Notas iniciais
Badboy desgraçado.

— Hein, Caine, você me ama? — Indagou mais uma vez após ver o pequeno em silêncio e pensativo.

O que Caine poderia responder? Ser sincero ou mentir? A mentira era algo fora de questão nos pensamentos do pequeno, porém, estando ali, diante daquele garoto na qual sempre amou, revelar isso em alto e bom som só o deixava a beira de um precipício, como se tal revelação o deixasse vulnerável a milhões de quesitos. Ele conhecia Danion, sabia que a resposta poderia acabara resultando em algo bom ou ruim. Pendendo para a desgraça.

O pequeno rapidamente apanhou suas roupas molhadas do chão, pondo-as no canto do banheiro. Saiu pelado, mesmo que excitado, e caminhou até suas gavetas. Deixou Danion sem resposta. Uma atitude impensada.

Danion se sentiu ridículo. Acabou criando expectativas, achando, por um segundo, que alguém o amava do jeito que era; com seus defeitos. Mais defeitos do que qualidades. Logo quis socar o pequeno por tamanha raiva criada em si.

O branquelo o seguiu e o empurrou na cama.

— Ai. — Disse o pequeno, sentindo que sua cintura bateu na madeira.

O branquelo logo quis se desculpar, mas perderia seu orgulho se caso fizesse isso.

— Por que diabos você não me responde?

— Porque você já sabe o óbvio. — Caine pusera força na voz.

— E o que é o óbvio? — Indagou, agora confuso.

— Eu te amo mais do que a mim.

Caine nunca foi bom com as palavras. Nem mesmo tivera poder com elas. Mas uma frase acabara impactando alguém. Rendido estava o branquelo. Sem saber o que responder e fazer. Nem sequer um movimento fizera depois de ouvir o que o pequeno o disse.

O pai não o amou. A mãe o mesmo. Esses o abandonaram no orfanato. Os pais adotivos, que impensadamente resolveram adotá-lo, com o tempo não conseguiram conciliar o trabalho com a família deixando o garoto crescer sozinho sob os cuidados de uma babá. Babá essa que o maltratava, e sob ameaças tivera que se manter calado. A irmã mais velha que não o ouvia e dizia que tais marcas em seu corpo eram por ele ser travesso demais. Os amigos de escola que o ignoravam pro não suportarem sua natureza travessa. Danion não tinha ninguém. Não era amado.

Mas ali, parado em sua frente e totalmente devoto a ele, acabara de dizer com palavras sinceras, que o amava.

Ele só pode dar as costas para o garoto e caminhar até a porta. Mas a voz do pequeno conseguir chamar atenção:

— Não vai embora. Por favor. — Caine pediu, se levantando e indo atrás de Danion.

O branquelo não disse nada. Apenas sentiu as mãos de Caine colarem as suas.

— Continua com o que estávamos fazendo. Eu te imploro. Você não sabe o quanto eu esperei por isso.

— Não depois de acabar de ouvir que você me ama.

— Você pode não me amar, Danion. Eu sei disso. Mas só uma noite com você. Eu nunca te pedi nada em troca de todos os favores que te fiz. Esse é o primeiro e último. — As mãos pequenas prenderam a do maior. Olhos de pidão.

— Você me ama, Caine. Tudo que você espera é um sexo com sentimento.

— Danion, faça o que você sempre fez. Comande-me. — Olhos famintos.

Era incrível como o pequeno Caine largou a máscara de lado e pediu para ser usado, tomado e possuído. Desejava isso. Queria mais do que tudo se entregar. Já tivera dado o primeiro passo. Queria ao menos terminar o que começou.

Isso de fato começou a inquietar Danion que o vira tão vulnerável, mais do que todas as vezes que ele já o comandou.

O branquelo facilmente poderia sair dali, dar as costas e rir de Caine, mostrando para todos que tal inocência era uma farsa. Porém não conseguiu pensar nisso. Estava perdido num emaranhado de desejos jamais revelados. Pensamentos incertos tomavam conta de si. Prosseguir ou abrir mão.

— Por favor... — Sussurrou Caine, suplicando.

Ele fora correspondido. Danion o calou com um beijo antes que ele pudesse continuar o que tinha para dizer.

Dessa vez o beijo fora intenso. Sem agressividade. Delicado assim como Caine era. Dessa vez Danion pensava não só nele, mas também no pequeno. Tendo cuidado com o corpo do outro.

O branquelo fechou os olhos e esqueceu-se de tudo. Somente se ligou no prazer que poderia proporcionar ao pequeno. Não queria fazer como fizera com os outros. Seria um erro prosseguir, mas ele já era feito de erros e queria errar; Dessa vez errando pelo bem de alguém. Se assim pudesse ser considerado.

Caine saltou prendendo suas pernas na cintura de Danion. Pusera suas mãos envoltas no pescoço do branquelo e continuou beijando-o. O pequeno por sua vez estava disposto a mostrar para o outro que ele poderia ser melhor do que todos aqueles que Danion já deitara, embora fosse sua primeira vez. Disposto a fazer Danion não enxerga-lo mais como alguém indefeso e jovem demais. Disposto a fazer o branquelo amá-lo após uma noite de prazer.

Em passos lentos e ainda aos beijos, Danion caminhava até a cama. Antes de deitá-lo, o branquelo ainda pensou duas vezes em realmente prosseguir. Mas tal pensamento fora desfeito após sentir uma mordida em seus lábios.

Ele abriu seus olhos e viu Caine o olhando, sorridente. Ainda ingênuo. O que viera piorar a situação fora a música tocada na festa. O que antes era agitada tornou-se bem menos, mas não depressiva, pelo contrário, uma música perfeita para o momento, onde a cada batida despertava desejos.

