República de Leões
11 Capítulo 11
Notas iniciais
— Caine, eu preciso te falar duas coisas. — Colin disse, enquanto caminhava decorando a sala com balões transparentes.
Era aniversário do maior líder da Quadra Nove; ruivo e admirado. Tinha tudo para ser uma das melhores festas do ano, na verdade, as festas realizadas por Sebastian sempre eram consideradas as melhores, mas dessa vez a organização ficou nas mãos de Lydia, sua namorada, que resolveu fazer uma surpresa. Certo que tinha detalhes femininos, como encher a casa de balões. Já que nos anos anteriores balões quase nunca estavam presentes em aniversários.
— Pelo seu tom de voz, algo bom sei que não é. Vamos, me diz.
— Não pode ser aqui, não com essas pessoas passando o tempo todo.
— Vamos aproveitar que Lydia tá colocando aquela faixa na entrada da Quadra e ir pro meu quarto.
— Certo.
Colin largou balões cheios ali na sala e seguiu Caine até finalmente chegarem ao quarto. O amigo logo trancou o cômodo e fechou as janelas. Exagero da parte dele, mas se realmente fosse algo sério, a precaução deveria ser tomada.
— Conte-me tudo sem deixar escapar nenhum detalhe. — Caine logo disse ao se afastar da janela.
— Bom, vamos do início.
Colin antes de falar respirou fundo e caminhou até a mesa de estudos de Caine, sentando ali e virando imediatamente para ele.
— Eu sei que você é igual a mim, apesar de não admitirmos. Eu gosto de garotos e você também. Não adianta negar, vejo o modo que você paquera Danion.
Caine sentiu-se incomodado pelo modo que Colin falava. Certo que entre eles não era necessário falar ou admitir tal coisa, mas de qualquer maneira foi pego de surpresa, principalmente quando o nome de Danion foi citado.
Piscou milhares de vezes até soltar um sorriso torto para o amigo.
— Não vou pagar de inocente, sendo assim, aceitei o beijo do William porque eu meio que o paquerei. Mas confesso que me arrependi. Não consigo explicar, logo quando ele me beijou foi como se eu tivesse esquecido todos ao redor, entende? — Caine balançou a cabeça negativamente. — E-eu só não sei como te falar isso, mas depois que me caiu a ficha sobre a presença de Octavio.
— Você gosta do William? — Caine perguntou, ficando cada vez mais confuso.
— Não! — Disse, dando bastante ênfase na palavra.
— Então porque toda essa explicação?
— Eu só tô tentando explicar. Não quero sair como um vilão da história. Eu imagino o quanto magoei Octavio, apesar de também ser a vítima... Eu acho.
— Não. Você jamais será conhecido como vítima, mas também não é o vilão da história. Te considero o figurante. — Sorriu, tentando amenizar. — Só esteve ali pra participar da cena e criar alguma situação entre os personagens principais.
Colin foi obrigado a sorrir. Caine conseguiu quebrar todo aquele aperto no coração que ele estava sentindo, deixando o amigo mais à vontade e preparando-se para a segunda coisa que ele tinha para dizer.
— Ainda hoje tentarei conversar com Octavio. Preciso explicar algumas coisas para ele e dizer que nada tenho com William.
— Faça isso. Mas então, qual a segunda coisa que você ia me contar?
O dono dos olhos caramelo engoliu o seco e desviou o olhar. Seu coração parecia ter congelado e seu corpo tremeu. Sentiu arrepios. Suas mãos estavam suando, assim como os seus pés.
— Você está bem? Quer um pouco d’água? Colin? — Ele se aproximou do amigo.
— Eu tenho medo do seu julgamento.
Caine até se surpreendeu com o que ouviu. Colin com medo de algo? Ele jamais o vira tão nervoso desse jeito.
— Julgamento? Você fez algo de errado?
— Não sei se é errado o que eu fiz. Também não sei se é errado o que eu tô sentindo.
Sentindo?— Pensou.
— Certo, vamos por partes. Sente-se. — Caine puxou Colin da cadeira, fazendo-o sentar-se na cama ao seu lado, em seguida pegou seu travesseiro e o apertou entre as pernas.
— Olha, eu te imploro para que não conte a ninguém, certo? — Colin perguntou, sério.
— Eu juro, juradinho. — Disse, beijando os dois dedos indicadores. Gesto ingênuo. Bobo.
Antes de falar, Colin lembrou-se tudo que aconteceu há uma semana. Da sensação, do calor, do contato, suor, beijo, voz e olhar. Das mãos que pressionaram sua cintura, nuca e coxa. Sentiu um arrepio ao recordar de tudo isso.
— Sean e eu nos beijamos. — Ele murmurou.
Foi audível. Tanto é que Caine levou sua mão à boca e permaneceu como uma estátua.
— Você só pode estar brincando comigo. — Apesar de saber que o amigo não mentia, Caine não conseguia pensar em mais nada a não ser imaginar a cena.
— Você acha que eu brincaria com alguma coisa do tipo?
— Tá, sei que não. M-mas é difícil de acreditar. C-como tudo isso aconteceu? — Caine gaguejava, realmente surpreso querendo descobrir mais.
— Lembra-se do dia que eu saí daqui logo quando conversávamos sobre o beijo de William?
Caine se esforçou até finalmente lembrar.
