República de Leões
38 Capítulo 38
Notas iniciais
— William, espera. — Colin tentou segurá-lo. — Will, por favor, me escuta.
Nem mesmo as palavras entristecidas de Colin serviram para desfazer a raiva que o loiro sentia. William estava completamente destruído por dentro. Olhar para Colin estava sendo a pior coisa a se fazer no momento.
William passou pelo pequeno em passos firmes e raivosos, ignorando-o.
O loiro aos poucos ia empurrando todos aqueles que ficavam em seu caminho, recebendo alguns insultos, mas optando por não dar valor ao que escutava. Sua vontade foi acabar com a festa e gritar para todos que Colin era um grande mentiroso.
Ele não se sentia o único idiota, mas porque Colin enganou a todos. Acreditava fielmente que Colin era uma pessoa confiável, mas este se deitava com o seu maior rival.
Will saiu da festa sem se despedir de ninguém, caminhando a passos largos para a sua república. Ele passou por Edgar e nem sequer notou que era o loirinho que estava ali de pé, logo depois, atravessou a avenida sem nem sequer olhar para os lados, alguns carros até buzinaram.
Colin o seguiu, chamando por seu nome sempre, mas o pequeno não mais lhe chamava a atenção. Colin até mesmo sentiu que estava perdendo a voz de tanto gritar pelo outro. Ele, certamente, imaginava a raiva daquele que sempre o protegeu.
William acabou entrando furioso em sua república e indo diretamente para o quarto de Colin. Como ele sabia onde ficavam as roupas do menor, não poupou em puxar a gaveta de uma vez e colocar todas as roupas sobre a cama.
— O que está fazendo? — Colin perguntou vendo todas as suas roupas sobre a cama.
— Vá embora daqui, Colin.
— William, me escuta, por favor! — Colin gritou, segurando as suas roupas.
— Escutar você? Escutar mais das suas mentiras? Porra Colin, você e Sean! — William pressionou os pulsos. — Me dá nojo só de pensar nisso, sinto uma raiva enorme.
— Eu não sei o que falar, sei que tem toda a razão de ficar com muita raiva minha. Eu deveria ter te contato tudo desde o início.
— Você deveria era não se relacionar com ele. Essa era a coisa mais correta, por...
— Eu tentei! — Gritou, interrompendo a fala do outro. — Eu tentei todas as vezes não gostar dele, eu juro que tentei. — Colin já se entregou as lágrimas ao recordar do quanto gostava do moreno.
— Não me venha com essas lágrimas, Colin. Só vá embora dessa república e finja que não me conheça. Na verdade, nenhum de nós. Você mentiu para todos, Colin. Todos nós que te defendemos do Sean, que te livramos das mãos dos Tigres.
— Eu sei, William, eu sei que fui muito estúpido. Você tem toda a razão em tudo no que está falando. Se eu pudesse... E-eu voltaria atrás, eu jamais teria feito isso.
— Mas já fez Colin. — A voz de William tornou-se trêmula e então, a primeira lágrima desceu. — Me responde: O que eu fiz de errado? Onde foi que eu errei? Mentir pra mim, Colin... Logo pra mim que abriu mão de tantas coisas pelo seu bem.
— Will... — Colin tentou se aproximar.
— Não se aproxime, você não sabe o quão grande é o nojo que estou sentindo por você nesse momento. Eu te peço, por favor, vá embora dessa república. Eu não quero discutir, eu nem sei por que estou discutindo.
— Eu continuo sendo o Colin que você conheceu.
— Não! Eu conheci um Colin completamente artificial, um Colin que comigo era um e quando estava com Sean era outro. Eu sei que era. Não é preciso você me falar isso, porque você sabe que é verdade. Mais um dos idiotas que caiu nas palavras do maldito do meu irmão.
— Isso não é verdade, William. Eu jamais fui falso com você, eu nunca sequer deixei me levar pelas palavras do Sean. As coisas só aconteceram e eu não consegui me encontrar, não soube o que fazer. E-eu simplesmente...
— Foi burro! Foi cego, estúpido. Deveria ter sido mais inteligente. Porque qualquer garoto sabe que Sean não é confiável. E sabe o que me dói mais? É que você presenciou tudo e soube dos problemas que os Tigres nos causaram. Perdi horas de sono cuidado de você quando aquele maldito ordenou que te espancassem.
William deu as costas e saiu do quarto, chutando uma cadeira que encontrou logo à frente.
Colin sabia que se defendesse Sean, as coisas tendiam a piorar. Ele permaneceu em seu quarto, chorando. Olhou para suas roupas e para a porta. William voltou um minuto depois com uma mala que encontrou.
— William, você não está fazendo isso comigo... — Colin sentou-se na cama.
— E o que você fez comigo, Colin? Será que isso não conta? — William jogou a mala ao seu lado.
— Me perdoa, por favor.
— Perdoar não está sendo uma opção nesse momento e nem sei se um dia será. — William jogou uma camisa de Colin dentro da mala.
— Para! — Colin gritou, puxando sua camisa de volta. — Você não pode fazer isso!
— Você é um mentiroso! — William devolveu o grito.
— Eu sou! Eu sou um mentiroso! Que enganou você, que magoou você! Eu sou um idiota, completo idiota, eu sei disso. — Colin gritava e chorava ao mesmo tempo. — Eu sei, eu sou tudo aquilo que você disser. Mas não me tira da república, eu não sei pra onde ir.
William riu.
— Você deixou de dormir aqui pra dormir com ele. Sabe exatamente para onde deve ir.
— O que está acontecendo aqui? — Era a voz de Danion.
Quando Colin olhou para a porta, viu seus companheiros de república naquele lugar. Colin chorou mais ainda por saber que a verdade também iria ser revelada para eles e não estava preparado para isso. Sentia seu coração bater mais forte e a ponto de saltar.
Os olhares de indagação de todos acabaram deixando Colin cada vez mais abalado. Ele não queria ser mais um a decepcionar seus companheiros, assim como vez Santiago e Gaspar.
— Vamos, Colin, diga a verdade.
— Que verdade? — Danion perguntou. — Estávamos todos na festa quando recebemos uma mensagem do Leo dizendo que vocês dois estavam discutindo. Alguém pode me dizer o que tá acontecendo?
— Se você não disser, eu farei questão de dizer. — William não olhava para trás, onde seus companheiros estavam, todos próximos à porta do quarto.
Colin olhou para Caine, que foi o único a sair do seu lugar e se aproximar do amigo. Caine sabia o que tinha acontecido, tanto é que sentiu a dor do amigo.
— Colin por acaso está indo embora? — Clara perguntou olhando as roupas na cama.
— Na verdade, eu estou expulsando-o. — William disse, firme.
Foi então que várias expressões surgiram na face de cada um. Todas elas transmitiam a mesma mensagem: “O que aconteceu aqui?”
Octavio olhou para Colin e balançou a cabeça negativamente. O moreno acabou atravessando os colegas e foi ao lado de William. Octavio também sentiu o medo de estar naquela situação, tanto é que abaixou sua cabeça.
— Eu sei que você sabia de toda a verdade. — William disse quando Octavio tentou tocá-lo.
— Nós temos que conversar.
— Não será preciso. Sabe por que, Octavio?
— Você não está terminando comigo, não é? — Ele levou seus olhos ao do loiro.
— Uma mentira sempre é o suficiente para acabar com qualquer relacionamento. Você me fez de idiota e, no fundo, nunca deixou de ficar ao lado de Sean. Que ódio de vocês! — William levou sua mão à cabeça, bagunçando seus cabelos.
— William, não... — Octavio logo sentiu seus olhos umedecerem e seu coração apertar. — Você não vai fazer isso.
— É isso que eu faço com quem mente para mim.
— Alguém pode me falar o que está acontecendo? Por que Sean está envolvido nisso? Alguém nos explica? — Leo, mesmo sentindo uma baita dor de cabeça, perguntou.
— Eu e Sean... Nós tivemos algo. — Colin disse de cabeça baixa.
O impacto foi sentido dali de onde Colin estava. Ele viu todos arregalarem os olhos ao mesmo tempo. Todos boquiabertos sem acreditar no que ouviram. Colin chorou mais ainda quando ninguém disse algo, permaneceram em silêncio.
— Me perdoem... — Clamou, abraçando suas roupas. — Não me expulsem, p-por favor...
— Diz que isso é mentira e que é apenas uma pegadinha. — Erica murmurou. — É brincadeira, não é, gente?
— Quem dera isso fosse mentira.
— E você sabia de tudo, Octavio? — Erica perguntou, afastando-se de todos ao seu lado.
— Eu só quis protegê-lo.
— Proteger William ou proteger Sean? — Ela perguntou.
— Não é assim, não veja por esse lado. Quando Colin e Sean começaram a se relacionar eu pensei em várias vezes contar pro William, mas tive medo de vê-lo da maneira que todos estão vendo.
— Ai Octavio... — Erica levou sua mão à testa — Quando eu penso que está ficando tudo bem entre vocês dois, algo de ruim tem que acontecer. E sempre tem um dedo daquele garoto no meio disso.
— Octavio não tem culpa de nada. Eu sou o culpado por tudo isso. — Colin enxugou os olhos, mas não aditava.
— Sabe o que me deixa com muita raiva? É que consigo imaginar Sean rindo de mim. Rindo de todos nós que acreditávamos em Colin. E eu me preocupando a toa todas as vezes em que ele não dormia na república. — William novamente levou a mão à cabeça e fitou o teto. — Eu me preocupei, achando que alguém da sua família estava com problemas de saúde quando você chegou chorando na república! — Gritou. — E agora eu sei do que se trata. Sei que você descobriu que foi burro demais e que Sean novamente magoou alguém.