Deitado em sua cama, Caine mais uma vez pode sentir os lábios de Danion brincando com as partes de seu corpo. Sentiu mordidas, beijos e arrepios.

Danion dessa vez não estava sob o controle, na verdade estava sendo controlado. Não pelas ações, mas pela palavra amor. Ele afastou as pernas de Caine e se pôs entre elas, repousou sua testa na de Caine e deu-lhe um breve beijo, suspirando forte devido ao folego perdido. Até que finalmente pudera adentrar no garoto. Que inevitavelmente se contorceu de dor, apertando forte a cintura do branquelo.

A emoção foi tamanha que o único preservativo foi descartado, e agora faziam aquilo desprotegido.

Caine não esperava que a dor fosse tamanha. Ele sabia que doeria, mas não tanto.

— Você me ama, certo? — Danion murmurou. Caine afirmou movimentando a cabeça, ainda de olhos fechados. —Quem ama suporta tudo.

Danion ainda não se encaixou no garoto, estava incompleto. Tentou se movimentar, mas foi impedido. O pequeno ainda não estava suportando.

— Caine, olha para mim. — Pediu. Resposta imediata. — Agora respira fundo e relaxa.

O pequeno demorou para relaxar, mas finalmente fizera o que o outro pediu. Suportou cada centímetro adentrando em si, mesmo que seu corpo estivesse rejeitando aquilo. Doía. Muito. Mas ele sabia que depois da dor viria o prazer. Era uma tortura ter que esperar sentir prazer depois daquilo.

Danion o beijou para que ele pudesse esquecer a dor. Continuou fazendo movimentos levíssimos para que o outro pudesse se adaptar com o invasor dentro de si. A resposta vinha quando a respiração de Caine começara a ficar pesada, sinal de que o prazer começava a surgir.

Caine o arranhou e até sorriu ao ver que Danion estava sorrindo após vê-lo sentir, finalmente, o prazer.

Os corpos já estavam soados mesmo após saírem de um banho.

Os movimentos ainda não eram intensos, mas o suficiente para dar prazer e receber. O branquelo pudera admitir que tirar a virgindade de alguém era algo divertido além de prazeroso. Também tinha que admitir que estava sentindo prazer, e mais do que esperava. Algo que ia além daqueles outros que já transara. Estava tudo intenso.

As pernas de Caine já doíam naquela posição, tendo que optar por outra. Ficando de lado e recebendo o branquelo dentro de si. Prazer. Domínio. Era isso que ele estava recebendo. Tamanho foi o prazer que sentiu que cravou suas unhas nos braços de Danion, provavelmente deixando marcas.

Permaneceram na mesma posição por alguns segundos até voltarem para anterior. Dali só pararia até chegar ao ápice. Dessa vez o branquelo tinha a liberdade de intensificar seus movimentos e observar o outro fechar os olhos implorando por mais. Era deliciosa a sensação de estar ali, vendo alguém fielmente entregue a ele.

— Danion... — O pequeno quase gritou pelo prazer recebido, iniciando então uma masturbação.

Era o momento. O branquelo não poupou em acelerar mais ainda seus movimentos, sabendo que logo não poderia se movimentar devido à exaustão. Mas estava adorando ver as expressões do outro.

Foi quando em um urro alto — e felizmente abafado pelo som — Caine chegou ao ápice, derramando em sua barriga o que produziu. O branquelo não demorou a fazer o mesmo, retirando-se de dentro do menor e se masturbando ali mesmo. Outro urro, alto e quente.

Seu corpo caiu. Ele sabia que não tinha nem mais forças para se levantar dali. Três eram os motivos para isso: A bebida. A exaustão. E Caine que o abraçou.

[...]

— Colin? — O pequeno olhou para trás e encontrou William. — Posso falar com você? — Indagou o loiro.

Colin achou estranha tal indagação. Imaginava que coisa boa não seria, principalmente após olhar nos olhos de William. Ele estava abatido, como se precisasse de alguém para conversar.

O dono de olhos castanhos não pensou duas vezes em aceitar a proposta, ignorando até o fato de estar esperando Caine, que por sinal, estava demorando.

Tiveram que encontrar um lugar livre e com pouca gente, isso demorou um tempo. No final acabaram no quarto de sua república. De qualquer maneira, isso não ajudou muito. Tiveram que trancar janelas e portas para diminuir o volume do som vindo de fora.

Colin por algumas vezes perguntava se algo sério tinha acontecido. William respondia com seu olhar. Ambos pararam em frente à janela do quarto, tendo visão quase completa da festa.

— Olha lá ele. — O loiro falou, mostrando a multidão, porém Colin só enxergou Sean.

— Quem? Sean? — Colin indagou, confuso.

— Não. Octavio. — Respondeu quase com um murmúrio.

Mais uma vez Colin olhou para a multidão e encontrou Octavio há um metro afastado de Sean. Quis se suicidar após enxergar somente o moreno.

Colin logo imaginou que o comportamento do loiro estava relacionado ao seu ex-namorado. Só não conseguia entender como isso só aconteceu agora, sabendo que o loiro por milhões de vezes mostrava-se despreocupado com o outro.

— Erica agora me chama de monstro. — O loiro falou, dando início ao assunto.

— Quem é Erica? E por que te chamariam de monstro? — Perguntou de imediato já odiando a garota que nem sequer conhecia.

— Sobre quem é Erica, logo você saberá. — Ele falou, desinteressado nesse assunto. — E bem... Foi por causa do beijo.

