República de Leões
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Presos na chuva. Lá estava Colin com seu corpo repousado nas pernas de Sean que encostado a pilastra ficou. Estava em silêncio. Conversando por olhares. Castanho no negro. Eram lindos e estavam sorridentes criando fantasias a respeito daquele momento.
O pequeno não resistia e ficava constrangido sempre que encontrava os olhos do moreno em si, principalmente quando viera acompanhado de um sorriso e aquelas belas covinhas. Colin levou seu dedo à pinta na bochecha de Sean, acariciando-a. Aquilo era um charme que só o moreno tinha.
Seria aquilo a paz? Talvez não. Mas perto estavam de por alguns segundos permanecem calados e sem trocarem as velhas farpas de sempre. São tão distintos e tão iguais ao mesmo tempo. Ambos de personalidade forte, jamais dariam o braço a torcer em qualquer discussão.
— A qualquer momento alguém pode aparecer, Sean. — O pequeno falara, enquanto desfazia o beijo que tinha recebido.
— O pessoal tá se divertindo. O sol ainda não deu sinal e tão pouco eles iriam sair da festa nessa chuva. — Ele falou, querendo roubar do garoto mais um beijo.
O moreno estava devorando-o com os lábios. Há tempos não beijava alguém daquela forma, e também não encontrara ninguém que beijasse tão bem quanto Colin. Era como se isso fosse reservado somente para ele.
— Desse jeito eu vou acabar ficando com os lábios dormentes.
— Não precisa exagerar. — Ele sorriu entre beijos. — Nem você resiste a isso.
Por provocação e talvez irritação o pequeno mordeu os lábios do moreno.
Como resposta, Sean afastara seus lábios do de Colin levando seu dedo ao lábio. Ele o fuzilou, mas logo sorriu. A dor era até prazerosa.
— Você me dá medo. — Colin dissera.
— Eu gosto disso. De fazer as pessoas recuarem. De se sentirem inseguras. É bom, me deixa com um ar autoritário.
— Chego a acredita que também te deixa com um ar de segurança.
— Claro. Você é exatamente assim. Não venha me julgar. Somos iguais em alguns aspectos, usamos do ataque para nos defender.
— Eu não sou igual a você, Sean. — Ele dissera, firme. Achava aquilo um insulto.
— Ser igual a mim não significa que você é ruim. Você deveria ser orgulhar disso. Afinal, você tem um pouco do Sean em você. Isso também me faz ter um pouco do Colin, o garotinho desgraçado que viera para Quadra me irritar.
— Você é um babaca, mesmo. É tudo ótimo quando você fica calado.
Colin tentou se levantar, mas o moreno novamente o puxou para si, fazendo-o o cair em suas pernas na mesma posição que estavam.
— E você o esquentadinho que só se acalma com um beijo. — Dissera sorrindo e logo em seguida tomando os lábios do menor.
Colin realmente se acalmou com o beijo. Se isso não acontecesse, ele provavelmente estaria insultando Sean e até mesmo socando-o. O moreno pelo visto estava pegando o jeito de por o pequeno nas rédeas.
— E se descobrirem? — Colin indagou, ainda tendo seus lábios tomarem.
Tal pergunta interrompera o beijo logo em seguida. Nem Colin e Sean sabiam o que responder. Talvez, seria essa a pergunta que fizera despertá-los um pouco de todo esse clima. Não haveria respostas, somente o silêncio.
A chuva, provavelmente, fora a resposta para a pergunta. Ela diminuiu. Logo, cessou. Os dois viram esse momento. Por minutos odiaram aquilo, já que estavam adorando a ideia de estarem juntos. Mas sabiam que logo o sol nasceria e eles teriam que voltar a sua velha realidade.
— Acho que temos que ir. — Dissera Colin, dessa vez levantando sem ser interrompido.
— Você está certo. — O moreno disse, ficando em pé.
Ele e Colin mais uma vez trocaram olhares. Era incrível que somente aquele gesto deixava-os confusos quanto a tudo que já passaram. Porém, a sensação era maravilhosa. Colin não sabia, mas seu rosto estava corado perante aqueles olhos negros e penetrantes.
— Eu posso te dar um último beijo? — O moreno indagou, aproximando-se de Colin.
