Notas iniciais
haru-chan: eu sei, eu sei, mereço apanhar de estintor de insendio, devia ter postado antes mais como a paola-chan viajou, e eu sou completamente dependente dela, ñ consegui postar antes, desculpas.

–Sim-respondo com receio, prefiro fazer uma loucura do que chegar atrasado, sério-Qual o seu plano?

–Você vai ver.

Falou sorrindo antes de me jogar no meio da rua, viro na direção para aonde ele estava olhando, vejo a luz de um ônibus.

Adeus mundo cruel.

Ahhh, mas eu volto pra puxar o pé desse filho da puta!

O ônibus, por incrível que pareça, parou a centímetros da minha perna, realmente pensei que iria morrer dessa vez. Quando o homem que tava dirigindo saiu pra ver se eu tinha me machucado ou algo assim o John aparece com a mesmo faca de antes, de quando tentou me assaltar, e ameaçou o homem, o cidadão fica deitado na calçada enquanto John me joga pra dentro do veiculo e logo depois também entrava .

–Você tá louco ?

–Você que disse que faria T-U-D-O pra chegar em casa a tempo – ele enfatizou a palavra tudo como se eu fosse culpado.

Eu pensei que a gente ia pular a roleta do ônibus, não roubar um.

Mas como ninguém ali dentro era retardado, logo as pessoas começaram a se agitar ao perceber a troca dos “motoristas”.

–Galera! Mudança de planos, vamos mudar a rota só um pouquinho. — disse John já sentado no acento do motorista .

–Você sabe dirigir essa merda ? — perguntei baixinho perto de seu ouvido só pra que ele escuta-se.

–Não.

PUTA QUE PARIU

Ele ligou o ônibus e começou a dirigir tão rápido que me fez cair de bunda no chão, eu fique ali observando o John, esse cara com certeza é viciado em adrenalina.Os passageiros começaram a gritar, mas ninguém se levantava do seu acento, e sabe por que ?

Nós roubamos o ônibus do asilo.

É, vamos pro inferno.

As velinhas começaram a jogar agulhas de tricô, novelos de lã, meias, tudo em cima de mim e somente de mim.

É vocês não leram errado , elas começaram a jogar somente em mim porque o John tava protegido por um vidro que tem atrás do acento dele. Droga, as meias e os novelos não eram o problema mas as agulhas de tricô eram , elas me arranharam todo, por fim , minha camisa havia se tornado um monte de trapos.

Resolvi tirar os restos do tecido de mim e sentar perto dos pés do ruivo para não me machucar com mais agulhas. John deu uma breve olhada para mim e deu uma risada, disso eu não podia culpa-lo, eu tava com um novelo de lã preso na minha cabeça. Que merda, o troço não sai.

–Você parece um gatinho, sabia ? — disse John tirando uma das mãos da direção e passando na minha cabeça, tirando o novelo.

–Não tira as mão do volante – disse completamente vermelho . Logo após digo pra ele para onde ele deve ir.

Que tipo de comentário foi aquele ?

Depois de alguns minutos eu me levantei dos pés do John e olhei pela janela , já estávamos a umas duas ou três quadras da minha casa.

–Daqui da pra ir a pé .

–Ta bom, neko.

–Neko*?

John riu e eu sabia que ele me chamaria assim enquanto eu estivesse por perto, que droga, preferia quando me chamava de play boy .

Estacionamos o ônibus em algum lugar e descemos. Nem sei o que aconteceu com aquele ônibus depois, por que corremos feito condenados.

Começamos a andar mais devagar e assim eu comecei a repassar aquela noite na minha cabeça, eu tava ficando com muitas duvidas em relação ao John, então, como provavelmente nunca mais o veria , resolvi fazer algumas perguntas .

–John . . . porque você me ajudou ? Porque simplesmente não me assaltou e foi embora ?

–Não sei , talvez porque você me lembre uma pessoa .

Uma pessoa ? John ficou em silencio por um momento e eu soube que não devia perguntar.

–Desculpa se não quiser fal . . .

–Minha irmã, ela, como você, tinha tido um dia ruim, mas quando ela estava na rua bêbada ... bem, digamos apenas que eu gostaria que alguém tivesse ajudado ela, foi por isso que eu te ajudei.

Sei que ele contou a história dele por não saber se nos veríamos de novo, mas mesmo as pessoas dizendo que se abrir com um estranho é fácil, eu admiro ele por conseguir falar isso sem chorar.

Nós ficamos em silêncio por alguns instantes, um clima estranho começou a se formar em nossa volta, resolvi quebrar o silêncio com outra pergunta .

–Então . . . você vai muito naquele bar ?

Ele me olha como se agradecesse pela pergunta, ele devia estar se perdendo nas memórias.

–Eu sou o dono.

.

.

.

MAS O QUE !?!?!

–Como assim!?! Então porque você rouba?

–Eu não roubava a muitos anos mas você parecia tão frágil, era como tirar doce de criança .