Todos ouviram as palavras de William. Eles pareciam concordar com o que o loiro estava dizendo.
— E sabe também o que me deixa magoado com você? — Olhou para Octavio. — Eu te disse que sentia que você me escondia algo e mesmo assim você não admitiu. Quando eu costumo errar, você simplesmente desaparece por dias, mas quando você quem faz o erro, acha que eu simplesmente tenho que ouvir e compreender você.
— Se coloque no lugar dele, William. Eu já estive na mesma situação em que Colin se encontrava. Pare de ser egoísta e pensar só em você! — Octavio, o rei das palavras duras.
William o olhou incrédulo.
Não só ele como Erica e os demais. Como Octavio conseguia estar daquela maneira numa situação tão crítia?
— Você pode estar me odiando agora, William. Pode estar odiando o Colin. Mas nenhum de nós dois deixou de amar você. Eu coloquei meu relacionamento em risco guardando o segredo dele? Sim, coloquei. Mas também acabei pensando na situação em que você se encontraria. Colin e Sean foram pegos de surpresa e nem mesmo sabiam o que estava acontecendo entre eles.
— Você está defendendo eles?
William levantou o braço e todos imediatamente correram para segurar o loiro quando acharam que ele iria partir para a agressão. Mas William apenas começou a andar de um lado para o outro.
— Não estou defendendo ninguém, William. Eu tinha dito para o Colin que ter um, significa não ter o outro. Eu quis que ele contasse a verdade para você. O que poderíamos fazer, me digam vocês, o que fariam se estivessem na situação em que o Colin se encontrava?
— Você já foi mais inteligente, Octavio. — Erica disse. — Sean sempre foi o culpado pela separação de vocês dois. Culpado por maltratar algum desses garotos que se encontram aqui. William sempre os defendeu dele.
— A situação aqui não é sobre quem Sean é para cada nós, mas sim quem Sean é para William e Colin. Eu e o Colin, nós convivemos com o Sean. Vocês não sabem como é dormir todos os dias pensando nesses dois ao mesmo tempo.
— Cala a boca, Octavio! — William bradou, silenciando-o de imediato. — Olha a merda que você está falando.
Colin então percebeu o estrago que havia causado a todos ali dentro. Acabou criando um clima desagradável entre algumas pessoas, acabou destruindo o relacionamento de William e Octavio e a amizade de Erica com eles.
O pequeno então se remexeu na cama e jogou cada peça de roupa dentro da mala.
Ele soluçava.
— Me desculpem, eu juro que não quis magoar ninguém. — Dizia enquanto continuava arrumando. — É melhor eu sair da república mesmo, não quero causar problemas a ninguém.
— Você já causou. — William tinha dito.
— Ninguém vai sair dessa república. — Danion tomou a voz no momento.
— Danion, você... — William tentou dizer.
— Eu sou o líder agora, William. Quem manda aqui sou. E se eu disser que o Colin vai continuar morando aqui, você vai ter de engolir isso.
— Certo. Se é assim, eu não vou nem discutir mais.
William simplesmente passou por todos. Octavio o acompanhou.
— Não me siga.
— Nós precisamos conversar.
— Não temos o que conversar. Se acha tão maduro, mas não aprendeu com os erros da vida. Não me importo se minha atitude está sendo infantil. Eu não consigo me aproximar de pessoas que mentem para os amigos. E você não era somente meu amigo, era meu namorado.
— William, eu e você passamos por maus bocados para isso. Eu não vou deixar você fazer o que está pensando.
— Ué, se ele fica eu saio. Não foi assim que o novo líder decidiu? Eu não quero perder a cabeça com ninguém.
— Colin precisa mais do que ninguém de você. Ele sofre.
— Pelo o que exatamente? Por Sean tê-lo deixado ou por eu estar fazendo isso? — William olhou para o pequeno que era amparado por Caine.
— Ninguém vai sair da república, William. Pare com isso.
— Ei, cara, relaxa! — Connor era o único que sorria dentro daquele quarto.
— Sejam sinceros. —William chamou a atenção de todos. — Eu merecia o que ele fez? Por que se você disserem que sim, eu volto atrás e peço desculpas. Mas acham mesmo justo ele ter mentido para mim, ou melhor, para nós, durante todo esse tempo? Todos vocês me viam preocupado com ele, eu cheguei a não dormir quando ele adoecia. Ele atuava sempre que estava na frente do Sean enquanto nós acreditávamos que ele tomava as nossas dores. Colin mentiu desde o dia em que colocou os pés nessa república.
— Eu já disse que tenho culpa! — Colin se levantou, agora irritado. — E o que você quer que eu faça? Eu nunca te fiz mal. Você é o meu maior pilar aqui e está se desfazendo de mim. Eu fui tolo, um idiota, eu mereço todos os insultos proferidos por você! — Bradou mais uma vez. — Mas eu jamais, William, jamais quis o seu mal ou procurei te prejudicar. Pelo contrário, eu sei que te fiz algum bem. Porque assim como você, eu perdia noites de sono me preocupando contigo. Quando você demonstrava estar triste, eu largava o que tinha pra fazer e te ajudava.
— Não Colin, você só mentiu, mentiu e mentiu! — William empurrou Octavio e caminhou na direção do pequeno, apontando para ele. — Fez o que tinha que fazer para no final voltar correndo para os braços de Sean e rir enquanto eu acreditava que o que você fazia era algo sincero.
— Para de criar situações, William! — Colin olhou em seus olhos. O pequeno não parou de chorar sequer um minuto. — Você me julga por causa de um erro que eu cometi, como se todos os outros nosso momentos não mais tivessem significados.
Ninguém ousou interferir naquela troca de palavras.
— Eu te protegia dele.
— Eu fazia o mesmo!
— Ai, Colin! — William se moveu, andando novamente entre as pessoas. — Foi por isso que você não me deixou bater mais nele àquele dia. Era isso, estava com pena.
— Não, William, você estava louco e tomado pelo ódio. Eu nunca o vi daquela maneira e você seria capaz de matá-lo. Eu não quis que você se arrependesse.
Foi quando William sentiu o seu celular vibrar no bolso da calça que estava usando. Ele tomou o aparelho em mãos e verificou o que tinha acabado de receber. Novamente a foto do beijo do Colin e Sean.
William apertou o celular em sua mão. Logo, todos também receberam a mesma foto em seus celulares.
Colin foi o único a receber uma mensagem:
“O mar costuma derrubar o castelo de areia. Eu sou o oceano.”
Número desconhecido.
William bradou, novamente o grito conhecido como o rugido do leão. O loiro lançou o celular no chão, que se partiu em vários pedaços. Todos se assustaram com a sua atitude.
Eles estavam cientes de que William tornava-se a pessoa mais violenta da Quadra quando muito irritado. Sim, não era possível medir forças com ele, talvez seja por isso que alguns leoninos sentiam-se seguros na presença do seu líder.
Colin deixou seu celular cair com aquela atitude tomada pelo loiro, também assustando-se.
— Eu me sinto traído! Vocês não tem ideia de como é esse sentimento. Vocês estão apoiando, ninguém está ao meu favor. — Ele chorava. — Estou cansado! Cansado de ficar aqui, cansado de todos esses anos. Sempre, sempre vai existir alguém pra me decepcionar. Santiago, Gaspar... Até o Connor já foi ex-leonino. Todos eles me magoaram de alguma forma. Eu protejo vocês com unhas e dentes, eu evito que qualquer mal aconteça. Eu cuido de cada um como se fosse um irmão meu. Mas não adianta, todos um dia fazem algo estúpido! E você, Colin, foi minha maior decepção por se deitar com o meu maior rival.
William disse tudo isso olhando para todos, mas finalizou fixando seus olhos em Colin. Na última palavra ele saiu do quarto e bateu a porta, todos também ouviram quando a porta principal da casa foi fechada bruscamente.
— Eu vou atrás dele. — Octavio disse, acelerando seus passos.
— Eu também vou.
— O namorado é meu, o erro quem cometeu foi eu. Você já encheu demais a cabeça dele, Erica. Outra hora nós conversamos.
Erica permaneceu quieta e não disse mais nada. Assim que Octavio saiu do quarto, o silêncio se instalou, passando a incomodar a todos ali presentes. Eles apenas ouviam Colin chorar em silêncio.
— Não sintam ódio de mim. Por favor. — Colin caminhou até a cama. Ele estava arrasado e irreconhecível. Sem toda aquela pose de garoto durão que enfrenta qualquer barra.
— Eu não quero parecer grosseiro. — Caine disse, num tom sereno. — Mas eu poderia ficar sozinho com o Colin?
— Você quem manda. — Danion falou e olhou para a porta, todos entenderam o recado e saíram. O branquelo não sabia muito bem o que fazer, ele deu uma última olhada em Caine, um olhar triste, refletindo o momento.
Já na sala, todos sentaram em lugares diferentes, Danion e Leonard foram os únicos a ficarem em pé. O silêncio tinha pegado a todos de surpresa, deixando-os apreensivos. Eles esperavam que alguém falasse algo para que assim pudessem debater sobre o ocorrido.
— Eu não sei de que lado ficar... — Clara tinha dito.
