Repentino
4 Acidente
Notas iniciais
Terminei o meu banho, coloquei só uma cueca e uma calça e me deitei na cama pronto pra dormir.
Finalmente aquela loucura tinha acabado.
HÁ
Ate parece que o universo ia ser tão legal.
“taque taque ” alguém bate na minha janela.
–Não vou abri – disse, não importa quem fosse, não ia acabar bem se ela entrasse. Mas mesmo assim a janela é aberta e um ruivo alto entra.
–Calma neko, só bati por educação.
–John, o que você tá fazendo aqui?
–A policia tá atras de mim, acham que eu to manipulando você.
–Queee ?
–As velinhas do ônibus falaram pra policia que eu to te manipulando, que eu to usando uma mente casta e pura para executar os meus planos malignos, ou algo assim. — disse ele sentando do meu lado.
–Então porque você tá aqui? Se você tá me usando eles vão vir aqui, não acha?
–Eles pensam que nós estamos em outra cidade.
–E porque eles acham que eu fugi da cidade com você?
–Porque nós paramos o ônibus na frente da rodoviária.
Pensando bem, aquilo era verdade , mas . . .
–Porque você tá aqui?
–Eles tão vasculhando meu bar e minha casa, só pude vir pra cá.
–Vamos na delegacia esclarecer tudo.
–Agora não dá , eu tenho que levar o meu advogado e ele tá nesse momento resolvendo umas coisas numa delegacia.
–Você tá me dizendo que aquele cara com mau gosto e que tava com o dinheiro da nossa fiança é o seu advogado? — indaguei perplexo. — aquela coisa se formou em algo?
Ele balançou a cabeça positivamente e começou a se deitar do meu lado, eu o empurrei fazendo-o cair da cama .
–Se você vai passar a noite aqui, vai ser no chão e . . . . . .
Sou interrompido por um ronco, eu ficaria muito puto com isso se não tivesse tão cansado. Virei pro lado e comecei a dormir, teria um dia cheio amanhã.
~o~
–Irmãozinho, o que tá acontecendo aqui ? — meu irmão me acorda e me olha com um sorriso malicioso .
–O que você qu . . .?- mau terminei de fazer a pergunta e percebo que alguém estava me abraçando, John provavelmente durante a noite veio para a minha cama, eu tava de conchinha com ele, DE NOVO .
–A policia ta atrás dele e ele veio passar a noite aqui, hoje nós vamos na delegacia pra ajeitar as coisas – disse baixo pra não acorda-lo.
–Então acorda ele pra gente ir. – imediatamente sentei na cama e coloquei a cabeça do John no meu colo fazendo um cafuné em sua cabeça.
–John, vamos agora lá na delegacia? — falei delicadamente, com medo que ele tenta-se me matar .
–Hum ... , você tem que para de sempre me acordar assim, vou ficar mau acostumado – disse ele se levantando devagar do meu colo .
–KAWAIIIIIIIII *-* — disse o meu irmão, já tinha até me esquecido da presença dele, ele começou a colocar as mãos nos olhos – vocês formam um casal muito fofo – ele fica fazendo fiasco por mais um tempo e para subitamente e me olha com uma cara perva – como assim “se você sempre me acordar assim eu vou ficar mau acostumado" ?
–Não é da sua conta – diz John já saindo do quarto– eu espero você se vestir neko – pronto, meu irmão começou a me encher o saco. Expulsei ele, me vesti e sai do quarto, quando sai vi John tava quase dormindo encostado na parede, mas como esse cara dorme! Porém, contudo e entre tanto, eu tinha que admitir que não havia nada que me fascinava tanto quanto ver ele dormir, era tão ... relaxante.
Entrei na sua frente e coloquei minha mão na sua cabeça .
–John, a delegacia – disse sorridente, ele devia estar de mau humor.
–A gente vai comer algo antes né?
–Claro.
Descemos as escadas e quando chegamos lá embaixo meu irmão estava contando alguma coisa para nossos pais.
Pela animação dele, to achando que não é nada que preste.
–. . . Ai ele disse que ia esperar o “neko” na porta e . . .- ele olha pra traz e nos vê. -Olha o casalzinho feliz .
Eu disse que não prestava.
–Cala essa boca nii-chan – falei sério – o que tem para o café? — mudei de assunto com a intenção de fazer ninguém notar meu rosto vermelho mas, pelo sorriso malicioso do meu irmão, não funcionou.
–O mesmo de sempre, espero que o John goste.
Sentamos na volta da mesa e começamos a comer, meus pais sempre perguntando coisas para o John , ele tava ficando cada vez mais brabo .
E eu não julgo ele, pelo amor de Deus, acabamos de sair da cadeia, o que menos queremos é um interrogatório!
–Você mora aonde ?