— Não me diga que você beijou os irmãos no mesmo dia? — Caine quase gritou, mas logo levou sua mão à boca novamente.
— Para de falar assim. Você me deixa mais preocupado ainda. E não fui eu quem os beijei. Poxa, eu não fiz nada além de receber os beijos.
— Colin, isso é muita informação para mim. O Sean?! Como assim o Sean?! Ele não é hétero? O William eu sabia que não era, Seb sempre me falava de coisas a respeito disso e bem... Tem o Octavio. Mas o Sean eu jamais duvidaria. — Caine quase não conseguia mais pensar.
Mais alguns segundos de silêncio.
— Se ele é hétero, eu não sei. — Colin foi obrigado a falar e acabar com o silêncio que se criou. — Mas também pode ser. Foi somente um beijo, isso não significa nada.
— Depende de como foi um beijo. Me fale... — Caine foi sapeca ao perguntar.
— P-para com esse olhar, Caine! — Colin quase estapeou o amigo.
— Gente, mas agora faz sentindo. — Caine levou seus olhos ao chão e sorriu, apertando o travesseiro com sua mão. — Então é por isso que ele vivia cuspindo toda vez que passava por você? Demonstrando sentir nojo. Achei estranho quando ele chutou a lixeira da universidade logo quando nos encontramos no refeitório. Você o desafiou mais uma vez. O que foi que disse mesmo àquele dia?
— Sobre enrustidos na universidade e que ele poderia ser um dos. — Murmurou Colin.
Sim, nesses sete dias, as desavenças entre Colin e Sean tornaram-se mais intensas. Logo no dia seguinte ambos agiram como se nada tivesse acontecido, bons atores. Novamente iniciaram as briguinhas, com direito a quase uma guerra de comida no refeitório da universidade.
— E eu achando que era mais uma confusão diária entre vocês. — Caine coçou sua face. — Mas e agora? Como você se sente em relação a tudo isso?
— É aí que está o problema. — Colin quase não conseguiu dizer as palavras.
— Você começou a gostar dele após o beijo? — O amigo perguntou, sincero, sem antes pensar no quão pesada a indagação seria. — Você gosta do Sean?
Colin gargalhou o mais alto que podia, deixando Caine confuso quanto à sua reação. Foi incrível como seu semblante e personalidade mudaram, o que antes parecia ser uma conversa séria sobre sentimentos que desabrocharam tornou-se, agora, algo oposto. Bipolaridade, talvez.
— Se eu gosto do Sean?! Olha bem para mim, Caine. — Ele fuzilou o amigo. — Claro que não.
Caine sabia. Não acreditou na reação do amigo, até porque os olhos trêmulos os denunciavam. Apenas fingiu e aceitou a desculpa.
— Se você diz. Então onde está o problema?
— Que problema? — Colin fingiu não lembrar.
— Eu perguntei como você se sentia em relação a isso e você me disse que tinha um problema.
— Disse? — Mostrou-se confuso.
— Colin, para com toda essa encenação, é claro que você passou a gostar do Sean.
— Eu não! — Falou imediatamente.
— Você sim.
— Se você repetir isso mais uma vez juro que a nossa amizade acaba aqui.
Caine só sorriu, levantando-se e indo até a janela, fitando a república à frente logo após abri-la.
— Eu juro pra você que não gosto dele. Foi apenas um beijo e eu precisava contar para alguém. Agora chega e vamos voltar e arrumar a festa.
Nem mesmo Colin sabia o porquê da sua reação imediata logo após a indagação do amigo.
Para ser sincero, ele sabia, não seria um hipócrita. Por muito tempo tentou não enxergar e não aceitar o sentimento preso que pedia pra ser solto. Não foi amor à primeira vista, admitia. Contudo, conseguiu conciliar muitas coisas até fazerem sentido. E então conseguiu lembrar como se sentiu após o espancamento e ver a reação do moreno após o acontecido. Foi ele o primeiro a mostrar-se preocupado, a procurar ajuda pelo seu melhor. Nesse dia descobriu a generosidade que o moreno tinha escondida, sentiu-se então atraído pelo seu interior.
Colin precisava admitir que adorava a personalidade de Sean. O jeito árduo, venenoso e bruto de ser. E o melhor, sabia que dentro daquele enorme corpo, existia um lado humano.
— Eu ainda não sei o que devo dar pro Sebastian. — Octavio dizia enquanto caçava na internet alguma sugestão de presentes.
— Seu corpo. — Sean disse sério. Octavio quase o matou só com o olhar. — Estou brincando. Poxa.
— Bom mesmo estar brincando. — Octavio respondeu a altura de seriedade.
— Não me chame pra comprar o presente. Isso já deveria ter sido resolvido dias atrás. — Para não brigarem o moreno logo deu continuidade ao assunto anterior.
— Eu sei, imaginei que ontem teria tempo, mas o líder dessa república — deu ênfase, provocando — deixou tarefas pendentes e eu tive que resolver.
— Claro! Primeiro eu, depois Sebastian.
— Um dia isso irá mudar.
— Não ouse. — Disse, sério.
Sean estava penteando seus cabelos. Tinha acabado de sair do banho, com a toalha no ombro e completamente pelado, parado ao espelho. Logo, passou a mão por entre seus fios desistindo de arrumá-los.
— O que você acha de não irmos à festa? — Sugeriu o moreno.
— Sean, é o Sebastian...
— E daí?
