondidos em sua costas. William estava receoso quanto ao que o loiro escondia em suas mãos, Danion costumava pregar peças em todos ali dentro e mesmo sendo William, este não fugiria disso.

Mas Danion retirou das costas uma coroa. De metal, nada valiosa. Era pintada de ouro e mesmo sem o belo sol do dia estando presente, ela reluzia apenas com a luz do cômodo. Joias falsas estavam cravadas em determinadas partes da coroa.

— Eu tinha comprado pra mim, mas bem, resolvi guardar para um momento como esse, eu juro que ia te forçar a ser líder. Foda-se, gente, mas eu já não aguentava mais tanto problema pra lidar. — O branquelo sem papas na língua falava olhando para todos.

William achou aquela atitude um tanto boba, mas adorou a ideia de receber uma coroa. Ele ajoelhou-se e pôs um braço sobre o joelho.

Danion inovou ainda mais quando entregou a coroa falsa para Caine que demorou uns segundos para saber o que fazer e, quando descobriu, a pôs sobre a cabeça do loiro que levantou-se com postura de um belo rei.

Connor, palhaço, saltou da mesa e se ajoelhou. Isso levou ao Ian se ajoelhar, depois Edgar e Leonard, que estavam próximos do balcão. Luke, Clara, Gale, próximos da mesa. Caine, Octavio, Samuel, Danion próximos da porta. E por último, muito sorridente, Colin, que estava no canto da cozinha, próximo a parede, ajoelhou-se.

Todos eles prostravam-se diante do verdadeiro rei: William, o rei leão.

— Para de viadagem, gente. — William até usou da ofensa para despertar a todos que riram ao ouvir aquilo.

Eles levantaram-se todos juntos e somente Colin foi abraçar ao William. Era apenas uma liderança de uma república e William ainda tinha a autoridade desde sempre, porém agora era algo oficial.

Connor posicionou-se com seu violão e em cheio acertou no acorde.

In the jungle, the mighty jungle

Na selva, na imensa selva

The lion sleeps tonight

O leão dorme esta noite

William ouviu a voz de Connor e sorriu, todos ali presentes também pararam pra prestar atenção na música que o garoto entoava. Era conhecida e marcou a infância de todos eles ali presentes, a música do filme rei leão.

In the jungle, the quiet jungle

Na selva, na silenciosa selva

The lion sleeps tonight

O leão dorme esta noite

Luke, nada entoado, começou a fazer os sons agudos da música:

— Wee! I-i-i-i, we a ma wey a.

Samuel, também nada entoado, completava com o:

— Auimauê, auimauê, aiumauaê... — Até uma coreografia criou ao mexer os braços.

Connor então prosseguiu:

Near the village, the peaceful village
Perto da aldeia, a pacífica aldeia
The lion sleeps tonight
O leão dorme hoje a noite

E naquele ritmo africano, todos participaram naquela música, pois eles literalmente a sabiam decorada.

[...]

Da república de onde estava, Sean conseguia ouvir os gritos vindos da república à frente. Puxou seu celular do bolso e discou o número de Colin, nenhuma resposta e isso já estava começando a incomodá-lo.

O dia já estava indo embora e a noite aproximava-se. Não era tão bom ficar naquela república sem notícias de Colin. Procurou ocupar a mente ligando para os futuros membros da república e já resolveu tudo, em dois dias sua república seria ocupada por aqueles que almejavam uma moradia.

O moreno jogou o celular sobre a cama e pensou em sair do quarto, talvez assistir um pouco de TV na sala pudesse melhorar o seu princípio de irritação.

Quando pensou em sair do quarto, ouviu o som de mensagem que seu celular havia acabado de receber. Correu e o alcançou na cama, mas o número não era o de Colin. Ainda assim recebeu uma imagem:

Demorou para conseguir saber do que se tratava. Era ele e Colton, transando, numa cama de hotel.

Junto à imagem a seguinte mensagem:

“Nesse dia você fodia comigo. Agora chegou a hora dos papeis se inverterem.”

