Notas iniciais
Coroa de vidro.

Quando os olhos finalmente captaram toda a cena, Octavio colocou-se de pé. Na tentativa desesperada e, também, falha de pedir por ajuda e entrar no carro que sequestrou Colin, ele quase se jogou na frente de um táxi, conseguindo chamar a atenção do motorista ao entrar gritando:

— Siga aquele carro! — Ordenou sem sequer por o cinto de seguranças.

O taxista somente obedeceu. Fazia o seu trabalho, afinal, ganharia alguns trocados ao final disso. Somente imaginou que Octavio estivesse desesperado para entregar algo ou algum recado para alguém, nunca lhe passaria por sua cabeça que se tratava de um sequestro.

— Por favor, pode ir mais rápido?! — Octavio suplicava e o homem até se assustou. — Eles pegaram o meu amigo!

Foi então que o homem com anos de carreira e experiência no trânsito pisou no acelerador sem se preocupar com as prováveis multas. Perceber em Octavio desespero foi mais do que o suficiente para que fizesse isso.

O motorista do carro que sequestrou Colin havia notado que estava sendo seguido pelo táxi ao pegar o retorno e logo em seguida entrar na mesma direção que entrou, subindo até mesmo o viaduto. E a partir daí ele acelerou mais.

Uma chuvarada de buzinas ecoava naquela avenida caótica, carros sem cessar iam e vinham a todo o momento, enquanto o taxista evitava acidentes. Octavio não desviava os olhos do carro preto, sempre prestando nele.

Estava tão desesperado que até esqueceu-se de ligar para o namorado e avisar do ocorrido.

Dois sinais vermelhos ultrapassados e alguns xingamentos de quem não entendia nada do que acontecia.

Já haviam passado da torre onde Caine e Danion um dia já tiveram, muito distante da Quadra Nove.

A perseguição seguiu na avenida em linha reta e o taxista não retirava o pé do acelerador. Um novo sinal de transito encontrava-se logo à frente. O carro preto também havia notado que ele já estava se fechando, mas não temeu, apenas acelerou mais e entrou à direita.

— Cuidado! — Octavio gritou ao avistar carros e carros seguirem seu caminho na faixa que o carro em que Colin estava entrou.

O taxista freou bruscamente o carro, evitando um trágico acidente Atrás os outros carros buzinavam diante àquela atitude. Com o sinal fechado impedindo-os de prosseguir, Octavio desceu do táxi e ainda correu até a esquina tentando encontrar o carro preto, mas apenas viu-se perdido entre cafeterias, lanchonetes, lojas e vários prédios. Inclusive, já esteve na cafeteria da esquina em que se encontrava, ainda quando era amigo de Sean.

Octavio então puxou seu celular do bolso pronto para avisar ao namorado o que havia acontecido.

[...]

Sean ainda estava em sua cama, sentando. Ele até duvidou de que teve algum pesadelo para acordar daquela forma, mas não conseguia recordar de algo. Levantou-se, lavou seu rosto e vestiu algumas roupas, depois desceu descalço na esperança de encontrar Colin em sua república, mas nenhum sinal dele, até nos banheiros optou por procurá-lo.

Ficou por minutos parado em frente à janela na tentativa de encontrar o namorado na república à frente, mas ninguém parecia sair de lá. Contudo, puxou o celular do bolso e discou o numero do namorado — já decorado. Estava desligado e com o sentimento de frustração, Sean lançou o aparelho contra o sofá.

Seu coração apertava. Embora sua vontade fosse ir à república de William e perguntar por Colin, sabia que para evitar grandes problemas era melhor permanecer na sua. Colin iria aparecer a qualquer momento. Ele não queria se preocupar mais. Não deveria. Era apenas coisa de sua cabeça.

“Calma, Sean” Pensou.

Nos trinta minutos de angústia, Sean viu quando um táxi estacionou em frente à república leonina e de lá Octavio saiu. Nesse mesmo momento a porta daquela casa foi aberta e de lá William saiu ao encontro do namorado, desesperado, os demais também se juntaram.

A movimentação dos leoninos era suspeita e Sean a cada segundo ficava mais apreensivo, nervoso. Da janela da sala tentava ler os lábios de todos que pareciam falar ao mesmo tempo, mas falhava em todas as oportunidades que tinha. Escondido sobre as cortinas, o moreno olhou novamente para seu celular e discou o numero de Colin mais uma vez.

“Por que ele não saiu de lá?” Se perguntava.

Sua república recebeu olhares e isso foi o suficiente para que tomasse a coragem de abrir a porta, jogar o celular novamente no sofá e sair de sua república, colocando-se no seu gramado e gritar:

— Onde está o Colin?

Um tigre contra leões.

Mas quando esperou por alguma piada ou grosseria, Octavio afastou-se dos demais e foi ao seu encontro. Dali, Sean já sabia que algo havia acontecido. Não precisava ser a pessoa mais inteligente do mundo para perceber. Ainda mais diante do olhar de preocupação que o ex-amigo mandava-lhe. Octavio estava com a mesma expressão da época em que eram amigos, quando o Sean triste buscou por ajuda e recebeu aquele olhar de “vai ficar tudo bem”.

Porém, de uma coisa tinha certeza, sua ligação com Colin era absurdamente real.

— Aconteceu alguma coisa, Octavio? — Sean perguntou, com voz trêmula.

Octavio ainda estava nervoso e tremendo. Sua expressão não facilitava a situação em que Sean se encontrava.

— Colton o pegou. — Soltou.

— Você só pode estar brincando comigo. — Tentou não acreditar no que ouvia.

— Sean, e-eu estava com o Colin conversando justamente sobre o sumiço de Colton e de repente um c-carro preto... — Sequer conseguia pronunciar as palavras corretamente. Octavio estava nervoso demais para avisar ao Sean, principalmente após ver o moreno levar sua mão à testa e fechar os olhos, respirando fundo.

William então surgiu atrás do namorado, considerando sua presença importante ali.

— Colton armou pra cima de nós novamente e, dessa vez, sequestrou o Colin. Não sabemos exatamente qual o objetivo dele com isso, mas precisamos de alguma forma saber para onde foram. — Falou o loiro, tomando as palavras do namorado, já que este se encontrava nervoso demais para dar explicações.

Sean não esperou por mais palavras, correu para sua república e buscou novamente pelo celular. Ao alcançá-lo, imediatamente discou o número de Colin enquanto caminhava de um lado para o outro. Em todas as suas tentativas recebia a mensagem de que o celular do seu namorado encontrava-se desligado. O moreno, furioso, arremessou o aparelho contra a parede, fazendo partes do objeto se espalharem. Ele quebrou o próprio celular.

Sem que percebesse, William e Octavio entraram na sala da república dos Tigres. Não havia porque se preocupar com isso. Colin estava em risco nesse momento. O loiro sentia-se estranho, mas mandou seus pensamentos para longe.

Sean andava de um lado para o outro enquanto Octavio não sabia o que falar, apenas sentou-se no sofá e abaixou a cabeça, fitando o chão. William também tentava discar o numero de Colin do seu celular, mas como já previa, ninguém atenderia.

— E então? O que vamos fazer? — Danion perguntou ao também entrar na república dos Tigres.

Aos poucos, leoninos e águias juntavam-se na república que por todo um longo período detestaram. E para isso foi necessário o sumiço de alguém, daquele que estava interligado com as três maiores repúblicas da Quadra Nove: Colin Lewis Manson.

— Chamar a polícia, é lógico! — Ian, o mais sensato.

— Talvez Colton queira nos dar um susto. — Samuel, preocupado, pronunciou-se.

— Já chega dessa regra de que polícia não pode se envolver nesses problemas. Sabe-se lá o que Colton pode fazer com o Colin. — Ian, bradou. Connor segurou em sua mão.