— E daí que seria um absurdo. Já perdemos as contas de como Sebastian nos ajudou, seria uma falta de consideração por ele. Vale ressaltar que suas festas são as melhores, e depois do ocorrido eu quero mais é ser feliz.
— William irá, você sabe disso. — Resolveu tocar na ferida do amigo.
— Eu o vejo todos os dias na universidade, isso não é problema.
— Não quando você o encontrar dançando ou conversando com outra pessoa. — Dizia o moreno, já pondo sua cueca.
— Olha aqui, Sean, — Octavio se levantou e arremessou o travesseiro contra o amigo — eu irei para essa festa, você queira ou não. E se você não for, pode ter certeza de que me tornarei um leonino.
Octavio estava mentindo, seria óbvio. Porém, ele sabia que assim conseguiria ir de encontro às também provocações do amigo.
— Se você tem amor pela sua vida, acredite, não torne-se um. — Ele virou, encarou Octavio por alguns segundos, e depois voltou sua atenção ao espelho.
— Eu sei qual o motivo que te faz querer não ir à festa.
Provavelmente Octavio tomaria uma bela surra hoje, só pela quantidade de provocações que ele estava fazendo. O bom disso era o fato de mostrar que estava melhor do que dias atrás.
— Não começa. — Pediu Sean.
— Começa com “Co” e termina com “Lin”. — Brincou, apesar de se sentir um pouco incomodado. Afinal, William beijou Colin.
— Vai se foder. De verdade. Não estou com paciência para brincadeiras, Octavio.
Sean saiu do quarto, ainda de cueca, batendo a porta e indo para a sala. Lá não encontrou ninguém e foi à cozinha.
O dono dos olhos escuros costumava se esconder quando irritado, evitando todos os membros de sua república. Não era à toa que vivia trancado em seu quarto. Pouco paciente, esse era Sean.
— Onde Santiago foi? — Sean indagou ao Connor, que estava comendo, sozinho.
— Eu não sei, saiu antes do sol nascer e até agora não voltou. Ele estava um pouco nervoso, perguntei o que havia acontecido, mas não quis me responder.
— Aquele garoto quase nunca tá na república, preciso ter uma conversa séria com ele.
— E qual o problema de não estar na república? — Connor contestou.
— Problema nenhum, — respondeu franzindo o cenho — mas quando se trata de um ex-leonino, desconfiar é algo natural meu.
— Ah, bom... — Sem argumentos, Connor calou-se.
— O que você tá comendo? Tem pra mim?
— É só pão com queijo. Acho que já está na hora de Octavio e você reabastecerem os armários. — Connor tinha acabado de comer seu último pedaço.
— Amanhã resolveremos isso. Sobrou queijo? — O moreno indagou enquanto abria a geladeira.
— Três fatias, somente. — Connor pausou, logo continuou — Duas, no caso, irei comer mais uma.
— Larga de ser olho grande, Connor. Acabou de comer.
— Cara, comi só um pão.
— Do jeito que você é guloso, tenho certeza que pôs duas fatias em um só pão. — Sean falou, não queria parecer que estava irritado.
— Porra! Nessa droga de república não posso nem comer aquilo que quero.
— O que você disse? — Sean aproximou-se.
— Não posso comer!
— Não foi isso... Do que você chamou a república mesmo? — Sean apoiou seus cotovelos na mesa, aproximando sua face da de Connor. — Vamos, repete.
— O que está acontecendo aqui? — Octavio adentrou no lugar.
Connor não hesitou em se levantar e se aproximar de Octavio, temendo Sean e sua raiva. Era certo que ele poderia facilmente brigar com o líder, não era fraco, mas estando embaixo daquele teto sabia a desvantagem disso.
— O que deu nele? — Connor indagou. — Está irritado só por causa de algumas fatias de queijo.
— Olha, Connor, dessa vez eu vou deixar passar, mas não quero escutar aquilo mais uma vez, certo? — Dessa vez Sean perguntou gentilmente. Inacreditável. Ator, talvez.
As horas se passaram. Era oficialmente o aniversário de Sebastian, já que o ruivo tinha nascido às 20 horas e 42 minutos, Lydia nunca se esqueceria disso, resolvendo iniciar a festa quarenta minutos antes. Metade da Quadra Nove já estava presente no local, não sobrou espaço na república, sendo assim, ocuparam as calçadas das repúblicas vizinhas. William não queria aceitar isso ao imaginar como estaria a entrada de sua república na manhã seguinte, mas teve que aceitar e compreender logo depois de Leo convencê-lo.
Dos Leoninos, somente Colin e Rick ficaram na república. O pequeno odiava chegar cedo aos lugares e sendo numa república vizinha, resolveu realmente atrasar um pouco. Ele admitia que toda festa era melhor depois das 22hrs. O mulato não estava com tanto ânimo, já que seu parceiro estava viajando e ele teria que se divertir sozinho.
Dos Tigres, Sean foi o único a permanecer em sua república. Ele observava de sua janela a grande movimentação, as gargalhadas, os copos descartáveis vermelhos já sendo jogados nos gramados. Música agitada e alta. Sebastian sendo cumprimentado por muitas pessoas e recebendo presentes. De fato, o moreno não estava animado para ir ao lugar, odiava estar na presença dos leoninos. Porém, sabia que Octavio tinha razão e ele deveria ir.
Sean não levaria presente.