Número desconhecido.

Sean desconsiderou a mensagem e a apagou, temendo que Colin um dia mexesse no seu celular e descobrisse a foto. Era do seu passado e isso provavelmente não teria um grande problema, entretanto como Colin detestava Colton, certamente aquela imagem causaria uma nova guerra no mundo.

[...]

William com seu namorado estava no sofá enquanto os demais ainda bebiam na cozinha. Os únicos a não ingerirem de bebida eram ele, Ian, Caine e Connor e Octavio. Os demais já estavam alterados pelo efeito da bebida e Luke se encarregou de comprar mais duas garrafas.

— Eu acho que vou dormir um pouco, estou muito cansado e se depender desses garotos, é impossível ficar em paz na sala. — Octavio, ao se levantar, falou.

— Ficarei aqui mais um pouco. Tenho que ficar de olho. Eles já estão bêbados e tudo de ruim pode acontecer.

— Não demora, você sabe que precisa descansar.

— Pode deixar. —E sorriu fechando os olhos para receber os lábios do outro nos seus.

Octavio se retirou da sala, deixando William sozinho. Mas não demorou muito para que Colin aparecesse por ali, jogando-se no sofá e abraçando-o. William, a princípio, ficou assustado, mas recebeu o abraço.

O pequeno logo ficou de pé e, ao som da música produzida por Connor na cozinha, começou a dançar. Passos incertos e desajeitados. Ele puxou William para acompanhá-lo e o loiro, sorridente e sem graça, não recusou.

— Eu sou um péssimo dançarino, Colin.

— Eu também! — Colin o olhou e rodopiou, ele quase caiu, mas William o segurou.

— Cuidado. — Murmurou o loiro olhando em seus olhos.

Colin se conteve e sorriu. De volta ao chão eles voltaram a se sentar. Colin começou a gargalhar sozinho e William sorriu cativante.

— E o que me conta, grandão? — Colin perguntou, beliscando a bochecha do loiro.

— Sou novamente o líder de vocês, estou no ápice do meu relacionamento e de fato estou tendo uma família que são vocês. Também estou recebendo resultados positivos lá no hospital. Parece que as coisas andam dando bem para mim e você?

— Ah, nada... Só tô esperando dar a hora pra sair com o Sean. —E olhou para o relógio.

— Espera, você marcou de sair com ele e tá aqui bebendo?

— Eu não estou bêbado, Will. — Fez careta — Quer dizer, só um pouquinho. — E sorriu.

— Ai, Colin, saber que você está crescendo é tão difícil. Me sinto como Sebastian se preocupando com Caine.

— Eu sou forte como o rei William, não preciso de cuidados.

— Isso não deixa de ser verdade. — O loiro afogou os dedos nos fios castanhos de Colin — Nunca o vi abaixar a cabeça pra ninguém.

— Will, um dia eu quero te levar pra Aroma. — Colin, aleatório, já entrou em um novo assunto.

— Eu vou adorar, Colin.

— É sério! — Ele retirou a mão de William de sua cabeça — Tem tanta coisa boa pra te mostrar. Lá tem uma cachoeira! E nossa, eu já pulei dela pelado. Foi muito divertido.

— Pularemos pelados, eu e você.

— Isso! Leva o Octavio também, daí pularemos os três. Ou todo mundo, quer dizer, vou levar todo mundo pra Aroma. Tem os doces do meu pai! Só não pode comer muito pra não ficar com dor de barriga.

— Ok! Juro que vou comer só uma.

William sentia-se cuidado de uma criança.

— Ei, Will, eu senti tanto a sua falta. É sério. Já estava pensando na possibilidade de contratar bandidos para que te forçassem a falar comigo.

O loiro não conseguiu esconder o sorriso.

— E para de rir! — Ainda assim não perdia o jeito arisco de ser — Eu não mandei você rir, mandei? —Fechou os olhos por uns segundos e depois os abriu.

— Ok, ok!

— Mas eu senti mesmo a sua falta.