— E-eu sei, Ian, só estou tentando nos manter calmo. — Explicou-se Samuel. Luke tocou-lhe o ombro.

— E iremos ficar todos aqui parados? Não acho que Colton esteja de brincadeira. Ele sumiu por alguns dias e quando volta resolve fazer isso? Certamente já estava observando Colin há algum tempo para que concluísse o plano dele. — Edgar também resolveu abrir a boca, triste, mas firme.

— Se eu pegar esse Colton eu juro que vou arrancar sua orelha com o dente! — Clara, sentada no sofá, falou. Ela não se importava de abusar da mordomia daquela república.

— Se vocês não forem chamar a polícia, deixa que eu mesmo faço isso. — Ian puxou seu celular do bolso.

— Calma, Ian! — Connor segurou a mão do amigo. — Talvez ele realmente queira nos assustar.

Caine estava abraçado ao Danion e não conseguia falar nada, mas puxou seu celular para discar o número do irmão e relatar o que havia ocorrido. Os demais ainda tentavam amenizar uns aos outros.

Ninguém parava de falar um minuto, principalmente Danion e Octavio que tentavam criar teorias para saber do paradeiro do garoto.

— Harry estava com ele? — Sean perguntou.

— Eu não o vi. Somente dois caras fortes. Um deles me bateu.

— Porra, Octavio, como você deixou isso acontecer? — Sean exaltou-se.

— Sean! — William retribuiu com seu rugido.

— O que? — Sean também gritou encarando-o.

— Octavio não tem culpa do que aconteceu. — O loiro o fuzilou.

— Calma, gente! Não vamos discutir num momento como esse. — Gale tentou apaziguar o lugar.

Leão contra Tigre. Marcas do passado.

— Foi exatamente assim que me senti no dia em que vocês o pegaram! Agora estamos passando por isso mais uma vez. — William jogou as palavras na cara de Sean.

— Vai tomar no cu, William! — O moreno por pouco não o socou ao xingá-l, logo deu as costas, ignorando-o.

Os ânimos estavam sendo alterados e, mesmo tentando ficar em paz, Sean e William ainda carregavam marcas da velha rivalidade. O moreno agora buscou pelo telefone residencial e o retirou, novamente discando o número de Colin. Frustrado, quase quebrou esse aparelho, mas se conteve e o devolveu ao lugar.

William foi até a porta da república e tentava olhava a movimentação ali.

— Tem certeza de que não viu se o Harry estava com eles? — Perguntou mais uma vez o moreno. Octavio negou com a cabeça.

Nesse momento Sean atravessou a todos aos empurrões e não poupou William disso. Saiu de sua república a passos acelerados até onde Harry morava. Ele apenas bateu na porta uma única vez e quando ia ser atendido, empurrou, também, a porta daquele lugar, derrubando um garoto que nunca havia visto. Certamente, calouro.

— Onde caralho o Harry está? — Gritou, os olhos fumegavam.

— Sean! — William mais uma vez gritou atrás dele.

— Se vocês não me falarem onde Harry está eu juro que vou silenciá-los para sempre! — Ameaçou ao garoto caído.

Havia apenas três membros naquela república, uma garota, inclusive.

— N-nós não o virmos mais desde que ele s-se tornou um tigre. — O baixinho respondeu.

Os outros dois ficaram calados, atrás do sofá, temendo tomar uma surra. Estavam tão assustados com a forma em que a república foi invadida e, ainda por encontrar Sean e William.

Sean não ouviu mais respostas dos três e deu as costas, passando novamente pelos leoninos e voltando para a sua república, dessa vez ficando no gramado. O sol já castigava, mas ele não se importava com isso.

Levou suas duas mãos aos fios negros, descabelando-se. Andava em círculos e socou a parede por tanta raiva.

— Sean, você precisa se acalmar! — Octavio, esquecendo-se do seu orgulho, tocou-lhe o ombro enquanto ele estava de costas.

— Me acalmar de que forma? — O moreno se virou com os olhos úmidos, apavorando-se cada vez mais.

— E-eu não sei! — Octavio o olhava sempre. — Se o maldito sinal vermelho não tivesse fechado, talvez eu soubesse o lugar que ele está agora.

— Onde foi o último lugar que você o viu? — Danion perguntou.

— Nunca soube o nome daquele lugar, mas é pra lá da torre. — Octavio voltou sua atenção ao Sean. — V-você se lembra daquela cafeteria que um dia estivemos? Eu, você e sua mãe.

Sean não respondeu.

— Porra! Caralho hein, nem o nome do lugar você sabe, Octavio. Eu vou chamar a polícia. É o meu amigo que está nas mãos daquele filho da puta! — Danion já estava puxando o seu celular e desesperando-se como Ian.

Foi nesse momento em que como uma bala disparada de uma arma, Sean correu para dentro da sua república e de lá voltou com as chaves do carro, aproximando-se do veículo. Danion até esqueceu de que faria a ligação.

— Aonde você vai? — Octavio perguntou.

— Atrás do Colin!

— C-como assim? — Caine, gaguejou.

— Não devo explicações a vocês, é o meu namorado nas mãos daquele desgraçado.

— Vai se foder, Sean — Danion colocou-se a frente do seu carro — Não sairei daqui até que fale o que sabe. — O branquelo realmente estava nervoso, talvez, um pouco mais que a maioria ali pelo fato de Sean ser grosso com Caine.

O moreno esfregou o nariz com a palma da mão e fechou os olhos segurando-se para não socar Danion. Isso aconteceria, de verdade, mas não podia perder tempo criando uma nova confusão.

— Está no prédio onde Melissa se suicidou. — Revelou.

— Quem é Melissa? — Gale indagou.

Calouros da geração de Colin certamente não saberiam quem é Melissa. Era uma estudante de odontologia que no passado já foi colega de turma do Sean. Ela cometeu suicídio há dois anos e, desde então, o prédio nunca foi bem visto pelos estudantes. Mas há quem arrisca a viver naquele lugar e desconsidera a lenda de que o fantasma da garota vaga por lá, mas por anos ninguém se atreve a morar no apartamento de número 6 que fica no último andar.

— Eu não tenho tempo para explicações. — Retrucou o moreno.

— E como você tem certeza de que Colton está lá? — Ian perguntou.

— Porque é o castelo do Colton. — Edgar calou a todos ao falar.

Sean o olhou por segundos querendo saber como ele sabia desse detalhe. Mas então se lembrou de que eles já foram amigos no passado.

O moreno entrou no carro e preparou-se para por o cinto. Só não esperou que a porta do banco de passageiro fosse aberta e por ela William entrasse no carro.

— O que pensa que está fazendo? — O olhou.

— É o meu melhor amigo. — William pôs o cinto.

— É o meu namorado e se ele se encontra em problemas, deixa que eu resolvo isso.

— Se você sabe onde Colin se encontra, não temos porque discutir. Agora cala a porra dessa boca e mete o pé daqui. Ou você acha que consegue dar conta de tudo se Colin realmente se encontrar em perigo?

— William? — Danion gritou do lado de fora do carro.

— Voltem pra república e não saiam de lá! É uma ordem! — William gritou.

Se ainda ia dar ordens, Sean não deixou. O carro do moreno cantou pneu ao sair dali.

Todos ficaram apreensivos naquele lugar. Luke notou que segundos depois um novo carro estacionou em frente a sua república e imediatamente virou-se para Samuel.

— Eu preciso ir, vai ficar bem? —O moreno sussurrou para o loiro.

— Ir num momento como esses? — Literalmente implorou pela presença dele.