Deu uma última checada em seu visual no espelho e finalizou pondo sua jaqueta de couro. Absolutamente uma perfeição em forma humana. Sean tinha seu charme, sabia disso. Tinha orgulho da beleza. Não era necessário muito para ficar bonito, afinal, ele já era. Até mesmo despido. Adorava andar com os cabelos bagunçados, isso irritava Octavio que o achava mais elegante com os fios penteados e arrumados.
O moreno descia as escadas quando encontrou Santiago subindo. Poucas eram às vezes em que eles se encontravam apesar de morarem na mesma república. Sean era um líder considerado antissocial, mas tinha seu devido respeito.
— Onde você estava? — O moreno perguntou.
— Na festa. Só entrei pra beber um pouco d’água.
— Mas a cozinha não fica aqui em cima.
— Eu já bebi. — Santiago falou, meio que o encarando. — Tá duvidando de alguma coisa? Será que nem ir para meu quarto eu posso mais?
— Que seja. Eu vou para a festa. Não esqueça de trancar a porta. Tenho certeza que algum engraçadinho vai querer entrar aqui.
— Pode deixar.
Sean deu espaço para que Santiago pudesse passar.
O moreno tinha olhos escuros, mas também olhos de águia. Quando Santiago passou por você, ele pode ver, preso à barba por fazer do garoto, vestígios de pó branco. Foi imediato o pensamento de acusação.
A mão direita de Sean avançou contra o braço de Santiago, puxando-o para si.
— O que é isso? — Ele perguntou, enquanto levava seus dedos ao pó. — Não é o que eu estou pensando, é?
Santiago sentiu o que jamais imaginou sentir um dia. Talvez, o seu maior medo. O mundo ao seu redor parou, até mesmo seu coração parecia, aos poucos, parar de bater. Ser descoberto não é nada agradável.
— E-eu não sei o que é isso. — Gaguejou. Mais um motivo para suspeitas.
— Como assim não sabe?
Sean parecia um detetive pronto para ir mais além do que queria. Suas mãos invadiram todos os bolsos da calça de Santiago, encontrando cerca de vinte pacotes pequenos da cocaína. O ex-leonino se viu perdido. Não havia mais o que esconder, nem mesmo para onde fugir.
— É você o imbecil que anda repassando isso? — Rude, o moreno indagou, embora já estivesse acusando-o.
— Sean, por favor, eu imploro, não conta a ninguém! — Santiago pediu, quase chorando. Se possível ajoelharia ali.
O moreno o largou, empurrando-o para que sentasse no degrau da escada.
— Você quer acabar com nossa reputação, Santiago? Ou pior que isso, você quer acabar com sua vida? Que merda você tem nessa porra de cabeça para pensar em usar e repassar isso aqui?
— É minha única forma de escape. É grana fácil, você também poderia investir nisso. — Sugeriu, tentando amenizar a culpa.
Sean quase o socou pela sugestão de Santiago. Disfarçou sua raiva em um breve sorriso irônico.
— Eu preciso te entregar aos outros. — O moreno falou, dando as costas.
— Não! Por favor, eu imploro. — Santiago pediu, segurando-o pelo braço, impedindo-o de sair dali. — Você não sabe um terço do que estou passando. Por favor, Sean, antes me escuta.
— Não tem desculpas para isso, Santiago. Eu já deveria esperar algo ruim de um ex-leonino.
— Cara, me escuta. Se Sebastian souber disso, é capaz dele abrir votação com os líderes e eu posso ser expulso da Quadra.
— Saiba que votarei a favor.
— Eu te imploro, Sean. Pelo meu bem, pelo bem da república, pelo bem da minha família. — Era incrível, mas Santiago estava chorando.
Sean tentou o máximo não mostrar-se preocupado com isso, mas estava sendo difícil, principalmente ao ter em sua frente alguém considerado um monstro chorando aos seus pés.
— Logo após o falecimento do meu pai, minha família começou a passar por uma situação financeira difícil. Minha mãe disse que logo eu teria de abandonar a universidade e voltar pra minha antiga cidade.
— Não mente, Santiago. É feio envolver a família nas mentiras.
— Eu não tô mentindo, cara. Te juro. — Ele chorava. — Eu não quero abrir mão do meu futuro. E se eu tô repassando isso é simplesmente para permanecer aqui. Se você perceber, já faz um tempo que eu não tenho uma roupa nova, demoro a te ajudar nas despesas, apesar de quase nunca ser necessário. Mas tá difícil, cara. Eu preciso de grana, e ninguém sobrevive sem isso aqui na Quadra.
Sean poderia ser considerado a pessoa mais fria do mundo, mas Santiago conseguiu comovê-lo. Ele não tinha lá certas intimidades com o outro, porém, ver alguém procurando um meio de escape para simplesmente não abrir mão do seu futuro, definitivamente, deixava-lhe preocupado.
— Santiago, acho que agora não é a melhor hora para conversar sobre isso. Mas eu te garanto que não deixarei isso passar em branco. Eu pouco me importo se você quer acabar com sua vida usando isso, mas me importo com o fato de sair repassando isso e acabando com a vida de outros. Me passa já esses pacotes. — Ele estendeu as mãos.
— O que você vai fazer com eles?
— Usar é que não irei. Agora me passa.
— Só hoje, me deixa repassar só hoje. Eu juro que paro.