–Legal, lembro uma mulher, sou frágil e ainda o meu apelido é neko, mais alguma coisa? – disse, John começou a rir. –Legal, pelo menos eu divirto alguém — falei como se estivesse brabo mas logo comecei a rir também, rimos até chegarmos em frente da minha casa e eu, por incrível que pareça, não queria entrar lá, queria parar no tempo e ficar ali rindo com o John.

–Pois é neko, acho que é aqui que a gente se despede – disse John estendendo a mão para que eu a aperta-se mas como provavelmente seria a última vez que eu o veria, pulei em seu pescoço e o abracei, ele ficou surpreso mas logo correspondeu me abraçando forte, ficamos mais alguns instantes ali, sentindo o cheiro um do outro .

–Obrigado – eu disse colado ao seu ouvido.

–Pelo que ?

–Por me ajudar, por me salvar, me defender na cadeia, pagar minha fiança, enfim, por tudo.

Ele ficou quieto por um instante.

–De nada.

Eu afastei meus braços e olhei o seu rosto lhe mandando um sorriso .

–Oe neko . . .

–Sim.

–Você não disse o seu nome ainda .

–Rin, Watanabe Rin. — falei dando-lhe um último abraço e me soltando de vez de seus braços, comecei a caminhar em direção a minha casa, realmente não tava com a menor vontade de entrar lá, dei uma última olhada no John, que me abanava, lhe mandei um sorriso antes de entrar e fechar a porta.

~o~

Me encostei na porta não acreditando no que havia acontecido naquela noite. Avistei a escada e fui em sua direção, quando ia pisar no primeiro degrau a luz da sala se acende revelando meu pai de pé e minha mãe sentada em uma poltrona.

–Três perguntas, onde você estava? quem era aquele homem que você abraçou? E onde esta a sua camisa? — disse minha mãe num tom severo.

Vocês ainda tem duvidas que eu sou idiota? Quando lerem a frase seguinte não terão mais.

–Vocês não acordão só as 6?

Viu, essa é a frase mais acusadora de todas, parece que eu planejei aquilo tudo.

–É, nós sempre acordamos as 6, a menos que alguém ligue as 4 da manhã furioso porque você quebrou os vidros da casa dele – agora o meu pai falou se sentando do lado da minha mãe e colocando a mão na testa.

–Ela tava me traindo – eu disse em minha defesa.

Ser sincero funciona muito com meus pais, vai que assim eles só arrancam meus braços e não me desmembram inteiro.

–Tá tá, vai tomar um banho e depois a gente conversa – disse meu pai com a voz cansada.

Eu estava quase colocando o pé no degrau da escada, já pensando como seria o meu caixão quando meu pensamentos são interrompidos pelo grito da minha mãe.

–WATANABE RIN! VOLTA JÁ AQUI!

É agora que eu morro .

–Que foi, mamãe? — disse com uma cara de anjo pra ver se ela tem pena e me mata rápido.

–Como você foi parar na prisão?

–Como vocês sabem?

–Você esqueceu o celular lá e eles ligaram pra te lembrar disso.

Agora eu tava fodido, vendo minha morte evidente resolvi chuta o pau da barraca .

–Que sabe? Eu levei uma galhada, cai de cima de uma sacada, fui assaltado, fui pará num bar que mais parecia uma penitenciaria, tomei um porre daqueles que to mal até agora , fui drogado, dormi na calçada e fui acordado a pedrada , fui preso por nada , tentaram me estuprar, eu roubei um ônibus pra tentar chegar aqui em casa á tempo e ainda com velinhas rasgando minha camisa com agulhas de tricô assassinas, então se tão brabos comigo vão se foder .

Eu sentei no sofá, já sabendo o que ia acontecer assim que o choque passa-se, meu pai ia me deserdar , minha mãe ia entrar em coma e eu ia ter que morar numa casa de menores infratores, fechei os olhos imaginando minha vida dali pra frente mas tive que parar quando eu escuto um som bizarro.

Os meus pais, os super preocupados, estavam . . . RINDOOOOO???

–HAHAHAHAHAHA VOCÊ ? ROUBOU UM ÔNIBUS? HAHAHAHAHAHA -disse minha mãe.

–HAHAHAHAHAHA e ainda levou uma surra de velinhas – meu pai tava se contorcendo no chão de tanto rir.

–Elas tinham AGULHAS DE TRICO — essa frase só fez meus pais rirem mais ainda e até eu comecei a rir também, meu pai levantou e correu para a borda da escada.

–TAKAMI VEM AQUI HAHAHAHAHAHA — ahmmm ? Porque chamar o meu nii-chan ?

–Que foi pai ? — disse ele , descendo a escada com o seu pijama azul que ganhou do meu pai no seu último aniversario, tinha feito 22 anos.

–Seu irmão teve 'A' noite hahahahahaha

–Sério ? — disse ele arregalando os olhos .

–Como assim 'A' noite ? — perguntei parando de rir por um instante.

