Repentino
8 Ciumento
Notas iniciais
Levantei sem olhar pra ele e disse -Pensei que eu também era.
Corri pro meu quarto e fechei a porta, um tempo depois ouvi o John bater nela algumas vezes mas não abri, não queria que ele me visse chorando.
Realmente, eu havia virado uma pilha de emoções nos últimos dias, mas não era só por isso que eu chorava mas sim por que eu sempre estava depositando muita confiança no ruivo e ele não correspondia.
As duas horas se passaram, coloquei uma roupa qualquer e sai do quarto, o ruivo estava no sofá da sala lendo um livro, assim que apareci, ele se levantou, largando-o.
–Neko, eu não queria dizer aqu . . .
–A gente já tá atrasado. — falei abrindo a porta da casa, não ia ser tão fácil assim se desculpar, passamos o caminho inteiro em silêncio. Sim, eu sou MUITO ciumento. Lista de defeitos :
1- xereta
2- preguiçoso
3- avoado
4- ciumento
Chegamos na igreja, cumprimentei todos da minha família e todos da família da Nagase, o John apertou a mão de todos e se sentou lá no fundo da igreja, começamos o ensaio, o ruivo nem tentou disfarçar, passou o tempo inteiro olhando pra mim e eu de vez em quando olhava pra ele com uma cara braba, mas acho que não dava muito certo porque cada vez que eu olhava pra ele, ele ria da minha cara, o ensaio teve uma pausa, eu estava procurando o meu nii-chan pra conversar um pouco, podia não parecer mas sentia falta dele (quem diria !!!).Ah! Olha o nii-chan ali e . . . porque ele tá puxando o John para uma sala? Fiquei vermelho de raiva, aquele pervertido ia ver do que eu era capas se encosta-se um dedo no meu ruivo!
Meu?
Eu já estava na frente da sala quando encosto o ouvido na porta, to virando expert nisso.
–Você e o Rin brigaram ?- diz o meu irmão.
–Sim, mas como você sabe ?
–Ele tava te olhando com a cara braba dele.
–Aquela era a cara que ele faz quando tá brabo ? Mas é tão fofa . . . — quando o John disse isso eu quase pulei na sala, minha cara não era fofa !!!!!
–Mas porque vocês brigaram ? — acho que a xeretice vem de família.
–Porque ele é ciumento!!!- agora eu não aguentei, eu podia ser ciumento mas só eu podia pensar isso de mim mesmo.
–EU.NÃO.SOU.CIUMENTO.- gritei abrindo a porta de supetão.
Os dois olharam para mim, e depois trocaram olhares entre si.
–E nii-chan que ideia é essa de arrastar o John pra dentro de uma sala com você ? Não se esquece da sua esposa.
Eles começão a rir.
–Ah não é ciumemento ? Então porque você ficou furioso com o fato dele ter me arrastado pra cá ?- pergunta o John com um dos braços em cima do meu ombro, aaah, como me dava raiva quando eles riam de mim.
Acho que tive mais uma de minhas ideias.
Alguém ai ainda tem duvidas que vai dar merda?
Eu nunca faria aquilo, mas como eu queria surpreende-los.
Segurei o John pelo cangote da blusa e lhe prensei contra a parede.
–Só to cuidando do que é meu. — falo e logo depois o beijo, agora sim, deixei todo mundo de queixo caído (até você), o ruivo coloca as mãos na minha cintura e inverte as posições, entrelaça uma de suas mãos nos meus fios e puxa minha cabeça de leve pra trás.
–Não esquece que o seme da relação sou eu.- logo depois continuou a me beijar, escutamos a porta abrir.
–Amorzinho, tava te procurando por toda parte, você viu o Rin ? — assim que a Nagase olha para o outro lado vê a cena e cora.
–Oi – digo ainda contra a parede, John finalmente me solta, quando olha pro nii-chan vejo ele sentado com uma possa de sangue a sua volta, nunca tinha visto hemorragia nasal tão horrível.