Foi estranho o fato de que dessa vez ele pediu. Isso assustou Colin que admitia preferir ter seus beijos roubados. O pequeno assentiu apenas em um movimento de cabeça. Rápido como um guepardo, lá estava ele tomando os lábios do outro para si. Beijo calmo. Beijo de despedida.
— Nos vemos por aí, garoto maldito. — Disse o moreno bagunçando os cabelos de Colin e dando as costas.
— Desgraçado, espero que morra. Jamais bagunce meu cabelo. — Dissera Colin, porém, sorrindo entre os dentes.
Eles não admitiram sentimentos, muito menos tiveram uma conversa duradoura. Duas cabeças duras que jamais iriam expor tal informação para o outro. Provavelmente só iriam admitir que se odeiam. Mas será mesmo ódio o que eles escondem?
Colin, diferente de Sean, optara por voltar para sua república. Quando voltou encontrou William dormindo e decidiu não acordá-lo. Tudo que fizera foi se deitar em sua cama e passar minutos acordado relembrando de tudo que aconteceu. Até conseguir dormir.
O moreno caminhou sozinho tentando encontrar a lua perdida entre as nuvens. Sorria por dentro. Sentia seu coração bater por tamanha felicidade que estava sentindo. Não conseguia parar de pensar no beijo, ou melhor, nos beijos. Quem o encontrasse provavelmente não diria que era Sean. Afinal, todos o encontravam com uma expressão séria e muita das vezes carregada de arrogância. Porém, apesar dos sorrisos, a arrogância permanecia.
Ele chegara à festa e como imaginava, todos estavam se divertindo. Demorou a encontrar Octavio, que sozinho dançava na pista improvisada de dança. O amigo logo o puxou, já que realmente precisava de companhia.
Sean não estava realmente dançando. Mas arriscava a dar alguns passos para que pudesse acompanhar Octavio. Ele odiava encontrar o amigo assim, bêbado.
Octavio odiava beber. E quando bebia, tinha noção da quantidade e de quantos copos poderia tomar. Era esse um dos motivos dos Tigres se irritarem tanto com ele. Queriam um Octavio rebelde, mas isso ele não era. Porém, havia exceções. Essa festa o garoto resolvera abrir.
— Já está na hora de voltarmos, Octavio! O sol já vai nascer! — Ele gritou devido ao som alto.
Octavio estava ao lado das caixas de som.
— O que?! — Indagou também gritando.
— Voltar! Nós precisamos voltar!
— Ainda tá muito cedo. Onde você estava? Eu te procurei em todo lugar.
— Não tá cedo. Nós realmente precisamos voltar. Eu estava lá fora, não fiquei com vontade de entrar. — Mentira mais que interessante. — De verdade, você vai se odiar quando acordar. Então é melhor irmos agora.
Gritar não seria a solução. Sean tivera que aproximar seus lábios ao ouvido de Octavio para que ele pudesse escutá-lo bem.
— Eu não estou bêbado! — Gargalhou.
— Certo. Se não vai por bem, você vai por mal.
Sean odiava ter que fazer isso na frente de todos. Apesar de Octavio ter um físico maior que o dele e provavelmente ser mais forte, ele tivera que puxar o amigo pelo braço, arrastando-o da multidão.
Teria sido uma cena cômica, mas como todos na festa estavam bêbados, na manhã seguinte não se lembrariam do que tivera acontecido.
[...]
O sol. Belo e quente. Sinal de que um novo dia estava começando. Apesar de que meia noite já se pode ser considerado um dia novo. Mas há os que preferem dizer que o dia só começa quando o sol mostra a sua beleza.
Mas a beleza da Quadra Nove não era a mesma. O lugar estava repleto de sujeira. Principalmente de copos descartáveis e restos de cigarros.
Danion acordou com a luz do sol quase cegando-o. Sua cabeça explodia e ele sabia exatamente o porquê. Levou as mãos os olhos tentando impedir a dor latejante que sentia, o sol, com certeza, naquele momento, era seu inimigo.
Sabia onde estava e o que fez. Olhou para o despertador na mesa de cabeceira e viu que já se passava das 7hrs da manhã.
Caine estava ao seu lado, encolhido. O branquelo olhou o pequeno por alguns minutos ainda tentando acreditar no que tinha feito. Caine, por incrível que pareça, conseguiu atrair Danion na última noite, mas não o suficiente.