— E não tem. Até porque não existem lados. São dois dos nossos que estão com problemas, apesar de ser algo bem sério o fato do Colin ter se relacionado com Sean enquanto nós acreditávamos que não. — Ian disse. — Eu fiquei em silêncio apenas ouvindo os dois falarem e também não sei se devo me meter nessa confusão, apesar de pertencer a essa república, mas temos que concordar que existem erros tantos do William como do Colin.
— Ian está certo. Eu consigo entender o Colin e entender o William. — Leo proferiu.
— Como conseguem compreender o Colin? — Danion perguntou.
— Eu queria também entender por que conseguem compreendê-lo. — Erica tinha entrado na conversa.
— Vocês vão me matar se eu disser que já sabia disso? Na verdade... Eu desconfiava desde que eu vi esse Sean lá em Aroma. — Samuel passou a mão pelos fios louros.
— Ele esteve em Aroma? — Ian perguntou para Samuel, o loiro assentiu. — Droga, isso só piora as coisas. Então Colin foi muito próximo do Sean durante todo esse tempo. Gente, eu não nego que esteja perplexo com isso.
— Sean é tão chato. Como ele conseguia? Cara, ele brigava comigo até por comida. — Connor, inocentemente, falou. Mas isso não serviu para aliviar a tensão.
— William deve estar com muita raiva de mim. Eu não fui de acordo com a expulsão de Colin, embora ache que eu deveria ter tomado essa atitude. Só que... O Caine, ele é amigo do Colin e eu não quero cometer erros.
— Está me dizendo que tomou sua atitude pensando no namorado? — Clara perguntou. — Ai, donzela, você já está sendo domada. Por sorte, eu ainda te adoro.
— Gente, não vamos discutir. Não podemos criar problema entre nós só pela divergência de opiniões. — Leo tomou a voz. — Eu sei que Colin quebrou quase que uma regra, mas não vamos julgá-lo.
— Por que William podia ter o Octavio e Sean não podia ter o Colin? — Connor fez uma a pergunta.
— Sábia pergunta, meu amor. — Ian acariciou com o polegar a bochecha de Connor. — Mas é só colocar Sean e Octavio lado a lado. A diferença de caráter é absurda.
— Nunca entendi perfeitamente o porquê dessa rivalidade entre Sean e William. — Samuel perguntou.
— Melhor nem entender. — Erica falou. — Só precisa saber que Sean nunca foi uma boa pessoa. Ele sempre tomou os leoninos para ele. Colin foi apenas mais um.
— Mas nesse caso foi no sentido amoroso. — Leo tentou ter argumentos.
— Quem garante? — Danion perguntou. — Eu tô um pouco puto com o Colin. Como ele pôde ser tão burro a ponto de se relacionar com o Sean? É o mesmo de que imaginar o meu — possessivo — Caine com o Joshua. Vocês conseguem?
— Que horror. Consigo nem pensar. — Ian o olhou assustado.
— Eu na situação do Colin não saberia o que fazer, estaria perdido. Se ele realmente gostou do Sean, só agravou ainda mais a situação. Principalmente por tudo isso ter durado um ano por aí. — Leo sempre procurando motivos para defender Colin.
— Mas vocês não acham que o William tem razão? — Danion perguntou. — William se meteu em enrascadas para livrar Colin do Sean. Sean foi culpado por tantas coisas, principalmente quando nos atingia. Lembre-se de quando éramos calouros, presas mais fáceis por não conhecermos a Quadras e os membros dela.
— É exatamente por isso que eu estou do lado do William. — Erica tomou a palavra para si. — Sean foi também o responsável por ele acreditar numa mentira durante anos, achando que Octavio o traiu. Ele tem motivos de sobra para odiar Sean, que ainda por cima, é seu irmão. Colin se relacionava com o maior rival do Will.
— Eu consigo enxergar por esse lado. — Ian até se levantou e foi para o centro da sala. — Mas eu não quero ter que julgar o Colin. Assim como vocês, eu também não gosto do Sean e tenho noção do quão fomos prejudicados por ele. Mas o Colin só passou a gostar da pessoa errada e quando nós gostamos... Vocês entendem, não é? — Danion coçou a cabeça e olhou para todos, sentiu-se alvo. — Ele só não soube o que fazer. De qualquer forma, contando ou não, William jamais aprovaria isso.
— Eu sou amigo do Colin, apesar de sempre ouvir seus insultos e insultá-lo. Até estava com falta disso, mas ele ultimamente tá tão pra baixo que sinto saudades dos seus gritos nas manhãs. — O branquelo sentou-se no sofá.
— Não me peçam pra escolher entre Sean e William. — Samuel levantou a voz.
— Não vai existir votação aqui. Colin fica, apesar de tudo. Ele infelizmente vai ter que arcar com as consequências de suas escolhas. É uma surpresa não só para o William, mas sim para todos nós. Por isso sugiro que cada um vá para seu quarto e durmam. William e Octavio vão se resolver pra lá. Colin e Caine estão conversando, mas eu preciso de um tempo pra conversar com o Colin... Que saco! Eu não sei o que fazer! — Danion já mostrava estar irritado.
— Na verdade, você sabe o que fazer, Danion. E já fez. Está agindo como um líder e por sorte a liderança foi passada para você. Se William ainda fosse líder, Colin certamente estaria na rua. E eu iria ser contra essa atitude. Colin nunca nos fez mal algum. — Ian demonstrou ser defensor fiel de Colin.
— Pretende se especializar em advocacia, Ian? — Clara perguntou.
— Magistratura mesmo. — Respondeu.
No momento em que Ian terminou de falar, Gale entrou na república. Clara se assustou ao perceber alguns hematomas na face do irmão. Ela se levantou, assustada.
Mas então novos gritos surgiram do lado de fora da república e todos reconheceram aquela voz.
William tinha acabado de chutar a porta da república rival, invadindo-a. Sim, William foi capaz de fazer algo daquele nível. Octavio estava logo atrás dele, tentando segurá-lo. Mas ninguém consegue segurar um leão quando este resolve caçar.
— Não, não, não, não, não... — Colin disse, correndo para a janela para se juntar aos outros.
Todos os leoninos saíram de sua república, uns sabiam que não conseguiriam segurar William e por isso ficaram parados, já outros como Danion, Leo e Ian também correram tentando controlar o loiro.
— Sean, seu desgraçado! — William gritou assim que pôs os pés na sala da república.
Apenas Caleb e Sean estavam na república naquele momento. Sean já tinha tomado uns socos de Joshua e, quando foi visto por William, acabou recebendo um único soco do loiro, que descarregou sua raiva no ataque, ainda que aquilo não se comparasse à metade do que sentia.
Sean caiu da cadeira, fechou os olhos e sentiu sua cabeça girar, acabou ficando tonto com o soco. Ele ficou sem entender o porquê daquela reação.
— Essa é a última vez que te deixo avisado.
Caleb acabou tendo que se ajoelhar para fazer Sean se levantar. O moreno permaneceu sentado no chão, acariciando a região atingida pelo soco.
— Avisado? — Sean indagou.
— Se eu fosse você, eu traria o Colin pra morar com você aqui.
William deu as costas para Sean e voltou para a sua república. Ele ignorou todos aqueles que tentaram conversar com ele, indo diretamente para o seu quarto. Octavio não o deixou trancar a porta e, por isso, também conseguiu entrar.
— Octavio é o único que vai conseguir pará-lo. — Leo disse, completamente assustado com o que tinha acabado de presenciar.
— Estou achando o William um pouco infantil. — Ian comentou. — Mas esse é o William que nós conhecemos.
— Ele sempre foi assim? — Clara perguntou.
— William por muito tempo aguentou calado as piadas e provocações dos outros, mas ele consegue ser completamente violento quando tomado pela raiva. Nunca o vi perder uma briga nesse estado. — Erica também estava assustada. — Nem mesmo Octavio e Sebastian conseguiam segurá-lo. – Erica finalizou, deixando todos em silêncio.
Todos eles estavam impactados com o momento, ninguém ousou novamente criar uma discussão sobre qual lado deveriam apoiar.
[...]
— Você tem noção do show que acabou de fazer? — Octavio perguntou tentando fazer com que William o olhasse.
William ficou em silêncio e retirou a roupa que usava, em seguida sentou-se na cama e começou a se desfazer dos sapatos pretos.
— William, eu não sou uma criança que deve tolerar essas suas atitudes. Na verdade, nós não somos mais crianças. Você está sendo infantil demais agindo dessa forma. E eu iria adorar se você olhasse nos meus olhos enquanto eu falo.
— Vai mentir novamente? — E então William o olhou. — Porque eu já falei que nós não temos mais nada, então, deveria dar o fora daqui.
— Não é você quem decide isso! Não sozinho! — Octavio rebateu. — Eu não vou aceitar esse término, não dessa vez.
Após retirar seus sapatos, William retirou a calça e ficou apenas de cueca. Apagou a luz e deitou-se na cama, cobrindo-se com o cobertor.
Octavio também passou a ficar furioso com aquela atitude. Tanto é que foi até o interruptor, acendeu novamente a luz e puxou a coberta que William usava.
— Presta a atenção enquanto eu falo! — O moreno gritou.
William, irritado, se levantou e tomou o cobertor de Octavio, mas o moreno não soltou. William o encarou, mas Octavio manteve-se firme e não o temeu. Quem eram esses dois enquanto estavam na festa? Nem mais pareciam um casal apaixonado.