–Nii-chan você é Bi ? — eu sei, perguntei isso do nada.
–Que pergunta é essa ? — disse o meu irmão se levantando.
–Você teve uma hemorragia nasal enorme vendo dois homens se beijando, então . . . — disse sem terminar a frase, a Nagase olha pra mim.
–Você nunca soube dos relacionamentos do seu irmão?- ela fez uma cara de safadinha.- vou ficar feliz em contar, ele já pegou homem, mulher, criança . . .
–Não eram crianças, só eram 8 anos mais novas que eu .
–Continuando, já teve ate travesti na historia.
COMO É QUE É !?!
–HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAA
Todos, menos o nii-chan, começaram a rir feito loucos.
–Eu tava bêbado quando fiquei com a Geize — disse o nii-chan, esse deve ser o nome do traveco.
–Você namorou um mês com ela!!! — disse a Nagase ainda rindo.
–É que eu bebia demais naquela época.
Mais e mais gargalhadas, até o nii-chan teve que começar a rir uma hora, a porta abre novamente, dessa vez é a minha mãe.
–O que aconteceu ?
Mas ninguém conseguiu parar de rir pra explicar qualquer coisa.
–Ta, vocês tão se divertindo, já vi, mas o ensaio continua e vai ser difícil prosseguir sem os noivos. — nós quatro nos levantamos do chão. Sim, já estávamos nos contorcendo de tanto rir.
O ensaio continua, blá blá blá, a mesma coisa chata de sempre, como alguém pode gostar de ir a casamentos? Acho que eu não iria no do nii-chan e da Nagase mas como eles me convidaram pra ser padrinho, tenho que aparecer e porque eu gosto de mais da Nagase pra dar esse bolo nela.
Tarararan tarararan tatan tan tan, aquela velha marcha nupicial toca, percebo que todos estão olhando pra nagase menos o John que tava olhando pra mim, eu o olho de volta, não estou com a minha cara braba ele da um leve sorriso e eu viro pro outro lado, eu ainda to brabo com ele, o ensaio finalmente acabou, me despedi de todos.
–Então, vamos ? — falei olhando pro John, que apenas assentiu e fomos em direção ao carro, ao chegarmos ele abriu a porta do carro pra mim entrar.
–Não adianta ser gentil, ainda to brabo.- disse entrando no carro.
Há há, não ia ser tão fácil assim !
Entramos em casa, eu já não estava mais brabo ou com raiva do John, afinal, eu sei que ele não quis dizer que eu e ele não eramos amigos, o ruivo só se atrapalhou com as palavras, eu havia compreendido isso, mas ele continua me escondendo coisas e é isso que eu não admito!
E não, não é só porque eu sou um xereta.
É também porque ele sabe tudo sobre mim, meus defeitos, qualidades(se é que tenho alguma), segredos, tudo que alguém poderia saber, ele sabia, ele sabe até a minha rotina porque moro comigo e em compensação, o que eu sabia sobre ele ? Só que a irmã havia morrido e que não tinha pais, mas eu nunca soube nada sobre ele, eu gostaria de saber como foi a sua criação, como foi o colegial, a primeira briga que entrou, o primeiro amor, e principalmente, QUEM ERA A “NINGUÉM”!!!
Sentei no sofá e liguei a TV, o John sentou no meu lado e abraçou meus ombros com um dos seus braços, encostou a boca no meu ouvido e disse.
–Você ainda tá de mal comigo, neko ? — disse já indo me beijar, eu viro o rosto e ele beija a minha bochecha, assim que se afastou, olhou para mim.
–Você vai me dizer a verdade ? — pergunto.
–Não. — responde na maior cara de pau.
–Então ainda to de mal com você. — me levanto do sofá e saio de casa, não havia a menor necessidade de eu fazer isso.
É, eu só queria uma saída dramática.