O pequeno não soube o que responder. Ficou até sem jeito ao recordar-se do ocorrido, lembrando que logo teria que falar com Octavio a respeito do beijo.

— “William, eu não esperava aquilo de você.” “Isso é atitude de um monstro.” — O loiro falava, tentando imitar o que haviam dito para ele.

— Eu não acho você um monstro, Will. — Provavelmente foi a melhor resposta que Colin conseguiu dar. Arrancou um sorriso em forma de suspiro do loiro.

O que ele não esperava era que esse sorriso desse lugar a lágrimas. Lágrimas essa que William parecia ter segurado há muito tempo. Ver um valente daquele tamanho se mostrar tão vulnerável foi de partir o coração. Era William, alguém que por muito tempo carregou o fardo da liderança e do amor perdido. Tão forte. Exemplo para muitos em sua república.

— Nunca me perguntaram por que trato Octavio dessa maneira. Eu sempre sairei como o errado por te dado fim a minha relação com ele. De fato, eu mereço tudo isso.

— Will... — Falou Colin enquanto levou sua mão ao ombro do amigo.

— Me diz, Colin, como reagiria se sempre fosse considerado a segunda opção na relação?

Colin nunca passou por isso, até porque nunca manteve um relacionamento sério. Mas conseguia imaginar qual era a sensação. Principalmente se isso fosse relacionado a ciúmes.

— Todos só enxergam Octavio como a vítima.

— Todos quem? Por um acaso mais pessoas sabem da história de você e Octavio?

— Eu não sou assumido e nem pretendo ser. Odeio esse assunto. Mas algumas pessoas descobriram sobre mim devido as baladas do passado na qual me viam com garotos, enquanto eu tentava esquecer Octavio.

— Will, eu acho que vou ser um baita filho da puta no que vou dizer, porém, acho necessário. Por que você não admite logo que quer Octavio?

— Porque querer não é poder. — Ele novamente suspirou.

— E por que não pode?

— E passar por tudo que já passei? Colin, você nunca se relacionou com alguém, logo não sabe como é difícil manter um relacionamento entre pessoas do mesmo sexo que namoram escondido de tudo e de todos.

Colin não conseguiu entender o porquê de pensar em Sean ao ouvir isso. Até piscou várias vezes mandando embora tal pensamento e buscando alguma resposta para o loiro.

— Você é idiota. Sério que você o deixou só porque estava cansado de namorar escondido? — Tirou conclusões sem antes ouvir o que o loiro tinha a dizer.

— Você tá agindo como os outros. — William disse, caminhando pelo quarto e parando em sua mesa de estudos. — Sempre me veem como o errado.

— Não te chamei de errado. Mas foi o que consegui imaginar depois do que você disse.

— Era de se esperar. Você é igual aos outros. — Falou sem olhar para trás.

— Me chamou pro quarto e vai me ofender, é isso mesmo? — Colin indagou, mostrando-se chateado.

— Quer saber? Pode ir se divertir.

Colin teve que respirar fundo e notar que ele estava errado agindo daquela forma. Sua maneira direta de agir acaba piorando a situação.

Caminhou até o loiro e mais uma vez pôs a mão em seu ombro, só que dessa vez repousou seu queixo nos cabelos do outro.

— Desculpas. Eu sei que você precisa desabafar. — Finalmente algo bom Colin conseguiu pronunciar.

William levou sua mão as que estavam em seu ombro, abaixou sua cabeça e agradeceu em pensamentos por ter alguém ali com ele. Sabe-se lá o que ele poderia fazer caso estivesse sozinho enquanto todos mostravam-se felizes pela festa.

— Octavio só está assim desde que eu resolvi mostrar esse lado meu. Mas os papeis já foram invertidos. Por um acaso você já me imaginou no lugar dele? — William perguntou.

— Como assim?

— Era eu quem corria atrás de Octavio. Implorava seu perdão.

— Do que você está falando, Will? — Ele se afastara, puxando uma cadeira e sentando-se na frente do loiro.

— Do princípio. Desde quando eu e Octavio começamos a ter algo sério. No final eu quero que você me diga se realmente estou errado.

— Certo, eu estou disposto a saber de tudo. — Disse, segurando a mão de William.

William tivera que se recompor até finalmente começar a contar sua versão.

— Eu sou fruto de um erro. Como devo conhecer Octavio, consigo imaginar que ele tenha te dito tudo. Sobre eu ser irmão de Sean, sobre minha mãe, a mãe dele, meu pai entre muitas outras coisas.

— Eu sei dessa parte. — Quis falar de forma direta, tentando não tocar no assunto delicado sobre seus pais.

— Sabe, Colin, quando ainda estudávamos na mesma escola. Octavio era meu amigo. Desde a adolescência sabíamos de nossas reais intenções. Foi ainda na adolescência que me deitei numa mesma cama com ele, mesmo que na época isso apenas fogo juvenil...

E então William contou tudo.

William e Octavio se conheceram na escola. O moreno já era amigo de Sean nessa época, porém não sabia que esses dois eram irmãos. Nem mesmo eles sabiam disso, o engraçado é o fato de que o próprio destino resolveu encarrega-los de não serem amigos. Mas o mesmo destino resolveu fazer de Octavio e William amigos: íntimos.

O loiro e o moreno eram da mesma sala, sentavam na mesma carteira. Compartilhavam tudo. Isso quando Sean não estava presente, já que no intervalo Octavio tinha que dar atenção ao seu amigo. Foi em um passeio escolar de turmas, que William e Octavio começaram a ter seus sentimentos relacionados. Octavio acabou se metendo em uma confusão e William o ajudou, ambos pararam na enfermaria, mas fora dali um cuidou do outro.