William soltou o cobertor e caminhou novamente até onde o interruptor estava, apagou a luz e se deitou na cama. Ele queria ignorar completamente o Octavio, não queria lhe dar ouvidos. Estava magoado demais pra conseguir discutir com ele.
Octavio, mas uma vez, acendeu o interruptor.
Foi nesse momento que William saltou da cama e segurou Octavio pelo ombro, bruscamente. No primeiro momento Octavio se assustou com aquela atitude, principalmente quando sentiu a mão do outro apertar a região.
— Vamos, William, bate em mim. Mostra do que você é capaz! — Octavio o desafiou.
William permaneceu mais alguns segundo segurando-o, até que o soltou.
— Eu pedi pra você bater em mim! — Octavio gritou. — Qual é? Não é isso que você precisa pra descontar toda a raiva que está sentindo? Olha só o quarto — Octavio girou em seu próprio eixo, mostrando tudo ao redor. — Quebra objeto por objeto. Vai, descarrega sua raiva! Me enche de hematomas, rasga as minhas roupas. Vamos, faça isso!
— Vai. Se. Foder. — Esqueceu-se de que Octavio odiava esse tipo de insulto.
— Era você quem me fodia, esqueceu? Ou eu quem fodia você. Seu estúpido, babaca. Nós somos namorados, William. Não somos mais crianças, está difícil de entender o que estou querendo dizer? Você está sendo infantil. Infantil. — Deu ênfase.
— Éramos namorados, Octavio. Você quem continua achando que somos. Eu não me relaciono com mentirosos.
— Eu não menti pra você! — Gritou. — Eu te poupei da dor. Porque se você está vendo o estado em que se encontra, certamente saberia que a mesma coisa aconteceria se eu te falasse o que estava acontecendo.
— Você era meu namorado...
— Eu sou seu namorado! — Corrigiu.
— Era! Como eu disse, se você era meu namorado e sabia que Colin e Sean tinham um caso, deveria me contar e não mentir durante todo esse tempo.
— Coloque-se no meu lugar, William.
— Eu já me coloquei, e é por isso que eu acho que você deveria me contar. Você sabia de toda a verdade, Octavio. Sabe o quanto eu odeio o meu irmão. Cara... — William passou a mão em seu rosto, forte o suficiente para apertar as bochechas — Você sabe como eu me sinto em relação ao Sean e, mesmo assim, não me falou a verdade. Teria sido menos pior do que ouvir por terceiros.
— William, pare e pense no que você está fazendo. Me responde uma coisa, William. O que o Colin é pra você?
— Era meu amigo.
— Você o trata como um namorado. Colin tem todo o direito de se relacionar com quem ele quiser. Eu sei de todos os problemas que Sean nos causou. Mas não podemos decidir ou mandar no coração. Agora me diz, pra quem está o seu coração nesse momento, para o Colin? Ou para mim? Sabe, William, às vezes acho que o que você sente pelo Colin vai além e eu não sei que atitude eu deveria tomar, ou devo tomar.
— Está dizendo que eu gosto do Colin?
— Estou.
William gargalhou.
— Pode rir o quanto quiser. Mas a sua atitude está sendo semelhante a de um namorado ciumento que foi traído.
— Eu tinha Colin como um irmão. Um irmão! Assim como você teve Sean como um. Não me venha com esse papo de que eu o enxergo como um interesse amoroso. — William conseguiu retirar as palavras que Octavio achou que tinha para rebater.
Octavio sabia que William tinha razão no que falava.
— Olha, William, quando eu estive sendo amigo do Sean, era difícil estar dividido. Eu sei perfeitamente como Colin se sente e você literalmente está deixando-o pior. Colin já estava triste dias atrás e hoje as coisas pioraram para ele. Ele perdeu o Sean, e agora você. Você era o pilar, o sustento que ele tinha na república. Apesar de Caine ser um grande amigo dele, era em você que ele procurava abrigo.
— Ótimo. Ele fez as escolhas dele e essas são as consequências. Ele traiu a nossa amizade, ele mentiu por muito tempo. Eu tentei procurar saber o que estava acontecendo e não conseguia obter resultados. Me preocupei à toa.
— Meu amor, eu entendo perfeitamente como está sua cabecinha agora. — Octavio sentou-se na cama ao lado de William.
— Não, Octavio... — William ficou de pé, afastando-se.
— Olha, William, você tem todo o direito de estar magoado comigo e com o Colin. Me dói, sabe... —E então Octavio não resistiu por muito tempo e chorou. — Dói muito saber que você está me tratando dessa forma. Mas eu já esperava por isso. Sabendo por mim, ou não, você iria reagir assim. Tudo que eu quis foi te poupar da dor, além de não querer prejudicar o Colin e a relação que vocês tinham. Eu não podia tomar para mim, uma decisão que era do Colin, até porque eu nunca pedi para saber sobre nada disso.
— E-eu não consigo entender vocês dois... — William novamente passou a mão no rosto, ainda estressado. — Eu juro que tento entrar na mente de vocês e saber o que é que se passa. Eu nunca menti pra vocês, nunca escondi nada. Fui muito idiota de sempre acreditar em vocês, mesmo quando cheguei a desconfiar. Desde o dia que vi vocês discutindo na cozinha na antiga república, até dias atrás quando você se trancou no quarto com Colin. Eu te fiz uma pergunta, você me disse que estava tudo bem. Você mentiu, Octavio. Mentiras, isso eu odeio em qualquer pessoa.
— Você tem razão, William. Razão em tudo o que está dizendo. Mas o seu ódio pelo Sean é o que sempre acabou com você. Você sempre foi rancoroso, orgulhoso e explosivo. Eu sempre estive ciente dos seus defeitos, e por isso eu tive medo de te contar a verdade. Que diferença faria se eu te contasse? Você iria estar me tratando da mesma forma.
— Se ele não sair da república, amanhã mesmo eu estou me mudando. Nem que eu volte para as Quitinetes.
— Você literalmente está fazendo as pessoas escolherem entre você e ele. Não me faça ter que escolher.
— Você não escolheu entre eu e ele, mas escolheu o Sean. — William falou e caminhou até a porta. — Eu vou dormir na sala.
— Você vai dormir comigo, William. Não faça isso, por favor. — Pediu, levantando-se.
— Octavio, nós terminamos.
— Eu não aceito o término. Eu já disse pra você. Leve em consideração todos os anos que nós lutamos contra a saudade para estarmos juntos e de repente você vai me deixar por causa disso? Eu estou ciente do meu erro por não te falar a verdade e sei que nada do que eu faça ou diga vai te fazer mudar de opinião. Mas eu não quero que você termine comigo. Eu te dou o espaço que precisa para pensar.
Octavio caminhou até a porta do quarto e William novamente se afastou, voltando para a cama. Octavio não conseguia sequer tocá-lo.
— Eu te amo com todas as forças que ainda tenho, William. Pense bem antes de tomar uma atitude precipitada. Eu não sou o Colin, então não faça da raiva que sente por ele motivo do nosso término. Coloque-se em meu lugar e saiba que fiz tudo isso pensando no seu bem, mesmo tendo colocado em risco o meu relacionamento. Só lembre-se de que eu te amo.
Octavio olhou as costas de William uma última vez e saiu do quarto, já enxugando as lágrimas. Sentou-se no chão do corredor e abaixou sua cabeça, apoiando-a entre os joelhos. Seus planos era de dormir por ali mesmo.
[...]
Quando Danion voltou para o quarto, viu Colin dormir sobre as pernas de Caine. Danion percebeu que Caine também chorava e o pequeno imediatamente enxugou suas lágrimas assim que viu o branquelo dentro do cômodo.
— Como ele está? — Danion disse em voz baixa.
— Chorou tanto que até dormiu. — Caine respondeu. — Ele estava tão cansado, tão arrasado...
— Não quer ir lá fora, dar uma voz, conversar? Eu preciso da sua ajuda.
— Eu prefiro ficar aqui. Tenho medo de que ele acorde. Colin sente que estão todos contra ele e está com vergonha.
Danion acabou compreendendo a atitude do pequeno, embora não tivesse gostado de ouvir aquilo. Preferia estar com o namorado fora dali, conversando e esquecendo-se do momento tenso em que se encontravam.
Caine, delicadamente, retirou a cabeça de Colin de suas pernas e a pôs sobre um travesseiro. Em seguida, ficou de pé e foi até as roupas de Colin, dobrando-a uma por uma. Sua intenção era devolvê-la a gaveta de onde William as arrancou.
— E-eu estava pensando, será que William não está certo? Minutos atrás Ian e Erica debatiam sobre quem tinha razão nisso tudo. E eu estou sem saber que atitude tomar, se faço o que William pediu, porque cá pra nós, ele sempre foi o líder da república, mesmo comigo estando à frente. Nós sempre fomos liderados por ele. Ou se permaneço neutro, sem me intrometer nessa discussão.
— Irei ficar muito magoado com você se expulsar o Colin. — Caine falou, ainda arrumando as roupas.
— Você sabia que Colin e Sean tinham um caso? Cara, é estranho imaginar o Sean comendo ele. Tipo... Como isso foi acontecer?
— E-eu sabia. — Caine esperou ouvir alguma resposta grosseira. — Colin beijou Sean no mesmo dia em que beijou William, você lembra do desafio?
— Foi naquele dia? Faz um tempo já. Como Ian disse, isso só piora a situação do Colin. — Sua voz estava começando a torna-se mais alta.
— Fale mais baixo, Danion.