— Olha só, você tem vários amigos... — Olhou ao redor — E pelo visto vão conseguir trazer o Colin pra cá. É que o Noah voltou pra república e eu preciso ir lá saber como estão as coisas.

— O Noah voltou? — Samuel assustou-se mais.

— Felizmente sim. É meu primo, apesar de tudo. Como sei que ele e Joshua ainda não se dão bem após o ocorrido, irei lá dar uma força, minha tia nos avisou ontem e preferi não falar nada pra ninguém. Não é tão divertido lembrar-se daquele dia.

— Eu vou ficar bem... — Samuel o olhou. Luke contraiu os lábios querendo acreditar naquelas palavras.

— Qualquer coisa sabe onde me procurar. Só preciso distrair o Noah por algum tempo e com Caleb lá isso não vai ser uma tarefa difícil. Tentarei dar uma escapada, tudo bem?

Samuel assentiu.

Luke segurou as mãos do loiro, depois tocou-lhe a nuca e uniu os seus lábios por 3 segundos, sequer percebendo a atitude que tomou. E então saiu da república dos Tigres indo diretamente ao encontro do seu primo que já descia do carro.

A preocupação dos leoninos era tão grande que eles não se importaram com a chegada de Noah mais uma vez.

[início do flashback]

Apenas as luzes fracas dos três abajures iluminavam os corpos suados dos dois que transavam sobre lençóis. Lançando-se para o lado, desfazendo-se da camisinha, Sean tinha chego ao ápice e respirava de maneira forte e profunda. Colton sorria enquanto deitava seu corpo sobre o dele na tentativa alcançar a mão estirada do moreno.

— Isso foi bom... — Colton falou, ofegante.

— Pra uma primeira vez com você, até que foi bom demais. — Sean retirou sua mão da de Colton e a levou à testa.

— Pode falar que fui o melhor na cama. Não sei com quantos você já transou, mas eu sem sombra de dúvidas fui o melhor.

— Você não é nada modesto.

— E você é? — Colton rolou para o lado e ficou de pé, nu.

Ele foi até a sala e voltou de lá com duas taças com champanhe, entregou uma para o moreno que ainda estava deitado, mas acomodou-se até que ficasse com as costas no encosto da cama.

— Viva a nós dois! — Brindaram e Colton, de pé, inclinou seu corpo para beijar Sean.

Após o beijo ele virou as costas, mostrando as nádegas para o moreno enquanto caminhava para o centro do quarto. Estava nu.

— Todo rei tem o seu castelo, Sean. — Disse acima do seu tom de voz. Girou. — Esse é o meu castelo!

Sean não deu ouvido as palavra, achava o apartamento indigno de ser chamado de castelo.

— E um dia irei tomar o castelo de alguém... — Colton murmurou, mas isso foi audível para o moreno.

— E de quem seria esse castelo? — O moreno o olhou.

— Ah... Um dia você vai saber. — E lentamente foi se aproximando da cama e ajoelhando-se, arrancando o lençol que protegia o moreno, os olhos tarados foram de encontro às ônix do, considerado por ele, rei dos Tigres.

Na manhã seguinte eles foram para uma cafeteria próxima. Mais tarde, Sean considerou o lugar ótimo e, por isso, levou sua mãe e Octavio para lá. Assim podia conversar com ela sem o clima caótico da Quadra Nove ou em cafeterias próximas de lá.

[final do flashback]

Depois de dar mais algumas voltas ainda para descobrir se estavam sendo seguido, Colton finalmente conseguiu ter o sossego que teria. Apesar de considerar divertida a perseguição, para ele, Octavio jamais teria chances, ainda que conseguisse fazer algo, Colton estava realmente disposto a disparar a arma que tinha.

Colin mordeu, chutou e não parou de se remexer sequer um minuto dentro daquele carro. Colton não falava nada mesmo quando recebia insultos da parte do outro.

— Me larga! — Colin gritou. — Seja homem, Colton, venha sozinho.

— Chegamos. — Colton finalmente falou.

— Desgraçado!

— Se você falar, gritar ou levantar suspeitar sobre o que está acontecendo, eu juro que te mato. — Colton parecia estar tranquilo enquanto assistia Colin se remexer no corpo do homem.

— Me matar? — Colin gargalhou.

Foi então que Colton realmente mostrou estar armado ao mostrar uma pistola. Encostando-a bem em sua testa, puxando o gatilho. Colin arregalou seus olhos ao contato com o objeto e definitivamente se calou, obedecendo.

Colton, sentindo-se vitorioso, saiu do carro, em seguida os dois homens e Colin.

O pequeno viu-se diante de um prédio de dois andares, contendo dois apartamentos por andar. As escadas ficavam nas laterais. Ao subir nelas, Colin percebeu que estava na sacada do primeiro andar e a porta de entrada par ficava logo ali.

— Fique aqui! — Colton ordenou para um dos capangas.

Colton foi o primeiro a entrar no apartamento. Colin teve que receber três empurrões até cair no chão e finalmente entrar no local, tendo a porta fechada logo atrás dele pelo segundo capanga.

Caído, não conseguia ter visão total das coisas naquele lugar devido às luzes apagadas. Mas assim que Colton acendeu as luzes, ele enxergou tudo.

Lugar pequeno, com uma sala, cozinha, banheiro e quarto, tudo interligado. Na sala apenas tinha um sofá de couro, cadeiras, uma mesa e cordas grossas. Não havia TV e as paredes mereciam uma pintura nova. Colin estranhou o fato de Colton ter um lugar como àquele, principalmente naquelas condições, logo ele que ostentava tanto enquanto membro da Quadra Nove.

Sobre a mesa estava um tabuleiro de xadrez com algumas peças em cima, algumas de pé... Outras caídas.

O pequeno não teve a possibilidade de visitar os outros cômodos, pôs foi posto pra sentar em uma cadeira velha enquanto Colton sentou-se no sofá, próximo ao tabuleiro de xadrez.

— O que você quer comigo? — Colin cuspiu as palavras, enojado de se encontrar naquele lugar. Mesmo que tivesse as mãos livres, sabia que seria um erro, no momento, avançar em Colton.

— Apenas conversar. — Colton mantinha a calma.

— Então fale, eu não tenho tempo, preciso voltar pra Quadra. — Colin olhou para a porta e viu um dos homens impedindo a passagem.

— O que achou do meu castelo?

— Um lixo! — Ofendeu.

— Também achei. — Mostrou-se enojado — Por isso conquistei a república dos Tigres, meu novo castelo. E lembrar que eu um dia já estive aqui com Sean e o avisei sobre isso. Ele era tão ingênuo... Nunca passou por sua cabeça que sempre estive planejando a sua queda.

— Sean esteve aqui? — Colin, surpreso, perguntou.

Colton gargalhou o mais alto que podia a ponto de arquear as costas e se contorcer no sofá. Era tudo encenação, claro.

— Coloque na sua cabeça que você veio após mim. Eu fui o primeiro da Quadra a transar com Sean e também o melhor na cama com ele.

— Que péssimo gosto ele tinha. Mas há quem um dia tem vergonha do seu passado, não é mesmo? Sean deve ter vergonha disso. Olha o fardo que ele carrega. Só de pensar que já transou com você... — Mesmo sob ameaça, Colin era Colin e suas respostas eram certeiras.

Colton até desfez o sorriso e o encarou.

— Está tentando ser engraçado?

— Estou querendo ir pra casa. — Respondeu com desdém.

— Você não vai. Entenda que eu declarei o Xeque-Mate! O jogo acabou, Colin.

— Pelo visto você é viciado em xadrez. — O pequeno olhou para o tabuleiro.

— É verdade. É um ótimo passatempo e serve pra exercitar o cérebro. Você deveria tentar, quer jogar comigo? — Colton levou seus dedos as laterais do tabuleiro.