— Não. Vamos, me passa, ou quer que eu saia agora no meio daquela festa e te entregue para todos?
Santiago demorou a entregar tudo a Sean, que imediatamente caminhou para um dos banheiros da casa e jogou tudo na privada, dando descarga logo em seguida. Santiago viu toda a cena enquanto tentava fazer com que o moreno não fizesse isso, mas de nada adiantou.
— Não quero me preocupar com isso hoje. Você sabe exatamente o que tem de fazer.
— Você está me expulsando?
— Era o que deveria fazer contigo. Sei que não tem lugar para ficar. Olha, Santiago, você é um babaca, mas mesmo assim eu consigo entender seu lado. Entender é uma coisa, aceitar é definitivamente outra. Apesar de achar que existem outros meios para conseguir grana.
— Qual?
— Um emprego, talvez. Eu vou pensar a respeito do que vi hoje, considere-se livre para se divertir. Amanhã teremos A Conversa.Eu poderia dizer que você precisa de uma surra, mas na verdade você precisa de ajuda.
Dito isso, o moreno deu de costas deixando Santiago sozinho em sua república.
Às vezes, quando se há um pouco de compreensão, a pessoa mais dura torna-se a mais frágil desse mundo. Sean poderia facilmente contar para Sebastian quem era a pessoa que estava espalhando a droga pela Quadra, porém, ele sabia que, feito isso, acabaria com a vida de Santiago, fazendo-o abrir mão do seu futuro, envergonhando seus familiares. Sem contar que sua república ficaria má falada.
Continuar sendo um monstro entregando Santiago ou provar para aquele alguém, que apesar da personalidade, ele era bom?
De coração bom, ele decidiu então ajudar o agora seu companheiro de república. Vejam aí, o moreno não é um monstro como todos falam.
Iria guardar o segredo de Santiago. Não para o próprio bem, mas para o bem do garoto.
Luzes. Era o que mais chamava a atenção na entrada da república do aniversariante. Luzes de todas as cores. Muita música. Pessoas que nem mesmo os próprios líderes faziam ideia de que moravam na Quadra. Era incrível como rapidamente a festa tomou uma proporção enorme pela quantidade de pessoas. Se isso não fosse uma área particular reservada para república, provavelmente, festa assim não aconteceria.
Colin estava caminhando sozinho tentando procurar Caine. Levou alguns empurrões, quase tomou um banho de bebida, até o momento, estava sobrevivendo em meio à multidão. Em sua antiga cidade ele jamais viu festa de aniversário parecida com essa. Não era algo normal.
— Perdido por aqui? — Um garoto, alto, magro e de cabelos ondulados parou em frente ao Colin.
— Na verdade, não. Moro na república vizinha. Só estou tentando encontrar um amigo meu. — Ele disse, tentando encontrar Caine na multidão.
Colin odiava ser baixo. Isso o impedia muito de visualizar e ser visualizado.
— Eu sei que você mora ali. — Apontou com o olhar. — Você é o Colin. O último leonino a entrar na república. Segundo maior rival de Sean. Causador de muitos problemas. Popular na Quadra. E digamos que bonito. — Disse com desdém.
Colin ficou boquiaberto com o que ouvia. Sentiu-se ser observado por esse tempo todo. Odiou isso e passou a ter medo do garoto, dando um passo para trás.
— Vai descrever minha biografia agora? — O pequeno indagou.
— Até poderia. Sei que sua mãe se chama Annita e seu pai Joseph. Mas isso não vem ao caso. O que eu quero saber é sobre o seu beijo com William.
— Garoto, você bebeu além da conta. — Disse Colin, tentando sair dali.
— Não. Eu sou Harry, você provavelmente já ouviu falar de mim. — Colin nunca ouviu tal nome desde que chegou. — Sou um dos colunistas do jornal da Quadra. Certo que ele está desativado há um tempo. De qualquer maneira, eu não vivo sem as notícias.
— Jornal da Quadra?
— Há dois anos antes de você chegar aqui, a Quadra tinha um jornal específico sobre a vida dos que moram nesse lugar. Aposto que você iria adorar descobrir sobre William, Sean e Sebastian. Eles costumavam sair nas edições. Mas depois começaram a achar isso fútil demais e eu e meus amigos tivemos que por fim, afinal, ninguém se atreve ir contra a vontade dos três maiores líderes.
— Você faz jornalismo? — Indagou, vendo que era previsível.
— É meio que óbvio. — Ele sorriu. — Mas certo, não quero ser o assunto. Você é o assunto. Fale-me sobre o beijo. Se o que aconteceu é verdade.
— Eu não tenho nada pra falar, de verdade. Agora eu tenho que ir procurar meu amigo. — Mais uma vez ele tentou passar, porém, o garoto dessa vez não deixou.
— Vamos lá, Colin. Não precisa me falar muito, só o necessário.
— Mas eu não quero falar. — Disse, rude. —Tá difícil entender?
— Realmente, você é grosseiro como falam. Mas isso não vai me impedir de arrancar alguma notícia sua. Diga-me algo e eu irei te deixar passar.
— Caralho, sai daqui! — Colin por pouco não jogou o copo de bebida, que segurava, no garoto.
Para interromper a discussão, o inesperado aconteceu. Ninguém sabia de onde Sean surgiu e caiu no meio dos dois. Colin e Harry olharam assustado para o moreno, que precisou de ajuda para se levantar.