O primeiro beijo entre William e Octavio aconteceu numa expedição da escola em um museu, ambos estavam no mesmo banheiro, vazio. Não conseguiram evitar tal atração. Até que dias depois já estavam rolando na mesma cama. Tudo mantido em segredo, até mesmo de Sean que era melhor amigo de Octavio.

— Ao que parece foi somente felicidade, quando começa as desgraças? — Colin interrompeu querendo ir direto para a parte que lhe interessava.

— Quando Sean descobre. — Uma pausa para soltar as mãos de Colin. — Ele me viu beijando Octavio na escola. Achávamos que ninguém tinha nos seguidos, mas nos enganamos quando meu irmão entrou na sala, mostrando-se nada surpreso com o que via, pelo contrário, até lembro-me do sorriso dele.

— Sei bem como é essa expressão. — Colin dissera, revirando os olhos.

— Quando ele descobriu que éramos irmãos, as coisas só pioraram. Eu vivia sob ameaças já que ele sabia sobre mim. Octavio e eu começamos a brigar com mais frequência. Primeiro porque até a mãe de Octavio não gosta de mim, o que agravou, fazendo-o mudar de sala. Segundo porque Sean não admitia em ter o melhor amigo com seu maior rival.

— Mas você deve entender que não é culpa dele. Ele ainda estava sendo comandado por sua mãe.

— Eu tive que entender. Mas não quando Octavio e eu começamos a nos ver poucas vezes e eu perceber mudanças nele.

— Ele começou a mudar com você?

— Muito. — Disse com ênfase. Irritado. As lagrimas se cessaram. — Teve vezes que eu era ignorado na cara dura, isso nas vezes em que eu fazia de conta que Sean não existia e falava com Octavio, mas para cuidar de sua amizade, ele decidia me ignorar.

— Certo. Vou entender que ele não é um anjo de verdade. — Colin dissera tentando imaginar um Octavio malvado. Era impossível.

— A ausência estava nos afastando cada vez mais. Antigamente víamo-nos todos os dias e ficávamos todos os dias, mas logo que Sean soube isso não deixou de aconteceu. Em um mês, às vezes, só nos víamos quatro vezes. Uma na semana.

— Sempre tem que ter um dedo de Sean para estragar as coisas. É incrível.

— Mas eu até que entendo o lado de Octavio. Ele cresceu com Sean. São praticamente irmãos. — Achou isso irônico. — Ele tinha que valorizar sua amizade.

— Isso é aceitável, porém, Sean é um desgraçado mesmo. Não se pode acabar com uma relação bonita como era a de vocês.

— Mas eu não posso por a culpa somente no meu irmão. Se Octavio realmente se importasse com nossa relação ele teria dado um jeito. Chegou um período em que eu comecei a ficar cansado de tanto procurar, querer atenção, querer sair, namorar. Porém, Octavio percebeu e não fez questão disso. Foi quando numa festa eu resolvi abrir mão. Fiz teatrinho e disse a ele que a qualquer momento eu poderia pegar qualquer garoto da festa só por raiva.

— Você teve essa coragem? — Surpreso, o pequeno indagou.

— Tive. Eu estava necessitando a atenção do meu namorado. Eu o amava, Colin. E tudo que você quer, quando se ama, é ter um bom relacionamento. Dar continuidade. Não quer fim.

— Talvez seja por isso que eu tenha tanto medo de me relacionar. Mas enfim, continue. — Disse o pequeno, pensativo.

— Octavio odiou o que eu disse e me jogou umas verdades na cara, me mandando entender o lado dele. Só que nesse dia eu já estava de saco cheio e acabei dizendo que o odiava. Que não queria mais saber dele. No final, ele jogou seu copo de bebida em mim e saiu chorando.

— Devo entender que você estava em um momento de fúria.

— Eu estava. Porém, maior que a fúria era a minha tristeza. Por muito tempo eu mendiguei atenção e não era correspondido. Só que depois que eu acabei dizendo aquelas palavras para ele, acho que só piorei as coisas.

— Ele não entendeu o seu momento, certo?

— Exatamente. Dias depois eu fui me desculpar com ele. Claro, eu era idiota e apaixonado e tinha que correr atrás mesmo quando não estivesse errado. Acabamos voltando e por um bom tempo nossa relação voltou a ser a mesma, claro, que ainda escondida. Porém, eu achei que a partir dali as coisas realmente ficariam boas entre nós dois.

William suspirou. Hesitou prosseguir e ter que recordar de tudo. Doía lembrar-se do que aconteceu.

— Will? — Colin chamou sua atenção.

— Foi então que descobri que ele e Sean já se deitaram.

— Se deitaram? — Coli indagou. Realmente na ingenuidade.

— Acabaram transando. — Revelou.

— O que?! — O pequeno saltou da cadeira. — Que filho da puta!

Até William se assustou com a atitude de Colin. Ele realmente pareceu revoltado com o que acabara de ouvir. Estava batendo a perna e caminhando pelo quarto. Uma atitude inesperada.

— O que foi? — Indagou o loiro.

— Sean é um baita filho da puta. Como ele ousa deitar na cama com o namorado do irmão? Isso não se faz. Isso é traição dupla.

— E as pessoas me chamam de monstro só porque te beijei. — Tivera que tocar no assunto, fazendo Colin tomar controle de si e voltar para cama.

— Eu ainda não estou acreditando no que ouvi. Quem te contou sobre eles?