Em movimentos estratégicos e delicados, o branquelo conseguira sair da cama sem acordar o menor. Porém, Danion já o acordou, embora estivesse fingindo estar dormindo. Ele sabia que se abrisse os olhos os dois teriam que conversar, perguntas que não teriam respostas.
O branquelo fora ao banheiro e lavou seu rosto, aproveitou e recolheu suas roupas. Fora até a gaveta de Caine e de lá retirou uma calça, porém, nenhuma cabia nele. Optou então por pegar um samba canção, sua única solução.
Pular a janela foi outra opção. Se saísse pela sala, provavelmente encontraria alguém dos águias e as indagações seriam muitas. Quando seus pés se firmaram no solo fora da casa, sua cabeça doeu mais ainda devido ao pulo.
Pouca era a movimentação na Quadra, e na área onde ficavam as três maiores repúblicas, não havia ninguém. Ele agradeceu por isso. Tivera que ser rápido ao adentrar em sua república e respirar fundo por não ser flagrado por ninguém.
Encontrou Rick dormindo no sofá, mas ignorou o mulato. Acordá-lo com certeza seria uma péssima opção.
Foi ao banheiro da república e rapidamente tomou um banho gelado. Saindo ainda pelado até o seu quarto em busca de uma toalha e roupas secas.
— Onde você estava? — A voz de Leo causara medo no branquelo.
Leo estava deitado, tinha acabado de acordar. Foi um erro o branquelo esquecer que o amigo não tinha um sono pesado.
— Que susto, Leo. — Ele dissera, ainda enrolado a toalha.
— Eu perguntei onde você estava, Dan.
— Por aí. — Respondeu procurando uma cueca.
— Por aí onde? A última vez que te vi você tinha ido ao banheiro do garoto lá.
— Tinha? — Mentiu.
Danion sabia que costumava não recordar das coisas logo após beber muito. Leo também sabia disso. Abusar de sua “amnésia pós-festa” seria uma saída para as perguntas de Leo.
— Eu conheço quando você está mentindo, Dan. Não me diga que você dormiu com o garoto. Se Sebastian souber disso, tenha certeza de que você estará morto.
— Eu não dormi com ele. E também não tenho medo do Sebastian.
— Não gosto quando você dorme fora.
— Eu sei que não. Mas era uma festa e você saberia que eu não dormiria em casa hoje. Sempre acabo dormindo pelos lugares ou na cama de alguma garota.
— Você deveria se assumir de vez e parar de iludir as garotinhas.
— Gosto dos dois. Ambos me satisfazem.
— Mas enfim, você dormiu com o garoto ou não? — Leo novamente perguntou.
— Para com essa paranoia. Eu já disse que estive por aí, que saco. E se eu estivesse dormido com o garoto, qual o problema? Você me conhece, Leo.
— Claro que conheço.
— Tá. Vamos mesmo continuar com essas perguntas? Eu não dormi com o garoto. Tenho amor pela minha vida, Leo. Mas durante essa festa não rolou nenhuma sacanagem... Que tal uma agora pela manhã?
Tudo que o branquelo queria era dormir. Dormir para que pudesse acordar descansado e completamente renovado. Mas se continuasse ali, com Leo, acabaria revelando o que fizera na noite passada. Sua única saída foi usar de uma de suas artimanhas contra Leo: o sexo.
O branquelo aproximara da cama, já excitado. Passado a mão em seu membro sobre a cueca. Leo não resistia às provocações do branquelo, mesmo que soubesse que o sexo entre eles não envolvia sentimento. Era apenas prazer por prazer.
Leo fuzilou por alguns segundos, mas não resistiu. Abaixou a cueca de Danion e logo abocanhou o membro rígido.
Danion arqueou e fechou os olhos. Rapidamente e imagem de Caine, fazendo exatamente aquilo que Leo estava fazendo, surgiu em sua mente.
O branquelo se afastou de Leo, que sem entender o que houve, perguntou:
— O que aconteceu?
— Ahh... Nada. É só que, minha cabeça está explodindo. Eu preciso dormir, Leo. Acho que bebi além da conta.
— Tá negando fogo, Dan? — Indagou com ar de provocador.
— Leo, não começa, tá bom? Podemos continuar isso depois.