— Também senti sua falta, Colin. Só estive cego e com raiva, deixando o rancor tomar conta de mim. Mas eu não podia fazer isso. Sei da importância que você tem em minha vida e não podia deixar isso acabar assim. Todo mundo pisa na bola um dia.

— Quando eu tinha dores de cabeça eu sempre senti sua falta. Era horrível, ok? Você é meu médico particular. E eu sou seu psicólogo particular. — O pequeno o olhava sem parar. — E da próxima vez que você parar de falar comigo, eu vou andar com uma tesoura de jardineiro e cortar o que você tem entre as pernas.

A expressão de dor, apenas por imaginar, formou-se na face de William.

— Quanta maldade, Colin.

— Recado dado, ok?

— Certo... — William olhou para cozinha e viu Caine os observando, piscou para o pequeno e voltou sua atenção ao Colin — Me dê esse copo. — E tomou a bebida para si.

William ficou de pé e voltou para a cozinha, Colin foi logo atrás dele resmungando pela atitude. Os demais ficaram sem entender o que acontecia até presenciarem William despejando a bebida do copo de Colin na pia.

— Droga, William! — Cruzou os braços.

— Sem mais bebidas pro Colin por hoje, entendidos? — Alertou a todos ali presente.

O pequeno certamente não sabia lidar com o fato de ficar bêbado. E seria capaz de permanecer bebendo, como no dia da festa onde bebia descontroladamente. Ele arrastou o pequeno Colin pelo braço novamente até a sala.

— Isso não se faz.

— Você e bebida não combinam. — Alertou o amigo, tomando o seu papel que era de direito.

— Eu não sou uma criança, sou de maior, sou responsável pelos meus atos.

— Mas eu cuido de você, então também sou responsável. Depois que continuasse bebendo, iria se encontrar como o Danion. E nós dois sabemos como ele fica quando bebe sem parar, certo?

— Aff, eu te odeio.

— Eu te amo. — William sorriu.

Colin não deu valor ao que ouviu. Cruzou os braços e deu as costas, mas foi pego pelo abraço do amigo que o lançou no sofá.

— Não acha que deve voltar e falar com o Sean? Talvez tomar um banho gelado aqui e esperar um pouco do efeito da bebida passar. Ele vai odiar sair com você assim. — Sugeriu o amigo.

— Sean só quer transar. — A sinceridade de um bêbado.

William sentiu um soco no seu estômago.

— Dei um chá de silêncio pra sexo e ele só falta matar um pra conseguir isso. Então, não sei se quero sair. Você acha que eu devo castigá-lo mais um pouco? — O olhou realmente esperando por uma resposta.

— Estamos mesmo falando sobre isso?

— Você e Octavio não transam?

— Bem, é claro que transamos. — William sentou-se ao seu lado. — Mas são intimidades minhas e dele, não devo ficar expondo-o dessa maneira. Sexo faz parte do relacionamento, isso quando há aprovação de ambas as partes.

— Mas Sean é um tarado! Ele e o Leo! Você não sabe do que eles estavam falando no quarto.

— Prefiro não saber desses detalhes. — Pediu o amigo com uma expressão um tanto enjoada.

— Você acredita que o Leo quis saber do tamanho do Sean? Ele ainda disse que ia espalhar por aí que o Sean tinha o pênis pequeno!

— Colin...

— O que foi, William? Eu já te vi nu!

O loiro levou sua mão ao rosto sentindo-se estúpido e também constrangido. Colin era pior quando bêbado. Conseguia até mesmo ser inconveniente, além de engraçado.

— Colin, vamos dançar! — Danion gritou ao se aproximar. Estava mais bêbado que o pequeno. — Eu sou o homem e você é a mulher!

— Vai tomar no cu! — Colin gritou.

Luke puxou Samuel e roubou-lhe um beijo na frente de todos. A bebida e seus efeitos. Danion, competitivo, puxou Caine e o lançou na parede, constrangido Caine ficou, mas não teve tempo de contestar ao receber um beijo do branquelo.