— O próprio Octavio. — A lágrima escapou. — Éramos sinceros um com o outro.

William se levantou, caminhou até a sua mesa de cabeceira e da gaveta retirou, envolto de um pano jeans, provavelmente feito por ele, dois anéis prateados. Olhou os metais por segundo, deixando novamente escapar uma lágrima.

— No dia em que eu fui me mostrar eternamente grato por sua existência, que estava feliz com nossa relação, dando-lhe um anel como prova do meu amor. Ele não conseguiu esconder, que no dia da festa, na qual terminamos e brigamos feio, ele e Sean acabaram se deitando. Foi naquele momento que meu mundo caiu. Um mundo na qual criei para nós dois. Sabe, Colin, acho que ser atropelado por um caminhão doeria menos. Tudo que eu quis foi socar Octavio e Sean, queria esfregar as suas caras uma na outra. Eu até o soquei. Não onde eu queria, mas o soquei.

— Eu te dou todo o apoio. — O pequeno falou, tentando ser engraçado. Mas isso não soou dessa forma.

— Eu senti muito ódio àquele dia. Mas também me senti um lixo por acreditar tanto em Octavio. Ele por muitas vezes me pediu perdão no mesmo momento que me contou. Mas então, o resultado você já deve concluir. Só fui falar com Octavio meses depois, aceitei ouvi-lo. Foi quando resolvi por fim na relação. Ele insistiu para que eu o desse mais uma chance, que iríamos consertar as coisas e que seríamos felizes. Mas eu resolvi mudar.

— As pessoas não sabem sobre Octavio e Sean?

— Eu não tenho coragem de contar a verdade. Mas eu procuro não lembrar isso. Só me odeio por no maldito dia resolver acabar com ele. Se eu não tivesse acabado com ele e dissesse que o odiava, ele provavelmente não teria se deitado com Sean. Ainda seria meu. — O loiro chorou, sentando-se na cama e apertando o travesseiro.

Colin não obteve palavras para consolar o amigo. Até porque, as que existiam, não seriam capazes de amenizar a dor. O pequeno sentiu-se culpado por fazer o loiro recordar de tudo o que já sentiu. Em um gesto cumplice, ele o abraçou, por ser menor, Colin apenas abraçara seu braço.

Segundos depois levou sua mão ao rosto do amigo, enxugando as lágrimas que desciam.

— Vai passar. — Murmurou Colin.

— Nunca vai passar. Tem anos e nunca passou.

— Uma hora passa, acredite.

— Obrigado, Colin. Obrigado por estar aqui.

— Não se preocupe com isso. Eu quem agradeço por esse voto de confiança. Aposto que você não conta essa história para qualquer um. Porém, eu não devo evitar dizer minha opinião sobre isso.

— Acho que você vai me dizer o mesmo de Rick.

— Se ele te falou sobre perdão, concordo plenamente com ele. Sabe, Will, você tá querendo fazer Octavio sentir tudo que você já sentiu enquanto corria atrás dele. Eu até entendo sua situação, mas isso é completamente infantil e ridículo. Desculpa a sinceridade, mas é.

— Cópia barata do Rick. — O loiro forçou-se a dizer e sorrir.

— Poxa, libere o perdão. Note que Octavio realmente te ama e quer consertar tudo entre vocês. Ele errou, eu sei. Aposto que você também já errou tão feio a ponto de querer consertar as coisas. E continua errando. Ele pelo menos se redimiu dos seus erros.

— Não é tão fácil assim. Eu não posso aceitar. Não ainda. Odiei o fato dele e Sean acabar indo para a mesma universidade que eu.

— Não houve recaídas? — Colin indagou, realmente curioso.

— Sim. Estávamos bêbados. Era a festa dos calouros de medicina, e ele era um. Me arrependo, mas infelizmente aconteceu. Desde lá, nada mais. — Mentiu, lembrando-se de que recentemente acabara beijando Octavio no quarto na qual estava agora.

— A situação de vocês é realmente complicada. Mas ainda acho que há tempo de consertar esse problema.

— Por mim, as coisas permanecerão assim. Eu sou um leonino e ele um tigre, sem chances.

— Larga de ser orgulhoso. E para de por a república nos teus problemas pessoais. Tem momentos que me dá muita vontade de te bater. Mas como não posso fazer isso agora, vou me controlar. Porém, de verdade, vamos enxugar essas lágrimas e voltar para a festa. Agora que desabafou, deve sorrir. Você precisa.

— Eu não irei. Pode ir, Colin.

— Não vai só por causa do Octavio?

— Não. Mas se você olhar lá fora irá ver que o tempo fechou. — O loiro levou seus olhos à janela.

O céu estava nublado, a luz da lua estava sendo impedida de iluminar o lugar.

— Não creio! Logo agora que a festa estava ótima. Que saco.

— Acredite, ela não irá acabar. O pessoal tá se deslocando para o ginásio. — William disse lembrando-se da festa dos calouros realizada ali. A recaída com Octavio.

— Mas aquele ginásio não pertence à quadra.

— O dinheiro é a chave pra muita coisa. Lydia não vai querer que essa festa acabe por causa de uma chuva. A sorte dela é que o ginásio é alugado para eventos, ou seja, nem vão precisar levar o som daqui.

— De qualquer maneira vai dar trabalho levar todas as bebidas.

— Não vai. Olhe — William apontou para a multidão — eles mesmo se encarregaram disso. Se eu fosse você, aproveitava e pegava carona com a galera. Não vá querer ficar próximo do banheiro, o mau cheiro naquela região é de matar.