— Não quero, obrigado. — Respondeu, arisco.

Colton voltou a sua posição e encarou Colin que estavam em silêncio sempre se remexendo na cadeira buscando por saídas.

— Você já perdeu alguém que amava muito, Colin? — Colton perguntou.

— Te responder isso vai mudar alguma coisa? Você já tentou tirar o Sean de mim, não deu certo, Colton.

— Por isso resolvi inverter os papeis. Eu quem vou te tirar dele.

— E acha que vai conseguir? — O pequeno o desafiou com os olhos.

— Bem, vejamos, considerando todas as tentativas... — Colton avaliou o tabuleiro — Seria bem difícil, mas não se eu optasse pelo assassinato.

Colin engoliu em seco e perdeu as palavras. Levou seus olhos ao tabuleiro de xadrez e tentou entendê-lo.

— Esse aqui... — Colton levou sua mão ao rei branco e ergueu a peça, abaixo dela tinha o nome do Colin — É você. Deveria ser o Sean, mas percebi que para o meu jogo ele não merece esse título, visto que tentei derrubá-lo diversas vezes. Sean é apenas um peão. — Colton soltou o rei em seu lugar e foi a um dos peões no centro do tabuleiro, mostrando também o nome do moreno.

— Isso é doentio.

— Não. É estratégia! Agora cala a boca.

Colin calou-se. Colton prosseguiu:

— Está vendo as peças negras? — Perguntou, mas não esperou por resposta. — O rei negro sou eu, ao meu lado está a rainha negra e a minha frente o bispo. — Colton ergueu o rei negro e delicadamente chocou a peça contra a que estava ao seu lado, fazendo-a cair — Essa saiu do jogo, fraca, medrosa, fugiu quando eu mais precisei. Você deve conhecê-lo, não é mesmo? — Olhou para Colin.

— Harry... — Colin murmurou.

— Exatamente. — Colton sorriu de maneira esnobe. — Harry era meus olhos e ouvidos dentro da Quadra. Reconheci que ele era uma ótima pessoa para isso, até que ele não fosse buscar por informações, há que adore espalhar uma fofoca para ele. Mas bem, hoje não me é útil, por isso está fora do jogo. — Colton agora derrubou com o rei a peça a sua frente: o bispo. — Esse nunca foi importante para mim, só entrou no meu jogo porque eu precisava de músculos contra o Sean, mas é fraco... A propósito, as coisas na Quadra devem estar um caos por causa dele...

— E quem seria? — Colin o olhou por segundos tentando entender o que ele quis dizer sobre a Quadra estar um caos por conta dessa peça.

— Ah, você vai saber. — Colton respondeu, mas sem olhá-lo nos olhos — No final, restou apenas eu. O rei!

— A peça mais frágil. — Colin conhecia o jogo.

— Porém, a mais importante. Sem ela o jogo tem fim. — Colton rebateu a ofensa. — Deveria levar isso como um elogio.

Colton o olhou por alguns segundos. Aquele olhar superior era forte e recebia destaque ao estar armado, dando arrepios em Colin. Mas o olhar do pequeno leonino era marcado pela força, garra de quem não cedia a superioridade do rival.

— Sean nunca conseguiu cair, de fato. Até mesmo quando tentei quebrar o seu coração traindo-o com garotos por aí, isso não serviu pra nada. Ele tinha a proteção do Octavio. Maldito Octavio! — Fechou o punho e lembrou-se do dia em que Octavio o desafiou — Mas então continue e o separei de Octavio. — Colton descartou um bispo branco do tabuleiro, a peça que representava o namorado de William. — Daí você chegou e não deixou com que Sean caísse...

— E não vou deixar.

— Você apenas acha. — Colton levou o dedo indicado aos seus lábios, pedindo por silêncio. — E então Noah facilitou minha vida ao tentar derrubar os leões. — Colton jogou o outro bispo fora, representando a república de leões. — Achei que com a queda dos leões você sairia da Quadra e voltaria pra sua cidadezinha. Leoninos sempre atrapalharam os meus planos fazendo de Sean também um rival, mas eu sou o único a derrubá-lo e vocês não deveriam interferir no meu caminho. — Revelou Colton.

— Mas Noah não teve sucesso ao comprar a república que morávamos. Danion garantiu nossa moradia em outra bem maior. — Colin de alguma forma estava interessado em quebrar a teoria do xadrez de Colton.

— Por isso mesmo que a rainha branca está fora de jogo. — Colton jogou a peça para longe. — Sim, Noah era a rainha do seu time. O único capaz de conseguir me derrubar, pois reconheço o nível de alguns inimigos. O tirei de jogo ao alertar sobre sua loucura e então mandá-lo para fora da Quadra. Fora do meu jogo. — Sorriu — A propósito, apesar de ser rei, fiz jogadas de rainha, amo sua liberdade no tabuleiro, sabemos que ela é a peça mais poderosa, apesar da mais importante ser o rei.

— Não é atoa que a rainha do seu time o abandonou. Deu liberdade demais para Harry. — Colin o encarou, mas Colton não deu ouvidos.

— Está vendo as torres? — Colin por um segundo não foi grosseiro na resposta. Ele não era cego. Nada disse. — Derrubei as duas com segredos.

— Suzana e William?

— Exatamente, Colin. Não é tão difícil de entender quando você esteve no jogo por muito tempo. Suzana era a torre que protegia o peão, no caso, o Sean. — Ela tocou a peça branca e depois a retirou do tabuleiro. — William era torre que protegia o rei, no caso, você. — Deu um peteleco na peça a tirando do jogo.

— Resultou em algo?

— Tentei e deixei marcas na amizade de vocês. Então resultou. Ou você acha que William vai realmente esquecer-se de tudo? Na menor oportunidade ele joga o ocorrido na sua cara.

Colin temeu a resposta de Colton e quando pensou em insultá-lo, notou o rival com a arma apenas esperando sua ousadia.

Colton vendo que nada aconteceria, prosseguiu com as palavras.

— Sobrou os cavalos, ou seja, os tigres. Tomei a república para mim. A propósito, odeio cavalos. — Colton retirou os dois cavalos brancos do jogo. — Aliás, Colin, consegui essa proeza com uma única jogada, bastando apenas derrubar a torre — Suzana — ela me deu autorização de ser líder dos tigres. Expulsei alguns membros e amei fazer isso.

No tabuleiro somente restou oito peões brancos alinhados, entre o rei negro e branco, ambos paralelos nas extremidades.

— Peões são tão fracos que nunca o considerei no jogo, exceto um. Então vamos nomeá-los: Gaspar, lembra-se dele? O usei. Ah, tenho o direito de tirar dois peões, afinal, fui eu quem usei Gaspar para que Joshua descobrisse a verdade. Usei os dois, certo? — Da direita para a esquerda Colton ia retirando as peças. — Bem, essas três saíram do jogo sozinhos: Lydia, Sebastian e Rickson. Quando considerei Lydia uma rival de nível, ela simplesmente vai embora. Nada mais digno que nomeá-la um peão. Sobrou apenas três peões, um deles é o Sean. Quem deveria ser os outros dois?

— Não sei. — Respondeu seco.

— Ah, um deles pode ser o Connor, já que graças à mim o retirei dos Tigres e provoquei ao Sean. Mais um usado, mas para o bem. Hoje em dia come o Ian. Vai dizer que não foi genial a minha ideia? Os Leões sempre perdiam membros pros Tigres e eu agitei as coisas. Sobrou então esse aqui. — Apontou — Pode ser o seu pai?

Colin ameaçou sair da cadeira e avançar em Colton, estava começando a perder a paciência.