— Essa porra aqui virou motel agora? — Leo perguntou. — Isso não vale! Cadê o Santiago?!

E, para a sua surpresa, alguém bateu a porta. Quem atendeu foi Gale. Santiago estava ali, com algumas sacolas de papelão em mãos, provavelmente roupa.

Leonard correu do seu lugar e por pouco não derrubou o namorado, que recebeu o beijo na frente de todos, mostrando não mais se preocupar com os olhares alheios. Ele apenas tinha ido buscar Leo e era o que faria. Odiava perder tempo ali.

Ian, calmo, retirou o violão das mãos de Connor e tocou o seu queixo, beijando os seus lábios no segundo que se passou.

— É... Nós sobramos. — Clara, descontente, falava de cabeça baixa.

Gale, Colin, William, Edgar e Clara ficaram sozinhos apenas assistindo todos os beijos dos casais.

Colin ficou de pé e ignorou toda aquela cena, ele foi sozinho para o quarto e deitou-se na cama. Diante todo o caos dentro daquela república, Colin só se importava com uma coisa: dormir. E provavelmente acordar com a maldita ressaca.

William o seguiu e sentou-se ao seu lado.

— Eu imaginei que isso iria acontecer. A bebida e seus efeitos, depois que para de beber vem o sono. — Falou, baixinho.

— Ai, me deixa, cala a boca e fecha a porta.

William fez pior ao erguê-lo da cama, rapidamente recebendo xingamentos.

— Sem resmungar, Colin! — Dava-lhe sermão. — Acho que você deve explicações a uma pessoa.

O loiro passou pela porta com Colin em seus braços e depois pela sala com todos o olhando, já que o beijo foi desfeito. Encontrou Leonard e Santiago na porta, mas para o segundo não falou nada.

— Chame por um táxi, Leo. Você está bêbado. — O loiro disse ao passar pelo amigo.

Leonard apenas agarrou-se no pescoço de Santiago e nada disse.

William prosseguiu por seu caminho, fazendo algo que jamais pensou em fazer durante toda a sua vida. O loiro atravessou a rua e pisou no gramado dos Tigres e, em seguida, bateu na madeira da porta, esperando ser atendo por aquele que já foi seu maior rival. Na verdade, não deixou de ser, pois ainda há mágoas envolvidas.

— Me deixa, Will... — falou num muxoxo Colin que perdia as forças em seu braço.

— Nunca mais vou deixar você beber, isso sim.

[...]

Sean estava na sala, assistindo TV. Ele tinha pego no sono e sonhava com sua mãe, algo diferente da realidade atual que vivia. Mas teve de se despertado quando alguém abriu a porta. De pé, desligou a TV e já preparou o seu sermão para Colin caso fosse ele do outro lado. Caminhou devagar até finalmente abrir a porta e ter uma grande surpresa.

A cena remeteu-se ao passado. Onde Octavio um dia entregou Colin machucado após o espancamento nos braços de William. E agora, Colin era entregue aos braços de Sean pelo próprio William. O mundo girou.

— Que diabos aconteceu?! — Sean perguntou, assustado e furioso ao observar a porta da república a frente aberta e perceber que os membros se divertiam.

— Por que vocês dois nunca me deixam em paz? — Colin, já nos braços do Sean, resmungou. — Por acaso vivemos um triângulo amoroso?

William e Sean trocaram olhares por vários segundos ao ouvir o que Colin tinha dito. O loiro de olhos claros tentava ler o olhar do moreno de olhos escuros que também parecia procurar resposta dentro daqueles olhos. Como poderiam chegar numa situação como aquela? Os dois estavam juntos.

Foi quando William olhou para trás e viu que todos os membros de sua república assistiam aquilo. Sendo assim, rapidamente disse:

— Ele apenas bebeu e não soube lidar com a bebida. A responsabilidade fica com você a partir daqui. — Deu as costas.

Sean ficou por cerca de um minuto parado vendo William partir e entrar em sua república. Depois demorou mais um minuto observando a movimentação na república em frente até que decidiu entrar em sua república e, com Colin em seus braços, subiu as escadas até finalmente chegar ao quarto.