— Ótimo, era só o que faltava para piorar o que já estava um saco. — Disse Colin, vendo o moreno arrumando suas vestes.
— Obrigado, hein. — O moreno disse, olhando para o céu. — Tanto lugar para eu tropeçar.
— Vocês me dão licença, mas meu lugar não é aqui. — Disse o pequeno, dando as costas para os dois e finalmente conseguindo sair dali.
— Espera, Colin, você ainda não me falou sobre...
Bastou apenas um olhar de Sean para Harry. Um olhar pedindo para ele parar com as perguntas e sair dali. O futuro jornalista logo parou de falar, abaixou a cabeça e saiu. Porém, isso não foi o suficiente para o moreno que o segurou pelo braço impedindo-o de movimentar.
— Não vai ser necessário eu falar a terceira vez sobre isso, vai? Faço questão de quebrar cada dedo de sua mão e te impedir de escrever.
— M-me desculpe. — Harry falou.
Em dia de festa as horas pareciam voar. Já se passava da meia noite e mesmo assim a quantidade absurda de pessoas continuava ali, sem se preocupar com o horário. Colin e Caine mais conversavam do que se divertiam, mas isso não durou muito, principalmente quando Leo os encontrou e os puxou para a roda de dança. Negar isso seria pedir a morte.
A essa altura, Danion já estava completamente alcoolizado. Beijou duas garotas no decorrer de duas horas e quase transou com o garoto nos fundos da república. Embora bêbado, ele tinha noção do que fazia e ser flagrado no ato com um garoto seria muito para ele.
Ele caminhava procurando algum conhecido, já estava cansado de perambular e conversar com estranhos. Foi quando finalmente encontrou Leo, Caine e Colin dançando com mais algumas pessoas. Atrevido como sempre foi, o branquelo adentrou a roda e dançou mostrando toda a sua sensualidade. Segurando uma garrafa de bebida em uma das mãos, ele mostrava que realmente sabia dançar, apesar de estar bêbado.
— Essa é a melhor festa que já fui em minha vida! — O branquelo gritou.
— Acho melhor você parar de beber por aqui, Danion. — Colin falou, tomando a garrafa de sua mão.
— Já estou acostumado com isso, Colin. Ele não vai parar. — Disse Leo.
— Comigo por perto ele irá parar sim. — O dono dos olhos castanhos dizia, com ar vitorioso.
— Que porra vocês estão falando aí? — Danion indagou, mas sorrindo.
— Nada, Dan. — Leo disse.
Caine apenas observava o estado do branquelo. Seu coração geralmente batia mais do que o normal na presença daquele que nutria um grande sentimento.
— Gente, eu preciso ir ao banheiro. — O branquelo falou, parando de dançar e pondo a mão no saco.
— Isso que dá beber demais, agora de cinco em cinco minutos tu vai precisar ir ao banheiro. — Colin gritou, apesar de ter dito isso bem próximo de Danion.
— O problema vai ser você encontrar vaga. A república de Sebastian é grande, mas de qualquer forma todos os banheiros estão lotados e podres, se é que entende. A não ser que você queira passar por esse povo todo e ir ao nosso.
— Tem o meu. — Caine finalmente falou, no momento certo. — Esse somente eu uso.
— É melhor não, Caine. — Colin falou, apesar de saber que o pequeno não rejeitaria. — É capaz de Danion vomitar todo o seu quarto.
— Colin, você me odeia não é? — O branquelo falou tomando a garrafa para si. — Sempre criando uma má imagem minha. Porra, eu só preciso mijar. Se vocês quiserem, eu abro merda dessa calça e ponho tudo pra fora.
— Certo, Caine, o leva logo, pelo amor de Deus. — Leo falou, empurrando Danion para o garoto que quase não conseguiu segurá-lo.
Colin não queria que isso acontecesse, mas falar algo só iria levantar suspeitas para Leo e Danion. E como prometido, ele jamais iria falar o que Caine sentia em relação ao branquelo, apesar de que todos já sabiam disso.
Danion, com a ajuda de Caine, foi guiado até o quarto do garoto. Que por sinal foi difícil de entrar, já que cinco garotos bebiam encostados à porta. Mas estando em sua república, o pequeno até mostrou-se autoritário e exigiu que saíssem dali.
Depois de entrar e trancar a porta, para que nenhum engraçadinho se atrevesse a entrar, mostrou ao Danion onde era o banheiro e ficou sentado em sua cama, esperando o branquelo sair.
Um minuto. Dois. Três. Nada do Danion sair do banheiro.
— Danion? — Caine chamou. — Danion! — Dessa vez teve que gritar por conta da música alta.
Esperou mais um minuto, imaginando que o outro pudesse estar fazendo algo além de urinar.
Ele não queria fazer isso, mas foi obrigado a entrar no banheiro. O que encontrou foi um Danion sentado no chão, cochilando e completamente molhado pela urina.
— Mas que droga você fez? — O pequeno indagou, mesmo sabendo que não teria resposta.
Com muito esforço, Caine só pôde arrastá-lo para debaixo do chuveiro. Foi a primeira coisa que ele pensou. Provavelmente tomaria uma surra pelo que iria fazer, mas era a única solução de acordar o branquelo e livrá-lo daquele mau cheiro, já que ele praticamente acabou mijando em si.
— Me desculpe, Danion.— Ele falou antes de ligar o chuveiro.