Colin tivera pensado duas vezes antes de ir acompanhar a multidão que já se deslocava para o ginásio. Era incrível o fato das pessoas se mostrarem tão animadas mesmo após o tempo fechar. Deixando um rastro de lixo e de copos descartáveis, lá estavam os jovens despreocupados com a limpeza do dia seguinte.

— Tem certeza de que não irá?

— Absoluta. Só não vá beber muito, lembra-se da última vez, não é?

O rosto de Colin ficou rosado em um segundo. Ficara envergonhado ao lembrar-se dos seus momentos constrangedores enquanto estava fora de si.

— Dessa vez eu irei me controlar. — Falou sorrindo, afastando-se de William e saindo do quarto.

O pequeno descera as escadas e mais uma vez olhou da janela. Praticamente todos já estavam na metade do caminho. Cerca de cinco pessoas ainda continuavam ali, duas caídas completamente alcoolizadas e outras três, que por sinal eram Sebastian, Lydia e outra garota que acabaram de entrar no carro e seguiam rumo ao ginásio.

Colin quando saiu, se vira num deserto. Minutos atrás aquilo ali estava movimentado e com música. Agora só restava o silêncio. O que piorou ou melhorou a situação foi o início da garoa. Emburrado, o pequeno apressou seus passos na tentativa de não chegar completamente encharcado na festa. Estava torcendo para encontrar Caine lá. E se não encontrasse, já imaginou o que tinha acontecido. Não era burro e muito menos nasceu ontem.

Chutou alguns copos descartáveis enquanto caminhava de cabeça baixa. Tinha medo da Quadra daquele jeito, parecia um lugar perigoso. Para sua infelicidade a garoa tomara outras proporções, dando lugar a uma chuva forte e ventania intensa.

Correu para a coberta de uma das casas. Era a única que ele encontrou, porém, o fato de estar pouco iluminada o deixara apavorado. Mas se ele quisesse sobreviver a essa chuva, teria que passar alguns segundos ali até a situação melhorar.

Colin estava encolhido devido ao frio que começara a fazer sem o calor humano da festa. Arrependeu-se de ter deixado William sozinho, o loiro provavelmente fizera uma ótima escolha. Logo, ocupou seus pensamentos lembrando-se da conversa que tivera com Will. Sentiu pena do amigo e até entendia o porquê da sua atitude. Colin teria feito o mesmo caso passasse por tudo aquilo que ouviu.

Seus pensamentos foram desfeitos ao observar na chuva alguém correndo em sua direção.

— Certo, Colin, vá logo se despedindo do mundo, pois você morre hoje. — Murmurou, assustado sem tirar os olhos daquele que estava correndo.

Costumamos prender a respiração quando tomamos um susto. Foi exatamente isso que aconteceu quando o rosto de Sean tomara forma ao se aproximar. O pequeno Colin ao certo não sabe se gostou ou se odiou aquilo, mas era tarde demais para sair dali. O moreno já estava parado em sua frente, também assustado com o que encontrou.

Por segundos ficaram em silêncio. Partir pra grosseria ou permanecer calados? Tal pensamento ecoava em suas mentes. Sean estava inquieto, impaciente. Segurando-se para sua natureza não vir a tona e estragar tudo. Colin já elaborava resposta paras as velhas frases do moreno. Ambos armados. Quem atirar primeiro provavelmente vence a batalha.

— Mas que azar eu tenho. — Foi Colin o primeiro a falar.

— Concordo, bem que você poderia sair nessa chuva. — O moreno finalmente piscou, respondendo-o a medida.

— Você quem não deveria ter saído dela. Agora me faz o favor de sair daqui e me deixar sozinho. Estava ótimo sem você aqui.

— Não é o que parece, consegui sentir o cheiro do medo antes de aparecer aqui. — Ele respondeu. Isso irritou Colin. — Eu não vou sair daqui só porque você quer. Garoto insuportável, hein.

Eles gostavam disso. Das provocações. De nutrir tal relação e criar diálogos.

— Foi rapidinha a transa com William, não foi? — O moreno provocou.

— Me observou entrar com ele na república? Ciúmes, por um acaso? Ou inveja do irmão receber atenção e você não? Garoto, você não deveria estar com Octavio no ginásio?

Novamente o moreno foi pego por suas perguntas. Como queria socar Colin por ser tão esperto. Semicerrou os olhos em resposta. Olhos lindos. Escuros e penetrantes.

— Você adora me provocar colocando William no meio, não é? Deveria mudar o repertório e ser mais criativo em suas respostas. — O moreno respondeu, mesmo que soubesse que essa não era uma resposta boa.

— Não faço nada além de te jogar umas verdades na cara. Coisa que poucos têm coragem de te dizer. Acredito que só eu faço isso, por isso você vive me perseguindo, não é? Procurando um modo de me atingir. Pena que não sou igual aos demais, Sean. — O sorriso da vitória e o ar de sarcasmo.

— Larga de ser idiota, garoto. Eu não estou te perseguindo. Você não é o mais foda da Quadra. Nem o mais inteligente. Fala de mim, mas vive pondo essa pose de marrentinho e de arrogante. Aposto que se encontrar uma barata toda essa postura é derrubada. — Sean dissera, dando de costas e observando a chuva cair.

— Não posso ser o mais foda, mas com certeza o único a te superar. Coisa que você não aceita.

— Hipócrita filho da puta. Me dá lição de moral mas veja aí, age exatamente igual a mim.

— Não me chama de hipócrita, seu desgraçado! — Colin socou as costas de Sean. Pena que sua força era inferior a do moreno. Isso só fizera o outro dar um passo a frente e respirar fundo.