— Eu ainda vou sair com você. — Colin ainda não tinha apagado.

— Assim? — Irritadiço, o moreno perguntou. — Juro que minha vontade é de te jogar dessa janela abaixo.

— Me põe no chão.

Sean obedeceu. Colin ficou de pé encarando-o, apenas observando a expressão nada amorosa do seu namorado que pela primeira vez o encontrava naquele estado. Colin então sorriu, mas algo extremamente cínico. Sean fechou seus olhos e respirou fundo.

— É agora que transamos? — Colin perguntou. — Sabe, nem precisa me levar pra jantar, pode ser aqui mesmo.

— Vai se foder! — O moreno deu as costas e abriu a porta do banheiro. — É por isso que eu odeio todos esses leoninos, olha só o que fizeram com você.

— Eu bebi por minha vontade. E você perdeu a coroação do William. Foi lindo!

— E foi? Ok, você fala isso enquanto toma banho. — Sean o puxava pelo braço para o banheiro.

— Me solta, eu não quero tomar banho!

— Acha mesmo? Você tá podre! E tá fedendo a bebida, convenhamos, Colin, nem mesmo eu cheguei a esse limite.

— Bad boy desgraçado!

— Isso, me chama assim. — Sequer dava ouvidos.

— Me larga, Sean! Eu juro que vou te matar!

Sean retirou a camisa de Colin sem delicadeza, até mesmo a rasgou quando ele insistia em não retirá-la. Depois puxou as partes inferiores da veste, deixando-o apenas de cueca.

Teve uma grande surpresa ao receber um banho de vômito do namorado.

— Porra, Colin! Que nojo!

Foi obrigado a retirar sua camisa.

Sean o pegou pelo braço e colocou dentro da banheira, sem o menor pudor, levou sua mão a cueca do namorado que se remexia na água molhando todo o banheiro. Ele retirou a última veste que faltava.

— Sean eu...

Sean, brincalhão e irritado, submergiu a cabeça de Colin dentro da água. Mas rapidamente o soltou, vendo-o extremamente furioso. Colin se remexeu mais ainda e jogou água na roupa do namorado, que sequer se importava com isso.

— Desgraçado! Filho da puta, mimado, idiota, babaca. Vai tomar no cu! Morra!

— Adoro esse carinho. — Murmurou.

— Carinho é meu pau na sua boca! — Incorporou o Danion.

— Que lindo, pode prosseguir. E depois o que faria?

— Eu te odeio!

Sean, sabendo que não conseguiria dar banho em Colin por mais tempo, levantou-se e buscou no armário uma toalha. Encontrou o pequeno ainda na água, insultando. O forçou a ficar de pé e o enxugou sem se preocupar se estava ou não tocando-lhe as partes íntimas. Depois o forçou a escovar os dentes e sujou-se mais ainda.

Arrastou Colin novamente até o quarto e o fez ficar na cama. Dessa vez Colin estava em silêncio, não mais o insultando e sabendo que não poderia mais fugir, aceitou todo o cuidado do namorado.

Sean ajoelhou-se para que pudesse por uma cueca no namorado. Como tinha peças novas que nunca havia usado, veio a calhar numa boa hora. Depois buscou por um moletom verde e vestiu em seu namorado que somente o olhava furioso, querendo matá-lo.

— O que foi? Acha mesmo que eu estou errado? — Sean fez indagações ao por um braço dele dentro do moletom.

Colin não deixava de olhá-lo.

— Eu nunca mais vou deixar você beber, tá entendido? — Falou ao por o novo braço no moletom e finalmente vesti-lo.

Depois buscou por um pente fino e creme de cabelo. Pôs um pouco sobre suas mãos e esfregou, passando nos cabelos castanhos de Colin que deveria adorar todo aquele carinho, mas nada demonstrava. O moreno posicionou-se em frente ao namorado e então passou a penteá-los. Finalizou ao por perfume em Colin.