–Todos da nossa família tem algo em comum ,todos quando tem 16 anos tem uma noite que tudo de ruim acontece – disse meu irmão , que era o único além de mim que não estava rindo .

–E porque ninguém me disse ?

–Porque não adianta, o pai e a mãe me disseram e mesmo assim rolo comigo, melhor não falar e você ter a surpresa do que ficar esperando ... então, oque aconteceu ?

Contei tudo, menos o beijo e a parte que o John me deu o apelido de neko, afinal eles já tavam me zoando agora, imagina se eu contasse?

–HAHAHAHAHAHA – todos riram ao mesmo tempo, até eu.

–Mas . . . oque aconteceu na noite de quando foram vocês ?-perguntei curioso.

–Nem queira saber – disse meu irmão parando de rir aos poucos.

–Qual é filho, você só não quer falar porque acabou pelado no meio da cidade – disse meu pai, rindo pra caramba.

–COMO É QUE É ? — eu grite e depois comecei a rir que nem louco.

–Pelo menos pai, eu não acordei com uma tatuagem de um unicórnio na bunda — agora definitivamente todos estávamos rindo insanamente .

–Pelo menos vocês estavam na mesma cidade e eu que acabei na Russia ? — disse minha mãe, e eu achando que passei dureza, eu acho que nunca ri tanto na vida .

Nós rimos por mais algum tempo, até que minha mãe fez uma expressão como se tivesse se lembrado de algo .

–Filho ?

–Sim, mãe — disse parando de rir também.

–Aquele que você abraçou ali na frente era o tal John? — todos pararam de rir e começam a me olhar com sorrisos maliciosos .

–S-sim

–Você não esta me escondendo nada né ? — disse minha mãe me lançando um sorriso muito estranho.

–Não, não to escondendo nada .

–Bom, é que quando o policial ligou aqui pra casa ele disse que o John era muito velho pra ser seu namorado .

Um silêncio pairou no ar e eu comecei a ficar vermelho até que. . .

“ PLIM PLOM ”

–Pode entra! A porta tá aberta — grita minha mãe ainda sentada na poltrona , o individuo entra.

Como minha poltrona ficava de costas pra porta eu não via quem era mas com a minha sorte é alguém pra me prender por roubar o ônibus. Quando o individuo aparece na entrada da sala todo mundo me lança um olhar malicioso , então eu me virei e vi o ruivo atrás de mim.

–Eu passei na prisão pra pega a minha carteira e já peguei o teu celular, espero que não se importe – disse vindo na minha direção e colocando uma das mãos na minha cabeça e a outra segurando o celular, eu podia sentir os olhares de TODOS voltados pra mim, peguei o celular e me senti ficar vermelho de vergonha.

–Oe neko, você tá com febre ? — disse o John colocando a mão na minha testa e se abaixando ate ficar da mesma altura que eu estava .

–Eu to bem, não se preocupa – respondi.

CACETE, MEU IRMÃO IA PEGAR NO MEU PÉ DURANTE UM MÊS POR CAUSA DISSO.

John levanta e vai até a porta.

–Ta bom então, tchau neko, a gente se vê por ai – disse segundos antes de fechar a porta .

Me virei para a minha família e ... me arrependi profundamente .

–Neko? Ele te chamou de gatinho? — disse meu irmão antes de cair na gargalhada. –Rin você tem que trazer seu namorado aqui mais vezes – ele concluiu fazendo todos rirem, menos eu que já estava me dirigindo ao meu quarto.

–Rin espera – disse minha mãe menos risonha – só tenho que te dizer algo.

–Fala.

–Eu tive a noite no mesmo dia que seu pai, nós nos avistamos no outro dia pela manhã.

–E eu conheci a Nagase na minha noite , ela me deu um casaco pra vestir. E você sabe que vamos casar. – disse meu irmão.

–Todos nós conhecemos pessoas importantes nesse dia.- meu pai terminou o pensamento.

Subi as escadas e entrei no banho, é verdade que a Nagase ajudou o meu irmão e foi assim que se conheceram e também é verdade que meu pai conheceu minha mãe num aeroporto quando ela voltava de uma “viagem” a Russia e meu pai estava lá por motivos que nunca disse , talvez no estúdio de remoção de tatuagens que havia lá , mas se isso fosse verdade mesmo . . . . eu nem quero pensar, mas meu pai disse importantes , o John pode virar um melhor amigo quase um irmão, sei lá.

Terminei o meu banho, coloquei só uma cueca e uma calça e me deitei na cama pronto pra dormir.

Finalmente aquela loucura tinha acabado.

HÁ

Até parece que o universo ia ser tão legal.

“taque taque ” alguém bate na minha janela.

Notas finais
*Gato em Japonês Haru-chan: para compensar pelo atrasado estaremos postando essa semana na quinta. (Finalmente apareceu o nome do nosso protagonista uhuu)Kissus. https://www.facebook.com/Repentinonosamamos?notif_t=fbpage_admin