— É que... é que... Eu vou acabar ficando louco. Ser líder é muito difícil. Eu não vou mentir para você, Caine, mas também sinto a revolta do William. Por causa do Sean eu já tomei uma bela surra, você lembra?
— Eu consigo compreender as duas situações. Mas eu sou amigo do Colin, e um amigo jamais vira as costas para o outro.
— Se William também souber que você sabia, ele vai falar um monte.
— E você vai me defender, não vai? — Caine perguntou, parando de dobrar e olhando para Danion.
— Vou? — Danion franziu o cenho. — E-eu... É claro que eu vou.
— Certo, agora vamos criar casos aqui. Imagina se eu fosse o Colin e você o Sean.
— Vira essa boca pra lá, Caine.
— Estou apenas criando um caso para você entender o que está acontecendo aqui. Espera, criei uma situação ainda melhor. — Caine se virou e se sentou na cama com metade das roupas já dobradas. — Eu gosto de você. Mas então você gosta do Sebastian... — Caine viu os olhos de Danion se arregalarem — Sim, o meu irmão. E meu irmão também gosta de você. Só que até então eu não sabia que você e meu irmão se pegavam. Como eu me sentiria?
— Exatamente da mesma forma que o William.
— Certo. Mas lembre-se que eu te disse que você gosta do meu irmão. E, com medo de me magoar, você mantinha sua relação com Sebastian em segredo. O que você faria?
— O que Colin fez... — Danion coçou o queixo.
— Colin não tinha escolha. E mesmo que ele contasse para o William, a mesma coisa aconteceria. Ele e Sean estavam tendo algo bom, pelo menos até ser magoado, mas estavam. E, por gostar dos dois, preferiu manter a relação em segredo. Colin não queria machucar o William. Ele nunca quis isso, na verdade.
— Sean deu um pé na bunda no Colin, por isso ele estava daquela forma.
— As coisas são ainda piores do que você imagina, Dan. Colton e Sean brincaram com o coração do Colin. Parece que tudo resolveu dar errado para ele nesse momento.
— Espera aí! — Novamente se exaltou e Caine levou seu dedo à boca, dando-lhe sinal de silêncio. — Então foi por isso que o Colton chegou na república dizendo que estava livre e que seria líder dos Tigres? Ca. Ra. Lho!
Caine tinha acabado de finalizar a arrumação das roupas, Danion se levantou da cama e ajudou a encaixar a gaveta.
— William e Octavio estavam discutindo feio antes de eu resolver entrar aqui. Meu quarto é vizinho ao deles, vai ser tenso dormir.
— Você pode dormir na minha cama. Eu durmo na do Edgar.
— Falando nisso, onde ele está?
— Eu não sei. Mas acho que esteja em um lugar melhor do que aqui. Porque o clima na república não tá nada legal. — Caine ficou em silêncio por um segundo antes de tirar seu blazer. — Isso tudo me deixou tão cansado.
Caine retirou seus sapatos e realmente acabou deitando-se na cama de Edgar, deixando a sua livre para Danion. Mas o branquelo foi um tanto previsível demais quando acabou deitando-se ao lado de Caine, fazendo o pequeno repousar a cabeça em seu peito.
— Se eu me mexer muito, pode me derrubar da cama. — O branquelo sorriu. — E eu espero que amanhã William acorde sem a ideia de que eu devo expulsar o Colin.
— Isso se ele não resolver sair.
— Caralho, ainda tem isso.
Danion murmurou e afogou seus dedos nos fios castanhos de Caine.
[...]
Existem coisas na vida que acontecem e mudam nossos pensamentos, a nossa visão... Os nossos ideais. O que aconteceu na mata serviu como lição para esses dois, de mundos tão paralelos, mas, de alguma maneira, tão conectados.
Edgar apoiava-se nas muletas enquanto permanecia atrás de Joshua, observando suas costas largas e seu corpo esbelto, embora dentro daquela roupa comportada que nada combinava com a personalidade e estilo do ruivo.
O ruivo decidiu dar a volta na universidade, mas só notou depois de quase cinco minutos andando um gemido de dor logo atrás dele.
Joshua se virou, Edgar imediatamente desceu seus olhos para o chão.
— O que ainda faz aí? — O ruivo perguntou.
— E-eu... — Edgar procurou alguma resposta objetiva, mas nada lhe vinha à mente — Acho que você precisa de ajuda. — Optou pela sinceridade.
— Eu sei cuidar de mim.
Edgar sentiu a grosseria como se fosse um soco em sua cara, por isso, optou por não dar resposta aquilo que tinha ouvido. Mas continuou de pé, vendo Joshua olhar alguns ferimentos em seu corpo e gemer de dor ao tocar seu braço.
— Tem certeza que não precisa de ajuda? — Edgar indagou.
— Nada que um banho gelado não resolva.
Joshua logo se virou para encarar Edgar.
— Por que você não está com medo de mim? Você sempre teve. Sentia que você mijava nas calças sempre que eu me aproximava e, agora que todos foram embora, você foi o único a permanecer aqui. A festa ainda continua, é melhor você voltar.
— Eu nunca gostei de festas. Eu não bebo, não fumo e não danço. E, pra piorar, estou com essas muletas. Fiquei ouvindo histórias de amor durante algumas horas até... Bem, até isso acontecer.
Edgar sentiu seu celular vibrar, mas optou por não retirá-lo do bolso.
— É melhor você voltar, seus amigos logo vão sentir sua falta. — Joshua se virou e continuou a andar.
— Eu ainda não te agradeci pelo que aconteceu na mata.
— Não precisa agradecer, fiz o que tinha que fazer.
— E é por isso que eu preciso retribuir esse favor. Deixa eu cuidar de você.
— Eu estou bem.
— Você acabou de sair de uma briga e daqui consigo ver seus ferimentos, que com certeza precisam ser tratados. Você teve um segredo seu exposto e ainda viu todos virarem as costas. Tem certeza de que está bem? — Edgar nem parecia mais a mesma pessoa.
Joshua continuou a caminhar e fingiu que aquelas palavras não o comoveram.
— Espero que não se arrependa. — Disse e deu de ombros.
Joshua jamais foi cavalheiro com alguém. Em raras exceções, para ser sincero. Ele não ajudou Edgar em nenhum momento, mesmo sabendo que outro ficava cada vez mais para trás pelo uso das muletas.
O ruivo sempre teve uma grande autoridade sobre o bloco que morou no Ninho, agora já ocupado. Joshua conseguiu a permissão do segurança para entrar e balançou a cabeça aceitando, também, a entrada do loirinho.
Caminhou até o seu antigo bloco e bateu à porta, sendo atendido por um rapaz poucos centímetros mais baixo que ele, de cabeça raspada, olhos verdes e pele escura. Um mulato extremamente atrativo.
— Eu vou dormir aqui. — Disse sem mais delongas, passando pelo mulato.
Quando Edgar tentou passar, o garoto colocou-se à sua frente.
— Deixei-o entrar e não faça mais isso que acabou de fazer. — Ordenou.
Era contra as regras Joshua estar ali, afinal, ele tinha dado a sua vaga para novas pessoas desde que se mudou para a Quadra. Mas era ele quem ditava as regras ainda em seu bloco, mesmo distante.
Todos os quartos e cômodos foram tomados pelos novos alunos, mas o seu, esse jamais deveria ser ocupado. E, para isso, ele ainda tinha as chaves.
Era um quarto pequeno, com apenas uma cama, um espelho, TV e dois armários. Sem janelas, Edgar não se sentiu à vontade no cômodo, mas já estando ali, não tinha como mais voltar atrás.
— Por que não volta pra sua república? — O loirinho perguntou, ainda de pé.
— Porque eu não quero morrer. — Falou com toda a sinceridade existente.
Edgar até prendeu a respiração quando ouviu aquilo.
— Sente onde quiser. Eu vou tomar um banho.
Joshua saiu do quarto e Edgar ainda permaneceu de pé, parado. Olhou para canto do quarto e se viu preso, principalmente quando ouviu o girar das chaves. Depois de quase dois minutos no mesmo lugar, caminhou até a cama e sentou-se, depois disso, retirou a roupa os sapatos e o terno, permanecendo com o resto da roupa. Acabou colocando as muletas próximo à cabeceira e ligou a TV. Detalhe, ela estava sem sinal.
Edgar então desligou a TV e olhou se embaixo da cama tinha algo, acabou encontrando uma caixa verde de primeiros socorros, retirou o objeto já empoeirado e colocou ao lado de seus pés. Depois ficou sentado na cama esperando o tempo passar. Chegou a cantar algumas músicas de ninar que ouvia na infância.
Foram dez minutos de banho até que Joshua voltasse para o quarto com os cabelos úmidos sendo enxutos com uma toalha branca. O ruivo vestia apenas um calção de tecido fino, exibindo cada músculo seu. Apesar das tatuagens, Joshua também era cheio de cicatrizes.
Edgar novamente sentiu o celular vibrar e não o retirou do bolso.
— Vem cá, deixa eu fazer um curativo pelo menos nesse corte que você tem na testa.
Joshua, mesmo tendo aquele jeito durão e difícil de lidar, acabou aceitando a ajuda do loiro. Puxou um banco que estava próximo da porta e sentou-se de frente para Edgar.
O loiro retirou de dentro da caixa de primeiros socorros um par de luvas e acabou usando-as, depois passou a tratar o ferimento do ruivo. Retirou o excesso de sangue que, mesmo após o banho, insistia em continuar ali. Em seguida, aplicou álcool e se surpreendeu quando Joshua permanecia com os olhos fixos aos seus sem demonstrar nenhuma dor. Finalizou pondo uma bandagem adesiva e sorriu para o ruivo.