–Tem quantos anos ?
–Tem namorada ?
–No que trabalha ?
–Eu moro no centro da cidade , tenho um apartamento, vinte e um anos de idade, não tenho nenhuma namorada e sou dono de um bar , agora se me derem licença eu e o nek . . . Rin vamos na delegacia, se vocês, depois de comerem, puderem ir, eu agradeço – logo depois de ter falado o John me puxou porta fora e começamos a andar em direção a delegacia, nós íamos demorar muito tempo se fossemos a pé mas achei melhor não falar nada, John já devia saber .
–Cara ... sua família é um porre – disse John ainda meio emburrado.
–Acredite, eles estão sendo muito legais .
E estavam, eu amava minha família e gostava muito dela mas admito que pra quem é de fora, deve ser um saco aturar eles.
O ruivo olha pro nada como se estivesse matutando algo.
Matutando ... meu Deus, quem usa essa palavra hoje em dia???
–Mas você disse que eles iam te matar se eles descobrissem, por que não fizeram nada ?
Ahh, então era isso.
–Porque parece que todos eles tiveram uma noite dessas quando tinham 16 anos, é como uma tradição, isso aconteceu com todos eles.
–Bem que eu achei que conhecia o teu irmão, não foi ele o cara que acabou pelado no meio da cidade?
–Foi sim hahahahahaha – não consegui me segurar, francamente, só de pensar nisso já começo a rir, e o John também. Nós parecíamos dois loucos, sério, quem ri na rua as 8 da manhã ?
~o~
Andamos por aproximadamente duas horas -ou mais-, a delegacia era bem longe. Passado mais um tempo a gente chegou, suados, com dor nas pernas, quase desmaiando mas chegamos vivos (ou quase). Aquele lugar me dava calafrios, segurei na manga do John, eu sei que isso é muito infantil e que eu já estive lá mas fazer o que né? Acho que fiquei com trauma, sei lá. Estávamos quase entrando quando eu me lembro de uma coisa .
–John não é melhor ligar pro seu advogado ?
–Verdade, vou liga pra ele .
Não acredito que a anta tinha esquecido disso.
Depois dizem que loiros que são burros.
Ele pegou o celular e discou o número do cara , tão rápido quanto a da primeira vez que eu vi ele discar esses dígitos , to começando a achar que o John na verdade é um ninja. Assim que começou a tocar ele fez uma cara feia, falou alguma coisa, desligou e veio fala comigo .
–Que estranho , ele não atendeu mas eu deixei um recado pra ele.
Entramos na delegacia e todos começaram a nos olhar com uma cara meio perva. Eu disse meio ? Totalmente perva .
Olha o holofote de novo ai gente .
–Galera o nosso casalzinho favorito voltou – disse uma das guardas, que fechou o manga yaoi que estava lendo pra nos olhar. Sério, desde que eu e John entramos na delegacia na primeira vez essa garota ficava nos olhando.
Fujoshis e seus problemas mentais.
–Cala essa boca Yuiko – disse o guarda que havia prendido eu e o John da outra vez – o garoto não sabe oque faz.
O John deu alguma resposta e todos os policiais da delegacia começaram a se levantar e pegar os cacetétes, teve o maior bate boca. Cara esses policiais são muito barraqueiros, mas eu não tava prestando atenção na briga, mas sim no fundo da sala, onde havia uma cela, eu fiquei chocado com quem estava la dentro, tá, não fiquei tão chocado mas aquele bastardo tinha que ser preso justo agora? Puxei a manga da blusa do John pra que ele olha-se .
–Aquele ali não é o seu "advogado"? — todos pararam o que estavam fazendo e olharam pra cela .
–Porra cara, o que você ta fazendo ai?- disse o John com uma cara tipo "Sério , como você é tão besta?".
–Ele foi preso por tentar nos subornar – aquele cara é muito besta, não acredito que ele fez isso mesmo – e agora você vai ser preso por sedução de menores.
O guarda pegou o braço do John o puxando em direção a cela quando eu, o besta, peguei o seu pulso e disse meio vermelho olhando pro chão.
–Ele não ta me seduzindo – perfeito, agora eu pareço uma menininha protegendo o namoradinho.
–Calma, ele não vai mais te usar .
. . .
. . .
. . .
WTF !?!
Cara , é sério que eles estavam acreditando que eu tava sendo usado?
Eu tenho dezesseis, não seis anos.
E como se não fosse suficiente, um cara me puxou com força pra trás, me fazendo cair no chão, e outro levou John para a cela em que o advogado estava .
–Deu garoto, pode ir – mas é agora que eu não vou embora mesmo .
Me levantei do chão olhando sério para o cara , e quando eu ia soltar minha frase de efeito, a porta da delegacia abre e todos os policiais ficam em formação de sentido. Olho pra trás e me arrependendo da minha decisão.