Mas quando eu tinha pensado nisso havia esquecido que quando eu sai-se teria que permanecer fora de casa por um tempo, devia ser umas duas da tarde e eu ainda não havia almoçado, peguei meu celular, enviei uma mensagens pro John dizendo que ia almoçar num restaurante perto dali, eu estava terminando de enviar o SMS quando esbarro em alguém.
Droga, meu celular se espatifou no chão.
Me agachei para pegá-lo mas em vez de agarrar a tela, peguei a mão de alguém, logo larguei.
–Desculpa pelo telefone. — a mulher se levanta e eu também, já juntei todos os restos mortais do meu celular.
–Não, tudo bem, eu é que devia olhar por onde ando. — eu disse e ela logo olhou para a minha mão onde estava o cadáver do meu celular.
–Olha o que eu fiz!
–Tudo bem, isso não foi nada.- olhei para o seu rosto e parecia não ter se convencido muito. — de verdade.
–Se você diz. — ela parece estar melhor.
Volto para o meu caminho, pensando agora ela era uma mulher bem bonita, devia ter uns vinte anos e estava vestindo um terninho azul bem justo, seu cabelo estava prezo num coque, ahhhhh ela era linda.
Estava na porta do restaurante quando esbarrei em alguém de novo.
O universo tá de brincadeira comigo, né?
–Olha você de novo . — a mulher do terninho estava ali, bem na minha frente.
–Olá!
–Vai almoçar aqui? – nãooo, vou liga pro Thomas Edson.
–Vou sim.
–Então deixa que eu pago, é o minimo que eu posso fazer depois de ter destruído o seu celular.
–Não precisa e . . . — coloco a mão no bolço e percebo que to sem nenhum tustão furado, mecho no bolço do meu moletom também mas não acho nada.
–É só um empréstimo. — digo e ela da umas risadas, entramos no estabelecimento e sentamos numa mesa, fizemos os pedidos.
Nossa, ela era muito divertida, era meio infantil mas divertida, descobri que ela tinha vinte anos( não disse? ) seu nome era Yuki, que era administradora de uma grande empresa, usou aparelho até os quatorze anos, que ela já havia tido mais de quatorze namorados e que acabou o noivado semana passada, a cor do seu cabelo na verdade não era castanho mais sim loiro, que seu cachorro se chamava inu(que ironia) e que era alérgica a gatos, . . .
Eu sabia mais sobre ela do que sobre o John.
–Que foi ? — ela disse .
–Nada não.
–Nós estamos aqui a duas horas só falando de mim, agora vamos falar de você. — ela apoiou a cabeça nas mãos, eu não disse nada.- vamos, eu não sei nem seu nome.
–Meu nome é Watanabe Rin.
–Então Rin, o que ah de errado com você ? Você parece meio triste. — dizem que é mais fácil se abrir com com estranhos né?
–Bom ... é que eu sei mais sobre você, que conheci hoje, do que o John, um homem que eu considero um amigo.
–Será que não seria falta de confiança ?
–Acho que não, ele já provou várias vezes que confia em mim, e se não confiasse, não deixaria eu morar com ele.
–Talvez ele tenha algo á esconder.
–Ele disse que não se orgulha do passado, mas mesmo assim, ele devia confiar em mim. — ela pôs a mão no meu rosto.
–Ele deve ter um bom motivo.
–O que tá acontecendo aqui ? — Do nada o John aparece atrás de mim.
–John não é o que parec. . .
–Yuki, tira as mãos dele . — o ruivo puxa o meu braço e me forçando a levantar, logo me segura pela cintura.
–Calma Joy, eu só tava tendo um papo com a sua namoradinha.- a Yuki mudou totalmente de personalidade, como se fosse outra pessoa.- não é fofinho ?
–Quem é você ? — pergunto olhando pra ela.
–O passado do Joy.- assim que diz isso se levanta e vai em direção a saída do restaurante.
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