— Pronto.
Joshua, durante todo o tempo em que recebia o curativo, ficou olhando para Edgar, seu pensamento estava longe dali.
— Já está pronto. Tem mais algum ferimento? — A nova pergunta o despertou.
— Só mais alguns arranhões, mas eles não são um problema. — Disse, levantando-se.
Edgar continuou em seu lugar na cama, desfazendo-se dos materiais que antes usara. Joshua estava de pé fuçando as coisas em seu quarto, com a leve impressão de que sentia falta de algo, mas não recordava exatamente do quê.
— Como você consegue não estar preocupado com tudo o que aconteceu? — Edgar perguntou.
— Não estando. — Respondeu, ríspido.
— Você não chora?
— Não faço disso uma opção. — Outra resposta objetiva.
— Você parece um robô, às vezes. Sem emoções, programado apenas para bater nas pessoas.
Edgar novamente não tinha noção do que tinha acabado de falar e só percebeu quando Joshua o encarou com um olhar ameaçador.
Logo, os dois não sabiam mais o que falar. Na verdade, se dependesse de Joshua, ele ficaria calado o tempo todo. Mas Edgar odiava o silêncio.
— Quando fez sua primeira tatuagem? — Tentou puxar assunto.
— Aos 17 anos.
— Qual delas que foi?
— Não vai querer saber onde está. — Tinha respondido sem problemas.
Edgar corou.
Joshua acabou retirando de seu armário dois cobertores e mais alguns travesseiros, colocando-os na cama. Tinha o típico cheiro de guardado, mas ele não fez disso um problema. Edgar também não reclamou.
— Você está tenso demais, deixa eu te fazer uma massagem. — Edgar disse ainda no lugar onde estava.
— Você vai começar a exagerar com isso? Já disse que não precisa se preocupar tanto comigo. Vamos só dormir e pronto, ok?
— Para de ser durão e cabeça dura. Eu só quero te fazer uma massagem, custa aceitar?
— Você não tem medo de apanhar? — Exaltou-se.
Edgar sentiu suas pernas tremerem de medo ao ouvir o tom daquela voz.
Vendo o estado em que Edgar se encontrava, Joshua repreendeu-se interiormente por dois motivos: por tê-lo deixado daquela maneira e por sentir vontade de ceder ao pedido do outro.
Não conseguindo falar nada, ele apenas sentou-se no banco mais uma vez, dessa vez de costas para o loiro.
Quando Edgar tocou aquela pele, logo percebeu o quão áspera ela era. Carregada de marcas devido às várias brigas em que o ruivo havia se metido. No início, até sentiu dificuldade em continuar com a massagem, já que não tinha algum óleo natural ou até mesmo gel hidratante, mas acabou prosseguindo e massageando os ombros do ruivo.
O toque que o ruivo tinha recebido era delicado graças às mãos leves do loiro. Joshua apenas relaxou os ombros e fechou os olhos, extasiado pela boa sensação do momento. Ele tinha noção de que seu corpo estava tenso, sobrecarregado de coisas ruins.
Aquela massagem era, sem sombra de dúvidas, um presente enviado dos céus. Ele estava adorando, apesar de em certos momentos ser um pouco dolorido quando Edgar tocava um ponto tenso demais.
Finalizada as costas, Edgar deu leves tapas na região, despertando Joshua. Ele havia adormecido.
— Vem, se deita.
Aceitando em silêncio, Joshua deitou-se na cama com a barriga virada para cima.
Tentando procurar uma posição confortável para sua perna, Edgar ficou ao seu lado.
Primeiro, começou massageando o pé do ruivo. Ali, Joshua gemeu de dor quando sentiu o loiro pressionar uma região dolorida. Logo, suas mãos massagearam as pernas de Josh por alguns minutos, até então subir para a coxa.
Edgar massageava a coxa de Joshua e aquilo foi quase que fatal para o ruivo. Os toques delicados deslizando em sua pele, estava, aos poucos, deixando-o excitado. As mãos de Ed pressionavam bem a região e, em certo momento, os dedos do loiro por pouco não tocaram a virilha do ruivo.
Era uma tortura tentar se controlar diante daquele toque. Joshua jamais se sentiu daquela forma, nem mesmo com Megan.
Rápido e sabendo que logo o loiro perceberia sua excitação se formando naquele calção de tecido fino, ele segurou as mãos do loiro e se sentou na cama.
— Não vai querer saber o que acontece depois. — Joshua falou, descarado.
— Como assim? — Edgar perguntou na inocência.
— Eu só digo que é melhor dormirmos. — O ruivo voltou a se deitar na cama.
— Se é assim que você prefere.
Edgar também se deitou na cama, de costas para o ruivo.
Depois disso, eles não pronunciaram mais nenhuma palavra. Joshua foi o primeiro a dormir, estava realmente cansado e a massagem o deixou mais sonolento ainda. O sono de Edgar veio minutos depois de ouvir a respiração um pouco pesada do ruivo, som agradável a seus ouvidos.
[...]
Quando Colin acordou, já eram quase onze horas da manhã. O pequeno sentiu a cabeça girar no primeiro contato com a luz. Olhou ao redor e viu seu quarto vazio, nem Caine e Edgar se encontravam lá. Ainda vestia a mesma roupa da festa e foi então que se lembrou da noite anterior.
Todos os gritos, insultos e imagens tomaram conta dos seus pensamentos.
Colin recordou de que tinha chorado a noite toda até dormir. Verificou sua gaveta de roupas, certificando-se de que elas ainda estavam ali. Pois ainda acreditava que seria expulso pelo por conta do seu segredo exposto para todos.
Foi ao banheiro, lavou seu rosto e escovou os dentes. Em seguida, o pequeno caminhou até a porta e a abriu; ao pôr os pés pra fora viu que todos estavam conversando, mas logo se silenciaram ao notar sua presença.
O desconforto foi imediato. Colin caminhou a passos lentos e, como ninguém falou nada, também optou por não falar. Ele caminhava de cabeça baixa em direção à cozinha. Por sorte, agradeceu mentalmente Caine ter se levantado.
Logo em seguida, Connor e Ian também se levantaram e rumaram à cozinha.
Colin sentou-se na cadeira ao lado da mesa e abaixou sua cabeça, passando as mãos pelos fios castanhos.
— Devo ir embora hoje, não é? — Indagou.
Colin ainda não tinha erguido sua cabeça, esperando ouvir o pior.
— Não vamos negar que o que aconteceu ainda esteja em discussão. Mas não fazemos da sua expulsão uma opção. Não se preocupe, você ainda é um leonino. — Ian falou.
— Eu menti para todos vocês.
— E infelizmente isso é verdade. Só que devemos levar em consideração algumas coisinhas, mas isso não é assunto para a agora. Primeiro você precisa se alimentar.
— Eu quem fiz as panquecas, guardei algumas especialmente para você! — Connor exclamou, empolgado.
— Obrigado, Connor. — Disse ao receber o prato com panquecas. — Mas eu estou sem fome. — Disse.
— Você precisa comer, Colin. Samuel disse que você quase que não comeu na festa. — Caine falou.
— Mas eu não estou com fome, posso comer outra hora. Eu ainda preciso falar com o William.
— Você sabe que isso será quase que impossível. William não o quer na república e, por isso, saiu sabendo que você não seria expulso.
— Saiu?
— Ele ainda não levou suas coisas, mas disse que iria passar um tempo fora. Octavio e eles romperam, mas Octavio ainda está seguindo-o e tentando convencê-lo a permanecer na república.
— Eu sou um tremendo de um babaca, fui culpado pelo término deles dois. — Colin levou sua mão à face, apertando-a firmemente.
— Não se sinta culpado por isso. Octavio e William já passaram por muitas coisas, eles não vão ter um fim definitivo. Sei disso porque consigo ver que William não é mais nada sem Octavio. E se ele virar as costas para Octavio significa que ele não terá mais ninguém, já que não concordamos com ele sobre sua expulsão. —Caine tentou confortar o amigo.
— Ele pode perdoar qualquer pessoa, mas a mim... Acho isso impossível.
— Desculpa, mas eu tenho que concordar. Não acho que o William vá te perdoar um dia. Eu o conheço muito bem para saber que isso não vai acontecer. — Ian falou.
Caine balançou a cabeça, sendo obrigado a concordar.
— Passaram-se alguns anos até que ele decidisse perdoar o Octavio. Mesmo tendo sido anos perdidos, já que no final tinha tudo sido um plano de Sean e Colton.
— E é por isso que ele jamais vai me perdoar, por Sean ter feito coisas desse tipo.
— Colin, consegue me responder uma coisa? — Ian perguntou, sentando-se em uma cadeira.
— Não posso mais esconder nada, é um direito de vocês saberem toda a verdade.
— Certo. Mas eu não quero te interrogar ou algo do tipo, apenas te fazer uma única pergunta.
— Às vezes você me dá medo. — Connor falou vendo a posição de durão que o namorado ostentava.
— E você deve realmente ter medo, estou sabendo de uma amiguinha sua... — Ian então voltou sua atenção para o Colin. — Você chegou a amar o Sean?
A pergunta pegou Colin de surpresa, tanto é que ele quase saltou da cadeira. Sentiu seus dedos formigarem e respirou fundo, pois a resposta veio quase que de imediato, mas ele iria odiar ter que admitir aquilo e, por isso, a primeira lágrima já desceu sem o seu comando.