Ainda de pé enquanto Colin estava sentado de cueca, moletom e cabelos penteados, parecendo um belo rapazinho, Sean percebeu todo o estrago que Colin causou no banheiro e em sua roupa.

— Viu o que você fez comigo? — Indagou o moreno ao olhar seu corpo imundo. — Parece até que tô cuidado de uma criança, Colin. Uma das piores crianças que já vi na minha vida. Birrenta demais.

O pequeno ainda continuava a não falar nada. Sean perdeu mais uns vinte minutos cuidado de toda a limpeza do banheiro e de seu próprio corpo ao decidir também tomar um banho.

Voltou para o quarto agora enrolado a uma toalha enquanto Colin encontrava-se deitado com o cobertor até a sua cintura, novamente o encarando.

— Não vai falar nada? Vai mesmo ficar aqui com esse olhar de quem vai me matar? Eu simplesmente fico na expectativa de sair com você hoje e a noite e te recebo bêbado na minha república. Daí quando resolvo cuidar de você é dessa forma que me trata? Agora mesmo tive que limpar toda a sua sujeira no banheiro e nem sinal de gratidão eu recebo.

— Vai tomar no cu. — Disse o pequeno.

— Vai você, desgraçado. Nunca mais vou confiar em você. Eu achando que você tinha ido apenas conversar e foi encher a cara. Não me force a te proibir de ir pra aquela república.

— Como se você fosse meu pai e me limitasse a fazer as coisas. Eles são meus amigos, Sean.

— E te fizeram encher a cara.

— Foda-se! Quem se importa? Sou eu. E lá estava todo mundo bebendo e eu bebi por vontade própria.

Sean não falou mais nada. Ele apenas buscou por roupas confortáveis ao frio. Olhou para a janela e viu que já era noite. Estava tão preocupado com Colin que o tempo passou extremamente rápido.

Voltou a sua atenção para a cama e dessa vez o olhar de Colin não era amedrontador.

— O que eu faço com você, garoto? — Aproximou-se e sentou na cama, depois levou sua mão à face de Colin — Não me apronte mais uma dessas.

Colin virou o rosto, mas sabendo que estava sendo idiota, voltou ao olhar para o namorado.

— Pode se deitar aqui comigo?

O moreno o obedeceu. Colin se remexeu na cama podendo assim olhar no rosto do namorado também deitado. Colin tocou os lábios de Sean com os dedos e ficou encarando-o por um tempo.

Depois se encostou mais ao corpo dele e fechou seus olhos. Colin recebeu um beijo na testa e cafuné. O sono rapidamente chegou devido ao cansaço. O pequeno corpo de Colin foi abraçado por completo pelo abraço do namorado que o fez erguer um pouco a cabeça e roubou-lhe um beijo.

Colin resmungou, agora num muxoxo e sem grandes insultos. Beijou o pescoço de Sean e mais uma vez se encolheu, dormindo definitivamente.

Sean estava revoltado, afinal não teria a ótima noite com Colin. Se ele acordasse mais tarde, iriam conversar sobre o ocorrido. Fora isso, preferiu por não discutir com um Colin ainda bêbado, mesmo com os efeitos da bebida diminuídos.

Ele teve que permanecer na cama por longos minutos, mesmo que o sono demorasse para chegar. Mas estando com Colin em seus braços dormindo, aquilo era mais do que o suficiente. Afinal, era sua vida protegida por seu abraço. Mesmo quando essa vida fosse bem filha da puta quando queria ser.

[...]

O dia finalmente chegou. Diferente do anterior, o sol mostrava a sua beleza. Há bastante tempo isso não acontecia. Sentir calor já tinha se tornado algo raro naquela época do ano.

Octavio tinha acabado de tomar seu café da manhã e resolveu por sair da república e procurar por Colin. Há dias queria conversar com ele sobre o assunto Sean, mas tinha receios se era realmente necessário. Agora, percebendo que as coisas estavam bem, precisava alertar de Colton e seu sumiço, principalmente sobre a segurança do moreno.