A água gelada rapidamente caiu sobre o corpo do branquelo, que mesmo assim só veio despertar depois de um minuto.
— M-m-mas, eu tô me afogando! — O branquelo gritou, erguendo os braços e tentando se levantar.
Foi um gesto malvado, mas Caine sorriu ao ouvir aquilo.
— Calma, Danion, eu tô aqui. — Ele disse.
— Mas que porra você fez comigo?
— O melhor que pude. Te despertar. Você acabou dormindo e tomou um banho da própria urina. Eu me pergunto como isso é possível.
— Me tira daqui, seu idiota. — Gritou mostrando não gostar daquilo.
— Não posso, não antes de — Caine sabia que precisava disso. Ele pegou o seu shampoo e, à distância, despejou sobre a cabeça do branquelo. — te dar um banho.
— Seu imbecil!
Caine aceitou ser xingado principalmente por saber o estado em que Danion estava.
— Isso é necessário. — Ele falava. Poucas palavras.
O pequeno tentou ajudar Danion a espalhar o shampoo por sua cabeça, mas tal atitude fez com que o branquelo o puxasse para debaixo do chuveiro e escorregasse na espuma. Teria sido um tombo que lhe causaria certa dor, mas o corpo do outro serviu como amortecedor, já que ele caiu entre suas pernas.
— Danion, meu celular!
— Foda-se. Só pra você saber que isso não é legal. Agora que já tá aqui debaixo, você vai me ajudar a tirar essa roupa toda molhada.
Caine rapidamente se levantou, envergonhado. Danion o segurou pela perna.
— Vamos, me ajuda a ficar de pé.
O pequeno suspirou e com dificuldade — muita — ajudou o branquelo a ter que ficar de pé. Quando ele achava que tinha terminado de fazer o seu dever, Danion, safado por natureza, levou a mão do pequeno até o cós de sua calça.
— Agora tira. — Pediu, mas não sorriu.
Envergonhado, o pequeno Caine o obedeceu. — O que ele sempre faria. — Ajudou o branquelo a se despir. Milhões foram os pensamentos impuros, seu rosto chegou a corar só da saber que veria o outro pelado, ou até mesmo de cueca.
Teve que ignorar a calça e tirar, primeiro, o calçado de Danion, a camisa até então ter que tirar a calça junto da cueca e se deparar com o membro, que por sinal estava rígido, do outro.
Danion adorou ver o desconforto de Caine com o que via. Mas ele adorava essa tortura, esse poder. O branquelo estava ciente do que queria. O banho gelado não somente o despertou em si, mas despertou coisas íntimas. Coisas que ele planejava fazer na festa e que agora iria realizar, embora fosse com alguém que poderia ser a última opção.
— Agora você, tire as suas. — Pediu.
— Mas...
— Vamos, Caine, tire-as. — Murmurou, dessa vez o sorriso sapeca veio nos lábios.
— Eu não quero. Vou mandar Leo te ajudar. Vou mandar ele pegar roupas para ti.
Caine até tentou sair dali, mas o branquelo tinha mais força. O segurou pela cintura e aproximou seu corpo ao dele.
— Não resista. Não se faça de difícil. Eu sei o que você quer. É o que eu quero, também.
Era o efeito da bebida, Caine sabia disso. Mas de qualquer forma era uma perdição, o mar de prazer em sua frente. Atiçava o seu desejo. Despertava aquilo que ele tanto escondia.
— Por favor, Danion... — Pediu, contudo, não era isso que ele queria.
— Colin não está aqui para interromper. Eu quero sexo. Você também quer, Caine. Eu vejo isso nos seus olhos. Você me deseja.
— Eu não quero sexo. Não quero nada. — Tentou ser firme enquanto falava.
— Não quer? — Rapidamente Danion levou sua mão ao membro de Caine que estava rígido em sua calça. — E o que isso significa? — Ele sorriu, murmurando e mordiscando a orelha do outro.
— Para! — Pediu mais uma vez.
—Não é o que você quer, ou é? Se você disser que quer, dessa vez te solto.
Caine provavelmente na manhã seguinte iria se arrepender. Tantos seriam os motivos para isso. Mas estava ali, em sua frente, a oportunidade de realizar aquilo que por muito tempo estava ansiando. Era uma perdição tamanha, difícil de rejeitar. De dizer não. Ele poderia fugir? Sim. Mas e quando seu corpo tem mais autoridade que seu próprio cérebro? Não era apenas uma fatia de bolo, mas sim o bolo inteiro.
Ele se rendeu. Ficou em silêncio e apenas aceitou. Estava definitivamente pronto. Pronto para se entregar. Pronto para realizar. Pronto para provar dos lábios do outro.
Danion logo levou seus lábios ao pescoço de Caine, que arqueou as costas com tamanho prazer que sentiu no simples contato. Foi quando o branquelo arrancou sua camisa, que ele pode, finalmente, provar do beijo. Matar sua sede. Realizar o seu sonho.
Caine imaginava que beijar Danion o faria flutuar, fazê-lo sentir as malditas borboletas no estômago. Mas foi diferente disso. Ele se viu perdido em uma floresta, preso, procurando abrigo. Danion era o lenhador que o encontrou, usou das lenhas e do fogo para aquecê-lo, mas no final, queria algo em troca: ele. Estava com medo.