— Eu fiz de tudo para isso não acontecer. — Admitiu.
— E é por isso que eu vou te defender com unhas e dentes. — Ian se levantou e foi até a geladeira, buscou um copo de suco para Colin e lhe entregou.
— Eu também vou estar ao seu lado.
— Mas eu estou querendo que o ódio supere o amor. — Colin falou e enxugou a primeira e única lágrima que desceu.
— Não acho que seja uma boa para conversarmos sobre isso.
— Sean está novamente com Colton.
— Como?! — Ian quase gritou.
— Foi por causa dele que Sean me deixou. Eu ainda tenho na memória a imagem, as lembranças. Jamais vou me esquecer disso.
— Foi por isso que William começou a ficar com mais raiva. Ele deduziu que sua tristeza foi porque Sean também te magoou, assim como fez com Octavio. Ai, Colin, parece que tudo tende a piorar. E o pior é que eu consigo entender o lado do William, apesar de achar a atitude dele errônea. — Ian novamente tocou o copo de suco, encostando ao cotovelo de Colin.
— Algum de vocês tem mais alguma notícia ruim para hoje? Sabe... Eu estou esperando de tudo.
— O jornal da Quadra voltou e, bem, a polêmica foi grande. — Ian foi até a sala e voltou com um jornal impresso, colocando-o sobre a mesa.
A primeira notícia, em destaque, não era a que ele esperava.
“Laços de Sangue”
Em seguida, Colin leu a matéria sobre Megan, Joshua, Caleb e Noah. Ele não negaria que ficou boquiaberto com a notícia, principalmente ao chegar à parte em que Harry explana sobre o HIV de Josh e Caleb.
A escrita de Harry era um tanto irônica, carregada de brincadeiras referente ao que acontecera. Colin não conseguia entender como ele conseguia expor aquilo em um jornal. Isso se fosse sobreviver, caso Joshua resolvesse tirar satisfações pelo que fizeram.
Para finalizar a notícia, as quatro fotos dos envolvidos estavam sendo interligadas por setas descrevendo como se fosse uma árvore genealógica.
O queixo de Colin foi ao chão quando viu, também, a foto de Edgar no centro, abaixo estava escrito: “A próxima vítima.”
— Colin, seus pais estão aí. — Samuel apareceu na cozinha, assustado.
Colin demonstrou ter ficado tão assustado quanto o loiro.
Ele se levantou do seu lugar e caminhou até a sala, vendo que seus pais já estavam ali dentro, interagindo com os seus companheiros de república.
Colin estava acabado e temeu que seus pais notassem isso. Principalmente por ter acordado há pouco tempo.
— Mãe... Pai... — Ele disse, ainda se aproximando.
Anita sorriu e abraçou o filho.
— Onde você vai todo arrumado, e essa cara de sono? A roupa toda amassada...
— Vai mesmo começar com isso aqui? — Joseph indagou.
— Ele é meu filho, tá bom? — Anita se virou.
Colin quis enfiar sua cabeça em um buraco.
— O clima aqui tá tão estranho, aconteceu alguma coisa? — Anita perguntou.
— Estão todos cansados da festa de ontem. — Connor tinha dito.
Anita olhou para Colin. Colin desviou o olhar.
— O que fazem aqui? — Ele perguntou.
— Te visitando. Ontem eu liguei pra você, mas ninguém me atendeu. Hoje tentei ligar pro seu amigo, o William, ele tinha me passado o número dele, mas também não me atendeu. A propósito, onde ele está? Gosto bastante dele.
— Ele está no hospital, trabalhando. — Colin mentiu.
— Vocês estão com fome? — Clara perguntou. — Hoje não íamos fazer almoço, mas já que temos visita, eu posso ir na cozinha preparar algo.
— E se eu resolvesse fazer um almoço para todos vocês como agradecimento por cuidarem do meu filho? — Anita sorriu. — Mesmo sabendo que todos vocês estiveram em uma festa e que... Bem, não quero parecer chata. Onde fica a cozinha?
— Eu te ajudo. — Clara disse, mostrando o caminho para a mulher.
— Eu também irei ajudar. — Erica ainda estava na república, iria embora ao final da tarde.
Joseph ficou de pé, no centro da sala. Colin caminhou até o pai e o abraçou, sendo correspondido. Ele adorava aquele aconchego, um pedaço da sua casa estava ali. Será que Anita tinha contado para ele sobre a sua sexualidade? Diante de tudo o que aconteceu, ainda não se sentia pronto para isso. Tinha medo de causar mais decepções.
— Só tem duas garotas aqui? — Ele murmurou no ouvido do filho.
— Pai... — Colin respondeu ao murmúrio.
— Não quer dar uma volta? Sabe, eu quero conversar com você...
— Conversar comigo? — Colin se desfez do abraço.
— Sim. Conversar com meu filho. Não posso?
Colin sentiu seu coração bater mais forte. Estava nervoso e não conseguiu disfarçar isso. Viu sua vida passar diante de seus olhos e pensou em todos os erros que havia cometido.
— Posso pelo menos tomar banho? — Perguntou.
— É, você realmente precisa. Teve sorte da sua mãe não sentir o cheiro de bebida alcoólica que estou sentindo. — Sorriu, simpático. O queixo de Colin foi ao chão.
Colin ficou um tanto constrangido ao perceber que o pai descobriu sobre ele ter bebido na festa citada por Connor.
— Pai, esses são Ian, Caine, Leo, Gale, Connor e, claro... — Colin olhou para o loiro. — O Samuel.
— Olá, Samuel. — Joseph brincou, fingindo serem dois desconhecidos. — Oi, garotos! — Disse, observando os sorrisos simpáticos e recebendo um abraço de Connor, que por vontade própria tomou essa atitude.
Colin voltou para o seu quarto e, tremendo, tomou o seu banho. Demorou menos que dez minutos, embora tivesse a sensação de ter passado mais tempo ali dentro. Afinal, não estava preparado para conversar com o pai, sabe-se lá do que se tratava. Embora acreditasse fielmente ser sobre a sua sexualidade.
Ele saiu do quarto e encontrou o pai sentado. Colin evitava todo e qualquer contato visual com o pai e os companheiros. Não conseguia fingir que nada acontecera, sabia que todos também estavam atuado, apesar de estarem decepcionados com ele.
Colin passou pelo pai e foi até a cozinha, vendo como a mãe estava. Anita e as garotas pareciam bater um bom papo, e não foi surpresa para o Colin ver que sua mãe era uma cozinheira de mão cheia e por isso estava dando dicas para Clara e Erica.
— O pai quer falar comigo. — Ele comentou com a mãe.
— Eu não contei nada! — A mulher parou o que estava fazendo.
— Estou com medo...
— Ele é seu pai, Colin. Agora saia daqui que estamos tendo conversa de garotas! — Anita sorriu para Clara e Erica, sentindo-se jovem por estar ali.
Colin revirou os olhos e voltou para a sala.
Quando Colin olhou para o pai, viu Joseph de cabeça baixa. Talvez estivesse cansado pela viagem. Mas então Colin notou que o pai não estava bem e por isso resolveu se aproximar. Colin tocou na mão de seu pai e sentiu sua pele esfriar aos poucos, quando Joseph ergueu um pouco a cabeça, a palidez foi quase que imediata.
— Pai! — Colin logo se exaltou e chamou a atenção de todos. — Pai!
— Meu peito... Ele dói. — Joseph disse, pausadamente, apertando a mão sobre o peito, como se tentasse segurar o próprio coração.
O desespero de Colin veio imediatamente assim que o corpo do pai, após segundos de dificuldade em respirar, cedeu aos poucos. Colin viu o rosto suado do seu pai cair sobre suas pernas.
— Socorro! — Colin gritou. —Meu pai!
Anita saiu correndo da cozinha, já desesperada. Uma mãe reconheceria aquele tom de voz em desespero a vários quilômetros de distância. Quando encontrou Joseph caído, Anita também se desesperou, tentando reanimar o marido com tapinhas no rosto.
Erica, como formada em medicina, logo constatou o que havia acontecido. Ela pediu para que todos se afastassem e deitou o corpo do pai do Colin no chão, desabotoando a camisa que ele usava.
— Liguem para a emergência. — Pediu, amarrando seus cabelos.
Erica ajoelhou-se ao lado do corpo de Joseph, checou rapidamente a pulsação de pulso, e levou uma mão ao centro do peito do homem. A outra foi logo por cima, entrelaçando os seus dedos aos outros.
O mundo deveria ser eternamente grato por Erica estar na república naquele momento, caso contrário, ninguém saberia que atitude tomar, principalmente por estarem tomados pelo desespero.
Erica usava a força do seu corpo tentando reanimar Joseph, pressionando repetidamente a região. Sempre checando o pulso e a respiração do homem.
Era desesperador para Colin e Anita, marido e pai respectivamente. Todos os outros também estavam horrorizados com a cena, pois tudo estava bem até aquilo subitamente acontecer.
Pobre Colin, nem sequer teve tempo para descansar do acontecimento na noite anterior. Algo de ruim novamente acontecia, como numa maré de azar.
O socorro não demorou a chegar. Colin e todos os outros observavam o resgate acontecer, até levarem o corpo para a ambulância. Colin não teve tempo sequer de se despedir, apenas entrou no carro acompanhado da sua mãe, também em lágrimas.