Logo após ter dito isso, o branquelo deitou na cama dando as costas para Leo. Fechou seus olhos e se esforçou para dormir. Teria sido uma ofensa o que Leonard tinha dito, mas ele com certeza não iria prosseguir o sexo se novamente a imagem de Caine invadisse seus pensamentos.
[...]
— Santiago, acorda! — O moreno dissera, encontrando o garoto dormindo no sofá da sala.
Era início da tarde. Provavelmente o horário em que todos os que estiveram na festa estariam acordando.
— Acorda, garoto. Que saco. Eu não sou mãe de ninguém para ter que mandar levantar. — Ele sacudiu o corpo do colega de república.
— O que foi? — Resmungou, ainda de olhos fechados.
— Toma um banho, come e vem comigo.
— Eu não quero. Estou com muito sono e com dor de cabeça.
— Pouco me importo com isso. Você quer continuar na república, não quer?
Foi então que ele abriu os olhos e notou quem estava falando com ele. Era Sean.
— Bom, sabia que isso te despertaria. E eu não estou brincando. É melhor você ir logo tomar banho. Depois disso, te encontro na lanchonete.
O moreno saiu da sala e fora em direção ao seu quarto.
Octavio havia dormido por ali, em sua cama. Sean e Octavio dormiram na mesma cama, pois o amigo bêbado, deitou no primeiro lugar confortável que encontrou. Sean não pudera fazer nada a não ser aceitar aquilo.
— Que horas são? — Octavio perguntou levando a mão a cabeça e outra aos olhos.
— A hora em que você já deveria ter acordado. — Seco, respondeu.
— Pode me contar o que aprontei enquanto estive bêbado.
— Nós transamos outra vez. — Foi inevitável não mentir.
— Você só pode está brincando comigo. Fala a verdade, por favor.
Octavio realmente sentiu-se assustado com o que o amigo dissera. A primeira pessoa em quem pensou foi William. Se o loiro soubesse disso pela segunda vez, com certeza jamais o perdoaria e nem sequer o olharia.
— Claro que estou brincando, Octavio. Você acha mesmo que uma segunda vez aconteceria entre nós dois? Nem sei por que aconteceu a primeira. Se bem que você estava todo carente e acabou rolando.
— Não me lembre disso. É estranho pensar nessas coisas. Você é meu melhor amigo.
— Melhores amigos fazem coisas piores, mas eu e você não. Então agradeça por isso. Agora mudando de assunto, eu preciso de sua ajuda.
— Lá vem... — Octavio dissera, levantando-se e indo para o banheiro de Sean.
— Você conhece o gerente da lanchonete, preciso que você me arrume um emprego.
— Você quer trabalhar? — Indagou do banheiro.
— Claro que não. Não nasci pra viver atrás de um balcão de lanchonete. É para o Santiago.
— Mas aquele garoto precisa de um trabalho? Não acho que Diego vá aceitá-lo na lanchonete. Sempre que ele vai lá, alguma confusão acontece. Mas ele não é tão diferente de você. Diego o detesta e você sabe bem disso.
— Pouco me importo com o que esse Diego acha de mim. Ele depende do meu dinheiro, então vai ter que me aceitar na lanchonete sempre que eu quiser.
— Adoro essa sua sinceridade. — Octavio saíra do banheiro.
— Também. Enfim: Vai me ajudar ou não? — Ele perguntou, dessa vez querendo realmente saber da resposta.
— Posso dizer não?
— Te espero lá embaixo. — O moreno imediatamente saiu do quarto.
Sean, Octavio e Santiago juntos foram até a lanchonete onde geralmente os universitários costumavam fazer suas refeições, independente do horário. Como sempre, estava lotada, com pessoas entrando e saindo a cada minuto. Foi fácil encontrar uma mesa vazia pelo simples fato de Sean estar ali. A autoridade máxima era dele.
— Me acordou pra lanchar aqui? — Santiago indagou.
— Acha mesmo? — O moreno indagou. Cínico. — Você vai trabalhar aqui. Vai se sustentar com o dinheiro que receber daqui.
— Como é?
Santiago tivera se exaltado. Mas estava assustado com o que ouviu. Seu comportamento assustou aos que estavam nas mesas vizinhas.
— É isso mesmo que você ouviu, Santiago.