Quase foi devorado pelos lábios de Danion, que o deixou sem ar em questão de minutos. A água caía sobre os corpos, era gélida, mas não o suficiente para apagar o fogo que acabou de iniciar ali.
Caine era um boneco sendo comandado.
Logo após ter a sua camisa arrancada bruscamente, foi obrigado a tirar sua calça. Num piscar de olhos estava nu. Sua vergonha durou alguns segundos, logo foi esquecida já que o desejo de ser consumido ocupava todo o seu pensamento.
A culpa ainda martelava no cérebro de Caine, mas ele evitava isso. Estava beijando Danion. Isso era maior do que qualquer sentimento contrário.
Caine era virgem. Caine era ingênuo. Caine não sabia o que fazer.
— É a sua primeira vez? — Danion perguntou, vendo o desconforto do outro.
Ele somente negou com a cabeça sem ter coragem de dizer sequer uma palavra. Mentiu.
Mas o branquelo lhe quis dar segurança.
— Não precisa mentir para mim. Agora eu não quero mais te obrigar a nada.
Foi o suficiente para Caine sentir o alívio que esperava. Sendo assim, afirmou que realmente era a sua primeira vez.
Danion, mesmo bêbado, também sabia o que estava fazendo. Tirar a virgindade de alguém era uma tarefa difícil. E nesse caso, o fato de Caine ser apaixonado amplificaria esse sentimento. Mas o fogo dentro de si era maior, ele precisava de sexo. Caine era uma presa fácil demais para ele. O excitava. O deixava louco. Principalmente pela ingenuidade, pelo modo que se deixava levar.
Tomou Caine pelos lábios e desligou o chuveiro.
— Me deixa te guiar. — Ele pediu, murmurando.
Encostado a parede, o pequeno ficou. Danion estava adorando ouvir todos aqueles múrmuros de prazer que o menor soltava a cada beijo em regiões específicas. O branquelo foi mais atrevido ainda e o masturbou enquanto beijava seu tórax.
— D-danion. — A culpa.
— Shhhh! — O suficiente para Caine voltar a relaxar. — Olha para mim, Caine. — Pediu.
O pequeno, com as bochechas rosadas pelo prazer, viu quando Danion abocanhou, de vez, todos os seus centímetros. Prazer imediato. Sensação jamais sentida.
Caine nunca pensou que receber um oral era algo tão prazeroso. Ele quase se ajoelhou no chão por não suportar o prazer que estava sentindo. Contorcia-se na parede; suas pernas tremiam. Arrepios.
Foram cinco minutos de prazer naquela mesma posição, até Danion voltar para seus lábios e beijá-lo sorrindo.
— Agora eu quero que você faça o mesmo. — Dizia enquanto pressionava os ombros do garoto.
— E se...
— Você consegue. — Interrompeu-o.
Mais uma vez obedeceu. Caine antes segurou o membro de Danion pelas mãos e ficou admirado com o que olhava. Fechou seus olhos e imitou o que antes o branquelo fazia. É claro que já assistira muito pornô, e isso só facilitou. De qualquer maneira, tinha medo de machucar o outro, medo de que ele não gostasse.
Só que isso não aconteceu, pelo contrário, Danion estava adorando aquilo. Para uma primeira vez, Caine poderia ser considerado experiente. Conseguiu usar a língua perfeitamente sobre a glande e o falo do branquelo. Porém, isso não foi o suficiente. Insatisfeito, Danion queria mais e prendeu sua mão nos cabelos do menor, fazendo-o descer mais até encontrar seu saco. Outra sessão de prazer múltiplo.
Dado fim ao oral, Caine já estava sem ar novamente pelos beijos intensos que recebia de Danion.
O branquelo novamente ligou o chuveiro e lançou Caine mais uma vez contra a parede, dessa vez de costas para ele. O pequeno sabia o que estava prestes a acontecer. Desejava. Queria. Sonhava.
Danion apanhou sua calça do chão até encontrar sua carteira, de lá tirou o único preservativo que tinha. Ele obrigou Caine a colocá-la em si, que sem graça o obedeceu. Novamente foi lançado contra a parede e teve suas pernas afastadas.
— Fecha os olhos e relaxa.
— Eu sei que vai doer. — Disse, com medo.
— Pensa em mim. Me aceita. — Murmurou, tentando confortá-lo.
Caine fechou os olhos e disse:
— Você ocupa a maior parte dos meus pensamentos. — Caine, dominado pelo prazer, não notou o que acabara de revelar.
Danion sentiu seu coração se apertar diante daquelas palavras. Estava ali fazendo sexo, nada mais que isso. Sem envolver sentimento. Mas a ingenuidade daquele que estava se entregando, acabara, de alguma forma, tocando no seu lado humano.
— Danion? — Caine indagou, logo ao perceber que o branquelo parara de se mover.
— Você tem certeza do que está prestes a fazer?
Ele engoliu o seco. Perguntou-se por que agora Danion estava querendo parar com o que já tinha começado. Logo agora, quando ele finalmente iria finalizar sua entrega.
— Caine, posso te fazer uma pergunta? — O branquelo o virou.
Caine estava assustado.
— Você me ama? — Danion perguntou. A pergunta mais sincera de sua vida.
Ele sabia que Caine era apaixonado por ele. Mas amar. Amor? Danion jamais foi amado e por isso, decidiu não amar.
Fale com o autor