Por sorte, encontrou Colin saindo da república, provavelmente tinha acabado de acordar e foi se refugiar nos leões. William havia contado que Colin estava bêbado antes de levá-lo ao Sean. O que também gerou uma longa conversa pela atitude do loiro.

— Acordou cedo? — Octavio perguntou, tentando iniciar um diálogo.

— Minha cabeça dói e eu não estou querendo ouvir insultos do Sean. — Colin sequer consegue abrir os olhos direito. Sua cabeça realmente doía.

— Será que podemos conversar?

Colin fechou um dos olhos devido à luz do sol.

— Fiz algo ontem?— Já estava esperando por algo do tipo — Espero que eu não venha a me arrepender...

— Não! — Octavio exclamou — Não foi nada disso. Apenas preciso falar com você.

— Bem, qualquer pessoa pode me roubar por um tempo. Sei que vou ter que ouvir um bocado do Sean assim que voltar pra cá. Então me leva embora daqui antes que ele acorde.

Octavio sorriu.

— É melhor que seja enquanto caminhamos. — Sugeriu.

Colin aproximou-se de Octavio e juntos seguiram caminho para fora da Quadra, em direção à universidade.

— Então? — Colin perguntou.

— Colin, há dias eu queria te contar isso, mas nós precisamos ficar mais atentos.

— Aconteceu algo, Octavio?— Colin o olhou, temeroso.

— Pode acontecer. Não notou que Colton sumiu? — Até olhou para os lados julgando ser observado.

— Eu não tenho medo dele e sei que ele não pode fazer muita coisa. Seria ele sozinho contra todos nós. Por que todos o temem? —Colin não conseguia realmente entender o porque da precaução do colega.

— Eu não o temo. — Era verdade — Só reconheço que Colton é capaz de tudo para concluir sua vingança.

— Vingança? — Parou de andar.

— É um assunto um tanto delicado e eu não consigo compreender por completo. Mas sei que seu alvo, durante toda a sua passagem na Quadra, é exclusivamente o Sean.

— Ele é apaixonado pelo Sean? —Voltou a andar.

— Não. Não creio que Colton seja capaz de se apaixonar por alguém. — Balançou a cabeça e olhou ao redor. Juntos passaram por pessoas que iam e vinham na avenida.

— O problema então seria o que? Sean consegue lidar com Colton, não consegue? Acho difícil Sean ficar em perigo.

Colin realmente não conseguia ver um Sean em perigo. Principalmente quando a ameaça era Colton. Era como ver uma formiga derrubando um humano. Na sua cabeça, isso era impossível. Além disso seu namorado já passou por coisas piores e certamente William era alguém mais perigoso e isso passou.

Porém, os jogos de Colton eram outros.

Sem que percebessem, um carro preto parou bruscamente ao lado deles e, de dentro, dois brutamontes saíram. Um deles socou Octavio que caiu no chão sem que pudesse analisar a situação em que se encontrava. O outro calou a boca de Colin e o levou para dentro do carro.

Em seguida, os dois homens voltaram para o carro e saíram rapidamente dali.

— Xeque-Mate! — Colton disse. Olhou para o pequeno se contorcia preso ao braço do homem estranho.

O rei nunca foi Sean. Para Colton, o rei, na verdade, era o Colin. E se Colin cair, o jogo de Sean acaba.

[...]

Como no dia em que Sean sofreu um acidente e Colin sentiu. O mesmo aconteceu com os papeis invertidos.

Sean acordou subitamente.

— Colin! — Murmurou o moreno.

Notas finais
Atenção aos leitures: Uzumaki Akise e Hiromi, só falta responder os comentários de vocês dois e farei isso em breve, não se preocupem. Quanto aos demais, espero que gostem do capítulo. Grande, não? HAHA. 15k de palavras. É isso. Beijinhos. Links: http://ask.fm/thomasnyah Trailer de outono: https://www.youtube.com/watch?v=J9wVUdZoQAU Amo vocês!