— É, pode ser, o velhote quase morreu. — Colton então jogou as duas peças.

— Então sobrou somente nós dois... Os dois reis. — Colin falou.

— E o peão. — Acrescentou. Ao segurar o rei negro, Colton afastou para fora do tabuleiro as duas peças caídas do seu time: a rainha e o bispo. Depois alinhou os dois reis nas extremidades paralelas do tabuleiro e no centro deles colocou o peão.

— Talvez eu saiba o porquê de me fazer rei.

— Não, não sabe.

— Claro que sei. Sou uma ameaça ao seu nível, não sou? — Colin provocou.

— Sério? — Colton gargalhou. — Você antes disse que rei é a peça mais frágil e tem razão. Mas eu não sou um rei qualquer. Você sim é um rei qualquer.

— Então me diga por que me considera um rei.

— Certo, então vamos lá. Antes de explicar toda essa teoria aqui, você era o peão e Sean o rei. — Trocou as peças de lugar — Todo o meu jogo foi feito para derrubar o rei inimigo, mas nada adiantava. Sean, de fato, nunca caiu. Ele sempre teve alguém ou algo. Como já disse, o traí, mas ele tinha ao Octavio. O tirei do melhor amigo, mas ele tinha você. O fiz odiar a sua mãe, mas ele então ganhou um pai. Até mesmo o tirei dos Tigres, mas ele tinha uma casa. Porra! — Usou do palavrão considerando um absurdo tudo o que aconteceu.

— Então por que ainda tenta? — Debochado, Colin indagou.

— Ainda chegaremos lá, Colin. Mas, continuando: Te fiz rei quando tentei tirar Sean de você. Do que adiantou? — Colton acomodou-se melhor no sofá — Eu o via rastejar pelos cantos sentindo a sua falta e, quando vocês reataram, aí sim eu tive certeza de uma coisa: Sean transformou-se num peão a partir do momento em que te conheceu, dando-lhe a coroa de rei. — Trocou novamente as peças, deixando-as como estava anteriormente, com o peão no centro. —É isso que o amor faz, o deixa vulnerável como um peão.

— Se sabe que não adianta, por que não me deixa ir embora? — Perguntou mais uma vez.

— O jogo só acabar quando o rei cai, Colin. Por isso, você é o rei. — Colton fez uma breve pausa, olhou para o tabuleiro mais uma vez e logo em seguida levou seus olhos ao Colin, prosseguindo — Meu objetivo sempre foi derrubar o Sean e, para isso, o rei tem que cair. Mesmo que Sean seja apenas um simples peão.

— Dará mesmo fim a sua vida por uma simples vingança?

Colton sorriu. Talvez, o pior sorriso que Colin já havia visto no rosto do seu rival. Ele realmente exalava poder.

[...]

Luke estava saindo de sua república quando encontrou Leonard e Santiago no caminho. Todos os outros membros estavam na sala da maior república da Quadra nove.

— Vim correndo assim que soube do ocorrido. — Leo juntou-se aos companheiros.

— William e Sean acabaram de sair. Agora é torcer pra que seja apenas um susto. Caso contrário eu mesmo contrato uma gangue pra fazer picadinho daquele filho da puta! — Danion, ainda irritado, insultou ao Colton.

Caine, percebendo a agitação do namorado, segurou em sua mão e encolheu-se nele.

— Não precisa ficar com medo, Caine. Vai dar tudo certo! — O branquelo beijou-lhe a cabeça.

Santiago não havia entrado na república, ficou próximo a porta enquanto o namorado conversava com os colegas.

— Nunca fiquei tão apreensivo como estou agora. Eu sei que já passamos por maus bocados, mas tratando-se de Colton essa sensação é multiplicada. — Confessou Ian.

— Quer que eu cante pra você? — Connor perguntou baixinho.

— Isso não seria o suficiente. — Olhou para o namorado, explicando-lhe que aquele não era um bom momento — Eu vou buscar por água e trazer pra vocês. — Ian saiu da sala e foi direto para a cozinha.

Luke aproximou-se do Samuel que estava sentado no sofá que notando a sua presença, estranhou e indagou:

— Já voltou? Não passou nem dez minutos.

— Eu tentei. Ainda conversei um pouco com ele e falei do ocorrido, mas Noah não deu ouvidos. Disse que queria ficar sozinho. Até o Caleb ele ignorou.

— É de se imaginar. — Encostou-se em seu ombro.

— O Edgar tá com o Joshua, parece que ele estava chorando.

— Motivos? — Samuel perguntou.

— Algo sobre ele e Colton. Sobre serem amigos, eu acho.

— Eles eram amigos. Inclusive, Edgar juntou-se a nós por conta do Colton. — Caine, ouvindo a conversa, falou.

— E eu adorava o Colton. — Clara confessou.

Enquanto apreensivos naquela sala, Santiago ficou olhando a movimentação na rua. Tudo parecia calmo, apesar de que dentro da república não havia paz ou silêncio. Foi quando notou um grupo de dez pessoas, alguns mascarados e outros encapuzados, todos com tinta em spray e bastão de beisebol na mão. Ele não sentiu segurança e até ficou temeroso como os demais, mas não deixou de olhar para os estranhos que iam em direção a uma república específica: os Tigres.

Nesse mesmo momento, Joshua saia de sua república acompanhado com Edgar, eles também levaram seus olhos aos mascarados, todos baderneiros.

— Não queria assustar vocês, mas vem encrenca por aí. — Santiago, ainda olhando para os desconhecidos, percebendo que todos eram homens, avisou.

— Do que você tá falando? — Leo, juntando-se ao namorado, indagou. Então viu do que se tratava.

Logo, todos começaram a sair da república e se aglomerar no gramado próximo da árvore.

— Ei, seus filhos da puta, o que vocês querem? — Danion gritou do lugar que estava. Sua ousadia foi digna de um leonino. Ele não temeu em momento algum.

Danion saiu do seu lugar e Caine até tentou segurá-lo. O branquelo logo se posicionou em frente aos desconhecidos. Mas um dele deu a ordem ao apontar para a república dos Tigres.

Feito isso, um mascarado chutou a porta e o outro usou a tinta em spray para pinchar a parede. Outro chute na porta, prestes a derrubá-la, visto que Octavio havia a trancado. Outro usou do bastão para quebrar as janelas da república. Alguns já pinchavam os laterais da casa.

— Eu não vou deixar com que façam isso. Eles querem destruir a república. — Octavio saiu do seu lugar.

Ele foi o primeiro a segurar o bastão da mão do mascarado que tentava arrombar a porta. Ao puxar, usou da suposta arma e o atingiu, mandando ao chão o agora considerado inimigo.

Danion também partiu pra agressão ao puxar um dos que estava pichando e mandar-lhe uma sequência de socos na cara.

Mas eram apenas dois contra dez. Octavio logo foi pego por outros, assim como Danion. Mas considerando a injustiça, Luke e Samuel correram para ajudar os companheiros. E, para Luke, aquilo com certeza seria útil para descarregar o que sentia sobre o sequestro de Colin.

Luke simplesmente conseguiu derrubar um garoto no chão e então tomou o bastão. Quando a adrenalina tomou-lhe conta e o seu sadismo o dominou, ele somente usou da base do bastão para acertar, em cheio, o rosto do garoto que rapidamente usou o braço para se defender, mas, infelizmente, o seu braço foi quebrado. Luke teria prosseguido se Samuel não o empurrasse, despertando-o.

Assustado com o que tinha visto, Samuel desconcentrou-se e tomou um chute nas costas, sendo arremessado contra a parede da república e sentindo então uma forte dor na perna. Luke, vendo aquilo, largou o bastão e correu para ajuda-lo. Tomado pela raiva, avançou em quem agrediu Samuel e seu sadismo novamente tomou-lhe conta. Sem bastão, usou apenas de socos certeiros no rosto do inimigo enquanto Samuel assistia tudo, tentando levantar-se.