— Posso te deixar numa situação pior do que meus colegas te deixaram aquele dia. Não ouse me socar fazer isso. — Ele falou, de cabeça baixa e sem olhar para trás.

— Que engraçado. — O pequeno gargalhou. — Sério que você pode isso? Posso até ser mais fraco que você, mas tenho certeza que eu poderia te deixar bem machucado se eu quisesse.

Odiou-se por dar essa resposta. Odiou mais ainda o fato de ouvir a risadinha em resposta de Sean.

Colin com certeza estava mentindo. Admitia que sua força fosse inferior a do moreno, e um soco dele com certeza arrancaria fora sua alma. Mas ele de alguma forma precisava reagir, mostrar-se forte e nada tímido.

Sean pelo contrário estava pensando em algum modo de conseguir obter respostas. Estava também querendo vencer Colin com palavras. Queria deixa-lo sem resposta. Decidiu que não ia mais perder.

— Por que o nervosismo e estresse assim tão repentino, Colin? — Dessa vez o moreno indagou virando-se e olhando bem nos olhos do pequeno.

O olhar o inquietou. Colin desviou seus olhos tentando não se perder naquele mar negro que eram os olhos do moreno.

— Nervoso? Eu? — Gargalhou mais uma vez, porém, com menos intensidade. Estavam sem graça. Ficou com medo.

— Você gosta de mim. — Ele sorriu.

— Isso é algum jogo seu? Está tentando me tirar do sério, não é? Não vai adiantar, Sean.

A vulnerabilidade de Colin estava bem ali. Dessa vez, pela primeira vez, lá estava Sean conseguindo deixar o pequeno sem palavras, procurando respostas cabíveis. Algo mágico e tentador para ele, que adorava as expressões do outro: desajeitado, constrangido.

— Suas pupilas se dilatam sempre que olha em meus olhos. Vejo que você vive a mexer os dedos e passar a mão na bochecha. Incrível não? Se isso não é nervosismo é o que?

Detalhes jamais notados por qualquer um. Olhos de águia. Sean se superou em dizer aquilo. Provavelmente teria também entregado que ele sentia algo, principalmente por observar Colin mais do que o normal.

— Dizem que quando as pessoas se apaixonam, suas pupilas se dilatam ao encontrarem o suposto amor de suas vidas. Será que isso é verdade? Porque se for, você está apaixonado por mim. — Continuou provocando, sorridente.

— Não vai adiantar. William é...

— Falar de William não vai adiantar. — O moreno interrompeu. — Por que você não admite que está gostando de mim? Mais um apaixonado por mim. É engraçado isso. A forma como eu deixo as pessoas nervosas em minha presença. Isso me cativa. Infla meu ego.

— Vai tomar no cu, seu idiota. Você não sabe o que está falando para tirar conclusões precipitadas.

— Certo. Vamos ter certeza das coisas.

Sean dera um passo à frente.

— O que você sente quando eu te toco aqui? — Disse o moreno, tocando-lhe a cintura.

Colin desajeitadamente dera um tapa na mão do moreno, afastando-se dele.

— Eu vou te bater se continuar fazendo isso. — Advertiu o pequeno, nervoso e sem jeito.

— E quando eu te olho nos olhos?

Colin não resistiu e fechou os olhos. Parecia um idiota, mas foi a única solução que tivera.

— Seu coração parece implorar por mim.

Sean levou sua mão ao coração de Colin e pode senti-lo. Batimentos acelerados. Suficientes para ele ter certeza das respostas que queria. Nem ele mesmo sequer sabia o porquê de estar fazendo aquilo. Mas se fosse pra chegar ao fim e ter suas próprias conclusões do que deveria fazer dali por diante, ele necessitava das ações.

— Eu vou embora daqui. — Dissera o pequeno saindo dali o mais rápido que podia.

— Colin, espera! — Sean gritou, tentando alcançá-lo.

O pequeno só correra alguns metros, infelizmente. O moreno era mais rápido e mais forte. Sean o segurou no gramado da república menor sem se importar se a chuva forte estava molhando-o.

— Me larga, seu idiota. Eu te odeio. Não estou apaixonado por você. Isso jamais acontecerá. Desgraçado! — Disse assim que sentiu a mão do outro segurar seu braço.

Colin socava Sean, dessa vez ele até conseguia machucar o outro que o segurava, suportando.

— Filho da puta! Falso. Desgraçado. Bastardo. Me larga! É o melhor para você. Eu não te suporto, Sean. — Tentava procurar xingamentos que estivessem relacionados à história de William.

— Cala a boca, Colin. — Ele pediu, paciente.

— Não calo. Você não manda em mim.

Colin parecia uma criança imatura e sem resposta. Procurando agir por impulso, buscando xingamentos que não existiam na tentativa de ofender o moreno. Infelizmente dessa vez Sean venceu a batalha tendo respostas mais diretas.

— William! — Colin gritou.

— Não vai adiantar gritar por ele. Não percebeu que estamos bem distante de nossas repúblicas? E a chuva abafa sua voz.

— E o que você quer comigo? Me larga seu idiota.

— Cala a merda dessa boca, Colin.

— Eu não vou calar. Já disse. Seu desgr...

E quem calou sua boca foi Sean com um beijo.

O que quer que Colin estivesse pronto para fazer, não fez. Ele parara de se mover em questão de segundos logo quando sentiu o lábio do outro ao seu.

Pela segunda vez foi pego de surpresa. Isso iria virar rotina. Tentando não se mostrar tão vulnerável, a reação que Colin tivera foi a mais simples e objetiva de todas: Chutou o saco de Sean.