— Eu ainda não entendi o porquê de você querer que o garoto trabalhe aqui. — Octavio indagou, confuso.
— Lembra do festa anterior a de Sebastian? — Ele indagou, embora estivesse olhando para Santiago, mostrando-o como ele poderia ser malvado. — Quem está repassando a droga é Santiago. Não se preocupe, eu já resolvi a situação. — Disse o moreno ao ver o olhar de Octavio. — Por isso quero que ele trabalhe aqui.
— Você disse que em ajudaria. — Santiago quis ofendê-lo, mas se segurou. — Por que está contando isso para ele?
— E estou te ajudando. Octavio é meu melhor amigo. E se eu disse a ele é pra te mostrar que posso facilmente falar para outro alguém caso você realmente não faça o que eu digo. Meu negócio aqui não é ferrar com sua vida, se bem que adoraria, afinal, você é um ex-leonino e problemático que se tiver seu segredo descoberto acabará com a reputação de nossa república.
— Vai com calma, Sean. — Octavio pediu.
— Eu estou calmo. O garoto deveria agradecer por eu estar ajudando-o. Não estou fazendo isso pelo seu mal, muito pelo contrário, é por seu bem. Não o quero por aí destruindo sua vida aos poucos por uma simples diversão passageira. Dinheiro fácil não é bom.
— Você é sustentado por sua mãe. Não tem moral para falar sobre isso. — Santiago, o venenoso, não poupou em responder.
— De qualquer maneira eu poderia conseguir mais do que já ganho, optando por fazer o que você fez. Se quiser continuar morando em nossa república, trabalhe. Não importa que seja aqui. Mas quero que trabalhe. Algo digno.
— Sean está certo, Santiago. Cada um que trabalha aqui é simplesmente para pagar a faculdade ou ajudar a se manter em suas repúblicas. — Octavio tentou apaziguar a situação.
— Cara, é muita humilhação ter que servir. Eu não quero passar por isso. Tem que ter outra solução.
— E qual seria? Continuar repassando as drogas? — O moreno indagou, sorrindo ironicamente.
— É melhor você aceitar, Santiago. Eu posso fazer com que Diego te pague antecipadamente por uma semana de teste. Não é vergonhoso trabalhar. Vai ser melhor para você. — Octavio insistia em deixar a conversa tranquila.
— As coisas para vocês dois são fáceis. Estão aí me julgando pelas drogas, mas realmente não entendem o porquê de fazer isso.
— Claro que entendo. Há outros meios de se conseguir dinheiro, e o trabalho é a opção mais cabível. — Octavio tentou novamente.
Santiago tivera que ficar calado. Não havia outra solução. Era seu único meio de sobreviver na Quadra Nove. Tinha que conseguir grana. Precisa se sustentar. Não queria voltar a morar com sua mãe e abrir mão de sua universidade. Seu futuro estava ali.
— Isso é um sim. Ótimo. Pode ir falar com Diego, Octavio. Eu aproveito e vou pedir algo para comermos. Pode deixar que eu pago o seu, Santiago.
O ex-leonino ficara calado, de cabeça baixa. Estava com ódio de si, porém, ódio maior ainda por Sean. Imaginou que o líder de sua república não era uma pessoa fácil de lidar, mas nunca pensou que fosse desse jeito.
Suas veias saltavam devido à pressão que ele fazia com suas mãos fechadas entre as pernas. Ser um Tigre não era fácil. Porém, mal sabia ele que lidar com Tigres era pior ainda.
[...]
Foram exatos três dias que se passaram logo após a festa e os milhares de acontecimento, que com certeza mexeu com algumas pessoas. O clima entre as repúblicas rivais, por incrível que pareça estava tranquila. Não houve brigas corpo a corpo, apenas as velhas farpas. Colin e Sean, se possível, poderiam ser contratados para encenarem algum filme. Eram bons atores. Se seguissem carreira com isso ganhariam algum prêmio só pela atuação.
Apesar de se beijarem, a rivalidade deles ainda existia. Eram de repúblicas rivais e isso nunca mudaria.