–Rin, o que você ta fazendo aqui ? — o pai da vad . . . Iore tava aqui, aah me esqueci de mencionar um detalhe bem pequeno , o pai da Iore é delegado .
–O s-s-s-senhor conhece esse garoto ? — alguém pergunta, o delegado olha pra todos como se fosse o melhor do mundo, ele estava de farda e seu cabelo loiro tava bem rente a cabeça, deixando uma cicatriz amostra na testa , nem preciso mencionar que ele era sinistro né ?
–Ele é o nam . . . ex-namorado da minha filhinha, e também, o cara que quebrou todos os vidros da minha casa. — oh merda, agora eu to ferrado .
–Prendam ele – não disse que tava ferrado?
Eles me empurraram pra dentro da cela onde o John estava e eu sentei no beliche , o delegado começou a olhar nossas fichas , a ficha do advogado era bem grande mas nada comparado a do John, ele tinha uma gaveta só pra ele. Enquanto ele olhava as fichas a guarda, aquela que gosta de yaoi, fazia comentários sobre eu e John, ela fazia parecer que nós éramos um casal perfeito e feliz .
Quando eu sair dessa cela eu mato a vadia.
–Você trocou a minha filha por esse idiota ? — disse o delegado com uma cara de nojo, John fingiu que nem tinha ouvido, ele já deve ter sido chamado de coisas bem piores.
–Bichinha nojenta – terminou o delegado, aaaaaaah, agora o bicho pega, posso até ser calmo mas quando me tiram do sério . . . sai de baixo.
–Eu prefiro ser uma bicha nojenta, do que ser como você, que é tão tapado que nem sabe que a filha é mais furada que peneira e que a esposa da a bunda pra todo mundo, to achando que quando o senhor viaja tem que pagar duas passagens, uma para você e a outra pros chifres.
Ele fez uma cara de espanto, sério que ele nem desconfiava de nada? A esposa dele todos os dias botava um homem (as vezes até mulher) pra dentro de casa, e depois passava a tarde gemendo, ela já tinha dado pra 90% das pessoas do bairro e ele nem desconfiava?
–O senhor tem até um apelido , o capitão galhada , toda vez que sai de casa ganha um chifre novo – dei uma pausa só pra escutar as pessoas tentando conter os risos – e olha que todo mundo sabia disso, e sabe por que ninguém te contou? Por que senhor assusta todo mundo, ninguém tinha coragem, aaaaah, e a sua filha ta seguindo a mesma "profissão" da mãe.
Eu sei que eu exagerei, mas eu passei por tanta coisa dessas últimas horas que acho que acabei descontando tudo no pai da Iore, por mais que eu ache que não falei nada que ele já não tivesse que ouvir a muito tempo.
Mas falar da esposa e da filha ...
Já foi de mais, ele abriu a cela e veio na minha direção completamente vermelho de raiva. Tava pronto pra me dar um soco quando o John segurou seu braço.
–Pensa cara , pelo menos agora você sabe, se ele não tivesse dito, você ficaria a vida inteira sem saber. — O delegado simplesmente livrou seu pulso e saiu da cela e da delegacia.
Não acho que ele tenha parado pelo que o John disse, mas sim por que bater em um menor dentro de uma delegacia é muita burrice. Mas o que o John falou fez a raiva parar e ele pensar melhor.
–Você tem coragem — disse John se virando pra mim.
–Foi ele que pediu — respondi me deitando no beliche. Em resposta ele só deu um sorrisinho de canto.
~o~
Minha família chegou pouco tempo depois, minha mãe veio até a nossa cela.
–Rin ,você tá bem? E você John, tudo em ordem? Não fizeram nada com vocês certo? Se fizeram eu vou . . .
Eu não disse que ela era super protetora?
Sentei no beliche ao lado do John.
–Calma mãe, a gente tá bem, você só precisa pagar a fiança e a gente sai daqui.
–Ohhhh, não esquece de mim!!!!!! — grita o advogado do fundo da cela. Eu tenho que descobrir o nome desse cara, ficar falando "o advogado" já ta me enchendo.
–Yamato – John sussurou no meu ouvido.
QUE ISSO!?!
O cara já tá lendo minha mente.
–Como você soube que eu queria saber o nome dele?
–Porque você tava olhando pra ele com cara de curiosidade.
Tava tão evidente assim?
Yamato, humm, era um nome muito sério pra um cara tão idiota, mas, de qualquer modo, matei minha curiosidade.
Assim que meus pais pagaram a nossa fiança e esclareceram a história do John, saímos de nossas celas e começamos a andar em direção a porta, Yamato já tinha saído há muito tempo.
Sério, nunca vi alguém tão rápido.