Forte chute por sinal. Um grito de dor poderia ser ecoado pela Quadra Nove caso não estivesse chovendo. O moreno caiu no chão, protegendo seu membro com as mãos e contorcendo-se.

— Maldito! — Vociferou.

Colin correu dali voltando para a coberta próxima. Levou dois dedos aos seus lábios ainda tentando lembrar-se do contato. Viu Sean se rastejar no chão, enquanto a chuva caia, até encostar-se à pilastra amadeirada que sustentava a coberta. O moreno se estivesse força para se levantar, provavelmente estaria socando todo o corpo de Colin, mas isso era impossível.

— Por que você faz essas coisas? — Colin indagou, mostrando-se não preocupado com a dor que o moreno sentia.

— Isso o que, seu desgraçado? — Ele dizia. A voz tomada pela dor.

— Me pega de surpresa e me da um beijo. E-eu realmente não entendo. — Gesticulava. Gaguejava. Procurava palavras para perguntas.

Nem Sean entendia o porquê de fazer aquilo. Ele simplesmente achava que tinha que fazer e fazia. Eram as únicas chances que tinham de viver em paz com o outro: o beijo.

— Eu sei que você gosta.

— É claro que eu gosto. Mas por que você? Nós somos... — O pequeno procurou palavras cabíveis. — Nós nos odiamos, Sean. Isso não é certo.

— E o que é certo para você? Viver escondendo isso? Nós exalamos desejo, garoto maldito. Assim como eu, você sente algo quando nos olhamos. — Ainda dizia sentindo a dor do chute.

— Isso não é verdade. Para de colocar palavras em minha boca.

Mesmo que Sean estivesse pondo palavras em sua boca, essas palavras eram corretas. Pois o moreno estava certo.

— Não entendemos o que está acontecendo.

— É exatamente isso. Somos tão... Distintos. Eu não te suporto. Você é chato, metido, orgulhoso, vive causando problemas, um tremendo de um filho da puta. Desgraçado. — Colin contava nos dedos os milhares de adjetivos que descreviam o moreno. — É também causador de discórdia...

— Vai mesmo continuar me xingando? Sei de tudo que eu sou. Você não deixa de ser diferente.

— Não é certo ficarmos nos beijando, Sean. Até porque eu conheço o seu tipo. Você é o cara que logo mais estará tirando sarro de mim sabe-se lá para quem.

— Meu Deus, garoto. Certo que eu sou sempre o vilão de tudo que acontece na Quadra. Mas para de exagerar e de criar situações ao meu respeito. Dá pra me ajudar a levantar? — Ele falou, estendendo a mão.

Colin até pensou em não fazer isso. Mas não resistiu quando encontrou os olhos de Sean nos seus. Segurou na mão do outro tentando levantá-lo, mas novamente foi pego de surpresa.

Sean o puxou para si, fazendo-o o cair em suas coxas e novamente beijando-o. Moreno insistente.

Colin mais uma vez interrompera o beijo dando-lhe uma tapa na cara. Leve, mas o suficiente para o moreno virar a face.

Quando Sean voltou os olhos para ele, realmente enfurecido. Colin, com medo, não soube fazer nada melhor do que simplesmente levar suas mãos a face do moreno e beijá-lo. Dessa vez foi o pequeno quem tomou a atitude.

Colin beijou com intensidade, não tendo tempo para pensar em perguntas ou sequer outra coisa que pudesse interromper o problema. Nem mesmo a excitação de Sean — algo inevitável para os garotos — que ele pode sentir em sua calça, estava atrapalhando.

Beijaram-se como se o dia pudesse acabar naquele instante. Beijo com vontade, com desejo e com bastante roubo de fôlego. A chuva caia. Somente ela contemplava aquela bela cena entre os dois. Cão e gato. Uma cena rara onde os dois estavam em silêncio, sem desavenças. Porém, estavam unidos pelo contato de lábios.

Na festa, ambos tinham a oportunidade de se embebedar. Porém, os dois estavam conscientes do que estavam fazendo. No dia seguinte, a bebida não poderia ser usada como desculpa.

Colin afastara sua face olhando bem no fundo dos olhos negros de Sean. Seus lábios vermelhos devido à intensidade do beijo. Três dedos seus marcados na bochecha do moreno, junto à pinta que ele tinha.

— Eu venci. — O moreno sussurrou, exibindo o sorriso vitorioso e as covinhas.

— Olha, Sean eu não...

— Shhh! — O moreno o interrompeu com o dedo em seus lábios. — Por algumas horas, eu imploro, podemos ficar assim? Sem perguntas sobre o que está acontecendo. Sem brigas até a chuva passar. Confesse, você também tá gostando disso, moleque maldito.

Calado. Colin tivera que aceitar.

— Badboy desgraçado. — Disse Colin, roubando-lhe outro beijo.

Notas finais
Oi, mozinhos! Saiu capítulo. Confesso que adorei escrever todas as cenas desse capítulo, de verdade. Já são 06:35 da manhã, então, imagine como sacrifico meu tempo por vocês, haha. Estava respondendo reviews pra finalmente postar, mas já passou da hora e minha mãe tá gritando aqui e eu tive que deixar cinco reviews pendente para responder. Logo, quando acordar, eu respondo os reviews que deixei, tá? Não fiquem bravinhos comigo, eu não esqueci ninguém. Amores eu vou usar o [...] sempre que mudar as cenas de forma brusca para que vocês possam entender que estou descrevendo outra cena. O que acham? Fica uma leitora mais fácil, não é?
Beijãoooooooooo amo vocês.