Com os punhos tomados pelo sangue do rival, Luke só parou de socar quando dois encapuzados o segurou. Um prendeu as suas mãos e o outro, com o bastão, acertou o seu abdômen. A dor, é claro, foi absurda. O seu ar foi perdido.

— Santiago, por favor, não deixe com que destruam a república dos Tigres! — Leo olhava para o namorado.

Santiago o olhou. A confusão tomou conta de sua mente.

— São meus amigos que estão ali! Você já pertenceu àquela república.

Ian correu sem que todos percebessem. Ele não era fã de briga e sequer sabia lutar, mas a agitação do dia e todo o seu nervosismo o fizeram tomar essa atitude. Ele, certamente, agia como um cego. Apenas foi, metendo-se na confusão.

Mas, infelizmente, por não saber se defender, tomou um soco e imediatamente o sangue desceu.

Connor, o bobo, deixou de lado toda a sua ingenuidade. Correndo como uma fera, ele saltou e derrubou um encapuzado no chão. Outros foram para cima dele, mas ele não largava o garoto que estava socando.

Santiago olhou para Leonard, aflito, e então tomou as vontades do namorado para si. Ele então se prontificou para ajudar Connor. Era bem verdade que sentia saudades da agitação da Quadra e até mesmo de uma confusão. Estava, de fato, apenas colocando em prática aquilo que havia adormecido: o calor de ser tigre e leonino.

Joshua sentiu Edgar apertando a sua mão e, por isso, olhou para ele.

— O que houve? — Perguntou.

— Ajude os meus amigos. — Pediu.

— Tem certeza?

Edgar apertou novamente a sua mão e assentiu, engolido em seco. Poderia se arrepender mais tarde, mas seus amigos estavam em combate. Além de reconhecer que seria fraco perto dos mascarados e encapuzados, Edgar reconheceu que precisava da ajuda do seu namorado.

Joshua retirou o celular do bolso e entregou para o loirinho. Olhou para trás e viu Caleb se aproximar.

O ruivo entrou tranquilamente na luta, arrancado com facilidade o bastão do encapuzado que ia agredir, covardemente, Luke que tentava se defender. Joshua não precisava do bastão, por isso o jogou no chão.

Ele levantou um pelo colarinho e cuspiu na cara. — o que adorava fazer com quem desprezava — Com força, atingiu a testa do inimigo com uma cabeçada. Desnorteado, o garoto cambaleou, Joshua deu um soco em seu rosto, fazendo sangue descer imediatamente. O garoto tentava fugir, mas o ruivo não retirava os olhos dele. Ou seja, alimentaria sua vontade.

Gale e Clara não pouparam tempo e se juntaram. Dali, iniciou-se uma luta sangrenta e talvez a mais violenta por incluir pessoas conhecidas nesse meio. Por sorte, estavam no mesmo lado, apenas para proteger a república problema: os tigres. Isso foi histórico.

Luke foi amparado por Samuel e juntos lutaram lado a lado, mesmo bem machucados eles ainda tinham forças. Ian não participou mais da confusão depois de tomar um grito de Connor pedindo para que ele saísse dali. Octavio tinha se descontrolado e não parava de bater ainda no mascarado que tentou arrombar a porta. Santiago mantinha-se numa luta de igual para igual. Enquanto Joshua já partia pra cima de outra vítima e por ali machucar bem muito.

Era certo que a vitória foi pra o time da Quadra. Os mascarados e encapuzados já estavam desistindo ao notarem a força que aqueles garotos tinham. O primeiro, percebendo que não tinha chances, correu pelos fundos da casa, saltando muros.

A vítima de Joshua estava caída no chão e o ruivo se preparava para agredir. Mas por curiosidade, arrancou o capuz negro do garoto. A surpresa foi para todos ao verem Adrian ali.

— Seu filho da puta, você tem noção do que fez? — Danion, dando uma chave de braço no inimigo que lutava, gritou.

O branquelo soltou o mascarado que tentava recuperar o ar enquanto estava caído no chão.

Adrian, preso pelo colarinho nas mãos de Joshua, não falava nada. Seu nariz estava quebrado, certamente.

Os que antes ajudavam Adrian estavam começando a se dissipar, o deixando sozinho aos poucos.

— Que merda você tem na cabeça, Adrian? — Octavio perguntou, ensanguentado.

— Vocês atrapalharam tudo! Eu só queria acabar com essa maldita república. — Gemia de dor — Sean é um desgraçado. Vocês odeiam Sean tanto quanto eu.

— Isso não significa que deixaríamos você derrubar a república dele. — Ian, sentindo as dores da briga, falava quase sem forças.

Os que estavam do outro lado — Caine, Leonard e Edgar — aglomeraram-se ao redor de Adrian caído e preso pelas mãos do ruivo.

— Parece que você se deu mal. — Clara falou. — Tão gostoso, mas tão burro.

— Não me julguem, mas eu realmente vou avisar a polícia o que aconteceu aqui. — Ian voltou para a sua república, certamente pronto para fazer a ligação.

Ninguém contestou.

Adrian, infelizmente, tomou mais um soco do ruivo e caiu desacordado. Joshua não olhou para ninguém e, tomando as mãos de Edgar, afastou-se de todos, voltando para o gramado de sua república.

— Não quero que achem que estou do lado deles. Fiz isso por você. — Avisou ao loirinho. Suas mãos sangravam.

— Obrigado. — Agradeceu o menor.

[...]

Colin novamente buscava por algum meio de escapar daquela sala. Mas o homem tornava a chance disso acontecer bem mínima.

— Sabe, eu poderia simplesmente estar com Suzana aqui no seu lugar. Mas será mesmo que Sean conseguiria sentir na pele a dor de perder alguém que ama de verdade? Aquela mulher lá é tão nojenta que até mesmo o filho a despreza. Por um acaso você chegou a conhecê-la? Mas é claro que sim, que pergunta, hein, Colton. — Zombou de si mesmo.

— É claro que Sean ama a sua mãe. — Ainda tentou defender o namorado.

— Não ama como deveria amar uma mãe. E nem mesmo ela ama o filho da forma correta. Colin, eu já tive momentos de conversa com Sean, sabia? Algo raro, mas tive. Suzana apenas faz dele um projeto perfeito... Ou pelo menos tenta. Sean não pode errar, ela não admite erros. Seu filho tem que seguir as suas ordens e desejos, como se fosse um robô.

— Mas ela é mãe e cuida dele da sua forma.

— Aquela mulher é tão desprezível que sequer lembra quem eu sou! — Colton gritou e assustou Colin. Colton se recompôs. — Ela não sabe quem eu sou. Eu poderia tirar o Sean dela, mas do jeito que a conheço, ela não se importaria. Afinal, para ele o Sean é um erro.

Colin tinha que concordar com a última parte. Suzana era uma mulher difícil de entender. Ela não sabia ser mãe, apenas uma mulher que manda e os demais tem que obedecer.

Colton se levantou, e buscou na gaveta da mesa uma peça de xadrez: era uma torre negra. Ele ficou observando o objeto por segundos até colocá-lo na mesa do tabuleiro, em frente ao rei negro, que no saco, seria ele.

— A torre de vocês derrubou a minha. Julian é o seu nome. Mas quem se importa? — Colton caminhou até o Colin e posicionou-se em sua frente. O pequeno levantou a cabeça para olhá-lo. — Te tirar do Sean significa vê-lo sofrer como eu sofri. Principalmente quando ele souber que Suzana é a culpada por tudo isso. Talvez, aí sim ela vá sentir na pele o que é ódio vindo daquele que gerou, mesmo que não tenham laços fortes. Mas ele, certamente, viria atrás de mim, mas faria da vida daquela mulher um inferno... Melhor do que eu.