Mas antes que saíssemos, um dos guardas nos parou.
–Qual é cara, vai nos prender de novo?
–John, você não vai poder voltar pra casa nos próximos dois dias – ele continuou com a mesma cara de antes como se já soubesse disso – e até a próxima! Essa delegacia vai acabar ficando rica com as fianças de vocês. — puto mau comido, vai se fode.
Já estávamos dentro do carro, eu, John, meu pai e minha mãe, graças a deus o nii-chan não veio.
–John, porque você não ficou surpreso quando os guardas disseram que você não podia voltar pra casa?
–Porque eu sei que la dentro tem muito contrabando.
–Mas você não vai ser preso por causa disso? — disse com os olhos arregalados.
–Não
–Como não?
–Tenho meus métodos – esse cara ainda me deixa louco desse jeito – que foi? O neko tá preocupado comigo?
Já tinha até esquecido desse apelido.
–Não, eu não to preocupado só não quero ter que pagar sua fiança de novo.
–Sei – ele disse bagunçando o meu cabelo e como se não fosse o bastante meus pais começão a dar pequenos risinhos, então, finalmente, chegamos em casa.
–Tadaima – disse feliz por estar finalmente em casa.
–Okaeri – meu irmão respondeu saindo da cozinha e vindo ao nosso encontro, ele olha em direção do John – ele vai dormir aqui de novo?
–Ele vai passar dois dias aqui – minha mãe responde, mais rápido que um ninja.
–Não posso aceitar, vocês já fizeram muito por mim – John falou com uma cara um tanto fofa, dava até vontade de aperta.
–John, você já é da família, nada que a gente fizer por você vai ser demais – agora quem falou foi meu pai.
Okay, já é da família? Eles levam esse negocio de 'conhecer uma pessoa muito especial na sua noite' muito a sério.
–Então pelo menos me deixem devolver o dinheiro da fiança . . .
–John, eu acabei de dizer que você é da família e família não liga pra dinheiro. — meu pai disse interrompendo o John, andando em direção a cozinha onde minha mãe já tinha começado a fazer o almoço. Sério, da onde essa mulher tirou tanta velocidade?
–Rin, mostra pra ele onde fica o quarto de hospedes – disse meu irmão pondo a mesa – a menos que prefira que ele fique no seu quarto de novo – como sempre, meu irmão tinha que fazer um comentário desses que me fazia ficar vermelho até as orelhas.
Eu e John começamos a subir as escadas, eu estava tão nervoso com a situação que só fui perceber que estava na escada quando tava no último degrau, e foi ai quando eu vi ... dei um grande salto para trás empurrando, por consequência, o John, fazendo-o cambalear e procurar um apoio, como não achou acabou caindo da escada e batendo com a cabeça no chão, quando eu olho em sua direção vejo que uma possa de sangue começou a se formar na volta da cabeça do ruivo, eu desci correndo a escada e me ajoelhei do seu lado.
Logo em seguida meus pais escutam os barulhos e vão checar o que está acontecendo, ficando horrorizados com a cena.
–Takami, pega uma toalha e alcança as chaves do carro pro seu pai, temos que levar ele logo pro hospital. — minha mãe disse tirando o avental.
Meus olhos se enchem de lágrimas, sei que eu o conheço a pouco tempo e que não é possível que eu tenha me apegado tando a ele mas ... o impossível aconteceu.
Então a voz do meu pai resoou na minha mente:
"todos nós conhecemos pessoas importantes nesse dia"
O que aquilo significava?
–John, Joooohn, acorda, JOOOHN!!!! — eu comecei a chamar seu nome e um desespero me toma.
Naquele momento eu estava destruído, comecei a imaginar meu futuro sem o John e me desesperei mais, eu não sabia ao certo porque de toda aquela aflição, afinal eu havia o conhecido a penas dois dias atrás mas . . . eu sentia como se o conhece-se a muitos anos, como se eu tivesse o conhecido antes mesmo de nascer e agora eu sentia como se ele fosse o meu futuro e sem ele eu não conseguiria continuar, eu já estava com o rosto completamente tomado pelas lágrimas quando escuto algum som saindo da boca do John.
–Calma, vaso ruim não quebra – disse John abrindo os olhos, ele olhou para mim, vendo o meu estado, levantou uma de suas mãos e enxugou algumas das minhas lágrimas — Sei, não se preocupa comigo né . . . ?
–Cala a boca — disse me deitando em seu peito e exalando o seu cheiro para que nunca mais saísse de minha memória. Takami chegou pouco tempo depois com uma toalha branca, que assim que tocou a cabeça de John se tingiu de vermelho, eu o ajudei a levantar e ir até o carro, só meu pai foi conosco, era melhor assim só nós três, sem muito gente.
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