Caine passou esses três dias sem conseguir olhar para Danion. O branquelo também não conseguira fazer mais nada, nem sequer pediu mais cigarros. Não tinha sido mais a mesma coisa nos dias seguintes. O pequeno estava feliz, ele admitia. Afinal acabara deitando-se e tendo sua primeira vez com alguém que tanto desejava, mas nada seria como um conto de fadas. Nem ele mesmo sabia o porquê de ficar tão sem graça perto do outro.
— Caine, é verdade que Danion dormiu aqui? — Sebastian abriu a porta do quarto do irmão sem antes pedir permissão.
— O que? Como? — Ele indagou, assustado, fechando seu caderno que segurava enquanto estava sentado na cama.
— Você me ouviu. É verdade?
— Quem te disse isso?
— Eu não estou brincando. Vai me contar a verdade ou não?
— Que verdade, Seb? — Indagava sempre procurando alguma resposta.
O pequeno estava assustado. Não conseguia sequer raciocinar. Tinha medo de se contradizer enquanto tentasse explicar algo.
— Olha, me falaram que na festa aquele garoto entrou aqui, em seu quarto, com você e depois não mais saiu. Que merda anda acontecendo e você não me conta?
— Você novamente dando ouvidos ao que esses fofoqueiros te contam. Odeio o fato de você ser considerado um líder da Quadra Nove e o mais popular. As pessoas nunca vão me deixar em paz e te contar tudo.
— Então é verdade? — O ruivo perguntou, não dando ouvido as palavras do irmão em relação a sua popularidade.
— É verdade o fato de ele entrar no meu quarto. Ele queria ir ao banheiro e eu cedi o meu. Mas não, ele não dormiu aqui. E se quer saber, ele até poderia, o garoto estava caindo pelas paredes de tão bêbado que estava.
— Você não está mentindo para mim, está?
— Vai lá acreditar no que a vizinhança diz. Novamente contando coisas de mim e sempre aumentando tudo.
— E por que diabos tu vai ceder o banheiro para aquele garoto? — O ruivo pusera sua mão na parede e encarou o irmão. — Já te falei milhões de vezes que não confio nele e que não suporto a ideia de você obedecê-lo. Caralho. Até quando você vai viver como uma moça indefesa? Estou de saco cheio das pessoas me contando do que ele faz contigo. Já tentei resolver o problema por duas vezes e na terceira eu juro que vou perder a paciência e não serei o Sebastian bonzinho que todos conhecem.
— Eu quem estou de saco cheio de você me tratar como um bebê. Poxa, Seb, eu não sou mais um garotinho. Sempre te digo isso. — Caine se sentiu ofendido com as palavras do rimãos e também tivera que tomar alguma atitude.
— Você pode não ser um bebê, mas ainda é muito novo. Eu conheço os idiotas da Quadra. Sei do quão podre são algumas pessoas e você é ingênuo demais perto delas.
— O que está acontecendo aqui? — Lydia apareceu no quarto, a garota prendia os cabelos e olhava para os irmãos que ficaram se encarando.
— Seu namorado novamente acorda de mau humor e tenta descontar em mim. É melhor eu adiantar e ir para a universidade. Colin me espera e ele com certeza não me enxerga como um garotinho.
O pequeno sem quis passar pela porta, tudo que fizera fora pular sua janela e encontrar Colin, que ia bater em sua porta para chama-lo. Os até então considerados amigos trocaram alguns olhares até se afastarem dali, em silêncio.
Caine estava nervoso, mas também aliviado por conseguir escapar da república e não contar toda a verdade para o irmão.
Colin conseguira escutar alguns gritos vindos da república dos Águias, já que o quarto de Caine ficava ao lado da sala e sua janela estava aberta.
— Eu sei que posso parecer intrometido, mas... A coisa tá séria entre você e Sebastian? — O dono dos olhos caramelos indagou, coçando a cabeça, envergonhado por tá se metendo na vida de Caine. — Se não quiser responder, vou entender... É que nunca te vi assim.
— É o Sebastian e os idiotas da Quadra. Acabaram contando para ele que Danion entrou em meu quarto e acabaram tirando conclusões precipitadas. Agora tire suas próprias conclusões. — Caine dissera, sem tirar os olhos do chão enquanto caminhava.
— Qualquer um agiria como o Sebastian. — Colin tentou também ver o lado do ruivo. — Isso você deveria entender.
— Eu entendo. Só que ele não me deixa ser livre da maneira que quero. Para Seb e meus pais, sempre serei uma criança.