Todos sentiram a dor de Colin naquele momento. Ele realmente não estava em seus melhores dias. Sean, William... E agora o pai.
[...]
Foram quase duas horas com Colin chorando sem cessar. Ele estava encostado ao ombro da mãe, que se mantinha forte tentando acalmar o filho. Ela ainda não sabia o que tinha acontecido ao filho para compreender ainda mais a sua dor.
A angústia tomava conta de Colin esperando qualquer notícia do seu pai.
Mas finalmente, naquela sala de espera, alguém chamou pelo nome de Anita, e a mulher se prontificou em mostrar quem era.
— Eu sou Jackson, médico responsável pelo senhor Joseph Arnold Manson.
— Eu sou mulher dele. — Ela disse, apreensiva.
— Tenho boas notícias para vocês. O senhor Joseph teve um infarto agudo do miocárdio extenso, que o levou a uma insuficiência cardíaca fulminante. Tomamos todas as medidas necessárias. Realizamos um cateterismo cardíaco, um exame que evidenciou o trombo numa das artérias mais importantes do coração. Tivemos de colocar algumas “molinhas” – o médico claramente usava uma linguagem mais simples para que eles entendessem – nas artérias para que o fluxo de sangue fosse reestabelecido e ele fosse adequadamente reanimado. Ele está bem agora, estável, em nossa unidade cardiovascular.
Anita por pouco não desmaiou, sentindo metade da angústia indo embora. Ainda assim, estava preocupada com a situação do marido.
Jackson era um médico baixo como o Colin, mas muito mais velho que ele. Tinha cabelos apenas nas laterais da cabeça e olhos azuis extremamente claros. Uma simpatia em pessoa.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— A partir de hoje vocês devem realmente passar a observar mais o senhor Joseph. A rotina diária dele deverá mudar. Alimentação e exercícios físicos, além de uma boa dose de medicamentos. Mas eu explicarei tudo melhor para vocês dois antes da alta.
— Eu já sou chata em relação a essas coisas, serei pior ainda. – Anita garantiu.
— Onde está o meu pai? — Colin perguntou.
— No momento está dormindo, mas vocês ir vê-lo. Ele pode acordar a qualquer momento, mas é bom deixá-lo descansar um pouco. Consigo imaginar o susto de vocês em relação a isso. Foi uma grande sorte terem conseguido chegar rápido até nós, antes que o quadro se tornasse irreversível.
Anita abraçou o médico sem sequer pedir permissão, e o homem apenas sorriu com a atitude.
— Podemos vê-lo?
— Chamarei as enfermeiras para levá-los até a sala, mas é recomendável que o deixem dormir por enquanto.
— Doutor, você sabe a causa disso?
— A causa é multifatorial. Homens naturalmente já tem maior predisposição para doenças cardíacas em relação às mulheres, ainda mais se há histórico na família, pois há um componente genético. No caso dele, o maior problema foi à aterosclerose, nós acreditamos. — Disse o médico e olhou para Colin. — Por isso, quando alguém tem pais com problemas cardíacos, é sempre bom manter o corpo sempre saudável, longe de bebidas, cigarros e outras drogas.
Anita quis beliscar Colin após ouvir aquilo.
Eles acabaram indo ver o pai, levados pela enfermeira até a unidade especial. Ambos choraram ao vê-lo deitado naquela maca de hospital, ligado a equipamentos que Colin nem sabia dizer o que eram. Ao menos, ele parecia pacífico.
[...]
Já era metade da noite quando Sean chegou naquele hospital. Naquela altura do campeonato, os boatos de que algum dos leoninos tinham ido ao hospital se espalhou por toda a Quadra. Isso se devia ao fato da emergência meio que invadir a república dos Águias e chamar a atenção de todas as outras repúblicas.
Sean deixou o carro no estacionamento do hospital e subiu às pressas no elevador.
Ian estava sendo responsável por todas as despesas que Colin estava tendo no hospital. Tanto é que foi ele quem chamou a emergência e se responsabilizou por tudo. Danion foi um dos que também se sensibilizou pelo momento e, a pedido do Caine, também resolveu ajudar. Então vale saber que o hospital no qual o pai de Colin estava recebendo atendimento não era qualquer um.
Após se identificar, seu sobrenome serviu como carteirinha para que a mulher não fizesse mais indagações. Apesar de nenhum de seus familiares pertencerem ao quadro de médicos daquele hospital, eles eram conhecidos e respeitados.
Foi procurar Colin pelos corredores do hospital.
Acabou encontrando o pequeno parado em frente a uma sala, com os braços cruzados. Colin nem sequer tinha notado a sua presença ali, estava com os olhos fixos no pai que dormia como uma criança. O vidro, com as persianas abertas, separava-os de qualquer contato físico, permanecendo apenas com o contato visual. Lá dentro, Anita dormia numa das poltronas do quarto.
Colin parecia ter saído dali para tomar um pouco de ar. Era sufocantemente triste estar dentro de um quarto de hospital, com o pai naquele estado frágil.
Sean ficou aliviado ao perceber que não era Colin ao estar do outro lado da sala. Chegou no hospital acreditando que ele estava ferido.
— O que aconteceu? — Sean perguntou, meio como se não quisesse nada.
De todas as pessoas do mundo, Colin jamais imaginou que Sean estivesse ali. Ele por pouco não se desmoronou em lágrimas mais uma vez, apesar do rosto úmido pelas lágrimas já derramadas pelo pai.
Colin não respondeu e nem sequer tomou a atitude de olhá-lo. Sean estava ficando cada vez mais próximo.
— Eu sei que você está me odiando, mas eu estive preocupado com você. — Sean disse, baixinho.
— Nós não temos mais nada, nenhum um vínculo. E eu não acredito em suas palavras.
— É um direito seu não acreditar no que digo.
— Vá embora, Sean.
— No fundo, eu sei que você não quer isso.
Colin se virou, incrédulo.
— Como ousa? Você simplesmente me dá um pé na bunda e do nada aparece no hospital fingindo que nada aconteceu? Sean, por favor, saia daqui. Você não sabe o quanto eu estou te odiando.
— Pode me odiar o quanto quiser, Colin. É normal para mim ouvir isso das pessoas.
— Então saia daqui! Você é um monstro! — Colin chorou, baixinho.
Sean não disse mais nada depois disso, ficou em seu lugar, parado e olhando Colin chorar.
— Por sua causa eu perdi pessoas queridas. Por sua causa eu estou sendo expulso da república. E-eu ouvi William dizer que fui falso, artificial. Que não era verdadeiro com ele e com todos. Por sua causa eu causei conflito em todos na república. Octavio e William estão brigados. Eu perdi meu maior pilar que era o William. — Colin novamente se derramava em lágrimas. — E olha só onde eu estou. Eu não tive tempo para nada, tudo de ruim está acontecendo no mesmo momento. E você ainda se acha no direito de aparecer no hospital e agir dessa maneira? Eu vi você e Colton na festa, juntos. Eu te odeio, Sean! Te odeio!
Sean simplesmente deu um passo à frente e abraçou Colin.
— Me larga, me larga, me larga! —Colin o socava, mesmo ainda estando preso ao braço do outro. — Desgraçado, idiota, babaca, imbecil. Você não merece nada do que tem.
— Eu sou tudo isso e muito mais. —Sean murmurou.
— Filho de uma puta de merda. Falso, mesquinho, hipócrita, mentiroso... —Colin continuou com seus insultos até que Sean abaixou sua cabeça e o beijou, silenciando-o.
Aquele beijou inesperado fez Colin congelar pela emoção e surpresa do momento. Mas então, as lembranças de vê-lo com Colton e as palavras duras que recebeu do moreno tomaram conta de suas emoções.
Colin apenas se afastou e, com toda a força acumulada, estapeou a face do moreno.
Sean, assim como Colin, ficou surpreso. O pequeno por saber que jamais seria capaz de fazer aquilo. O maior por acreditar que teria o beijo correspondido.
Colin fechou o punho e socou o moreno mais uma vez, dessa vez, Sean conseguiu segurar o braço a tempo.
A sorte deles é que não havia mais ninguém naquele corredor.
— Não ouse, jamais, brincar com os meus sentimentos. Eu tenho nojo de você, Sean.
Sean não esboçou nenhuma reação, embora interiormente sentisse seu coração ser destruído aos poucos pelas palavras que ouvia.
— Não tente consertar as coisas com um simples beijo, isso é, de longe, insuficiente para apagar da minha memória o que você fez.
Sean apenas abaixou a cabeça.
No fundo, ele realmente estava preocupado com Colin e mesmo na noite anterior tendo tomado um soco de William, ainda estava de pé. Tinha um ferimento em seu braço e um hematoma em sua face.
— Se um dia você acha que eu vou esquecer, estará completamente enganado. Tudo o que existiu entre nós dois deixou de existir.
Sean não falou mais nada. Ainda de cabeça baixa ele deu as costas e enxugou a lágrima que desceu por sua face. Nem sequer se despediu de Colin. Estar ali era por uma única causa: o bem de Colin. Mas agora tinha noção do mal que tinha feito ao garoto, e as palavras acompanhadas daquele olhar furioso eram duras. Como se rochas fossem lançadas ao seu corpo.
Colin deixou com que seus olhos seguissem Sean até ele desaparecer, depois disso, abaixou a cabeça e voltou a chorar. Anita apareceu logo em seguida e o abraçou.
Lá estava Joseph, deitado e de olhos abertos. Ele tinha assistido toda aquela cena de seu filho beijando e batendo em Sean.
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