Colton puxou a arma e ficou avaliando-a com os olhos ambiciosos. Colin foi obrigado a assistir aquilo procurando alguma brecha para tomar a arma e fazer o jogo virar. Mas Colton estava tão atento quanto ele.

Após guardar a arma, Colton caminhou até a cozinha. Ele voltou alguns minutos depois com dois garrafões brancos com um liquido que até o momento Colin desconhecia, e um deles já estava pela metade.

Colton começou a espalhar o liquido pelo cômodo, principalmente em móveis de madeira e até mesmo em tecidos, além de depositar boa parte sobre o sofá.

— Ser bioquímico tem suas vantagens, Colin. — Colton falava enquanto terminava o seu trabalho. — Já ouviu falar de líquidos inflamáveis, não é mesmo? Aprendemos isso ainda no colegial, mas no laboratório isso é incrível.

O homem que vigiava a porta até sentiu calafrios com os olhos ameaçadores de Colton. Mas estava ali porque recebeu e deveria cumprir seu trabalho. Há capangas pelo mundo.

Colton espalhou mais do liquido e depois jogou os garrafões nos cantos da sala, ele ficou atrás de Colin e tocou-lhe o ombro, assim como também os cabelos do pequeno.

— Um tiro seria uma morte tão simples... Só acontece em filmes. Prefiro esquentar um pouco as coisas...

Foi nesse momento que Colin percebeu em que situação estava. Colton realmente queria matá-lo e a prova disso foi quando retirou do bolso um isqueiro prateado. Colin não tinha percebido isso.

— Agora, bem, vamos falar de...

Colin havia perdido o controle e virou a cadeira, depositando em seguida um soco forte no queixo de Colton, fazendo esse dar três passos para trás. De pé, Colin tentou correr e passar pela porta, mas logicamente falhou quando o homem o segurou, lançando-o de volta para próximo de Colton.

O pequeno não perdeu tempo e novamente agrediu Colton com um novo soco, fazendo a arma cair de sua cintura e parar há um metro de distância deles dois.

Quando Colin pensou em alcançar a arma, Colton, que havia perdido a paciência, o puxou pelos cabelos e o derrubou no chão. Quando pensou em pisar no corpo do pequeno, Colin rolou para o lado e chutou uma das pernas de Colton que também caiu, mas rapidamente montou sobre Colin e levou suas duas mãos ao pescoço dele, asfixiando-o.

O homem saiu do seu lugar para interferir.

— Não se meta! — Colton bradou e mandou-lhe um olhar raivoso.

Colin deu um soco na costela de Colton e o fez gemer de dor, mas Colton então segurou nos cabelos do pequeno e começou a bater a cabeça de Colin contra o chão. Tonto, Colin só conseguiu usar toda a força que tinha para retirar o outro de cima dele e, ainda tentando se concentrar, buscou pela arma no chão.

Colton rapidamente ficou de pé e segurou Colin pelas costas. Colin imediatamente lembrou-se da dica de Sean sobre usar os cotovelos e fez isso acertando o estomago do inimigo que recuou. Mas Colin já estava fraco demais devido a tontura que ainda tomava-lhe conta.

Colton encontrou o seu isqueiro e o acendeu, lançando-o contra o sofá. Um clarão tomou conta da sala a medida que o fogo se espalhou de maneira rápida, seguindo até a cozinha e os outros cômodos.

O dono dos olhos traiçoeiros foi mais agressivo ao gritar e avançar sobre Colin, chegando a morder o braço do pequeno que já estava fraco. Colin gritou de dor. Ele já estava chorando, mas ainda assim tentava buscar forças para prosseguir na luta contra Colton, mesmo que estivesse em desvantagem. Recebeu um novo soco nas costas e a arqueou, depois foi puxado pelas pernas e caiu no chão novamente sentindo o impacto de sua cabeça com o piso.

Sentindo tudo escurecer, ele ainda conseguiu chutar Colton para longe e esforçou-se para se ajoelhar. Colin tentou ser rápido para pegar a arma, mas Colton apanhou o tabuleiro de xadrez e lançou contra o outro que gemeu de dor ao ser atingido na cabeça e sentir o sangue quente molhar o seu pescoço.

Depois disso, Colton correu e o puxou pelo braço, socando o seu estômago, acertando sua face com o joelho e, por fim, derrubando-o no chão com mais um chute no estômago.

Colin havia perdido as forças. Reconhecia que perdeu a luta para o seu maior rival. Não era bom de briga e Colton era experiente. Estava chorando, gemendo e com medo. Não queria morrer. Não dessa forma. Não sem dar adeus aos seus pais, amigos e ao Sean. Ainda mais por causa de Colton.

Colton limpou o nariz de sangue e apanhou a arma.

— Rápido, amarre-o! — Ordenou ao homem que já estava desesperado com o fogo tomando conta de tudo cada vez mais rápido.

Colton viu o corpo de Colin ser pego do chão como um boneco e de forma grosseira ao ser lançado contra a cadeira. Depois disso as cordas grossas foram amarradas entre a cadeira e sua cintura, também as pernas.

O homem feito isso não ouviu mais Colton e rapidamente saiu do cômodo.

— Só não... não... — Colin gemia de dor, mas ainda conseguia falar — Não esqueça de que quando o peão chega ao outro lado t-tabuleiro, ele tem o direito de se transformar em outra peça, assim, resgatando até mesmo as que saíram do jogo.

Colton, sério, olhou para Colin uma última e não prosseguiu com a conversa. Ele saiu do apartamento, deixando Colin sozinho preso aquela cadeira, prestes a morrer queimado ou por asfixia, visto que já estava sendo difícil respirar lá dentro.

Colin tentou se soltar da cadeira, mas apenas caiu de lado, preso, vendo a fumaça tomar conta de toda a sua visão.

A porta se fechou.

[...]

O coração de Sean apertava. A sensação não era boa e ele sentia que algo de ruim acontecia ao seu namorado. Sean sentia-se assim pela primeira vez por alguém. Suas mãos apertavam forte ao volante e seus olhos estavam fixos no caminho. Ele não desviava dos carros a sua frente, os outros automóveis deveriam fazer isso por si.

Sean estava cego. William era os seus olhos naquele momento. Ele olhava para Sean e para a estrada e via o quão sincero era o sentimento do moreno para com Colin. Sentindo-se arrependido pelas coisas que fez na tentativa de separá-los.

— Aperta os cintos e tenta não se machucar. — Sean falou.

— O que fará? — Perguntou, firme, ainda que esperasse o pior.

— O necessário.

Sean entrou derrapando na rua do prédio e, em segundos, freou bruscamente. Seu carro derrapou por alguns metros até quase bater na parede do prédio.

Ele e William saíram do carro às pressas e imediatamente correram pelas escadas até o primeiro andar. A realidade foi embora quando viram a porta fechada e apenas os gritos de ajuda de Colin. O cheiro de queimado tornou-se forte.

— Tarde demais. — Colton sorriu e os dois capangas colocaram-se em sua frente.

A insanidade tomou conta de ambos: loiro e moreno. Leão e Tigre. Feras. Monstros. Rivais de território, mas caçando a mesma refeição: Colton.

Os dois capangas, tão forte quanto eles, prontificaram de proteger Colton, que recuou e que também não entendia como foi descoberto.

William pegou o mais alto deles de cabelo raspado e barba feita, havia uma cicatriz próxima do olho e sua orelha estava pela metade. Sean ficou com o que tinha cicatriz no supercílio e com tatuagens no rosto.