— Isso acontece em qualquer família. Minha mãe me trata como um recém-nascido. Mas Sebastian é seu irmão, ele provavelmente tem seus motivos para ter um cuidado especial com você.
— Eu amo Sebastian, gosto do modo que ele cuida de mim. Mas é que... Não posso falar. Colin, algum dia você já fez algo por simplesmente amar?
— Já sei o que aconteceu, Caine. Não precisa falar mais nada.
— Sabe? — O pequeno indagou assustado. — Ele te contou?
— Viu aí? Ele não me contou nada, mas você acabou de se entregar. Eu já suspeitava. Você e Danion transaram, certo? Não adianta negar, está óbvio para mim.
— Isso é golpe baixo. Você jogou verde para colher maduro.
— Os espertos que sobrevivem nesse mundo, Caine. — Ele sorriu enquanto falava.
— Ninguém poderia saber disso. Você tem que me prometer não contar para ninguém.
— Claro que eu não iria contar. Você também sabe do meu segredo. Agora me fala, foi bom para você?
— S-se foi? — O pequeno corou com aquela pergunta. — Foi. Mas acho que não deveria ter me entregado assim tão fácil. Não consigo nem olhar para Danion.
— Aconteceu, Caine. E se eu conheço Danion, aposto que ele te forçou a fazer isso.
Foi então nesse momento que o pequeno relembrou de tudo. Na verdade, não foi Danion quem o forçou, mas sim ele mesmo. Foi ele quem quis se entregar e ter seu corpo dominado pelo branquelo.
— Foi? — Colin fizera uma pergunta acordando Caine das memórias.
— Sim, foi. Eu acho que estava bêbado. — Mentiu.
— Você não bebeu muito, mas acho que o suficiente para acabar na cama. — Tentou brincar e amenizar o clima pesado que estava ficando.
Os garotos já estavam em frente à universidade e tiveram que mudar de assunto. Qualquer um que ouvisse isso espalharia por todo o campus.
Iniciada as aulas, a Quadra Nove tornava-se pacífica o suficiente para não haver confusões. Uns amavam isso. Outros detestavam a monotonia. Mas quando o problema não estava na Quadra, ele certamente apareceria na universidade.
Era término de aula quando Colin fora ao banheiro. Passou a aula inteira apertado e não queria sair, gostava do que ouvia e aula estava sendo interessante com direito a piadas. O professor era novo e ótimo.
O que aconteceu, certamente é algo tramado pelo destino que procura de alguma forma parecer o cão e o gato se encontrarem no único lugar que menos queriam: o banheiro.
Eles não trocaram uma palavra.
Havia mais três garotos dentro do banheiro, Sean conhecia-os e eles apenas trocaram apertos de mão, o que era comum.
— O que tá olhando? — O moreno indagou, vendo que Colin o observava.
— A sua cara de idiota, é até... Interessante.
— Interessante será a surra que te darei se continuar falando asneiras. Veio para o banheiro pra sair paquerando todo garoto que entra aqui?
Isso rendeu algumas risadas dos colegas de Sean.
— Ou talvez te observar dando a bunda para os três babacas que estão rindo. — Acertou em cheio na resposta. Isso fez com que Sean fizesse pensar milhões de vezes em alguma resposta na medida.
— Vai deixar? — O garoto indagou.
— Aposto que essa é a vontade dele. Mas não terá esse prazer, infelizmente. — O moreno levou mão ao saco. Um gesto obsceno, mas necessário para a encenação. — Isso aqui pertence a elas. — Deu ênfase na ultima palavra se referindo a garotas.
Novamente mais risadas.
— Vou nessa, Sean. Se algum dia quiser bater nesse garotinho aí, sabe quem chamar, não é? — Um dos garotos dissera, novamente apertando a mão do moreno e saindo, seguido dos outros.
Colin e o moreno trocaram mais alguns olhares. Nada falaram.
Sean fora até um dos mictórios enquanto o pequeno apenas lavava as mãos e olhava do espelho as costas do moreno, pudera até ver um pouco da nádega do moreno que ficou exposta quando ele deixara sua calça ceder um pouco.
— Você não é tarado, Colin. — Murmurou para si mesmo.
Mas era impossível. Sean era um pedaço de mau caminho.