Como sendo o rei leão, William rugiu. Um soco foi proferido, mas por errar acabou sendo atingido no rosto. Recuou, encostando-se na mureta, por pouco não caiu dali. O homem avançou sobre ele e William lançou-se de lado.

O homem puxou do bolso uma faca e apontou para William. Avançando sobre o loiro, conseguiu o atingi-lo com a ponta do metal, mas não causando grandes danos porque o loiro desviou a tempo, mas sentiu o braço queimar na região em que foi atingido.

William olhou para os lados buscado algum objeto que pudesse usar, mas nada parecia ser necessário. A cada segundo que perdia, Colin sofria as consequências dentro do apartamento incendiado.

Novamente o homem avançou sobre ele. William foi traiçoeiro ao juntar em suas mãos um pouco de areia no vaso de planta e lançar em direção ao rosto do inimigo, que fechou os olhos. O loiro deu um passo para o lado, segurou o punho do rapaz e infringiu do na região, fazendo-o largar a faca que caiu no chão. Depois envolveu seus dois braços no pescoço do homem e começou a sufocá-lo até arrastá-lo para próximo da escada. Um leão é dono de um instinto selvagem, geralmente ele brinca com sua presa até que ela morra, mas o loiro decidiu não brincar. Chutou o poplíteo do inimigo e quando este se ajoelhou, o derrubou escada abaixo.

O loiro não perdeu tempo assistindo a cena, ele correu para ajudar Sean.

— Colin! — Gritou o moreno. — Eu cuido dos dois, vá salvar o Colin! — Suplicava, sendo preso na parede.

William o olhou uma última vez, mas Colton parou em sua frente e a pontou a arma.

Sean, que até então estava sendo preso, acertou com um chute o saco do homem e avançou em Colton. O menor sequer teve tempo de pensar, quando virou a arma para atirar em Sean, mas acabou recebendo em cheio um soco no rosto. A arma voou para longe e Colton caiu no chão.

O soco de um tigre com muita raiva não é qualquer soco... Alguns dentes foram quebrados.

William conseguiu posicionar-se em frente a porta e a chutou. No segundo chute ele conseguiu a derrubar. Estava tudo tomado pelo fogo.

Se Sean estivesse vendo o que William viu, provavelmente não teria forças para prosseguir na luta. Colin estava caído no chão, preso a cadeira, os olhos fechados, aparentemente morto.

O homem com quem Sean lutava retomou as forças e partiu para segurar William, mas o loiro, sem perder tempo, entrou saltando o fogo que tomava conta da entrada, mesmo que sem proteção.

Sean então correu para cima do homem, mas foi atingido no rosto e seu gemido de dor ecoou pela sacada. Recebeu um chute na coxa e foi lançado para longe. Caindo perto da faca, levantou-se e, na oportunidade que teve, atingiu o inimigo com o objeto na perna. Ele imediatamente se ajoelhou. Sean o segurou pela cabeça e gritou, correndo com o homem em suas mãos em direção a mureta, fazendo então a cabeça do inimigo chocar-se com a quina. Ele imediatamente caiu no chão desacordado.

Mas Sean não parou por aí. Ele caminhou a passos lentos até o Colton que estava caído, o puxou pelo colarinho e o fez ficar de pé.

Tigres rugem.

O mais extraordinário do rugido de um tigre é a capacidade de paralisar a presa e, dependendo da presa, é capaz de danificar seus órgãos internos.

Pobre Colton.

O moreno proferiu um tapa em seu ouvido, depois o segurou pelo pescoço e o lançou contra a parede. Colton sequer tocou o chão ao ser erguido e asfixiado pelas mãos do moreno. Recebeu um soco no tórax e estômago, depois Colton foi lançado na outra extremidade da sacada, próxima da entrada, cuspindo o dente quebrado. Sean caminhou novamente até ele e o segurou pela perna, o arrastou pelo chão até lança-lo contra a parede da mureta.

Rastejando-se, Colton tentava se levantar e fugir, mas seu corpo doía por completo e não era compreensível o fato de tentar ficar de pé. Sean o chutou mais uma vez e ele levantou os braços para proteger o rosto.

Mesmo sendo bom de briga, Colton não seria páreo para quem já enfrentou William e conseguiu causar danos.

O moreno o fez ficar de pé mais uma vez e, quando pensou em derrubá-lo daquela mureta, por tamanha raiva que sentia, ouviu William gritar dentro do apartamento, felizmente, com Colin em seus braços.

— A porta! — Gritou o loiro.

Ele notou então que uma viga de madeira completamente tomada pelo fogo impedia a passagem. Sean olhou ao redor e não encontrou nada que pudesse ajudar. Sendo radical, ele usou das próprias mãos para empurrar a viga, queimando-se, mas derrubando-a no chão. Poderia ter sido inteligente e enrolado a camisa em sua mão, mas quando desesperado geralmente não pensamentos em muita coisa.

William conseguiu passar pela porta. Sofreu algumas queimaduras ao passar por ela, mas a dor era irrelevante na situação em que se encontravam. Imediatamente pôs Colin no chão.

Sean se desesperou e tentou acordar Colin, ajoelhando-se e tocando-lhe o rosto, enquanto William avaliava a presença de respiração e batimentos cardíacos. Não apresentava.

“Controle, William, controle” Tentava não se desesperar.

— Rápido, tire as roupas do Colin. — Ordenou o loiro sem retirar os olhos do pequeno, apagado. — Vá buscar por água!

O moreno obedeceu ao William e retirou as vestes do namorado, deixando-o apenas de cueca. Depois desceu as escadas, saltou o homem desacordado e correu para o seu carro. Ele lembrava-se de que havia água ali dentro em alguma garrafa que comprou por aí. Ao encontrar, voltou correndo e encontrou William fazendo reanimação cardiopulmonar.

— Agora molhe o rosto dele e dê um jeito de abanar o seu rosto. — Pediu o loiro ainda tentando a reanimação.

As mãos de Sean tremiam, mas ele fazia o possível para não estragar tudo. Despejou água no rosto de Colin e depois ficou de pé, retirando sua camisa e assim abanando as vias aéreas do pequeno. Sean nunca foi religioso, mas lembra-se do dia em que flagrou Colin de joelhos no dia em que foi visita-lo. Por isso, fechou seus olhos e tinha apenas pensamentos positivos.

Ouviu-se um tossido. Quando abriu os olhos, viu os lábios do seu namorado se mover. William não se desesperou, ainda. Colocou Colin de lado e pediu para que Sean não parasse de abanar.

A vontade de Sean era se ajoelhar e confortar, mas tinha que obedecer ao médico. Ah, se não fosse William... O moreno deve ser eternamente grato ao loiro, ao seu maior rival e a quem tanto causou problemas.

Colin sentia dificuldades para respirar, estava começando a se desesperar. Ainda não conseguia falar, apenas tossir e tossir. Seus olhos abriram, estava tonto. Ouviu de longe o som de sirenes.

Então viu, caído no chão, do ouro lado, próximo da mureta, Colton levantando-se com uma arma na mão. Sem poder avisar, apenas ouviu:

— Sean...

Sean se virou para ver quem o chamava.

William imediatamente esqueceu-se de tudo ao redor e se levantou, posicionando-se a tempo em frente ao moreno.

Um tiro foi disparado.

— William! — Sean gritou, e seu grito saiu em câmera lenta. O dia em que um tigre rugiu pelo leão.

A coroa de vidro caiu no chão... quebrou-se.

Notas finais
É isso. Links: http://ask.fm/thomasnyah TRAILER DE QUERIDO DERICK (QUE RETORNARÁ): https://www.youtube.com/watch?v=-2PzBj-iy1M