O moreno tinha acabado de se afastar do mictório quando também fora lavar as mãos. Encontrou um Colin parado, de braços cruzados e observando. Agora sério.
— O que foi? — Ele perguntou.
— Eu te odeio, sabia?
— É recíproco. Agora vem cá, aproveita que estamos sozinhos e... — o moreno puxou o menor pela cintura, o lançou contra a pia e o beijou.
Sean provavelmente não tinha noção do perigo. Fazer algo daquele jeito só poderia ser realizado em privacidade e um banheiro de universidade não era o melhor lugar. A qualquer momento alguém abriria a porta e encontrava-os ali. Mas até isso o destino parece preparar e ninguém, nos cinco minutos que se pegavam, apareceu.
— Chega. Eu já tô ficando sem ar. — O pequeno disse, tentando afastá-lo.
— Eu não me importo. — O moreno dizia.
— Tô falando sério. Me larga! — Colin tivera força o suficiente para empurrar Sean e sair de cima da pia. — Assim você me mata.
— É essa a intenção. Não é porque eu te beijo que minha raiva por você deixou de existir. — Falou enquanto levou seu dedo aos lábios, sorridente.
— Sean, eu não quero sair ficando com você em banheiros de universidade. Isso é muito podre.
— E o que nós somos? Mentindo para todos sobre o que fazemos quando estamos sozinhos. Isso com certeza não é “limpo”.
— Não é desse jeito.
— Não vamos novamente iniciar esse assunto, certo? É chato e eu não tenho tempo para isso. Não temos a solução ainda. Por enquanto teremos que viver assim.
— Alguém irá descobrir. Tenho medo da reação de todos, de William principalmente.
— Eu adoraria ver meu irmãozinho quebrando a cara mais uma vez. Você seria um ótimo Tigre, sabia disso? Tem tudo que nós temos. É atrevido.
— É a última coisa que desejo ser enquanto estiver na Quadra. Ser um Tigre é um lixo e me desculpa a sinceridade.
— A república mais respeitada por todos. Mas eu não vou insistir. Agora tenho que ir, Octavio logo me procurará.
— Sean, nós dois ainda precisamos conversar. Você sabe disso.
— Vai chegar o momento.
Antes de o moreno sair, ele se virou, chamando o garoto:
— Ei, Sean. — O moreno o olhou. — Bela bunda. — Falou, provocando-o.
— Desgraçado!
[...]
— Você esqueceu seu jaleco. — Octavio correu até o loiro, que caminhava despreocupado observando o movimento das pessoas que saiam da universidade.
— Obrigado. — Ele dissera, pegando o que o ex-namorado o trouxe.
— William, Erica vem me visitar hoje à noite. Nós marcamos de sair. Ela me mandou te avisar que exige a sua presença.
— Eu não irei. — Disse, áspero.
— Mas por quê? Foi Erica quem o chamou.
— Você sabe o real motivo, por que me pergunta? — Ele parou, imediatamente Octavio também parara para observá-lo.
— William, eu sei que acabamos, sei que te magoei muito, mas você também me magoou. Porém, iremos sair com Erica, nossa amiga. Há tanto tempo não saímos juntos, a última vez que a vi foi na festa, mas por poucas horas.
— Você aproveitou e contou para ela do beijo. O que foi ridículo da sua parte.
— Claro. Você sabe muito bem como aquilo me magoou. Não faça teatro e nem fale comigo dessa forma. Erica, mesmo distante, continua sendo uma das pessoas mais próximas a mim.
— Certo, Octavio, eu irei, tudo bem?!
— Não tá mentindo para mim?
— Não.
— Vai ser naquele restaurante. — Octavio odiou ter que dar ênfase na palavra “aquele.” Lugar de tantos encontros entre eles.
— Eu sei onde fica. Encontro vocês lá. — O loiro falou, apressando os passos e deixando o moreno para trás.
Que mesmo triste por não acompanha-lo até em casa, conseguiu sorrir.
Notas finais
Mas ah, vou deixá-los felizes... Tem lemon no capítulo novo, até lá vocês ficarão na curiosidade de qual casal será. Haha.
É isso meus amores, eu não deixei de responder os reviews, tá? Só estou sem internet para isso. E com as poucas horas que consigo, respondo aos poucos.
Fale com o autor